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Escala 6×1: veja a íntegra e o que muda com o projeto do governo

Escala 6×1: veja a íntegra e o que muda com o projeto do governo

O presidente Lula apresentou à Câmara, na noite dessa terça-feira (14), um projeto de lei que reduz a jornada normal de trabalho para 40 horas semanais e assegura dois descansos semanais remunerados de 24 horas consecutivas, sem redução de salários. A proposta altera a CLT e uma série de leis específicas para diferentes categorias profissionais. O envio do texto ocorreu na véspera da votação, prevista para esta quarta-feira (15), na CCJ da Câmara, da PEC que trata da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1.

Veja a íntegra do projeto do governo.

O relator da proposta, deputado Paulo Azi (União-BA), confirmou a manutenção da análise e deve apresentar parecer pela admissibilidade da matéria. Caso seja aprovada pela CCJ, a PEC será analisada por uma comissão especial antes de ser apreciada pelo Plenário. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que pretende votar o fim da escala 6×1 ainda neste primeiro semestre. A mudança na jornada também é considerada prioritária pelo governo Lula. Não se sabe, porém, qual texto avançará: o do governo ou a PEC em tramitação na Câmara.

Governo fala em modernização e proteção ao trabalhador

Na exposição de motivos, o governo afirma que jornadas longas e descanso insuficiente elevam os casos de adoecimento, acidentes e afastamentos, além de comprometerem a produtividade. O projeto é apresentado como uma medida de modernização da legislação trabalhista, compatível com a Constituição e com o princípio da dignidade da pessoa humana. Ao mesmo tempo, o texto ressalta que a proposta não elimina a negociação coletiva nem extingue as escalas especiais, desde que respeitados os novos limites legais.

Jornada semanal cairia de 44 para 40 horas

O eixo central da proposta é a redução da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, sem alteração do limite diário de 8 horas. O novo teto não se restringe ao contrato padrão: também alcança trabalhadores submetidos a escalas especiais, como plantões e revezamentos. A intenção é evitar que a mudança fique limitada a parte do mercado de trabalho.

Projeto cria dois descansos semanais remunerados

Outra alteração estrutural é a criação de dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas cada. Na prática, o projeto substitui a lógica de um único descanso semanal por duas folgas por semana. A regra geral é que esses descansos coincidam, preferencialmente, com sábado e domingo, embora o texto admita exceções conforme as peculiaridades da atividade ou o que for definido em negociação coletiva.

Mudança mira a lógica da escala 6×1

É nesse ponto que a proposta enfrenta a lógica da escala 6×1. Na exposição de motivos, o governo afirma que busca corrigir distorções associadas à adoção sistemática de seis dias de trabalho para um de descanso. Com a combinação de jornada de 40 horas semanais e dois repousos remunerados, o modelo se aproxima de uma organização de cinco dias de trabalho e dois de descanso.

Negociação coletiva continua, mas com limite

O projeto também determina que categorias cuja jornada normal hoje ultrapasse 40 horas por força de negociação coletiva terão de se adequar ao novo teto. A negociação continua permitida, mas não poderá manter jornadas acima do limite legal fixado pela proposta.

Texto proíbe redução de salários

Outro ponto central é a proteção contra redução salarial. O texto estabelece expressamente que a redução da jornada e a ampliação do descanso não poderão implicar diminuição nominal ou proporcional dos salários, nem alteração dos pisos salariais. A vedação vale não apenas para o empregado celetista tradicional, mas também para regimes especiais, trabalho avulso e trabalho em tempo parcial.

Mudanças atingem o núcleo da CLT

Na CLT, a mudança atinge o núcleo da legislação sobre duração do trabalho. O projeto altera o artigo 58 para fixar a jornada máxima de 40 horas semanais, observada a duração diária de até 8 horas. Também modifica o artigo 67 para assegurar a todo empregado dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas cada, além de prever escala de revezamento para atividades que exijam trabalho aos sábados e domingos.

Compensação e escala 12×36 são mantidas

O texto preserva mecanismos de compensação de jornada e escalas diferenciadas já admitidos na CLT, em leis específicas e em negociações coletivas. O regime 12×36, por exemplo, continua permitido, mas passa a depender do respeito à média mensal equivalente a 40 horas semanais. Na CLT, isso exigirá negociação coletiva; em legislações específicas, o modelo também é mantido sob essa nova trava.

