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Salário mínimo, tabela do IR, Bolsa Família e medidas de arrecadação: veja destaques da proposta de Orçamento para 2024

Salário mínimo, tabela do IR, Bolsa Família e medidas de arrecadação: veja destaques da proposta de Orçamento para 2024

Texto foi entregue nesta quinta-feira (31) ao Congresso Nacional, último dia do prazo legal. Documento trata de vários temas importantes, como reajuste de servidores, déficit zero e receitas para buscá-lo, entre outros.

Por Alexandro Martello, Lais Carregosa, Ana Paula Castro, g1 e TV Globo — Brasília

A equipe econômica do governo federal apresentou nesta quinta-feira (31) ao Congresso Nacional a proposta de orçamento para o ano de 2024, a primeira sob as regras do arcabouço fiscal – a nova norma para as contas públicas.

O texto trata de vários temas importantes para a sociedade, como o valor do salário mínimo, reajuste para servidores públicos e para o Bolsa Família (veja detalhes abaixo).

O projeto de lei também confirmou o objetivo da equipe econômica de zerar o déficit no próximo ano e trouxe medidas de arrecadação para tentar alcançá-lo.

A votação do Orçamento do ano seguinte é requisito para o encerramento do ano parlamentar. Com a aprovação, deputados e senadores poderão iniciar o recesso de fim de ano.

Se não for aprovado até dezembro, o governo tem de executar 1/12 do orçamento anual previsto a cada mês. A gestão do orçamento global só pode ser liberada após a sanção do texto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Veja os principais pontos

A proposta considera a nova política permanente de valorização do salário mínimo do governo do presidente Lula, já aprovada pelo Congresso Nacional, com aumento acima da inflação. O valor proposto ainda é provisório. O salário mínimo serve de referência para 54 milhões de pessoas.

O déficit zero buscado pelo governo depende de medidas para aumentar a arrecadação, no valor de R$ 168 bilhões, para tentar atingir o “equilíbrio” nas contas públicas, ou seja, sem resultado negativo nem positivo no próximo ano.

Entre as medidas previstas, estão a tributação de “offshores” no exterior e de fundo exclusivos, anunciadas nos últimos dias. A lista completa de ações para incrementar a arrecadação também conta com iniciativas anunciadas anteriormente, como a retomada do voto de qualidade no Carf.

A área econômica argumentou que, embora legítimo, o pedido de servidores por um reajuste salarial seria “imprudente” diante do cenário “restritivo” para gastos públicos em 2024.

No caso do Bolsa Família, o Ministério do Planejamento informou que a ausência de reajuste no próximo ano não significa que o programa deixou de ser prioridade.

Durante a campanha ao Planalto, em 2022, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu isentar do tributo pessoas que ganham até R$ 5 mil por mês.

Questionado sobre a correção, o secretário de Orçamento Federal, Paulo Bijos, disse que a medida “fica para depois, no momento adequado”.

Neste ano, a faixa de isenção subiu de R$ 1.903,98 para até R$ 2.112. Também ficou estabelecido que, quem ganha até R$ 2.640 por mês, o equivalente a dois salários mínimos, não pagaria mais Imposto de Renda. Para possibilitar isso, o governo deu um desconto automático de R$ 528.

▶️ 5) O texto da lei orçamentária também prevê destinar R$ 69,7 bilhões de recursos públicos para investimentos no ano que vem. Isso representa alta em relação aos R$ 22,6 bilhões propostos para este ano (valor que foi elevado posteriormente pela gestão petista).

O dinheiro será alocado, por exemplo, em obras de infraestrutura previstas no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado neste mês pelo governo. O PAC também traz previsão de investimentos de estatais e do setor privado.

A elevação do valor destinado a investimentos obedece a um dispositivo do novo arcabouço fiscal, que estabeleceu um piso para investimentos de ao menos 0,6% do PIB em 2024, o equivalente a R$ 68,5 bilhões.

▶️ 6) O projeto de orçamento também prevê R$ 37,6 bilhões para emendas parlamentares, valor semelhante ao proposto para o ano de 2023.

Emendas parlamentares são recursos do Orçamento que deputados e senadores podem determinar onde serão aplicados.

