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Brasil gera 278 mil empregos formais em setembro

Brasil gera 278 mil empregos formais em setembro

O Brasil gerou 278.085 postos de trabalho em setembro, resultado de 1.926.572 admissões e de 1.648.487 desligamentos de empregos com carteira assinada. No acumulado deste ano, o saldo é de 2.147.600 novos trabalhadores no mercado formal. Os dados são do Ministério do Trabalho e Previdência, que divulgou hoje (26) as Estatísticas Mensais do Emprego Formal, o Novo Caged.

O estoque de empregos formais no país, que é a quantidade total de vínculos celetistas ativos, chegou a 42.825.955 em setembro, o que representa um aumento de 0,65% em relação ao mês anterior.

No mês passado, o saldo de empregos foi positivo nos cinco grupamentos de atividades econômicas: serviços, com a criação de 122.562 postos distribuídos principalmente nas atividades de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas; comércio, saldo positivo de 57.974 postos; indústria, com 56.909 novos postos, concentrado na indústria de transformação; construção, mais 31.166 postos de trabalho gerados; e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, que criou 9.474 empregos.

Salário

Em todo o país, o salário médio de admissão em setembro foi de R$ 1.931,13. Comparado ao mês anterior, houve decréscimo real de R$ 12,47 no salário médio de admissão, uma variação negativa de 0,64%.

O ministro do Trabalho e Previdência, José Carlos Oliveira, disse que o segmento da indústria continua crescendo, apesar de ter caído para a terceira colocação na geração de empregos no mês. “Quando a gente fala de aumento de número de postos de trabalho na indústria isso também quer dizer que, inevitavelmente, no médio prazo, a média salarial do brasileiro vai aumentar, porque a qualificação para se encaixar no trabalho na indústria é um pouco maior e gera maiores salários”, explicou.

Por região

Todas as regiões do país tiveram saldo positivo na geração de emprego no mês passado, sendo que houve aumento de trabalho formal nas 27 unidades da federação.

Em termos relativos, dos estados com maior variação na criação de empregos em relação ao estoque do mês anterior são Alagoas, com a abertura de 15.625 postos, aumento de 4,16%; Sergipe, que criou 5.131 vagas (1,78%); e Pernambuco, com saldo positivo de 20.528 postos (1,55%).

Os estados com menor variação relativa de empregos em setembro, em relação a agosto, são Rio de Janeiro, que criou 15.382 postos, aumento de 0,45%; Paraná, com saldo positivo de 12.920, alta de 0,44%; e Rio Grande do Sul, que encerrou o mês passado com mais 10.254 postos de trabalho formal, crescimento de apenas 0,39%.

Em termos absolutos, as unidades da federação com maior saldo no mês passado foram São Paulo, com 61.167 postos (0,46%); Minas Gerais, com 23.723 vagas criadas (0,53%); e Pernambuco, com a geração de 20.528 postos (1,55%). Já os estados com menor saldo absoluto foram Roraima, com 1.069 postos (1,55%); Acre, com 752 novas vagas (0,81%); e Amapá, que gerou 739 colocações (0,97%).

As estatísticas completas do Novo Caged estão disponíveis na página do Ministério do Trabalho e Previdência.

Fonte:  Agência Brasil / Foto: Marcelo Camargo – 26/10/2022

Disponível em: https://mundosindical.com.br/Noticias/54174

Brasil gera 278 mil empregos formais em setembro

Centrais sindicais pedem ao TSE veiculação de campanha contra assédio eleitoral

Com a grande quantidade de denúncias relacionadas a assédio eleitoral em todo o país, as centrais sindicais (CUT, CTB, Força Sindical, UGT, NCST e CSB) enviaram ofício para o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes.

As entidades pedem que o TSE veicule uma campanha de prevenção e combate ao assédio em rádio e televisão para que o pleito seja tranquilo e sem assédio para os trabalhadores.

Plataforma de denúncia

As centrais sindicais criaram uma plataforma para que os trabalhadores, de forma anônima, denunciem casos de assédio eleitoral.

