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A votação da Reforma Administrativa pós eleições

A votação da Reforma Administrativa pós eleições

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), principal aliado do governo do residente Jair Bolsonaro (PL), inimigo dos servidires, tem defendido a votação da polêmica PEC 32/20, que trata da Reforma Administrativa, após o 2º turno das eleições presidenciais.

Neuriberg Dias*

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A proposta está pendente de votação, em 2 turnos, no plenário da Câmara dos Deputados, para ser remetida ao Senado Federal. Na Câmara, teve parecer aprovado na comissão especial, sob a relatoria do deputado Arthur Oliveira Maia (União-BA), e na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), sob a relatoria do deputado Darci de Mattos (PSD-SC).

A composição eleita para o Poder Legislativo, em 2 de outubro, indica o aumento das chances dessa nova tentativa de votação da matéria prosperar na Câmara dos Deputados:

1) alta reeleição na Câmara e ingresso, com grupo maior na direita e centrão. Além do presidente da Câmara, o relator na comissão especial também foi reeleito. Somente o relator na CCJ, Darci de Mattos, não foi reconduzido para o cargo;

2) proposta que tramita na Câmara independe do próximo presidente. Caso Bolsonaro seja reeleito, a matéria, seguramente, deve ser votada podendo ainda recuperar dispositivos suprimidos durante a tramitação. Em caso de eleição de Lula, ainda que ele possa pedir a retirada da proposta, esse pedido teria que ser aprovado pelo plenário. Porém, ele teria capacidade para negociar com o parlamento para fatiar a reforma dentro de uma visão de Estado;

3) crise do governo, com o Judiciário, esquenta a possibilidade de tramitação da reforma, pois a medida poderá reincluir os magistrados no atual texto da Reforma Administrativa, dentre outros assuntos;

4) com o teto de gastos e os impactos no orçamento das medidas eleitorais aprovadas para ajudar na reeleição do governo Bolsonaro, a reforma pode ser alternativa do Legislativo para redução de gastos públicos, particularmente, de pessoal; e

5) sinalização de que pretende votar a PEC 32 ainda este ano procura tem objeto de fazer aceno ao mercado, que defende a proposta ampla, como ocorreu na Reforma da Previdência. Mas mobiliza os servidores contra o governo num momento sensível com o eleitorado.

Aos servidores públicos e as entidades representativas cabem ficar mobilizados e, diante de conjuntura que vai exigir resposta imediata, manter a ação parlamentar, independentemente, do desfecho das eleições presidenciais.

(*) Jornalista, analista político e diretor de documentação licenciado do Diap. Sócio-diretor da Contatos Assessoria Política

DIAP

https://www.diap.org.br/index.php/noticias/artigos/91185-a-votacao-da-reforma-administrativa-pos-eleicoes

A votação da Reforma Administrativa pós eleições

QUAEST: Lula tem 53% dos votos válidos contra 47% de Bolsonaro

PESQUISA ELEITORAL

O presidente Jair Bolsonaro (PL) oscilou e reduziu ligeiramente a diferença para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no cálculo de intenções de votos válidos na pesquisa eleitoral da Genial/Quaest. O petista se encontra em vantagem, com 53% dos votos válidos, contra 47% de Bolsonaro. O levantamento foi realizado com uma amostra de duas mil pessoas, com dois pontos percentuais de margem de erro.

Em relação à pesquisa anterior, realizada no último dia 6, Bolsonaro subiu um ponto, e Lula caiu um. Em nível regional, o mesmo padrão foi observado no Nordeste, onde Lula passou de 72% de votos válidos para 71%, e Bolsonaro de 28% para 29%. No Norte, o candidato do PT já subiu de 51% para 52%, enquanto o do PL caiu de 49% para 48%. Também houve mudança no Sul, onde Bolsonaro passou de 58% para 59%, e Lula caiu de 42% para 41%.

Lula, porém, obteve um ligeiro aumento no percentual de eleitores definitivos: aqueles que já decidiram que não vão mudar seu voto até o dia das eleições. Esses passaram de 92% para 93%, contra os 94% de Bolsonaro, que já eram os mesmos da pesquisa anterior. A pesquisa ainda demonstra o aumento na adesão de eleitores dos demais candidatos ao primeiro turno à campanha de Lula: entre os que apoiavam Simone Tebet (MDB-MS), o apoio ao petista subiu de 33% para 47%. Já entre os que apoiavam Ciro Gomes, a porcentagem de apoio a Lula subiu de 47% para 54%.

