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Governo estuda uso do FGTS para financiar construtoras do Minha Casa Minha Vida

Governo estuda uso do FGTS para financiar construtoras do Minha Casa Minha Vida

Estrutura de capital

 

Proposta visa melhorar alavancagem de empresas do setor que sofreram com alto custo da atividade nos últimos anos

O secretário nacional de Habitação, do Ministério das Cidades, Hailton Madureira, afirmou nesta quarta-feira (19) que o governo federal estuda utilizar recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) visando melhorar a estrutura de capital das construtoras para a retomada do Minha Casa Minha Vida (MCMV).

“Isso já foi feito em anos anteriores e acreditamos que pode ser um funding importante para que as construtoras tenham fôlego”, afirmou o secretário, durante evento da XP destinado a home builders.

Na medida provisória que relançou o programa, o governo estima R$ 19,5 bilhões em recursos para financiar a construção de moradias dentro do programa, mas há um pleito das empresas por capital de giro e outras formas de diminuir a alavancagem antes de embarcar em novos empreendimentos.

O presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França, apresentou ao governo a possibilidade de emitir Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) com funding do FGTS, a uma taxa de TR + 7,5% ao ano. A medida poderia trazer cerca de R$ 20 bilhões para empresas do segmento e está em discussão no Conselho Curador do FGTS.

Para Victor Almeida, presidente executivo do conselho da construtora Pacaembu, caso a proposta avance, será positiva para as empresas no setor. Almeida lembra que a atividade exige capital intensivo e que muitas construtoras tiveram que se endividar nos últimos anos por conta do aumento dos custos da atividade.

Custos em disparada

Em 2022, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 9,4%, bem acima da inflação oficial (5,79%). Ademais, o INCC vem de seguidas altas desde a pandemia – em 2021, o índice avançou 14% contra 10,1% do IPCA. “Nós somos empresas de ciclo longo de investimentos e ainda tivemos problema de repasse por conta da escalada da inflação”, reforça Almeida.

O executivo da Pacaembu avalia que será difícil o governo federal alcançar a meta de entregar 500 mil moradias dentro do Minha Casa Minha Vida neste ano sem um apoio à estrutura de capital das construtoras. “É um fôlego para que possamos dar celeridade a um novo ciclo longo de investimentos, especialmente diante de um mercado em que o crédito corporativo está fechado”.

Para Bruno Gargiolli, sócio do banco de investimentos da XP na área de real state, a proposta cria uma alternativa de financiamento com menor risco em um momento de alto custo de captação de recursos. “É uma operação que viabiliza um programa com demanda crescente [MCMV] e melhora o perfil de caixa de empresas que vem vivendo um momento de margens apertadas”, avalia.

Outro importante executivo do setor de construção, que pediu anonimato, pondera que a iniciativa pode ser positiva, mas que não se pode generalizar a distribuição do recurso. Para ele, a medida não pode ser “salvação do balanço” de nenhuma empresa. “Tem que ter equilíbrio e ver realmente quem precisa desse funding, até para não inviabilizar o FGTS”, diz.

Liquidez existe, mas custo é alto

Outro pedido das construtoras é o aumento da parcela do compulsório dos bancos para o financiamento de novas moradias de 65% para 70%, o que poderia liberar R$ 38 bilhões em crédito imobiliário. O tema está em debate com o Banco Central.

Enquanto as alternativas de funding não avançam, Rafael Hazarian, também sócio do investment banking da XP, lembra que há fundos imobiliários capitalizados e com disposição para investir no segmento, mas com custo de captação em dois dígitos.

“A liquidez existe, mas é uma operação com taxa CDI mais um percentual. Não há falta de crédito, mas é um que nem todo mundo consegue suportar no balanço”, conclui o banker.

INFOMONEY

https://www.infomoney.com.br/negocios/governo-estuda-uso-do-fgts-para-financiar-construtoras-do-minha-casa-minha-vida/

Governo estuda uso do FGTS para financiar construtoras do Minha Casa Minha Vida

Revisão do FGTS pelo Supremo: o que está em jogo para as ações de construtoras de baixa renda?

Pode ser nesta 5ª

Tema deve ser alvo de deliberação pelo STF nesta quinta, com possíveis impactos negativos para o Minha Casa Minha Vida; veja no que ficar de olho

Um tema que tem ganhado destaque nos últimos dias para as construtoras de baixa renda é a revisão da política de correção monetária do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que deve ser deliberada nesta quinta-feira (20).