O governo controla o ritmo de liberação das emendas e, em geral, tende a autorizar o seu pagamento em momentos em que precisa fortalecer o apoio no Congresso Nacional.

▶️ 7) O governo estimou, na proposta de orçamento, que o crescimento da economia brasileira será de 2,3% em 2024, e que a taxa básica de juros chegará a 9,8% ao ano.

Os números estão acima das expectativas do mercado financeiro para o próximo ano. Até o fim de 2024, segundo o último relatório Focus do Banco Central, os analistas estimam:

  • que a taxa básica de juros, a Selic, será reduzida a 9% — 0,8 ponto percentual a menos do que o projetado pelo governo;
  • e que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil crescerá 1,33% — 1 ponto percentual a menos do que o projetado pelo governo.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/09/02/salario-minimo-tabela-do-ir-bolsa-familia-e-medidas-de-arrecadacao-veja-destaques-da-proposta-de-orcamento-para-2024.ghtml

Salário mínimo, tabela do IR, Bolsa Família e medidas de arrecadação: veja destaques da proposta de Orçamento para 2024

Após PIB do 2º trimestre, mercado eleva estimativa de expansão da economia para 2,56% em 2023

Estimativa de inflação para este ano do mercado sobe para 4,92% e ainda supera teto da meta definido pelo governo para 2023. Números foram divulgados nesta segunda-feira (4) pelo Banco Central.

Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Após o anúncio de que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre deste ano teve alta de 0,9%bem acima das expectativas, o mercado financeiro elevou a previsão de expansão da economia neste ano de 2,31% para 2,56%.

A informação consta no relatório “Focus”, divulgado nesta segunda-feira (4) pelo Banco Central. O levantamento ouviu mais de 100 instituições financeiras, na semana passada, sobre as projeções para a economia.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. O indicador serve para medir a evolução da economia.

Já para 2024, a previsão de crescimento da economia do mercado financeiro recuou de 1,33% para 1,32%.

Inflação

No caso da estimativa de inflação para 2023, os analistas do mercado financeiro elevaram a projeção de 4,90% para 4,92% na última semana.

  • A estimativa dos analistas para a inflação de 2023 se distanciou na última semana do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
  • A meta central de inflação é de 3,25% neste ano, e será considerada formalmente cumprida se o índice oscilar entre 1,75% e 4,75% neste ano.

De acordo com a pesquisa do BC, o mercado financeiro elevou de 3,87% para 3,88% sua estimativa para a inflação do próximo ano.

Para 2024, a meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.

Para definir a taxa básica de juros e tentar conter a alta dos preços, o BC já está mirando, neste momento, na meta do ano que vem e no objetivo, em 12 meses, para o início de 2025.

Se a projeção do mercado financeiro se confirmar, este será o terceiro ano seguido de estouro da meta de inflação, ou seja, no qual o IPCA fica acima do teto fixado pelo governo. Em 2022, a inflação somou 5,79%.

Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente das que recebem salários menores. Isso, porque os preços dos produtos aumentam, sem que o salário acompanhe esse crescimento.

Taxa de juros

Os economistas do mercado financeiro mantiveram as estimativas para a taxa básica de juros da economia brasileira para o final deste ano e de 2024.

  • Para o fim de 2023, o mercado financeiro manteve a projeção para a taxa Selic em 11,75% ao ano.
  • Para o fechamento de 2024, a projeção do mercado para o juro básico da economia seguiu 9% ao ano.

Outras estimativas

Veja abaixo outras estimativas do mercado financeiro, segundo o BC:

  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio para o fim de 2023 permaneceu em R$ 4,98. Para o fim de 2024, ficou estável em R$ 5.
  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção subiu de US$ 70,9 bilhões para US$ 72,4 bilhões de superávit em 2023. Para 2024, a expectativa para o saldo positivo permaneceu em US$ 60 bilhões.
  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano continuou em US$ 80 bilhões de ingresso. Para 2024, a estimativa de ingresso ficou estável também em US$ 80 bilhões.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/09/04/apos-pib-do-2o-trimestre-mercado-eleva-estimativa-de-expansao-da-economia-para-256percent-em-2023.ghtml

Salário mínimo, tabela do IR, Bolsa Família e medidas de arrecadação: veja destaques da proposta de Orçamento para 2024

Brasil pode voltar ao grupo das 10 maiores economias do mundo em 2023, aponta Austin Rating

País teve crescimento de 0,9% no 2º trimestre; estimativa do FMI é de um avanço de 2,1% neste ano.

