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Simone Tebet anuncia apoio a Lula. “Não cabe a opção pela neutralidade”

Simone Tebet anuncia apoio a Lula. “Não cabe a opção pela neutralidade”

A senadora Simone Tebet (MDB-MS), que foi candidata de seu partido à Presidência da República, anunciou na tarde desta quarta-feira (5), em live transmitida por suas redes sociais, o apoio no segundo turno a Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Simone Tebet almoçou com Lula em São Paulo e fez o anúncio às 16h.

“Não cabe a opção pela neutralidade”, disse Simone Tebet. “Ainda que mantenha as críticas que fiz, depositarei em Lula o meu voto, porque reconheço nele o compromisso com a democracia, o que desconheço no atual presidente”, afirmou a senadora.

Veja o pronunciamento de Simone Tebet:

Simone disse que chegou a ser pressionada por alguns companheiros de partido a manter a neutralidade, o que poderia facilitar compromissos políticos. “Peço desculpas a esses companheiros”, afirmou. “Se omitir seria trair minha trajetória política desde que, aos 14 anos, pedi autorização à minha mãe para ir às ruas gritas pelas Diretas Já”.

Simone Tebet foi a terceira colocada no primeiro turno, atrás de Lula e Jair Bolsonaro. Ela teve 4,2% dos votos válidos, 4,9 milhões de votos.

O MDB liberou seus filiados para apoiarem os nomes que quiserem no segundo turno. O ex-presidente Michel Temer e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, apoiarão a reeleição do presidente Jair Bolsonaro. Helder Barbalho, reeleito governador do Paraná com a maior votação proporcional do país, apoiará Lula.

Veja a íntegra do pronunciamento de Simone Tebet:

“MANIFESTO AO POVO BRASILEIRO

Apresentei minha candidatura à Presidência da República diante de um país dividido pelo discurso do ódio, da polarização ideológica e de uma disputa pelo poder que não apresentava soluções concretas para os problemas reais do povo brasileiro. Minha intenção foi construir uma alternativa a essa situação de confronto, que não reflete a alma e o caráter da nossa gente.

As urnas falaram. O povo brasileiro fez sua voz ser ouvida. Cumpriu-se o rito da Constituição, que hoje completa 34 anos. Venceu a democracia. Tive 4.915.423 votos, pelo que agradeço, do mais fundo do coração, por cada um deles.

Aprendi, ao longo de minha vida política, que não se luta apenas para vencer, mas para defender projetos, disseminar ideias, iluminar caminhos, plantar boas sementes para uma colheita coletiva.

O eleitor optou por dois turnos.

Em face de tudo o que testemunhamos no Brasil dos últimos tempos e do clima de polarização e de conflito que marcou o primeiro turno, não estou autorizada a abandonar as ruas e praças, enquanto a decisão soberana do eleitor não se concretizar.

A verdade sempre me foi companheira, não será agora que irei abandoná-la. Critiquei os dois candidatos que disputarão o segundo turno e continuo a reiterar as minhas críticas. Mas, pelo meu amor ao Brasil, à democracia e à Constituição, pela coragem que nunca me abandonou, peço desculpas aos amigos e companheiros que imploraram pela neutralidade neste segundo turno, preocupados que estão com a eventual perda de algum capital político, para dizer que o que está em jogo é muito maior que cada um de nós. Votarei com minha razão de democrata e com minha consciência de brasileira. E a minha consciência me diz que, neste momento tão grave da nossa história, omitir-me seria trair minha trajetória de vida pública, desde quando, aos 14 anos, pedi autorização à minha mãe para ir às ruas lutar pelas Diretas Já. Seria desonrar a história de vida pública de meu pai e de homens históricos do meu partido e  da minha coligação. Não anularei meu voto, não votarei em branco. Não cabe a omissão da neutralidade.

Há um Brasil a ser, imediatamente, reconstruído. Há um povo a ser, novamente, reunido. Reunido na diversidade, antes (e sempre) a nossa maior riqueza, agora esmigalhada por todos os tipos de discriminação.

Neste ponto, um desabafo: de que vale irmos às nossas igrejas, proclamar a nossa fé, se não somos capazes de pregar o evangelho e respeitar o nosso próximo nos nossos lares, no nosso trabalho, nas ruas de nossa pátria?

