por NCSTPR | 10/10/23 | Ultimas Notícias
Para 2023, estimativa do mercado para a inflação permanece em 4,86%, e ainda supera teto da meta definido pelo governo. Números foram divulgados nesta segunda-feira (9) pelo BC.
Por Alexandro Martello, g1 — Brasília
Os economistas do mercado financeiro elevaram marginalmente a expectativa de inflação em 2024, que passou de 3,87% para 3,88%.
Para 2023, a estimativa de inflação ficou estável em 4,86% (veja no gráfico abaixo).
As informações consta no relatório “Focus”, divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Banco Central. O levantamento ouviu mais de 100 instituições financeiras, na semana passada, sobre as projeções para a economia.
- A estimativa dos analistas para a inflação de 2023 ainda segue acima do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
- A meta central de inflação é de 3,25% neste ano, e será considerada formalmente cumprida se o índice oscilar entre 1,75% e 4,75% neste ano.
- Para 2024, a meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.
Para definir a taxa básica de juros e tentar conter a alta dos preços, o BC já está mirando, neste momento, na meta do ano que vem e no objetivo, em 12 meses, para o início de 2025.
Se a projeção do mercado financeiro se confirmar, este será o terceiro ano seguido de estouro da meta de inflação, ou seja, no qual o IPCA fica acima do teto fixado pelo governo. Em 2022, a inflação somou 5,79%.
Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente das que recebem salários menores. Isso, porque os preços dos produtos aumentam, sem que o salário acompanhe esse crescimento.
Sobre o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2023, o mercado financeiro manteve a previsão de crescimento estável, em 2,92%.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. O indicador serve para medir a evolução da economia.
Já para 2024, a previsão de crescimento da economia do mercado financeiro permaneceu inalterada em 1,50%.
Os economistas do mercado financeiro mantiveram as estimativas para a taxa básica de juros da economia brasileira para o final deste ano e de 2024.
Veja abaixo outras estimativas do mercado financeiro, segundo o BC:
- Dólar: a projeção para a taxa de câmbio para o fim de 2023 subiu de R$ 4,95 para R$ 5. Para o fim de 2024, ficou estável em R$ 5,02.
- Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção subiu de R$ 72,1 bilhões para US$ 72,9 bilhões de superávit em 2023. Para 2024, a expectativa para o saldo positivo recuou de US$ 61 bilhões para US$ 60,6 bilhões.
- Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano continuou em US$ 80 bilhões de ingresso. Para 2024, a estimativa de ingresso ficou estável também em US$ 80 bilhões.
G1
https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/10/09/mercado-financeiro-eleva-estimativa-de-inflacao-para-2024.ghtml
por NCSTPR | 10/10/23 | Ultimas Notícias
Pesquisa aponta que 54% da população chilena diz que votará no “Não” no plebiscito
por André Cintra
Os chilenos já têm o rascunho para uma nova Constituição. No sábado (7), o Conselho Constitucional do Chile apresentou à Comissão de Peritos o texto-base para uma Carta Magna, que pode substituir a atual Constituição chilena, sancionada em 1981, sob a ditadura de Augusto Pinochet.
Os 24 peritos, indicados por partidos políticos com representação em um Congresso de maioria centro-direitista, farão a revisão e devem emitir um parecer em cinco dias. O rascunho voltará ao Conselho Constitucional, que precisa ajustar o texto e votá-lo até o próximo dia 16 de outubro. Um Comitê Técnico de Admissibilidade também terá cinco dias para se posicionar. O plebiscito está previsto para 17 de dezembro.
É difícil haver um texto mais nefasto que o da Constituição vigente, que virou, tão logo foi aprovada, referência de legislação neoliberal. Sua promulgação, há mais de quatro décadas, foi o ponto de partida para a privatização de serviços essenciais, como a previdência social e a educação.
Mas o novo texto, frustrante, parece nascer com cara de velho e reflete o avanço da direita no Congresso do Chile. O artigo 24 é um dos poucos avanços, ao propor que o Estado adote “medidas adequadas para concretizar os direitos à saúde, à habitação, à água e saneamento, à segurança social e à educação”. Porém, não há mais previsão de um “sistema nacional” público e gratuito para essas áreas.
Há outros retrocessos. A exemplo do que ocorreu no Brasil durante o governo Jair Bolsonaro, o Conselho Constitucional do Chile quer a autonomia do Banco Central, com “composição, organização, funções e competências são determinadas por lei institucional”.
