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Marinho quer apresentar propostas de revisão na reforma trabalhista até julho

Marinho quer apresentar propostas de revisão na reforma trabalhista até julho

Ministro disse que está criando um grupo técnico que começará a trabalhar ‘em breve’ no tema. Objetivo é rever pontos que serão discutidos com representantes de empregadores e trabalhadores

Por Rafael Vazquez, Valor — São Paulo

Após reunião nesta segunda-feira (13) com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse em entrevista coletiva que está criando um grupo técnico que começará a trabalhar “em breve” para elaborar propostas de revisão na reforma trabalhista aprovada em 2017. Segundo ele, o objetivo não será revogar a reforma, mas rever pontos que serão discutidos em conjunto com representantes de empregadores e trabalhadores.

 

Marinho despistou a sobre de quais pontos da reforma da gestão Temer pretende propor revisão, mas informou que a meta é promover o debate técnico entre os representantes dos dois lados e apresentar algo concreto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no fim deste primeiro semestre. A partir disso, de acordo com o ministro, o presidente é quem vai definir quando a pauta será apresentada ao Congresso.

 

“Não somos o governo do ‘canetaço’. É um governo de diálogo e construção que vai agir mais como um intermediador das relações capital e trabalho do que propriamente ditar. Mas, evidentemente, se há conflito, o governo é o árbitro”, disse Marinho em resposta à pergunta do Valor.

 

O ministro comentou que a valorização de negociações coletivas deve fazer parte dessa discussão, assim como a preocupação com a grande rotatividade de trabalhadores nas empresas.

 

“Pretendemos, é o meu desejo, oferecer algo ao Parlamento no primeiro semestre, depois de passar pelo presidente, evidentemente”, comentou, ressaltando que a ideia é criar um entendimento prévio entre empregadores e trabalhadores sobre os pontos mais polêmicos da atual legislação trabalhista para gerar um ambiente de convencimento entre os parlamentares. “Tudo tem que estar muito ligado a sensibilidade do Parlamento, que é quem dará a palavra final sobre qualquer mudança.”

 

Durante a reunião na Fiesp, um empresário sugeriu a Marinho a reflexão de que, em micro e pequenas empresas, um entendimento direto entre patrões e funcionários muitas vezes pode funcionar melhor do que acordos coletivos. O argumento é o de que em empresas menores os próprios trabalhadores conseguem entender momentos de maior dificuldade ou reivindicar mais em momentos de bonança.

Marinho não respondeu esse pedido específico de reflexão do empresariado, mas afirmou que manterá o canal aberto e prometeu avaliar concessões. O presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, entregou a ele três ofícios com pedidos para a criação de grupos técnicos, sendo um deles relacionado à desburocratização de exigências do Ministério do Trabalho em relação ao preenchimento de informações que, segundo a entidade, muitas vezes nem os próprios trabalhadores querem fornecer.

 

Josué falou na necessidade de “dirimir dificuldades operacionais”, ponto no qual Marinho disse estar aberto a fazer concessões.

Marinho quer apresentar propostas de revisão na reforma trabalhista até julho

Em reunião interna do PT, Haddad diz que Lula deve decidir nos próximos dias sobre faixa de isenção do IR e salário mínimo

De acordo com o ministro da Fazenda, propostas já estão na mesa do presidente. Programa Desenrola, que trata de renegociação de dívidas, também está próximo de ser anunciado.

Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (13) que já estão na mesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o texto que define o novo salário mínimo e a proposta que altera a faixa de isenção do Imposto de Renda.

 

Durante reunião do diretório do Partido dos Trabalhadores, em Brasília, Haddad disse que os anúncios devem ser feitos por Lula “antes ou depois do carnaval”.

 

O programa Desenrola, que trata de renegociação de dívidas, também está próximo de ser anunciado, segundo o ministro.

Salário mínimo

 

Apesar de estar previsto no orçamento federal, a correção do salário mínimo para R$ 1.320 ainda não foi feita pelo governo federal.

 

Atualmente, segundo medida provisória baixada pelo presidente Jair Bolsonaro em dezembro do ano passado, está valendo o valor de R$ 1.302.

 

Segundo o Ministério da Fazenda, houve aumento significativo no número de beneficiários do INSS, cujos pagamentos são, em sua maioria, atrelados ao mínimo.

