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Um milhão tomam as ruas da Espanha contra reforma trabalhista

Um milhão tomam as ruas da Espanha contra reforma trabalhista

Se não há pão para o operário não haverá paz para o empresário”, essa foi a resposta dada à concovação da Unión General de Trabajadores (UGT) e da Confederación Sindical de Comisiones Obreras (CCOO), nesta segunda-feira (20), pelos trabalhadores espanhóis.

De acordo com informações da imprensa espanhola, foram realizadas mais de 57 manifestações na Espanha, que reuniu mais de 1 milhão em diferentes regiões em regiões do país. A mobilização tinha como foco protestar contra o que consideram ser um “retrocesso” dos direitos dos trabalhadores frente aos desejos do patronato.

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Em declaração à imprensa, o secretário-geral da UGT, Cándido Méndez, disse que os trabalhadores não descartam um greve geral no país e alertou que “se o governo não muda a reforma, a mobilização popular vai aumentar”.

Ele acrescentou que a segunda-feira foi tomada pelos trabalhadores e durante todo o dia as ruas das principais cidades do país encheram-se com multidões indignadas com as reformas que facilitam as demissões e reduzem as indenizações.

Dados divulgados pela imprensa dão conta de que foram mais de 500 mil participantes no protesto em Madrid, cerca de 450 mil em Barcelona, 80 mil em Valência, 100 mil em Sevilha, 70 mil em Saragoça e 50 mil em Guijón.

“Durante as passeatas era possível sentir a força dos trabalhadores, ouvir os gritos de ‘greve geral’ e também visualizar inúmeros cartazes com diversas reivindicações, como ‘teu botim é minha crise’ e ‘a educação não é despesa, é investimento’, destacou Cándido Méndez.

Falando no encerramento do 17º Congresso Nacional do Partido Popular (PP), em Sevilha (sul), o chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, defendeu a necessidade de fazer mudanças para o país se adaptar a um mundo global. E declarou que reforma laboral é “justa, boa e necessária” para o país.

Ao término das manifestações, representantes sindicais e das juventudes sindicais espanholas leram um manifesto contrário a reforma aprovada pelo Governo, que foi considerada equivocada por não criar emprego e por deixar o mercado de trabalho à serviço dos empresários.

Joanne Mota com agências

Um milhão tomam as ruas da Espanha contra reforma trabalhista

União Europeia e FMI fecham novo pacote para a Grécia

A União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovaram na madrugada desta terça-feira, depois de 13 horas de discussões novo empréstimo à Grécia, para evitar o calote dentro de um mês.

O fundo disponibilizado, porém, de 130 bilhões de euros, não resolve os problemas a longo prazo, segundo os analistas. É o segundo empréstimo obtido pelos gregos desde o agravamento da crise econômica internacional. O país vive dias de tensão sob protestos constantes e críticas da população, submetida a sucessivos pacotes de arrocho, que preveem reduções salariais e cortes de direitos.

O resgate permitirá ao governo grego uma parcela de 14,5 bilhões de euros da dívida, a vencer em 20 de março.

As autoridades europeias acusam a Grécia de ter passado muitos anos gastando mais do que arrecadava e que a situação não mudou com a concessão do primeiro resgate, de 110 bilhões de euros, em maio de 2010.

O plano de arrocho imposto pela União Europeia e o FMI em troca da nova ajuda visa a cortar o gasto público grego em um valor equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, com o objetivo de reduzir a dívida pública dos atuais 160% do PIB para 120,5% em 2020.

Um milhão tomam as ruas da Espanha contra reforma trabalhista

Espanha põe em prática ação de demissão livre e gratuita

As empresas espanholas já podem despedir trabalhadores sem autorização governamental pagando 20 dias por cada ano trabalhado com o máximo de uma anuidade. “Despedimento livre e gratuito”, acusam os sindicatos, prontos a resistir e com uma greve geral no horizonte.