Projeto revisa regras para situações específicas

Além dos dispositivos gerais, o projeto revisa outros artigos da CLT para adequá-los ao novo parâmetro de jornada e descanso. As mudanças alcançam regras sobre viagens de longa distância, trabalho no subsolo, descanso em atividades específicas, compensação para menores e prevalência da negociação coletiva sobre jornada.

Repouso semanal muda também para avulsos

A proposta também altera a Lei nº 605/1949, que trata do repouso semanal remunerado. O texto passa a assegurar dois descansos semanais remunerados de 24 horas consecutivas e ajusta a forma de remuneração desses descansos, inclusive no caso do trabalhador avulso. Para essa categoria, os repousos obrigatórios serão pagos com os salários e corresponderão ao acréscimo de dois quintos sobre os valores efetivamente recebidos.

Radialistas, atletas e comerciários entram no novo modelo

Entre as categorias atingidas estão os radialistas. A Lei nº 6.615/1978 passa a prever duas folgas semanais remuneradas, preferencialmente aos sábados e domingos, salvo disposição diversa em negociação coletiva. O projeto também determina a organização de escalas que garantam ao menos uma folga mensal coincidente com sábado e domingo, exceto quando a atividade for exercida habitualmente aos domingos.

A proposta ainda altera a Lei nº 7.644/1987 para incluir, entre os direitos previstos, dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas, também com preferência pelo fim de semana. Na Lei Pelé, o texto passa a prever dois descansos semanais remunerados para atletas profissionais e fixa jornada desportiva normal de 40 horas semanais. Quando houver partida, prova ou evento equivalente no fim de semana, os descansos deverão ser concedidos preferencialmente no dia seguinte à participação do atleta.

No comércio, a Lei nº 12.790/2013 passa a prever jornada normal de 8 horas diárias e 40 horas semanais, além de incorporar expressamente a lógica de cinco dias trabalhados seguidos de dois repousos semanais remunerados. A coincidência com sábado e domingo continua sendo a preferência, respeitadas as peculiaridades da atividade e a negociação coletiva.

Trabalho doméstico e aviação também são alcançados

O trabalho doméstico também é alcançado. A Lei Complementar nº 150/2015 passa a prever jornada de 8 horas diárias e 40 horas semanais, ajusta o divisor do salário-hora do mensalista para 200 horas mensais e assegura dois repousos semanais remunerados, além do descanso em feriados. Nesse caso, o regime 12×36 também é mantido, por acordo individual ou negociação coletiva, desde que observada a média mensal correspondente a 40 horas semanais.

Na aviação, a Lei nº 13.475/2017 é alterada para limitar a duração do trabalho dos tripulantes de voo e de cabine a 40 horas semanais e 160 horas mensais, considerados os tempos previstos na legislação setorial. O projeto também modifica a Lei nº 14.597/2023 e a Lei nº 14.967/2024, adequando essas normas ao novo parâmetro semanal e, no segundo caso, regrando a jornada 12×36 com base na média mensal compatível com o novo teto.

Motoristas de longa distância terão dois descansos por semana

Entre os trabalhadores submetidos a rotinas mais intensas, o projeto altera ainda o dispositivo da CLT sobre viagens de longa distância com duração superior a sete dias para garantir dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas por semana ou fração trabalhada, preferencialmente aos sábados e domingos, salvo disposição diversa em negociação coletiva.

Nova regra teria vigência imediata

Em todos esses pontos, a proposta preserva a negociação coletiva como instrumento de organização das jornadas e escalas, mas dentro de limites mais estreitos. O novo núcleo mínimo passa a ser de 40 horas semanais como teto normal e dois descansos semanais remunerados como regra geral.

O texto prevê entrada em vigor imediata, na data da publicação da lei, em regra de transição gradual. Para que isso ocorra, no entanto, será preciso que a proposta seja aprovada pela Câmara e pelo Senado e, em seguida, sancionada pelo presidente da República.

Em discussão na CCJ

A CCJ analisa duas propostas centrais sobre o tema. A primeira é a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP) e outros parlamentares, que prevê jornada de quatro dias de trabalho por semana e três dias de descanso, com limite de 36 horas semanais. A segunda é a PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que reduz de 44 para 36 horas a jornada semanal do trabalhador brasileiro ao longo de dez anos.

A diferença entre elas é política e prática. A PEC 8 é a proposta mais diretamente voltada ao fim da escala 6×1, ao substituir o modelo por uma lógica de semana 4×3. Já a PEC 221 aposta numa redução gradual da jornada, sem extinguir de forma expressa a escala de seis dias de trabalho para um de descanso. Em fevereiro de 2026, a proposta de Erika Hilton foi apensada à de Reginaldo Lopes, que passou a funcionar como texto-base da discussão na Câmara.