 

Por conta da inclusão de novas famílias no INSS, o ministro afirmou que o governo está refazendo as contas. Foi criado um grupo de trabalho para tratar do assunto.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, tem dito que um eventual reajuste acima de R$ 1.302 poderia ter validade a partir do início de maio, mês em que é comemorado o Dia do Trabalho.

Tabela do Imposto de Renda

 

Durante a campanha presidencial, o presidente Lula prometeu isentar do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF) quem ganha até R$ 5 mil mensais.

 

No mês passado, o ministro Luiz Marinho afirmou que o governo vai observar a responsabilidade fiscal para implementar essa promessa, e indicou que a isenção será gradual. Ou seja, que não seria implementada de uma só vez.

 

“O presidente Lula é muito responsável. O compromisso [de isenção para até R$ 5 mil] é pra valer, acreditamos que é possível fazer. Estamos discutindo como começar a fazer os ‘degrauzinhos’. É possível falar de alguma correção para esse ano? Talvez seja. A economia vem trabalhando. Vai coordenar o processo. Tem esse espaço, vamos fazer. Não tem, vamos trabalhar para o ano seguinte”, declarou ele, na ocasião.

Desenrola

 

A GloboNews apurou, em janeiro, que um fundo com recursos da União será utilizado para honrar as dívidas dos endividados em caso de inadimplência.

 

Dessa forma, o risco para os bancos seria menor, e o programa seria mais atrativo para as instituições financeiras.

O Desenrola foi uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As conversas entre Ministério da Fazenda, instituições financeiras e birôs de crédito para implementação da medida estão avançadas.

G1

https://g1.globo.com/politica/noticia/2023/02/13/em-reuniao-interna-do-pt-haddad-diz-que-lula-deve-decidir-nos-proximos-dias-sobre-faixa-de-isencao-do-ir-e-salario-minimo.ghtml

Marinho quer apresentar propostas de revisão na reforma trabalhista até julho

PIS-Pasep: quase 400 mil ainda não sacaram o abono salarial ano-base 2020; veja como resgatar o dinheiro esquecido neste ano

Desse total, 120.947 não sacaram R$ 100,54 milhões do PIS e 279.028 não retiraram R$ 257,39 milhões do Pasep.

Por Marta Cavallini, g1

O abono salarial PIS–Pasep pago no ano passado, referente ao ano-base 2020, não foi sacado por 399.975 pessoas. O total ainda disponível é de R$ 357,94 milhões.

 

Do total de trabalhadores, 120.947 não sacaram R$ 100,54 milhões do PIS e 279.028 não retiraram R$ 257,39 milhões do Pasep.

 

Os dados fornecidos pelo Ministério do Trabalho foram atualizados até 26 de janeiro.

 

De acordo com o ministério, o total de 25,987 milhões de trabalhadores têm direito ao abono salarial do ano-base 2020 – 23,23 milhões são do PIS (totalizando R$ 20,43 bilhões em recursos) e 2,75 milhões do Pasep (R$ 3 bilhões).

Do total, 99,47% dos trabalhadores já sacaram o PIS e 89,81%, o Pasep – leia abaixo como consultar o valor e como sacar o benefício.

 

Os pagamentos do abono salarial ano-base 2020 terminaram no dia 29 de dezembro do ano passado.

O que fazer se perdeu o prazo

 

O Ministério do Trabalho informa que os trabalhadores que não sacaram o abono salarial do ano-base de 2020 poderão solicitar o valor a partir de 15 de fevereiro, quando começa o pagamento do calendário do abono salarial deste ano (leia mais abaixo).

 

A solicitação deve ser feita por meio da abertura de um recurso administrativo no Ministério do Trabalho. O procedimento leva a esfera federal a analisar o caso e liberar o valor para o trabalhador.

 

A abertura de recurso administrativo poderá ser feita nos canais de atendimento do Ministério do Trabalho nas unidades regionais do trabalho, pelo telefone 158 ou pelo e-mail: trabalho.uf@economia.gov.br (substituir os dígitos uf pela sigla do estado de domicílio do trabalhador).

 

O abono salarial fica disponível ao trabalhador até cinco anos após o fim do prazo regular de saque. Ou seja, quem não sacou o abono do ano-base 2020 tem até 29 de dezembro de 2027 para fazê-lo.