Os ministros podem determinar que os valores nas contas do FGTS deveriam ter sido corrigidos sempre para um índice de inflação (IPCA-E ou INPC, ainda incerto), não pela Taxa Referencial (TR) — como ocorre desde o início dos anos 1990. A ação foi proposta pelo partido Solidariedade e tramita no Supremo desde 2014.

De acordo com analistas, se houver alterações na referência para a correção, o impacto pode ser negativo para o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV), potencialmente causando mudanças significativas devido à menor diferença entre a correção monetária do fundo e as taxas de juros imobiliárias (principal aplicação dos recursos do FGTS).

Isso pressionaria ações de empresas de construção voltadas à baixa renda, como Tenda (TEND3), Cury (CURY3), Plano&Plano (PLPL3), MRV (MRVE3) e Direcional (DIRR3) que, inclusive, já sentiram o impacto dos rumores sobre as possíveis decisões dos ministros nesta semana.

Com base nisso, o Itaú BBA destacou alguns pontos sobre o que pode ser decidido no STF, após reunião com Flavia Maia, especialista em judiciário com foco no Supremo, para entender os próximos passos.

Os analistas do setor saíram da reunião com as seguintes impressões gerais:

i) embora se espere que o assunto seja debatido nesta quinta-feira, pode demorar algum tempo até que uma decisão seja anunciada (tema complexo, muitas partes envolvidas, risco de pedido de vista) – mas não vai ser por tempo indeterminado (os atuais e próximos presidentes do STF sabem de sua importância);

ii) um resultado modular é mais provável em caso de alteração (sem efeito retroativo, preservando a saúde do FGTS, mas alterando o índice de correção para o futuro);

e

iii) se a medida for aprovada, sua implementação pode levar tempo (o STF pode deixar os próximos passos para o Executivo).

Dito isso, as preocupações com possíveis mudanças no FGTS e seu eventual impacto no mercado imobiliário aumentaram, exigindo que os analistas acompanhem o debate de perto e com atenção.

A especialista observou que apenas a maioria simples dos ministros do STF é necessária para aprovar a revogação ou preservação da taxa referencial do FGTS. No entanto, se os ministros votarem para revogar, a aprovação de seu efeito retroativo requer maioria de dois terços (de dez votantes).

Caso o tribunal chegue a uma decisão nos próximos dias, os interessados podem recorrer. Se a decisão for contra manter a TR, a decisão só produziria efeitos depois que todos esses processos (incluindo uma decisão sobre uma possível moção de esclarecimento) estejam totalmente concluídos.

Flavia Maia também mencionou que, dado o baixo quórum observado esta semana e a proximidade do feriado, um adiamento se torna mais provável. Existe também a possibilidade de um dos ministros solicitar um pedido de vista (mais tempo para revisar os autos), o que poderia atrasar uma decisão por até 90 dias.

O relator do caso, ministro Luís Roberto Barroso, provavelmente votará contra a taxa de referência, como já chegou a ser noticiado, com a nova alíquota se tornando válida a partir do momento da decisão – ou seja, sem efeito retroativo. A especialista não tem muita visibilidade sobre as posições dos demais ministros.

O Itaú BBA destaca que os principais pontos que sustentam a manutenção da TR são: i) o fato de o FGTS ter retornado rentabilidade superior ao IPCA entre 2017 a 2023; ii) as graves consequências que esta mudança pode ter para o MCMV; e iii) a incerteza sobre se esta determinação deve ser feita pelo Judiciário ou pelo Legislativo.

Antes do caso do Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justiça votou a favor da manutenção da TR. Segundo  Flavia Maia, antes de chegar ao Supremo Tribunal Federal, este caso foi decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decidiu pela manutenção da TR, alegando que a questão não era da competência do Judiciário.

Em relatório desta semana, a XP apontou que, “embora vejamos incerteza sobre a decisão do STF no processo, destacamos que os impactos negativos no FGTS poderiam causar pressão contra a decisão, em nossa opinião. Além disso, a grande mudança nos custos de aquisição do FGTS (TR para Inflação) pode impactar negativamente o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, potencialmente causando mudanças significativas devido à menor diferença entre a correção monetária do fundo e as taxas de juros imobiliárias (principal aplicação dos recursos do FGTS)”.

