por NCSTPR | 23/09/22 | Ultimas Notícias
RUDOLFO LAGO
As rodadas mais recentes de pesquisas nos estados começaram a revelar um reflexo da atual onda favorável ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que se reflete nas eleições para governador e poderá também se refletir nas eleições do próximo Congresso.
Em diversos estados, candidatos ligados à candidatura petista experimentaram avanços significativos. De um modo geral, os palanques favoritos permanecem os mesmos, mas diversas vantagens diminuíram e aliados de Lula cresceram. Caso, por exemplo, do Distrito Federal, onde o candidato apoiado por Lula, Leandro Grass, do PV, ultrapassou Paulo Octávio, do PDS, e Leila Barros, do PDT, e aparece agora em segundo, inclusive projetando um segundo turno com o bolsonarista e atual governador Ibaneis Rocha, do MDB.
Ou na Bahia, onde a vantagem de ACM Neto, do União Brasil, que chegou a ser de 38 pontos percentuais, caiu para 17 pontos e onde o candidato do PT, Jerônimo Rodrigues, em duas rodadas subiu de 16% para 31%.
O mesmo tipo de fenômeno que no momento turbina candidaturas diretamente vinculadas a Lula para o comando dos estados poderá vir a acontecer nas eleições parlamentares, algo que não é tão fácil assim de detectar nas pesquisas.
Mas há informações de que os dois principais partidos do Centrão, que previam a eleição de grandes bancadas na esteira da votação dada ao presidente Jair Bolsonaro, do PL, na sua tentativa de reeleição, começaram a rever para baixo as suas estimativas.
No caso de Lula, segundo uma fonte diretamente ligada à sua campanha, há uma previsão de que a atual federação formada pelo PT, pelo PV e pelo PCdoB e mais o PSB do candidato a vice, Geraldo Alckmin, eleja entre 140 e 150 deputados. No caso específico do PSB, de acordo com outra fonte, os cálculos do partido são de eleger em torno de 26 deputados.
Inicialmente, a projeção mais pessimista indicava que o Centrão bolsonarista poderia dividir o Congresso elegendo número equivalente. Ainda é uma possibilidade. Mas agora se estima que Lula possa vir a ampliar a sua base – ou, pelo menos, estabelecer bancadas com que possa manter depois diálogo.
O Solidariedade, que também apoia Lula, tem chance de eleger dois governadores: Clécio Nunes, no Amapá, e Marília Arraes, em Pernambuco, e isso pode se refletir na eleição de parlamentares.
Além disso, há conversas de Lula nos bastidores, algumas mais outras menos assumidas, com setores do MDB, PSDB, União Brasil e PSD.
As duas fontes ligadas a Lula projetam, porém, para a possibilidade, então, de um ambiente mais ampliado de acerto político com o próximo Congresso. Especialmente se Lula vier mesmo a resolver a eleição no primeiro turno.
É claro, não há ilusão de que o Centrão vá ficar completamente enfraquecido. Inclusive, é ainda bem provável que Arthur Lira (PP-AL) tenha força para se reeleger presidente da Câmara. Especialmente se Lula cometer erros semelhantes aos de Dilma Rousseff quando colocou Arlindo Chinaglia à época para concorrer com Eduardo Cunha.
Mas certamente Lira não terá, caso siga no comando, a mesma capacidade de inviabilizar um eventual governo Lula como Eduardo Cunha teve com Dilma. No caso, Dilma vinha de uma eleição decidida cabeça a cabeça com Aécio Neves. Se as pesquisas estiveram corretas, Lula pode vencer no primeiro turno ou no segundo com uma margem bem mais larga. Não haverá, portanto, um país tão dividido que promova ambiente semelhante àquele no qual Eduardo Cunha surfou.
É com esse cenário que os analistas da campanha de Lula agora trabalham. Um diálogo ampliado ao centro, não ao Centrão, especialmente com União Brasil (que tem chance de eleger sete governadores) e MDB (que pode eleger quatro), mais Solidariedade e PSD. Uma composição que poderá trazer um Lula mais mediador para atravessar a turbulência. Com papeis importantes também para Geraldo Alckmin e para Márcio França. Mas aí isso já será tema do próximo comentário…
As rodadas mais recentes de pesquisas nos estados começaram a revelar um reflexo da atual onda favorável ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que se reflete nas eleições para governador e poderá também se refletir nas eleições do próximo Congresso.