O procedimento para pedir o saque fora do prazo regular é o mesmo tanto para quem tem direito ao PIS quanto ao Pasep. Após a abertura do recurso administrativo, o ministério dará um parecer em até 30 dias. Em caso de deferimento, o valor é liberado no lote do mês imediatamente seguinte ao mês da análise. Por exemplo, se for liberado em janeiro, o trabalhador recebe o valor no mesmo lote de quem tem direito ao benefício em fevereiro.

 

É possível solicitar o pagamento presencialmente, por telefone, por aplicativo ou por e-mail.

 

Presencialmente

 

Quem optar pela opção presencial deve ir a uma das unidades do Ministério do Trabalho e pedir a abertura de recurso administrativo para reenvio do valor do abono salarial. No caso de vinculados ao PIS, o dinheiro será encaminhado à Caixa Econômica Federal. Para quem é cadastrado no Pasep, o pagamento é feito via Banco do Brasil.

 

É possível entrar com o recurso administrativo em diferentes postos da rede de atendimento do ministério, como nas Superintendências Regionais de Trabalho e Emprego, Gerências Regionais do Trabalho e Emprego, agências regionais, agências do Sistema Nacional do Emprego (Sine) e em unidades móveis do trabalhador.

 

No site do ministério é possível consultar os endereços de todos os postos de atendimento presencial em todas as unidades da Federação.

Telefone

 

Para solicitar o pagamento do abono salarial referente a 2020 pelo telefone basta ligar na Central Alô Trabalhador, pelo número 158. A central opera das 7h e às 19h e a ligação é gratuita a partir de qualquer telefone fixo. Já as chamadas pelo celular serão cobradas. O serviço pode ser realizado de maneira eletrônica ou por um atendente.

 

Aplicativo

 

A solicitação por aplicativo é realizada pela Carteira de Trabalho Digital, disponível para celulares nas lojas de sistemas Android e iOS. O Ministério do Trabalho recomenda que o programa esteja atualizado nos dispositivos. Pelo app, é possível verificar se o trabalhador tem direito ao benefício, o valor do abono, a data de saque e o banco para recebimento. O portal gov.br também fornece essas informações.

 

E-mail

 

Para solicitar o recurso administrativo via e-mail, o trabalhador deve se atentar à sigla da unidade da Federação onde mora, já que o endereço eletrônico é diferente em cada estado. O e-mail é trabalho.uf@economia.gov. Atenção: as letras “UF” devem ser trocadas pela sigla da unidade federativa de moradia do trabalhador.

Quem tem direito ao abono deste ano

 

Têm direito ao abono salarial do ano-base 2021 o total de 22,9 milhões de trabalhadores – 20,4 milhões recebem o PIS e 2,5 milhões recebem o Pasep. O total pago é de R$ 24 bilhões.

Pode receber o abono salarial PIS-Pasep quem atender a todos os seguintes critérios:

 

  • Estar inscrito no programa PIS/Pasep há pelo menos cinco anos;
  • Trabalhar para empregadores que contribuem para o Programa de Integração Social (PIS) ou para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep);
  • Ter recebido, em média, até 2 salários mínimos de remuneração mensal no ano-base considerado para o pagamento (2021);
  • Ter exercido atividade remunerada por pelo menos 30 dias, consecutivos ou não, no ano-base considerado para o pagamento (2021);
  • Ter os dados informados pelo empregador (pessoa jurídica ou governo) corretamente na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) ou no eSocial do ano-base considerado para apuração (2021).

 

Não têm direito ao abono, mesmo que se enquadrem nas situações acima:

 

  • empregados domésticos
  • trabalhadores rurais empregados por pessoa física
  • trabalhadores urbanos empregados por pessoa física
  • trabalhadores empregados por pessoa física equiparada a jurídica

Calendário

 

Os pagamentos do abono salarial do ano-base 2021 começam em 15 de fevereiro. O calendário de pagamentos leva em consideração o mês de nascimento, para trabalhadores da iniciativa privada, e o número final da inscrição, para servidores públicos.

 

O PIS é destinado aos trabalhadores do setor privado e é pago na Caixa Econômica Federal. O Pasep é pago para servidores públicos por meio do Banco do Brasil.

Veja os calendários abaixo:

 

Como consultar o benefício

 

Para saber se tem direito e quando e quanto vai receber do abono salarial, o trabalhador pode ligar para o número 158 ou consultar a Carteira de Trabalho Digital.