O governo direitista de Mariano Rajoy pôs em prática medidas de “liberalização do mercado de trabalho” semelhantes às que estão a ser estabelecidas pelo segundo memorando da troika para a Grécia. Estas medidas, segundo a imprensa espanhola, foram definidas durante contatos estreitos entre Rajoy e a senhora Merkel.
 
A chanceler alemã considera que a “reforma laboral” espanhola é “modelar e valente”, um exemplo das mudanças que é necessário pôr em prática na Europa para sair da crise.

Para que as empresas possam fazer demissões basta, segundo o decreto governamental, que “se infira uma situação econômica negativa em casos como a existência de perdas atuais ou previstas ou a diminuição persistente dos níveis de receitas e de vendas”. Diminuição persistente, segundo o decreto, é a verificação de uma situação deste tipo durante “três trimestres consecutivos”.

Avaliando a situação atual, são 43 as empresas cotadas em bolsa, teoricamente as que estão em condições menos desfavoráveis, a poder “acolher-se” sob a nova legislação. O número refere-se a grupos consolidados e não às filiais espanholas, em situação bastante pior.
Segundo cálculos divulgados à imprensa, estas empresas têm uma força de trabalho de 283.415 pessoas e representam 37% que representa o índice geral da Bolsa de Madrid. No plano geral do país, o número de trabalhadores já em risco com o novo decreto é muito maior.

As demissões nessas condições podem ser feitos sem autorização governamental, sem arbitragem nem recursos, e mediante um pagamento de 20 dias de trabalho com o um máximo de anuidade (o equivalente a 12 anos de trabalho). A lei revogada previa indenização de 45 dias para um máximo de 3,5 anuidades (42 anos de trabalho), uma redução de 87 por cento. Os despedimentos estavam sujeitos a arbitragem e recursos.

Entre as empresas que, segundo os números de Setembro passado, podem recorrer à nova lei figuram Tavex, Vocento, Adolfo Dominguez, Cementos Portland, Albertis, FCC, Ferrovial e Sacyr Vallermoso.

Há situações em que os grupos consolidados registram ganhos mas no interior dos quais as filiais espanholas apresentam perdas há três trimestres consecutivos. É o caso da Telefónica, gigante de telecomunicações, que em 2011 já despediu 6.500 trabalhadores mesmo nas condições anteriores. Com a nova lei prevê-se que o volume da nova vaga de dispensas seja ainda mais elevado.

A Espanha é o país com mais elevada taxa de desemprego na União Europeia (22%) e, neste momento, só a Grécia se aproxima depois de mais de três anos de aplicação de medidas de austeridade (21,5%). O desemprego juvenil espanhol é de 44%.

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Marcos Verlaine: As eleições, os sindicatos e os trabalhadores

Marcos Verlaine*
 
Este é um ano eleitoral. Portanto, um ano importantíssimo para mais uma etapa da democracia brasileira. O pleito de outubro próximo é mais um ato da democracia brasileira, cuja importância e resultado refletirão nas eleições gerais de 2014. Isto é, as forças políticas que se saírem vitoriosas no pleito municipal estarão mais próximas da vitória em 2014.
 
É importante que o movimento sindical atue nesse processo que se avizinha, pois sua intervenção organizada poderá produzir resultados que contribuam com a qualidade dos prefeitos eleitos e, também, das câmaras de vereadores.
 
Trocando em miúdos. Se o movimento sindical e os trabalhadores querem melhorar a qualidade da representação é preciso atuar nas eleições lançando e apoiando candidatos ligados e comprometidos com as agendas social e sindical.
 
O movimento sindical – os sindicatos, as federações, as confederações e as centrais – deve atuar a fim de influenciar os trabalhadores a votarem em candidatos com perfil social, político e ideológico renovador e mudancista. Para isso, devem começar a debater esse processo.
 
PR: boa iniciativa da Nova Central

Um bom exemplo disso foi o seminário realizado, no dia 16 de fevereiro, pela Nova Central Sindical dos Trabalhadores do Paraná, que debateu em Curitiba, com dirigentes de vários sindicatos do estado as eleições municipais, os trabalhadores e trabalhadoras e seus reflexos nas eleições em 2014.

