NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Dia dos Povos Indígenas: aliciamento para piores formas de trabalho é desafio do Sistema de Justiça

Dia dos Povos Indígenas: aliciamento para piores formas de trabalho é desafio do Sistema de Justiça

Reportagem aborda as complexidades do tema e as iniciativas adotadas para garantir trabalho digno aos povos originários

Trabalho, na vida de um ser humano, pode ganhar diferentes significados simbólicos, econômicos, culturais e filosóficos. No caso dos povos originários, o trabalho está relacionado à inclusão social e produtiva, mas também ao território. “É imperioso que se assegure aos 266 povos indígenas que habitam o território brasileiro o respeito ao seu modo de vida e costumes, bem como o acesso a ambientes de trabalho que garantam e promovam a diversidade social e cultural”, afirma o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Lelio Bentes Corrêa. “Neste 19 de abril, a Justiça do Trabalho reafirma seu compromisso com a garantia e a efetividade de direitos sociais aos povos indígenas, em condição de equidade com os demais cidadãos e cidadãs brasileiros, sem qualquer discriminação”.

De acordo com a subprocuradora-geral do Trabalho Edelamare Melo, autodeclarada indígena, coordenadora Nacional do Grupo de Trabalho dos Povos Originários, Comunidades Tradicionais e Periféricas do Ministério Público do Trabalho, não se pode falar em povos indígenas sem lembrar sua identidade com a terra. “Trabalhar a terra é meio de obter condições de vida digna, é preservar a natureza e o que ela propicia como meio de subsistência”, assinala. “Assimilar esses contextos é ponto de partida para compreender os complexos desafios que se impõem para que os povos originários tenham garantidos liberdade, dignidade e trabalho decente”.

Piores formas de trabalho

O problema é que são muitas as violações de direitos, diante de tamanha vulnerabilidade a que esses povos estão sujeitos. Aldeados, vivendo em áreas remotas e de difícil acesso, com pouco ou nenhum acesso à informação e a serviços públicos, ficam expostos a ameaças a direitos básicos e à própria existência. Elas vão desde o dano sobre recursos naturais causado por diferentes atividades econômicas (legais ou não) até o aliciamento para as piores formas de trabalho, segundo classificação da Organização Internacional do Trabalho.

“Muitos trabalhadores indígenas são submetidos a formas de exploração e escravização, incluindo o trabalho forçado, a servidão por dívida, a retenção de documentos, o pagamento de salários abaixo do mínimo legal, a jornada excessiva, a falta de descanso e condições de trabalho insalubres. As mulheres ainda enfrentam desafios adicionais, como a violência de gênero, o assédio e a exploração sexual”, destaca Jônatas Andrade, juiz auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Magistrado do trabalho do Tribunal Regional da 8ª Região (PA/AP), ele tem forte atuação contra o trabalho escravo e é um dos 11 magistrados brasileiros que se autodeclaram indígenas.

Segundo dados do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas, 675 indígenas foram resgatados de condições de trabalho análogas à escravidão entre 2002 e 2022. Isso representa 3% do total. Também são investigadas denúncias de aliciamento para a prática de crimes, como tráfico de drogas. No Brasil, 0,4% da população se autodeclara indígena, conforme o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Contudo, segundo a subprocuradora Edelamare, há subnotificação.

Atividades econômicas

Em cada região, diferenciam-se as atividades econômicas que submetem indígenas a condições precárias de trabalho. “No Norte, é basicamente mineração ilegal e agronegócio. No Nordeste, o cultivo da cana de açúcar, as carvoarias e o extrativismo vegetal. Há registros da migração de indígenas do Centro-Oeste para o sul para a colheita de maçã”, exemplifica Edelamare Melo.

Impactos ambientais

A degradação ambiental também interfere no grau de vulnerabilidade das comunidades. Estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) identificou que, entre 2011 e 2019, 74% das terras indígenas no Brasil ficaram mais expostas a ameaças ambientais, em relação ao período de 2001 e 2010.

