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Três novas pesquisas sugerem “onda Lula” e vitória no primeiro turno

Três novas pesquisas sugerem “onda Lula” e vitória no primeiro turno

Levantamentos do Ipec, da Quaest e do PoderData indicam que, nesta reta final da disputa, a candidatura do ex-presidente entrou em viés de alta, enquanto a campanha de Bolsonaro estagnou.

Em menos de 12 horas, três novas pesquisa de intenção de voto à Presidência da República indicaram que a eleição 2022 está prestes a ser decidida no próximo domingo (2), em um único turno. Levantamentos do Ipec, da Quaest e do PoderData sugerem que, nesta reta final da disputa, a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou em viés de alta, enquanto a campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) estagnou.

A “onda Lula”, já sinalizada em pesquisas desde a semana passada, ganhou força nestes últimos dias de campanha. Recortes da nova rodada da pesquisa Ipec, divulgados na noite desta terça-feira (27), mostram que, em uma semana, o petista cresceu nos três maiores colégios eleitorais do País – todos concentrados na região Sudeste.

Em São Paulo, Lula oscilou de 43% para 44%. Em Minas Gerais, saltou de 46% para 49%. No Rio de Janeiro, passou de 41% para 42%. Ainda que sejam, invariavelmente, oscilações dentro da margem de erro dessas pesquisas, o fato é que, mais uma vez, a vantagem do ex-presidente continua a crescer. Nos três estados, Bolsonaro manteve os mesmos percentuais de voto que registrou na última semana. No Rio, não há mais empate técnico – Lula se consolidou como líder.

Uma vez que Bolsonaro havia priorizado o Sudeste em setembro, como estratégia para reduzir a diferença para Lula, os resultados afundaram um pouco mais o ânimo da campanha bolsonarista. “Bateu o pânico entre assessores do presidente”, relatou o jornalista Tales Faria, colunista do UOL.

“Eles apontam uma enorme dificuldade para a reeleição do presidente com a qual o comando da campanha não contava conviver a cinco dias da votação do primeiro turno”, agrega Tales. “Lula aumentou a diferença sobre Bolsonaro nos três maiores colégios eleitorais do país. Ficou 11 pontos à frente no estado com maior número de eleitores, São Paulo; 18 pontos, em Minas Gerais; e seis pontos, no Rio de Janeiro.”

Pesquisas nacionais

Os problemas para o bolsonarismo não se resumem ao Sudeste. Nas primeiras horas desta quarta-feira (28), duas pesquisas de abrangência nacional ratificaram a tendência de vitória de Lula no primeiro turno. A nova sondagem da Quaest Consultoria, contratada pela Genial Investimentos e divulgada à 0h05, aponta que a vantagem de Lula para Bolsonaro, no conjunto do eleitorado brasileiro, passou de dez para 13 pontos percentuais.

Enquanto o atual presidente recuou de 34% para 33%, o petista avançou de 44% para 46%. Quando se consideram apenas os votos válidos (excluindo-se brancos, nulos e indecisos), Lula vai a 50,5% dos votos válidos – percentual que, se concretizado, lhe daria a vitória no primeiro turno.

Os demais candidatos que pontuaram – Ciro Gomes (PDT, 6%), Simone Tebet (MDB, 5%) e Soraya Thronicke (União Brasil, 1%) — estão no mesmo patamar de votos da semana passada. É plausível, assim, que Lula tenha tirado eleitores do próprio Bolsonaro e, eventualmente, de indecisos.

Na simulação de segundo turno, a dianteira de Lula ante Bolsonaro também se alargou. Era de dez pontos percentuais há uma semana – 50% a 40%. Agora, está em 14 pontos – 52% a 38%. Outro dado negativo para o presidente é que a rejeição a seu governo cresceu, numericamente, em todas as regiões do País, especialmente no Nordeste, onde disparou de 48% para 55%.

Já a Pesquisa PoderData, embora faça entrevistas apenas por telefone, indica igualmente o crescimento lulista. Nos chamados votos válidos, Lula abriu dez pontos de vantagem sobre Bolsonaro – 48% a 38%. O ex-presidente oscilou dois pontos para cima, enquanto o atual mandatário oscilou um para baixo.

