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Um passo para enfrentar a “pane de imaginação”

Um passo para enfrentar a “pane de imaginação”

O neoliberalismo é a forma atual do desenvolvimento capitalista sob a hegemonia dos muito ricos, em especial da riqueza financeira. Poder econômico e poder político são articulados para promover transformações disruptivas do sistema produtivo para gerar e acumular riqueza em escala global. As mudanças são extensas e atingem todo o sistema econômico, social, cultural e político, com impactos profundos sobre o mundo do trabalho e o sindicalismo. Trata-se de mudanças que o regime de acumulação de riqueza engendra e que promove dimensões de outra sociedade.

Clemente Ganz Lúcio*

No curso da globalização, a pandemia e seus efeitos econômicos, sociais e políticos aflorou os problemas e abriu oportunidades para mudar a trajetória da história em curso. São sementes lançadas em solo social global que está contaminado pelos conflitos na Ucrânia e dos EUA com a China e pela catástrofe ecológica. O contexto é de muita adversidade.

Há urgência no muito que se tem para fazer diante das oportunidades e desafios. No Brasil, por exemplo, o processo eleitoral abre espaço para o debate propositivo sobre as escolhas relacionadas ao nosso futuro. Escolhas que podem, e devem, reorientar nosso desenvolvimento para superar as mazelas das desigualdades, da pobreza, da baixa produtividade, do descompromisso social e ambiental. Superar a agenda de transformação neoliberal regressiva em curso, reindustrializando o País, fortalecendo o papel indutor e investidor do Estado, a essencialidade das políticas públicas de saúde e educação, a valorização da negociação coletiva e do diálogo social, entre tantas outras diretrizes fundamentais para o desenvolvimento sustentável.

Para isso é necessário conhecer e compreender o processo histórico do neoliberalismo, de como molda a sociedade atual e induz seu futuro, elaborando a crítica propositiva capaz de superar suas mazelas, tarefa hercúlea e para muitos. Uma das contribuições de qualidade com esse fim foi produzida por Pierre Dardot e Christian Laval no livro “A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal”.

No prefácio os autores indicam que há uma “pane de imaginação” na esquerda, seja para analisar e interpretar e, principalmente, para criar a superação do neoliberalismo.

O fundamento de partida para os autores é que o neoliberalismo, para além de ser um tipo de política econômica ou de ideologia, é um sistema que se espalha pelo planeta e estende a lógica do capital para todas as relações sociais e esferas da vida. A essencialidade neoliberal está no individualismo, na competição e no interesse privado como princípio político e econômico universal, formas que dominam a vida social e que minaram os meios para se promover compensações, contrapartidas e compromissos, elementos estruturantes do sistema econômico e político socialdemocrata que emergiu no pós-guerra em meados dos anos de 1940.

É como se a experiência cotidiana tornasse a todos gazelas e leões, como no provérbio africano: “Todas as manhãs, a gazela acorda sabendo que tem que correr mais veloz que o leão ou será morta. Todas as manhãs o leão acorda sabendo que deve correr mais rápido que a gazela ou morrerá de fome. Não importa se és um leão ou uma gazela: quando o Sol desponta o melhor é começares a correr.”

Estamos submetidos a um cotidiano no qual todos correm, sempre atrasados, na disputa para competir por algo, contra alguém ou contra todos. Nessa corrida, fracassamos como sociedade, como coletivo que promove o bem comum. A solidariedade perde para a competição, o diálogo sucumbe ao conflito, a fraternidade é derrotada pelo ódio, o diferente é humilhado ou eliminado. Nesse tsunami transformador neoliberal ficou muito mais difícil para a ação coletiva reunir e agregar.

No mundo do trabalho, a tecnologia avança em extensão, profundidade e velocidade sem precedentes contra a quantidade e a qualidade dos empregos. As empresas mudam as estratégias de gestão para responder à competição e para entregar maiores lucros aos acionistas. Os trabalhadores sofrem com a precarização, a insegurança, a desproteção individual, o enfraquecimento dos sindicatos e a desvalorização da negociação coletiva.