O estudo, chamado “Avaliação da vulnerabilidade ambiental das Terras Indígenas da Amazônia Brasileira”, aponta como problemas a expansão do desmatamento, os incêndios, a proximidade com rodovias, a degradação florestal e o avanço da mineração e da agropecuária. Esses impactos afetam, entre outras coisas, a disponibilidade de alimento e água. “Muitas vezes, essas pessoas se submetem a uma posição degradante de trabalho por imperativo de necessidade. Trabalham em troca de comida. Discordar, por vezes, pode levá-los à morte”, alerta a subprocuradora-geral do trabalho.

Preconceito e discriminação

O juiz Jônatas Andrade observa que muitos indígenas ainda se veem obrigados a migrar para as cidades. Sem formação, ficam sujeitos a condições precárias de trabalho. “Infelizmente, os povos indígenas têm sido historicamente marginalizados e explorados, e a violação de seus direitos trabalhistas é um reflexo disso”, avalia.

Quando buscam uma trajetória que viabilize sua inserção no mercado de trabalho, Edelamare Melo destaca que eles se expõem a outros problemas: falta ou dificuldade de se manterem nos sistemas formais de educação, preconceito, discriminação racial e cultural.

Desafio complexo, medidas necessárias

Para o juiz, a garantia de condições dignas de trabalho é um desafio complexo que requer ações coordenadas do Estado, dos empregadores, da sociedade civil e das próprias comunidades indígenas. No entanto, ele ressalta a necessidade de incluir as comunidades no processo de tomada de decisões e garantir sua participação na elaboração de políticas e programas. “É importante, também, estimular o empreendedorismo e a economia solidária, promover a formação e a qualificação profissional, respeitando suas características culturais, e garantir o cumprimento dos direitos trabalhistas”.

Acesso à Justiça

Aproximar as instituições do Sistema de Justiça dos povos indígenas é uma das medidas que contribuem para ampliar o acesso a informação e direitos, transpondo barreiras culturais e linguísticas. Para isso, existem normativos com força de lei que devem ser cumpridos pelos agentes públicos.

No caso do Poder Judiciário, a Resolução 454/2022 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) prevê o diálogo interétnico e intercultural, de forma a assegurar a efetiva compreensão, pelo povo ou pela comunidade, do conteúdo e das consequências dos processos. A resolução também autoriza a produção de exames técnicos por profissional da Antropologia, a fim de que se conheçam as especificidades socioculturais do povo indígena.

Ainda no Poder Judiciário, outras duas normas do CNJ tratam da temática: a Resolução 299/2019, que dispõe sobre o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência; e a Resolução 287/2019, que estabelece procedimentos para pessoas indígenas acusadas, rés, condenadas ou privadas de liberdade e dá diretrizes para assegurar seus direitos na área criminal.

No âmbito do Ministério Público, a Resolução 230 prevê o diálogo intercultural permanente, a aproximação e o estabelecimento de vínculos com os povos e as comunidades tradicionais, por meio de linguagem acessível e informação clara. Também sugere visitas periódicas aos territórios, para acompanhar demandas e apresentar informações.

“As resoluções do CNJ e do CNMP trabalham com a questão do diálogo intercultural, com o conceito de território, e dão uma métrica para nossa atuação”, afirma a subprocuradora-geral.

Justiça do Trabalho itinerante

A aproximação da Justiça do Trabalho com os povos indígenas demanda o deslocamento de estruturas de pessoal e física até eles. Ela se dá por meio da chamada Justiça Itinerante, que, na Justiça do Trabalho, existe desde 1995. A prática foi institucionalizada dez anos depois em toda a Justiça, com a Reforma do Judiciário (Emenda Constitucional 45/2004).

Jônatas Andrade também salienta a importância de parcerias com associações e lideranças indígenas e defende a capacitação de agentes públicos e da advocacia sobre as especificidades culturais e linguísticas de trabalhadores indígenas, além de campanhas de divulgação e informação sobre os direitos trabalhistas.