 

 

Para baixar o aplicativo da Carteira de Trabalho Digital no celular, clique nos links abaixo.

 

Se o trabalhador já tem o aplicativo, é recomendado que ele faça a atualização.

 

Ele deve acessar o sistema com o CPF e senha do gov.br ou fazer cadastro em caso de primeiro acesso. Depois, é preciso clicar em Benefícios e então em Abono Salarial. Nesse campo ele saberá se é ou não habilitado.

 

Desde 5 de fevereiro, o trabalhador do setor privado também pode consultar a situação do benefício e a data de pagamento nos aplicativos Caixa Trabalhador e Caixa Tem.

 

Trabalhadores vinculados ao Pasep também podem fazer a consulta no link do Banco do Brasil. Há também a opção de ligar para a Central de Atendimento do BB (4004-0001, capitais e regiões metropolitanas, ou 0800 729 0001, interior).

 

Pagamento

 

Os trabalhadores da iniciativa privada com conta corrente ou poupança na Caixa Econômica Federal receberão o crédito do PIS automaticamente no banco, de acordo com o mês de seu nascimento.

Os demais beneficiários receberão os valores por meio da poupança social digital, que pode ser movimentada pelo aplicativo Caixa Tem.

 

Caso não seja possível a abertura da conta digital, o saque poderá ser realizado com o Cartão do Cidadão e senha nos terminais de autoatendimento, unidades lotéricas, Caixa Aqui ou agências, também de acordo com o calendário de pagamento escalonado por mês de nascimento.

 

O pagamento do abono do Pasep ocorre via crédito em conta para quem é correntista ou tem poupança no Banco do Brasil. O trabalhador que não é correntista do BB pode efetuar a transferência via TED para conta de sua titularidade por meio dos terminais de autoatendimento, pelo site www.bb.com.br/pasep ou nos caixas das agências.

Qual é o valor

 

O valor do abono salarial pode chegar ao valor de até um salário mínimo, de acordo com a quantidade de meses trabalhados. Só recebe o valor total quem trabalhou os 12 meses do ano anterior.

Com o aumento do salário mínimo em 1º de janeiro, o valor do abono salarial passa a variar de R$ 108,50 a R$ 1.302, de acordo com a quantidade de meses trabalhados. Só receberá o valor máximo quem trabalhou os 12 meses de 2021.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/02/14/pis-pasep-quase-400-mil-ainda-nao-sacaram-o-abono-salarial-ano-base-2020-veja-como-resgatar-o-dinheiro-neste-ano.ghtml

Marinho quer apresentar propostas de revisão na reforma trabalhista até julho

Siglas que apoiaram bolsonarista à presidência do Senado estão isoladas

São elas: PL, PP e Republicanos. As presidências das 14 comissões devem ficar com os partidos que deram apoio à reeleição de Rodrigo Pacheco (PSD-MG)

por Redação

O PL, de Bolsonaro, mais PP e Republicanos, que tentaram eleger o ex-ministro Rogério Marinho (PL-RN) na presidência do Senado, estão isolados e devem ficar fora do comando das 14 comissões da Casa.

As presidências dos colegiados devem ficar sob o comando dos dois maiores blocos: MDB, União Brasil, Podemos, PSDB, PDT e Rede, com 30 parlamentares, e PSD, PT e PSB, com 28. Ambos apoiaram a reeleição do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

De acordo com O Globo, os três colegiados mais cobiçados são a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que deve ficar com Davi Alcolumbre (União-AP); a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), cujo acordo é que seja comandada por Vanderlan Cardoso (PSD-GO); e a Comissão de Relações Exteriores (CRE), que o MDB avalia indicar Renan Calheiros (MDB-AL).

Por conta da eleição para a presidência, os senadores do bloco conhecido como Centrão também ficaram sem representante na Mesa, o mesmo pode acontecer no comando das comissões cujas eleições estão marcadas para depois do carnaval.

Até mesmo integrantes dos partidos que deram apoio a Marinho reconhecem o isolamento. O ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS) diz que há uma articulação para impedir que as três legendas não prevalecessem com as comissões.

“Nós do Republicanos teríamos a décima escolha. Tenho escutado que não seguirão, assim como na escolha da mesa. Desconhecem o que é ser magnânimo”, afirmou.