Na última década e meia mais de 140 países fizeram reformas laborais, a maioria de cunho neoliberal, flexibilizando formas de trabalho, de contratação, de remuneração, de jornada de trabalho, facilitando a demissão individual e coletiva, retirando poder de representação dos sindicatos, restringindo âmbitos de negociação e de contratação coletiva, desqualificando o direito ao emprego digno.

Reduzido a uma unidade de produção, cada indivíduo que vive do trabalho é estimulado a se compreender como unidade de capital humano para promover a produção da riqueza, da qual pouco participará em decorrência da desigualdade estrutural na distribuição dos frutos do trabalho de todos. A mercantilização das relações socais destroem o que é público e coletivo, o que se desdobra na pioria gradativa e contínua da vida, inclusive portas para movimentos reacionários, para surgimento do neofascismo e o enaltecimento do egoísmo e da competição como virtude da modernidade.

Para os autores, além de compreender o sistema neoliberal, presente nas formas de governar, na gestão das empresas, nas políticas institucionais, é preciso urgência na tarefa de superar a ‘pane de imaginação’ que tem levado muitos a tentar governar pela esquerda essa agenda neoliberal. Indicam os autores que é preciso colocar em debate, nesta sociedade real, a prospecção estratégica de outra razão do mundo. Trata-se de ótimo mote para entrar no debate eleitoral no Brasil.

No atual momento histórico, muitas nações tentam superar o travamento econômico provocado pela crise sanitária, pela insanidade neoliberal e pelos conflitos bélicos e tensões internacionais, recolocando centralidade para o mundo do trabalho, para o papel do Estado e do investimento público, buscando a industrialização com compromisso socioambiental, por meio de agenda de transição digital e ambiental pactuada, de proteção e modernização das democracias para tratar dos conflitos, do planejamento público, do esforço coletivo compromissado.

Em outubro, temos a oportunidade, como Nação, de colocar nosso País em nova trajetória. Desde já superando um aspecto da nossa pane de imaginação, oferecendo à sociedade um arranjo político amplo de governança e comprometido com processo de mudança contínuo e longo, que enfrente e supere as mazelas que assolam nossa vida em sociedade, capaz de promover o desenvolvimento sustentável econômico, social, político e ambiental.

(*) Sociólogo, assessor do Fórum das Centrais Sindicais, consultor, ex-diretor técnico do Dieese (2004/2020).

DIAP

https://diap.org.br/index.php/noticias/artigos/91169-um-passo-para-enfrentar-a-pane-de-imaginacao

Um passo para enfrentar a “pane de imaginação”

Exclusivo: Lula a um ponto percentual da vitória em primeiro turno, revela instituto opinião

Voto útil e cansaço do eleitor podem favorecer eleição de Lula no primeiro turno, segundo pesquisador.

ENCOMENDADA PELO CONGRESSO EM FOCO

O ex-presidente Lula (PT) está a um ponto percentual de alcançar a vitória no primeiro turno, segundo pesquisa do Instituto Opinião encomendada pelo Congresso em Foco. De acordo com a pesquisa, realizada entre domingo (18) e terça-feira (20) com eleitores de todo o país, Lula tem 49% dos votos válidos. Para ser eleito em primeiro turno, qualquer candidato precisa alcançar 50% dos votos válidos (ou seja, excluídos os brancos e nulos) mais um.

Os novos números aumentam a pressão sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, que aparece na segunda colocação. Na pesquisa estimulada, aquela em que são os apresentados os nomes dos presidenciáveis, Lula lidera com 45% das intenções de voto. Bolsonaro está 12 pontos percentuais atrás, com 33%. Ciro Gomes (PDT) tem 7%, Simone Tebet (MDB), 5% e Soraya Thronicke (União) e Felipe D’Ávila (Novo), 1% cada. Os demais candidatos não pontuaram. Outros 3% declararam que votarão em branco ou nulo e 5% não responderam.