Passado e futuro

Foi em agosto de 2003 que, pela primeira vez, a Justiça Itinerante promoveu uma audiência trabalhista em uma terra indígena. Foi na aldeia de Jaguapiru, próxima a Dourados (MS). O representante do Tribunal Superior do Trabalho, na ocasião, foi o ministro Lelio Bentes Corrêa, que hoje preside a Corte.

De 106 audiências realizadas em Jaguapiru, 32 resultaram em acordos entre indígenas e usinas de álcool e açúcar. A maioria dos trabalhadores reivindicava depósitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e direitos como férias, 13º salário e anotação do tempo trabalhado em carteira.

No fim de junho deste ano, o ministro deverá participar de outra iniciativa: o projeto Itinerância Oiapoque, que promoverá reuniões com comunidades de povos originários. A Justiça Trabalhista, por meio do TRT-8, atenderá demandas e promoverá ações de educação sobre trabalho escravo, trabalho infantil e direitos trabalhistas, além de disponibilizar serviços em parceria com outros órgãos públicos.

“A fim de superar os obstáculos geográficos e telemáticos ainda existentes no cumprimento de sua missão, a Justiça do Trabalho promove a Justiça Itinerante, visando garantir o acesso de povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas ao Poder Judiciário, de modo que, na concretização do direito humano ao trabalho decente, cumpra-se o imperativo ético da Agenda 2030 da ONU, e ninguém seja deixado para trás”, afirma Lelio Bentes Corrêa.

Àwúre

No idioma africano iorubá, Àwúre significa bênção. Esse é o nome de um projeto desenvolvido pelo MPT, pela OIT e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para promover o respeito pela identidade, pela diversidade e pelo pluralismo de comunidades tradicionais.

Além de encaminhar denúncias e demandas, o objetivo é resgatar as comunidades de maior vulnerabilidade por meio de inclusão social e produtiva. As ações promovem os equipamentos e a formação técnica necessária para a produção agroecológica e sua comercialização, com respeito e fortalecimento da identidade cultural. Segundo a subprocuradora-geral, o foco é a destinação do excedente gerado na produção de alimentos para garantir a subsistência, respeitando hábitos e tradições dos povos originários.

(Natália Pianegonda//CF)

TST

https://www.tst.jus.br/web/guest/-/dia-dos-povos-ind%C3%ADgenas-aliciamento-para-piores-formas-de-trabalho-%C3%A9-desafio-do-sistema-de-justi%C3%A7a

Dia dos Povos Indígenas: aliciamento para piores formas de trabalho é desafio do Sistema de Justiça

Malha Fina do IR: como a desinformação pode custar caro

Engano, erro e omissão são sinônimos de malha fina

Na última quinta-feira (20), a Receita Federal liberou a consulta ao lote residual de restituição do Imposto de Renda. Trata-se dos contribuintes que caíram na malha fina e agora conseguiram regularizar suas pendências. Ao todo, foram contemplados 290.934 contribuintes, no valor superior a R$ 344 milhões. O pagamento será feito no dia 28 de abril na conta bancária indicada na Declaração do Imposto de Renda ou pela chave Pix.

Mas o que fez com que esses contribuintes fossem retidos na malha fiscal do IRPF, ou como se diz no jargão popular, na famosa malha fina? E por que só agora, um ano depois, conseguiram regularizar suas situações e restituir seus impostos?

Como parte da reflexão sobre os caminhos que nos levam aos erros de declaração, surgem alguns cenários e contextos que envolvem os contribuintes investidores. Entre eles, encontramos o engano, a omissão e até mesmo a mentira. Mas será que algum desses são aceitáveis para a Receita? A resposta mais simples é não.

No entanto, essas três formas nos conduzem a uma palavra-chave que pode ser o epicentro da reflexão: a “Desinformação”. O engano, a omissão e a mentira não são sinônimos, mas podem levar à malha fina. Essas palavras afetam diretamente o processo de comunicação com a Receita, tornando todas as informações enviadas comprometidas e trazendo insegurança para toda a declaração.