Para o Bradesco BBI, as notícias desta semana trazendo a possibilidade de o ministro Luís Roberto Barroso se tornar favorável à mudança geram mais preocupações sobre o caso.

“O julgamento do FGTS no Supremo Tribunal Federal é aguardado há muito tempo, e um daqueles casos em que o pior cenário é política e financeiramente tão negativo que parece improvável, pois provavelmente levaria o programa MCMV a encolher significativamente. Embora nada esteja decidido ainda, isso deve continuar sendo uma ‘pendência’ para as ações de baixa renda até que o julgamento seja concluído”, afirmam os analistas.

INFOMONEY

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Brasileiros tentam quitar dívidas, mas juros e inflação atrapalham a saída da inadimplência

Depois do sufoco no orçamento em janeiro e fevereiro, devedores pagam parcelas 22% mais altas para liquidar os compromissos financeiros. Mas a ‘bola de neve’ da dívida sob juros altos impede muitos de se verem livres dos pagamentos e arrastam mais pessoas para o grupo de inadimplentes

Por Beatriz Pacheco, Valor Investe — São Paulo

O número de brasileiros inadimplentes bateu recorde no início deste ano. Segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), eram 66 milhões de devedores em março, ou seja, 40,6% da população adulta no país estava com o pagamento de pelo menos uma conta em atraso. É o maior número da série histórica. E embora o volume de dívidas tenha crescido junto com o grupo de devedores, uma parte dessas pessoas tem se esforçado para pagar parcelas mais altas e até quitar dívidas neste começo de ano.

Um levantamento inédito realizado pela Paschoalotto, plataforma de recuperação de crédito, compartilhado em primeira mão com o Valor Investe, mostra que o valor médio das parcelas de dívidas pagas subiu 22,3% em março comparado aos dois primeiros meses do ano.

 

Em janeiro, o tíquete médio recebido dos credores foi de R$ 472,46, em fevereiro, de R$ 455,34, e em março, R$ 570,37, que apontou alta de 21% sobre a parcela de janeiro e de 25% sobre fevereiro. A média das parcelas pagas de contas atrasadas no trimestre foi de R$ 496,15.

 

Diego Hernandez, economista e CEO da Ativo Investimentos, lembra que há uma sazonalidade que impacta esses dados. Em março, o orçamento do brasileiro teve um respiro após dois meses com reajustes de contratos de serviços e gastos com educação.

 

“O indicador de inflação desse começo de ano, nos primeiros dois meses, esteve bem inchado, justamente por conta desses fatores. Houve muitas repactuações de contratos de serviços de telecomunicações em janeiro, além dos pagamentos de tributos (IPTU, IPVA). Por isso, costuma ser um período mais tenso para o pagamento de dívidas”, diz Hernandez.

Assim, o grupo de devedores cresceu 8,32% de março deste ano contra o mesmo mês do ano passado, segundo os dados do SPC Brasil, e na passagem de fevereiro para o mês seguinte, a alta foi de 1%. Esses dados compensaram o aumento do tíquete médio.

Mesmo elevando a parcela de amortização das dívidas, o montante da dívida total no mercado que foi paga no mês passado foi menor. Quer dizer: quem pagou, conseguiu elevar o valor de pagamento, mas, além do crescimento do número de inadimplentes, o número de boletos que não foram pagos em março superou o dos meses anteriores.

 

Resumidamente, março foi um mês de comportamentos díspares entre inadimplentes. Muita gente que pagou tentou pagar uma parcela maior e até se ver livre da dívida. Mas muito mais gente deixou de pagar os boletos.

 

No fim do primeiro trimestre, cada consumidor negativado devia, em média, R$ 3.974,73, conforme o mapeamento da CNDL com o SPC. E cada inadimplente tinha compromissos financeiros, em média, com duas empresas credoras.

 

Diego Mosquim, diretor de planejamento e coordenador da pesquisa da Paschoalotto, analisa que o maior desafio para o consumidor é pagar todas as dívidas em cenário de juros altos, que acaba dificultando a renegociação e honrar compromissos atrasados.