Em diversos estados, candidatos ligados à candidatura petista experimentaram avanços significativos. De um modo geral, os palanques favoritos permanecem os mesmos, mas diversas vantagens diminuíram e aliados de Lula cresceram. Caso, por exemplo, do Distrito Federal, onde o candidato apoiado por Lula, Leandro Grass, do PV, ultrapassou Paulo Octávio, do PDS, e Leila Barros, do PDT, e aparece agora em segundo, inclusive projetando um segundo turno com o bolsonarista e atual governador Ibaneis Rocha, do MDB.
Ou na Bahia, onde a vantagem de ACM Neto, do União Brasil, que chegou a ser de 38 pontos percentuais, caiu para 17 pontos e onde o candidato do PT, Jerônimo Rodrigues, em duas rodadas subiu de 16% para 31%.
O mesmo tipo de fenômeno que no momento turbina candidaturas diretamente vinculadas a Lula para o comando dos estados poderá vir a acontecer nas eleições parlamentares, algo que não é tão fácil assim de detectar nas pesquisas.
Mas há informações de que os dois principais partidos do Centrão, que previam a eleição de grandes bancadas na esteira da votação dada ao presidente Jair Bolsonaro, do PL, na sua tentativa de reeleição, começaram a rever para baixo as suas estimativas.
No caso de Lula, segundo uma fonte diretamente ligada à sua campanha, há uma previsão de que a atual federação formada pelo PT, pelo PV e pelo PCdoB e mais o PSB do candidato a vice, Geraldo Alckmin, eleja entre 140 e 150 deputados. No caso específico do PSB, de acordo com outra fonte, os cálculos do partido são de eleger em torno de 26 deputados.
Inicialmente, a projeção mais pessimista indicava que o Centrão bolsonarista poderia dividir o Congresso elegendo número equivalente. Ainda é uma possibilidade. Mas agora se estima que Lula possa vir a ampliar a sua base – ou, pelo menos, estabelecer bancadas com que possa manter depois diálogo.
O Solidariedade, que também apoia Lula, tem chance de eleger dois governadores: Clécio Nunes, no Amapá, e Marília Arraes, em Pernambuco, e isso pode se refletir na eleição de parlamentares.
Além disso, há conversas de Lula nos bastidores, algumas mais outras menos assumidas, com setores do MDB, PSDB, União Brasil e PSD.
As duas fontes ligadas a Lula projetam, porém, para a possibilidade, então, de um ambiente mais ampliado de acerto político com o próximo Congresso. Especialmente se Lula vier mesmo a resolver a eleição no primeiro turno.
É claro, não há ilusão de que o Centrão vá ficar completamente enfraquecido. Inclusive, é ainda bem provável que Arthur Lira (PP-AL) tenha força para se reeleger presidente da Câmara. Especialmente se Lula cometer erros semelhantes aos de Dilma Rousseff quando colocou Arlindo Chinaglia à época para concorrer com Eduardo Cunha.
Mas certamente Lira não terá, caso siga no comando, a mesma capacidade de inviabilizar um eventual governo Lula como Eduardo Cunha teve com Dilma. No caso, Dilma vinha de uma eleição decidida cabeça a cabeça com Aécio Neves. Se as pesquisas estiveram corretas, Lula pode vencer no primeiro turno ou no segundo com uma margem bem mais larga. Não haverá, portanto, um país tão dividido que promova ambiente semelhante àquele no qual Eduardo Cunha surfou.
É com esse cenário que os analistas da campanha de Lula agora trabalham. Um diálogo ampliado ao centro, não ao Centrão, especialmente com União Brasil (que tem chance de eleger sete governadores) e MDB (que pode eleger quatro), mais Solidariedade e PSD. Uma composição que poderá trazer um Lula mais mediador para atravessar a turbulência. Com papeis importantes também para Geraldo Alckmin e para Márcio França. Mas aí isso já será tema do próximo comentário…
AUTORIA
RUDOLFO LAGO Diretor do Congresso em Foco Análise. Formado pela UnB, passou pelas principais redações do país. Responsável por furos como o dos anões do orçamento e o que levou à cassação de Luiz Estevão. Ganhador do Prêmio Esso.