A palavra “informação” vem do latim informare, que significa “dar forma” e era usada como sinônimo de “educação”. Podemos entender a informação como uma unidade de conhecimento. Ora, se a informação é algo que precisamos e/ou temos a obrigação de fornecer para a Receita, ela, por sua vez, não é omissa em analisar todos os dados informados e formar um conhecimento único sobre cada contribuinte a fim de acompanhar sua evolução patrimonial.

Todos os contribuintes são identificados pelas várias informações de diferentes naturezas que são inseridas no programa de declaração, tais como valores tributáveis, isentos, prejuízos, bens e proventos. Por meio desses dados, é possível analisar de forma completa a evolução patrimonial e suas respectivas oscilações.

Os fragmentos de cada informação de diversas naturezas inseridos no programa de declaração proporcionam, de forma completa, a evolução patrimonial e suas respectivas oscilações.

Partindo do pressuposto de que o escopo principal da Receita é analisar, é dever do contribuinte fornecer informações corretas. Informar incorretamente pode ser um terrível pecado na vida de qualquer contribuinte, pois as fiscalizações nascem de suspeitas.

A desinformação pode custar caro e até mesmo tirar nossa liberdade. A Lei 8.130/90 estabelece que apresentar declaração falsa ou omitir renda, patrimônio ou direitos é crime de sonegação fiscal, com pena de detenção de até dois anos. Não chega a ser um crime contra a ordem tributária.

Declarações falsas ou inconsistentes também acarretam multa de até 150% do valor devido e suspensão do CPF do contribuinte. Falhas podem ser enquadradas como sonegação fiscal.

Mas você deve estar se perguntando: “Errei a declaração, vou ser preso?”. Não, os contribuintes que identificarem um erro de digitação, valor, inclusão de dependentes ou qualquer informação incompleta no documento encaminhado à Receita Federal podem fazer a alteração realizando uma declaração retificadora, havendo a incidência então de multa de até 20% do imposto devido. Entretanto, se as inconsistências forem identificadas pela “malha fina”, o cidadão também terá a oportunidade de fazer a adequação, mas o valor adicional a ser pago aumenta. Nesse caso, a multa pode chegar a 75% do imposto não declarado e o contribuinte recebe uma intimação da Receita Federal.

Siga o conselho de Warren Buffett: “Risco vem de você não saber o que está fazendo”. Às vezes, erramos por falta de conhecimento e o erro pode ocorrer por compartilharmos informações incorretas. Quando isso acontece, há um tempo entre equivocar-se, entender o erro e corrigi-lo.

Espero ter ajudado com mais este fragmento de conteúdo hoje e, como vimos, informação também é educação. Portanto, siga um dos conselhos de Warren Buffett e aumente seus conhecimentos aqui na minha coluna. Te vejo na próxima semana!

INFOMONEY

https://www.infomoney.com.br/colunistas/aqui-nao-leao/malha-fina-do-ir-como-a-desinformacao-pode-custar-caro/

Dia dos Povos Indígenas: aliciamento para piores formas de trabalho é desafio do Sistema de Justiça

Mercado financeiro eleva estimativa de inflação em 2023 para 6,04% e vê alta maior do PIB

Patamar supera o teto da meta definido pelo governo para este ano, que é de até 4,75%. Números foram divulgados pelo Banco Central nesta segunda (24).

Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Os economistas do mercado financeiro elevaram a estimativa de inflação deste ano, de 6,01% para 6,04%, e também passaram a projetar um crescimento maior da economia. Foi a quarta alta seguida na expectativa de inflação desse ano.

A informação consta do relatório “Focus”, divulgado nesta segunda-feira (24) pelo Banco Central. Foram ouvidas mais de 100 instituições financeiras na semana passada sobre as projeções para a economia.

Para este ano, a meta central de inflação foi fixada em 3,25% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.

Se confirmado, esse será o terceiro ano seguido de estouro da meta de inflação, ou seja, no qual o IPCA fica acima do teto fixado pelo sistema de metas. Em 2022, a inflação somou 5,79%.