“Os dados do PoderData não permitem inferir que a eleição presidencial terminaria hoje com uma vitória de Lula no 1º turno”, diz o site Poder360, que divulgou o levantamento em primeira mão. “Faltam 4 dias e o petista terá de ganhar um pouco mais de apoio para liquidar a fatura em 2 de outubro.”

De acordo com os números, Lula vai notadamente melhor entre eleitores com renda até dois salários mínimos (55% a 30%), nordestinos (55% a 32%), mulheres (53% a 34%) e jovens de 16 a 24 anos (50% a 35%). Estabilizar esses indicadores e melhorar um pouco nos demais é o caminho para Lula sacramentar o êxito no domingo.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2022/09/28/tres-novas-pesquisas-sugerem-onda-lula-vitoria-no-primeiro-turno/

Três novas pesquisas sugerem “onda Lula” e vitória no primeiro turno

O que pode e o que não pode no dia da eleição

É proibido entrar na cabine de votação com celular e portar armamentos a menos cem metros da seção eleitoral. Veja os outros critérios estabelecidos pela Justiça Eleitoral.

Por g1

Para conseguir registrar o seu voto é preciso seguir alguns critérios estabelecidos pela Justiça Eleitoral. Além de ser proibido entrar na cabine portando celular ou qualquer equipamento de que possa comprometer o sigilo do voto, os eleitores não podem se manifestar de maneira coletiva, bem como promover aglomerações usando vestuário padronizado.

 

Roupas e manifestações ideológicas

 

A regra também vale para os mesários, que são impedidos de usar vestimentas ou objetos que caracterizem propaganda de partido político, federação, coligação ou candidatos. Distribuir camisetas, descartar panfletos em vias públicas e fazer boca de urna (toda e qualquer propaganda eleitoral) também são vetados no dia da eleição.

No entanto, o eleitor pode se manifestar de maneira individual e silenciosa, usando camisetas, bandeiras, broches, emblemas e adesivos. A famosa “cola” também é permitida e o eleitor pode entrar na cabine levando consigo um papel com anotações ou o “santinho político”.

 

Posso votar de bermuda e chinelo? A resposta é simples: sim. As regras determinadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não proíbem a utilização de nenhum dos dois itens.

 

No entanto, convém ficar atento: é proibido entrar nas zonas eleitorais sem camisa ou trajando roupas de banho, como biquíni, maiô ou sunga.

 

Ajuda na hora de votar

 

Também é permitido pedir ajuda aos mesários, mas somente a respeito da ordem de votação, nunca sobre o voto. Caso seja necessário, o eleitor com deficiência ou mobilidade reduzida pode ser auxiliado por pessoa de sua escolha, sendo permitido inclusive que o ajudante digite os números na urna. O auxiliar deverá se identificar perante a mesa receptora de votos.

 

Porte de arma

É proibido o porte de armamento a menos de 100 metros da seção eleitoral, mesmo que possua porte legal de armas ou licença estatal. Só será permitido aos integrantes das forças de segurança quando autorizados ou convocados pela autoridade eleitoral competente.

 

Horário de votação

 

Uma das novidades das eleições 2022 será a unificação do horário de votação em todo o país. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela primeira vez, todas as seções eleitorais funcionarão das 8h às 17h do horário da capital federal. Portanto, cidades em fusos diferentes devem se adequar ao horário da capital federal. Entenda aqui.

G1

https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/noticia/2022/09/29/o-que-pode-e-o-que-nao-pode-no-dia-da-eleicao.ghtml

Três novas pesquisas sugerem “onda Lula” e vitória no primeiro turno

Governo Bolsonaro propõe 94% menos de recursos no Orçamento para combate à violência contra mulheres, diz levantamento

Instituto de Estudos Socioeconômicos comparou os 4 anos da gestão do presidente com os 4 anos anteriores. Foram levados em conta somente os recursos do Orçamento carimbados especificamente para a finalidade de proteção das mulheres contra violência.

Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

O governo do presidente Jair Bolsonaro, nos quatro anos de gestão, propôs no Orçamento da União 94% menos de recursos para políticas específicas de combate à violência contra a mulher do que nos quatro anos imediatamente anteriores.

 

Os números fazem parte de um levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), uma organização não governamental sem fins lucrativos. Os valores foram corrigidos pela inflação no período.

 

Entre 2020 e 2023, anos que englobam os projetos de Orçamento enviados ao Congresso pela atual gestão, foram indicados R$ 22,96 milhões para políticas específicas (recursos carimbados) de combate à violência contra a mulher.

 

Nos quatro anos anteriores, ou seja, no Orçamentos de 2016 a 2019 (que não foram enviados por Bolsonaro) esses recursos eram de R$ 366,58 milhões. A queda é de 94%.

 

Após serem propostos, os valores podem ser ajustados pelo Congresso nas discussões da lei orçamentária anual. Os números mostram que os parlamentares geralmente elevam as dotações propostas pelo Executivo. Ao governo, porém, cabem as últimas etapas: autorização para empenho (reserva dos valores) e gastos propriamente ditos.

 

No Orçamento para 2022, por exemplo, o governo propôs R$, 6,3 milhões para políticas específicas de combate à violência contra a mulher. O Congresso elevou o valor para R$ 44, 3 milhões. Até aqui, foram efetivamente gastos R$ 32,3 milhões

Rede de proteção

 

Carmela Zigoni, assessora política do Inesc, explica que esses recursos de enfrentamento à violência contra mulheres – agora reduzidos no Orçamento – são usados para fomentar a rede de proteção, que vai desde convênios para organizações locais, prefeituras, assim como para serviços públicos de modo geral.

 

“O Ligue 180 é o primeiro contato da vítima, mas depois ela tem de ser acolhida pela polícia, para saúde, para assistência social ou Judiciário. Ela precisa ter condições de trabalhar, formas para não estar mais vulnerável. Muitas acabam retornando ao agressor pois são dependentes economicamente. Os recursos vão para a alimentação da rede de proteção à violência”, afirmou.

De acordo com a especialista, mesmo tendo orçamentos próprios, a polícia e o Judiciário podem recorrer a essas rubricas orçamentárias se tiverem, em seus organogramas, um núcleo específico para mulheres.

 

O que diz o governo

 

O governo alega que está prevendo mais recursos para a área por meio dos “planos de Orçamento”.

 

Esses planos, no entanto, não constam no projeto do Orçamento. Consistem em intenções do governo, mas não são recursos indicados oficialmente na proposta orçamentária para um setor.

 

Um plano orçamentário pode prever recursos, mas eles não estão de fato destinados a esse setor no projeto de lei enviado pelo governo ao Congresso Nacional.

 

“Os planos orçamentários não são um atributo legal, não estão na lei. Mas você tem, quando a proposta é enviada, o detalhamento gerencial nesses planos. Esses valores podem mudar, e o governo não precisa pedir autorização para o Congresso. As secretarias têm a promessa que o dinheiro vai para elas, tem o compromisso de gastar lá, mas não tem essa obrigatoriedade. Pode remanejar internamente”, explicou Júlia Rodrigues, consultora de Orçamento da Câmara dos Deputados.

 

Assim, o governo argumenta que, observando os “planos de Orçamento”, os valores propostos para combate à violência contra a mulher entre 2020 e 2023 são maiores que os R$ 22,96 milhões expostos nos projetos do Orçamento enviados ao Congresso nos últimos quatro anos.

Nessas contas do governo, o valor total seria de R$ 39,86 milhões. Ainda assim, 89,1% menor que o dos quatro anos anteriores.

 

Segundo o Inesc, entretanto, a destinação de recursos por meio de planos orçamentários dificulta ainda mais a execução — o que traz “fragilidade total” para a política pública, avaliou o Inesc.

 

“A partir do momento que a ação não está ‘carimbada’, fica mais difícil a alocação acontecer. Mesmo a ação orçamentária não garante a execução, mas garante a alocação. O recurso está ali para ser gasto. Se não gasta, é um problema de eficiência da gestão. Aí, a gente faz a crítica de ‘por que não está gastando?'”, explica Carmela Zigoni, assessora política do Inesc.

