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Juros nos EUA: como nova alta pode afetar o Brasil

Juros nos EUA: como nova alta pode afetar o Brasil

No quinto aumento em um ano, taxa chegou ao maior patamar desde 2008. Com juros mais altos nos EUA, investidores tendem a trocar países em desenvolvimento por mercados mais ricos e seguros, mas isso também pode ajudar a conter a inflação no Brasil.

Por BBC

 

O Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) elevou na quarta-feira (21) os juros da economia americana em 0,75 ponto percentual, para a faixa de 3% a 3,25%.

 

Este é o quinto aumento neste ano, e, com isso, a taxa chegou ao seu maior nível desde 2008, quando eclodiu a crise financeira mundial.

 

A sequência de altas é uma tentativa de conter o aumento da inflação, pressionada pelo encarecimento de combustíveis e alimentos, como consequência da guerra na Ucrânia e dos desarranjos logísticos provocados pelos lockdowns em resposta à covid-19 na China.

 

O presidente do Fed, Jerome Powell, disse que os aumentos são necessários para desacelerar a demanda, aliviando as pressões que aumentam preços e evitando danos de longo prazo à economia.

No entanto, a expectativa no momento é que os juros continuem a subir nos Estados Unidos, conforme informou em um comunicado o Comitê Federal de Mercado Aberto, que faz parte do Fed e é responsável por regular a taxa.

 

O órgão afirmou que está “preparado para ajustar a orientação da política monetária conforme apropriado caso surjam riscos que possam impedir o Comitê de atingir seus objetivos”.

 

Projeções do Fed apontam que a taxa básica pode chegar a 4,40% até o final deste ano e atingir 4,60% no próximo ano.

 

Por sua vez, as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) indicam que a economia americana deve crescer 0,2% em 2022 e 1,2% no próximo ano.

 

As projeções apontam ainda que a inflação americana não deve voltar à meta de 2% até 2025 – atualmente, está em 8,3%, nos acumulado de 12 meses até agosto, de acordo com o governo.

Aumento global de juros

 

Bancos em quase todos os países – com as grandes exceções do Japão e da China – estão tomando medidas semelhantes enquanto lutam com seus próprios problemas de inflação.

 

No Brasil, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu na quarta-feira manter os juros em 13,75%, após doze aumentos seguidos, que elevaram a taxa em 11,75 pontos percentuais desde março de 2021, o maior ciclo de altas desde 1999, quando foi implementado o regime de metas da inflação.

Um dos primeiros efeitos para o Brasil da alta dos juros nos Estados Unidos para o Brasil é que investidores tendem a tirar recursos de países em desenvolvimento e direcioná-los aos países ricos, considerados mais seguros.

 

“Quando o Fed sobe os juros, há uma entrada de capitais nos Estados Unidos para se beneficiar desses juros maiores”, explica Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.

 

“Por mais que os juros lá sejam bem menores do que aqui, é um país muito mais confiável. Assim, a alta de juros leva a uma saída de recursos de países emergentes para o mercado americano.”

 

Desaceleração ou recessão?

 

Por um lado, a alta nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos aponta para uma desaceleração da economia mundial à frente.

 

Isso porque, quando os juros sobem, fica mais caro para empresas e famílias tomar empréstimos, o que diminui a atividade econômica.

 

Essa desaceleração da economia mundial reduz a demanda por bens e serviços, e pode reduzir as exportações brasileiras.

 

Vale explica ainda que a alta da taxa de juros americana gera um receio de que a economia dos Estados Unidos esteja caminhando para uma recessão.

 

Isso desaceleraria ainda mais todo o resto do mundo, incluindo o Brasil, através das exportações.

Analistas ainda têm um receio de que o efeito dos aumentos das taxas, que encarecem as dívidas, possa levar a uma desaceleração maior do que se espera.

 

O Banco Mundial alertou recentemente que os aumentos das taxas podem levar a economia global a uma recessão no próximo ano.”Esse é definitivamente um dos riscos negativos – que a natureza sincronizada do aperto possa torná-lo muito mais poderoso”, disse Brian Coulton, economista-chefe da Fitch Ratings.