Do ponto de vista dos trabalhadores, não há conquistas relevantes. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Carlos Meléndez, doutor em Ciência Política e professor da Universidade Diego Portales, afirmou que a esquerda chilena “não reivindica a classe trabalhadora” como uma pauta prioritária. “O principal movimento social que hoje apoia o governo Boric não são os sindicatos, mas as feministas. O campo de luta dele é o cultural”, diz Diego.
Ainda assim, no rascunho, a proteção à “vida que está por nascer” foi substituída pela proteção à “vida de quem está por nascer” – uma adequação conservadora que pode dar margem para o discurso antiaborto até em casos previstos em lei. Não é a só. Se a nova Constituição for aprovada, imigrantes clandestinos deverão ser “expulsos no menor tempo possível”, salvo “em casos de refúgio ou asilo”.
A proposta anterior para uma nova Constituição, muito mais audaciosa, foi rejeitada em setembro de 2022 por 61,87% dos votos válidos, contra 38,13%. A crer na popularidade do governo Gabriel Boric, as dificuldades persistem. Conforme pesquisa do instituto Cadem divulgada em 1º de outubro, 41% dos eleitores são contrários à mudança de Carta Magna, 27% dizem preferir a versão que virá dos peritos e apenas 19% manifestam interesse em apoiar o texto do Conselho Constitucional. O levantamento aponta ainda que 54% da população diz que votará no “Não” no plebiscito.
por NCSTPR | 10/10/23 | Ultimas Notícias
CAIO LUIZ
Especialistas ouvidos pelo Congresso em Foco avaliam que a ascensão da extrema direita em Israel gerou um contexto propício para os ataques realizados pelo grupo Hamas, que começaram no sábado (7). De acordo com Michel Gherman, historiador especializado no conflito palestino-israelense, o governo do primeiro ministro Benjamin Netanyahu contribuiu para que o ataque fosse organizado e feito como imaginado por conta “da falta de legitimidade gradual e da ameaça à democracia que ele próprio estava produzindo”.
O analista de relações internacionais Lúcio Reiner explica que Israel nasceu como um estado de centro-esquerda socialista guiado pelo Partido Trabalhista, em 1948, que dominou a política israelense por muitas décadas até a guerra de Yom Kippur, em 1973. Diante da falha de segurança que deu espaço para a guerra citada, governos mais à direita foram ganhando terreno até Netanyahu assumir como o primeiro-ministro mais longevo da história do pais: de 1996 a 1999, de 2009 a 2021 e reeleito em 2022.
Com o tempo, a ascensão da direita se converteu em extrema direita, o que evoluiu para um congelamento de relações com os países vizinhos. Desafetos regionais como Síria ou Líbano e a própria Palestina não tem condição de enfrentar a primazia militar de Israel devido ao investimento bélico do país.
“Não há ameaça que se equipare aos armamentos de Israel, que não viu necessidade de ceder e cada vez foi mais à direita, ocupando com colônias a Cisjordânia. Além de ser contrário à resoluções da ONU, isso inviabiliza cada vez mais um estado palestino”, disse Reiner.
O analista relata que para se perpetuar no poder, à beira de ir para a cadeia por corrupção, Netanyahu se ressuscitou colocando gente de fora do espectro normal da política israelense de extrema direita no poder. O atual ministro de defesa do país estabeleceu como política de tratamento aos palestinos três opções inflexíveis: imigração, submissão ou morte.
Isto serviu na prática como arroxo no garrote no pescoço da população palestina e de mola propulsora não só para o fundamentalismo religioso islâmico, que surgiu a partir da Revolução Iraniana, que usa massa de manobra para sacrifícios, mas para os eventos deflagrados no fim de semana. A juventude palestina sem perspectiva que não pode evadir a região prefere morrer a virar escravo.
GAZA É UM GUETO
“O novo gabinete de Israel salvou Netanyahu da cadeia, mas criou uma política fascista. Curioso que o povo judeu agora esteja fazendo um gueto para os outros [palestinos]. Gaza é um gueto em que tudo, até a água, é controlado. Os princípios do início, com organização social mais generosa, se perderam. Agora virou um estado de extremíssima direita que pensa que vai resolver a questão com a força e não é assim”, pontua Reiner.
Na avaliação do analista, o Hamas obteve sucesso de vida curta com a operação porque está fora de cogitação ganhar a guerra. O propósito é criar um fato que obrigue Israel a negociar, a conceder e a voltar ao diálogo para que uma entidade palestina viável seja construída e o fundamentalismo terrorista seja afastado.