 

Na avaliação do instituto, a proposta de orçamento de 2023, enviada ao Congresso no fim de agosto, traz “expressivos cortes nas políticas sociais em detrimento da garantia de direitos e dos investimentos necessários para nos tirar da atual crise econômica e social”.

 

O Inesc concluiu que a proposta de orçamento contempla um “desmonte generalizado das políticas sociais”.

 

“O próximo governo terá um enorme desafio para conseguir combater as desigualdades sociais que se aprofundaram nos últimos anos e garantir os direitos humanos”, acrescentou.

Em nota, o Ministério da Economia afirmou que reservou R$ 52,2 milhões no Orçamento 2023 para ações de “Promoção e Defesa de Direitos Humanos” – e que, dentro dessa rubrica, há “planos orçamentários” para políticas setoriais de “direitos das mulheres”.

 

Dentro de um plano orçamentário genérico, para “Operacionalização e Aperfeiçoamento do Sistema Integrado Nacional de Direitos Humanos”, o Ministério da Economia informou que constam também R$ 33 milhões para o Disque 180 (canal que recebe denúncias de violência contra as mulheres).

Políticas sociais X orçamento secreto

 

A falta de recursos para políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres e para ações de igualdade racial acontece em um momento de fortes restrições orçamentárias, e contrasta com o aumento de verbas para as emendas parlamentares de relator.

Diante da regra do teto de gastos (que limita a maior parte das despesas à variação de inflação do ano anterior) e do aumento das despesas obrigatórios (previdência e salário de servidores, por exemplo), os gastos livres do governo — nos quais estão várias ações sociais — estão sendo fortemente comprimidos.

 

A previsão do Ministério da Economia é de que os gastos livres (discricionários) representarão apenas 6,3% do orçamento total, o equivalente a R$ 98,9 bilhões em 2023. As despesas primárias totais (aquelas que não tem relação com a dívida pública) somam R$ 2,3 trilhões no ano que vem.

 

Além de o valor ser pequeno para despesas livres, boa parte dele é “abocanhado” pelas emendas de relator. Para o próximo ano, foram reservados R$ 19,4 bilhões para essas emendas, com aumento de 17,5% na comparação com este ano (R$ 16,5 bilhões).

 

Conhecidas como orçamento secreto, as emendas de relator são recursos que não são distribuídos igualmente entre todos os parlamentares — ao contrário das demais emendas (individuais, de bancada ou de comissão).

 

Os repasses ficam, na prática, a critério de conversas informais e acertos com o relator, e geralmente privilegiam parlamentares da base aliada do governo. Em posse desses recursos, eles podem autorizar obras em seus redutos eleitorais.

Esse tipo de emenda também ficou conhecida como orçamento secreto devido à dificuldade em obter informações sobre quem as indicou e como onde foram feitos os gastos. O uso dos recursos também está relacionado a possíveis esquemas de corrupção.

 

“A falta de critérios de distribuição significa valores bilionários distribuídos para as bases do governo e para o centrão”, avaliou o Inesc.

 

O Ministério da Economia, por sua vez, informou que a elaboração do orçamento de 2023 aconteceu em um “contexto desafiador, em meio ao elevado nível de indexação e rigidez alocativa das despesas”.

 

“Esse contexto resultou em uma adaptação de diversas programações do Governo Federal, a uma previsão prudente e conservadora, que respeita o arcabouço legal em vigor, a qual busca a continuidade da trajetória de consolidação fiscal e conta com o melhor conjunto de informações à disposição”, acrescentou.

G1

https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/09/29/governo-bolsonaro-propoe-94percent-menos-de-recursos-no-orcamento-para-combate-a-violencia-contra-mulheres-diz-levantamento.ghtml

Três novas pesquisas sugerem “onda Lula” e vitória no primeiro turno

Desinflação global mostra primeiros sinais, com desaceleração da atividade econômica, diz estudo da XP

Alívio à vista?