 

“Alguns fatores contribuíram para esse cenário: a alta da inflação; o uso crescente do cartão de crédito, através da oferta de novos produtos e serviços por bancos e fintechs; e a maior demanda por serviços, como viagens e compra de passagens aéreas, geralmente também pagos no cartão”, afirma.

Com esse cenário, a prioridade dos brasileiros em março foi reduzir o montante das dívidas que costumam ter juros mais altos. Credoras nos segmentos de cartão de crédito e fintechs lideraram os recebimentos nesse primeiro trimestre, tendo captado, respectivamente, 22,3% e 5,3% dos valores pagos no período.

 

Na sequência, inadimplentes preferiram pagar o financiamento de veículos leves, com 4% do montante pago no mês, e outros 3,3% foram destinado à redução das dívidas com consórcios.

Pelo mapeamento da CNDL com o SPC Brasil, em termos de participação, o setor que concentrava volumes a receber da maior parte das dívidas no país em março era o bancário, credor de 64% do total.

“Se antes o brasileiro tomava dívida a 2% ao mês para pessoa física, agora pega a 5%, com um juro real mais elevado na economia. Isso impacta no montante da dívida e dificulta a amortização”, retoma Fábio Sobreira, analista-chefe e sócio da Harami Research.

 

Ele explica que o cenário é como uma bola de neve. Além dos juros altos, que tendem a continuar altos por algum tempo, a pessoa inadimplente ainda lida com a inflação persistente, que deteriora o poder de compra. Quer dizer, com todos os preços subindo, sobra menos dinheiro para pagar as dívidas e, muitas vezes, é preciso fazer mais dívidas para garantir a compra do básico.

“E assim chegamos nesse cenário, em que dois terços dos brasileiros estão endividados e, dentre esses, um quarto não tem condições de pagar sua dívida”, conclui Sobreira.

VALOR INVESTE

https://valorinveste.globo.com/produtos/credito/noticia/2023/04/20/brasileiros-tentam-quitar-dividas-mas-juros-e-inflacao-atrapalham-a-saida-da-inadimplencia.ghtml

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Queda da inflação é mais lenta do que o esperado e ‘batalha’ não foi vencida, diz presidente do BC

IPCA fechou março com alta de 0,71% e acumulado em 12 meses foi de 4,65%, o menor desde 2021.

Por Mateus Rodrigues e Alexandro Martello, g1 — Brasília

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quarta-feira (19) avaliar que a inflação no Brasil tem caído de forma mais lenta que o esperado – mesmo com a taxa básica de juros da economia em patamar alto.

 

Considerado a inflação oficial do país, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou março em alta de 0,71% e acumulado de 4,65% em 12 meses, o menor desde 2021.

 

Os percentuais foram bem recebidos pelo mercado e resultaram em movimentos como a queda do dólar e a alta da Bolsa de Valores de São Paulo.

 

“Olhamos muitas coisas e cruzamos muitos dados. Mas a realidade é que a queda da inflação é mais lenta do que esperávamos, considerando o patamar da taxa real de juros no Brasil. O que nos diz que a batalha não foi vencida e temos que persistir”, declarou Campos Neto em conferência com investidores internacionais.

A taxa básica de juros da economia está em 13,75% ao ano desde agosto de 2022 – o maior patamar para o país desde 2016 e o maior juro real (descontada a inflação) do mundo. O governo espera sinalizações do BC de que essa taxa passará a cair nos próximos meses, mas o Banco Central resiste em dar sinais do tipo.

O presidente do BC foi questionado por um investidor sobre o motivo para o Banco Central levar em conta expectativas de especialistas que apontam uma inflação futura mais alta – e, supostamente, não levar em conta os dados atuais de mercado que indicam uma trajetória mais favorável.

 

Segundo Campos Neto, a avaliação do Banco Central é de que a inflação acumulada mais baixa, registrada atualmente, ainda está “contaminada” pelas medidas adotadas pelo governo Jair Bolsonaro em 2022, durante o período eleitoral, para combater temporariamente a inflação.

 

“O índice bruto de inflação está ‘poluído’ pelas mudanças na tributação de gasolina, energia e gás. Quando olhamos para o cerne da inflação, está levemente abaixo dos 8%, o que é muito alto. […] Quando falamos em expectativa, precisamos de 6 a 12 meses para amadurecer a tomada de decisão.”, disse.

 

“O fato de a inflação projetada estar acima da meta é um sinal de alerta, de que precisamos olhar a questão mais de perto”, completou.