Nos últimos quatro anos, o Brasil foi abandonado na fogueira do ódio e das desavenças. A negação atrasou a vacina. A arma ocupou o lugar do livro. A iniquidade fez curvar a esperança. A mentira feriu a verdade. O ouvido conciliador deu lugar à voz esbravejada. O conceito de humanidade foi substituído pelo de desamor. O Brasil voltou ao mapa da fome. O orçamento, antes público, necessário para servir ao povo, tornou-se secreto e privado.

Por tudo isso, ainda que mantenha as críticas que fiz ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva, em especial nos últimos dias de campanha, quando cometeu o erro de chamar para si o voto útil, o que é legítimo, mas sem apresentar suas propostas para os reais problemas do Brasil, depositarei nele o meu voto, porque reconheço seu compromisso com a Democracia e a Constituição, o que desconheço no atual presidente.

Meu apoio não é por adesão. Meu apoio é por um Brasil que sonho ser de todos, inclusivo, generoso, sem fome e sem miséria, com educação e saúde de qualidade, com desenvolvimento sustentável. Um Brasil com reformas estruturantes, que respeite a livre inciativa, o agronegócio e o meio ambiente, com comida mais barata, emprego e renda.

Meu apoio é por projetos que defendo e ideias que espero ver acolhidas. Dentre tantas que julgo importantes, destaco cinco, tendo sempre a responsabilidade fiscal (âncora fiscal) como meio para alcançar o social:

  1. Educação: ajudar municípios a zerar filas na educação infantil para crianças de três a cinco anos e implantar, em parceria com os estados, o ensino médio técnico, com período integral e conectividade, garantindo uma poupança de R$ 5 mil ao jovem que concluir o ensino médio, como incentivo para que os nossos jovens voltem à escola;
  2. Saúde: zerar as filas de cirurgias, consultas e exames não realizados no período da pandemia, com repasse de recursos ao SUS;
  3. Resolver o problema do endividamento das famílias, em especial das que ganham até três salários mínimos mensais;
  4. Sancionar lei que iguale salários entre homens e mulheres que desempenham, com currículo equivalente, as mesmas funções. Esse projeto já foi aprovado no Senado Federal e encontra-se parado na Câmara dos Deputados;
  5. Um ministério plural, com homens, mulheres e negros, todos tendo como requisitos a competência, a ética e a vontade de servir ao povo brasileiro.

Até o dia 30 de outubro, estarei nas ruas, vigilante; meu grito será pela defesa da democracia e por justiça social; minhas preces, por uma campanha de paz.

Com os meus mais sinceros agradecimentos ao povo brasileiro,

Simone Tebet”

AUTORIA

Rudolfo Lago

RUDOLFO LAGO Diretor do Congresso em Foco Análise. Formado pela UnB, passou pelas principais redações do país. Responsável por furos como o dos anões do orçamento e o que levou à cassação de Luiz Estevão. Ganhador do Prêmio Esso.

CONGRESSO EM FOCO
Simone Tebet anuncia apoio a Lula. “Não cabe a opção pela neutralidade”

2º turno: Lula tem 10 pontos de vantagem sobre Bolsonaro em 1ª pesquisa

Conforme levantamento do Ipec publicado nesta quarta-feira (5), o ex-presidente tem 55% dos votos válidos, contra 45% do atual presidente

A primeira pesquisa a ser divulgada neste segundo turno das eleições presidenciais mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com dez pontos percentuais de vantagem sobre Jair Bolsonaro (PT).

Conforme levantamento do Ipec publicado nesta quarta-feira (5), o ex-presidente tem 55% dos votos válidos, contra 45% do atual presidente.

Nos votos totais, Lula aparece com 51%, e Bolsonaro, com 43%. Há 4% de brancos e nulos, além de 2% de indecisos.

Ainda de acordo com o levantamento, 50% dos eleitores não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum. A rejeição a Lula é menor: 40%.

O Ipec ouviu 2 mil eleitores desde segunda-feira (3) – a pesquisa foi concluída nesta quarta. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2022/10/05/2o-turno-lula-tem-10-pontos-de-vantagem-sobre-bolsonaro-em-1-pesquisa/

Simone Tebet anuncia apoio a Lula. “Não cabe a opção pela neutralidade”

Empresários bolsonaristas tentam evitar vitória de Lula coagindo trabalhadores

Casos de intimidação após 2º turno que se tornaram públicos ocorreram no RS, PA e PE e são investigados pelo MPT. No PA, foi oferecido dinheiro se Bolsonaro vencer

A política do medo típica dos adeptos do bolsonarismo, que busca ganhar espaço na base da intimidação em várias frentes de atuação, intensificou sua artilharia desde a definição do segundo turno. E um dos focos centrais dessa tática tem sido a coação de trabalhadores e fornecedores por empresários.