 

A expectativa é que a economia mundial tenha em 2023 seu pior desempenho em mais de uma década, com exceção de 2020, por causa da pandemia, disse Ben May, diretor de macro pesquisa global da Oxford Economics.”O que ficou claro é que, se dada a escolha entre permitir que a inflação permaneça alta por um período sustentado ou levar a economia para uma recessão, [os líderes de bancos centrais] prefeririam empurrar a economia para uma recessão”, afirma May.

 

Por outro lado, a redução da atividade global pode ajudar a conter a inflação no Brasil, diz Flavio Serrano, economista-chefe da Greenbay Investimentos.

 

O país atravessa um momento especialmente delicado em que a alta de preços se combina com uma pressão sobre as contas públicas por conta de medidas adotadas por Jair Bolsonaro (PL), como a ampliação de benefícios sociais e cortes pontuais de impostos às vésperas da eleição.

“Há um potencial de menor crescimento global, gerando menor pressão de preços. Isso pode facilitar o trabalho do Banco Central brasileiro no combate à inflação.”

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/09/22/juros-nos-eua-como-nova-alta-pode-afetar-o-brasil.ghtml

Juros nos EUA: como nova alta pode afetar o Brasil

Datafolha: 69% dos brasileiros dizem que há corrupção no governo Bolsonaro; 23%, que não há

A pesquisa ouviu 6.754 pessoas, entre 20 e 22 de setembro, em 343 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Por g1

 

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22), encomendada pela Globo e pelo jornal “Folha de S.Paulo”, aponta que 69% dos entrevistados acreditam que há corrupção no governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). Outros 23% dizem que não há corrupção, enquanto 8% não souberam responder.

 

 

Na comparação com a pesquisa anterior, realizada em julho deste ano, houve oscilação do percentual dos que consideram que há corrupção, que somavam 73% na ocasião. Já os que acreditam que não há corrupção eram 19% em julho; e os que não souberam responder se mantiveram com o mesmo percentual.

 

As taxas daqueles que avaliam que há corrupção do governo Bolsonaro são mais altas entre os que reprovam a administração do presidente (93%), os estudantes (87%), os jovens com idade de 16 a 24 anos (79%), e entre as pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos (73%).

 

O Datafolha também apontou que o ex-presidente Lula (PT) tem 47% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Bolsonaro tem 33%. Em terceiro está Ciro Gomes (PDT), com 7%

A pesquisa ouviu 6.754 pessoas, entre 20 e 22 de setembro, em 343 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. O código da pesquisa na Justiça Eleitoral é: BR-04180/2022.

G1

https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/pesquisa-eleitoral/noticia/2022/09/23/datafolha-69percent-dos-brasileiros-dizem-que-ha-corrupcao-no-governo-bolsonaro-23percent-que-nao-ha.ghtml

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1 a cada 5 deputados duplica patrimônio em 4 anos; 69% estão melhores hoje que em 2018

Levantamento feito pelo g1 leva em conta as declarações dos candidatos ao TSE em 2018 e 2022. Avanço patrimonial dos parlamentares ocorreu enquanto a população brasileira ficou mais pobre, segundo IBGE.

Por Victor Farias, g1

Um em cada cinco deputados federais que tenta um novo mandato este ano dobrou o patrimônio em relação à última eleição, em 2018, mostram dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao todo, 69% declararam ganhos patrimoniais nos últimos quatro anos – um deles passou de R$ 7,8 milhões para R$ 48,5 milhões, uma variação de mais de 500%.

 

 

O avanço patrimonial dos parlamentares ocorreu enquanto a população brasileira ficou mais pobre, segundo diversas métricas. O rendimento médio mensal mensurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo, atingiu em 2021 o menor valor em 10 anos. Em 2018, ano da eleição, o rendimento era de R$ 2.472 e agora é de R$ 2.265, quase 10% a menos.