CORREIO BRAZILIENSE

https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/118114/escala-6×1-veja-a-integra-e-o-que-muda-com-o-projeto-do-governo

Escala 6×1: veja a íntegra e o que muda com o projeto do governo

O apocalipse que nunca chega e a velha ladainha contra redução da jornada

Empresariado reedita previsões de colapso — já desmentidas pela história — diante do debate sobre o fim da escala 6×1 e a jornada de 40 horas no Brasil.

Marcos Verlaine*

É o catastrofismo como método e argumentos do início dos séculos 19 e 21, que “fundamentam” o pensamento dos representantes das confederações patronais que estiveram terça-feira (7) na CCJ da Câmara para debater o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas semanais.

Chega a soar patético, embora seja, infelizmente, bem real. Insistem na velha retórica do “fim do mundo”, enquanto tentam empurrar a votação das propostas para depois das eleições. E então, quem sabe, adiá-las para futuro indefinido. Desses que nunca chegam.

Nesse debate há padrão histórico difícil de ignorar: sempre que o Brasil discute ampliar direitos trabalhistas, parte do empresariado reage com previsões dramáticas. Agora, no debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, o roteiro se repete com fidelidade quase didática.

Segundo análise publicada pelo Diap — “Catastrofismo reciclado: patronais repetem roteiro contra redução da jornada e ignoram evidências históricas”1—, trata-se menos de diagnóstico econômico e mais de tradição retórica.

Não é a primeira vez. No século 19, o fim da escravidão foi tratado como sentença de morte da economia nacional. Décadas depois, a CLT também foi alvo de críticas semelhantes. Mais recentemente, no início dos anos 2000, o aumento do salário mínimo foi cercado por previsões de quebradeira generalizada. O tempo tratou de desmontar essas “teses” com simplicidade constrangedora: nada disso aconteceu.

O salário mínimo brasileiro, hoje na casa dos 290 dólares, continua baixo para padrões internacionais e, ainda assim, não há registro do colapso prometido. O “fim do mundo” econômico parece sempre adiado.

Redução da jornada: o que está em jogo

A proposta de reduzir a jornada semanal para 40 horas e rever a escala 6×1 — 6 dias de trabalho para 1 de descanso — toca em questões estruturais: produtividade, qualidade de vida e distribuição do tempo social.

Defensores da mudança apontam evidências acumuladas em diversos países e setores: jornadas menores tendem a aumentar a produtividade por hora trabalhada, reduzir afastamentos por saúde e melhorar o engajamento dos trabalhadores.

Há também impacto social relevante — mais tempo para família, estudo e lazer —, que são elementos frequentemente negligenciados em economias marcadas por longas jornadas.

Críticos, por outro lado, insistem no argumento de aumento de custos e perda de competitividade. É um ponto legítimo de debate, sobretudo para setores intensivos em mão de obra e com margens apertadas. Pequenas e médias empresas podem enfrentar dificuldades de adaptação se não houver políticas de transição.

Mas aqui reside o ponto central: reconhecer desafios não é o mesmo que decretar catástrofes.

Vantagens concretas

A literatura econômica e experiências internacionais indicam alguns efeitos recorrentes da redução de jornada:

  • Aumento da produtividade por hora: trabalhadores descansados produzem mais e melhor;
  • Redução de doenças ocupacionais: menos afastamentos e custos indiretos;
  • Geração potencial de empregos: ao redistribuir horas de trabalho; e
  • Estímulo ao consumo: mais tempo livre pode significar maior circulação econômica.

Além disso, há o componente civilizatório: a organização do trabalho não pode ser pensada apenas como variável de custo, mas como dimensão da vida humana.

Desafios reais (sem exageros)

Isso não significa que a transição seja trivial. Há riscos e pontos de atenção:

  • Aumento de custos no curto prazo, especialmente em setores de baixa produtividade.
  • Necessidade de reorganização produtiva, com investimentos em tecnologia e gestão.
  • Impacto desigual entre setores, que vai exigir políticas públicas calibradas.

Esses são problemas concretos — e, justamente por isso —, que devem ser enfrentados com política econômica, não com retórica alarmista.

ironias da história econômica

Talvez o traço mais curioso desse debate seja sua “previsibilidade”. O mesmo argumento — “vai quebrar o País” — atravessa séculos, regimes econômicos e transformações tecnológicas. Mudam os contextos, mas a reação é quase automática.

