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Campanha eleitoral começa nesta terça com mais de 25 mil candidatos

Campanha eleitoral começa nesta terça com mais de 25 mil candidatos

Serão 47 dias de campanha até o primeiro turno, marcado para 2 de outubro. Nessa data, um domingo, 156 milhões de brasileiros – ou, precisamente, 156.454.011 – irão às urnas para uma série de escolha

As eleições gerais de 2022 começam, oficialmente, nesta terça-feira (16), com o fim da chamada “pré-campanha” e o início da campanha eleitoral propriamente dita. A partir de hoje, os mais de 25 mil candidatos registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ou nos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) já podem divulgar seus números, pedir votos e produzir materiais eleitorais.

Serão 47 dias de campanha até o primeiro turno, marcado para 2 de outubro. Nessa data, um domingo, 156 milhões de brasileiros – ou, precisamente, 156.454.011 – irão às urnas para uma série de escolha. São 8,5 milhões de eleitores a mais que em 2020, ano de pleito municipal.

Desta vez, cada eleitor pode votar em um presidente e um vice-presidente; um governador e um vice-governador; um senador e dois suplentes; um deputado federal; e um deputado estadual (ou distrital, no caso do Distrito Federal).

A eleição a cargos executivos (Presidência da República e governos estaduais) pode ser decidida em um turno só. Para isso, basta que um candidato tenha a maioria simples dos votos válidos (50% + 1 dos votos, excluindo-se os brancos e nulos). O segundo turno, se necessário, ocorrerá quatro domingos depois, em 30 de outubro.

O embate mais importante vai definir o próximo ocupante do Palácio do Planalto. Embora o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual, Jair Bolsonaro (PL), polarizem a disputa, há outros nove concorrentes: Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB), José Maria Eymael (DC), Felipe d’Avila (Novo), Leonardo Péricles (UP), Roberto Jefferson (PTB), Sofia Manzano (PCB), Soraya Thronicke (União Brasil) e Vera Lúcia (PSTU).

Nesta segunda-feira (15), o Pros – que tinha registrado Pablo Marçal como pleiteante à Presidência – formalizou a retirada da candidatura e o apoio a Lula. Com isso, o ex-presidente passa a ter dez partidos em sua coligação.

A corrida nos estados também promete novidades, com forte renovação. Em São Paulo, nenhum dos 12 candidatos ao Palácio dos Bandeirantes em 2018 concorrerá novamente em 2022 – nem mesmo o eleito há quatro anos, João Doria (PSDB). Os nomes mais competitivos na disputa atual – como Fernando Haddad (PT), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Rodrigo Garcia (PSDB) – nunca haviam se candidatado a governador.

Caso semelhante ocorre no Rio de Janeiro, onde Wilson Witzel, que se elegeu governador em 2018 pelo PSC, não completou o mandato – ele sofreu impeachment no ano passado, foi afastado e está inelegível. Seu vice, Cláudio Castro, assumiu o cargo e é candidato à reeleição, tendo como principal adversário Marcelo Freixo (PSB).

Já os pleitos para o Legislativo se encerram, todos, no dia 2 de outubro. Além de 513 deputados para a Câmara Federal, serão eleitos 27 senadores – um por unidade federativa –, o que significa a renovação de um terço das 81 cadeiras do Senado. Nas Assembleias Legislativas, há 1.059 vagas em jogo, incluindo as 24 da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

A data inaugural da campanha é igualmente marcada pela mudança na cúpula do Tribunal Superior Eleitoral. Às 19 horas desta terça, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e Ricardo Lewandowski tomam posse, respectivamente, como presidente e vice-presidente do TSE.

VERMELHO | https://vermelho.org.br/2022/08/16/campanha-eleitoral-comeca-nesta-terca-com-mais-de-25-mil-candidatos/

Campanha eleitoral começa nesta terça com mais de 25 mil candidatos

Justiça manda retirar painel bolsonarista em Porto Alegre

A Justiça Eleitoral deferiu o pedido de retirada imediata do painel e obrigou empresa informar quem pagou. A notícia de irregularidade eleitoral foi apresentada pelo presidente do PCdoB-RS, Juliano Roso

A Justiça Eleitoral de Porto Alegre (RS), na pessoa do juiz Márcio André Keppler Fraga, deferiu mandado judicial para remoção, em 24 horas, do painel gigante num edifício da capital gaúcha, com desinformação e propaganda negativa contra a esquerda. A decisão ainda exige toda a documentação da contratação do serviço pela empresa Life Mídias Urbanas Ltda.