 

Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente das que recebem salários menores. Isso, porque os preços dos produtos aumentam, sem que o salário acompanhe esse crescimento.

 

Para 2024, a projeção de inflação do mercado financeiro ficou estável em 4,18% na semana passada.

 

A meta de inflação do próximo ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.

 

Para definir a taxa básica de juros e tentar conter a alta dos preços, o BC já está mirando, neste momento, na meta do ano que vem. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.

PIB

 

Para o crescimento Produto Interno Bruto (PIB) de 2023, a expectativa do mercado financeiro subiu de 0,90% para 0,96% na última semana.

 

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. O indicador serve para medir a evolução da economia.

Já para 2024, a previsão de crescimento subiu de 1,40% para 1,41%.

 

Taxa de juros

 

O mercado financeiro manteve a expectativa para a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 12,50% ao ano para o fim de 2023. Atualmente, oíndice está em 13,75% ao ano.

 

Para o fim de 2024, a projeção do mercado para o juro básico da economia ficou estável, em 10% ao ano. Com isso, o mercado segue estimando queda do juro também no próximo ano.

Outras estimativas

 

Veja abaixo outras estimativas do mercado financeiro, segundo o BC:

 

  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio para o fim de 2023 caiu de R$ 5,24 para R$ 5,20. Para o fim de 2024, caiu de R$ 5,26 para R$ 5,25.

  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção subiu, de US$ 55,5 bilhões para US$ 57,7 bilhões de superávit em 2023. Para 2024, a expectativa para o saldo positivo ficou estável em US$ 52,3 bilhões.

  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano permaneceu em US$ 80 bilhões de ingresso. Para 2024, a estimativa de ingresso continuou também em US$ 80 bilhões.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/04/24/mercado-financeiro-eleva-estimativa-de-inflacao-em-2023-para-604percent-e-ve-alta-maior-do-pib.ghtml

Dia dos Povos Indígenas: aliciamento para piores formas de trabalho é desafio do Sistema de Justiça

Orçamento é insuficiente para zerar fila do INSS, diz ministro após reunião com Haddad

Carlos Lupi disse que as equipes da Fazenda e da Previdência estão calculando qual o valor de recursos será necessário para dar conta da demanda reprimida.

Por Jéssica Sant’Ana, Ana Paula Castro e Bianca Lima, g1, TV Globo e GloboNews — Brasília

O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, afirmou nesta segunda-feira (24) que o orçamento disponível para pagamento de benefícios previdenciários é insuficiente para zerar a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), uma promessa de campanha do presidente Lula. O tema foi assunto de reunião entre Lupi e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

 

Após a reunião, o ministro afirmou que o orçamento deste ano comporta os benefícios previdenciários antigos e mais cerca de 1 milhão vindos do crescimento vegetativo (esperados), mas não o estoque de pedidos represados.

 

“Para o que está sendo previsto de crescimento vegetativo – de um milhão, 1,1 milhão, que todo ano cresce, entre aposentados, pensionistas, beneficiários da Previdência – está previsto e orçado”, disse Lupi. “Além do crescimento vegetativo por ano, que é um milhão, você vai ter de 800 a 900 mil a mais, então nós temos também que encontrar uma solução para o pagamento.”

Questionado se há o risco de faltar dinheiro para pagamento de benefícios até o fim do ano, o ministro negou. “Nós estamos com essa previsão com muita antecedência justamente para a gente estudar as formas e maneiras pra encontrar saída.”

 

O ministro também reforçou o compromisso do governo de, até o fim do ano, fazer a análise dos pedidos em até 45 dias, prazo legal, porém, que não é cumprido, o que gera a fila de pedidos represados.

 

Uma das medidas do governo para “zerar a fila” do INSS é o pagamento de bônus a servidores que fazem a perícia. Segundo o ministro, o pagamento será feito a partir do mês que vem.