Eleitores de Ciro e Simone admitem mudar

O levantamento também mostra que é grande o índice de apoiadores de Ciro e Tebet que podem votar em outro candidato: 35% dos eleitores declarados do pedetista e 30% dos eleitores declarados da emedebista admitem mudar de voto. Para efeito de comparação, apenas 8% dos apoiadores de Bolsonaro e 11% de Lula afirmaram que podem mudar de voto. No geral, 83% dos entrevistados afirmam que não vão mudar de voto. Só 8% reconhecem essa possibilidade.

A pesquisa do Instituto Opinião também aponta para cenário de vitória de Lula em um eventual segundo turno contra Bolsonaro: 51% a 37%. Na pesquisa espontânea, aquela em que não são mostrados os nomes dos candidatos, o ex-presidente também leva vantagem sobre o atual no primeiro turno (40% a 30%).

A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e o índice de confiança da pesquisa é de 95%. A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09430/2022, ouviu 2 mil pessoas por telefone com entrevistadores humanos, por meio de sorteios aleatórios na base de dados. Foram levados em conta critérios de divisão geográfica, escolaridade, faixa etária e classificação socioeconômica.

Para o diretor do Instituto Opinião, Arilton Freres, a pesquisa confirma o quadro de estabilidade detectado por outros levantamentos. “Estamos no limite entre haver definição no primeiro turno ou não”, observa o sociólogo, que tem mais de 20 anos de experiência com pesquisas.

Segundo ele, a tendência é que a campanha de Lula intensifique a busca pelo chamado “voto útil” entre aqueles eleitores que preferem ver a eleição decidida já no próximo dia 2.

“Pode haver algum tipo de crescimento de Bolsonaro na reta final, mas o mais natural é que haja pressão muito grande pelo voto útil entre os eleitores de Ciro Gomes e Simone Tebet para Lula conseguir os poucos pontos que precisa para fechar a fatura no primeiro turno”, explica Arilton. Diversos artistas gravaram um videoclipe com a música “Vira voto” para tentar convencer eleitores de outros candidatos a apoiarem Lula. Na gravação, o gesto de arma caracterizado por Bolsonaro vira um “L” em alusão ao nome do petista.

Cansaço pode ser fator decisivo

De acordo com Arilton, o cansaço do eleitor com a disputa eleitoral pode ser fator decisivo na conquista do chamado voto útil. “O eleitor médio está cansado. Na prática, estamos vivendo campanha presidencial desde 218. Bolsonaro nunca saiu do palanque. A campanha está em pauta o tempo todo. Com isso, há cada vez menos eleitores indecisos e cada vez mais votos definidos. Isso pode estimular o voto útil”, considera o sociólogo.

Na avaliação do diretor do Instituto Opinião, o maior índice de rejeição de Bolsonaro em relação aos demais candidatos, captado por quase todas as pesquisas, complica a situação do presidente. “O Brasil sempre teve um voto de centro. Parte desse eleitorado está decepcionado com Bolsonaro e vê em Ciro um candidato da centro-esquerda e não conhece muito bem a Simone Tebet. Por isso, acaba votando em Lula por outras razões, como a econômica”, diz. “As pessoas vão ao mercado hoje e não veem a melhora anunciada pelo presidente. A economia é determinante para qualquer eleição. Ela tem levado, entre outros fatores, o eleitor de centro, mesmo a contragosto, a votar em Lula contra Bolsonaro”, acrescenta.

Segundo o pesquisador, apenas o surgimento de um fato novo e de grande impacto poderá mudar o quadro eleitoral. “A rejeição das mulheres a Bolsonaro sempre foi muito grande devido ao que ele fala e a como se comporta em relação a elas. Bolsonaro tem muita dificuldade em dialogar com as eleitoras. Não convence, a carga negativa dele com elas é muito grande”, afirma. Sediado em Curitiba, o Instituto Opinião tem 14 anos de existência.