“Com a definição do 2º turno das eleições entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), no próximo dia 30, alguns patrões aumentaram a pressão sobre os trabalhadores e trabalhadoras para que votem em seu candidato. Alguns empresários ameaçam com demissões, outros prometem prêmios em dinheiro. Isso é crime! Denuncie”, diz o texto de introdução na plataforma online criada para receber as denúncias.

Conheça a plataforma: https://assedioeleitoralecrime.com.br/

Fonte:  Redação Mundo Sindical – Manoel Paulo – 25/10/2022

https://mundosindical.com.br/Noticias/54159

Brasil gera 278 mil empregos formais em setembro

Entenda as inconsistências no factoide de Bolsonaro sobre as inserções de rádio

ELEIÇÕES 2022

Para o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, a única intenção da coligação que apoia a reeleição de Jair Bolsonaro, candidato do PL, ao fazer uma denúncia de suposto prejuízo na inserção de conteúdo de propaganda eleitoral em emissoras de rádio foi “tumultuar” o processo eleitoral.

Faltam provas consistentes à denúncia. As alegações do presidente não são corroboradas pelos próprios personagens envolvidos. As conclusões da denúncia não se sustentam pelos fatos. Nomes que se juntam ao episódio já se envolveram em outras polêmicas e fatos controversos.

Para ajudar no entendimento do factoide tentado pela campanha de Bolsonaro, o Congresso em Foco reúne abaixo suas principais inconsistências.

RELATO SOBRE HORAS A MENOS DE INSERÇÕES NÃO BATEM

A denúncia toma por base um monitoramento feito em oito rádios da região Nordeste, da Bahia e de Pernambuco, pela empresa Audiency, para concluir que mais de 100 horas de inserções de propaganda de Jair Bolsonaro, do PL, candidato à reeleição, não teriam sido incluídas.

Todas as inserções no segundo turno somam 9 horas e 35 minutos para os dois candidatos. Assim, a conclusão a que chega a denúncia parece ser uma projeção ampliada a partir da amostragem, muito acima, porém, do razoável.

Além disso, três das oito rádios que são alvo da apuração afirmam ter como provar que, ao contrário do que foi dito, foram feitas as inserções. O relatório, assim, teria erros e inconsistências.

RÁDIO APRESENTADA COMO PROVA AFIRMA QUE ERRO FOI DO PARTIDO DE BOLSONARO

Dona da emissora é bolsonarista. Por que ela iria deliberadamente prejudicar a campanha de Bolsonaro? Foto: Redes sociais

 

Na sequência da denúncia, apresentou-se como nova prova o caso da rádio JM FM, de Minas Gerais, que teria encaminhado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento em que comprovaria não ter inserido programas da campanha de Bolsonaro.

De saída, o caso chamou a atenção pela aparente falta de sentido. A dona da rádio, Lidia Prata Ciabotti, é bolsonarista. Em suas redes sociais, ela aparece em foto ao lado da mulher de Bolsonaro, Michelle. Por que ela iria deixar de colocar inserções de propaganda de Bolsonaro e prejudicar sua campanha, então?

A própria rádio esclareceu, então, que não foi a emissora quem deliberadamente deixou de inserir propaganda. Foi o PL, partido de Bolsonaro, quem não enviou o material de propaganda. “No início do segundo turno das eleições presidenciais, os mapas e materiais de uma das campanhas deixaram de ser enviados”, diz a rádio. O que a rádio na verdade fez foi pedir orientação à Justiça Eleitoral sobre como deveria proceder diante da falha do envio dos programas.

SERVIDOR DO TSE QUE FEZ DENÚNCIA COMETIA ASSÉDIO

O servidor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Alexandre Gomes Machado transforma, então, o documento da rádio em denúncia a corroborar a suspeita de prejuízo nas inserções de propaganda de Bolsonaro. Alexandre faz a denúncia à Polícia Federal. No dia em que é exonerado do cargo que exercia no tribunal.

Na verdade, Alexandre não foi exonerado por ter feito a denúncia, como fez parecer. Mas, segundo o TSE, porque, bolsonarista, vinha cometendo assédio moral na repartição em que trabalhava por fazer pressão política contra outros servidores. Segundo informações do TSE, há suspeitas, inclusive, de que Alexandre manteria contato com a campanha de Bolsonaro, trocando informações.