A Stara, empresa do ramo agrícola da cidade de Não-Me-Toque (RS), setor que tem forte presença de apoiadores do atual presidente, enviou carta aos seus fornecedores, no dia seguinte ao primeiro turno, na qual ameaça: “em se mantendo este mesmo resultado [vitória de Lula] no 2º turno, a empresa deverá reduzir sua base orçamentária para o próximo ano em pelo menos 30%”.

O presidente da Stara, Átila Trennepohl, tentou minimizar o caso, atribuindo o envio do documento como algo rotineiro da empresa. No entanto, é importante lembrar que um dos sócios da empresa, presidente do Conselho de Administração e pai de Átila, Gilson Lari Trennepohl, vice-prefeito da cidade gaúcha, é um dos maiores doadores da campanha de Jair Bolsonaro (PL), com R$ 350 mil repassados.

Ele também destinou outros R$ 300 mil à campanha de Onyz Lorenzoni (PL), ex-ministro de Bolsonaro que disputa do governo do Rio Grande do Sul. O candidato também recebeu doação de R$ 100 mil de Susana Trennepohl, esposa de Gilson, diretora financeira da Stara. O Ministério Público do Trabalho do RS e a Defensoria Pública da União (DPU) apuram a denúncia.

Outro caso também no Rio Grande do Sul, na cidade de Novo Hamburgo, mostra método semelhante de intimidação. A empresa Extrusor, que fornece máquinas e peças para o setor do plástico, enviou carta aos seus fornecedores na terça-feira (4), avisando que passará a funcionar apenas de forma virtual, cortando contratos no comércio local, caso Lula seja eleito.

No mesmo dia, o Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS) e o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4) emitiram nota conjunta na qual afirmam que “o exercício do poder do empregador é limitado, entre outros elementos, pelos direitos fundamentais da pessoa humana, o que torna ilícita qualquer prática que tenda a excluir ou restringir a liberdade de voto dos trabalhadores”.

A nota continua dizendo que “o voto, direto e secreto, é um direito fundamental do cidadão protegido pela Constituição Federal como livre exercício da cidadania, da liberdade de consciência, de expressão e de orientação política. Portanto, cabe a cada eleitor tomar suas próprias decisões eleitorais baseado em suas convicções ou vontades, sem ameaças ou pressões de terceiros”.

No Pará, também foi registrado caso desse tipo. Em vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver um empresário da cidade de São Miguel do Guamá, do ramo de cerâmica, dizendo aos seus trabalhadores que fechará suas três empresas no caso de vitória de Lula, além de oferecer R$ 200 para cada funcionário se Bolsonaro vencer. “Eu sei que aqui nem todo mundo é Lula, mas nós tem que se unir para que ele não ganhe [sic]”, afirmou. O caso também é investigado pelo MPT.

Nesta quarta-feira (5) em Pernambuco, outra situação de tentativa de intimidação veio à tona. A psicóloga Karina Lopes, que atuava no setor de Recursos Humanos da rede Ferreira Costa, foi desligada da empresa após ameaçar, em publicação nas redes sociais, demitir funcionários que apoiam o PT. “Se tiver demissão em massa, vou fazer de tudo para começar pelos petistas. Me aguardem”, ameaçou Karina na postagem. Em outras publicações, ela demonstrou alinhamento a Bolsonaro. O MPT do estado também acompanha o caso.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2022/10/05/empresarios-bolsonaristas-tentam-evitar-vitoria-de-lula-coagindo-trabalhadores/

Simone Tebet anuncia apoio a Lula. “Não cabe a opção pela neutralidade”

Armínio Fraga, Edmar Bacha, Pedro Malan e Persio Arida declaram voto em Lula no 2º turno

Em nota, os quatro economistas afirmaram: “Votaremos em Lula no 2º turno; nossa expectativa é de condução responsável da economia”.

Por g1

Os economistas Edmar Bacha, Pedro Malan e Persio Arida declararam voto em Luiz Inácio Lula da Silva no 2º turno das eleições.

 

Armínio Fraga, presidente do Banco Central (BC) durante o segundo mandato do governo de Fernando Henrique Cardoso, já havia declarado sua preferência na terça-feira (4).