Estudo aponta que pressões de alta perdem força, mas que convergência para as metas não se dará em 2023; Europa ainda destoa

 

O processo de desinflação global de bens e alimentos já está em andamento, enquanto a dinâmica da alta dos preços de serviços deve continuar acima da meta de inflação. A conclusão está no relatório “XP Macro Especial – Primeiros sinais da desinflação global”, elaborado pelos economistas Francisco Nobre e Tatiana Nogueira.

Eles projetam um processo de desinflação de agora em diante, mas não rápida o suficiente para trazer a inflação de volta para a meta já em 2023. Isso ocorre por conta da política monetária mais apertada no mundo, que provoca uma desaceleração considerável da atividade econômica, com alívio no lado da demanda.

“O choque (inflacionário) foi muito grande, incluindo efeitos secundários, como nos preços da commodities, que têm poder de se disseminar mais intensamente. Por isso não enxergamos essa convergência no curto prazo”, afirmou Tatiana. Ela lembra que trazer índices que passaram de 10% para metas de 2% (no caso dos EUA) ou 3,5% (no Brasil) levará tempo.

O autores do relatório ponderam que a Europa destoa desse quadro porque a dinâmica da inflação é diferenciada por questões geopolíticas, como a guerra na Ucrânia e seus efeitos nos preços de energia e alimentos. No Velho Continente, a tendência ainda é de alta no curto prazo porque o pico da inflação ainda não foi atingido.

Pesos diferentes

O estudo buscou analisar as tendências inflacionárias medidas pelos índices de preços ao consumidor (IPC) nas economias dos Estados Unidos e da América Latina para tentar identificar fatores que podem impulsionar a desinflação global.

O relatório parte da verificação que as tendências da inflação têm apresentado características semelhantes entre os países, concentradas principalmente em itens fora do núcleo (preços mais voláteis como alimentos e energia).

Nos EUA, por exemplo, a inflação anual está atualmente em 8,3%. Mas apesar dos itens dos núcleos representarem apenas 20,7% do índice geral, sua contribuição chega a 3,2 pontos percentuais (ou 39% da inflação).

Por outro lado, o índice de serviços, que tem peso de 57,58% do IPC, estava relativamente controlado no início do ano, mas desde então vem surpreendendo no sentido de alta, sugerindo inflação generalizada entre todos os setores.

A história se repete para os países latino-americanos, com a contribuição dos itens fora do núcleo superando seus respectivos pesos. Além disso, embora a inflação de bens parecer ter atingido seu pico, a inflação de serviços levou mais tempo para crescer e provavelmente permanecerá pressionada por mais tempo.

O processo desinflacionário em cada país dependerá das tendências de cada uma das quatro principais categorias do IPC daqui para frente, bem como seus respectivos pesos. Por exemplo, a categoria de alimentos pesa 13,5% na cesta do IPC do Brasil e 30,3% na cesta do IPC do México.

Portanto, as discrepâncias entre os pesos das categorias para cada país também podem explicar diferenças na dinâmica da desinflação entre países.

Desinflação no 2º semestre

Os economistas acreditam que a inflação global começará a diminuir no segundo semestre devido a múltiplas forças que podem aliviar as pressões sobre os preços, ainda que os dados do IPC com ajuste sazonal para a maioria dos países mostrem variação mensal ainda acima das tendências históricas.

“Acreditamos que a política monetária em campo restritivo ajude a esfriar a demanda, enquanto a normalização das cadeias de suprimentos globais e a redução dos preços das commodities devem ajudar no lado da oferta”, diz o relatório.

“Esses impactos provavelmente começarão a se refletir nos dados do IPC durante o segundo semestre do ano, e devemos começar a observar variações mensais menores.”

Os preços dos serviços, por sua vez, ainda exercerão uma pressão de alta por conta de um peso inercial, mas é um item sensível à política monetária, cada vez mais contracionista em todo o mundo. “Isso vai jogar a demanda para baixo”, disse Tatiana.