AUTORIA

Edson Sardinha

EDSON SARDINHA Diretor de redação. Formado em Jornalismo pela UFG, foi assessor de imprensa do governo de Goiás. É um dos autores da série de reportagens sobre a farra das passagens, vencedora do prêmio Embratel de Jornalismo Investigativo em 2009. Ganhou duas vezes o Prêmio Vladimir Herzog. Está no site desde sua criação, em 2004.

Um passo para enfrentar a “pane de imaginação”

Campanha de Bolsonaro já gastou quase R$ 2 milhões em pesquisa eleitoral

Dados do portal do TSE revelam que as despesas da campanha do presidente com pesquisas só ficaram atrás dos gastos com propaganda eleitoral
A campanha de Bolsonaro tem como mantra desacreditar as atuais pesquisas eleitorais, o que é feito sem nenhuma base metodológica ou científica. A razão está no simples fato delas apresentarem números desfavoráveis ao candidato, ou seja, quase todas indicando a possibilidade de uma derrota do atual mandatário para o ex-presidente Lula já no primeiro turno.

Os gastos com a campanha de Bolsonaro, até o momento, dão respaldo a essa análise. De acordo com o portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do total de R$ 14,6 milhões desembolsados na campanha, R$ 1,7 milhão foi para pesquisa de mercado e opinião, dos quais R$ 500 mil pagos ao Instituto Ibespe.

As despesas da campanha nessa área só ficaram atrás da propaganda eleitoral propriamente dita: produção, criação e monitoramento de programas de rádio, tevê e redes socais.

A importância dada aos levantamentos é tanta que na pré-campanha o PL, partido de Bolsonaro, pagou R$ 2,7 milhões a Paraná Pesquisas. Nesta terça-feira (20), esse Instituto destoou dos demais colocando Lula com 40,1% das intenções de voto contra 36,4% de Bolsonaro, praticamente na condição de empate técnico.

Pesquisa Genial/Quaest desta quarta-feira (21), por exemplo, mostrou que há uma diferença de dez pontos entre Lula e Bolsonaro. “Faltando 11 dias para o primeiro turno, o presidente passa a ter menos armas para tentar virar o jogo. O aumento no valor do Auxílio não gerou o resultado eleitoral esperado”, diz o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest.

O desespero é tanto que bolsonarista fizeram uma deep fake editando imagens do Jornal Nacional, da Rede Globo, nas quais Bolsonaro aparece na frente de Lula na pesquisa Ipec. A edição do vídeo mereceu uma resposta dentro do programa.

A apresentadora Renata Vasconcellos alertou os telespectadores explicando como funcionava as deep fakes, tecnologia que usa inteligência artificial. “Entre outras coisas, ela permite adulterar o movimento dos lábios de alguém e transplantar um trecho de uma fala de um determinado ponto para outro mudando completamente o conteúdo de uma notícia, por exemplo”, explicou.

“Desde 15 de agosto até hoje, as pesquisas do Ipec e do DataFolha apresentadas aqui no JN mostraram o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, como o que tem a maior intenção de voto. Em todas elas, Bolsonaro apareceu em segundo lugar”, completou William Bonner.

Enquanto isso, os bolsonarista continuam na pegada de desmentir os principais institutos insistindo que só vale o chamado DataPovo. Tola ilusão e matreirice ao mesmo tempo.