 

Campos ressalvou que a preocupação não é exclusiva do Brasil – e que o processo de queda da inflação é também mais lento que o esperado em outras economias.

 

“Quando você olha o núcleo da inflação, o ritmo é lento. Está caindo, mas em um ritmo muito lento. E isso é um consenso entre vários bancos centrais, provavelmente significa que o trabalho não terminou e precisamos insistir”, disse.

Nova regra fiscal

 

Campos Neto também comentou brevemente, na conferência com investidores, o envio da proposta do governo de novas regras fiscais ao Congresso nesta terça (18).

 

O projeto, que ainda será votado, estabelece metas para o gasto público e para o superávit primário (ou seja, para a diferença entre o que o governo arrecada e o que o governo gasta, sem considerar os custos da dívida pública).

 

“Acho que é uma boa indicação de que estamos avançando na direção correta. Remove o risco que vi em algumas projeções por aí, de que a dívida fosse para 100% [do PIB] muito rápido”, disse o presidente do Banco Central.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/04/19/queda-da-inflacao-e-mais-lenta-do-que-o-esperado-e-batalha-nao-foi-vencida-diz-presidente-do-bc.ghtml

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Por que as domésticas incomodam tanto a Folha?

Como 92% da força de trabalho no setor é feminina – e 67% é negra –, essas trabalhadoras “estão no epicentro da discriminação racial, de gênero e de classe”

por André Cintra

Volta e meia, a Folha de S.Paulo parece insinuar que os trabalhadores, especialmente aqueles mais organizados – os sindicalistas –, são sujeitos de segunda categoria. Daí a insistência com que o jornal tenta pregar o desmonte de qualquer tipo de legislação do trabalho, a retirada de direitos e mais ataques ao movimento sindical.

No editorial “Intenções e resultados” – que trata da PEC das Domésticas e foi publicado na edição de 27 de março –, esse preconceito escalou alguns graus. A Folha diz que a medida fracassou porque, após dez anos, “não aumentou a formalização” dos trabalhadores do serviço doméstico.

A PEC, lembra o editorial, garantiu direitos básicos à categoria, “como FGTS, seguro-desemprego, regime de 44 horas semanais, hora de almoço e auxílio-doença”. Para a Folha, porém, trata-se de “excesso de burocracia e aumento de gastos”. Afinal, por que as domésticas incomodam tanto a Folha?

Nos últimos anos, o jornal da família Frias apoiou a reforma trabalhista, a lei de terceirização irrestrita, a reforma da Previdência e outros retrocessos para a classe trabalhadora. Nenhuma dessas “modernizações” impulsionou a geração de emprego e renda, mas esse tipo de análise é dispensada.

Em resposta ao editorial, alguns leitores denunciaram a sutileza da Folha, que, a fim de defender menos e menos direitos, apela ao sofisma da formalização. “Aprovar direitos básicos (FGTS, jornada de 44 horas, horário de almoço) é o problema apontado pela Folha. Adotemos o trabalho escravo, então! Quem sabe a economia não decola!”, ironizou Marcos Dias Soares.

“Por que a Folha não mostra honestidade intelectual e avalia negativamente a reforma administrativa, visto q a informalidade cresceu, a massa salarial encolheu e a prometida propulsão da economia ninguém viu?”, questionou Paulo Werner. “Aí, nesse caso, a Folha empilha vírgulas e senões pra dizer que ainda devemos esperar pra avaliar os efeitos. A Folha sabe que a Abolição não cumpriu o prometido por décadas?”

Na segunda-feira (17), o jornal passou o vexame de ver representantes dos empregados domésticos darem um pino em suas próprias páginas. Um artigo assinado por Luiza Batista (Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas) e pelas advogadas Jéssica Pinheiro e Márcia Soares (ambas da Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos) desmascarou a estratégia narrativa da Folha.

Dizem as autoras: a PEC das Domésticas é mera “conquista de direitos, que tardou muito em nosso sistema jurídico e tarda, ainda mais, em nosso pacto civilizatório”. O trabalho doméstico só foi reconhecido como categoria profissional em 1972, 30 anos depois da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). “A legislação ainda previa o direito a férias, mas não equiparava direitos de outros trabalhadores, como o FGTS e a jornada de trabalho”, lembra o texto.