O TSE nega ainda que Alexandre tenha feito denúncias de irregularidades em 2018. “As alegações feitas pelo servidor em depoimento perante a Polícia Federal são falsas e criminosas, e, igualmente, serão responsabilizadas”, diz o TSE em nota.

NÃO É A PRIMEIRA VEZ QUE SERVIDOR DO TSE SE ENVOLVE EM EPISÓDIO CONTROVERSO

Servidor do TSE é responsável por um dos maiores erros da história do jornalismo brasileiro. Foto: Reprodução

 

Não é a primeira vez que Alexandre Gomes Machado se envolve em um episódio controverso. Jornalista, em 2000, ele trabalhava no jornal Correio Braziliense quando publicou matéria que apontava envolvimento de Eduardo Jorge Caldas Pereira, ex-secretário geral da Presidência no governo Fernando Henrique Cardoso, em um contrato milionário do Banco do Brasil com uma empresa chamada na matéria de DBO Direct. Segundo a matéria, por trás dessa empresa estaria outra, de nome DTC, da qual Eduardo Jorge seria sócio.

A matéria era uma sucessão de erros. A empresa que tinha contrato com o Banco do Brasil chamava-se BDO Direct, e não DBO. Não ficava em Curitiba, como dizia o texto, mas em São Paulo. Ela nunca teve qualquer vínculo com a DTC. A única informação correta era que Eduardo Jorge tinha sido, sim, sócio da DTC. Mas, diante da falta de vínculo da empresa de que era sócio com a DBO e o Banco do Brasil, a matéria não se justificava.

Diante da constatação da imensa quantidade de erros, o Correio Braziliense tomou a decisão inédita de publicar como manchete do jornal: “O Correio errou”, admitindo a sucessão de erros cometidos.

Na época, a jornalista Renata Lo Prete, que era então a ombudsman do jornal Folha de S. Paulo, escreveu que Alexandre reconheceu que confiara unicamente nas informações que obtivera de uma única fonte, sem qualquer documento que comprovasse o que dizia e sem ter checado se as informações eram mesmo verídicas.

Pela forma como reconheceu o erro, o Correio Braziliense recebeu, à época, o Prêmio Esso de Melhor Contribuição à Imprensa.

NÃO É FUNÇÃO DO TSE DISTRIBUIR AS PROPAGANDAS DE CAMPANHA

Ao fazer a denúncia, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, e a campanha de Bolsonaro insinuaram que haveria responsabilidade da Justiça Eleitoral pela suposta falha na publicação das inserções de campanha.

Na verdade, não é a Justiça Eleitoral quem distribui o material de campanha. O que a Justiça Eleitoral faz é determinar as regras segundo as quais fica calculado o tempo destinado a cada partido ou coligação. Isso está estabelecido na Resolução 23.610, do TSE. São as próprias emissoras que, diante do que está determinado na resolução, devem se organizar para ter acesso aos conteúdos e divulgá-los. E cabe aos partidos fazer essa fiscalização.

Na verdade, deveria caber à coligação de Bolsonaro acompanhar isso e fazer uma reclamação em tempo. Se alguma falha é constatada, a responsabilização é da emissora.

NÃO HÁ COMO APONTAR CONLUIO DA JUSTIÇA ELEITORAL PARA PREJUDICAR BOLSONARO

Assim, se não é responsabilidade da Justiça Eleitoral fazer a distribuição do material de campanha, também não cabe imaginar alguma ação deliberada da Justiça Eleitoral nesse caso para prejudicar a campanha de Bolsonaro.

TAMBÉM NÃO HÁ COMO APONTAR CONLUIO DA JUSTIÇA ELEITORAL E DA COLIGAÇÃO DE LULA

Bolsonaro chegou a dizer que haveria “dedo do PT” no episódio. Se um eventual problema é de responsabilidade da própria emissora, se não é a Justiça Eleitoral que distribui o material, fica muito difícil apontar para uma responsabilidade direta do PT ou da coligação de Lula no suposto episódio.

POR QUE O AUTOR DA DENÚNCIA É O MINISTRO DAS COMUNICAÇÕES?