Se dependesse dessas previsões, o Brasil ainda estaria preso ao trabalho escravo, sem legislação trabalhista e com salários aviltantes como regra permanente. A história, felizmente, seguiu outro caminho.

Isso não transforma toda proposta de avanço em solução perfeita, nem elimina a necessidade de debate técnico rigoroso. Mas impõe um mínimo de prudência: antes de anunciar o apocalipse, convém consultar o passado.

Entre o medo e a evidência

O debate sobre o fim da escala 6×1 e a jornada de 40 horas é legítimo, necessário e, de fato, recorrente. O País precisa discutir como trabalhar melhor; não apenas mais.

O que não se sustenta é a reciclagem de um catastrofismo que já falhou reiteradas vezes. Como sugere o Diap, há descompasso entre o discurso patronal mais alarmista e as evidências históricas.

No fim das contas, a pergunta não é se o Brasil pode reduzir a jornada. A pergunta é se continuará refém de argumentos que, há mais de 1 século, insiste em prever colapso que nunca chega.

DIAP

https://diap.org.br/index.php/noticias/artigos/92865-o-apocalipse-que-nunca-chega-e-a-velha-ladainha-contra-reducao-da-jornada

Escala 6×1: veja a íntegra e o que muda com o projeto do governo

Veja quais são as propostas da nova Pauta da Classe Trabalhadora

As centrais sindicais promovem na manhã desta quarta-feira (15/4), em Brasília, mais uma Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, a Conclat 2026 – que tem como lema “Empregos, Direitos, Democracia, Soberania e Vida Digna”. No encontro, o sindicalismo vai apresentar à sociedade a nova Pauta da Classe Trabalhadora, reafirmando, como nas edições de 2010 e 2022, a busca de unificação programática em anos eleitorais.

O Portal Vermelho teve acesso à íntegra do documento. Com 24 páginas, o texto aponta dois pontos de partida a construção de uma plataforma de lutas para os trabalhadores brasileiros: o cenário de transformações aceleradas no mundo do trabalho e a necessidade de “consolidação dos avanços do governo Lula”. Se em 2022, sob o governo Jair Bolsonaro, o movimento sindical foi para a disputa presidencial com um discurso de resistência e reconstrução, a Pauta atual reconhece a mudança na correlação de forças.

As centrais enumeram 15 avanços concretos conquistados nos últimos anos, como a valorização do salário mínimo, o crescimento do emprego formal e a isenção no Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Em 2022, havia uma plataforma de enfrentamento, que foi vitoriosa – Lula se elegeu com o apoio decisivo do movimento sindical. Agora, o documento é de incidência sobre um ciclo em curso, para disputar os rumos do governo. Suas reivindicações indicam como aprofundar a reconstrução e viabilizar um novo projeto nacional de desenvolvimento.

A nova Pauta da Classe Trabalhadora é dividida em duas partes. A primeira destaca as prioridades imediatas, em plena pré-campanha eleitoral de 2026. É o caso das lutas pela redução da jornada de trabalho para 40 horas, com o fim da escala 6×1; pelo fortalecimento e a autorregulação dos sindicatos; pela regulamentação do trabalho mediado por plataformas digitais; e pelo combate à pejotização. São temas que já estão na ordem do dia, seja no Congresso Nacional, seja no Judiciário.

A segunda parte da Pauta é de propostas para o quadriênio 2027-2030 – um programa de disputa estratégica do futuro que as centrais sindicais vislumbram para o próximo mandato presidencial. Nessa parte, existem quatro eixos temáticos, que realçam as diretrizes programáticas do sindicalismo: desenvolvimento com trabalho decente, soberania e justiça social; trabalho, renda e direitos; direitos fundamentais; igualdade, diversidade e direitos humanos.

Assinam o documento os presidentes de oito centrais (CTB, CUT, Força Sindical, UGT, NCST, CSB e Pública Central do Servidor), além da secretária-geral da Intersindical Central da Classe Trabalhadora. Veja quais são as 68 propostas que serão consagradas na Conclat 2026 e integradas à Pauta da Classe Trabalhadora 2026-2030.