“O objetivo principal do Hamas é criar insegurança e um abalo que leve à queda desse governo depois das operações militares, com novas eleições que prometam paz em troca de abandonar colônias ilegais na Cisjordânia ou pagamento pela terra e permissão para um território palestino na região.”
Atualmente, a Faixa de Gaza tem cerca de dois milhões de habitantes palestinos. O Hamas preencheu a região com reféns israelenses para evitar ataques do exército inimigo ao longo do fim de semana ao usá-los como escudo humano. O Hezbollah, grupo terrorista localizado no Líbano, anunciou apoio ao Hamas com ataques ao norte de Israel. Ambos são majoritariamente financiados pelo regime iraniano. A situação de Israel se complica porque os países desafetos não irão se mover para apoiar o país e nem para enfrentá-lo.
“A guerra israelense é contra grupos terroristas e não contra estados”, conclui Reiner.
3 PERGUNTAS
O Congresso em Foco fez três perguntas a Michel Gherman, graduado em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre em Antropologia pela Hebrew University of Jerusalem e doutor em História pelo PPGHIS/UFRJ. Ele é pós-doutor em História Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro e no Ben Gurion Center for Israeli and Zionist Studies. Possui estudos sobre Sionismo e Israel, conflito palestino-israelense e Oriente Médio e sobre a Extrema Direita e Judaísmo no Brasil.
A seu ver, o que provocou os ataques do Hamas realizados? Houve algum contexto específico dentro da questão Israel-Palestina que serviu de estopim para as ações?
Acho que a relação do Hamas é uma relação relativamente nova com o Irã e com Hezbollah, uma relação tática. A necessidade de impedir o avanço da normalização de Israel com a Arábia Saudita produziu a perspectiva desses ataques muito preparados. Ataques que devem ter sido articulados por um ano, pelo menos. É o que mostra a falência e o despreparo da inteligência e da segurança de Israel. Além disso, é possível dizer que esse governo polarizado de extrema direita, altamente anti-palestino, justificava cada vez mais que os ataques fossem feitos. Agora, na minha avaliação, não foi o governo de Netanyahu que produziu esse ataque. Houve a utilização dessas perspectivas concretas do governo para justificar que fossem feitos nesse momento. O ataque tem muito pouco a ver com a questão Palestina e sim com a questão geopolítica, com uma tentativa do Hamas de se consolidar como alternativa forte dentro desse cenário.
Qual é o risco real dos dois países entrarem no maior conflito que já houve entre ambos desde a fundação de Israel?
Hoje, eu não acho possível que esse que esse conflito se transforme em um conflito de alta, de alto envolvimento com países. O governo está em uma situação terrível com uma carnificina produzida no seu território e com centenas de pessoas reféns. Então fico imaginando, como é que você pode ter uma intervenção terrestre em casa com reféns e quase mil mortos. Será que Bibi [apelido de Netanyahu], que está muito enfraquecido e muito sem legitimidade, vai assumir o risco de fazer uma invasão? Será que ele vai assumir o risco de produzir mais mortes e a morte de reféns dentro da Palestina? Eu acho pouco provável agora, se, efetivamente, Bibi ignorar tudo isso e produzir uma invasão por terra, me parece que há possibilidade concreta do Hezbollah, que é próximo do Irã entrar pelo norte fazendo uma guerra em duas frentes. Não acho possível que o Irã entre nesse momento na guerra. Eu acho que o Irã vai utilizar seus aliados próximos para isso.
Quais seriam os próximos passos adotados por ambos os países diante da oficialização de guerra de Israel contra o Hamas?
Imagino que vá continuar havendo enfrentamento por ar com bombardeios de foguetes do Hamas contra Israel e vice-versa. Israel vice uma situação inédita, que não tem desde 1973, e um governo sem legitimidade de extrema-direita, polarizado, com pouco apoio. O que devem tentar buscar, por incrível que pareça, é uma saída diplomática ou que vai produzir a queda de Bibi Netanyahu por conta dos reféns que estão dentro da Palestina. Imagine a situação de um governo que prometeu a destruição do Hamas, mas que não vai poder cumprir por conta da existência de uma quantidade que ainda não se sabe de reféns, entre eles mulheres, crianças e oficiais do exército.