Várias representações foram feitas. A decisão em questão foi impetrada pela notícia de irregularidade em propaganda eleitoral representada individualmente por Juliano Roso, que é presidente estadual do PCdoB-RS, e ajuizada pelo advogado Bruno Weber do Amaral, ainda na sexta-feira (12), logo após a instalação do painel. A Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV) também entrou com representação no sábado (13), assim como o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) expediu um mandado de averiguação, nesta segunda-feira (15).

A faixa de mais de dez metros de altura (117 m2) foi instalada na madrugada da última quinta (11), em um dos pontos de maior visibilidade da cidade de Porto Alegre (RS). A imagem gigante iluminada por holofotes contrapõe imagens da bandeira do Brasil com a do movimento comunista internacional, associando-as a valores para provocar medo e alarme no eleitorado.

Segundo apuração da Folha de S. Paulo, o preço padrão para um anúncio do mesmo porte exibido por um mês gira em torno de R$ 89 mil, mas a empresa se negou a informar quem pagou, embora tenha dado sinalizações de ligação com a campanha de reeleição de Jair Bolsonaro (PL). Não há informação se a empresa vai recorrer.

O Portal Vermelho apurou por meio de entrevistas com advogados e dirigentes partidários, que as reações jurídicas questionam o caráter de propaganda eleitoral antecipada, já que ainda não é permitido este tipo de peça associada ao primeiro turno eleitoral de 2 de outubro. Os partidos também querem saber quem pagou pelas peças publicitárias e tirá-las imediatamente de exposição. Além disso, em nenhuma circunstância pode-se fazer propaganda eleitoral por meio de outdoors.

Leia, abaixo, a parte principal deferida pela decisão judicial:

a) a notificação da empresa LIVE MIDIAS URBANAS LTDA, por mandado judicial, para que, no prazo máximo de 24 (vinte quatro) horas, proceda à remoção, em todos os espaços comerciais de outdoor/empena que administra no município de Porto Alegre, a propaganda objeto da presente Notícia de Irregularidade, sob pena de desobediência, devendo comprovar documentalmente nos autos o ocorrido, assim como apresente, caso ainda não o tenha feito quando do cumprimento do Mandado de Averiguação do Ministério Público Eleitoral, no mesmo prazo, toda a documentação pertinente à contratação do serviço.

VERMELHO | https://vermelho.org.br/2022/08/16/justica-manda-retirar-painel-bolsonarista-em-porto-alegre/

Campanha eleitoral começa nesta terça com mais de 25 mil candidatos

STF: pagamento de férias atrasadas não mais será em dobro

A decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) passou batida. Por maioria de votos, a Corte Suprema declarou inconstitucional a Súmula 450 do TSE (Tribunal Superior do Trabalho), que estabelece que o empregado receberá a remuneração das férias em dobro, incluído o terço constitucional, se o empregador atrasar o pagamento da parcela.

A decisão se deu no julgamento da ADF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 501, na sessão virtual encerrada dia 5 de agosto. O mercado agradece mais essa dadiva do STF oferecida ao capital.

A súmula do TST estabelece que o pagamento em dobro, sanção legalmente prevista para a concessão das férias com atraso (artigo 137 da CLT), seja também aplicado no caso de pagamento fora do prazo legal, que é de 2 dias antes do início do período (artigo 145 da CLT), ainda que a concessão tenha ocorrido no momento apropriado.

A maioria do plenário acompanhou o entendimento do relator, ministro Alexandre de Moraes, de que o verbete ofende os preceitos fundamentais da legalidade e da separação dos Poderes.

O plenário da Corte também invalidou decisões judiciais não definitivas (sem trânsito em julgado) que, amparadas na súmula, tenham aplicado, por analogia, a sanção de pagamento em dobro com base no artigo 137 da CLT.

Legislação vigente

No voto favorável ao pedido, formulado pelo governo do estado de Santa Catarina, o relator entendeu que a jurisprudência que subsidiou o enunciado acabou por penalizar, por analogia, o empregador pela inadimplência de obrigação (pagar as férias) com a sanção prevista para o descumprimento de outra obrigação (conceder as férias).

No entendimento do relator, o propósito de proteger o trabalhador não pode se sobrepor a ponto de originar sanções não previstas na legislação vigente, em razão da impossibilidade de o Judiciário atuar como legislador.

