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Juros altos e exterior negativo pesam e podem trazer piora no desempenho do PIB em 2023

Juros altos e exterior negativo pesam e podem trazer piora no desempenho do PIB em 2023

Economistas projetam investimentos e consumo menores e citam cautela com aumento de Covid-19 na China.

Por André Catto e Isabela Bolzani, g1

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,3% no 3º trimestre deste ano na comparação com os três meses imediatamente anteriores, segundo dados divulgadoss nesta quinta-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

O resultado confirma os sinais de desaceleração da economia brasileira, e a expectativa do mercado é que a atividade tenha um crescimento mais tímido no ano que vem. Segundo o último relatório “Focus”, divulgado na segunda-feira (28) pelo Banco Central do Brasil(BC), a estimativa é que o PIB cresça apenas 0,70% em 2023.

Mas o que justifica a queda no crescimento?

 

Para o economista-chefe da Análise Econômica Consultoria, André Galhardo, a principal causa dessa desaceleração é a restrição ao crédito, limitado por uma Selic (taxa básica de juros) a 13,75% ao ano.

“O Brasil tem a taxa real de juros mais alta do mundo, que deve ficar ainda mais elevada com o processo de desinflação em curso. Isso inibe os investimentos em produção, o consumo e impacta a economia de forma negativa”, explica.

Os indicadores de confiança de setores produtivos também reforçam essa preocupação, com sondagens mostrando queda no otimismo dos empresários e dos consumidores, diz Galhardo. Ele lembra que isso ocorre mesmo em um cenário em que o país ainda registra crescimento – reflexo, entre outros pontos, da injeção de recursos por meio de auxílios concedidos pelo governo.

 

“O ciclo virtuoso promovido pela melhora do mercado de trabalho e o consequente consumo de serviços também deve se esvaziar, principalmente, a partir do primeiro semestre do ano que vem”, projeta. “O comércio varejista deve ser impactado negativamente pela taxa básica de juros, enfraquecido diretamente pela concessão de crédito mais caro.”

 

Entre os efeitos tardios das últimas elevações de juros feitas pelo Banco Central, os economistas também destacam a provável piora da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede o quanto as empresas aumentaram os seus bens de capital (como máquinas, equipamentos e materiais de construção) em um determinado período.

 

Para a economista da Neo Investimentos Laura Moraes, qualquer avanço que tenha sido impulsionado pela reabertura da economia no país já deve ter acabado no segundo semestre de 2023 e a política monetária local estará no momento com maior impacto sobre atividade.

 

“Mesmo que o Banco Central corte juros no próximo ano, como é esperado por alguns economistas, não vai ser a tempo suficiente para estimular a atividade ainda em 2023, pois, como sabemos, a transmissão da política monetária para a atividade econômica é defasada”, afirma.

As incertezas sobre as contas públicas também influenciam?

 

Outro fator que também pode influenciar na atividade econômica do próximo ano são as contas do governo, tema que agora está no centro das atenções do mercado. Até o momento, a principal espera é pelo texto final da Proposta de Emenda á Constituição (PEC) da Transição. A PEC, que prevê um estouro de cerca de R$ 198 bilhões fora do teto de gastos em 2023, já aguarda pela análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

“O volume de gastos permitidos pela PEC da Transição traz um risco, em nossa visão, caso ocorra uma piora na percepção de risco fiscal por parte dos investidores. Isso elevaria as taxas de juros locais e depreciaria o câmbio, o que resultaria em maior inflação, juros altos por mais tempo e, consequentemente, um menor crescimento”, explica o economista-chefe da nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi.

 

Por outro lado, ele destaca que caso o texto final da PEC preveja um estouro menor do teto de gastos, há chances de que o Banco Central consiga cortar a Selic, abrindo espaço para uma possível melhora nas perspectivas de juros. “A interação entre as políticas fiscal e monetária será o principal fator para a performance da economia em 2023”, acrescenta Borsoi.

E o cenário externo?

 

Não é apenas o ambiente interno que pode influenciar a economia brasileira. Segundo os economistas consultados pelo g1, apesar de indícios de arrefecimento da inflação nos Estados Unidos e na Europa, a China ainda preocupa. A economia do país segue desacelerando, em meio ao avanço da Covid-19 em território chinês.