AUTORIA
CAIO LUIZ Repórter. Jornalista, produtor de conteúdo e roteirista. Formado em 2010 na Universidade Metodista, com estudos posteriores em Ciências Sociais e narrativas audiovisuais no ABC Paulista. Passou por redações na TVT, ABCD Maior, DCI, IdeaFixa, Destak e Doc Films/CNN Brasil.
por NCSTPR | 10/10/23 | Ultimas Notícias
BETH VELOSO
A Constituição, mais do que uma carta, é uma prática social. Muda nossas crenças. Muda nosso dia. Muda nossa vida. Mas também precisa mudar.
Não houve lei mais esperada ou festejada do que a Constituição de 88. Pelo menos nos tempos recentes. Mas o que nos diz esse regramento que já nasceu sob os holofotes da mídia?
A Constituição brasileira (1) nasceu com algumas missões. Equilibrar a força entre os poderes, que estavam nas mãos do Executivo. Veja bem, as concessões de rádio e televisão eram aprovadas só pelo Executivo. Agora, dependem de um processo criterioso e da chancela do Congresso (art. 223 e incisos). Também queria dar mais poderes ao Judiciário, criando um ambiente de harmonia entre os poderes. O que não aconteceu, porque enfrentamos nos últimos anos sucessivas crises, até culminar com o ataque às instituições em 8 de janeiro.
A “Constituição Cidadã” ganhou esse nome por assegurar direitos ao povo brasileiro que iam além do direito de votar ou de ser votado, embora, segundo o consultor legislativo Theodoro Menck, cidadania só tem relação com voto. Veja, por exemplo, que povos indígenas ainda estão ameaçados e o feminicídio é um pesadelo no Brasil. Educação e saúde, direito constitucionais, não estão plenamente assegurados. Muito pelo contrário. Escolas sem banheiro ainda é uma realidade no Brasil.
No excelente podcast “Constituição em debate” (2), destacaram as conquistas quanto às liberdades humanas, como a dignidade! No entanto, o racismo nunca foi tão denunciado no Brasil. E o crime de racismo está proibido na Constituição (art. 5º, XLII), assim como está lá assegurada a imprensa livre!
A mídia é um dos pilares da democracia, que foi colocada à prova recentemente. A criminalidade assola o interior do país, inclusive em atos cometidos por policiais, mas Constituição proíbe a tortura.
Assim como proíbe o monopólio e oligopólio dos meios de comunicação, mas a mídia continua concentrada em seis grupos de mídia que que controlam 92% da audiência televisiva, segundo o estudo “Os Donos da Mídia” (3) do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação, e isso vai de encontro à tal da liberdade de expressão, pois liberdade é feita de escolha, e não há escolha sem diversidade de meios, nem pluralidade de opiniões (4).
Nos Estados Unidos, muitos não conhecem e não acreditam na Constituição.
Lá, ela não representa um pacto. Para uma defesa oral em tribunal, a nossa “Constituição cidadã”, do “pacto social” e do “Estado Democrático de Direito” encanta a audiência. Mas, no final do dia, ela entrega pouco. Muito pouco.
A programação de TV que está no capítulo da Comunicação não é a mesma que eu vejo nas telinhas do plim plim. Promover conteúdo local e cultura regional (art. 221) é uma pauta que ainda não entrou na agenda legislativa.
Apesar das ressalvas, Guilherme Pinheiro, consultor da Câmara dos Deputados, explica porque há sim avanços no capítulo da Comunicação. “A principal foi ter firmado os direitos fundamentais, como a manifestação do pensamento, e que ninguém embaraçasse esse direito, vedando também a censura jornalística ou ideológica. Um outro artigo importante é o art. 221, que coloca os princípios da programação de rádio. Embora muitas vezes desrespeitado, ele foi usado como guia para TV por assinatura, como ter cinco horas de programas educativos e também algumas horas de notícias, e também o localismo da produção, ou fortalecimento de valores éticos e regionais, e a restrição à propaganda de tabaco.”
E como a internet interage com a Lei Maior, e esses fenômenos de discurso de ódio, massacre nas escolas e, é claro, as fake news?
O consultor Guilherme Pinheiro explica que a internet não está expressamente citada na Constituição, e que este debate de as mídias digitais terem que seguir o regramento imposto às TVs, rádios e até mesmo às TVs por assinatura, como o conteúdo regional, ficou em aberto: “Alguns defendiam que a internet também seria esse médio de comunicação social, mas que não seria um meio de comunicação eletrônica, o que não seria o caso, porque teria que garantir prioridade de dirigentes brasileiros e seguir o art. 221. Tem muita coisa que ficou em aberto, como essa coisa do monopólio e do oligopólio e outras que o capítulo 5 serviu para reforçar”.