“Parlamentares dos grupos que apoiam Pacheco dizem que já há um acordo para dividir todas as comissões entre os partidos dos dois maiores blocos. Reservadamente, eles admitem a possibilidade de um senador de oposição presidir uma comissão, mas somente de se fazer parte de um dos partidos dos maiores blocos, como é o caso do PSDB e Podemos”, revelou reportagem do jornal carioca.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/02/13/siglas-que-apoiaram-bolsonarista-a-presidencia-do-senado-estao-isoladas/

Marinho quer apresentar propostas de revisão na reforma trabalhista até julho

Moeda comum: retórica integracionista ou estratégia geopolítica?

Há um consenso de que moedas digitais são tendências crescentes em governos de todo o mundo, e claro, o Brasil e América do Sul não podem ficar de fora

por Amanda Harumy, Nastasia Barceló

A possibilidade de criação de uma moeda regional na América do Sul tem sido um tema polêmico nas análises, mas quais são as principais transformações centralizadas nessa proposta?

Aos críticos, de imediato destacamos que se trata de uma moeda regional e não uma moeda única, como é o Euro para a União Europeia. No caso sul-americano, seria uma moeda para transações comerciais (do comércio internacional) entre os Estados da região, que decidam incorporar-se, ou seja, não se trata de uma moeda de “circulação” interna. De acordo com diversas fontes, tudo indica que se chamará “Sul”, ou “Sur” na sua tradução em espanhol.

Quando se trata de integração regional, não podemos analisar apenas pela compreensão técnica e econômica, mas sim os fatores políticos, pois qualquer avanço na integração regional da América Latina depende majoritariamente da vontade política e correlação de forças.

Por trás dessa proposta há vários sinais políticos de grande relevância, talvez o mais significativo seja o retorno do Brasil à Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac). Na última cúpula, o Brasil se aproveitou do alcance geográfico e político dessa organização para reafirmar o compromisso com um projeto de integração latino-americana que gere maior soberania e autonomia estratégica para o nosso continente.

A Celac surgiu no México, em um contexto de perda de legitimidade da Organização dos Estados Americanos (OEA), e com ela do sistema interamericano no seu conjunto. Sem dúvida a Celac tem uma relevância inquestionável na reorganização geopolítica, e o retorno do Brasil, junto a um novo governo de bases sócio-políticas populares, é um fato histórico.

Outra posição importante para compreender em que cenário se dá a proposta da moeda comum é a sinalização do retorno da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

O objetivo de uma moeda regional sem dúvida é ambicioso, mas quando começamos a escrever este texto nos questionamos: por que agora, em um momento de transição de um novo governo, e não depois?

Ainda que a ideia esteja soando no âmbito doméstico no Brasil há vários anos, formalmente é uma iniciativa conjunta dos governos brasileiro e da Argentina. A proposta inicial é que seja uma moeda digital para facilitar (e diminuir os custos) das transações do comércio exterior na região, e de forma concomitante reduzir a dependência do dólar.

Há um grande debate teórico sobre integração regional na formação acadêmica de relações internacionais, pois dentro da perspectiva teórica clássica seria mais “lógico” continuar fortalecendo os mecanismos de integração – seguir passo a passo do que a teoria da integração nos ensina, onde a implementação de uma moeda seria um dos últimos estágios. Mas nem sempre as respostas podem ser encontradas na teoria, e quando esta não reflete a realidade, é necessário voltar para os acontecimentos e compreender as correlações de forças.

Dessa forma é válido destacar que as etapas já estabelecidas no passado para a progressiva construção do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e Unasul, foram esvaziadas e debilitadas, desde 2015, pelas políticas externas neoliberais.

A resposta é complexa e para compreendê-la é necessário fazer o exercício de análise geopolítica mais ampla, pois apenas a análise da conjuntura regional não basta. Há que ter em conta que já existe um projeto do Federal Reserve dos EUA (FED) para criar uma espécie de “dólar digital”. A possibilidade da criação de uma versão digital oficial do dólar foi levantada pelo FED em um relatório publicado em janeiro de 2022. A concretização do dólar digital viria a dificultar, ainda mais, a criação de um mecanismo de pagamentos e transações como uma moeda regional na América do Sul.

De certa forma isso mostra a urgência com que a questão da moeda vem sendo levantada desde a campanha presidencial de Lula da Silva: “se Deus quiser vamos criar uma moeda na América Latina para não ter esse negócio de ficar dependendo do dólar”, afirmou o então candidato em 30 de abril de 2022.