VERMELHO:

Um passo para enfrentar a “pane de imaginação”

Novas pesquisas confirmam Lula mais próximo de vencer no 1º turno

Segundo a Genial/Quaest, Lula cresceu dois pontos e chegou a 44%, contra 34% de Bolsonaro
A 11 dias das eleições 2022, duas pesquisas confirmam um cenário mais favorável à vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um único turno. Divulgados nesta quarta-feira (21), os levantamentos da Genial/Quaest e do PoderData mostram Lula na faixa dos 50% dos votos validos – patamar que o aproxima da vitória já no primeiro turno, em 2 de outubro.
Conforme a PoderData, Lula oscilou um ponto percentual para cima e chegou a 44% das intenções de voto. Seus adversários somam 50%, sendo 37% de Jair Bolsonaro (PL), 7% de Ciro Gomes (PDT), 4% de Simone Tebet (MDB) e 1% de Felipe d’Avila (Novo) e Soraya Thronicke (União Brasil). Enquanto Bolsonaro estagnou, Ciro e Tebet perderam um ponto percentual, cada um.
Na simulação de segundo turno, Lula venceria Bolsonaro por 50% a 42%. Ao longo da campanha eleitoral, os dois candidatos oscilaram dentro da margem de erro. O PoderData ouviu por telefone 3.500 eleitores, de 301 municípios em todos os estados brasileiros, de 18 a 20 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Já a pesquisa da Quaest Consultoria, contratada pela Genial Investimentos, traz números ainda melhores. Lula cresceu dois pontos e chegou a 44%, contra 34% de Bolsonaro. Ciro recuou de 7% para 6%, enquanto Tebet foi de 4% para 5%.
Num segundo turno, Lula chega a 50%, e Bolsonaro, a 40%. A pesquisa Genial/Quaest entrevistou presencialmente 2 mil pessoas, de 17 a 20 de setembro, em todos os estados. A margem de erro também é de dois pontos percentuais.
Um terceiro levantamento mostra igualmente o avanço da candidatura de Lula, mas sem seguir a periodicidade semanal do PoderData e da Quaest. De acordo com a nova rodada da Atlas/Arko, divulgada na terça-feira (20), Lula tem 48,4%, e Bolsonaro, 38,6%. O ex-presidente cresceu em relação à pesquisa anterior, de 25 de agosto, quando tinha 46,7%.
A sondagem aponta ainda Ciro com 6,3% e Tebet com 4%. Os demais candidatos, embora citados, não chegaram a 1% de intenções de voto. No segundo turno, a dianteira de Lula sobre Bolsonaro é de 11,7 pontos: 53,1% a 41,4%. A pesquisa Atlas/Arko ouviu 7.514 pessoas, de 2.056 municípios, num intervalo de tempo mais largo – entre 16 e 20 de setembro.
Um passo para enfrentar a “pane de imaginação”

Copom mantém Selic em 13,75% e encerra maior ciclo de alta dos juros em 23 anos

De março de 2021 a agosto deste ano, Selic subiu 12 vezes consecutivas – a mais longa sequência de elevação desde 1999. Mercado prevê juro básico travado nos 13,75% até junho de 2023.
Por Ana Paula Castro e Alexandro Martello, TV Globo e g1 — Brasília
A taxa básica de juros foi elevada por 12 vezes consecutivas desde março de 2021. No período, a Selic subiu 11,75 pontos percentuais, configurando o maior e mais longo ciclo de alta desde 1999.

De acordo com projeções de analistas do mercado financeiro, a taxa Selic deve permanecer neste patamar até junho de 2023 — quando recuará para 13,5% ao ano. Para o fim do ano que vem, a projeção é de juros em 11,25%.

A decisão do Copom não foi unânime. Segundo o comunicado divulgado pelo Banco Central, sete dos nove membros do comitê votaram pela manutenção de 13,75% – os outros dois votaram por uma “elevação residual” de 0,25 ponto percentual, o que jogaria a Selic para 14%.

Inflação em desaceleração

A interrupção da alta dos juros acontece em um cenário de desaceleração da inflação. Influenciada pelos preços dos combustíveis, devido ao corte de impostos sobre itens essenciais e à redução do preço internacional do petróleo, houve deflação no país pelo segundo mês seguido em agosto.

Para definir o nível dos juros, o Banco Central se baseia no sistema de metas de inflação. Quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic. Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, o Banco Central pode reduzir o juro básico da economia.