Metade da Constituição brasileira é diferente daquela aprovada por Ulysses Guimaraes. Foram 128 emendas aprovadas. Isso por si só já é um desafio.
A crítica construtiva nos leva adiante. Comemorar é dar um salto à frente, e não olhar para trás. Não podemos ser ingênuos de achar que a livre expressão prevista no art. 5º é uma permissão incondicional para o assalto de notícias falsas e desinformação na internet. E que um debate no Congresso em torno do PL 2630/2020 (5), por exemplo, o PL da transparência das mídias digitais, pode ser censurado na plataforma Google com o rótulo de “PL da censura” e tudo bem. Os políticos vão para a mídia dizer que isso é um ataque à democracia e, sobretudo, ao Parlamento, e não acontece nada (6).
Nas últimas eleições presidenciais, o blog Núcleo reportou a circulação de “cerca de 8.000 mensagens (2,6 vezes mais do que na véspera) que mencionam ‘fraude’ no 1º turno, muitas inclusive convocando usuários para ‘guerra’” (7). Essas mensagens, registradas em mais de 220 canais de Telegram, “totalizaram +665 mil visualizações mensuráveis” (8).
O pior é que vídeos como o que denunciam “Fraude na Eleição” são monetizados nas plataformas.
Para que queremos uma Constituição, se o cobertor é tão curto e o caráter progressista não se traduz em comida na mesa, nem médico de família?
Bem, queremos a Constituição para que a desinformação não corroa a democracia.
Para que a mídia “democrática” entre aspas não tolere o discurso de ódio.
Afinal de contas, como nós já sabemos, o nosso pacto social não é com a Constituição.
É com a democracia!
O resto a gente corre atrás!
Você ainda pode enviar a sua sugestão de tema, crítica ou sugestão para o WhatsApp da Rádio Câmara (61) 99978-9080 ou para o e-mail papodefuturo@camara.leg.br.
(1) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
(2) https://open.spotify.com/episode/70EMrEpjIzbYMMWWMY0yGz?si=6-hiumswSOihx06Y6Uuz6g
(3) https://www.fndc.org.br/noticias/donos-da-midia-uma-ferramenta-poderosa-para-democratizar-a-comunicacao-290030/
(4) https://aslegis.org.br/files/artigospessoais/Publicacoes-Impactos-da-Constituicao-de-1988-II/Ensaios_impactos_volume1_cortado/11-A_concentracao_da_midia_e_a_liberdade_de_expressao_na_constituicao_de_1988.pdf
(5) https://www.camara.leg.br/propostas-legislativas/2256735
(6) https://www.camara.leg.br/noticias/957318-deputados-criticam-ofensiva-de-empresas-de-tecnologia-contra-o-projeto-de-lei-das-fake-news/
(7) https://manualdousuario.net/podcast/tecnocracia-75/
(8) https://manualdousuario.net/podcast/tecnocracia-75/
O comentário no Papo de Futuro vai ao ar originalmente pela Rádio Câmara, às terças-feiras, às 8h, em 96,9 FM Brasília.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para redacao@congressoemfoco.com.br.
AUTORIA
BETH VELOSO Doutoranda pela Universidade do Minho, em Portugal, e mestre em Políticas de Comunicações pela University of Westminster, na Inglaterra. É jornalista e atua como consultora legislativa da Câmara, nas áreas de Comunicação, Informática, Telecomunicações e Ciências da Comunicação. Tem especial interesse nos temas de regulação da internet, capitalismo digital e capitalismo de vigilância.
por NCSTPR | 10/10/23 | Ultimas Notícias
LUCAS NEIVA
Capitão no exército israelense e veterano da Guerra do Yom Kippur, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, construiu sua carreira política com base no discurso de linha dura no tratamento com a população e os grupos armados palestinos, postura que lhe garantiu cinco mandatos como mandatário em seu país. A recente escalada da guerra contra o Hamas, porém, o empurrou para uma posição de fragilidade, conforme aponta Karina Stange Calandrin, pós-doutora em relações internacionais pela Universidade de São Paulo, professora da Universidade de Sorocaba (UNISO) e analista do Instituto Brasil-Israel.