Desinflação americana com aperto dos juros

Inflação implícita versus rendimentos dos títulos do governo dos EUA. Elaboração: XP

Papel dos Bancos Centrais

O economistas destacam no texto que a maior parte da inflação observada hoje é impulsionada pela oferta (cerca de 70%). Embora a política monetária dos Bancos Centrais afete apenas a demanda, as autoridades monetárias do mundo todo estão sendo forçadas a elevar as taxas de juros para territórios restritivos tentando cumprir seus mandatos de inflação e ajudar a conter as expectativas.

Os bancos centrais da América Latina começaram o ciclo de aperto monetário mais cedo e devem atingir a taxa de juros terminal ainda neste ano. Já os Estados Unidos começaram o ciclo em março de 2022. Ou seja, o Fed ainda tem algum caminho a percorrer, destacam os economistas.

O diagnóstico é que essa postura mais agressiva dos bancos centrais no mundo todo tem ajudado a aliviar as expectativas de inflação de médio e longo prazo, o que sugere que a credibilidade – qualidade importante para a eficácia da política monetária – não tem se mostrado um problema.

Se esse trabalho dos BCs ainda não tem aparecido nos índices de preços ao consumidor é porque a política monetária contracionista tem um efeito defasado. “Mas já vemos queda em preços e em outros indicadores como nas cotações do petróleo, da gasolina no varejo e de contêineres”, listou Nobre.

Ele destacou que esse comportamento também já pode ser observado no mercado imobiliário dos EUA, porque, conforme os juros sobem, indicadores de alta frequência como aluguéis e vendas de casas têm recuado.

Francisco também prevê que o mercado de trabalho vai exercer menor pressão inflacionária a partir da contração da economia. Hoje, ainda existem mais vagas do que trabalhadores à disposição, que eleva os salários, mas o cenário tende a se normalizar, também porque há um efeito pós pandemia de volta ao mercado de trabalho que ainda não se consolidou.

Gargalos produtivos

Os gargalos das cadeias de suprimentos, um dos frutos da pandemia do covid-19, também dão sinais de que podem exercer pressão menor nos índices de inflação daqui para a frente.

Essa conclusão partiu de análises de índices internacionais relacionados aos custos de transportes da cadeia produtiva, que saíram de seus picos no auge da crise sanitária e agora apontam para um declínio.

Segundo o relatório, isso está em linha com a mudança nas preferências dos consumidores de bens para serviços. “Além disso, a elevação das taxas de juros, que impacta desproporcionalmente os gastos com bens duráveis, promoverá um ajuste da demanda e, consequentemente, o reequilíbrio da oferta”, diz o texto.

Esse impacto, projetam, deve aparecer primeiro na relação estoque/vendas e depois nos preços.

Custos das cadeias de suprimentos dos EUA. Elaboração: XP

Commodities

O estudo lembra que boa parte da inflação global dos últimos dois anos pode ser explicada pelos movimentos nos preços do petróleo, minerais e commodities agrícolas. O barril de petróleo Brent, por exemplo, saltou de cerca de US$ 20 em abril de 2020 para um pico de US$ 122 em março de 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Mas os preços das commodities também já entraram em trajetória de queda, refletindo a desaceleração da atividade e da demanda global. Isso sem contar o momento de aversão ao risco devido ao aumento de probabilidade de recessão.

Contribuem para esse novo cenário de preços a postura mais agressiva dos banqueiros centrais nos países desenvolvidos e a crise energética devido à instabilidade geopolítica, especialmente na Europa.

Sobre a projeção para os preços, os economistas acreditam que dois fatores são necessários para manter as commodities em níveis mais baixos: a atividade econômica global, especialmente na China, e a recuperação parcial do lado da oferta.

No primeiro caso, a expectativa da XP é que o PIB chinês crescerá apenas 3,2% em 2022, bem abaixo da meta de crescimento de 5,5%. Mas a atividade econômica deve recuperar o ritmo de crescimento ano que vem, avançando 5,6% em 2023.

No segundo caso, os economistas acreditam que a maior parte do ajuste para as commodities agrícolas já ocorreu. Depois de atingir o pico no início da guerra, os preços caíram devido às expectativas de menor crescimento e demanda global.

Ou seja, a partir de agora, é mais provável que os preços sejam determinados pelas condições de oferta.

