Após crise, Câmara de Curitiba tem novo presidente
João do Suco, 53, é o primeiro vereador a ocupar a presidência após o longo período de hegemonia de João Cláudio Derosso (PSDB), que comandou a Casa por 15 anos.
Derosso renunciou ao cargo na semana passada, após a imprensa local veicular denúncias de que ele teria favorecido a mulher, uma jornalista de Curitiba, num contrato para publicidade da Câmara. João do Suco recebeu 25 votos. O segundo colocado, Paulo Salamuni (PV), 11. Dois outros vereadores se abstiveram. Ao todo, a Câmara Municipal de Curitiba tem 38 vereadores. Manifestantes que estavam no plenário e que ficaram insatisfeitos com o resultado da eleição gritaram ”laranja” para Suco, que é colega de partido de Derosso.
João é vereador desde 2009 e ganhou o apelido ”do Suco” quando tinha uma lanchonete no bairro Pinheirinho, região sul da capital paranaense. Até a tarde de ontem ele era o líder do prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSB), na Câmara. Agora, o cargo vai ser ocupado interinamente pelo vereador Serginho do Posto (PSDB).
Um em cada cinco produtos industriais vendido no Brasil vem de fora
A própria indústria nacional contribuiu para o aumentou no consumo de importados: 21,7% dos insumos utilizados pelo setor vieram de outros países, participação também recorde no levantamento realizado com dados retroativos a 1996, em parceira com a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).
O levantamento também calcula a parcela da produção nacional vendida para o exterior. Coincidentemente, é o mesmo porcentual de consumo de importados. Ou seja, o Brasil exportou quase 20% da sua produção industrial e importou quase 20% do que consumiu em 2011.
Para CNI, esse ”empate” não é algo positivo para o País. Em primeiro lugar, porque as vendas para o exterior superavam com folga o consumo de importados até 2007, o que mudou a partir da crise de 2008. Além disso, enquanto a importação bate recorde, a exportação ainda está abaixo do pico de 22,9% alcançado em 2004. Por isso, a previsão é que as vendas voltem a ficar abaixo das compras externas neste ano, o que não acontece desde 2001.
”Isso é uma combinação de câmbio valorizado e uma economia em que o consumo cresce. A tendência é continuar esse quadro, o que nos leva a esperar um crescimento mais intenso na importação do que na exportação”, disse o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.
Segundo o economista, essa ”coincidência” se deve ainda ao desempenho da indústria extrativa, exportadora de produtos básicos. Quando se considera apenas a indústria de transformação, a participação das vendas cai para 15% da produção, abaixo do porcentual de consumo de importados (18,5%).
Outro resultado ruim para a indústria de transformação, segundo o levantamento, é o índice que considera a diferença entre a compra de componentes importados para a produção e as exportações desse segmento. O indicador geral cresceu de 8,1% em 2010 para 9% em 2011, a favor das exportações, também puxado pela indústria extrativa. Na indústria de transformação, no entanto, caiu de 3,4% para 3% no mesmo período, menor valor da série iniciada em 1997.
Para a CNI, esses números tendem a piorar, mesmo com as medidas adotadas pelo governo para segurar o dólar e impulsionar a atividade econômica. ”Se nada for feito para aumentar a competitividade dos produtos brasileiros, creio que o quadro tenda a se agravar. Vamos ter um baixo crescimento da produção e, como consequência, da economia em 2012”, disse Castelo Branco.
Londrina é 20ª cidade do país que mais gerou empregos em fevereiro
Governo e setor produtivo divergem sobre expectativas
Relator vai manter autorização para empresa terceirizar atividade-fim
O relator do Projeto de Lei 4330/04 na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), deputado Arthur Oliveira Maia (PMDB-BA), afirmou que está decidido a manter no texto a autorização para que as empresas terceirizem todo seu serviço, incluindo as atividades-fim. Além disso, ele pretende manter a responsabilidade subsidiária para o contratante em relação às obrigações trabalhistas referentes ao período em que ocorrer a prestação de serviços.
Leonardo Prado
Oliveira Maia: empresa terceirizada só poderá prestar um tipo de serviço.
O PL 4330/04, apresentado pelo deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), regulamenta a terceirização nos serviços público e privado e pode ser votado na CCJ no mês que vem. O tema é controverso e não conta com o apoio de algumas centrais sindicais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que classifica a proposta como “uma reforma trabalhista disfarçada”, conforme definiu seu presidente, Artur Henrique.
O texto base do relatório é o substitutivo aprovado pela comissão especial que analisou o tema. “Vai ser um debate tenso porque há muitos pontos de vista e divisões entre as centrais sindicais e entre o empresariado”, disse o presidente da CCJ, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP).
Em balanço das atividades legislativas do ano passado, o presidente da Câmara, Marco Maia, lamentou não ter sido possível levar o tema a Plenário.
Atividade-fim
A principal crítica das centrais é a possiblidade de a empresa terceirizar a atividade-fim de seus serviços. Segundo o secretário de Organização do Ramo Financeiro da Contraf e integrante do Grupo de Trabalho sobre Terceirização, Miguel Pereira, essa possibilidade “precariza por completo as relações de trabalho no Brasil, frustra as negociações de acordos e convenções coletivas e mantém os terceirizados à margem dos direitos”.
A crítica não sensibiliza o relator, que vê “muita emoção e pouco esclarecimento” na argumentação. Segundo ele, o conceito de atividade-meio e atividade-fim não permite a “aplicação isonômica” do direito, pois algumas empresas terceirizam sua atividade principal, enquanto outras são impedidas.
A ressalva que ele vai defender no relatório é que a empresa terceirizada seja especializada e tenha objeto social único, ou seja, poderá prestar apenas um tipo de serviço. “Com esse tipo de formulação, podemos acabar com a figura nefasta do mero intermediador de mão-de-obra, que oferece serviços tão variados, desde lavador de carro até astronauta”, comentou Arthur Oliveira Maia.
O deputado da Bahia também vai defender a responsabilidade subsidiária relativa pela garantia dos direitos trabalhistas. Assim, a responsabilidade será subsidiária se a empresa terceirizada não recolher as obrigações trabalhistas, e a tomadora de serviço não fiscalizar. “Isso vai fazer com que a empresa que contrata uma terceirizada seja extremamente atenta para não permitir o desrespeito às obrigações trabalhistas”, afirma o relator.
Íntegra da proposta:
Edição – Pierre Triboli