Não é função de Fábio Faria, ministro das Comunicações, fiscalizar inserções de propaganda eleitoral. Foto: Marcelo Camargo/ABr

 

Chamou a atenção o fato de a denúncia inicial ter sido feita pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria. Tal tarefa de fiscalização não é do Ministério das Comunicações. É, como se mostrou acima, dos próprios partidos.

MORAES BARROU A DENÚNCIA POR INCONSISTÊNCIA

É diante, portanto, de todas essas inconsistências, que o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, não deu seguimento à denúncia. “O mais grave, porém, diz respeito à metodologia adotada pela empresa contratada pelos autores que, lamentavelmente, não se coaduna com os meios necessários para a comprovação do que alegado na petição inicial”, diz Moraes.

Alexandre de Moraes barra factoide sobre inserções de rádio

TSE esclarece caso das inserções eleitorais, o novo factoide criado por Bolsonaro

Rádio diz que PL deixou de enviar programas e enfraquece tese de Bolsonaro

AUTORIA

Rudolfo Lago

RUDOLFO LAGO Diretor do Congresso em Foco Análise. Formado pela UnB, passou pelas principais redações do país. Responsável por furos como o dos anões do orçamento e o que levou à cassação de Luiz Estevão. Ganhador do Prêmio Esso.

Brasil gera 278 mil empregos formais em setembro

Lula é vítima da cultura do medo, disse Malafaia em 2002

Em sua campanha presidencial nas eleições de 2002, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contou com o apoio de uma liderança evangélica que hoje o trata como rival: o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus. Na ocasião, se pronunciou em defesa do petista, afirmando que este era alvo de uma “cultura do medo, do terror e do pânico” promovida pelos apoiadores de seu concorrente, José Serra, do PSDB.

“Enquanto eles estão com o império do medo, para neutralizar o potencial dessa nação, você tem dito: ‘eu acredito na capacidade do brasileiro de resolver a crise’. Enquanto eles, com o império do medo, estão neutralizando os sonhos, e quem não sonha não vai a lugar algum, você tem passado os teus sonhos de construir uma nação grande, com mais equilíbrio, com mais igualdade, com melhorias”, declarou o pastor em discurso ao lado de Lula.

Confira o vídeo:

CONGRESSO EM FOCO
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Fim de “anabolizantes eleitorais” de Bolsonaro desacelera a economia

Sociólogo Clemente Ganz Lúcio explica impacto da interrupção de renda extra despejada por Bolsonaro no processo eleitoral, sem outras medidas para dinamizar a economia.

por Cezar Xavier

Os economistas que previam para o início de 2023 uma desaceleração da economia brasileira, já esperam a recessão ainda antes do próximo semestre. Há perspectivas catastróficas de PIB negativo no último trimestre do ano, que deve se expressar nas vendas do comércio de Natal, com risco de ficarem abaixo do registrado em 2021.

O Portal Vermelho conversou com o sociólogo e consultor das centrais sindicais, Clemente Ganz Lúcio, que explicou a combinação que tem levado os analistas a fazer este prognóstico. Ele concorda com a perspectiva de que vamos ter um ano pior que aquele, em meio à pandemia. Somente um novo governo com estratégia de desenvolvimento produtivo, segundo ele, será capaz de sair desse beco criado por Bolsonaro.

O cenário atual, conforme lembra ele, combina “uma total ausência de estratégia de desenvolvimento produtivo e coordenação de investimento”. “O Brasil está na pior situação de investimentos públicos. Com o fim dessas medidas anabolizantes que o governo fez para o processo eleitoral, jogando grana para a população de mais baixa renda, diminuindo ficticiamente a inflação com medidas de imposto, tudo isso vai voltar. Vamos ter pressão inflacionária, pressão de custo, redução da massa salarial, da massa de rendimentos disponíveis, que são essas medidas que estão acabando”, pontuou.

Anabolizantes eleitorais

Clemente refere-se a uma preocupação que comparece entre outros analistas. O dinheiro injetado na economia por meio de medidas com viés eleitoreiro, como a liberação de R$ 30 bilhões do FGTS no primeiro semestre, a antecipação do 13º salário e o reforço de programas sociais como o Auxílio Brasil, que já terão praticamente se esgotado.