Por Isabela Bolzani, g1

O Brasil pode voltar a fazer parte do grupo das 10 maiores economias do mundo já em 2023, aponta um levantamento da Austin Rating, com base nas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Nesta sexta-feira (1º), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,9% entre abril e junho deste ano, no oitavo resultado positivo consecutivo do indicador em bases trimestrais.

As projeções do Fundo divulgadas em julho apontam para um crescimento de 2,1% da economia brasileira neste ano, e ainda não levam em conta o resultado do 2º trimestre divulgado pelo IBGE. O mercado financeiro esperava um crescimento menor do que o apurado, de apenas 0,3% em relação ao trimestre anterior.

Segundo o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, caso não haja grandes movimentações no cenário econômico internacional, e o Brasil mantenha o atual ritmo de crescimento da atividade, as chances de o País voltar para a lista das 10 maiores economias do mundo são grandes.

“O Brasil precisa continuar fazendo a lição de casa. Aprovando as medidas necessárias, como já vem acontecendo com o novo marco fiscal, [resolvendo] a questão da reforma tributária, trazendo a continuidade da queda de juros e mostrando um equilíbrio maior nas questões institucionais, para resgatar a confiança de empresários e investidores”, explica o economista.

As projeções da agência de classificação de risco são que o Brasil tenha um avanço de 2,4% do PIB neste ano — acima do que estima o FMI.

“Estamos em um caminho bastante sólido […] e, se de fato o crescimento for em um ritmo maior do que o que projetamos [de 2,4%] e o real voltar a se valorizar, o Brasil pode inclusive chegar a ocupar a 8ª colocação em 2023”, acrescenta Agostini, reiterando que a última vez que o país esteve nessa posição foi em 2017.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/09/01/brasil-pode-voltar-ao-grupo-das-10-maiores-economias-do-mundo-em-2023-aponta-austin-rating.ghtml

Salário mínimo, tabela do IR, Bolsa Família e medidas de arrecadação: veja destaques da proposta de Orçamento para 2024

Combate ao trabalho escravo doméstico exige cooperação internacional

Em entrevista ao Portal Vermelho, Virgínia Berriel expõe as chocantes condições de exploração no trabalho doméstico análogo à escravidão em São Paulo

por Cezar Xavier

Uma comitiva do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) revelou um cenário degradante e de abuso no trabalho doméstico na cidade de São Paulo, levantando a urgência de ações concretas para proteger os direitos e a dignidade das trabalhadoras, muitas delas estrangeiras. A missão vai elaborar um relatório com os diagnósticos e as recomendações a órgãos governamentais para o combate a estas práticas. As medidas devem envolver até mesmo ações coordenadas entre o Ministério da Justiça, o Ministério de Relações Exteriores e a Polícia Federal e outras entidades governamentais para combater essa prática, que beira o tráfico humano.

A conselheira Virgínia Berriel, que coordena a Comissão de Trabalho, Educação e Seguridade Social do CNDH, falou ao Portal Vermelho sobre as recomendações que devem ser feitas aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para combater a prática. Ela também apontou as especificidades desse tipo de violação, em que as mulheres não têm consciência de seus direitos.

Em uma entrevista contundente, a conselheira do governo revelou os horrores do trabalho doméstico análogo à escravidão, por meio de uma investigação detalhada conduzida em São Paulo, a conselheira participou de uma missão que colheu depoimentos de trabalhadoras domésticas que foram libertadas de situações de exploração, expondo um cenário alarmante de abusos, violência física e sexual, além de condições degradantes.

