por master | 17/11/11 | Ultimas Notícias
Partido busca substituto para não perder o controle da pasta para o PT
Planalto avisa que ministro do Trabalho não poderá continuar no cargo se ficar sem apoio do seu partido
ANDRÉIA SADI
CATIA SEABRA
VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA
O PDT abandonou ontem a defesa do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e se mobilizou para evitar que o controle da pasta seja transferido para o PT na reforma ministerial prevista para o ano que vem.
Líderes do PDT concluíram que é melhor entregar a cabeça do ministro agora do que lutar para mantê-lo no cargo e depois perder o ministério na reforma planejada pela presidente Dilma Rousseff.
Acusado de cometer irregularidades em convênios com ONGs, Lupi voltará a se explicar hoje em público, durante audiência convocada pelo Senado, e numa reunião da executiva do seu partido.
Na avaliação do Palácio do Planalto, o ministro ficará sem condições de permanecer no cargo se perder o apoio do seu partido.
Os líderes do PDT sabem que Dilma estuda a possibilidade de tirar do partido o controle do Ministério do Trabalho na reforma que planeja fazer no primeiro escalão.
Mas eles acreditam que poderão evitar isso se Lupi sair agora e o partido indicar outro nome para a vaga, forçando a presidente a nomear para o posto um ministro que será poupado depois.
TÁTICA DO PC DO B
A estratégia seria repetir o que ocorreu no Ministério do Esporte. Dilma estava decidida a retirar a pasta do PC do B, mas ao trocar Orlando Silva por Aldo Rebelo indicou que o atual ministro irá sobreviver à reforma.
Segundo a Folha apurou, Dilma prefere que Lupi resista. “Ela disse: ‘Se você quer ficar, não vou falar de demissão contigo'”, contou o deputado Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força, ao reproduzir relato do ministro.
Paulinho disse a Lupi que ele está perdendo apoio na bancada por causa das dificuldades que tem encontrado para explicar sua viagem num avião com o empresário Adair Meira, dono de uma ONG que tem convênios com o Ministério do Trabalho.
O presidente em exercício do PDT, deputado André Figueiredo (CE), passou a defender a saída de Lupi. “Como amigo, preferia que ele saísse”, disse. “Mas isso é uma decisão que o PDT vai tomar de forma institucional”.
Ontem, Lupi se reuniu com a presidente logo cedo para discutir sua situação. Logo após o encontro, o ministro chamou Figueiredo e Paulinho para uma conversa.
TENSÃO
O clima do encontro ficou tenso quando Figueiredo recomendou a Lupi que se afastasse do cargo, mas ele rejeitou a proposta. A discussão foi contornada com a chegada de Paulinho ao gabinete do ministro. “O André quer que eu saia e diz que é para o meu bem”, relatou Lupi mais tarde a aliados.
Dois integrantes da bancada do PDT que haviam defendido enfaticamente o ministro ontem mudaram de tom. “Ele está morrendo pela boca”, disse Félix Mendonça (BA). “Se tem documentos, que apresente. Se não tem, deslizou”, afirmou Paulo Rubem Santiago (PE).
Lupi disse numa audiência na Câmara dos Deputados na semana passada que não conhecia Meira e atribuiu ao PDT a responsabilidade pelo voo, mas nos últimos dias a divulgação de imagens que mostram o ministro descendo do avião e na companhia de Meira lançaram novas dúvidas sobre ele.
por master | 17/11/11 | Ultimas Notícias
Partido busca substituto para não perder o controle da pasta para o PT
Planalto avisa que ministro do Trabalho não poderá continuar no cargo se ficar sem apoio do seu partido
ANDRÉIA SADI
CATIA SEABRA
VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA
O PDT abandonou ontem a defesa do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e se mobilizou para evitar que o controle da pasta seja transferido para o PT na reforma ministerial prevista para o ano que vem.
Líderes do PDT concluíram que é melhor entregar a cabeça do ministro agora do que lutar para mantê-lo no cargo e depois perder o ministério na reforma planejada pela presidente Dilma Rousseff.