Segundo a leitura generalizada entre os especialistas, sem a disponibilidade destes recursos, o governo terá “sacrificado a janta para servir o almoço”. Gastou tudo de que dispunha antes da eleição, sem pensar como garantir estabilidade fiscal e investimento para depois.

O problema dos gastos sociais, segundo o sociólogo, é que não há qualquer outra estratégia de desenvolvimento econômico para compensar. “O novo governo vai pegar um orçamento destruído, no ano que vem, que é o que esse governo vai entregar. Vai ter que reorganizar o orçamento com brutal rombo, o que significa repactuar uma série de coisas”, prevê Clemente.

“Tudo isso vai convergir para um cenário de economia internacional adverso com um quadro muito grave de inflação alta, guerra na Ucrânia e conflito entre EUA e China, do ponto de vista do comércio”, menciona ele.

Clemente pondera que uma eventual vitória de Luis Inácio Lula da Silva começa a apresentar alguma perspectiva de mudança, que só vai começar a se efetivar quando ele assumir. “Isso leva tempo”.

A pressão dos juros altos

A alta da taxa básica de juros para combater a inflação — que começou em março de 2021, quando a Selic estava em 2%, chegando a 13,75% ao ano hoje — agora atinge em cheio a indústria e o varejo. São setores que enfrentam dificuldades para vender bens duráveis financiados, dado o elevado custo do crédito.

Assim, a política monetária tem neutralizado qualquer política de estímulo ao consumo, como os recursos despejados no período eleitoral. Com a pressão de custos, a renda adicional disponível acaba não dinamizando a economia de forma consistente.

“Nosso problema é a pressão de custos decorrente da política absurda da Petrobras, que tem um impacto enorme na formação de preços na economia”, afirma. Ou seja, a inflação vem de vários lados, como da política de preços dos combustíveis, da crise internacional e da própria guerra, e precisa ser administrada por medidas de política econômica que orientem a economia para uma outra trajetória. Só assim, defende Clemente, pode aliviar a pressão do Banco Central sobre a taxa de juros.

Com uma inflação puxada para a meta na base exclusiva do aumento de juros, ele acredita que o resultado só pode ser paralisia total. “Para um país que já estava rastejando, está cortando a perna da tartaruga. Vai ficar com o casco parado”, comparou.

Não há certeza alguma sobre inflação, a depender do que acontecerá com o preço do combustível, agora. A sinalização é justamente que, passada a eleição, os preços sejam ajustados para cima. “Com tanta incerteza, o Banco Central está esperando a eleição e pode voltar a apertar a taxa de juros se a inflação voltar a subir. O que é um problemaço, porque aumenta a dívida pública brasileira”.

A importância do consumo interno

Clemente explica que numa economia sem investimentos públicos e privados, nem exportações robustas de manufaturados, a dinâmica depende “dois terços” da demanda oriunda do consumo das famílias.

“Sem a renda, não tem consumo, portanto não dá pra ter crescimento. [A indústria] vai produzir pra quem, se não exporta nem tem consumo interno? Se o que se vê é aumento do desemprego, queda dos salários, aumento do custo de vida, a sinalização para a economia é de queda na produção”, explica.

De acordo com o IBGE, em agosto, o varejo registrou a terceira queda seguida nas vendas, de 0,1%, e bateu o menor patamar do ano. No trimestre, houve recuo de 0,8%. A produção industrial caiu 0,6% em agosto.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informa que, no mês passado, o índice de evolução na produção ficou em 49,0 pontos — abaixo do patamar de 50 pontos, que separa aumento de queda da produção industrial. É o pior resultado desde setembro desde 2019.

De modo geral, os dados do Novo Caged reforçaram os sinais de desaceleração na abertura líquida de vagas formais no país, em linha com o esgotamento do impulso gerado pela reabertura do pós-pandemia. Após a criação de 221,3 mil vagas em julho, houve geração líquida de 278,6 mil postos em agosto.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2022/10/26/fim-de-anabolizantes-eleitorais-de-bolsonaro-desacelera-a-economia/

Brasil gera 278 mil empregos formais em setembro

Por que gasolina voltou a subir apesar dos atrasos da Petrobras em reajustar preços

O preço da gasolina vendida nos postos do país está em alta há duas semanas consecutivas, segundo a ANP.