AUTORIA

Lucas Neiva

LUCAS NEIVA Repórter. Jornalista formado pelo UniCeub, foi repórter da edição impressa do Jornal de Brasília, onde atuou na editoria de Cidades.

CONGRESSO EM FOCO
A votação da Reforma Administrativa pós eleições

Frente ampla: economistas conservadores trocam Bolsonaro por Lula

Hoje, por regra, homens e mulheres do mercado têm resistido a declarar apoio ao atual presidente

 

Paulo Guedes não é mais um trunfo para Jair Bolsonaro. Quatro anos após garantir a adesão de economistas conservadores à candidatura do então deputado de extrema-direita à Presidência da República, o “Posto Ipiranga” está cada vez mais isolado. Hoje, por regra, homens e mulheres do mercado têm resistido a declarar apoio ao atual presidente – e alguns economistas já não escondem que trocaram Bolsonaro pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições 2022.

A Abed (Associação Brasileira de Economistas pela Democracia), entidade suprapartidária de viés desenvolvimentista, consultou nomes de referência na área para dissecar o fenômeno. Na opinião de alguns entrevistados, a centralidade da luta em defesa da democracia – e contra o governo de destruição de Bolsonaro – está acima das questão estritamente econômicas.

“Antes de serem economistas, essas pessoas são cidadãos brasileiros que abominam a força bruta de ambientes onde a democracia, mesmo frágil como a nossa, não prevalece”, diz a professora Tânia Bacelar, da Universidade Federal de Pernambuco. “Tendo formação ortodoxa na economia, são pessoas cultas, conhecem o mundo, sabem do potencial do país e, mesmo sendo da elite, não fazem parte daquela porção predadora da nossa natureza e troglodita, que infelizmente ainda temos.”

Luiz Gonzaga Belluzzo, da Unicamp e da Facamp, lembra que “economistas liberais-conservadores” que apoiam Lula reagem às “voragens do vendaval bolsonarista”. As divergências, segundo Belluzzo, persistirão, mas de modo respeitoso. “Eles me estimulam a prestar o dever republicano de reconhecer em todos um inegociável compromisso com a democracia e com os princípios do liberalismo político. Assim, estaremos prontos a renovar e reiterar nossas civilizadas divergências sob o manto da democracia.”

Para Liana Carleial, da Universidade Federal do Paraná. “quaisquer das formas do liberalismo estão em descrédito no mundo. Os países que, no período pós-pandemia estão se recuperando, apostaram no poder do Estado, das políticas públicas e do investimento, para retomar o emprego e o mercado interno”.

A seu ver, no Brasil, o grupo que lidera o Brasil após o golpe de 2016 “não conseguiu mostrar sequer um êxito” e pôs em xeque a lógica da liberdade econômica. “De reforma em reforma, o resultado foi perda de direitos, empregos, renda, aposentadoria e organização sindical. Agora querem ‘torrar’ mais uma possibilidade de futuro, tentando privatizar os serviços públicos brasileiros.”

Luiz Filgueiras, da Universidade Federal da Bahia, aponta dois fatores: a crise do Brasil sob a gestão bolsonarista e a capacidade de Lula de se apresentar como alternativa. “Bolsonaro, desde o início do seu governo, vem destruindo a democracia, a economia e o Estado de Direito por dentro, além de ameaçar executar um golpe de Estado clássico, tipo 1964, com a implantação de uma ditadura”, afirma. “A frente ampla construída por Lula, para derrotar o fascismo e reconstruir a economia e o Estado, contempla a possibilidade, em um eventual governo, de adoção de uma política econômica que incorpore, parcialmente, alguns pontos da visão ortodoxa”

Na opinião de Esther Dweck, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, há uma linha que separa as candidaturas de Lula e Bolsonaro – “uma linha importante que muitos economistas brasileiros escolheram de forma contundente não atravessar. É a linha da democracia, do respeito ao próximo, da possibilidade de discordar com civilidade e de barrar um processo destruição institucional que marcou o primeiro mandato do atual presidente”. De acordo com Esther, as discordâncias ficam em segundo plano. “Estaremos nesse segundo turno lado a lado contra o obscurantismo e a barbárie.”