“Agora tem uma violência que eu acho que é a pior de todas. ‘Você é da minha família’. Quer dizer, eu sou da sua família, mas eu não sento à mesa com você. Eu sou da sua família, mas eu não estou no testamento, né? Então tem essa coisa de pegar a pessoa pelo sentimento dela”, critica Virgínia. Ela diz que ouviu esse relato da secretária de Relações Internacionais do próprio Sindicato das Domésticas, que é uma boliviana.

Representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no CNDH, Virgínia  descreveu a exploração emocional, onde as trabalhadoras são tratadas como parte da família, mas são excluídas dos benefícios e direitos de verdadeiros membros. Uma prática recorrente que aliena as trabalhadoras de sua consciência sobre direitos, fazendo-a acreditar na generosidade dos empregadores.

Casos dramáticos

Uma das percepções desafiadoras em relação ao tema, é a impunidade. A conselheira ouviu o caso de uma trabalhadora idosa que veio a óbito sem ter sido indenizada após ser libertada de uma residência onde passou grande parte de sua vida trabalhando em condições submissas. Virgínia também destacou que muitas trabalhadoras idosas são obrigadas a passar suas vidas em ambientes insalubres, sem condições adequadas de higiene, e enfrentam privações de comida e sono.

“Às vezes elas passam a vida inteira trabalhando numa residência, submissas, às vezes não podem comer aquela comida que o patrão come, dormem em lugares insalubres e são maltratadas, tem venezuelanas e tem filipinas nessa história”, descreveu.

A situação se agrava com a presença de imigrantes vindos de países como Venezuela e Filipinas, que, muitas vezes, têm pouca ou nenhuma formação profissional. Em alguns casos, essas trabalhadoras estrangeiras são forçadas a ensinar os filhos de seus patrões em inglês, enquanto são submetidas a condições degradantes de trabalho.

Virgínia acredita que haja agências para envio dessas pessoas para famílias ricas que solicitam. Já houve, inclusive, contatos com o consulado e dirigentes do governo das Filipinas. “Nós conseguimos que eles caçassem o direito de uma ou duas empresas que mandavam essas pessoas para o Brasil, porque tem uma espécie de uma exportação dessa mão de obra, seja para o Brasil, seja para outros países.”

A importação de empregadas filipinas se tornou possível desde um regulamento de 2012 do Ministério do Trabalho, que permite a contratação de mão de obra estrangeira por pessoas físicas, e não apenas empresas. O serviço cresceu, conforme as famílias passaram a ter dificuldade para encontrar empregadas que dormissem na residência, e surgiram agências especializadas em trazer essas mulheres inclusive para trabalhar em hotéis. Patrões dizem que as filipinas são mais submissas e disponíveis para qualquer tipo de serviço doméstico.

A conselheira enfatizou que, em alguns casos, a situação vai além de ser apenas análoga à escravidão e se configura como escravidão genuína. Os patrões exercem um controle total sobre a vida dessas trabalhadoras, incluindo abusos sexuais e violência.

Um caso emblemático mencionado na entrevista é o de uma trabalhadora doméstica que foi abandonada em uma residência pela família que a empregava. Ela foi impedida de usar o banheiro, comer adequadamente e teve seus direitos básicos negados. A família rica envolvida no caso conseguiu bloquear a mídia e manter o processo em segredo de justiça, evidenciando os desafios em trazer à tona essas situações.

“Teve julgamento hoje desse caso no TST, daquele casal da Avon que precarizou uma trabalhadora doméstica, foram embora e ela ficou abandonada no imóvel. Ela não podia comer, não podia usar o banheiro, usava uma latinha para as necessidades.” Ela se refere ao caso que envolveu a executiva da Avon, Mariah Corazza Üstündag e seu marido Dora Üstündag, que exploraram uma senhora de 61 anos, por 20 anos, numa casa em bairro nobre de São Paulo. Mariah chegou a ser presa, mas foi liberada depois de pagar fiança no valor de R$ 2.100.

Virgínia diz que ainda não sabia o resultado do julgamento, que corre em segredo de justiça, o que ela também considera uma situação preocupante. Quando questionada sobre o motivo para impedir a empregada de usar o banheiro, disse que ela nunca pediu pra ir ao banheiro. “E ela recebia comida de uma vizinha. E essa família se permite mudar e largar essa pessoa lá doente já quase a beira da morte.”