O FED está considerando a possibilidade de lançar um dólar digital desde 2017 e, especialmente em 2022, tem sido muito debatido na imprensa nacional dos EUA. Esse dólar eletrônico seria considerado moeda legal e funcionalmente idêntico a um dólar físico. Rohan Grey, professor assistente da Universidade de Willamette, nos EUA, que foi consultor da proposta, disse ao CoinDesk que “estamos propondo ter um instrumento ao portador genuíno semelhante ao dinheiro, um sistema baseado em token que não possui um livro-razão centralizado ou distribuído porque não tem nenhum livro. Ele usa software e hardware seguros e é emitido pelo Tesouro”. [1]

Os avanços no sistema político norte-americano e a celeridade com que tem se tratado os diversos projetos (há mais de um, claro) no sistema político deve ter sido um sinal para os nossos políticos, fundamentalmente para a cúpula que acompanha o presidente Lula. A implementação do dólar digital acarretaria maior dependência dessa moeda, num contexto internacional que tem sido marcado, nos últimos anos, pela diversificação monetária.

Os criptoativos, eliminam a necessidade de uma conta bancária para realizar transações, o que é visto pelo FED norte-americano como um ponto favorável de um possível dólar digital devido à possibilidade de inclusão financeira.

A proposta de uma moeda digital compartilhada com os países da região não é nova, o avanço de alguns processos, como o dos EUA tem acelerado os tempos políticos. Esta vez a política sobrepõe-se à economia, e podemos dizer que estamos numa “corrida monetária”. Esse fator é central no debate, pois é reflexo da tendência de diversificação de moedas que ocorre em todo o mundo, principalmente em um cenário internacional marcado pelas consequências geoeconômicas decorrentes da guerra da Ucrânia.

Ao analisarmos os discursos de Lula ao longo deste ano, há um argumento que se repete uma e outra, e outra vez vejamos. Em 23 de janeiro, no encontro com o presidente argentino Alberto Fernandez, Lula declarou: “se dependesse de mim, a gente teria comércio exterior sempre nas moedas dos outros países para que a gente não tenha que depender do dólar. Por que não tentar criar uma moeda comum entre os países do Mercosul? Por que não tentar criar uma moeda comum entre os países do Brics?”

A procura de soberania monetária pode ser sintetizada na frase “diminuir a dependência do dólar”, ao mesmo tempo, que desde os Estados Unidos se considera dólar digital é “necessidade unânime” para competir com a China.

Outro ponto de destaque é que todas as atuais movimentações políticas dos principais atores globais estão sob uma lógica de reorganização, após a guerra da Ucrânia. As sanções econômicas contra a Rússia em março de 2022 não significaram de fato um bloqueio econômico, como ocorre com Venezuela e Cuba, pois rapidamente apostaram na diversificação monetária para suas transações diminuindo os impactos da sanção em relação ao uso do dólar. Esse fato acelerou uma tendência mundial de uso de criptomoedas e diversificação de divisas.

Num artigo do Exame, na seção Future Money, de 21 de setembro de 2022, se insiste sobre o porquê  o governo norte-americano deveria lançar um dólar digital. Lá se enumeram vários motivos: para que o país possa manter sua soberania na concorrência com a China, que já está em fase avançada de testes de seu iuane digital; garantir que o dólar norte-americano “permaneça a moeda de reserva de valor mundial”; os EUA precisam de “um ativo digital que mantenha seus valores” para que os potenciais investidores optem por comprar uma CBDC norte-americana ao invés de uma chinesa.

Portanto, existe um consenso sobre o fato de que as moedas digitais de bancos centrais são uma tendência crescente em governos de todo o mundo, e claro, o Brasil junto à América do Sul não podem e nem devem ficar por fora dessa tendência mundial, que, entre outras coisas, permitirá diminuir os custos de importação e de exportação entre os países que aceitem as moedas digitais. É neste contexto, de não ficar atrás da corrida monetária, que a necessidade de criar o “Sur” se desenvolve para além da retórica integracionista e sim fundamentada em uma estratégia geopolítica.

Se o objetivo é voltarmos mais soberanos e autônomos, num mundo que cada vez mais depende da força das regiões e não dos Estados nacionais isoladamente, acreditamos que os países da região deveriam analisar, com sentido estratégico, a proposta que tem sido formulada pela agora renovada aliança estratégica entre Brasil-Argentina.

