por master | 13/01/12 | Ultimas Notícias
Falta de mão-de-obra atinge 89% das empresas de construção civil e oportunidades para mulheres crescem no setor.
Danielle se inscreveu num curso do projeto Mão na Massa, que oferece qualificação em construção civil para mulheres desde 2007, no Rio de Janeiro.
Danielle começou como eletricista em uma construtora carioca e, há dois meses, foi promovida para encarregada de obras. Seu rendimento já soma quatro salários mínimos.
“Nunca faltou trabalho”, diz Danielle. “Quando resolvi parar um pouco para construir uma casa de dois andares para minha mãe, sugiram quatro propostas em menos de um mês”, conta ela, que não resistiu a uma oferta e ficou devendo um andar à mãe.
A boa fase econômica, os investimentos públicos em infraestrutura e habitações populares e asobras relacionadas à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos de 2016 aqueceram o mercado de construção civil no Brasil. O setor representa 5,1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e 21,2% do PIB da indústria, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego.
Setor cresceu 4,8% em 2011
A construção civil cresceu 4,8% no país em 2011, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Cerca de 250 mil vagas foram criadas de janeiro a outubro de 2011. Para 2012, a CBIC estima um crescimento ainda maior, de 5,2%.
O projeto Mão na Massa, que é patrocinado pela Petrobras, vem aproveitando este boom para colocar mulheres neste setor dominado por homens.
Dirigido a mulheres de baixa renda, de 18 a 45 anos, e que tenham cursado no mínimo até o 5º ano do ensino fundamental, o programa já qualificou mais de 300 operárias.
Atualmente, há 120 alunas nos cursos gratuitos de pedreiro, carpinteiro de fôrma, pintor e eletricista.
“Quando começamos a idealizar o Mão na Massa, já sabíamos que era um mercado interessante, mas esperávamos o momento em que ele estivesse mais aquecido”, diz a psicóloga Norma Sá, coordenadora do projeto, executado pela Federação de Instituições Beneficentes (FIB) e pelo abrigo Maria Imaculada.
Falta de vestiário feminino é problema
O salário é o mesmo para homens ou mulheres, segundo Norma. Para a coordenadora do Mão da Massa, o único problema enfrentado pelas mulheres é a falta de um vestiário próprio.
“Só podemos empregá-las em obras que ainda não começaram, porque podem construir um vestiário feminino. Naquelas em andamento, só tem masculino”, explica Norma.
Preconceito elas também tiram de letra.
“No início, os homens brincam, dizendo para a gente arrumar emprego em casa de família. Mas, quando se dão conta de que trabalhamos como eles, passam a nos respeitar”, diz Telma Cristina Viegas Ribeiro, 43, carpinteira de fôrma formada pelo projeto em 2009.
Antes do curso, Telma trabalhava numa cabine de estacionamento, ganhando pouco mais de um salário mínimo. O atual salário dela é de até R$ 1.400.
A falta de trabalhador qualificado é um problema para 89% das empresas da construção civil – 94% delas têm dificuldade em encontrar profissionais como pedreiros e serventes, segundo uma sondagem feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a CBIC.
José Carlos Martins, vice-presidente do CBIC, diz, no entanto, que o mercado já está se adaptando para driblar as dificuldades com o pessoal.
“Há um investimento maior em tecnologia”, diz Martins. “Em contrapartida, as inovações exigem mais pessoas qualificadas, recebendo melhores salários e usando equipamentos mais caros.”
“A procura pelos cursos aumentou tanto que resolvemos investir em duas novas unidades”, afirma Roberto da Cunha, Supervisor Técnico do Centro de Referência em Construção Civil do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/RJ), que oferece 6.000 vagas por ano para cursos – gratuitos ou de baixo custo – na construção civil.
A próxima unidade, chamada de Senai Rodrigues Alves, será inaugurada em fevereiro de 2012 no bairro de Santo Cristo, onde a prefeitura do Rio está realizando o projeto Porto Maravilha, de revitalização da Zona Portuária da cidade. Serão abertas 1.200 vagas.
A outra unidade é o Canteiro Escola da Indústria da Construção Civil, que será inaugurada em maio na Zona Oeste do Rio e terá mais 1.000 vagas.