 

O número de pessoas que não tem o que comer também avançou no período. Segundo dados do IBGE de 2018, 10,2 milhões de brasileiros passavam fome no país naquele ano, número que chegou a 33,1 milhões em 2021, de acordo com o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN).

 

Além do salário de R$ 33,8 mil mensais e de uma série de benefícios, que incluem a cota parlamentar (de R$ 30 mil a R$ 45 mil, dependendo do estado do congressista), deputados também podem ser sócios de empresas e ter outros investimentos.

 

O salário, por si só, já é suficiente para distanciar os deputados federais do restante do país. Eles recebem mais de 4 vezes a mais que a renda média brasileira.

Deputados também perdem patrimônio

 

Alguns parlamentares registraram redução do patrimônio, em alguns casos milionários. O número de deputados que dizem ter perdido patrimônio no período é de 139, equivalente a 30% dos congressistas eleitos em 2018 que tentam se eleger a algum cargo em 2022. Há ainda quinze casos em que a pessoa declarou a mesma quantia que 2018.

 

Os dados de 2018 não foram corrigidos pela inflação, uma vez que parte relevante dos patrimônios é em propriedades, que não tem o valor reajustado nas declarações.

 

Especialista em direito eleitoral, o advogado Flávio Henrique Costa Pereira explica que uma evolução patrimonial elevada não é, necessariamente, indício de irregularidades, uma vez que os parlamentares podem ter outros negócios, como serem sócios de empresas.

 

‘Deslocamento de realidades’

 

Para o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino, o principal problema desse “descolamento” entre a realidade dos deputados e da população é que isso pode provocar uma “miopia” na hora da tomada de decisões na Câmara.

 

“Eu percebo que há essa dificuldade, esse descolamento, isso se reflete sobretudo nas condutas dos parlamentares quando vão arbitrar sobre algumas questões”, diz, citando como exemplo eventuais decisões de aumentar o próprio salário ou sobre restrições orçamentárias na área da saúde pública — deputados têm plano de saúde pagos pela Câmara.

“Será que se eles estivessem numa situação parecida com a da população eles estariam tomando as mesmas decisões que estão tomando?”, questiona.

 

Na mesma linha Marco Antônio Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e cientista político, diz que essa diferença entre a realidade dos deputados e a da sociedade é “paradoxal” e passa uma mensagem ruim para a população, da política como algo indevidamente vantajoso.

 

“Os dados que você apresenta vão na contramão da realidade da sociedade”, diz sobre a evolução patrimonial de deputados.

 

Consentino acredita que uma forma de tornar esses gastos menos descolados da realidade é por meio da transparência, com uma fiscalização maior da população. “[Os gastos] Estarem disponibilizados de uma forma completamente amigável, desde uma pequena coisa gasta, isso deve ser mais acessível”, disse.

G1

https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/eleicao-em-numeros/noticia/2022/09/23/1-a-cada-5-deputados-duplicam-patrimonio-em-4-anos-69percent-estao-melhores-hoje-que-em-2018.ghtml

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Deputados têm ganhos milionários em 4 anos; parlamentar do Novo tem perda de R$ 18 milhões; veja ranking

Além do salário de R$ 33,8 mil mensais e de uma série de benefícios, deputados também podem ser sócios de empresas e ter outros investimentos

Por Victor Farias, g1

Deputados federais que tentam se eleger a algum cargo neste ano tiveram ganhos patrimoniais milionários, apontam dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2018 e 2022. Um deles passou de R$ 7,8 milhões para R$ 48,5 milhões, uma variação de mais de 500%.

 

Outros parlamentares registraram perdas, em alguns casos milionárias. O número de deputados que dizem ter perdido patrimônio no período é de 139, equivalente a 30% dos congressistas eleitos em 2018 que tentam a reeleição.

 

Os dados de 2018 não foram corrigidos pela inflação, uma vez que parte relevante dos patrimônios é em propriedades, que não têm o valor reajustado nas declarações.

 

Especialista em direito eleitoral, o advogado Flávio Henrique Costa Pereira ressalta que uma evolução patrimonial elevada não é, necessariamente, indício de crime, uma vez que os parlamentares podem ter outros negócios, como serem sócios de empresas.