Segundo Galhardo, os casos da doença no país indicam que o governo pode endurecer ainda mais as medidas de contingenciamento e distanciamento social, o que tende a fazer com que a economia da região desacelere ainda mais.

Nesse caso, o impacto para o Brasil viria pelo comércio internacional. A desaceleração pode acabar diminuindo a demanda do gigante asiático, que é o maior comprador de commodities no mundo, e afetar a balança comercial brasileira. E isso sem contar a possível retração da oferta por parte da China, que também resultaria em uma importação mais cara.

 

Além disso, outro ponto citado pelos economistas é a continuidade da guerra na Ucrânia, que pode ampliar os gargalos produtivos no mundo inteiro, além do aumento da taxa de juros nos EUA, que deve promover, na economia norte-americana, o mesmo movimento esperado no Brasil: um processo de desaquecimento mais robusto.

 

“Então, no mercado doméstico, temos uma fraqueza econômica promovida pelos juros e incertezas políticas. Fora, há um cenário muito desafiador, que inclui a China, nosso principal parceiro comercial. Também uma situação muito delicada na Europa e nos Estados Unidos. Tudo isso faz com que a gente acredite em um processo de desaquecimento da economia brasileira no ano que vem”, analisa Galhardo.

Juros altos e exterior negativo pesam e podem trazer piora no desempenho do PIB em 2023

Equipe de Lula deve propor salário mínimo de R$ 1.320 em 2023, diz coordenador do Orçamento

Salário mínimo atual é de R$ 1.212, e governo Bolsonaro propôs R$ 1.302. Senador Wellington Dias afirma ser possível elevar valor se PEC da Transição for aprovada.

Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

O senador eleito Wellington Dias (PT-PI), coordenador do núcleo de Orçamento da equipe de transição de governo, informou ao g1 que a equipe do presidente eleito Lula (PT) irá propor salário mínimo de R$ 1.320,00 no ano que vem.

 

Se aprovado pelo Congresso Nacional, o novo valor ficará acima dos R$ 1.302,00 propostos pelo governo Jair Bolsonaro. O salário mínimo atual é de R$ 1.212,00.

 

Durante a campanha eleitoral, Lula disse que, se eleito, iria reajustar o salário mínimo acima da inflação. No governo Bolsonaro, o salário foi reajustado conforme a inflação em 2020, 2021 e 2022, ou seja, sem aumento real.

Portanto, se confirmada e aprovada a proposta do governo eleito, o salário mínimo voltará a ter aumento real após três anos.

 

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo serve de referência para 56,7 milhões de pessoas no Brasil, das quais 24,2 milhões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Centrais sindicais e PEC da Transição

A decisão da equipe de transição de propor salário mínimo de R$ 1.320,00 em 2023 acontece após Lula ter recebido no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, representantes de centrais sindicais. O reajuste do salário mínimo foi um dos temas discutidos no encontro.

 

Junto com a manutenção do auxílio para a população carente em R$ 600 no próximo ano, o valor do salário mínimo do próximo ano é um dos temas prioritários da equipe de transição.

 

Para que a proposta de aumento do salário mínimo para R$ 1.320 seja implementada, porém, Wellington Dias afirmou ao g1 que é necessária a aprovação da proposta de emenda à Constituição conhecida como PEC da Transição.

 

Cada R$ 1 de aumento adicional no salário mínimo representa despesa adicional de R$ 370 milhões por ano – segundo cálculos do Ministério da Economia. Assim, se confirmados os R$ 18 a mais de aumento (na comparação entre as propostas de Bolsonaro e da equipe Lula) equivalem a R$ 6,66 bilhões em novas despesas em 2023.

 

Entre outros pontos, a proposta permite ao governo estourar o teto de gastos em R$ 198 bilhões no ano que vem para, por exemplo, pagar os R$ 600 mensais do Auxílio Brasil (que voltará a se chamar Bolsa Família).