CONGRESSO EM FOCO
por NCSTPR | 23/09/22 | Ultimas Notícias
APOIO TUCANO
TÉRCIO AMARAL
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se manifestou nesta quinta-feira (22), na sua conta no Twitter, pedindo votos “pró-democracia” nestas eleições. “Peço aos eleitores que votem no dia 2 de outubro em quem tem compromisso com o combate à pobreza e à desigualdade, defende direitos iguais para todos independentemente da raça, gênero e orientação sexual”, disse o tucano em um trecho da nota.
Apesar de não defender abertamente um candidato à Presidência da República, diversas lideranças do PT interpretaram a nota como um apoio implícito ao ex-presidente Lula. “De quem parece que ele está falando? É só ler a nota. Ele cita tudo que Lula defende, essa é a minha leitura”, afirmou ao UOL o deputado Márcio Macedo (PT-SE), tesoureiro da campanha petista.
“Para bom entendedor, meia palavra basta (…) Achei muito positivo ele [FHC] estar se manifestando e por valores que são civilizatórios. No meu ponto de vista, a leitura daquilo ajuda muito no debate político”, afirmou também ao UOL o ex-ministro Aloízio Mercadante (PT), coordenador do plano de governo de Lula.
Em maio deste ano, perguntado pelo Congresso em Foco sobre qual candidato à Presidência iria apoiar, FHC afirmou que não havia nada definido já que seu candidato era o ex-governador João Doria, que tinha renunciado sua pré-candidatura. O Congresso em Foco também procurou o senador José Serra, outra importante liderança do PSDB, que afirmou que defendia uma candidatura própria do PSDB e que achava prematuro falar, na ocasião, em um apoio a Lula. Nenhum dos dois, no entanto, negaram, como outros tempos, que poderiam apoiar um candidato do PT.
O ex-ministro Aloysio Nunes, outra liderança do PSDB, chegou a declarar ao Estado de S. Paulo, também em maio, que ia pedir votos para Lula já no primeiro turno. “O segundo turno já começou e eu não só voto no Lula como vou fazer campanha para ele no primeiro turno”, disse Aloysio. “Não existe essa terceira via; só existem duas: a da democracia e do fascismo. Se quisermos salvar o Brasil da tragédia de Bolsonaro, teremos de discutir o que vamos fazer juntos”, completou.
Depois da nota de FHC, o PSDB, que está apoiando a candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS), lançou uma nota afirmando que vai defender esse projeto “até o final”. “O PSDB tem candidata e vai lutar até o final para elegê-la: Simone Tebet, e a nossa senadora Mara Gabrilli. Representam o melhor caminho para o Brasil. Primeiro turno é para votar no melhor. Útil é votar em quem a gente confia”.
Confira a nota de FHC na íntegra:
“Nota pública | Voto Pró-Democracia nas Eleições:
Como é do conhecimento público, tenho idade avançada e, embora não apresente nenhum problema grave de saúde, já não tenho mais energia para participar ativamente do debate político pré-eleitoral.
Peço aos eleitores que votem no dia 2 de outubro em quem tem compromisso com o combate à pobreza e à desigualdade, defende direitos iguais para todos independentemente da raça, gênero e orientação sexual, se orgulha da diversidade cultural da nação brasileira, valoriza a educação e a ciência e está empenhado na preservação de nosso patrimônio ambiental, no fortalecimento das instituições que asseguram nossas liberdades e no restabelecimento do papel histórico do Brasil no cenário internacional.”
TÉRCIO AMARAL Tércio Amaral. Editor. É jornalista formado pela Unicap, com mestrado e doutorado em História (UFPE). Atuou no Diários Associados como repórter e editor de política. Foi coordenador de comunicação no Ministério da Educação e tem passagem por assessoria de comunicação do Congresso Federal.
por NCSTPR | 23/09/22 | Ultimas Notícias
No quinto aumento em um ano, taxa chegou ao maior patamar desde 2008. Com juros mais altos nos EUA, investidores tendem a trocar países em desenvolvimento por mercados mais ricos e seguros, mas isso também pode ajudar a conter a inflação no Brasil.
O Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) elevou na quarta-feira (21) os juros da economia americana em 0,75 ponto percentual, para a faixa de 3% a 3,25%.