“Em respeito à Constituição Federal, os tribunais não podem, mesmo a pretexto de concretizar o direito às férias do trabalhador, transmudar os preceitos sancionadores da CLT, dilatando a penalidade prevista em determinada hipótese de cabimento para situação que lhe é estranha”, decidiu.

Penalidade cabível

Em relação ao uso de construção analógica, ele explicou que a técnica pressupõe a existência de lacuna a ser preenchida. No caso, no entanto, a própria CLT, no artigo 153, previu a penalidade cabível para o descumprimento da obrigação de pagar as férias com antecedência de 2 dias.

O ministro ressaltou, também, que não é possível transportar a sanção fixada para determinado caso de inadimplemento para situação distinta, em razão de a necessidade de conferir interpretação restritiva às normas sancionadoras.

O relator lembrou, ainda, que o próprio TST, em julgamentos mais recentes, tem adotado postura mais restritiva em relação à matéria, para atenuar o alcance da súmula em casos de atraso ínfimo no pagamento das férias.

O voto do relator foi acompanhado pelos ministros Dias Toffoli, André Mendonça, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Luiz Fux (presidente) e Nunes Marques.

Efetiva proteção

Primeiro a divergir, o ministro Edson Fachin votou pela improcedência do pedido. Para ele, o enunciado deriva da interpretação de que a efetiva e concreta proteção do direito constitucional de férias depende da sua remuneração a tempo, e seu inadimplemento deve implicar a mesma consequência jurídica do descumprimento da obrigação de concessão do descanso no período oportuno.

No entendimento de Fachin, o TST formulou o entendimento à luz da CLT, adotando interpretação possível dentre mais de 1 hipótese de compreensão sobre a matéria. Seguiram essa posição, vencida, as ministras Cármen Lúcia e Rosa Weber e o ministro Ricardo Lewandowski. (Com Notícias STF)

DIAP | https://diap.org.br/index.php/noticias/agencia-diap/91145-pagamento-de-ferias-atrasadas-nao-mais-serao-em-dobro-decide-stf

Campanha eleitoral começa nesta terça com mais de 25 mil candidatos

Lei Maria da Penha completa 16 anos

Rodrigo Suzuki Cintra, Ana Clara Spaziante e Marcella Tiemi Fuzihara Messias

O artigo tem como função celebrar os 16 anos da publicação da Lei Maria da Penha, analisando seus impactos e benefícios para a sociedade brasileira, bem como apontando novas perspectivas para o instituto.

Em 2021, em média, uma mulher foi assassinada a cada sete horas no Brasil apenas e somente por sua condição de ser mulher. Tivemos 1.319 vítimas de feminicídio no último ano, segundo o relatório “Violência contra mulheres em 2021”, compilado pelo Fórum de Segurança Pública. Segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), a cada minuto, oito mulheres são vítimas de violência no Brasil. Os números são alarmantes, especialmente porque são registrados em um país que possui uma legislação considerada referência em âmbito mundial pela Organização das Nações Unidas (ONU) no que diz respeito à proteção das mulheres: a Lei Maria da Penha.

A Lei Maria da Penha, lei 11.340, foi sancionada em agosto de 2016 e em 2022 completou 16 anos de existência. Seu objetivo inicial era criar mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher de forma a prevenir, punir e impedir a opressão, principalmente por meio de medidas protetivas.

É uma lei bastante abrangente porque incide sobre as várias formas de violência que a mulher pode ser vítima por sua própria condição: violência física, sexual, psicológica, patrimonial e moral.

Para lembrar a data de publicação da lei, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) lançou a campanha Agosto Lilás. O objetivo é promover ações de conscientização para o fim da violência contra a mulher, além de divulgar o canal de denúncias: Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher).

A ministra Cristiane Britto destacou a importância da lei para a proteção integral da mulher:

“A Lei Maria da Penha é um grande marco no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres no país. Ela é considerada uma das leis mais avançadas do mundo nessa temática, além de ser uma das mais conhecidas entre os brasileiros, sendo a base para o desenvolvimento de políticas públicas.”

A Lei Maria da Penha é um grande marco e não é por outro motivo que o número de pedidos de medidas protetivas saltou de 1, em 2006, quando a lei foi criada, para mais de 391 mil em 2021, segundo dados do CNJ.

