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Lula estima iniciar governo com uma base fiel de 140 a 150 deputados

Lula estima iniciar governo com uma base fiel de 140 a 150 deputados

As rodadas mais recentes de pesquisas nos estados começaram a revelar um reflexo da atual onda favorável ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que se reflete nas eleições para governador e poderá também se refletir nas eleições do próximo Congresso.

Em diversos estados, candidatos ligados à candidatura petista experimentaram avanços significativos. De um modo geral, os palanques favoritos permanecem os mesmos, mas diversas vantagens diminuíram e aliados de Lula cresceram. Caso, por exemplo, do Distrito Federal, onde o candidato apoiado por Lula, Leandro Grass, do PV, ultrapassou Paulo Octávio, do PDS, e Leila Barros, do PDT, e aparece agora em segundo, inclusive projetando um segundo turno com o bolsonarista e atual governador Ibaneis Rocha, do MDB.

Ou na Bahia, onde a vantagem de ACM Neto, do União Brasil, que chegou a ser de 38 pontos percentuais, caiu para 17 pontos e onde o candidato do PT, Jerônimo Rodrigues, em duas rodadas subiu de 16% para 31%.

O mesmo tipo de fenômeno que no momento turbina candidaturas diretamente vinculadas a Lula para o comando dos estados poderá vir a acontecer nas eleições parlamentares, algo que não é tão fácil assim de detectar nas pesquisas.

Mas há informações de que os dois principais partidos do Centrão, que previam a eleição de grandes bancadas na esteira da votação dada ao presidente Jair Bolsonaro, do PL, na sua tentativa de reeleição, começaram a rever para baixo as suas estimativas.

No caso de Lula, segundo uma fonte diretamente ligada à sua campanha, há uma previsão de que a atual federação formada pelo PT, pelo PV e pelo PCdoB e mais o PSB do candidato a vice, Geraldo Alckmin, eleja entre 140 e 150 deputados. No caso específico do PSB, de acordo com outra fonte, os cálculos do partido são de eleger em torno de 26 deputados.

Inicialmente, a projeção mais pessimista indicava que o Centrão bolsonarista poderia dividir o Congresso elegendo número equivalente. Ainda é uma possibilidade. Mas agora se estima que Lula possa vir a ampliar a sua base – ou, pelo menos, estabelecer bancadas com que possa manter depois diálogo.

O Solidariedade, que também apoia Lula, tem chance de eleger dois governadores: Clécio Nunes, no Amapá, e Marília Arraes, em Pernambuco, e isso pode se refletir na eleição de parlamentares.

Além disso, há conversas de Lula nos bastidores, algumas mais outras menos assumidas, com setores do MDB, PSDB, União Brasil e PSD.

As duas fontes ligadas a Lula projetam, porém, para a possibilidade, então, de um ambiente mais ampliado de acerto político com o próximo Congresso. Especialmente se Lula vier mesmo a resolver a eleição no primeiro turno.

É claro, não há ilusão de que o Centrão vá ficar completamente enfraquecido. Inclusive, é ainda bem provável que Arthur Lira (PP-AL) tenha força para se reeleger presidente da Câmara. Especialmente se Lula cometer erros semelhantes aos de Dilma Rousseff quando colocou Arlindo Chinaglia à época para concorrer com Eduardo Cunha.

Mas certamente Lira não terá, caso siga no comando, a mesma capacidade de inviabilizar um eventual governo Lula como Eduardo Cunha teve com Dilma. No caso, Dilma vinha de uma eleição decidida cabeça a cabeça com Aécio Neves. Se as pesquisas estiveram corretas, Lula pode vencer no primeiro turno ou no segundo com uma margem bem mais larga. Não haverá, portanto, um país tão dividido que promova ambiente semelhante àquele no qual Eduardo Cunha surfou.

É com esse cenário que os analistas da campanha de Lula agora trabalham. Um diálogo ampliado ao centro, não ao Centrão, especialmente com União Brasil (que tem chance de eleger sete governadores) e MDB (que pode eleger quatro), mais Solidariedade e PSD. Uma composição que poderá trazer um Lula mais mediador para atravessar a turbulência. Com papeis importantes também para Geraldo Alckmin e para Márcio França. Mas aí isso já será tema do próximo comentário…

AUTORIA

Rudolfo Lago

RUDOLFO LAGO Diretor do Congresso em Foco Análise. Formado pela UnB, passou pelas principais redações do país. Responsável por furos como o dos anões do orçamento e o que levou à cassação de Luiz Estevão. Ganhador do Prêmio Esso.