Em 2022, a meta central de inflação é de 3,5% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%. Para 2023, a meta de inflação foi fixada 3,25%, e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.

Neste momento, o BC já está ajustando a taxa Selic para tentar atingir a meta de inflação dos próximos anos, uma vez que as decisões sobre juros demoram de seis a 18 meses para terem impacto pleno na economia.

Embora as estimativas de inflação estejam acima do teto da meta para este ano, o mercado financeiro já prevê desaceleração das pressões inflacionárias em 2023 (diante do juro alto, da crise energética na Europa e da desaceleração da economia mundial).

O BC informou ainda que está mirando mais adiante nas decisões sobre juros, no início de 2024.

Um passo para enfrentar a “pane de imaginação”

Gestante em trabalho intermitente tem reconhecido direito à estabilidade

Ela deixou de ser convocada após informar que estava grávida

Uma assistente de loja que prestava serviços por meio de contrato intermitente e deixou de ser convocada para o trabalho após informar que estava grávida teve reconhecido o direito à estabilidade provisória. Com isso, a empresa deverá pagar indenização substitutiva, correspondente ao período da estabilidade gestacional, entre outras verbas.

O entendimento ocorreu após a Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho rejeitar o exame do recurso da empresa contra a condenação, imposta pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG), que também entendeu que houve rescisão indireta do contrato de trabalho (falta grave do empregador).

Trabalho intermitente

Na reclamação trabalhista, a assistente disse que começou suas atividades em um estabelecimento comercial em agosto de 2018, por meio de contrato de trabalho intermitente. Nessa modalidade de contratação, criada pela Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017), a pessoa trabalha quando é convocada pela empresa e, nos demais períodos, fica em inatividade.

Em setembro de 2018, a trabalhadora confirmou que estava grávida. Após informar o fato à empresa, não foi mais chamada para prestar serviços. Após o nascimento da criança, também não pôde receber o auxílio-maternidade do INSS, porque a empregadora não havia assinado requerimento que permitiria o acesso ao benefício.

Ela, então, ingressou na Justiça do Trabalho para reivindicar o reconhecimento do direito à estabilidade e o pagamento da indenização correspondente ao período, entre outras verbas trabalhistas.

Mudança de cidade

A empresa, em sua defesa, alegou que os períodos de trabalho e de inatividade não foram pré-estipulados. Também justificou que a trabalhadora havia mudado de cidade e que isso impossibilitou que fosse novamente chamada.

Falta grave e rescisão indireta

No processo, constatou-se que, a partir de outubro de 2018, a assistente deixou de ser chamada pela empresa. Em primeiro grau, a Justiça do Trabalho entendeu que isso foi consequência da gravidez. Dessa forma, considerou que houve rescisão indireta do contrato, decorrente de falta grave da empregadora, e reconheceu o direito à estabilidade, determinando o pagamento da indenização correspondente.

O argumento da empresa de que a trabalhadora se mudara de cidade não foi acolhido, já que, segundo a legislação trabalhista, a pessoa que presta serviços de forma intermitente deve ser chamada com antecedência de três dias e tem até um dia útil para responder, o que não ocorreu no caso.

Violação da dignidade

O Tribunal Regional do Trabalho, ao julgar recurso, destacou que a atitude da empresa violou diretamente a dignidade da pessoa humana e o princípio de proteção à trabalhadora, uma vez que, ao tomar ciência da gestação,  deixou a empregada ociosa por cerca de um ano.

Proteção constitucional

A empresa tentou novamente alterar a decisão no TST, mas seu agravo de instrumento não foi acolhido pela Terceira Turma.

Para o relator do agravo, ministro José Roberto Pimenta, mesmo nos contratos intermitentes, os trabalhadores não estão descobertos da proteção constitucional contra atos discriminatórios, como foi constatado no caso. Ele observou que os fatos que levaram ao reconhecimento da rescisão indireta se originaram da própria gravidez, e não se pode falar em inexistência do direito à respectiva estabilidade provisória.