Em recente artigo para a comemoração dos 16 anos da Lei, a própria Maria da Penha, hoje coordenadora de estudos da Associação de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV), destacou o caráter político que essa lei também pode alcançar:

“Acredito, firmemente que o que nos importa, como mulheres hoje no Brasil, é viver a Lei Maria da Penha não apenas como um instrumento de proteção, prevenção, denúncia ou punição. Mas como uma lei que representa a oportunidade de fortalecer uma construção democrática mais assertiva, de se fazer políticas públicas para todas as mulheres, para todas as meninas, para todo gênero.”

Não se trata só de um instrumento para a segurança da mulher, da punição e conscientização dos agressores e de medidas protetivas com vistas a salvaguardar a integridade física, sexual, psíquica, patrimonial e moral delas; representa um marco político de viragem no entendimento do papel da mulher na sociedade democrática contemporânea.

Em um país sexista, regulado pelo preconceito de gênero, machista e patriarcal, foi um divisor de águas no entendimento dos direitos das mulheres. Tal conquista não se deu aleatoriamente, mas, foi fruto de diversos enfrentamentos históricos, lutas, de mulheres contra instituições e estruturas opressoras.

Se por um lado é clara a percepção de que há muito o que se fazer para que exista a igualdade de gênero no Brasil, por outro, a Lei Maria da Penha representou um evidente avanço no que diz respeito ao tratamento dado às mulheres em uma sociedade que busca a democracia e o respeito à lei.

Rodrigo Suzuki Cintra
Bacharel em Filosofia pela USP. Bacharel, Mestre e Doutor em Direito pela USP. Pós-Doutor pela Universidade de Coimbra, Portugal. Professor Titular da UNIP. Sócio do escritório Petrelluzzi & Cintra Jr

Ana Clara Spaziante
Sócia do escritório Petrelluzzi & Cintra Jr. Advogados.

Marcella Tiemi Fuzihara Messias
Advogada do escritório Petrelluzzi & Cintra Jr. Advogados

Migalhas: https://www.migalhas.com.br/depeso/371675/lei-maria-da-penha-completa-16-anos

Campanha eleitoral começa nesta terça com mais de 25 mil candidatos

Redução salarial em massa não pode ocorrer sem negociação coletiva

CONTRACHEQUE MENOR

O empresário, ao estipular a remuneração para determinado cargo ou atividade, não pode reduzir o valor daquele trabalho sem qualquer pactuação coletiva. Com esse entendimento, a juíza Germana de Morelo, da 13ª Vara do Trabalho de Vitória (ES), determinou que uma empresa deve restituir o salário de 1.500 funcionários que tiveram a remuneração reduzida, mas continuaram desempenhando as mesmas funções.

O Sindicato dos Trabalhadores em Alimentação e Afins do Espírito Santo entrou com uma ação coletiva alegando que a Chocolates Garoto modificou, de forma proposital, o nome do cargo de “auxiliar de fabricação” para “auxiliar de produção”, passando a pagar valores inferiores para o desempenho de funções idênticas.

A empresa afirmou que que não alterou a nomenclatura dos cargos para diminuir salários e que a função de auxiliar de produção existe desde 2015, não existindo mais a função de auxiliar de fabricação atualmente.

Com a decisão, a Chocolates Garoto também foi condenada a pagar a diferença dos salários desde a mudança na remuneração.

A magistrada considerou que a redução salarial em massa só é possível por meio de negociação coletiva, segundo o princípio da irredutibilidade salarial. De acordo com ela, a empresa “de forma grosseira, se valeu de mera alteração da nomenclatura de um cargo ocupado por mais de 1500 empregados” para reduzir os custos empresariais.

A juíza destacou que “em um país onde os salários já são baixos e mal conseguem satisfazer as necessidades básicas de sobrevivência do trabalhador é, no mínimo, insensível se valer deste artificial expediente para reduzir salários”.

Clique aqui para ler a decisão
Processo 0001185-11.2018.5.17.0013

Revista Consultor Jurídico

https://www.conjur.com.br/2022-ago-15/reducao-salarial-massa-nao-ocorrer-negociacao-coletiva

Campanha eleitoral começa nesta terça com mais de 25 mil candidatos

Na mira de Bolsonaro, Alexandre assume um TSE blindado nesta terça-feira

SOB NOVA DIREÇÃO

O ministro Alexandre de Moraes, a partir desta terça-feira (16/8), substituirá o ministro Luiz Edson Fachin na Presidência do Tribunal Superior Eleitoral. Ele estará à frente da corte durante pleito deste ano, que ocorre em outubro.