 
O evento teve o objetivo de desencadear discussões e apontar rumos para os dirigentes que desejam concorrer nas eleições municipais.
 
É importantíssimo que o movimento sindical não só lance candidatos, mas apóie outros tantos, que os chame para debater, que os apresente às categorias que representam, a fim de ampliar o protagonismo social e político dos trabalhadores.
 
2014 começa em 2012

Nas eleições de 2010, os empresários elegeram para o Congresso Nacional, 250 deputados e 23 senadores. Segundo o Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), é a maior bancada patronal que já ocupou o Legislativo federal.

 
Esta é uma correlação de forças que impede ou dificulta a agenda do movimento sindical avançar no Poder Legislativo. Para alterar este desequilíbrio de forças políticas é preciso atuar nas eleições municipais, com objetivo de eleger lideranças dos trabalhadores ou no mínimo projetá-las para as batalhas eleitorais do futuro.
 
Política, eleições, partidos e poder

Para exercer protagonismo no processo eleitoral, o movimento sindical deve considerar quatro elementos estruturantes:

 
1) a política é o único meio para resolver os graves e históricos problemas sociais e coletivos;
 
2) as eleições, no Brasil, são o único momento em que o poder fica em xeque. Assim, intervir nesse processo é fundamental para alterar os rumos da política no País;
 
3) só por meio dos partidos é possível disputar o poder. Os trabalhadores precisam compreender a necessidade dos partidos na democracia representativa, pois sem eles não é possível disputar do poder; e
 
4) a conquista do poder significa poder imprimir as políticas e projetos das forças vencedoras do processo eleitoral. Por isso, disputar é imperioso para forjar lideranças e construir as vanguardas dos trabalhadores.
 
(*) Jornalista, analista político e assessor parlamentar do Diap
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Na contramão: desemprego entre jovens cai à metade no Brasil

Na contramão de países desenvolvidos atingidos pela crise, o desemprego no Brasil entre os jovens caiu à metade, para 13,4%, nos últimos oito anos. Na Europa, a taxa chega a quase 50%. Já os brasileiros com mais de 50 anos vivem o pleno emprego.
 
Acena clássica que se imagina quando uma pessoa vai procurar emprego – olhar os classificados, esperar por entrevistas – não condiz com a história de Leandro Justin. “Não fiz nem currículo”, conta o professor de inglês de 21 anos.
 
E foi contratado há algumas semanas pela primeira empresa em que bateu à porta em busca de trabalho, numa escola de idiomas. Leandro faz parte de uma juventude brasileira que, desde 2003, viu o desemprego cair praticamente à metade.
 
Em 2011, a taxa de desocupação dos jovens de 18 a 24 anos, nas seis principais regiões metropolitanas do país, fechou em 13,4% – ainda elevada, mas bem distante dos 23,4% vistos em 2003. Cenário que contrasta com o que se nota nos países desenvolvidos, onde a crise atormenta os jovens europeus com taxas de desemprego próximas a 50%.
 
– Quem procura encontra trabalho. Pode não dar muito para escolher. Mas minha opção foi levar dinheiro para casa. Estou satisfeito – disse Leandro, professor do Brasas.
 
A percepção de Leandro se observa em números da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. Segundo Cimar Azeredo, gerente da PME, o nível de ocupação dos jovens de 18 e 24 anos cresceu 11,7% nos últimos oito anos – acima da dos adultos, que aumentou 8,9%. De um lado, o bom momento da economia brasileira nos anos recentes tornou mais dinâmico o mercado de trabalho, e esse movimento favoreceu os mais novos também.
 
Por outro, os jovens fizeram a sua parte e aumentaram a escolaridade.
 
Dados da Pnad de 2009 indicam que mais da metade desses jovens cursa ou possui nível médio.
 