  • Redução da jornada de trabalho para 40 horas e fim da escala 6×1.
  • Geração de emprego decente com base no desenvolvimento produtivo.
  • Valorização do salário mínimo com meta de 60% do salário médio.
  • Fortalecimento e autorregulação dos sindicatos.
  • Revogação e revisão de marcos regressivos trabalhistas e previdenciários.
  • Fortalecimento das negociações e dos acordos coletivos.
  • Regulamentação do trabalho em plataformas digitais.
  • Combate à pejotização e às fraudes trabalhistas.
  • Campanhas contra o feminicídio.
  • Regulamentação da negociação coletiva no setor público.
  • Redução da taxa básica de juros e mudança na política monetária.
  • Aprimoramento do projeto nacional de desenvolvimento.
  • Democratização da formulação das políticas econômicas.
  • Investimentos em inovação e infraestrutura.
  • Proteção do trabalhador frente a importações e acordos comerciais.
  • Incentivo a micro, pequenas e médias empresas.
  • Implementação da transição justa e trabalho decente na agenda climática.
  • Ampliação de investimentos em ciência, tecnologia e inovação.
  • Fortalecimento da agricultura familiar e agroecologia.
  • Criação de um Sistema Nacional de Proteção Social.
  • Apoio público a projetos de transição justa.
  • Avanço na reforma tributária progressiva.
  • Fortalecimento da cooperação Sul-Sul.
  • Integração com países da América Latina.
  • Aprimoramento da capacidade do Estado.
  • Uso estratégico dos recursos naturais para desenvolvimento.
  • Fortalecimento da soberania econômica.
  • Reforma estrutural do sistema financeiro nacional.
  • Fortalecimento do sistema público de emprego, trabalho e renda.
  • Redução do custo do crédito e do endividamento das famílias.
  • Promoção da saúde e segurança no trabalho.
  • Revisão da terceirização irrestrita.
  • Ratificação da Convenção 158 da OIT (sobre demissões).
  • Combate à rotatividade no trabalho.
  • Regulamentação do trabalho doméstico (Convenção 189 da OIT).
  • Implementação da Política Nacional de Cuidados.
  • Implementação da igualdade salarial entre homens e mulheres.
  • Ampliação da proteção à maternidade (Convenção 183 da OIT).
  • Inclusão produtiva de grupos vulneráveis.
  • Inserção qualificada da juventude no mercado de trabalho.
  • Fortalecimento da economia solidária.
  • Avanço na reforma agrária e em políticas da agricultura familiar.
  • Garantia de direitos aos trabalhadores rurais (Convenção 101 da OIT).
  • Geração de empregos verdes de qualidade.
  • Sistema nacional de formação profissional continuada.
  • Atualização das políticas de emprego frente às transformações.
  • Isenção de Imposto de Renda sobre PLR.
  • Proteção do emprego diante de mudanças tecnológicas.
  • Proteção emergencial de renda em eventos climáticos.
  • Homologação de rescisões com assistência sindical.
  • Fortalecimento da participação social e diálogo tripartite.
  • Proteção integral aos desempregados.
  • Fortalecimento da inspeção do trabalho.
  • Combate a fraudes com PJ e MEI.
  • Combate ao trabalho infantil e análogo à escravidão.
  • Fortalecimento do FAT e do FGTS.
  • Fortalecimento do Ministério do Trabalho e Emprego.
  • Ampliação do acesso à moradia digna.
  • Implementação da tarifa zero no transporte coletivo.
  • Fortalecimento do SUS.
  • Valorização dos trabalhadores da saúde.
  • Universalização do saneamento básico.
  • Ampliação de escolas e creches em tempo integral.
  • Combate ao crime organizado e às milícias.
  • Segurança pública com base em direitos humanos.
  • Combate à discriminação e promoção da inclusão.
  • Proteção de povos e comunidades tradicionais.
  • Valorização da diversidade cultural brasileira.

VERMELHO
https://vermelho.org.br/2026/04/14/veja-quais-sao-as-propostas-da-nova-pauta-da-classe-trabalhadora/

Escala 6×1: veja a íntegra e o que muda com o projeto do governo

Hora extra e almoço mais curto: medo da inteligência artificial leva profissionais a trabalhar mais

O avanço da inteligência artificial no mercado de trabalho e o aumento das demissões, especialmente no setor de tecnologia, têm levado trabalhadores a se esforçar para demonstrar sua própria relevância. Eles trabalham mais, fazem menos pausas e buscam estar sempre visíveis.

Uma pesquisa da plataforma Resume.io, com mais de 3 mil profissionais, indica que, para demonstrar valor, empregados têm trabalhado em média 2 horas e 24 minutos extras por semana — o equivalente a quase 125 horas a mais por ano.

Essa escolha se traduz em mais horas extras, almoços mais curtos e no chamado “teatro da produtividade” — quando trabalhadores se esforçam para parecer ocupados.