Acusado de cometer irregularidades em convênios com ONGs, Lupi voltará a se explicar hoje em público, durante audiência convocada pelo Senado, e numa reunião da executiva do seu partido.
Na avaliação do Palácio do Planalto, o ministro ficará sem condições de permanecer no cargo se perder o apoio do seu partido.
Os líderes do PDT sabem que Dilma estuda a possibilidade de tirar do partido o controle do Ministério do Trabalho na reforma que planeja fazer no primeiro escalão.
Mas eles acreditam que poderão evitar isso se Lupi sair agora e o partido indicar outro nome para a vaga, forçando a presidente a nomear para o posto um ministro que será poupado depois.
TÁTICA DO PC DO B
A estratégia seria repetir o que ocorreu no Ministério do Esporte. Dilma estava decidida a retirar a pasta do PC do B, mas ao trocar Orlando Silva por Aldo Rebelo indicou que o atual ministro irá sobreviver à reforma.
Segundo a Folha apurou, Dilma prefere que Lupi resista. “Ela disse: ‘Se você quer ficar, não vou falar de demissão contigo'”, contou o deputado Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força, ao reproduzir relato do ministro.
Paulinho disse a Lupi que ele está perdendo apoio na bancada por causa das dificuldades que tem encontrado para explicar sua viagem num avião com o empresário Adair Meira, dono de uma ONG que tem convênios com o Ministério do Trabalho.
O presidente em exercício do PDT, deputado André Figueiredo (CE), passou a defender a saída de Lupi. “Como amigo, preferia que ele saísse”, disse. “Mas isso é uma decisão que o PDT vai tomar de forma institucional”.
Ontem, Lupi se reuniu com a presidente logo cedo para discutir sua situação. Logo após o encontro, o ministro chamou Figueiredo e Paulinho para uma conversa.
TENSÃO
O clima do encontro ficou tenso quando Figueiredo recomendou a Lupi que se afastasse do cargo, mas ele rejeitou a proposta. A discussão foi contornada com a chegada de Paulinho ao gabinete do ministro. “O André quer que eu saia e diz que é para o meu bem”, relatou Lupi mais tarde a aliados.
Dois integrantes da bancada do PDT que haviam defendido enfaticamente o ministro ontem mudaram de tom. “Ele está morrendo pela boca”, disse Félix Mendonça (BA). “Se tem documentos, que apresente. Se não tem, deslizou”, afirmou Paulo Rubem Santiago (PE).
Lupi disse numa audiência na Câmara dos Deputados na semana passada que não conhecia Meira e atribuiu ao PDT a responsabilidade pelo voo, mas nos últimos dias a divulgação de imagens que mostram o ministro descendo do avião e na companhia de Meira lançaram novas dúvidas sobre ele.
por master | 17/11/11 | Ultimas Notícias
trabalho
As assembleias que iriam definir se os trabalhadores da Petrobras paralisariam as atividades foram suspensas no Paraná ontem. Segundo o Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro PR/SC), a empresa estaria coagindo funcionários no estado para que eles não participassem das mobilizações e da greve. No Paraná, as assembleias ocorreriam entre hoje e amanhã, organizadas pelo Sindipetro PR/SC. Os sindicatos que compõem a base da Federação Única dos Petroleiros (FUP) têm até segunda-feira para aprovar ou rejeitar a contraproposta da Petrobras, pois na terça-feira está marcada a reunião que vai decidir se os trabalhadores entrarão em greve por tempo indeterminado.
O Sindipetro PR/SC suspendeu as assembleias, alegando, entre outras razões, que a “decisão é motivada pela truculência da Petrobrás ao realizar vistorias ofensivas nos ônibus de turno na Repar [Refinaria Getulio Vargas, em Araucária]; ao impedir o acesso dos dirigentes sindicais das bases do Paraná e Santa Catarina às unidades e às reuniões das Cipas; ao assediar trabalhadores para que não participem das mobilizações e da greve”.