– A mão de obra brasileira está mais qualificada e, por isso, parte em busca de ocupações que exigem mais formação. Não é à toa que serviços domésticos ficaram mais caros justamente por falta de gente. Hoje, funções que surgiam por falta de oportunidade, como emprego doméstico, já não são mais a primeira opção do jovem que sai da escola. Isso é uma mudança na estrutura do mercado de trabalho e o jovem, certamente, é um dos protagonistas desse processo – apontou Azeredo, acrescentando que falta a esse jovem políticas de inserção no mundo do trabalho.
 
– O pesadelo de terminar uma faculdade, e ficar sem trabalho, ainda existe.
 
Qualificação é preocupante
Na avaliação de Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), a taxa de desemprego dos jovens é tradicionalmente acima da média do mercado. Contudo, para ele, no Brasil, a distância entre os indicadores é maior do que deveria ser.
 
– Ainda assim, o jovem brasileiro é o mais otimista, numa comparação feita em 132 países. Há, sem dúvida, uma melhora e há uma perspectiva de que as coisas vão melhorar.
 
Em tempos de crise, são os jovens os primeiros a perder emprego. Por isso, milhares de jovens na Europa protestam nas ruas, reivindicando melhores oportunidades, especialmente na Espanha, onde a taxa de desemprego atingiu os 45,8% no terceiro trimestre de 2011. Altas taxas também registram Grécia (45%) e Portugal (30%). Os jovens italianos, com 26,5%, já sofrem com uma taxa acima da brasileira de 2003 (23,4%).
 
– A zona do euro vive uma situação dramática, com um quadro desalentador para todos, inclusive para os mais jovens. E, detalhe: jovens que têm, em geral, uma formação superior à dos brasileiros. Mas há preocupações por aqui também.
 
Apesar das vagas que se abrem numa economia com uma dinâmica de crescimento razoável, é bastante preocupante o tipo de qualificação dos jovens brasileiros. O Brasil está pessimamente colocado em competições internacionais de matemática ou ciências. Já a China aparece em primeiro lugar em muitas delas – comentou Mônica de Bolle, economista da consultoria Galanto.
 
Mas um mercado de trabalho mais dinâmico do que o de outros países não traz necessariamente os melhores empregos, lembrou Naércio Menezes, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa.
 
Muitos jovens estão ocupando funções abaixo de sua formação.
 
– A oferta de vagas que exigem mais qualificação não cresce no mesmo ritmo da demanda dos jovens com mais anos de estudo. Além disso, os ganhos das ocupações com pouca qualificação cresceram mais do que aquelas que exigem, por exemplo, nível superior.
 
Se na Europa – e também nos EUA – as famílias se ressentem de um mercado de trabalho em retração, no Brasil, os jovens conquistaram o direito de adiar a entrada no universo do emprego. Uma possibilidade que veio com o crescimento da renda dos brasileiros e políticas sociais que permitiram que muitos jovens optassem pelos bancos escolares em detrimento a um posto em uma empresa.
 
– Especialmente quem tem 15 a 17 anos escolhe estudar. Com mais renda, as famílias podem abrir mão dos ganhos desse jovem. E isso faz com que essa geração fique na escola por mais tempo – acrescentou Azeredo, do IBGE.
 
Pleno emprego dos com mais de 50 anos
Aos 23 anos, Clarissa do Nascimento é formada em moda. Apesar do diploma, ela resolveu ampliar ainda mais sua formação e voltou, mais uma vez, aos bancos escolares. Está fazendo curso técnico de maquiagem e caracterização para, mais à frente, tentar uma vaga.
 
– Minha história é diferente da do meu pai. Ele, aos 18, precisou trabalhar para pagar a faculdade. Hoje, mesmo tendo me preparado financeiramente para esse momento sem trabalho, conto com o suporte da família. E não vou precisar correr atrás de trabalho agora. Com mais especialização, emprego não deverá ser um problema no meu futuro – disse.
 
Na outra extremidade, as estatísticas também trazem um cenário mais positivo. De 2003 para 2011, a taxa de desocupação dos profissionais com mais de 50 anos saiu de 5,3% para 2,3%.
 