“A reeleição de Bolsonaro representaria uma grave ameaça até para o grau limitado de democracia existente no Brasil”, comenta João Machado, da PUC-SP. “Economistas conservadores são liberais na economia, e uma parte deles é também liberal na política e defende a democracia liberal. São muito diferentes de um economista conservador como Paulo Guedes, até hoje admirador da ditadura de Pinochet.”

Esses economistas reivindicam, segundo Machado, “algum pacto civilizatório”, mas sem acreditar que Lula seja um risco para a estabilidade fiscal do País. “As mudanças feitas (nos governos Lula) não foram irresponsáveis do ponto de vista fiscal. De fato, a orientação macroeconômica dos governos Lula foi muito mais responsável, até por critérios conservadores, do que a gestão econômica do governo Bolsonaro.”

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2022/10/13/frente-ampla-economistas-conservadores-trocam-bolsonaro-por-lula/

A votação da Reforma Administrativa pós eleições

Com baderna em Aparecida, Bolsonaro dá o maior tiro no pé no 2º turno

“Esse cidadão (Bolsonaro) usa o nome de Deus em vão”, discursou Lula em Salvador

 

Jair Bolsonaro (PL) escolheu o feriado de 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, para fazer uma espécie de aceno definitivo ao eleitorado católico do País. Nos últimos anos, o presidente e candidato à reeleição consolidou as igrejas evangélicas – sobretudo as chamadas “neopentecostais” – como importantes redutos de apoio e voto. Mas seu apelo entre os “não evangélicos” mingua desde o início de seu governo – e minguou ainda mais durante a pandemia de Covid-19.

Não é por acaso que as pesquisas de intenção de voto revelam uma larga vantagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesses segmentos “não evangélicos”. No último levantamento Ipec, divulgado na segunda-feira (10), Lula superava Bolsonaro entre os católicos por 60% a 34%. Na realidade, se a eleição presidencial fosse restrita aos seguidores da Igreja Católica, o petista teria vencido a disputa já no primeiro turno.

Embora tenha conquistado 6,1 milhões de votos a mais do que Bolsonaro na votação de outubro e seja o favorito nesta corrida presidencial, Lula tem aproveitado o segundo turno para diminuir a rejeição dos evangélicos a seu nome. Uma rejeição baseada, invariavelmente, em preconceitos infundados ou mesmo em fake news – como o boato de que a esquerda, uma vez no poder, vai fechar igrejas.

Na comparação com o primeiro turno, as agendas, os materiais e os discursos de Lula voltados a esse segmento religioso se multiplicaram. O ex-presidente não vai reverter toda a vantagem de Bolsonaro entre os evangélicos – que, conforme o Ipec, é hoje de 63% a 31%. Mas Lula, para além de desmentir as inverdades lançadas por pastores e bolsonaristas, quer sobretudo se apresentar como um candidato de todos, que defende o Estado laico e a liberdade religiosa.

Esse viés ecumênico e amplo da candidatura Lula, reforçado pela presença do ex-tucano Geraldo Alckmin (PSB) na chapa presidencial, não se resumiu à religião. Nos meios políticos, econômicos, acadêmicos, jurídicos, artísticos e esportivos, Lula tem recebido apoio até de nomes historicamente críticos aos governos encabeçados pelo PT. São adesões mais abertas e explícitas, quase todas centradas na tarefa histórica e inadiável de acabar com o governo de destruição de Bolsonaro.

Em contrapartida, há pelo menos dois setores – o evangélico e o agronegócio – em que a pressão bolsonarista tem inibido declarações de voto em Lula. A Confradesp (Convenção Fraternal das Assembleias de Deus do Estado de São Paulo) chegou a propor que fiéis simpáticos a Lula fossem julgados e punidos. Propagandas enganosas passaram a associar o ex-presidente ao satanismo. Tudo em conluio com o “gabinete do ódio” de Bolsonaro.

Assim, os gestos da campanha Lula em direção aos evangélicos fazem sentido, seja para restabelecer a verdade, seja para reduzir danos e evitar prejuízos maiores, seja para criar vínculos mais efetivos entre o futuro presidente e uma grande faixa do eleitorado. Segundo o Datafolha, 27% dos eleitores brasileiros se declaram evangélicos. Repito: ainda que os não evangélicos correspondam a uma maioria de 73% do eleitorado, Lula tem de ser – e será – o presidente de todos os brasileiros.