 

O colunista do g1 Valdo Cruz informou que, para analistas do mercado financeiro, o teto não pode ser estourado em mais de R$ 140 bilhões no ano que vem. Caso contrário, a PEC pode elevar a dívida pública e gerar incertezas sobre as contas públicas e sobre a economia.

Além disso, outra ala de analistas avalia que a PEC precisa ser mais “enxuta” porque o estouro do teto não pode ultrapassar R$ 96 bilhões (leia detalhes mais abaixo).

 

Paralelamente às negociações da PEC da Transição, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) apresentou uma proposta que prevê elevar o teto de gastos em R$ 80 bilhões em 2023 e, assim, permitir a manutenção do pagamento de R$ 600 do Auxílio Brasil no ano que vem e abrir e espaço para recompor o Orçamento.

Economistas temem desequilíbrio fiscal

 

O mercado financeiro teme alta da dívida pública e pede que o aumento de gastos por meio da PEC da transição sejam compensados.

 

Analistas argumentam que, em 76,8% do PIB em outubro, ou R$ 7,3 trilhões, o patamar já está elevado na comparação com os países emergentes – cuja média é de cerca de 65% para o endividamento.

 

Neste mês, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro para comandar a instituição até 2024, alertou que é preciso ter um olhar para os gastos sociais, mas também avaliou que o equilíbrio fiscal não pode ser negligenciado.

 

Campos Neto argumenta que mais gastos geram maior inflação, o que obriga o BC a ter uma política de juros diferente (subindo mais a taxa Selic, ou mantendo-a elevada por mais tempo), com impacto no crescimento, nos investimentos e no emprego.

“A gente volta para um mundo de incerteza, onde a expectativa de inflação sobe, você desorganiza o setor produtivo, em termos de investimentos e, no final, quem sofre mais com isso é justamente a população que você quer ajudar, porque você machuca a geração de empregos”, declarou Campos Neto, na ocasião.

 

Recentemente, Campos Neto afirmou que, no caso de a situação das contas públicas piorar, o BC pode reagir. Isso significa que a instituição pode elevar os juros da economia, instrumento que o Banco Central tem para controlar efeitos adversos de uma expansão fiscal, como o aumento da inflação.

Juros altos e exterior negativo pesam e podem trazer piora no desempenho do PIB em 2023

Produção industrial cresce 0,3% em outubro

O indicador recua em duas, mas subiu em outras duas categorias em outubro

Por Lucianne Carneiro, Valor — Rio

Após duas quedas seguidas, a produção da indústria brasileira cresceu 0,3% em outubro ante setembro, segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada há pouco pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em setembro, o indicador teve recuo de 0,7%. Em agosto, tinha caído 0,6%.

 

O desempenho de setembro ficou acima da mediana das estimativas de 33 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, de alta de 0,2%, livre dos efeitos sazonais. As projeções iam de recuo de 0,5% a alta de 1,4%.

Na comparação com igual mês em 2021, a produção industrial subiu 1,7% em outubro de 2022. Por essa base de comparação, a expectativa mediana do mercado era de que o indicador tivesse subido 1,4% conforme levantamento do Valor. As projeções iam de estabilidade a aumento de 3,5%.

 

A indústria acumula queda de 0,8% no ano, até outubro, e recuo de 1,4% nos últimos doze meses. Com esses resultados, o setor industrial está 2,1% abaixo do patamar pré-pandemia, em fevereiro de 2020 e 18,4% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

 

O IBGE manteve sem alterações o dado referente a setembro, na comparação com agosto, de queda de 0,7%.

Categorias

 

Duas das quatro grandes categorias do setor industrial pesquisadas tiveram queda na atividade em outubro, frente a setembro, enquanto as outras duas tiveram alta. Na indústria como um todo, houve ganho de 0,3%, após dois meses de recuo, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada hoje.

 

Os bens de capital tiveram queda de 4,1% em outubro em relação a setembro. Na comparação com outubro de 2021, a produção cai 0,2%.

 

A produção de bens duráveis, por sua vez, caiu 2,7% em outubro, frente a setembro. Na comparação com igual mês de 2021, o indicador avançou 11,8%.