CONGRESSO EM FOCO
Lula estima iniciar governo com uma base fiel de 140 a 150 deputados

FHC pede voto pró-democracia. Petistas comemoram

APOIO TUCANO

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se manifestou nesta quinta-feira (22), na sua conta no Twitter, pedindo votos “pró-democracia” nestas eleições. “Peço aos eleitores que votem no dia 2 de outubro em quem tem compromisso com o combate à pobreza e à desigualdade, defende direitos iguais para todos independentemente da raça, gênero e orientação sexual”, disse o tucano em um trecho da nota.

Apesar de não defender abertamente um candidato à Presidência da República, diversas lideranças do PT interpretaram a nota como um apoio implícito ao ex-presidente Lula. “De quem parece que ele está falando? É só ler a nota. Ele cita tudo que Lula defende, essa é a minha leitura”, afirmou ao UOL o deputado Márcio Macedo (PT-SE), tesoureiro da campanha petista.

“Para bom entendedor, meia palavra basta (…) Achei muito positivo ele [FHC] estar se manifestando e por valores que são civilizatórios. No meu ponto de vista, a leitura daquilo ajuda muito no debate político”, afirmou também ao UOL o ex-ministro Aloízio Mercadante (PT), coordenador do plano de governo de Lula.

Em maio deste ano, perguntado pelo Congresso em Foco sobre qual candidato à Presidência iria apoiar, FHC afirmou que não havia nada definido já que seu candidato era o ex-governador João Doria, que tinha renunciado sua pré-candidatura. O Congresso em Foco também procurou o senador José Serra, outra importante liderança do PSDB, que afirmou que defendia uma candidatura própria do PSDB e que achava prematuro falar, na ocasião, em um apoio a Lula. Nenhum dos dois, no entanto, negaram, como outros tempos, que poderiam apoiar um candidato do PT.

O ex-ministro Aloysio Nunes, outra liderança do PSDB, chegou a declarar ao Estado de S. Paulo, também em maio, que ia pedir votos para Lula já no primeiro turno. “O segundo turno já começou e eu não só voto no Lula como vou fazer campanha para ele no primeiro turno”, disse Aloysio. “Não existe essa terceira via; só existem duas: a da democracia e do fascismo. Se quisermos salvar o Brasil da tragédia de Bolsonaro, teremos de discutir o que vamos fazer juntos”, completou.

Depois da nota de FHC, o PSDB, que está apoiando a candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS), lançou uma nota afirmando que vai defender esse projeto “até o final”. “O PSDB tem candidata e vai lutar até o final para elegê-la: Simone Tebet, e a nossa senadora Mara Gabrilli. Representam o melhor caminho para o Brasil. Primeiro turno é para votar no melhor. Útil é votar em quem a gente confia”.

Confira a nota de FHC na íntegra:

 

“Nota pública | Voto Pró-Democracia nas Eleições:

 

Como é do conhecimento público, tenho idade avançada e, embora não apresente nenhum problema grave de saúde, já não tenho mais energia para participar ativamente do debate político pré-eleitoral.

 

Peço aos eleitores que votem no dia 2 de outubro em quem tem compromisso com o combate à pobreza e à desigualdade, defende direitos iguais para todos independentemente da raça, gênero e orientação sexual, se orgulha da diversidade cultural da nação brasileira, valoriza a educação e a ciência e está empenhado na preservação de nosso patrimônio ambiental, no fortalecimento das instituições que asseguram nossas liberdades e no restabelecimento do papel histórico do Brasil no cenário internacional.”

 

AUTORIA

Tércio Amaral

TÉRCIO AMARAL Tércio Amaral. Editor. É jornalista formado pela Unicap, com mestrado e doutorado em História (UFPE). Atuou no Diários Associados como repórter e editor de política. Foi coordenador de comunicação no Ministério da Educação e tem passagem por assessoria de comunicação do Congresso Federal.

tercio@congressoemfoco.com.br

CONGRESSO EM FOCO

https://congressoemfoco.uol.com.br/area/pais/fhc-pede-voto-pro-democracia-petistas-comemoram/

Lula estima iniciar governo com uma base fiel de 140 a 150 deputados

Imposto de Renda 2022: Receita abre consulta a 5º e último lote de restituição; veja como fazer

Segundo a Receita, 5º lote será pago em 30 de setembro a 1,22 milhão de contribuintes. Os valores somam R$ 1,9 bilhão.

Por g1

 

A consulta ao quinto e último lote de restituição do Imposto de Renda 2022 começa às 10h desta sexta-feira (23).