Não dá para comparar o compromisso democrático do ex-presidente com o atual. O constante flerte de Bolsonaro com medidas autoritárias supera até o de presidentes de períodos ditatórias do Brasil.

Mas, supondo haver algum bom senso e certo pragmatismo na campanha bolsonarista à reeleição, a ida do presidente ao santuário de Nossa Senhora Aparecida, nesta quarta-feira (12), deveria ter um sentido mais objetivo. Esperava-se que, no mínimo, Bolsonaro fosse respeitoso com os católicos, que desde 2019 aguardavam a oportunidade de celebrar o Dia da Padroeira do Brasil em Aparecida, no interior paulista.

Não faltaram avisos. Na semana passada, Bolsonaro já havia causado desconforto na Igreja Católica ao participar do Círio de Nazaré, no Pará, sem ser convidado e à revelia da organização. Várias autoridades – inclusive Lula e o governador reeleito do Pará, Helder Barbalho (MDB) – denunciaram o “uso político” da religião.

Na terça (11), sem mencionar Bolsonaro diretamente, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) declarou, em nota, que condenava a prática: “Lamentamos, neste momento de campanha eleitoral, a intensificação da exploração da fé e da religião como caminho para angariar votos. Momentos especificamente religiosos não podem ser usados por candidatos para apresentarem suas propostas de campanha e demais assuntos relacionados às eleições”.

A despeito do recado, o presidente também foi “de bicão” à Aparecida, onde provocou aglomerações e tumultos neste 12 de outubro. Sua presença na missa solene atrapalhou a leitura da homilia. Do lado de fora da basílica, bolsonaristas de verde-amarelo consumiam bebida alcoolica, proferiam discursos de ódio e palavras-de-ordem eleitoreiras, ameaçavam fiéis com camisas vermelhas e provocavam até representantes da Igreja. Uma equipe da TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo, foi hostilizada. A baderna prevaleceu.

O arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, ao ler a homilia, afirmou que “é preciso vencer os dragões do ódio e da mentira”. Trata-se do mesmo líder religioso que, em 2021, disse que “para ser ‘pátria amada’ não pode ser ‘pátria armada”. Na missa, Brandes também citou os dragões do desemprego, da fome e da incredulidade.

Em coletiva à imprensa, após a missa, ele acrescentou: “Os reis magos, quando visitaram Jesus, não usaram da religião e se converteram a Jesus. Pode ser que as autoridades recebam graças para se converter a bem do povo, porque vamos ter que acolher aqueles que foram eleitos”.

A campanha de Bolsonaro vai explorar – e manipular – cenas desse deplorável teatro protagonizado pelo presidente. Mas, neste segundo turno das eleições, o desnecessário confronto com a Igreja Católica é o maior tiro no pé dos bolsonaristas. “Esse cidadão (Bolsonaro) usa o nome de Deus em vão”, discursou Lula, à noite, em Salvador.

Como está atrás nas pesquisas, Bolsonaro precisa muito mais do voto católico do que Lula do voto evangélico. Porém, enquanto o ex-presidente “pisa em ovos” para não causar ruídos, o atual mandatário parece indiferente ao risco de passar por cima de liturgias e ritos. Mais do que nunca, a “guerra santa” pregada pela direita se revelou uma farsa.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2022/10/13/com-baderna-em-aparecida-bolsonaro-da-maior-tiro-no-pe-no-2o-turno/

A votação da Reforma Administrativa pós eleições

Orçamento secreto é apontado como um dos maiores casos de corrupção do país

Mecanismo usado pelo governo de Jair Bolsonaro para fidelizar o centrão é grave exemplo de como os recursos públicos são retirados do povo para beneficiar o presidente

Tema recorrente no discurso bolsonarista, o combate à corrupção nunca foi, de fato, uma questão cara ao presidente Jair Bolsonaro (PL). E um dos casos mais graves, que vem ganhando repercussão cada vez maior e do qual o atual governo não tem como se desvencilhar, é o orçamento secreto. Usado para garantir apoio incondicional do centrão ao atual mandatário — permitindo inclusive que pedidos de impeachment fossem barrados no nascedouro — o mecanismo tem sido apontado como um dos maiores casos de corrupção do país devido aos valores vultosos e à falta de transparência envolvidos.