A orientação da FUP é que os sindicatos rejeitem a proposta, porque ela não apresenta, segundo a entidade, avanços concretos na área de segurança de trabalho. “Nós pedimos a participação do sindicato na análise dos acidentes, porque acreditamos que há muitas subnotificações”, salienta o presidente do Sindipetro PR/SC, Silvaney Bernardi. Em 2011, de acordo com Bernardi, 16 trabalhadores morreram em acidentes de trabalho na Petrobras em todo o país – no Paraná não foi registrada nenhuma morte.
A Petrobras havia oferecido um aumento salarial de 7,23% (com base na inflação), mas os trabalhadores reivindicavam 10% de ganho real. A última proposta da empresa, que está sendo avaliada pelos sindicatos, oferece aumento de 10,71% (com a soma da inflação e ganho real), abono de 100% de remuneração bruta ou o piso de R$ 6 mil. Em nota, a Petrobras não comentou as denúncias dos petroleiros, afirmou que “as mobilizações das entidades sindicais não afetam nem a produção nem as operações da empresa” e disse aguardar uma “manifestação favorável” dos empregados em relação à proposta feita.
por master | 17/11/11 | Ultimas Notícias
trabalho
As assembleias que iriam definir se os trabalhadores da Petrobras paralisariam as atividades foram suspensas no Paraná ontem. Segundo o Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro PR/SC), a empresa estaria coagindo funcionários no estado para que eles não participassem das mobilizações e da greve. No Paraná, as assembleias ocorreriam entre hoje e amanhã, organizadas pelo Sindipetro PR/SC. Os sindicatos que compõem a base da Federação Única dos Petroleiros (FUP) têm até segunda-feira para aprovar ou rejeitar a contraproposta da Petrobras, pois na terça-feira está marcada a reunião que vai decidir se os trabalhadores entrarão em greve por tempo indeterminado.
O Sindipetro PR/SC suspendeu as assembleias, alegando, entre outras razões, que a “decisão é motivada pela truculência da Petrobrás ao realizar vistorias ofensivas nos ônibus de turno na Repar [Refinaria Getulio Vargas, em Araucária]; ao impedir o acesso dos dirigentes sindicais das bases do Paraná e Santa Catarina às unidades e às reuniões das Cipas; ao assediar trabalhadores para que não participem das mobilizações e da greve”.
A orientação da FUP é que os sindicatos rejeitem a proposta, porque ela não apresenta, segundo a entidade, avanços concretos na área de segurança de trabalho. “Nós pedimos a participação do sindicato na análise dos acidentes, porque acreditamos que há muitas subnotificações”, salienta o presidente do Sindipetro PR/SC, Silvaney Bernardi. Em 2011, de acordo com Bernardi, 16 trabalhadores morreram em acidentes de trabalho na Petrobras em todo o país – no Paraná não foi registrada nenhuma morte.
A Petrobras havia oferecido um aumento salarial de 7,23% (com base na inflação), mas os trabalhadores reivindicavam 10% de ganho real. A última proposta da empresa, que está sendo avaliada pelos sindicatos, oferece aumento de 10,71% (com a soma da inflação e ganho real), abono de 100% de remuneração bruta ou o piso de R$ 6 mil. Em nota, a Petrobras não comentou as denúncias dos petroleiros, afirmou que “as mobilizações das entidades sindicais não afetam nem a produção nem as operações da empresa” e disse aguardar uma “manifestação favorável” dos empregados em relação à proposta feita.
por master | 17/11/11 | Ultimas Notícias
População
Taxa de fecundidade no país caiu quase 22% em um década. Maior acesso da mulher ao mercado de trabalho é uma das explicações.
As brasileiras estão tendo menos filhos e engravidando cada vez mais tarde, segundo os novos dados do Censo 2010 divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de fecundidade no país caiu 21,9% na última década. Em 2000, a média de filhos por mulher era de 2,38. No ano passado, baixou para 1,86. A idade da primeira gestação também teve alteração. Há dez anos, metade das gestantes engravidava antes dos 24 anos e, em 2010, esse porcentual caiu para 45%.
O número de mulheres que tiveram o primeiro filho após os 30 anos passou de 27,5% para 31,3%, um aumento de 14%.