 

“O parlamentar, em si, ele não está proscrito da sua vida profissional. Existem alguns impedimentos, mas a vida profissional não se encerra. Muitos deles têm sociedade, não podem exercer a administração da empresa, mas podem ser sócios”, afirma.

 

O maior crescimento absoluto de patrimônio é do deputado José Nelto (PP-GO). Foi ele quem registrou R$ 7,8 milhões em 2018 e R$ 48,5 milhões neste ano.

Na eleição passada, o congressista goiano declarou 4 casas, um terreno, um apartamento e um prédio comercial. A maior parte do patrimônio de Nelto, no entanto, advinha de aplicações em renda fixa: R$ 6,4 milhões.

 

Agora, só em patrimônio físico, Nelto declarou 4 casas, 4 terrenos, 2 galpões, 1 prédio comercial e 2 terras nuas. Ele também disse ter aplicações financeiras, investimentos e quotas em empresas. A aplicação em renda fixa caiu para pouco mais de R$ 3 milhões.

 

Questionado sobre a evolução patrimonial, Nelto afirmou que é sócio de 10 empresas imobiliárias, com rendimento de R$ 400 mil a R$ 500 mil mensais — as empresas foram declaradas ao TSE.

 

Além disso, o parlamentar afirmou que comprou uma propriedade parcelada em 5 anos, no valor de R$ 32,8 milhões, mas só pagou R$ 15 milhões até o momento. “Eu tenho que ganhar R$ 18 milhões daqui pra frente pra pagar a fazenda”, explicou.

 

Nelto disse ainda que poderia ter feito uma holding para não declarar os bens no CPF, como, segundo ele, fazem outros parlamentares. “Tem 500 parlamentares que têm mais bens que eu, que ganharam mil vezes mais que eu, mas fizeram holdings”, comentou, sem citar nomes.

 

Ele disse ainda que “paga para ser deputado” já que “todo dinheiro que eu ganho eu tenho que distribuir para 150 municípios, porque você tem que pagar um médico, uma consulta, é uma cadeira de roda que o cidadão quer”.

 

Outros deputados que tiveram grandes aumentos absolutos de patrimônio são Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG), que passou de R$ 38,8 milhões para R$ 65,9 milhões; Misael Varella (PSD-MG), que foi de R$ 20,1 milhões para R$ 43 milhões; Josimar Maranhãozinho (PL-MA), que tinha R$ 14,6 milhões e agora tem R$ 25,5 milhões; e Soraya Manato (PTB-ES), que passou de R$ 5,2 milhões para R$ 15,7 milhões.

 

 

Ao g1, o gabinete de Maranhãozinho afirmou que “o aumento patrimonial declarado considera bens financiados, inclusive no agronegócio, junto a instituições financeiras públicas e privadas. Considera ainda a valorização imobiliária e ganhos advindos da atividade agropecuária e empresarial do parlamentar, o que é devidamente declarado em seu cadastro fiscal, não tendo tal aumento nenhuma relação com a atividade pública desempenhada”.

 

Já Soraya Manato disse que, “em 2018, eu vendi a minha participação no Hospital Metropolitano. Na época, eu tinha 5,5% de participação na sociedade do hospital e recebi um valor bem expressivo em decorrência dessa venda. Por isso, ocorreu essa atualização de valores patrimoniais”.

 

Hercílio Diniz e Misael Varella foram procurados, mas não responderam até a publicação deste texto.

 

Declaração é forma de transparência

 

O advogado Renato Ribeiro de Almeida, especialista em direito eleitoral, explica que a declaração de patrimônio serve para que a Justiça consiga fazer a análise da evolução patrimonial. “É importante que ele faça para mostrar que ele já tinha determinado recurso, que ele teve uma evolução patrimonial condizente com o rendimento dele”, afirma.

 

“Se o cara não tem nada hoje e daqui a quatro anos ele apresenta R$ 30 milhões, ou houve um erro ou aconteceu aqui alguma coisa”, exemplifica.