Segundo especialistas, essa reação ao avanço da tecnologia nem sempre é a mais eficaz e pode até causar efeito rebote.

Thiago Genaro, psiquiatra da Conexa, afirma que aumentar o volume de trabalho não significa, necessariamente, maior proteção profissional.

“Trabalhar horas a mais não garantirá postos de trabalho”, diz. Para ele, a insegurança diante da inteligência artificial tem levado parte dos trabalhadores a uma estratégia que pode não dialogar com as mudanças estruturais pelas quais o mercado passa.

Para ele, essas mudanças estruturais indicam que o mercado está trocando o “quanto se trabalha” pelo “como e para quê se trabalha”.

Na avaliação do especialista em tecnologia da RS Systems, Emilio Salcedo, esse cenário de insegurança é agravado justamente pela forma como a tecnologia é incorporada no ambiente corporativo.

Ele afirma que, embora a IA possa reduzir tarefas repetitivas, também pode ampliar a pressão por produtividade quando não há revisão das metas e expectativas de desempenho.

A pesquisa da Resume.io sugere que essas mudanças de comportamento do trabalhador ocorrem por meio de ajustes contínuos no dia a dia.

Trabalhadores relatam responder a mensagens fora do expediente, reduzir pausas e assumir tarefas adicionais sem mudanças formais no contrato.

Um sinal claro dessa intensificação do trabalho aparece no tempo dedicado às pausas. Para 55% dos entrevistados, o intervalo de almoço diminuiu no último ano.

A maioria associa a redução à necessidade de se manter produtiva e visível. Em um ambiente em que a eficiência tecnológica redefine expectativas, o descanso passa a ser percebido como um risco.

Outro comportamento identificado pela pesquisa é o chamado “teatro da produtividade”, quando empregados sentem a necessidade de “parecer ocupados” para demonstrar valor.

Segundo os dados, 67% dos trabalhadores afirmaram sentir essa necessidade e adotar atitudes para se mostrar ocupados, como manter o status online constantemente ativo, responder a mensagens imediatamente e prolongar tarefas simples.

Para Genaro, essa lógica tende a perder espaço à medida que os critérios de avaliação evoluem.

“Com o avanço da inteligência artificial, as métricas de avaliação de desempenho tendem a ser cada vez mais sofisticadas e detalhadas (…) essas métricas irão identificar trabalhadores e setores com baixo engajamento e baixa produtividade”.

A pesquisa também aponta que mais da metade dos entrevistados percebe mudanças na forma como o desempenho é avaliado desde a adoção de ferramentas de inteligência artificial. Para 16%, a principal alteração está no ritmo: se a tecnologia realiza tarefas mais rapidamente, o trabalhador passa a ser cobrado a acelerar.

Sobre esse ponto, Genaro afirma que a eficiência técnica tende a se tornar um critério básico de avaliação.

Com a inteligência artificial assumindo tarefas repetitivas, sobra menos espaço para atividades mecânicas e mais demanda por análise, tomada de decisão e criatividade.

Salcedo reforça essa mudança ao afirmar que a IA não substitui categorias inteiras de forma imediata, mas elimina tarefas específicas, o que exige readequação constante das funções. Nesse contexto, ganham relevância profissionais que conseguem usar a tecnologia como apoio para análise, automação e tomada de decisão.

Isso muda também a forma de avaliação: em vez de horas extras ou presença constante, ganham peso as entregas, o impacto e a capacidade de usar a tecnologia a favor do trabalho.

“A inteligência artificial já vence o ser humano no xadrez”, exemplifica.

“Mas a IA não se emociona com um xeque-mate.” Segundo ele, ainda há um conjunto de competências que permanece restrito à experiência humana.

“O lado humano da experiência, da emoção e da criatividade ainda não entra no conjunto de competências da IA. E é nesse rol de competências que o trabalhador deve investir e se destacar no mundo corporativo.”

Apesar disso, o medo da substituição direta segue como a principal preocupação dos entrevistados. Para 34%, essa é a maior ameaça percebida. Outros 30% temem uma substituição gradual, enquanto 20% receiam que a IA seja usada para justificar cobranças mais intensas.

Já 14% afirmam temer ficar para trás em relação a colegas que dominam melhor as novas ferramentas tecnológicas.

Para o psiquiatra da Conexa, a resposta a esse cenário passa pela adaptação estratégica.

“O desenvolvimento de novas habilidades, em sintonia com as ferramentas da IA, me parece o melhor caminho para o trabalhador no século XXI”, afirma.