“A partir do mês que vem, deve ter o bônus. Com isso, dobra-se a capacidade de produção. Então, acho que, em seis meses, eu consigo colocar as filas até dezembro em 45 dias, que é o prazo estipulado legalmente”, afirmou após a reunião com Haddad.

Fonte de recursos

 

Lupi disse também que as equipes estão calculando qual o valor de recursos será necessário para dar conta da demanda reprimida.

 

“Isso que vai ser feito [o cálculo do valor que precisa para zerar a fila], ainda não está feito porque a gente tem uma métrica que é muito variável, porque depende do tempo de trabalho, depende do tipo de benefício. Aposentadoria é uma coisa, pensão é outra coisa, BPC. Então, tem várias formas e a gente não tem o cálculo final”, explicou.

Segundo ele, as equipes da Fazenda e da Previdência ainda discutem qual será a fonte para complementar o orçamento. “Precisamos ver a fonte de recursos para esse pagamento.”

G1

https://g1.globo.com/politica/noticia/2023/04/24/orcamento-e-insuficiente-para-zerar-fila-do-inss-diz-ministro-da-previdencia.ghtml

Dia dos Povos Indígenas: aliciamento para piores formas de trabalho é desafio do Sistema de Justiça

Em Portugal, Lula volta a criticar juros no Brasil: ‘ninguém toma dinheiro emprestado a 13,75%’

Governo trava batalha com Banco Central, hoje independente, para reduzir juro básico e aquecer economia. BC vê risco de alta da inflação, e já indica que queda da Selic pode demorar a acontecer.

Por g1 — Brasília e São Paulo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar nesta segunda-feira (24), durante evento em Portugal, o patamar atual da taxa básica de juros da economia brasileira.

 

A Selic está há oito meses em 13,75% ao ano, maior percentual desde 2016 e maior taxa de juros real (ou seja, descontada a inflação) do mundo. O Banco Central, responsável por definir esse patamar, diz que os juros altos são necessários para controlar a inflação.

 

“Nós temos um problema no Brasil, primeiro-ministro, que Portugal não sei se tem. É que a nossa taxa de juros é muito alta. No Brasil, a taxa Selic, que é referencial, está em 13,75%. Ninguém toma dinheiro emprestado a 13,75%, ninguém. E não existe dinheiro mais barato”, declarou Lula em um fórum com investidores em Matosinhos, no país europeu.

“E a verdade é que um país capitalista precisa de dinheiro, e esse dinheiro tem que circular. Não na mão de poucos, mas na mão de todos”, disse.

 

Lula voltou a usar a frase “colocar o pobre no orçamento”, um dos lemas da campanha eleitoral do ano passado. E disse defender que os juros caiam para que haja um estímulo ao crédito, o que poderia elevar o crescimento previsto para a economia brasileira ainda este ano.

“É a gente garantir que os pobres possam participar. Porque quando eles virarem consumidor, vão comprar. Quando eles comprarem, o comércio vai vender. Quando o comércio vender, vai gerar emprego, vai comprar mais produto na fábrica. […] Mais emprego vai gerar mais salário, é a coisa mais normal de uma roda gigante da economia”, enumerou Lula.

BC vê risco de inflação

 

Essa “roda gigante” da economia citada por Lula é justamente o movimento que pode gerar alta da inflação, na medida em que o consumo aumenta e os preços são puxados para cima.

 

A taxa de juros, definida pelo BC, é um dos principais instrumentos de um país para controlar a inflação. O efeito colateral, no entanto, é que esse controle também “esfria” a economia, ou seja, reduz o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

 

Na última semana, o presidente do Banco Central, Roberto Campos, afirmou em eventos em Londres que a queda da inflação é mais lenta que o esperado, que a batalha “não foi vencida” e que pode não haver um corte na Selic no curto prazo, como esperam o governo e parte do mercado.

“A gente precisa avançar e explicar melhor para que isso consiga permear através dos mercados, para que a expectativa de inflação melhore e para que abra espaço para a gente fazer o nosso trabalho de queda de juros”, disse Campos Neto na sexta.