 

Já a produção de bens intermediários apresentou crescimento de 0,7% na passagem entre setembro e outubro. Na comparação com outubro de 2021, a atividade de bens intermediários sobe 1,9%. A categoria representa 55% da indústria.

 

O resultado de bens semi e não duráveis foi de aumento de 0,3% em outubro frente a setembro. Na comparação anual, com outubro de 2021, houve alta de 0,4%.

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Juros altos e exterior negativo pesam e podem trazer piora no desempenho do PIB em 2023

Centrais sindicais debatem com Lula repactuação da reforma trabalhista

Representantes de várias categorias pedem também garantia de uma política para recomposição do salário mínimo logo no início do novo governo

Por João Valadares e Matheus Schuch, Valor — Brasília

As centrais sindicais comunicaram ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião nesta manhã, em Brasília, que querem uma repactuação de alguns pontos da reforma trabalhista e a garantia de uma política para recomposição do salário mínimo logo no início do novo governo. No encontro, representantes de várias categorias foram unânimes em afirmar que não querem a volta do imposto sindical, mas que é preciso encontrar uma nova forma de custeio.

 

O presidente da UGT, Ricardo Patah, que integra o grupo técnico de trabalho e previdência, afirmou que alguns pontos da reforma trabalhista, a exemplo do trabalho intermitente e das negociações diretas entre patrões e empregados sem participação dos sindicatos, precisam ser revistos.

 

“Deixamos claro de forma unificada que o movimento sindical não quer a revogação da reforma trabalhista e também não quer a volta do imposto sindical, mas há pontos que precisamos repactuar”, disse.

 

Patah disse acreditar que o presidente Lula, logo no início do mandato, vai desenhar uma nova política para o salário mínimo. “Colocamos que é importante ter a política de salário mínimo para voltar ao que era, com a recuperação ligada à inflação e adicionando mais aquilo que o Brasil cresceu nos dois últimos anos”, declarou.

 

Juros altos e exterior negativo pesam e podem trazer piora no desempenho do PIB em 2023

Equipe de transição estuda divisão do Ministério da Economia em três

Em fala nesta quarta-feira (30), o ex-ministro Nelson Barbosa, integrante da equipe de transição, detalhou à imprensa a estratégia para o ministério e criticou sugestões de PEC alternativa

Por Fabio Murakawa, Valor — Brasília

A equipe do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda dividir em três o Ministério da Economia. Além da manutenção da pasta, que até 2018 se chamava Ministério da Fazenda, seriam recriados os ministérios do Planejamento e da Indústria e Comércio.

 

Integrante do Grupo Técnico de Economia do futuro governo, o ex-ministro Nelson Barbosa afirmou nesta quarta-feira (30) que o fatiamento foi um pedido do comando da transição, coordenada pelo vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB).

 

“O GT de Economia está trabalhando apenas com o Ministério da Economia. Mas houve um pedido da coordenação geral para que se estudasse a divisão do Ministério da Economia em três. Seriam Ministério do Planejamento, Ministério da Economia e Ministério da Indústria e Comércio”, disse Barbosa. “Esses três grupos estão fazendo suas propostas que serão enviadas à coordenação da transição. Mas é uma proposta preliminar, que ainda vai ser discutida e reformulada.”

 

Em meio a especulações sobre uma possível mudança de nome do Ministério da Economia para Fazenda, Barbosa disse, em tom de brincadeira, ser sugerido a manutenção da nomenclatura.

 

“Por uma questão de economia de gastos, nós estamos sugerindo manter o nome Ministério da Economia, para não mudar o letreiro”, disse.

 

Os GTs da transição, inclusive o de Economia, entregam hoje um relatório preliminar para a equipe de Alckmin.

 

“O relatório [do GT da Economia] que nós estamos fazendo hoje é um relatório preliminar. É um relatório eminentemente administrativo, com proposta sobre organograma do ministério, pontos de atenção levantados junto ao governo eleito. E coisas que têm que ser decididas agora em dezembro, no início de janeiro”, disse Barbosa. “As recomendações mais qualitativas de política econômica serão objeto do relatório final, cujo prazo é 11 de dezembro.”