“A linha dura na política externa e com os povos palestinos sempre foi o aspecto forte do governo Netanyahu, sempre foi o que fortaleceu sua política. (…) Essa política dura, muito cruel para com os palestinos, agora representa uma perda. Esse trunfo, que sempre foi uma bandeira forte do seu governo, foi por água abaixo”, explicou a pesquisadora.
Além de prejudicado pela própria escalada do conflito, Netanyahu também se vê ameaçado pela forma com que aconteceu o primeiro avanço do Hamas, no último sábado (7). O aparato de inteligência israelense fracassou em prever o ataque e houve uma demora de ao menos cinco horas para o governo preparar uma resposta, o que resultou em um grande número de mortes de civis.
“Ele sempre se mostrou como uma figura capaz de manter os israelenses seguros. Isso inclusive foi dito abertamente em propagandas políticas, que ele conseguia ‘manter as crianças seguras’. (…) Seu governo já estava fragilizado por questões internas, e a situação agora tende a se agravar”, avalia Karina Calandrin. Eleito em 2022, Netanyahu governa junto a uma coalizão de partidos de direita e extrema-direita que também se sustentam por meio do discurso de repressão aos palestinos.
CONSEQUÊNCIAS POLÍTICAS
Em um mandato marcado pelo isolamento em relação aos setores moderados e progressistas no parlamento israelense e pela dependência no apoio de grupos fundamentalistas, Netanyahu já enfrentava dificuldades antes da guerra para preservar a força de sua posição como primeiro-ministro. Karina Calandrin antecipa que essa dificuldade tende a se agravar, mas não deve evoluir, no curto prazo, para medidas extremas.
“Os partidos que estão hoje com ele no governo são os de extrema-direita, os mais ortodoxos. Eu não vejo agora uma perda de maioria, mas ele vai sofrer muita pressão e muito escrutínio, podendo perder ainda mais popularidade. Com isso, podem ser desencadeados outros efeitos, que no futuro podem resultar em uma moção de desconfiança na Knesset [parlamento israense]”.
A moção de desconfiança, ou moção de censura, é um instrumento utilizado por blocos de oposição em sistemas parlamentaristas para manifestar oficialmente a insatisfação do Legislativo em relação ao primeiro-ministro. Se aprovada, o governo é obrigado a apresentar soluções para recuperar sua maioria, podendo inclusive indicar um outro nome para assumir a liderança. Caso não consiga alcançar o consenso, novas eleições são convocadas para o parlamento.
Apesar da possibilidade de apresentação da moção de desconfiança por parte de seus opositores, o que enfraqueceria ainda mais a força política de Netanyahu, a professora de relações internacionais pondera que esta dificilmente seria capaz de derrubar de vez o seu governo, resultando em um impacto muito mais simbólico do que material.
REFORMA JUDICIAL ENTERRADA
Antes da guerra contra o Hamas começar, a principal preocupação de Netanyahu na política interna israelense dizia respeito à sua proposta de reforma do Poder Judiciário. Apesar de aprovada na Knesset, a nova lei enfrentava e enfrenta dura oposição popular, o que deu início a uma onda generalizada de protestos ao redor do país desde o início do segundo semestre de 2023.
O principal ponto da reforma é o enfraquecimento da Suprema Corte de Israel, principal freio para as decisões de seu governo. A proposta, aprovada mesmo com boicote da oposição, prevê a retirada do judiciário do poder de revogação de decisões irracionais por parte do Executivo, considerado um dos principais contrapesos à autoridade de quem estiver ocupando o cargo de primeiro-ministro.
“Essa lei representa a possibilidade do fim da democracia israelense. Agora essa reforma não vai acontecer, a discussão não será prolongada. Agora, quando chegar o fim da guerra, se esse tema ressurgir, será uma pauta com um fôlego muito menor graças ao conflito, que está enfraquecendo muito o Netanyahu”, ressaltou Karina.
Apesar do enfraquecimento no curto prazo, Karina alerta que é difícil prever como a guerra pode afetar Netanyahu ao longo dos próximos anos. O conflito abalou duramente sua popularidade, mas seu atual mandato recém começou, contando ainda com três anos de governo até a próxima eleição. Se fosse repetido no atual momento, porém, ela não tem dúvida de que o pleito entregaria um resultado desfavorável ao primeiro-ministro.
AUTORIA
LUCAS NEIVA Repórter. Jornalista formado pelo UniCeub, foi repórter da edição impressa do Jornal de Brasília, onde atuou na editoria de Cidades.