O orçamento secreto vem ganhando mais espaço no debate público, especialmente via redes sociais neste segundo turno. Uma das vozes mais ativas e contundentes a se posicionar sobre tema é a senadora e ex-presidenciável Simone Tebet (MDB-MS). Em entrevista concedida em agosto a um podcast, mas que tem repercutido com mais força nos últimos dias, ela fala sobre os valores exorbitantes destinados à prática e diz que o país pode estar diante “do maior esquema de corrupção do planeta Terra”.

Embora o tema não seja novo, por muito tempo não foi tratado com a devida importância, apesar de ter havido diversas denúncias, embasadas em dados, feitas por diferentes veículos e lideranças políticas e sociais, que mostram o mal uso do dinheiro público por esse tipo de mecanismo adotado na Câmara. Com o crescente interesse da população sobre questões relacionadas ao governo federal devido à disputa eleitoral, o orçamento secreto passou a figurar entre os principais assuntos da agenda nacional.

Levantamento feito diariamente a partir das redes sociais pelo instituto de pesquisas Quaest, chamado “Bit by Bit”, mostrou que as menções ao orçamento secreto cresceram 510% na semana passada em relação aos sete dias anteriores, segundo informa O Globo. No Facebook, Twitter e Instagram, o termo foi citado 541 mil vezes, por aproximadamente 232 mil usuários no período entre 4 e 10 de outubro. Ao todo, cerca de 58% das menções foram negativas e 32% tinham teor informativo ou neutro.

Prejuízos para o povo

O tema, de fato, merece total atenção. E é de se lamentar que não tenha sido foco de maior preocupação ao longo dos últimos anos — apesar dos esforços da oposição — uma vez que o orçamento secreto diz respeito diretamente à vida da população e ao funcionamento da democracia e das instituições. Afinal, além de mobilizar bilhões de reais para fins desconhecidos e que respondem tão somente aos interesses dos aliados de Bolsonaro, recursos têm sido retirados de áreas essenciais como saúde e educação para alimentar o orçamento secreto. Outro ponto que demonstra a gravidade do caso é que o uso desse mecanismo desvirtua o trabalho do parlamento e desequilibra o jogo democrático uma vez que permite que dinheiro público seja usado em favor do atual presidente e de seus apoiadores.

Somente neste ano, o valor destinado ao orçamento secreto foi de R$ 16,5 bilhões. Para o ano de 2023, serão R$ 19,4 bilhões disponíveis, de acordo com a proposta de lei orçamentária encaminhada ao Congresso por Bolsonaro. “O relator vai, sozinho, comandar R$ 19 bi. Pro (Poder) Executivo, (o pedido do relator para liberar) esse dinheiro vai, mas ele vai sem rubrica, sem autoria (do parlamentar que definiu o uso do dinheiro). Ele é secreto porque eu não sei (quem está por trás da decisão do gasto)”, explicou Simone Tebet ao podcast.

Em julho, a revista Piauí revelou que municípios do Maranhão inflaram artificialmente o número de atendimentos feitos pela rede do SUS local a fim de receber mais recursos do orçamento secreto. Os dados obtidos impressionam pelo absurdo: “Santa Quitéria do Maranhão registrou mais exames para detectar infecção pelo vírus HIV do que a cidade de São Paulo. (A cidade de) Pedreiras disse ter feito tantas extrações dentárias que dá média de dezenove dentes extraídos por habitante. É a cidade mais banguela do Brasil”, escreveu a revista. Enquanto isso, tratamentos básicos e de fato necessários à população foram deixados de lado.

O jornal O Estado de S.Paulo, ainda em 2021, também denunciou indícios de compras superfaturadas de  tratores e equipamentos, via recursos desse orçamento, por valores acima dos de referência, com gastos totais de ao menos R$ 271,8 milhões. E recentemente, o governo anunciou cortes da ordem de 60% na Farmácia Popular — que disponibiliza medicamentos básicos para tratamentos de diabetes, asma e hipertensão, por exemplo — para poder dar conta dos recursos do orçamento secreto. Pela mesma razão, o governo anunciou há poucos dias cortes de R$ 2,4 bilhões para a educação, inviabilizando a rotina de universidades e institutos federais.