– É pleno emprego – concluiu João Sabóia, professor do Instituto de Economia da UFRJ. Após quase 30 anos na área de saúde, Rosana Maia, de 58 anos, decidiu recomeçar. Fez cursos de gastronomia e hoje dá aulas, presta consultoria e ainda organiza eventos.
 
– É como seu eu estivesse com 15 anos: me sinto apaixonada novamente pela vida. O diploma da atual profissão mais a minha experiência me garantiram um recomeço feliz – disse a chef de cozinha.

Um milhão tomam as ruas da Espanha contra reforma trabalhista

Estudo do IBGE mostra que curso superior não tem elevado renda

Nos últimos 8 anos, ganho de quem fez faculdade teve 0,3% de aumento real, contra 30,6% dos com nível fundamental. Número de trabalhadores com diploma universitário cresceu 63%, o que, para economista, contribuiu para a queda na renda.
 
O diploma de curso superior não tem assegurado, necessariamente, crescimento do poder de compra nos últimos anos, mostra recente estudo feito pelo IBGE.
 
Na média, a renda dos trabalhadores com diploma universitário ficou praticamente estagnada de 2003 a 2011.
 
Nesse período, o salário médio desse grupo teve ganho real (acima da inflação) de apenas 0,3%, indo a R$ 3.850,52.
 
Na outra ponta, a remuneração média dos trabalhadores que têm até oito anos de escolaridade subiu 30,6% acima da inflação nesses últimos oito anos.
 
O estudo do IBGE abrange as regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre.
 
Profissionais qualificados

Para o economista da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) João Saboia, a estagnação da renda média entre graduados mostra que não há um apagão generalizado de profissionais qualificados.

 
Segundo o IBGE, o número de trabalhadores com curso superior cresceu 63% nos últimos oito anos.
 
O economista do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) Naércio Menezes recorre à lógica da oferta e da demanda para afirmar que o número maior de profissionais com nível superior limitou o ganho de renda nesse grupo.
 
Mas isso varia de acordo com as áreas de formação, dizem os dois economistas.
 
Saboia analisou o perfil dos cargos formais gerados para profissionais com ensino superior em 2010 e notou que a carência de mão de obra é mais concentrada em áreas de perfil técnico, como física, química, engenharia, matemática e biotecnologia.
 
A demanda por esses profissionais vem crescendo com a expansão dos setores de construção civil, infraestrutura e petróleo, explica.
 
Humanas x Exatas

Segundo levantamento feito pela da Folha a partir de dados do Ministério da Educação, apenas 13,6% dos alunos que concluíram a universidade entre 2001 e 2010 se graduaram em cursos de exatas como os listados acima.

 
A grande maioria (67,6%) veio de áreas de humanas, como direito, educação, ciências sociais e artes. Saboia observa que parte desses profissionais não está conseguindo empregos em suas áreas.
 
Em seu estudo, ele descobriu também que 16% das novas vagas ocupadas em 2010 por pessoas com curso superior eram cargos de assistentes e auxiliares administrativos. Outros 4,7% eram postos técnicos de nível médio na indústria e no comércio.
 
“Tem muita gente se formando, mas não exatamente no que o mercado está precisando, então essas pessoas não estão sendo valorizadas”, afirma Saboia.
 
Apagão

Presidente da Asap (consultoria que faz recrutamento de profissionais com salários entre R$ 6 e R$ 15 mil), Carlos Eduardo Dias afirma haver um apagão de profissionais qualificados em todas as áreas.

 
Em algumas, segundo ele, não faltam pessoas graduadas, mas faltam profissionais com boa formação.
 
“O nosso ensino superior ainda não tem a qualidade que deveria ter. Falta qualidade na formação, e sobra vaga no mercado”, disse.
 
Dias reconhece, porém, que o problema é mais grave em áreas técnicas. Segundo ele, os salários oferecidos a engenheiros cresceram entre 30% e 50% acima da inflação nos últimos cinco anos.