Por BBC

O preço da gasolina vendida nos postos do país está em alta há duas semanas consecutivas, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

 

Isso acontece apesar do atraso da Petrobras em repassar o aumento no preço do litro no mercado internacional para as refinarias locais.

 

Segundo o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a estatal está há seis semanas vendendo gasolina nas refinarias abaixo do Preço de Paridade de Importação (PPI). Já o diesel segue sem reajuste há quatro semanas.

Na terça-feira (25), a gasolina da Petrobras estava 12,27%, ou R$ 0,46 por litro, mais barata que os preços internacionais. O diesel segue 14,13%, ou R$ 0,80 por litro, abaixo do valor.

Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil atribuem o aumento do preço médio dos combustíveis nos postos brasileiros a um ajuste natural do mercado motivado pelo crescimento na demanda e à subida nos valores da gasolina e do diesel vendidos pela refinaria privada de Mataripe, na Bahia, responsável por cerca de 14% da capacidade total de refino do país.

“Há primeiro de tudo o que eu entendo como ajustes naturais do mercado. Cada posto tentando recuperar sua margem, dado que tivemos uma redução grande nos últimos meses”, diz Pedro Rodrigues, sócio-diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

Segundo o analista, as diversas quedas seguidas registradas nos meses anteriores aumentaram o consumo entre os brasileiros – de acordo com a ANP, as vendas de gasolina no Brasil pelas distribuidoras no primeiro sementes deste ano cresceram 10,8% em relação ao mesmo período de 2021 -, motivando os próprios postos de gasolina a subirem os preços.

 

Os preços dos combustíveis são livres no Brasil, ou seja, cada posto pode estipular o preço da gasolina, do diesel ou do etanol que desejar.

 

“A defasagem do preço força uma maior demanda. E as empresas acabam repassando esse aumento ao consumidor porque identificam um descompasso dentro do próprio mercado”, resume Juliana Inhasz, economista e professora do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa).

Além disso, a refinaria de Mataripe tem sido mais veloz do que a Petrobras para repassar as variações das cotações internacionais aos preços de seus produtos.

 

No início do mês, a refinaria elevou o preço da gasolina em 9,7%, e o do diesel S-10, em 11,3%.

 

A empresa diz que seus preços “seguem critérios de mercado, que levam em consideração variáveis como custo do petróleo, que é adquirido a preços internacionais, dólar e frete, podendo variar para cima ou para baixo”.

Quanto a gasolina subiu?

 

Segundo a ANP, que monitora semanalmente os preços dos combustíveis nos postos brasileiros, entre 25 de setembro e 1 de outubro, a média do litro vendido nos postos era de R$ 4,81.

Na semana de 16 a 22 de outubro, porém, o preço médio avançou para R$ 4,88, o que já representava uma alta de 0,41% frente à semana anterior (R$ 4,86).

 

Entre 16 a 22 de outubro, o valor mais alto do litro encontrado pela agência foi de R$ 6,90. No mesmo período, a região onde a gasolina está mais cara é o Nordeste, com uma média de preço de R$ 5,10.

 

A alta atingiu também o diesel, que registrou nos mesmos dias seu primeiro aumento desde o fim de junho. O preço médio do litro avançou de R$ 6,51 para R$ 6,59 em uma semana, um aumento de 1,22%.

E a Petrobras?

 

Os preços estão subindo apesar de a Petrobras estar vendendo gasolina nas refinarias abaixo do preço praticado no mercado internacional.

 

A Paridade de Preço Internacional (PPI), adotada pela estatal desde 2016, determina que a petroleira cobre, ao vender combustíveis para as distribuidoras brasileiras, preços compatíveis com os do exterior.

“A Petrobras, em teoria, continua seguindo a paridade internacional, mas passou a repassar muito rapidamente as quedas de preço e está demorando mais para repassar as altas”, diz o economista Rafael Schiozer, professor de finanças da FGV EAESP.

A defasagem ocorre porque desde setembro as cotações internacionais do petróleo e derivados voltaram a subir, devido a cortes na oferta por países produtores reunidos na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

 

Antes disso, porém, o preço dos combustíveis no Brasil estava em queda devido, principalmente, à redução do valor do barril de petróleo no mercado internacional e da taxa de câmbio.