Maior processo de institucionalização da corrupção

Não à toa, o orçamento tem sido denunciado de diversas formas, por entidades, políticos e veículos de imprensa. Para a Transparência Internacional, por exemplo, o orçamento secreto é “o maior processo de institucionalização da corrupção que se tem registro no país”.

Em outra manifestação, ao menos 40 entidades da sociedade civil emitiram nota contra o orçamento secreto, na qual apontam: “É certo que o orçamento público guarda certa margem de discricionariedade como instrumento de autonomia, independência e fortalecimento do debate político nas escolhas em matéria de políticas públicas, desde que sejam respeitadas as regras para tanto estabelecidas pelo próprio Congresso Nacional”.

A nota segue salientando que “não se pode admitir, no entanto, que o mecanismo em comento seja utilizado para beneficiar individualmente agentes públicos apenas a partir de seus interesses político-eleitorais, em detrimento de toda a população que sofre com a ausência de investimentos financeiros e se encontra à mercê das mudanças legislativas pautadas por expedientes antidemocráticos”.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2022/10/13/orcamento-secreto-e-apontado-como-um-dos-maiores-casos-de-corrupcao-do-pais/

A votação da Reforma Administrativa pós eleições

Ao menos 38 mil novas pessoas começaram a viver nas ruas desde o início da pandemia no Brasil

Em 2019, eram 174.766 pessoas em situação de rua no país. Em setembro de 2022, o número saltou para 213.371, e ainda pode ser subnotificado de acordo com especialistas.

Por Amanda Lüder, GloboNews

Ao menos 38.605 novas pessoas começaram a morar nas ruas no Brasil desde o início da pandemia de Covid-19. É o que mostra um levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (POLOS-UFMG), feito com base nos dados do CadÚnico, do Ministério da Cidadania.

 

Em 2019, 174.766 pessoas estavam em situação de rua. Em setembro deste ano, o número saltou para 213.371.

E o número ainda pode estar subnotificado, de acordo com o coordenador do POLOS-UFMG, André Luiz Dias. O levantamento considera apenas as pessoas que estão no CadÚnico. Mas, uma vez que os municípios têm dificuldade para atualização e realização de novos cadastros, especialmente por conta da pandemia, o número pode ser ainda maior.

 

“Em 2020, por exemplo, 33% das pessoas que viviam na rua não estavam no CadÚnico. Em 2021, o número era de 45%”, explica o pesquisador.

Regiões

 

A região Sudeste concentra 62% dessa população. Em especial, o estado de São Paulo, que abriga 40% do total do país, onde estão quase 86 mil pessoas em situação de rua. No Nordeste, estão 15% das pessoas em situação de rua; no Sul, 14%; no Centro-Oeste, 7%; e no Norte, 2%.

A capital paulista tem a maior parte desse contingente: 2 em cada 10 pessoas em situação de rua vivem em São Paulo. Depois de São Paulo, as capitais com maior número de pessoas em situação de rua são Rio de Janeiro (12.162), Belo Horizonte (11.165), Brasília (7.308) e Salvador (6.952).

 

Ainda segundo o levantamento do POLOS-UFMG, 68% dessa população é negra.

 

“Esse é um fenômeno social complexo que, no Brasil, tem relação com o racismo estrutural. Essas pessoas são historicamente inviabilizadas e silenciadas e estão tendo seus direitos violados recorrentemente”, afirma o pesquisador Dias.

Faixa etária

 

Quanto à faixa etária, 87% das pessoas têm entre 18 e 59 anos. Os idosos representam 10% das pessoas em situação de rua e as crianças e adolescentes, 3%. A maior parte (47%) tem ensino fundamental incompleto. Outros 17% possuem Ensino Médio completo, enquanto 11% não sabem ler ou escrever.

 

Há uma década, em 2012, o número de pessoas de situação de rua era de 12.775. Desde então, o número cresceu, ano após ano.

 

“Só em 2021 houve uma redução nos registros de população em situação de rua. Com a pandemia, os municípios tiveram dificuldade em registrar isso, por algumas razões, como equipamentos públicos fechados e funcionários do SUAS [Sistema Único de Assistência Social], que fazem esses cadastros, que não são, até hoje, grupos prioritários para vacinação”, explica o coordenador do POLOS-UFMG.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/10/13/ao-menos-38-mil-novas-pessoas-comecaram-a-viver-nas-ruas-desde-o-inicio-da-pandemia-no-brasil.ghtml