Como 92% da força de trabalho no setor é feminina – e 67% é negra –, essas trabalhadoras “estão no epicentro da discriminação racial, de gênero e de classe”. O que elas pedem não é privilégio, nem burocracia – mas tão-somente um reconhecimento mínimo.

“A resistência em firmarmos o pacto civilizatório de reconhecimento dos direitos das trabalhadoras domésticas reside na herança escravocrata que persiste no imaginário social da branquitude. Para muitos, o lugar da trabalhadora doméstica é de ‘quase da família’, desde que seja servil e obediente e, sobretudo, sem direitos”, escrevem as autoras. Eis uma definição das mais precisas para a linha editorial da Folha.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/04/19/por-que-as-domesticas-incomodam-tanto-a-folha/

Governo estuda uso do FGTS para financiar construtoras do Minha Casa Minha Vida

Avança no TSE processo que deve tornar Bolsonaro inelegível

Julgamento deve se concretizar nas próximas duas semanas. Aliados avaliam que que inelegibilidade é certa, mas Bolsonaro deve recorrer ao STF

por Cezar Xavier

A manifestação da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) enviada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pedindo que o ex-presidente Jair Bolsonaro tenha seus direitos políticos suspensos, deve ser julgada ainda no mês de abril.

Até mesmo aliados de Bolsonaro consideram certo que o julgamento deve acolher o pedido de inelegibilidade do ex-presidente por oito anos. O parecer, assinado pelo procurador-geral Eleitoral, Paulo Gonet, analisou o âmbito da ação de investigação judicial eleitoral (Aije) em que Bolsonaro é acusado de atacar o processo eleitoral e as urnas eletrônicas, sem provas críveis, durante reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada, em junho de 2022.

O processo está em suas últimas etapas, partindo para a decisão final dos juízes eleitorais. Esta é a mais avançada das 17 Aijes abertas durante as eleições gerais de 2022 e que tem Bolsonaro como alvo. A defesa de Bolsonaro nega reiteradamente qualquer irregularidade na reunião, que diz ter se tratado de “um debate de ideias”, sem cunho eleitoral.

A posição da PGE é uma das últimas etapas da Aije. Com isso, a expectativa é que o relator do caso, ministro Benedito Gonçalves, libere o caso para julgamento em plenário, após elaborar seu voto. Caberá ao presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, marcar o julgamento.

Na peça, Gonet destacou que a apresentação de Bolsonaro às representações diplomáticas reuniram um compilado de informações e boatos reiteradamente já desmentidos por diversos órgãos oficiais.

Recurso ao STF

Inconformado com o processo, Bolsonaro deve recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) caso a pena seja confirmada na corte eleitoral.

A defesa do ex-presidente defendeu a nulidade do processo, alegando que uma reunião realizada com embaixadores em julho do ano passado não tem relação com os ataques terroristas de 8 de janeiro. Os advogados de Bolsonaro também argumentam que ele sequer estava no Brasil na data do episódio.

De acordo com a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, Bolsonaro vai continuar buscando reverter o cenário. Bolsonaro deve usar a estratégia de posar de vítima do sistema e tentar se fortalecer junto a sua base, bem como dar força ao grupo aliado.

As facções bolsonaristas, por sua vez, veem esperança no STF, por considerar que a corte teria receio da acusação de estar agindo politicamente ao punir seu maior inimigo. Para isso, confiam na saída do ministro Alexandre de Moraes da presidência do TSE.

Provas do golpe

Por determinação do relator, a ação sobre os embaixadores corre sob sigilo no TSE. Entre as provas colhidas no processo, encontra-se a chamada minuta do golpe, documento apócrifo que foi encontrado na casa do último ministro da Justiça do governo Bolsonaro, Anderson Torres, em diligência de busca e apreensão conduzida pela Polícia Federal (PF).

Tal minuta de decreto previa uma espécie de intervenção militar na Justiça Eleitoral, de modo a impedir a concretização do resultado das urnas. O documento foi incluído no processo a pedido do Partido Democrático Trabalhista (PDT), autor da Aije.

Torres prestou depoimento sobre o documento no TSE. Também foram ouvidos o ex-ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e o almirante Flávio Augusto Viana Rocha, ex-secretário especial de Assuntos Estratégicos da Presidência.

VERMELHO

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