por NCSTPR | 28/11/22 | Ultimas Notícias
A imagem de 2021 mostrou contrastes raciais, geracionais e educacionais, e serve como um mapa onde encontrar os grandes vencedores do ano da pandemia: o 1%.
Mirko C Trudeau
Muito se especulou que o governo dos Estados Unidos tenta esconder o quão obscenamente alta é a distribuição da riqueza privada da e na nação; mas uma apresentação notavelmente clara foi feita no site do Conselho de Governadores do Federal Reserve System, o banco central dos EUA.
O senador democrata Bernie Sanders disse que a ganância da América corporativa “resultou neste país com mais desigualdade de renda e riqueza do que qualquer outro grande país da Terra”.
Segundo o relatório, os brancos possuem 84,1% da riqueza, acima da porcentagem da população que representam, em comparação com 4,1% dos afro-americanos, 2,4% dos hispânicos e 9,5% de outras raças. Desigualdade?:
O 1% das famílias mais ricas do país acumulou 35% da nova riqueza criada na pandemia de 2020.
A imagem de 2021 mostrou contrastes raciais, geracionais e educacionais, e serve de mapa para encontrar os grandes vencedores do ano da pandemia: o 1% das famílias mais ricas dos EUA aumentou sua riqueza em mais de quatro trilhões de dólares no ano passado .no ano passado, o que significa que representaram 35% de toda a nova riqueza gerada, contra 34% dos outros 9% mais ricos do país. A metade mais pobre, apesar de bem maior, absorveu apenas 4% desse crescimento.
O acesso dos 50% mais pobres dos cidadãos americanos à riqueza criada internamente caiu para 2% em 2019, de acordo com um estudo do Congressional Budget Office. Esse número caiu consideravelmente em relação a 1989, quando a metade mais desfavorecida dos habitantes detinha 4% do patrimônio total do país.
Para as classes média e média alta (onde se concentram os domicílios com 50 e 90% da distribuição de renda), sua participação no bolo caiu de um terço, há três décadas, para 26% em 2019. Pelo contrário, o
Os 10% mais ricos aumentaram sua participação e agora possuem dois terços da riqueza total do país, com a maior parte dos ganhos concentrados no 1% mais rico.
Os três milhões de pessoas que compõem o 1% mais rico dos americanos valem coletivamente mais do que os 291 milhões de americanos que compõem os 90% mais pobres.
O senador de Vermont, Bernie Sanders, observou: “Vivemos em uma sociedade onde as pessoas no topo, a classe bilionária, estão se saindo fenomenalmente bem e os trabalhadores estão ficando cada vez mais para trás”. Sanders observou que trilhões de dólares vão para um por cento, enquanto a classe trabalhadora e a classe média são empobrecidas.
De acordo com o estudo, para a metade mais pobre do país, a riqueza estagnou entre 1989 e 2007 e despencou durante a Grande Recessão de 2008, que eliminou trilhões em patrimônio imobiliário. Desde a quebra desse mercado, os 25% mais pobres também ficaram cada vez mais endividados.
As estatísticas mostram que o presidente Joe Biden teria um trabalho difícil se decidisse reduzir as enormes lacunas de desigualdade, onde os 10% mais ricos respondem por 70% de toda a riqueza, 8% a mais do que duas décadas atrás.
Os dados de 2020 e 2021 do Federal Reserve apresentam outras lacunas. O educacional é um dos mais claros: os com estudos universitários nunca monopolizaram uma porcentagem maior da riqueza do que agora, embora seu número tenha aumentado ao longo dos anos: eles somam 71,8% da riqueza total contra 1,6% dos que que não se formou.
Os maiores de 70 anos representam um quarto da riqueza do país, mais do que em qualquer outro período da série histórica, enquanto o peso dos menores de 40 anos melhora, mas está longe dos níveis anteriores à Grande Recessão. eles muito mais diluídos do que os mais velhos: eles possuem apenas 6% dos ativos.