Este é o quinto aumento neste ano, e, com isso, a taxa chegou ao seu maior nível desde 2008, quando eclodiu a crise financeira mundial.
A sequência de altas é uma tentativa de conter o aumento da inflação, pressionada pelo encarecimento de combustíveis e alimentos, como consequência da guerra na Ucrânia e dos desarranjos logísticos provocados pelos lockdowns em resposta à covid-19 na China.
O presidente do Fed, Jerome Powell, disse que os aumentos são necessários para desacelerar a demanda, aliviando as pressões que aumentam preços e evitando danos de longo prazo à economia.
No entanto, a expectativa no momento é que os juros continuem a subir nos Estados Unidos, conforme informou em um comunicado o Comitê Federal de Mercado Aberto, que faz parte do Fed e é responsável por regular a taxa.
O órgão afirmou que está “preparado para ajustar a orientação da política monetária conforme apropriado caso surjam riscos que possam impedir o Comitê de atingir seus objetivos”.
Projeções do Fed apontam que a taxa básica pode chegar a 4,40% até o final deste ano e atingir 4,60% no próximo ano.
Por sua vez, as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) indicam que a economia americana deve crescer 0,2% em 2022 e 1,2% no próximo ano.
As projeções apontam ainda que a inflação americana não deve voltar à meta de 2% até 2025 – atualmente, está em 8,3%, nos acumulado de 12 meses até agosto, de acordo com o governo.
Bancos em quase todos os países – com as grandes exceções do Japão e da China – estão tomando medidas semelhantes enquanto lutam com seus próprios problemas de inflação.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu na quarta-feira manter os juros em 13,75%, após doze aumentos seguidos, que elevaram a taxa em 11,75 pontos percentuais desde março de 2021, o maior ciclo de altas desde 1999, quando foi implementado o regime de metas da inflação.
Um dos primeiros efeitos para o Brasil da alta dos juros nos Estados Unidos para o Brasil é que investidores tendem a tirar recursos de países em desenvolvimento e direcioná-los aos países ricos, considerados mais seguros.
“Quando o Fed sobe os juros, há uma entrada de capitais nos Estados Unidos para se beneficiar desses juros maiores”, explica Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.
“Por mais que os juros lá sejam bem menores do que aqui, é um país muito mais confiável. Assim, a alta de juros leva a uma saída de recursos de países emergentes para o mercado americano.”
Desaceleração ou recessão?
Por um lado, a alta nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos aponta para uma desaceleração da economia mundial à frente.
Isso porque, quando os juros sobem, fica mais caro para empresas e famílias tomar empréstimos, o que diminui a atividade econômica.
Essa desaceleração da economia mundial reduz a demanda por bens e serviços, e pode reduzir as exportações brasileiras.
Vale explica ainda que a alta da taxa de juros americana gera um receio de que a economia dos Estados Unidos esteja caminhando para uma recessão.
Isso desaceleraria ainda mais todo o resto do mundo, incluindo o Brasil, através das exportações.
Analistas ainda têm um receio de que o efeito dos aumentos das taxas, que encarecem as dívidas, possa levar a uma desaceleração maior do que se espera.
O Banco Mundial alertou recentemente que os aumentos das taxas podem levar a economia global a uma recessão no próximo ano.”Esse é definitivamente um dos riscos negativos – que a natureza sincronizada do aperto possa torná-lo muito mais poderoso”, disse Brian Coulton, economista-chefe da Fitch Ratings.
A expectativa é que a economia mundial tenha em 2023 seu pior desempenho em mais de uma década, com exceção de 2020, por causa da pandemia, disse Ben May, diretor de macro pesquisa global da Oxford Economics.”O que ficou claro é que, se dada a escolha entre permitir que a inflação permaneça alta por um período sustentado ou levar a economia para uma recessão, [os líderes de bancos centrais] prefeririam empurrar a economia para uma recessão”, afirma May.
Por outro lado, a redução da atividade global pode ajudar a conter a inflação no Brasil, diz Flavio Serrano, economista-chefe da Greenbay Investimentos.
O país atravessa um momento especialmente delicado em que a alta de preços se combina com uma pressão sobre as contas públicas por conta de medidas adotadas por Jair Bolsonaro (PL), como a ampliação de benefícios sociais e cortes pontuais de impostos às vésperas da eleição.