Considerando que há um cenário constante de disputa no Brasil, há implicações na força da proposta que dependem da tramitação e apoio interno, inclusive do Banco Central.

¹https://www.google.com/amp/s/www.infomoney.com.br/mercados/legisladores-dos-eua-propoem-dolar-digital-totalmente-anonimo-entenda/amp/.

(*) Amanda Harumy é doutoranda do Programa de Pós-Graduação Integração da América Latina (Prolam) da Universidade de São Paulo (USP), coordenadora geral da Associação de Pós Graduandos da USP Capital e integrante do programa Rodamundo, de Opera Mundi.

(*) Nastasia Barceló é doutoranda junto ao Programa de Pós-Graduação Integração da América Latina (Prolam) da Universidade de São Paulo (USP) e mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/02/13/moeda-comum-retorica-integracionista-ou-estrategia-geopolitica/

Marinho quer apresentar propostas de revisão na reforma trabalhista até julho

Lira vai enquadrar deputados por discursos com ofensas e ameaças

Marcada para esta terça-feira (14), a reunião do Colégio de Líderes da Câmara dos Deputados discutirá a postura dos parlamentares após várias trocas de ofensas no Plenário da Casa. O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), planeja estabelecer “boas práticas de oratória” para elevar o nível do debate político.

“Foi deprimente o que nós vimos aqui ante o comportamento de parlamentares, de parte a parte, uns acusando, outros defendendo, e vice-versa”, disse Lira na sexta-feira (10). O presidente da Câmara destacou que os deputados que se excederem poderão ser punidos no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. “A partir da eleição do próximo Conselho de Ética, independentemente de lado, sigla, ideologia, pensamento partidário, o deputado ou a deputada que se exceder no Plenário desta Casa responderá perante o Conselho de Ética”, reforçou.

Os primeiros discursos parlamentares da nova legislatura chamaram a atenção pelas ofensas, xingamentos e palavrões. Os deputados utilizaram expressões como bandido, ladrão, babaca para se referir ao presidente Lula (PT) e membros do seu governo. Também foram feitos discursos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com palavras como genocida, golpista e fascista.

Um dos casos mais extremos foi registrado na última quinta-feira (9), pelo deputado Sargento Fahur (PSD-PR). Em um evento na Câmara em defesa da indústria armamentista e do direito de o cidadão andar armado, o parlamentar provocou o ministro da Justiça, Flávio Dino. “Flávio Dino, vem buscar minha arma, seu merda!”, esbravejou o deputado. O PSB, partido ao qual Dino é filiado, anunciou que entrará com uma representação contra Fahur no Conselho de Ética e na Corregedoria da Câmara.

Em resposta ao Congresso em Foco, o deputado Sargento Fahur invocou a “liberdade de expressão” e a “imunidade parlamentar” para justificar o seu discurso. “Tenho a dizer que fiz uso da minha liberdade de expressão e invoco a minha imunidade parlamentar garantida pela Constituição brasileira”, disse.

Atos golpistas no Conselho de Ética

No início do mês, a bancada do Psol protocolou quatro representações no Conselho de Ética contra parlamentares que incentivaram ou participaram dos atos golpistas do dia 8 de janeiro, quando manifestantes bolsonaristas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes. O partido pediu a cassação dos mandatos dos deputados Abílio Brunini (PL-MT), André Fernandes (PL-CE), Clarrissa Tércio (PP-PE) e Sílvia Waiãpi (PL-AP).

O líder da bancada, Guilherme Boulos (SP), defendeu que as ações “expressam a urgência de combatermos o golpismo para proteger nossa democracia. O Brasil precisa punir os responsáveis pela escalada antidemocrática do 8 de janeiro”.

Na semana seguinte aos atos, Lira afirmou que deputados que demonstraram apoio aos atos golpistas seriam chamados à responsabilidade. “Todos os que tiverem responsabilidade devem responder. Inclusive parlamentares que andam difamando e mentindo com vídeos, dizendo que praticamente houve inverdades nas agressões e no que todos vimos que a Câmara dos Deputados sofreu”, afirmou o deputado no dia 16 de janeiro, após uma vistoria técnica realizada no 6° Batalhão de Polícia Militar, localizado próximo à praça dos Três Poderes.

CONGRESSO EM FOCO