Ao mesmo tempo, novas revelações sobre práticas de evasão fiscal dos mais ricos do país são denunciadas pela imprensa. O Internal Revenue Service (IRS) aponta que o 1% mais rico das famílias não declara cerca de 21% de sua renda. O relatório atribui 6% da evasão a estratégias sofisticadas indetectáveis por inspeções aleatórias.
Segundo a imprensa, os americanos de alta renda estão criando cada vez mais empresas familiares ou imobiliárias, nem sempre fáceis de rastrear, e criadas expressamente para evitar o pagamento de impostos.
Dinheiro e poder sobre os políticos
Os 20% mais ricos da população, que respondem por 70,6% de toda a riqueza do país, dominam o dinheiro político do país: praticamente todos os subornos que enchem os cofres das campanhas políticas vêm do quintil mais rico dos americanos e do 1% mais rico contém todos os ‘criadores de reis’.
Mas, da mesma forma, aquele 1% do topo tem muito mais, do que o restante dos 20% do topo, disponível para doar aos seus políticos favoritos, porque eles fazem parte dos conselhos corporativos e selecionam os executivos corporativos que contratam. lobistas do Congresso para entreter, recompensar e contratar membros cruciais para servir suas corporações.
E aquele um por cento que controla todas essas corporações, incluindo aquelas que controlam todos os grandes meios de comunicação e a maioria dos meios de comunicação menores, manipula as informações e, portanto, as opiniões da maioria dos eleitores (em cada partido).
A América tem cerca de mil bilionários, que controlam dinheiro discricionário suficiente para impedir que o Congresso aprove qualquer projeto de lei ao qual esses super-ricos se oponham. As mil pessoas que controlam o governo dos Estados Unidos e os partidos Democrata e Republicano são bilionários, que também controlam corporações internacionais.
Nos séculos anteriores, os aristocratas eram publicamente conhecidos por títulos formais; mas nas ‘democracias’ de hoje, eles estão tão escondidos quanto possível. Eles não querem que o público saiba que o governo representa apenas eles e não o povo, em nome da democracia.
Ninguém se atreve a sugerir que é hora de mudar o modelo e menos ainda o regime, mas a mensagem de Washington insiste em mudar de regime para líderes estrangeiros que os bilionários americanos querem que desapareçam para garantir seus negócios. E se recusarem, as tropas estão prontas para garantir a vontade dos poderosos.
Fonte :
CLAE
Dados originais da publicação : 22/11/2022
Mirko C. Trudeau é Analista do Observatório de Estudos Macroeconômicos de Nova York, associado ao Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE) .
DMT: https://www.dmtemdebate.com.br/la-obscena-distribucion-de-la-riqueza-en-estados-unidos/
por NCSTPR | 28/11/22 | Ultimas Notícias
CONGRESSO EM FOCO
Cotado para assumir o Ministério da Economia, Fernando Haddad (PT) discursou nesta sexta-feira (25) em um evento promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em São Paulo. Segundo o ex-prefeito de São Paulo, a reforma tributária será uma prioridade para o terceiro mandato do presidente eleito Lula (PT).
“Me parece que o presidente Lula vai dar prioridade no ano que vem à aprovação dessa primeira etapa da reforma tributária, que diz respeito a alguns tributos. Mas, na sequência, pretende encaminhar uma proposta de reformulação de impostos sobre renda e patrimônio para completar o círculo de reforma dos tributos no Brasil”, disse.
Segundo Haddad, Lula tentou aprovar uma reforma tributária durante sua gestão, sem sucesso. Na avaliação dos petistas, a medida “amadureceu” e está na hora de aproveitar o momento para aprová-la.
Haddad citou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 45/2019, de autoria do deputado Baleia Rossi (MDB-SP). A proposta foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJC) da Câmara dos Deputados em 2019 e aguarda a apreciação do plenário da Casa e do Senado Federal.
“O compromisso do presidente com a agenda de realizar em 2023 a reforma tributária conta com o apoio da sociedade, inclusive do setor bancário, para que a gente tenha êxito no ano que vem. Uma reforma que é essencial e estrutural”, destacou o petista.