As regiões Norte e Nordeste foram as que mais tiveram redução da fecundidade, com quedas de 23,5% e 25,2%, respectivamente. Apesar disso, o Sudeste ainda é a região que tem a menor taxa, com média de 1,66 filho por mulher, enquanto no Norte a média é de 2,42 – a maior do país. No ranking dos estados, o “campeão” é o Acre, com 2,77, e o Rio de Janeiro aparece em último lugar, com 1,62. No Paraná, a média é de 1,88 – uma queda de 19% nos últimos dez anos.
Outra mudança nos arranjos familiares apontada pelo IBGE é o aumento de uniões consensuais. Enquanto o número de casamentos religiosos e civis teve uma redução de 13%, o número de casais “informais” aumentou quase 30%. Passou de 28,6% em 2000 para 36,4% em 2010.
Planejamento
A principal explicação para a diminuição do número de filhos entre as mulheres brasileiras é a ampliação do planejamento familiar. Professor de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Tony Moreira Sampaio explica que a tendência de queda vem sendo observada nas últimas décadas e ocorre também em outros países em desenvolvimento.
Com mais acesso à educação e progressiva participação no mercado de trabalho, as brasileiras estão planejando o tempo certo para a gravidez e o número de filhos. Apesar de haver propensão à queda em todas as classes sociais, ainda há diferenças entre mulheres pobres e ricas. Sampaio argumenta que o controle populacional ocorreu de forma gradual no país, mas não teve a influência direta do Estado, como na China, por exemplo, onde o governo impôs taxas para pais que têm mais de um filho.
Segundo o professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Alberto Ramos afirma que o Brasil vai precisar se preparar para estas mudanças populacionais. “Neste momento o país vive o ‘bônus’ porque há crescimento da população economicamente ativa e haverá menos demanda em setores como educação”, explica. “Mas no futuro existirão outros desafios, como maiores investimentos em saúde e previdência.” Ramos lembra que já há países na Europa com dificuldades de “repor” a população em função das baixas taxas de fecundidade.
O aumento de renda e escolaridade também tem impacto direto no número de filhos, fator também relacionado ao mercado de trabalho e a questões culturais. “Se antes o projeto de vida das mulheres era casar e ter filhos, hoje há novas configurações”, diz a socióloga e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Samira Kauchakje. Ela afirma que há uma mudança em vigor desde os anos 50 em todo o mundo, que repercute inclusive na forma de união com o parceiro.
Desigualdade social cai, mas ainda é alta
O índice de Gini – medida usada para quantificar a desigualdade de renda – no Brasil é de 0,53, o que coloca o país entre os dez mais “desproporcionais”. Na Noruega, o índice é de apenas 0,25 e não existem grandes discrepâncias de ganhos entre ricos e “pobres”. Os 10% dos brasileiros mais ricos concentram 44% de todo o rendimento do país, enquanto os 10% mais pobres ficam com apenas 1,1%. As diferenças de renda ocorrem também entre grupos populacionais. Homens ganham em média R$ 1.457 por mês e mulheres R$ 1.021. Os brancos têm rendimento médio de R$ 1.400 e pardos de R$ 853.
Presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Paraná (Ibef-PR), Luiz Antonio Giacomassi Cavet explica que a diminuição da desigualdade não está apenas relacionada ao aumento da renda e oportunidades de trabalho. “Há diferenças significativas no acesso à saúde e à educação. Igualar a renda significa também igualar a qualidade de vida”, diz.

Mesmo com a retirada de 28 milhões de pessoas da pobreza na última década, o Brasil ainda é um dos campeões do mundo em desigualdade. Os mais ricos do país têm renda 39 vezes maior que os mais pobres. Em nações desenvolvidas essa diferença fica abaixo de dez.
por master | 17/11/11 | Ultimas Notícias
População
Taxa de fecundidade no país caiu quase 22% em um década. Maior acesso da mulher ao mercado de trabalho é uma das explicações.
As brasileiras estão tendo menos filhos e engravidando cada vez mais tarde, segundo os novos dados do Censo 2010 divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de fecundidade no país caiu 21,9% na última década. Em 2000, a média de filhos por mulher era de 2,38. No ano passado, baixou para 1,86. A idade da primeira gestação também teve alteração. Há dez anos, metade das gestantes engravidava antes dos 24 anos e, em 2010, esse porcentual caiu para 45%.