 

Em junho, o governo também aprovou medidas tributárias para reduzir o preço dos combustíveis, como a lei que limita o ICMS sobre itens como diesel, gasolina, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo e o corte dos impostos federais Cide e PIS/Cofins sobre esses produtos.

Por que os preços nos postos estão subindo então?

 

Além dos ajustes naturais do mercado devido ao aumento da demanda, o crescimento nos preços pode estar sendo influenciado pelos repasses da refinaria de Mataripe, na Bahia.

 

Dado que a empresa é hoje responsável por cerca de 14% da capacidade total de refino do país, um aumento nos valores praticados por ela tem influência na média de preços nacional e, especialmente, nos valores repassados pelos postos de gasolina na região Nordeste.

 

Para Schiozer, a variação na taxa de câmbio também pode estar agindo sobre o preços dos combustíveis, já que o petróleo é comercializado em dólares no mercado internacional.

 

“O câmbio interfere no preço da gasolina importada e, indiretamente, na que é refinada no Brasil”, diz. “O dólar ficou rondando os R$ 5,10 por um bom tempo e agora está em R$ 5,32, são quase 5% de aumento.”

 

Na terça-feira (25), a moeda americana ganhou 0,26% frente ao real, a R$5,316 na compra e a R$5,317 na venda.

 

Juliana Inhasz, do Insper, afirma ainda que as variações recentes no câmbio também podem estar por trás da decisão da refinaria de Mataripe de aumentar seus preços.

 

“O câmbio deveria influenciar mais os preços praticados pela Petrobras do que pelas refinarias, mas existe um impacto também”, diz.

“O câmbio pode intervir principalmente no aumento do custo para trazer a matéria-prima para o Brasil.”

Por que a demora para repassar os preços?

 

Na opinião de Pedro Rodrigues, do CBIE, a defasagem da Petrobras em relação aos preços internacionais pode estar sendo motivada por um desejo de evitar reajustes constantes provocados por um mercado muito volátil.

 

“A velocidade dos repasses faz parte da política de cada direção da estatal. E a lógica muitas vezes é de esperar para subir o preço até o limite das possibilidades comerciais e financeiras da empresa para não reduzir o consumo”, diz.

Mas para Rafael Schiozer, da FGV EAESP, a demora em repassar os valores pode ter também ligação com as eleições marcadas para o próximo domingo (30/10), quando o presidente Jair Bolsonaro (PL) disputa a reeleição contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Depois das eleições, é provável que a Petrobras repasse os valores que segurou até agora”, diz o economista.

Segundo uma reportagem do jornal O Globo, técnicos da estatal e parte da diretoria afirmam que já seria necessário reajustar os preços, mas que o governo tem pressionado para evitar um aumento de preços antes do segundo turno das eleições, marcado para domingo (30).

 

Em entrevista neste mês ao canal epbr, o diretor-executivo de Exploração e Produção da Petrobras, Fernando Borges, afirmou que a estatal beneficia a sociedade brasileira ao demorar mais para elevar os preços dos combustíveis.

 

O executivo ponderou que há atualmente um momento de volatilidade grande no mercado internacional de petróleo dentro de um mesmo dia e que a empresa evita repassar esses movimentos de imediato ao mercado interno.

 

Mas reconheceu que a companhia reduziu preços em velocidade maior do que considera para elevar preços.

 

Segundo Schiozer, o governo do atual presidente escalou o atual presidente da estatal, Caio Mário Paes de Andrade, já com a intenção de atrasar os reajustes para fins eleitorais.

 

“Ele não pode dizer que não vai seguir a paridade, mas ele pode ter algum poder discricionário para controlar a velocidade com que faz os ajustes.”

Já Juliana Inhasz aposta em uma combinação dos fatores mercadológicos e políticos. “Há claramente um represamento de preços para evitar aumentos às portas do segundo turno”, diz.

 

“Ao mesmo tempo, vimos recentemente oscilações grandes no preço do petróleo – e a Petrobras pode estar tentando evitar mudanças e estresses desnecessários na economia esperando um pouco mais para reajustar o preço”.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/10/27/por-que-gasolina-voltou-a-subir-apesar-dos-atrasos-da-petrobras-em-reajustar-precos.ghtml