Haddad foi o ministro da Educação entre 2005 e 2012, atuando a partir da segunda metade do primeiro mandato de Lula até a primeira metade do mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Haddad competiu para o governo de São Paulo nas eleições deste ano, mas foi derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) no segundo turno.
O ex-ministro é cogitado para assumir o Ministério da Economia. A participação de Haddad no evento de hoje foi um “teste” para ver como o mercado reagiria a uma possível indicação, além de representar o presidente eleito que se recupera de uma cirurgia na garganta.
AUTORIA
CONGRESSO EM FOCO
por NCSTPR | 28/11/22 | Ultimas Notícias
Dados serão divulgados na quinta-feira pelo IBGE e mostrarão impacto da alta de juros na atividade econômica, segundo analistas
Rosana Hessel
A semana começa com a expectativa dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2022, que serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira. A certeza entre analistas é de que o resultado será positivo e menor do que o registrado nos dois trimestres anteriores, de 1% e 1,2%, respectivamente, confirmando um cenário de desaceleração em curso. As apostas dos especialistas ouvidos pelo Correio para o crescimento da economia brasileira entre julho e setembro deste ano variam de 0,4% a 0,7%.
O PIB é o indicador da soma de riqueza produzida pelo país. As projeções atuais do mercado estão melhores do que as do início do ano, porque havia uma expectativa de que a atividade econômica poderia até encolher no terceiro trimestre, por conta do forte impacto do aperto da política monetária do Banco Central, iniciado em março de 2021, quando a taxa básica de juros (Selic) estava no piso histórico de 2% ao ano. Quando o Banco Central aumenta os juros, ele puxa o freio de mão da economia, mas o impacto demora cerca de nove meses para ser sentido, de fato. A Selic está em 13,75%, ou seja, um aumento de 9,75 pontos percentuais até setembro, quando a taxa foi mantida no patamar atual.
Analistas reconhecem que o impacto negativo da Selic na atividade começaria a partir de julho, mas, como o governo adotou uma política expansionista, com vários incentivos na economia desde a primeira metade do ano, os dados começaram a ser revistos e devem evitar um dado negativo PIB do terceiro trimestre. Nessa lista de estímulos estão a liberação extra do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS); adiantamento do 13º para aposentados, na primeira metade do ano; o aumento de R$ 400 para R$ 600 no Auxílio Brasil, os benefícios para taxistas e caminhoneiros; e as reduções de impostos sobre combustíveis no segundo semestre. Com isso, as estimativas de crescimento do PIB neste ano foram revisadas para cima sucessivamente e, em alguns casos, as projeções de crescimento já chegam a 3%.
É o caso das previsões de José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, que espera alta de entre 0,5% e 0,7% no PIB de julho a setembro e estima crescimento de 3% no PIB deste ano. “Estamos com viés de alta nestes números”, adiantou.
Outro motivo para os dados mais otimistas do mercado em relação ao PIB deste ano estão relacionados à surpresa da recuperação do setor de serviços, o segmento que mais emprega e o mais afetado com a pandemia da covid-19, que só conseguiu recuperar o patamar pré-pandemia em 2022. Mas indústria e comércio estão dando sinais de arrefecimento neste semestre, e analistas já avisam que o desempenho da economia pode indicar uma curva em W, mostrando um sobe e desce após a pandemia — e não em V como a equipe econômica vinha alardeando. É algo mais parecido com o chamado vôo de galinha, pois o PIB brasileiro não tem muita força para manter um crescimento acima de 2% por um período mais prolongado.
Não à toa, as projeções para 2023 são de altas entre 0,5% e 1%, confirmando que o PIB não está decolando como o ministro da Economia, Paulo Guedes, costumava afirmar. Pelo contrário, a atividade está desacelerando, em grande parte, por conta do freio de mão puxado, e o país deve crescer menos do que a média histórica registrada desde o início do século 20.