Além disso, eles lembram que as condições climáticas pressionaram ainda mais a oferta. “Estamos no terceiro ano de clima de ‘La Niña’, o que pode levar a flutuações mais significativas nos padrões de chuva, aumentando as inundações em algumas áreas e secas em outras. Esses desequilíbrios climáticos afetam importantes produtores do Centro-Oeste americano, América do Sul do Sul e Ásia”, dizem os economistas no estudo.

“Nossos modelos sugerem uma perda de força do fenômeno e convergência para a neutralidade nos próximos meses, o que deve ajudar a produção de lavouras no primeiro semestre do próximo ano.”

INFOMONEY

https://www.infomoney.com.br/economia/desinflacao-global-primeiros-sinais-relatorio-xp/

Três novas pesquisas sugerem “onda Lula” e vitória no primeiro turno

Qual é a diferença entre voto branco e nulo?

Eleições 2022

Constituição Federal brasileira diz que o candidato eleito é aquele que obtiver a maioria dos votos válidos, excluídos os em branco e os nulos

 

Apesar de o comparecimento a um local de votação nas eleições ou justificativa de ausência serem obrigatórios no Brasil, o eleitor é livre para escolher ou não um candidato, já que tem a opção de votar em branco ou nulo.

É importante entender que os votos em branco e os nulos não possuem valor algum. Eles são descartados do processo de apuração e considerados apenas como estatística.

A Constituição Federal brasileira diz que o candidato eleito é aquele que obtiver a maioria dos votos válidos, excluídos os em branco e os nulos, que são considerados inválidos.

Portanto, apenas os votos válidos, aqueles destinados a um candidato ou a um partido, entram na contagem.

Os votos para cada cargo são independentes. Se o eleitor votar apenas para presidente da República e optar por votar em branco para os outros cargos, o voto para presidente vai valer do mesmo jeito.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um dos principais mitos do processo eleitoral se refere a uma suposta interferência dos votos em branco e dos nulos no resultado da eleição.

Como são considerados inválidos, esses votos em nada interferem, tampouco beneficiam quaisquer candidatos. Isso não passa de um boato.

Muitos votos nulos anulam a eleição?

Se a maioria dos eleitores anular o voto ou votar em branco, a eleição não será anulada, explica o TSE. O motivo, como falado anteriormente, é que apenas os votos válidos são considerados no pleito.

Essa desinformação é comum. Segundo o TSE, há quem diga que o artigo 224 do Código Eleitoral (Lei nº 4.737/1965) prevê que se mais de 50% dos votos de uma eleição forem nulos, o pleito deverá ser anulado.

No entanto, na verdade, o dispositivo prevê a necessidade de marcação de nova eleição se a nulidade atingir mais de metade dos votos do país em decorrência da constatação, pela Justiça Eleitoral, de fraude no pleito, como, por exemplo, eventual cassação de candidato eleito condenado por compra de votos. É algo bem diferente.

Voto em branco vai para a legenda?

Não, se você votar em branco seu voto não irá para a legenda/partido. Ele será anulado.

Como escrito acima, a Constituição Federal diz que os votos brancos e nulos não são computados para definir a eleição de determinado candidato.

Assim, o entendimento da lei é de que o voto em branco não vai para a legenda, porque ele não é considerado um voto válido.

Antes da promulgação da Constituição Federal de 1988, a lei eleitoral então vigente estipulava que o voto branco seria redirecionado para o candidato vencedor e, por isso, era entendido como voto do eleitor que estava conformado com a situação política.

Mas isso deixou de existir a partir de 1988, e, reforçando, o voto branco hoje é considerado um voto não válido.

Mas afinal, qual a diferença entre votar nulo ou em branco?

Na prática, a única diferença entre voto branco e nulo, além da questão estatística, já que são computados separadamente, é a forma como o voto é registrado na urna pelo eleitor.

No caso dos brancos, os eleitores apertam o botão “branco”, e, no caso dos nulos, eles são contabilizados quando os eleitores digitam números que não são válidos (não pertencem a nenhum candidato).

INFOMONEY

https://www.infomoney.com.br/politica/qual-e-a-diferenca-entre-voto-branco-e-nulo/