G1

https://g1.globo.com/politica/noticia/2023/04/24/em-portugal-lula-volta-a-criticar-taxa-de-juros-no-brasil-ninguem-toma-dinheiro-emprestado-a-1375percent.ghtml

Dia dos Povos Indígenas: aliciamento para piores formas de trabalho é desafio do Sistema de Justiça

Com juros altos, Indústria encolhe pelo 3º mês consecutivo

Projeto de desindustrialização do país está incurso desde os anos 1980, mas encontrou seu ápice depois do golpe de 2016. Hoje, os juros altos são o principal motivo da estagnação do setor.

por Lucas Toth

A produção industrial brasileira recuou pelo 3º mês consecutivo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O mês de fevereiro apresentou uma queda de 0,2% no setor. Em janeiro, o recuo tinha sido de 0,3%, ante 0,1% em dezembro. A taxa de juros praticada pelo Banco Central é uma das principais causas da retração industrial.

De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal, feita pelo IBGE, das 25 áreas que abrangem o setor, nove apresentaram resultados negativos. Dentre as maiores quedas, os ramos de produtos alimentícios (-1,1%), químicos (-1,8%), farmoquímicos e farmacêuticos (-4,5%). Apesar do leve crescimento de 0,1%, o setor de bens de capital preocupa, já que revela baixa investimento dentro da própria indústria.

Passado o período de maior atividade industrial (1950-85), o setor vem perdendo força ano após ano. Dados da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) indicam que nas últimas quatro décadas a indústria de transformação nacional encolheu de 27% para 11% da participação no PIB.

De 2016 até 2022 o projeto de transformar o Brasil num grande celeiro tomou forma e o Brasil se consolidou de vez em um fornecedor de comodities baratas para os países, esses sim, industrializados. Vender petróleo para o mercado mundial e comprar gasolina é um ótimo exemplo da função do país na economia globalizada.

O presidente Lula em seu discurso de posse no Congresso Nacional afirmou a intenção do governo de retomar a política de industrialização. “Caberá ao estado articular a transição digital e trazer a indústria brasileira para o Século XXI, com uma política industrial que apoie a inovação, estimule a cooperação público-privada, fortaleça a ciência e a tecnologia e garanta acesso a financiamentos com custos adequados”, disse.

As intenções do novo governo, no entanto, esbarram na política monetária de um presidente do Banco Central independente. A título de conter a inflação descontrolada criada a partir do governo Bolsonaro, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, manteve a taxa Selic em 13,75%.

Esse mecanismo de conter a inflação com o aumento da taxa básico de juros serve para desmobilizar a economia, contendo a alta dos preços dos produtos e serviços comercializados no Brasil. Uma vez que o juros está alto, as pessoas e as empresas têm mais dificuldades no acesso ao crédito, estagnando a economia.

A inflação, no entanto, dá sinais de arrefecimento. Em março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), observou variação na inflação de 0,71%, abaixo da expectativa de 0,77%.

Para o governo Lula, é fundamental que a taxa básica de juros recue para que a economia volte a crescer. A ideia é retomar o ciclo de investimento no país e, consequentemente, colher os frutos da criação de novos postos de trabalho.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), em evento empresarial em Londres, nesta quinta (20), emparedou Roberto Campos Neto e defendeu a redução imediata dos juros. “Agora, nós precisamos fazer o Brasil crescer”, disse o senador.

Pesquisa realizada pela CNI constatou que os juros altos são o principal problema para cerca de 28,8% dos empresários. A Sondagem Industrial consultou 1.600 empresas de pequeno, médio e grande porte de todo Brasil. O resultado é o pico em uma série histórica iniciada em 2015. Em abril, o Datafolha revelou que 80% dos brasileiros acham que Lula age bem ao pressionar pela queda dos juros. Na mesma pesquisa, 71% dos entrevistados disseram achar que a Selic está mais alta do que deveria. Só 5% achavam que a taxa está mais baixa do que deveria.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/04/20/com-juros-altos-industria-encolhe-pelo-3o-mes-consecutivo/