Segundo Salcedo, compreender o básico da tecnologia, mapear tarefas automatizáveis e desenvolver pensamento crítico já são diferenciais importantes nesse novo contexto.

Ele também chama atenção para os efeitos emocionais dessa transição. Segundo o especialista, a pressão por produtividade pode aumentar a sensação de insegurança e sobrecarga, especialmente quando a adoção da tecnologia não vem acompanhada de ajustes claros nas expectativas de desempenho.

“O maior risco não é a tecnologia em si, mas a forma como ela é implementada sem suporte adequado”, resume.

G1

https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/04/15/medo-da-inteligencia-artificial-leva-profissionais-a-trabalhar-mais.ghtml

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Mínimo legal: TRT-15 mantém penhora de 30% do salário de devedora

Decisão reafirma a possibilidade de constrição de rendimentos, respeitando os limites legais.

Da Redação

A 4ª câmara do TRT da 15ª região ratificou a decisão de penhorar 30% do salário de uma devedora, visando o pagamento de um débito trabalhista. A medida foi condicionada à garantia de que a executada receba, no mínimo, um salário mínimo mensal.

Tal deliberação está em consonância com o posicionamento do TST, que autoriza a retenção de parte dos rendimentos para quitar dívidas trabalhistas, desde que observados os limites estabelecidos por lei.

No curso do processo, a executada teve valores bloqueados em suas contas bancárias e contestou a ação, alegando que os montantes possuíam natureza salarial e, portanto, seriam legalmente impenhoráveis.

Adicionalmente, argumentou que a retenção de parte de seus vencimentos comprometeria sua própria subsistência.

Decisão admite a constrição de rendimentos para satisfação de crédito trabalhista, respeitados os limites legais.

Ao analisar o recurso, o colegiado confirmou a decisão da 1ª instância, que havia autorizado a penhora parcial dos rendimentos, com base no precedente vinculante do TST (Tema 75). Este precedente estabelece a validade da constrição salarial para o pagamento de dívidas trabalhistas, desde que limitada a 50% dos rendimentos líquidos e assegurado o recebimento de, pelo menos, um salário mínimo.

A desembargadora Eleonora Bordini Coca, relatora do acórdão, ressaltou que, embora o salário possua natureza alimentar, a legislação e a jurisprudência permitem sua penhora em situações excepcionais, especialmente para a satisfação de créditos trabalhistas.

Conforme a magistrada, “ainda que a verba penhorada corresponda a salário, a constrição dos valores que superarem o salário mínimo é legítima”.

O colegiado também manteve o bloqueio de valores nas contas bancárias da executada, justificando a decisão pela ausência de comprovação de que tais quantias estariam protegidas por alguma regra de impenhorabilidade.

Processo: 0004100-91.1996.5.15.00677
Leia aqui o acórdão: https://arq.migalhas.com.br/arquivos/2026/4/F77B2875EFBD38_trt-penhora.pdf

MIGALHAS

https://www.migalhas.com.br/quentes/453919/minimo-legal-trt-15-mantem-penhora-de-30-do-salario-de-devedora

Escala 6×1: veja a íntegra e o que muda com o projeto do governo

Centralidade do trabalho

O trabalho perdeu centralidade no ordenamento da vida e na construção de identidades individuais e coletivas de homens e mulheres no mundo contemporâneo? A resposta a essa indagação pressupõe a problematização de múltiplas dimensões da vida social.

Como é sabido, a discussão em torno da perda da centralidade do trabalho no capitalismo contemporâneo é devedora da desindustrialização sofrida pelos países do centro do sistema a partir dos anos 1970. Termos como “sociedade pós-industrial” (Alain Touraine), “fim das ideologias” (Daniel Bell) ou “adeus ao trabalho” (André Gorz) povoaram os debates no ocidente capitalista naqueles anos. Mas olhando o processo de uma perspectiva mais ampla, planetária, isso não significou o desaparecimento da classe operária industrial, que, na verdade, passou a crescer de forma vertiginosa em novos territórios produtivos, fruto da busca capitalista por custos mais baixos de produção, com menor controle ambiental e uma força de trabalho menos organizada. O industrialismo deixou a Europa e os Estados Unidos (e também o Brasil) em direção à China, à Índia e diversos países do sudeste asiático, da África e parte da América Latina, e com isso reconfigurou as oportunidades de vida e trabalho nessas regiões, repondo o tema da centralidade do trabalho em outros contextos sociais e políticos.