 

Ao todo, o lote será pago a 1.220.501 contribuintes, e as restituições somam R$ 1,9 bilhão. Os recursos serão depositados em 30 de setembro.

 

Também serão liberadas consultas aos chamados lotes residuais de anos anteriores, ou seja, de contribuintes que caíram na malha fina mas depois acertaram as contas com o leão.

 

Do valor total do lote, R$ 221 milhões serão pagos a contribuintes com prioridade legal:

 

  • idosos acima de 80 anos (5.201 pessoas)
  • contribuintes entre 60 e 79 anos (36.492 pessoas)
  • contribuintes com alguma deficiência física ou mental ou moléstia grave (4.247 pessoas)
  • contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério (15.378 pessoas)

 

Foram contemplados ainda 1,16 milhão de contribuintes não prioritários.

 

Os quatro primeiros lotes foram pagos em 31 de maio, 30 de junho, 29 de julho e em 31 de agosto para 17,3 milhões contribuintes.

 

O pagamento da restituição é realizado diretamente na conta bancária informada na declaração.

 

Pelas regras do Imposto de Renda, o valor da restituição é atualizado pela taxa Selic acumulada a partir do mês seguinte ao prazo final de entrega da declaração até o mês anterior ao pagamento, mais 1% no mês do depósito.

 

Se o crédito não for realizado (por exemplo, a conta informada foi desativada), os valores ficarão disponíveis para resgate por até um ano no Banco do Brasil.

Neste caso, o contribuinte deve reagendar o crédito dos valores pelo Portal BB, acessando o endereço https://www.bb.com.br/irpf, ou ligando para a Central de Relacionamento BB por meio dos telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos).

Como consultar?

 

As consultas podem ser feitas:

Malha fina

 

O contribuinte poderá saber, ao realizar a consulta, se há ou não pendências que impeçam o pagamento da restituição, ou seja, se ele caiu na chamada “malha fina”.

 

Para saber se está na malha fina, os contribuintes também podem acessar o “extrato” do Imposto de Renda no site da Receita Federal no chamado e-CAC (Centro Virtual de Atendimento).

 

Para acessar o extrato do IR é necessário utilizar o código de acesso gerado na própria página da Receita Federal, ou certificado digital emitido por autoridade habilitada.

As restituições de declarações que apresentam inconsistência (em situação de malha) são liberadas apenas depois de corrigidas pelo cidadão, ou após o contribuinte apresentar comprovação de que sua declaração está correta.

G1

https://g1.globo.com/economia/imposto-de-renda/noticia/2022/09/23/imposto-de-renda-2022-receita-abre-consulta-a-5o-e-ultimo-lote-de-restituicao-veja-como-fazer.ghtml

Lula estima iniciar governo com uma base fiel de 140 a 150 deputados

Juros nos EUA: como nova alta pode afetar o Brasil

No quinto aumento em um ano, taxa chegou ao maior patamar desde 2008. Com juros mais altos nos EUA, investidores tendem a trocar países em desenvolvimento por mercados mais ricos e seguros, mas isso também pode ajudar a conter a inflação no Brasil.

Por BBC

 

O Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) elevou na quarta-feira (21) os juros da economia americana em 0,75 ponto percentual, para a faixa de 3% a 3,25%.

 

Este é o quinto aumento neste ano, e, com isso, a taxa chegou ao seu maior nível desde 2008, quando eclodiu a crise financeira mundial.

 

A sequência de altas é uma tentativa de conter o aumento da inflação, pressionada pelo encarecimento de combustíveis e alimentos, como consequência da guerra na Ucrânia e dos desarranjos logísticos provocados pelos lockdowns em resposta à covid-19 na China.

 

O presidente do Fed, Jerome Powell, disse que os aumentos são necessários para desacelerar a demanda, aliviando as pressões que aumentam preços e evitando danos de longo prazo à economia.

No entanto, a expectativa no momento é que os juros continuem a subir nos Estados Unidos, conforme informou em um comunicado o Comitê Federal de Mercado Aberto, que faz parte do Fed e é responsável por regular a taxa.

 

O órgão afirmou que está “preparado para ajustar a orientação da política monetária conforme apropriado caso surjam riscos que possam impedir o Comitê de atingir seus objetivos”.

 

Projeções do Fed apontam que a taxa básica pode chegar a 4,40% até o final deste ano e atingir 4,60% no próximo ano.

 

Por sua vez, as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) indicam que a economia americana deve crescer 0,2% em 2022 e 1,2% no próximo ano.

 

As projeções apontam ainda que a inflação americana não deve voltar à meta de 2% até 2025 – atualmente, está em 8,3%, nos acumulado de 12 meses até agosto, de acordo com o governo.