 

Entre os crimes que grandes evoluções patrimoniais sem justificativa podem indicar estão lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, corrupção e peculato, afirma o advogado.

 

Ribeiro de Almeida afirma que a declaração patrimonial também serve para que o eleitor consiga entender melhor os candidatos. Como exemplo, ele cita um candidato hipotético que tem como bandeira a defesa de animais, mas, ao mesmo tempo, é um empresário do ramo de rodeios.

 

“Essas informações são públicas, relevantes para todas as pessoas olharem o patrimônio do cara, qual a ocupação, de onde vem os recursos que ele tem”, diz.

 

Na mesma linha, o advogado Costa Pereira diz que a transparência nesses dados ajuda o eleitor a conhecer “de forma mais clara e precisa em quem está votando”.

Ele acrescenta que, neste ano, a Justiça Eleitoral diminuiu o detalhamento que os bens precisam ter, com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Agora os candidatos não precisam mais informar telefone, número de imóveis e placas de carro, por exemplo.

 

Deputado do Novo lidera perdas

 

Na outra ponta do ranking, entre os deputados que mais perderam patrimônio, está o parlamentar Lucas Gonzales (Novo-MG). Segundo os dados informados ao TSE, ele tinha mais de R$ 21 milhões em 2018, mas agora tem R$ 3 milhões, uma redução de 86%.

 

O gabinete do deputado informou que a “variação se deve a movimentações legais, de cunho pessoal e referente à vida privada, devidamente declaradas”.

 

Também aparecem com perdas milionárias Nelsi Coguetto (PL-PR), Neri Geller (PP-MT) e Aécio Neves (PSDB-MG).

 

Maioria ganha patrimônio

 

Os dados patrimoniais do TSE apontam que a grande maioria dos candidatos está melhor hoje do que há 4 anos.

 

Além do salário de R$ 33,8 mil mensais e de uma série de benefícios, que incluem a cota parlamentar (de R$ 30 mil a R$ 45 mil, dependendo do estado do congressista), deputados também podem ser sócios de empresas e ter outros investimentos.

 

Dos 479 deputados que foram eleitos em 2018 e tentam se eleger a algum cargo neste ano, 139 (29%) perderam patrimônio nos últimos 4 anos — os dados incluem dez deputados que declararam ter nenhum patrimônio atualmente, o que pode ser um erro de cadastro. Cinco parlamentares tiveram variações abaixo de 1% e os demais (335) tiveram crescimentos patrimoniais.

G1

https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/eleicao-em-numeros/noticia/2022/09/23/deputados-tem-ganhos-milionarios-em-4-anos-parlamentar-do-novo-tem-perda-de-r-18-milhoes-veja-ranking.ghtml

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Lista tríplice para a PGR: o que dizem os candidatos à Presidência da República

Três dos quatro candidatos mais bem colocados nas pesquisas eleitorais abordaram o tema da indicação para o comando do Ministério Público. Apenas Jair Bolsonaro (PL) não tocou no assunto.

Por Arthur Stabile, g1

O presidente da República que for eleito nas eleições de outubro terá entre suas responsabilidades indicar um nome para comandar a Procuradoria-Geral da República (PGR). A indicação, que precisa ser aprovada pelo Senado, é estratégica porque cabe ao chefe do Ministério Público Federal (MPF) propor ações contra o presidente e políticos de alto escalão e opinar sobre matérias constitucionais quando levadas a julgamento na Justiça.

 

Três dos candidatos a presidente mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto – Lula (PT), Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) – se pronunciaram sobre o tema, mas nem todos responderam se manterão a praxe de respeitar a lista tríplice para indicar o futuro novo PGR. O atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), não chegou a comentar o assunto.

 

Historicamente, a Associação Nacional de Procuradores da República (ANPR) envia os três nomes mais votados pelos pares do Ministério Público ao presidente da República para fazer a escolha de quem deverá conduzir o órgão por dois anos – mandato que pode ser renovado.

 

Embora não haja obrigação legal, os presidentes da República sempre escolheram o primeiro colocado dessa eleição.