Barbosa acredita que PEC alternativa subdimensiona gastos

 

O ex-ministro Nelson Barbosa continuou sua fala, direcionada às propostas alternativas à PEC apresentada pela equipe de transição do governo eleito. Disse considerar que a liberação de R$ 70 bilhões acima do teto de gastos na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição seria “pouco” para abrir espaço no Orçamento a fim de atender programas considerados essenciais.

Barbosa citou a cifra de R$ 70 bilhões em referência à PEC alternativa formulada pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que na verdade prevê um estouro de R$ 80 bilhões no teto, valor bem inferior ao estouro de R$ 175 bilhões prevista na PEC encaminhada por representantes do futuro governo para assegurar o valor de R$ 600 ao Bolsa Família em 2023.

 

“A discussão orçamentária por enquanto é abrir espaço necessário para que Orçamento atenda as prioridades da sociedade”, afirmou. “A PEC no formato atual não tem valor; exclui o Bolsa Família, que poderia ser até R$ 175 bilhões. O valor vai ser negociado no Congresso. Acho R$ 70 bilhões um valor baixo. Isso cobriria apenas a manutenção dos R$ 600 [do Bolsa Família], que segundo estimativas custa R$ 52 bilhões. E haveria um pequeno espaço para os outros programas.”

 

Barbosa lembrou que a Lei Orçamentária Anual (LOA) ao Congresso já previu cortes drásticos em programas essenciais, como o Farmácia Popular e a merenda.

 

Barbosa disse ainda que, uma vez definido o tamanho do gasto, pode haver uma revisão na previsão das receitas que, segundo ele, parecem subestimadas.

 

“Uma vez definido o tamanho desse gasto, na própria votação do Orçamento haverá uma revisão da previsão de receitas”, afirmou. “Já houve estimativa do governo em exercício de que a receita vai subir. Receita prevista parece subestimada, isso ajuda não só o governo eleito como o Brasil inteiro.”

 

Ele disse ainda que não há uma decisão tomada sobre a reoneração dos combustíveis e que o governo eleito se manifestará sobre o tema em janeiro.

 

Conteúdo publicado originalmente no Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor Econômico.

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Juros altos e exterior negativo pesam e podem trazer piora no desempenho do PIB em 2023

Desemprego cai para 8,3% em outubro, menor nível desde 2015, aponta IBGE

População ocupada no mercado de trabalho bateu recorde histórico, enquanto o número de desempregados recuou, também, ao menor patamar desde 2015.

Por Daniel Silveira, g1 — Rio de Janeiro

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 8,3% em outubro, atingindo o menor nível desde 2015, apontam os dados divulgados nesta quarta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Considerando apenas os trimestres terminados em outubro, trata-se da menor taxa desde 2014.

 

 

De acordo com o IBGE, o país chegou ao final de outubro com cerca de 9 milhões de desempregados, o que corresponde ao menor contingente já registrado desde julho de 2015.

 

Já a população ocupada no mercado de trabalho foi estimada em 99,7 milhões de pessoas, novo recorde da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012.

 

“Este momento de crescimento de ocupação já vem em curso desde o segundo semestre de 2021. Com a aproximação dos últimos meses do ano, período em que historicamente há aumento de geração de emprego, a tendência se mantém”, avaliou Adriana Beringuy, coordenadora da pesquisa.

 

Na comparação com igual trimestre do ano passado, a taxa de desemprego recuou 3,8 pontos percentuais (p.p.), enquanto o número de desempregados foi reduzido em 3,9 milhões de pessoas, o que corresponde a uma queda de 30,1%.

 

O nível da ocupação – ou seja, o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar – chegou a 57,4%, 2,8 p.p. acima do registrado em outubro do ano passado.

Já a taxa composta de subutilização caiu para 19,5%, 6,7 p.p. abaixo da registrada no mesmo trimestre do ano passado. A população subutilizada somou 22,7 milhões de pessoas, 7,2 milhões a menos que em outubro de 2021, o que corresponde a uma queda de 24,2% no período.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/11/30/desemprego-fica-em-83percent-em-outubro-aponta-ibge.ghtml