Aumento global de juros

 

Bancos em quase todos os países – com as grandes exceções do Japão e da China – estão tomando medidas semelhantes enquanto lutam com seus próprios problemas de inflação.

 

No Brasil, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu na quarta-feira manter os juros em 13,75%, após doze aumentos seguidos, que elevaram a taxa em 11,75 pontos percentuais desde março de 2021, o maior ciclo de altas desde 1999, quando foi implementado o regime de metas da inflação.

Um dos primeiros efeitos para o Brasil da alta dos juros nos Estados Unidos para o Brasil é que investidores tendem a tirar recursos de países em desenvolvimento e direcioná-los aos países ricos, considerados mais seguros.

 

“Quando o Fed sobe os juros, há uma entrada de capitais nos Estados Unidos para se beneficiar desses juros maiores”, explica Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.

 

“Por mais que os juros lá sejam bem menores do que aqui, é um país muito mais confiável. Assim, a alta de juros leva a uma saída de recursos de países emergentes para o mercado americano.”

 

Desaceleração ou recessão?

 

Por um lado, a alta nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos aponta para uma desaceleração da economia mundial à frente.

 

Isso porque, quando os juros sobem, fica mais caro para empresas e famílias tomar empréstimos, o que diminui a atividade econômica.

 

Essa desaceleração da economia mundial reduz a demanda por bens e serviços, e pode reduzir as exportações brasileiras.

 

Vale explica ainda que a alta da taxa de juros americana gera um receio de que a economia dos Estados Unidos esteja caminhando para uma recessão.

 

Isso desaceleraria ainda mais todo o resto do mundo, incluindo o Brasil, através das exportações.

Analistas ainda têm um receio de que o efeito dos aumentos das taxas, que encarecem as dívidas, possa levar a uma desaceleração maior do que se espera.

 

O Banco Mundial alertou recentemente que os aumentos das taxas podem levar a economia global a uma recessão no próximo ano.”Esse é definitivamente um dos riscos negativos – que a natureza sincronizada do aperto possa torná-lo muito mais poderoso”, disse Brian Coulton, economista-chefe da Fitch Ratings.

 

A expectativa é que a economia mundial tenha em 2023 seu pior desempenho em mais de uma década, com exceção de 2020, por causa da pandemia, disse Ben May, diretor de macro pesquisa global da Oxford Economics.”O que ficou claro é que, se dada a escolha entre permitir que a inflação permaneça alta por um período sustentado ou levar a economia para uma recessão, [os líderes de bancos centrais] prefeririam empurrar a economia para uma recessão”, afirma May.

 

Por outro lado, a redução da atividade global pode ajudar a conter a inflação no Brasil, diz Flavio Serrano, economista-chefe da Greenbay Investimentos.

 

O país atravessa um momento especialmente delicado em que a alta de preços se combina com uma pressão sobre as contas públicas por conta de medidas adotadas por Jair Bolsonaro (PL), como a ampliação de benefícios sociais e cortes pontuais de impostos às vésperas da eleição.

“Há um potencial de menor crescimento global, gerando menor pressão de preços. Isso pode facilitar o trabalho do Banco Central brasileiro no combate à inflação.”

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/09/22/juros-nos-eua-como-nova-alta-pode-afetar-o-brasil.ghtml

Lula estima iniciar governo com uma base fiel de 140 a 150 deputados

Datafolha: 69% dos brasileiros dizem que há corrupção no governo Bolsonaro; 23%, que não há

A pesquisa ouviu 6.754 pessoas, entre 20 e 22 de setembro, em 343 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Por g1

 

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22), encomendada pela Globo e pelo jornal “Folha de S.Paulo”, aponta que 69% dos entrevistados acreditam que há corrupção no governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). Outros 23% dizem que não há corrupção, enquanto 8% não souberam responder.

 

 

Na comparação com a pesquisa anterior, realizada em julho deste ano, houve oscilação do percentual dos que consideram que há corrupção, que somavam 73% na ocasião. Já os que acreditam que não há corrupção eram 19% em julho; e os que não souberam responder se mantiveram com o mesmo percentual.

 

As taxas daqueles que avaliam que há corrupção do governo Bolsonaro são mais altas entre os que reprovam a administração do presidente (93%), os estudantes (87%), os jovens com idade de 16 a 24 anos (79%), e entre as pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos (73%).