O número de mulheres que tiveram o primeiro filho após os 30 anos passou de 27,5% para 31,3%, um aumento de 14%.
As regiões Norte e Nordeste foram as que mais tiveram redução da fecundidade, com quedas de 23,5% e 25,2%, respectivamente. Apesar disso, o Sudeste ainda é a região que tem a menor taxa, com média de 1,66 filho por mulher, enquanto no Norte a média é de 2,42 – a maior do país. No ranking dos estados, o “campeão” é o Acre, com 2,77, e o Rio de Janeiro aparece em último lugar, com 1,62. No Paraná, a média é de 1,88 – uma queda de 19% nos últimos dez anos.
Outra mudança nos arranjos familiares apontada pelo IBGE é o aumento de uniões consensuais. Enquanto o número de casamentos religiosos e civis teve uma redução de 13%, o número de casais “informais” aumentou quase 30%. Passou de 28,6% em 2000 para 36,4% em 2010.
Planejamento
A principal explicação para a diminuição do número de filhos entre as mulheres brasileiras é a ampliação do planejamento familiar. Professor de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Tony Moreira Sampaio explica que a tendência de queda vem sendo observada nas últimas décadas e ocorre também em outros países em desenvolvimento.
Com mais acesso à educação e progressiva participação no mercado de trabalho, as brasileiras estão planejando o tempo certo para a gravidez e o número de filhos. Apesar de haver propensão à queda em todas as classes sociais, ainda há diferenças entre mulheres pobres e ricas. Sampaio argumenta que o controle populacional ocorreu de forma gradual no país, mas não teve a influência direta do Estado, como na China, por exemplo, onde o governo impôs taxas para pais que têm mais de um filho.
Segundo o professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Alberto Ramos afirma que o Brasil vai precisar se preparar para estas mudanças populacionais. “Neste momento o país vive o ‘bônus’ porque há crescimento da população economicamente ativa e haverá menos demanda em setores como educação”, explica. “Mas no futuro existirão outros desafios, como maiores investimentos em saúde e previdência.” Ramos lembra que já há países na Europa com dificuldades de “repor” a população em função das baixas taxas de fecundidade.
O aumento de renda e escolaridade também tem impacto direto no número de filhos, fator também relacionado ao mercado de trabalho e a questões culturais. “Se antes o projeto de vida das mulheres era casar e ter filhos, hoje há novas configurações”, diz a socióloga e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Samira Kauchakje. Ela afirma que há uma mudança em vigor desde os anos 50 em todo o mundo, que repercute inclusive na forma de união com o parceiro.
Desigualdade social cai, mas ainda é alta
O índice de Gini – medida usada para quantificar a desigualdade de renda – no Brasil é de 0,53, o que coloca o país entre os dez mais “desproporcionais”. Na Noruega, o índice é de apenas 0,25 e não existem grandes discrepâncias de ganhos entre ricos e “pobres”. Os 10% dos brasileiros mais ricos concentram 44% de todo o rendimento do país, enquanto os 10% mais pobres ficam com apenas 1,1%. As diferenças de renda ocorrem também entre grupos populacionais. Homens ganham em média R$ 1.457 por mês e mulheres R$ 1.021. Os brancos têm rendimento médio de R$ 1.400 e pardos de R$ 853.
Presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Paraná (Ibef-PR), Luiz Antonio Giacomassi Cavet explica que a diminuição da desigualdade não está apenas relacionada ao aumento da renda e oportunidades de trabalho. “Há diferenças significativas no acesso à saúde e à educação. Igualar a renda significa também igualar a qualidade de vida”, diz.

Mesmo com a retirada de 28 milhões de pessoas da pobreza na última década, o Brasil ainda é um dos campeões do mundo em desigualdade. Os mais ricos do país têm renda 39 vezes maior que os mais pobres. Em nações desenvolvidas essa diferença fica abaixo de dez.