 

Em nota, os quatro economistas afirmaram: “Votaremos em Lula no 2º turno; nossa expectativa é de condução responsável da economia”.

 

Malan foi ministro da Fazenda durante o governo de FHC e presidente do Banco Central durante o governo de Itamar Franco. Junto com ele, Persio Arida e Edmar Bacha foram os criadores do Plano Real.

Persio Arida, ex-presidente do BNDES e do Banco Central, declarou seu voto na quarta-feira (5), segundo o jornal “O Globo”. Ele afirmou que considera o presidente Jair Bolsonaro “claramente uma ameaça à democracia brasileira” e que houve “imenso retrocesso civilizatório” em seu governo.

 

Para o economista, um eventual governo Lula será responsável fiscalmente e está com “expectativa de boas políticas econômicas na direção das reformas”, diante de uma base de apoio mais ao centro. Arida já coordenou o programa do atual candidato a vice-presidente pelo PT, Geraldo Alckmin, em campanhas anteriores.

 

Armínio Fraga já demonstrava ser crítico à gestão de Jair Bolsonaro (PL). Ele discursou durante a leitura de duas cartas em defesa da democracia, no dia 11 de agosto. O evento, organizado na Faculdade de Direito da USP, ocorreu em meio a ataques de Bolsonaro contra o processo eleitoral, com insinuações golpistas.

 

“Vou declarar apoio a Lula. Pensei em anular para indicar pouca confiança nos dois finalistas, pensando nas oportunidades desperdiçadas pelo PT no poder. Não vejo uma margem suficiente e, como já disse, os riscos aumentaram”, contextualizou Armínio ao Estadão.

G1

https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/noticia/2022/10/06/arminio-fraga-edmar-bacha-pedro-malan-e-persio-arida-declaram-voto-em-lula-no-2o-turno.ghtml

Simone Tebet anuncia apoio a Lula. “Não cabe a opção pela neutralidade”

Mundo não eliminará pobreza extrema em 2030, alerta Banco Mundial

O atraso se deve, segundo a instituição financeira, à pandemia, que provocou o maior aumento da pobreza desde 1990, tendência que poderia ser reforçada com a guerra da Ucrânia.

O mundo não conseguirá erradicar a pobreza extrema em 2030, data estabelecida pela Assembleia Geral da ONU para cumprir com seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável adotados em 2015, estimou o Banco Mundial (BM) em um relatório nesta quarta-feira (5).

 

O atraso se deve, segundo a instituição financeira, à pandemia de covid-19, que provocou o maior aumento da pobreza desde 1990, tendência que poderia ser reforçada com a guerra da Ucrânia, segundo seu relatório anual sobre a pobreza.

 

Cerca de 70 milhões de pessoas caíram na pobreza extrema em 2020, segundo o BM, que estima que quase 720 milhões de pessoas viviam com menos de 2,15 dólares por dia no final desse ano.

Durante a pandemia, a renda dos 40% mais pobres, muitas vezes procedentes da economia informal em muitos países, caiu em média duas vezes mais do que os dos 20% mais ricos, aprofundando as desigualdades.

 

“Inflação, desvalorizações cambiais e crises sobrepostas” apontam para uma perspectiva sombria, disse o presidente do Banco Mundial, David Malpass, em nota.

 

“O progresso na redução da pobreza extrema estagnou junto com o crescimento econômico global moderado”, acrescentou.

 

A África Subsaariana concentra 60% dos mais pobres, ou seja, quase 390 milhões de pessoas, com uma taxa de pobreza de 35%.

 

Para eliminar a pobreza extrema no continente africano para 2030, o Banco Mundial estima que seria necessário um crescimento de 9% por ano em cada país desta região no final da década, “uma marca particularmente alta para países cujo crescimento do PIB per capita foi em média de 1,2% durante a década anterior à pandemia”, estima o Banco Mundial.

“Investir em melhores serviços de saúde e educação será crucial para as economias em desenvolvimento na próxima década”, disse o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill.

 

Para reverter a tendência, a instituição pede aos governos que direcionem melhor a ajuda para reservá-la para os mais pobres, incentivem o investimento em educação, pesquisa e desenvolvimento e considerem uma tributação que leve mais em consideração as rendas.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/10/05/mundo-nao-eliminara-pobreza-extrema-em-2030-alerta-banco-mundial.ghtml