 

O Datafolha também apontou que o ex-presidente Lula (PT) tem 47% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Bolsonaro tem 33%. Em terceiro está Ciro Gomes (PDT), com 7%

A pesquisa ouviu 6.754 pessoas, entre 20 e 22 de setembro, em 343 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. O código da pesquisa na Justiça Eleitoral é: BR-04180/2022.

G1

https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/pesquisa-eleitoral/noticia/2022/09/23/datafolha-69percent-dos-brasileiros-dizem-que-ha-corrupcao-no-governo-bolsonaro-23percent-que-nao-ha.ghtml

Lula estima iniciar governo com uma base fiel de 140 a 150 deputados

1 a cada 5 deputados duplica patrimônio em 4 anos; 69% estão melhores hoje que em 2018

Levantamento feito pelo g1 leva em conta as declarações dos candidatos ao TSE em 2018 e 2022. Avanço patrimonial dos parlamentares ocorreu enquanto a população brasileira ficou mais pobre, segundo IBGE.

Por Victor Farias, g1

Um em cada cinco deputados federais que tenta um novo mandato este ano dobrou o patrimônio em relação à última eleição, em 2018, mostram dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao todo, 69% declararam ganhos patrimoniais nos últimos quatro anos – um deles passou de R$ 7,8 milhões para R$ 48,5 milhões, uma variação de mais de 500%.

 

 

O avanço patrimonial dos parlamentares ocorreu enquanto a população brasileira ficou mais pobre, segundo diversas métricas. O rendimento médio mensal mensurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo, atingiu em 2021 o menor valor em 10 anos. Em 2018, ano da eleição, o rendimento era de R$ 2.472 e agora é de R$ 2.265, quase 10% a menos.

 

O número de pessoas que não tem o que comer também avançou no período. Segundo dados do IBGE de 2018, 10,2 milhões de brasileiros passavam fome no país naquele ano, número que chegou a 33,1 milhões em 2021, de acordo com o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN).

 

Além do salário de R$ 33,8 mil mensais e de uma série de benefícios, que incluem a cota parlamentar (de R$ 30 mil a R$ 45 mil, dependendo do estado do congressista), deputados também podem ser sócios de empresas e ter outros investimentos.

 

O salário, por si só, já é suficiente para distanciar os deputados federais do restante do país. Eles recebem mais de 4 vezes a mais que a renda média brasileira.

Deputados também perdem patrimônio

 

Alguns parlamentares registraram redução do patrimônio, em alguns casos milionários. O número de deputados que dizem ter perdido patrimônio no período é de 139, equivalente a 30% dos congressistas eleitos em 2018 que tentam se eleger a algum cargo em 2022. Há ainda quinze casos em que a pessoa declarou a mesma quantia que 2018.

 

Os dados de 2018 não foram corrigidos pela inflação, uma vez que parte relevante dos patrimônios é em propriedades, que não tem o valor reajustado nas declarações.

 

Especialista em direito eleitoral, o advogado Flávio Henrique Costa Pereira explica que uma evolução patrimonial elevada não é, necessariamente, indício de irregularidades, uma vez que os parlamentares podem ter outros negócios, como serem sócios de empresas.

 

‘Deslocamento de realidades’

 

Para o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino, o principal problema desse “descolamento” entre a realidade dos deputados e da população é que isso pode provocar uma “miopia” na hora da tomada de decisões na Câmara.

 

“Eu percebo que há essa dificuldade, esse descolamento, isso se reflete sobretudo nas condutas dos parlamentares quando vão arbitrar sobre algumas questões”, diz, citando como exemplo eventuais decisões de aumentar o próprio salário ou sobre restrições orçamentárias na área da saúde pública — deputados têm plano de saúde pagos pela Câmara.

“Será que se eles estivessem numa situação parecida com a da população eles estariam tomando as mesmas decisões que estão tomando?”, questiona.

 

Na mesma linha Marco Antônio Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e cientista político, diz que essa diferença entre a realidade dos deputados e a da sociedade é “paradoxal” e passa uma mensagem ruim para a população, da política como algo indevidamente vantajoso.

 

“Os dados que você apresenta vão na contramão da realidade da sociedade”, diz sobre a evolução patrimonial de deputados.

 

Consentino acredita que uma forma de tornar esses gastos menos descolados da realidade é por meio da transparência, com uma fiscalização maior da população. “[Os gastos] Estarem disponibilizados de uma forma completamente amigável, desde uma pequena coisa gasta, isso deve ser mais acessível”, disse.

G1

https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2022/eleicao-em-numeros/noticia/2022/09/23/1-a-cada-5-deputados-duplicam-patrimonio-em-4-anos-69percent-estao-melhores-hoje-que-em-2018.ghtml