Vagas de escola técnica são sorteadas
A Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), vinculada à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (SECT), ofereceu 3.461 vagas na área de construção civil em 2011. A procura é grande e o acesso é por meio de sorteio público no site da fundação.
O rendimento dos trabalhadores da construção civil também cresceu
Em novembro de 2011, a remuneração mensal média no setor foi 3,4% maior do que no mesmo mês de 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O menor salário, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-Rio), é o de servente e contínuo, R$ 869. Mestre de obra começa ganhando R$ 2.745,80, semelhante a muitas carreiras que exigem curso superior.
Ainda assim, há quem prefira continuar trabalhando como autônomo.
“Já tive carteira assinada como eletricista, mas acho que o rendimento por conta própria é maior”, diz o autônomo Valdemir Gonçalves Pires, 52. “Achei que cobrava um preço razoável pelos serviços, mas outro dia vi uma tabela publicada num jornal com os valores atuais e me dei conta de que ainda estava baixo.”
por master | 13/01/12 | Ultimas Notícias
A taxa de desemprego urbano na América Latina e no Caribe caiu para 6,8% em 2011, a mais baixa desde 1990, enquanto a taxa de ocupação subiu para 55,7%, de acordo com os dados do Panorama Laboral 2011 divulgados nesta quinta-feira (12).
A diretora do Escritório Regional da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para a América Latina e o Caribe, Elizabeth Tinoco, afirmou que a região “respondeu de maneira positiva à crise econômica que começou em 2009”.
Neste sentido, acrescentou que a alta nas economias da América Latina em 2011 “demonstrou que é possível avançar no processo de crescimento econômico com a recuperação do emprego”.
Tinoco acrescentou que o desemprego rompeu a barreira de 7%, que mantinha até 2010, e desceu para 6,8%, “um número muito significativo e muito baixo em comparação com outras regiões do mundo”.
Segundo os números do Panorama Laboral 2011, o crescimento econômico na América Latina e no Caribe, com média de 4,5%, gerou cerca de 5,7 milhões de empregos, enquanto o desemprego afeta 15,4 milhões de pessoas.
Os países em que a taxa de desemprego, urbano em nível nacional, foi menor que a regional são Panamá com 5,4%, República Dominicana com 5,6% e Brasil com 6,2%.
Por outro lado, o desemprego afeta 12,6% da população da Jamaica, 11,8% dos colombianos e 8,6% dos venezuelanos.
Tinoco alertou que “o grande desafio da região é atender as preocupações e necessidades da população juvenil que é excluída do mercado de trabalho”, tendo em vista a taxa de 14,9% de desemprego juvenil, que representa sete milhões de jovens latino-americanos.
Em relação às projeções para 2012, o relatório da OIT projetou que o desemprego urbano se manterá perto de 6,8% e que o número de desempregados continuará em torno de 15,7 milhões de pessoas.
por master | 13/01/12 | Ultimas Notícias
A taxa de desemprego urbano na América Latina e no Caribe caiu para 6,8% em 2011, a mais baixa desde 1990, enquanto a taxa de ocupação subiu para 55,7%, de acordo com os dados do Panorama Laboral 2011 divulgados nesta quinta-feira (12).
A diretora do Escritório Regional da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para a América Latina e o Caribe, Elizabeth Tinoco, afirmou que a região “respondeu de maneira positiva à crise econômica que começou em 2009”.
Neste sentido, acrescentou que a alta nas economias da América Latina em 2011 “demonstrou que é possível avançar no processo de crescimento econômico com a recuperação do emprego”.
Tinoco acrescentou que o desemprego rompeu a barreira de 7%, que mantinha até 2010, e desceu para 6,8%, “um número muito significativo e muito baixo em comparação com outras regiões do mundo”.
Segundo os números do Panorama Laboral 2011, o crescimento econômico na América Latina e no Caribe, com média de 4,5%, gerou cerca de 5,7 milhões de empregos, enquanto o desemprego afeta 15,4 milhões de pessoas.
Os países em que a taxa de desemprego, urbano em nível nacional, foi menor que a regional são Panamá com 5,4%, República Dominicana com 5,6% e Brasil com 6,2%.