“O Brasil continua crescendo menos que a média global e do que a sua média histórica, de 2%, que não é um crescimento vigoroso. O Brasil está na armadilha de renda média, em grande parte, porque tem juros reais muito altos, se comparados com o resto do mundo”, afirma Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, com base nos dados da série histórica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ele lembra que a taxa média do PIB global é puxada pelas economias asiáticas, que ainda crescem em ritmo mais forte do que o resto do mundo. A China, por exemplo, deve avançar menos neste ano e apresentar uma retomada no ano que vem, e, mesmo assim, continuará acima da média global.
FMI
Pelas estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), o crescimento global vai desacelerar de 6%, em 2021, para 3,2% em 2022 e 2,7% em 2023. Pelas projeções do BNP Paribas, o Brasil deverá crescer 3% neste ano, menos do que a média da Zona do Euro, de 3,2%, taxa semelhante de crescimento previsto para a China.
Margato destaca que, com a Selic atualmente em 13,75% ao ano, o juro neutro está em 7%, e o juro real — descontada a inflação projetada para o ano no boletim Focus do Banco Central, de 5,25% —, em 8,5%. Logo, com juro real acima da taxa neutra, o impacto na atividade tende a ser negativo, fazendo o crédito recuar, o consumo encolher e, consequentemente, a demanda cair. Com isso, a expectativa é reduzir a inflação — que voltou a crescer acima da previsão em outubro —, e, indiretamente, a perda do ritmo de crescimento do PIB como efeito colateral. O juro real do Brasil já é o mais alto do mundo e está muito acima da média dos países emergentes, lembram os analistas.
“Um juro real nesse patamar bate em cheio na atividade, e esse é um dos fatores que deve fazer com que o PIB desacelere nesta segunda metade de 2022 e no ano que vem”, alerta Margato, da XP. Ele reconhece que, diante do aumento das incertezas em torno da questão fiscal, um novo aumento da Selic em 2023 está no radar do mercado, a depender do tamanho do rombo do Orçamento do próximo ano.
Os serviços devem ser o grande destaque setorial dos dados do PIB do terceiro trimestre, de acordo com a economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Após um primeiro semestre mais forte, os serviços estão mantendo o ritmo. Mas, por ora, mantemos a nossa projeção para o PIB do terceiro trimestre em 0,6%, ante o segundo trimestre, e de 2,7% de crescimento em 2022”, observa a especialista.
Contudo, esses números ainda não contemplam a forte revisão do IBGE para o PIB anual de 2020, que passou de -3,9% para 3,3%. “As atualizações só estarão disponíveis após a divulgação do PIB do terceiro trimestre, quando teremos acesso aos dados desagregados trimestralmente e a todas as revisões do PIB de 2021 e de 2022”, destaca a economista do Ibre.
Decepções
Margato, da XP Investimentos, lembra que os indicadores antecedentes do PIB divulgados pelo IBGE no terceiro trimestre vem mostrando um arrefecimento da atividade, após um avanço médio de 1,1% no primeiro semestre. As projeções da XP indicam alta de 0,5% no PIB do terceiro trimestre na margem, ou seja, em relação ao trimestre anterior, e alta de 3,6% na comparação anual. “Não houve alteração significativa ao longo das últimas semanas, apesar das surpresas positivas com serviços, setor que está crescendo mais forte do que o projetado. Mas tivemos dados decepcionantes na indústria e nas vendas do varejo. Os dados de julho e de agosto foram fracos”, explica.
O economista diz ainda que, para o último trimestre de 2022, a projeção é de nova desaceleração do PIB, com alta modesta de 0,2%, o que fará o crescimento do ano ficar em 2,8%, passando para 1% em 2023, uma das estimativas mais otimistas, que leva em conta um carregamento estatístico de 0,6% de 2022 para o ano que vem. O analista da XP reconhece que um dos principais motivos da desaceleração no ano que vem é o impacto defasado da política monetária. “Isso impacta a oferta de crédito, diante dos juros cada vez mais altos e o endividamento das famílias muito elevado”, alerta.
CORREIO BRAZILIENSE
https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2022/11/5054989-pib-brasileiro-deve-perder-folego-no-3-trimestre.html