As mudanças em curso no mundo do trabalho, dentre elas a revolução tecnológica 4.0, não mudam esse quadro. Ainda no século XIX, Karl Marx figurou uma sociedade em que os avanços tecnológicos baseados na ciência libertariam a humanidade do fardo do trabalho pesado, de tal modo que cada pessoa trabalharia cada vez menos, segundo suas capacidades, para obter o necessário a uma vida digna. Em 1930, John Maynard Keynes previu que, num futuro próximo, os avanços tecnológicos e os ganhos de produtividade daí advindos permitiriam a redução da jornada de trabalho a algo em torno de 15 horas semanais. Homens e mulheres teriam, assim, mais tempo para se dedicar ao lazer, à família, aos amigos e ao desenvolvimento pessoal. E isso está em parte acontecendo, pois muitos países estão experimentando a semana de quatro dias de trabalho, com jornadas de 30 ou 32 horas semanais. Trabalhar menos para trabalharem todos, decretou Guy Aznar no início da década de 1990.

Contudo, as novas tecnologias informacionais e digitais (a nova face da permanente revolução tecnológica capitalista) têm, ao contrário, ampliado de forma substancial as possibilidades de controle do trabalho, sem necessariamente reduzir jornada de trabalho ou garantir o emprego e a remuneração. Na verdade, a instabilidade dos vínculos empregatícios e a imprevisibilidade da renda para satisfação das necessidades são elementos constitutivos das novas formas de uso do trabalho. Estão de volta variadas modalidades de trabalho análogo à escravidão, convivendo com trabalho intermitente, por conta própria, sem contratos, em tempo parcial, a domicílio, em plataformas digitais… O trabalho remoto e o home office permitem que o trabalho seja realizado a qualquer hora e em qualquer lugar, rompendo as fronteiras físicas da empresa, transformando a casa do/a trabalhador/a em extensão do escritório, borrando os limites entre os tempos de trabalho e de lazer. Apesar de propiciarem, em tese, maior autonomia ao trabalhador e à trabalhadora, para as mulheres o home office muitas vezes quer dizer sobrepor a subordinação à empresa às penas do trabalho doméstico. Implica, ainda, no aumento das responsabilidades e do engajamento individual, sendo o/a trabalhador/a instado/a a ser “empreendedor/a de si mesmo” no interior da empresa e fora dela, incorporando formas de autocontrole e autogerenciamento permanentes, muito distante das ideias de liberdade e autonomia que alimentaram as utopias de Marx e Keynes.

O trabalho colaborativo, presente no desenvolvimento de softwares, apps, jogos virtuais e outros da nova economia digital (ou criativa, segundo alguns), exige cada vez mais o engajamento subjetivo do trabalhador e sua criatividade. A matriz discursiva associando competitividade, proatividade e inovação como atributos necessários da pessoa que trabalha vem associada a estratégias de individualização e de valorização do mérito. O neoliberalismo como “nova razão do mundo” coloniza valores, comportamentos, signos e modos de apreensão da realidade, e naturaliza a ideia do trabalhador autogerenciado, (auto)disciplinado e “livre”. Em toda parte, e também no Brasil, a educação formal passa por reformas que visam a adequá-la ao objetivo de formar o novo trabalhador. Pautadas no esvaziamento dos conteúdos científicos, técnicos e culturais do conhecimento, imprimem à educação um sentido instrumental, utilitário e mercantil, centrado no individualismo e na competição.

Essas são mudanças incontestáveis e profundas nos modos de se trabalhar e de se conceber o trabalho. Mas é sempre de trabalho e suas permanentes metamorfoses que estamos falando. O mercado de trabalho ainda é o principal mecanismo de inclusão produtiva e social das pessoas. Malgrado o avanço inconteste das tecnologias de informação poupadoras de mão de obra e da financeirização da reprodução do capital, ainda é por meio do trabalho que parte substancial da riqueza social é produzida e distribuída. A divisão do trabalho configura a estrutura econômica e social de um país e do próprio planeta. É pelas experiências de ocupação que as pessoas obtêm meios de vida. A imensa maioria da população passa mais tempo trabalhando do que em qualquer outra atividade rotineira. O trabalho, se precário e aviltante, ou se digno e recompensador, é um fato da vida.

Diante disso, embora a discussão sobre a perda da centralidade do trabalho remonte a meados da década de 1970, parece ainda prematuro decretar sua derrocada.

Adalberto Cardoso é professor titular do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ)

DM TEM DEBATE

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