Por outro lado, o desemprego afeta 12,6% da população da Jamaica, 11,8% dos colombianos e 8,6% dos venezuelanos.
Tinoco alertou que “o grande desafio da região é atender as preocupações e necessidades da população juvenil que é excluída do mercado de trabalho”, tendo em vista a taxa de 14,9% de desemprego juvenil, que representa sete milhões de jovens latino-americanos.
Em relação às projeções para 2012, o relatório da OIT projetou que o desemprego urbano se manterá perto de 6,8% e que o número de desempregados continuará em torno de 15,7 milhões de pessoas.
por master | 13/01/12 | Ultimas Notícias
A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) está decidida a elevar os esforços para tentar promover mudanças na proposta de regulamentação de terceirização de mão de obra que tramita no Congresso. O diagnóstico da entidade em relação ao texto costurado na Câmara dos Deputados é claro: haverá um incentivo direto à terceirização do trabalho, os trabalhadores terão mais dificuldades para obter seus direitos na Justiça e menor poder de barganha nas negociações com seus patrões.
No ano passado, representantes da Anamatra participaram de reuniões com técnicos dos ministérios do Trabalho e da Justiça e também com parlamentares para tratar do assunto. Até agora, no entanto, não obtiveram sucesso.
Tramitação
A Anamatra, entretanto, não terá vida fácil. Além do lobby do empresariado em favor do projeto, o movimento sindical se dividiu. O relator é vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), mas a Central Única dos Trabalhadores e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), por exemplo, criticam alguns pontos do seu parecer.
Outro fator pode dificultar a ação dos juízes do Trabalho: o governo, que tem uma base parlamentar formada tanto por representantes dos trabalhadores como dos empresários, evita anunciar uma posição clara sobre o assunto e colocar seu peso político para influenciar a tramitação da proposta.
Reforma trabalhista precarizante
Na avaliação de Schmidt, ao não estabelecer regras claras para proibir a terceirização dos trabalhadores responsáveis pela execução de atividades fins das empresas, o projeto de lei gerará um cenário em que o Brasil poderá ter diversas empresas sem empregados. Ao admitir a subcontratação, acrescentou o vice-presidente da Anamatra, a proposta também poderá acabar permitindo a “quarteirização e a quinteirização”.
“A responsabilidade pela mão de obra vai se diluindo para, ao fim e ao cabo, não haver responsabilidade nenhuma”, alertou o dirigente da Anamatra, lembrando que a maioria dos processos judiciais que os trabalhadores vencem mas não conseguem executar a sentença é movida por trabalhadores terceirizados. “Para o juiz do Trabalho, o direito do trabalho é menos efetivo na terceirização. Não é uma questão ideológica, é uma questão prática.”
Responsabilidade subsidiária x solidária
Quando há responsabilidade subsidiária, o terceirizado só pode cobrar direitos trabalhistas da empresa contratante depois que forem esgotadas as possibilidades de cobrá-los da empresa contratada. Já a responsabilidade solidária determina que a tomadora e a prestadora do serviço se responsabilizem pelas obrigações trabalhistas e previdenciárias.
Paulo Schmidt também criticou a forma como o projeto de lei em tramitação define a responsabilidade das empresas contratantes pelos trabalhadores terceirizados. O parecer em discussão na Câmara estabelece que inicialmente a responsabilidade seja subsidiária. Mas, se a empresa contratante não se certificar que a sua contratada está assegurando os direitos dos trabalhadores terceirizados, passará a ter responsabilidade solidária.
“O projeto vai acabar produzindo no Brasil uma reforma trabalhista precarizante e vai comprometer o futuro do Brasil”, afirmou o vice-presidente da Anamatra, Paulo Schmidt, segundo quem já há 11 milhões de trabalhadores terceirizados entre os 43 milhões de empregados formais no país. “A aprovação desse projeto significa uma reforma trabalhista jamais pensada pelo mais radical dos liberais.”
O projeto é relatado pelo deputado Roberto Santiago (PSD-SP), e pode ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e pelo plenário da Câmara no primeiro semestre. Se aprovado, o texto será ainda enviado ao Senado e terá de receber o crivo da presidente Dilma Rousseff.