 

A tradição foi quebrada por Bolsonaro, que, em 2019, ignorou os nomes enviados pela associação e indicou Augusto Aras, atual PGR, que sequer estava na lista, para o seu primeiro mandato. Criticado por setores sob o argumento de ter uma atuação alinhada a Bolsonaro, Aras foi reconduzido no ano passado para mais um mandato de dois anos à frente do Ministério Público.

Lula (PT)

O ex-presidente Lula foi 3º entrevistado na série do Jornal Nacional — Foto: Marcos Serra Lima/g1

O ex-presidente Lula foi 3º entrevistado na série do Jornal Nacional — Foto: Marcos Serra Lima/g1

 

Questionado sobre o tema, Lula não esclareceu se, caso eleito, pensa em escolher alguém da lista tríplice.

 

“Eu não quero procurador leal a mim. O procurador tem que ser leal ao povo brasileiro, ele tem que ser leal à instituição. Agora, pode ficar certa de que, se eu ganhar as eleições, antes da posse eu vou ter várias reuniões com o Ministério Público para discutir os critérios que eu acho que são importantes para eles e para o Brasil. Para mim, o que precisa é dar segurança para o povo, como eu dei quando era presidente”, afirmou Lula, no dia 25 de agosto, em entrevista ao Jornal Nacional.

Jair Bolsonaro (PL)

Jair Bolsonaro durante motociata em Sorocaba — Foto: Gabriela Almeida/g1

Jair Bolsonaro durante motociata em Sorocaba — Foto: Gabriela Almeida/g1

 

O presidente ainda não se pronunciou na atual campanha sobre a indicação de um novo procurador-geral da República.

 

Em setembro de 2019, Jair Bolsonaro ignorou a lista tríplice enviada pela ANPR, ao contrário do que os presidentes anteriores haviam feito, e indicou Augusto Aras para assumir o posto. “Sem querer desmerecer ninguém, a gente buscou uma pessoa que fosse nota 7 em tudo, não nota 10 em algo e 2 em outra”, disse Bolsonaro, à época. O primeiro mandato de Aras teve fim em 2021 e Bolsonaro optou por reconduzi-lo à chefia da PGR.

 

Ciro Gomes (PDT)

Ciro Gomes (PDT) durante entrevista ao podcast 'O Assunto' — Foto: Reprodução

Ciro Gomes (PDT) durante entrevista ao podcast ‘O Assunto’ — Foto: Reprodução

 

Ciro também não se comprometeu a seguir a lista tríplice.

 

“Eu vou buscar aquele que, entre os titulados formalmente, tenha aquilo que a Constituição pede: notório saber jurídico, reputação ilibada e capacidade de representar um Ministério Público que eu sonhei e ajudei a construir e que está sendo desmoralizado pelos abusos, de omissão, como no caso do Aras”, disse o candidato, em entrevista ao podcast O Assunto, do g1, em 13 de julho.

 

Simone Tebet (MDB)

 

A senadora Simone Tebet, candidata à Presidência pelo MDB — Foto: Roberto Sungi/Futura Press/Estadão Conteúdo

A senadora Simone Tebet, candidata à Presidência pelo MDB — Foto: Roberto Sungi/Futura Press/Estadão Conteúdo

 

A candidata foi a única, até o momento, que afirmou que, se eleita, pretende seguir a lista tríplice para indicar o PGR.

 

“Lista tríplice vai ser cumprida, atendida. É um direito do Ministério Público, de preferência constitucionalizado, para não ter problema. É uma instituição de Estado. Não é uma instituição de governo […] Se ele [MP] não tiver autonomia para com a caneta investigar, denunciar e processar, se ele tiver a ingerência do próprio poder Executivo, nós estamos acabando com o direito da sociedade brasileira de ver os crimes de corrupção sendo investigados e, depois, as autoridades públicas serem punidas e condenadas”, afirmou Tebet, no dia 6 de setembro.

G1

https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/noticia/2022/09/23/lista-triplice-para-a-pgr-o-que-dizem-os-candidatos-a-presidencia-da-republica.ghtml