Entraves burocráticos

Diante desse cenário assustador, a entrevistada aponta para a necessidade urgente de ações abrangentes. Virgínia destacou a importância de mudanças na legislação que permitam a fiscalização das condições de trabalho nos lares, bem como a criação de abrigos para trabalhadoras que precisem sair de ambientes abusivos.

A entrevistada também abordou a problemática do acesso limitado para fiscalização das condições de trabalho no ambiente doméstico. A conselheira destacou a falta de permissão para que o sindicato das domésticas entre nas residências para verificar as condições de trabalho, o que perpetua a exploração.

“O sindicato das domésticas, ele não entra na residência de ninguém. Ele não tem como entrar, não é permitida a entrada dele para verificação das condições de trabalho. Então essa é uma reivindicação. Permissão para verificação das condições de trabalho daquela residência”. Ela diz que é preciso compreender estes domicílios protegidos contra a inviolabilidade como empresas, quando há empregados trabalhando neles.

Além disso, ela enfatizou a necessidade de campanhas de conscientização e sensibilização também foram apontadas como fundamentais para mudar a cultura que perpetua a exploração.

“Se não tiver campanhas, sejam para aquelas que vêm enganadas de outros países, em vários idiomas, nós vamos perder a mão. Gente do Ministério Público me disse que já perdeu, pois não temos mais fôlego para atacar a proporção assustadora que esse negócio chegou.”

Outra medida fundamental é a existência de abrigos preparados para acolher essas mulheres. “Que possa ter também abrigo para essas pessoas, que vêem da Bolívia ou das Filipinas e estão trabalhando e morando na casa. Se por algum motivo ela sofre uma violência e ela tem que sair, ela vai pra onde? Essa mulher vai pra onde?”

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/09/01/combate-ao-trabalho-escravo-domestico-envolve-cooperacao-internacional/

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Bolsonaro, Michelle e o silêncio dos culpados

Áudios, mensagens, fotos e até vídeos apontam para a culpa do ex-presidente

por André Cintra

A Bíblia que o casal Bolsonaro diz ler nos ensina que há o “tempo de calar” e o “tempo de falar”. Desde que o escândalo das joias sauditas explodiu, Jair e Michelle apostaram no estilo falastrão, deram várias versões (algumas contraditórias) e até fizeram piadas. “Vocês pediram tanto e falaram tanto de joias que, em breve, teremos lançamento ‘Mijoias’ para vocês”, chegou a ironizar, no sábado (26), a ex-primeira-dama.

Para azar dos Bolsonaro, o inquérito aberto na Polícia Federal para apurar o caso avançou de modo acelerado, tantas eram as provas deixadas pelos envolvidos. A minuciosa reconstituição da saga das joias – em especial a do relógio Rolex avaliado em US$ 68 mil (mais de R$ 300 mil) – foi um dos trabalhos mais primorosos realizados pela PF nos últimos tempos.

A suspeita de que Bolsonaro liderou uma “organização criminosa” para utilizar a estrutura do Estado brasileiro e desviar bens de alto valor patrimonial é cada vez mais irrefutável – há também acusações de lavagem de dinheiro, sonegação e peculato (desvio de bem público). Alguns agentes da PF já especulam que delações premiadas, a esta altura, teriam pouca serventia.

Nesta sexta-feira (30), houve o depoimento simultâneo – mas em salas separadas – de oito membros da tal “organização criminosa”. Quatro resolveram falar – o advogado Frederick Wassef, o tenente-coronel Mauro Cid (ex-ajudante de ordens de Bolsonaro), o general Mauro Lourena Cid (pai de Mauro Cid) e o tenente Osmar Crivelatti (ex-assessor da Presidência da República).

Em contrapartida, ficaram em silêncio o advogado Fabio Wajngarten (ex-secretário de Comunicação da Presidência), o coronel Marcelo Câmara (ex-assessor da Presidência) e o próprio casal Bolsonaro. Em petição à PF, a defesa de Jair e Michelle alegou que a PGR (Procuradoria-Geral da República) não reconheceu a competência no STF (Supremo Tribunal Federal) para investigar esse caso. Segundo a defesa, eles só voltarão a falar à Justiça se for “diante de um Juiz Natural competente”.

Em público, os advogados da família Bolsonaro afirmam lutar para que o caso saia do STF e vá para a primeira instância, na 6ª Vara da Justiça Federal, em Guarulhos, onde Bolsonaro já prestou depoimento neste ano. A petição indica que o ex-presidente “permanece inteiramente à disposição para prestar eventuais esclarecimentos – desde que sejam observadas as regras de competência”.

Reservadamente, a preocupação é outra. Bolsonaro e Michelle precisam ganhar tempo para reorganizar a estratégia de defesa. A profusão de depoimentos simultâneos elevou o risco de incriminação do casal, em particular do ex-presidente, e inviabilizou um acordo entre os oito depoentes para uma versão comum dos fatos. Ao Blog da Camila Bomfim (G1), Cezar Bitencourt, advogado de Mauro Cid, disse que seu cliente foi nessa direção: “O Cid assumiu tudo. Não colocou Bolsonaro em nada”.

Afora a credibilidade em baixa de Bitencourt – que já deu constantes declarações desconexas sobre Mauro Cid –, não cabe mais a hipótese de que dois ou três aliados assumam integralmente a responsabilidade pelos crimes e isentem Bolsonaro. Áudios, mensagens, fotos e até vídeos apontam para a culpa do ex-presidente. A tentativa – já executada pela defesa bolsonarista – de cravar as joias como bens pessoais, e não públicos, fracassou. Presentes recebidos em viagens oficiais só ficam com o presidente se tiverem “caráter personalíssimo” e baixo valor monetário.

Apenas parte das investigações vazou à imprensa. Apesar da recompra do Rolex, ainda há joias que deveriam estar no acervo da Presidência da República, mas permanecem desaparecidas. O silêncio dos culpados na Polícia Federal não é neutro e, pela falta de contrapontos contundentes, deixa Bolsonaro mais próximo da condenação e da prisão.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/09/01/bolsonaro-michelle-e-o-silencio-dos-culpados/

Salário mínimo, tabela do IR, Bolsa Família e medidas de arrecadação: veja destaques da proposta de Orçamento para 2024

Prestes a ter mandato cassado, Moro responderá a mais uma denúncia de caixa 2

O União Brasil informou ao TRE ter gasto R$ 625 mil com os voos fretados do então candidato, mas na prestação de contas Moro declarou ter gasto um valor menor, de R$ 425,8 mil

por Redação

O senador Sergio Moro (União-PR) enfrentará mais uma denúncia de abuso do poder econômico e o uso do caixa 2 na campanha eleitoral do ano passado. O PT vai apresentar ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), onde tramita um processo de cassação do mandato dele, uma prestação de contas irregular do ex-juiz.

O União Brasil informou ao TRE ter gasto R$ 625 mil com os voos fretados do então candidato em julho e parte de agosto, mas na prestação de contas oficial Moro declarou ter gasto um valor menor, de R US$ 425,8 mil com voos feitos entre agosto e setembro.

“Moro usou o jatinho para viajar de Curitiba aos municípios paranaenses, como Pato Branco, Toledo, Cândido Rondon e ir para São Paulo e Ourinhos (SP), tanto no período eleitoral, quanto na pré-campanha, em julho”, revelou a colunista de O Globo Malu Gaspar.

“As informações sobre os voos fretados de Moro e aliados foram apresentadas nesta quarta-feira (30) ao TRE pelo diretório paranaense do União Brasil, atual partido do senador, por qual ele foi eleito nas eleições de 2022 com 1,9 milhão de votos”, diz a jornalista.

O diretório regional do União Brasil, segundo a coluna, atendeu a uma decisão do desembargador Dartagnan Serpa Sá, relator da ação, que determinou que a legenda esclarecesse o pagamento de despesas com a candidatura de Moro ao Senado, como eventos, produção de vídeos, contratação de segurança, mídia treinamento, assessoria jurídica e aluguel de veículos.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/09/01/prestes-a-ter-mandato-cassado-moro-respondera-a-mais-uma-denuncia-de-caixa-2/