Na mesma ocasião, o ministro Ricardo Lewandowski será empossado vice-presidente da Corte Eleitoral. A cerimônia será transmitida ao vivo pelo canal do TSE no YouTube e pela TV Justiça.

O magistrado assumirá um tribunal repleto de iniciativas para blindar as eleições contra ataques à sua lisura. No entanto, está na mira preferencial de ataques do presidente Jair Bolsonaro, que podem se intensificar até o fim do ano.

Acordos
Atualmente, as redes sociais são o principal meio de difusão de campanhas antidemocráticas e desinformação, que muitas vezes atingem as eleições. O TSE tem parceria com todas as grandes plataformas — apesar da brecha das redes sem sede no Brasil.

Existem acordos com WhatsApp, Facebook, Twitter, Spotify, Kwai e TikTok. O objetivo é denunciar, excluir ou reduzir o alcance de conteúdos que violem a legislação eleitoral ou ameacem o processo democrático. Outro grande parceiro da Justiça Eleitoral é o Google.

Em maio, também foi firmada uma parceria com o aplicativo de mensagens Telegram, muito usado para o repasse ilimitado de notícias fraudulentas.

O TSE possui um programa — criado em 2019 e tornado permanente em 2021 — de enfrentamento à desinformação. Durante sua gestão, iniciada em fevereiro, Fachin convidou instituições públicas e privadas para agir em defesa de democracia. Hoje, há uma Frente Nacional de Enfrentamento à Desinformação.

Dentre as instituições que se comprometeram em cooperar com o pleito e coibir a desinformação estão a OAB, a Câmara, o STF, os Tribunais de Justiça, a Procuradoria-Geral Eleitoral, a Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), associações da magistratura e do Ministério Público, entidades religiosas, os conselhos estaduais de Direitos Humanos (com o apoio do Conselho Nacional de Direitos Humanos) e agências de checagem.

Fachin também mobilizou organismos internacionais de observação eleitoral do mundo inteiro para acompanhar as eleições brasileiras deste ano e expor a confiabilidade do sistema.

O ministro que se despede da Presidência do TSE ainda se reuniu com diversos partidos para tratar de temas eleitorais e pensar acordos de colaborações. Os encontros foram feitos com PT, PL, MDB, União Brasil, Cidadania, PP, Podemos, Rede, Avante e PSC.

Proteção do pleito

O TSE, desde o último ano, aumentou os mecanismos de transparência e auditoria pública do sistema eleitoral, fez seu mais amplo teste de segurança do sistema de votação e decidiu que os partidos políticos poderão escolher quais equipamentos serão auditados.

O horário de votação foi alterado para evitar boatos sobre fraudes na apuração e no resultado das urnas. Neste ano, todos os brasileiros votarão simultaneamente, independentemente do fuso horário em que se encontram. Com isso, a votação no Acre, por exemplo, será das 6h às 15h.

A corte vem ampliando sua jurisprudência contra novas formas de manipulação das eleições. Em dezembro, por exemplo, proibiu oficialmente disparos em massa por meio de aplicativos de mensagem instantânea, como o Telegram.

Há ainda um precedente sobre a possibilidade de cassar um candidato pelo abuso do poder político e uso indevido dos meios de comunicação social ao espalhar fake news nas redes sociais. Trata-se da condenação do ex-deputado federal Fernando Francischini, que chegou a ser suspensa pelo ministro Nunes Marques, do STF, mas acabou mantida por decisão da 2ª Turma.

Tramita atualmente no STF uma investigação sobre o vazamento de informações sigilosas do TSE por Bolsonaro em uma de suas lives. O ato forçou a corte a reforçar a própria cybersegurança. Por meio deste inquérito, a Corregedoria-Geral Eleitoral já suspendeu a monetização de perfis nas redes sociais que divulgam fake news eleitorais.

Passagem de bastão

Nos seus seis meses de gestão, Fachin pregou paz e segurança nas eleições e o respeito às urnas. “O processo eleitoral é transparente e se mostra aberto à fiscalização, tanto na ótica do eleitorado quanto dos atores políticos, mediado por uma instituição confiável e dialógica. Este TSE tem disponibilizado informações, justificado decisões e estabelecido um fluxo comunicativo que se traduz em governança horizontal e democrática”, disse ele na sua última sessão como presidente da corte, na última terça-feira (9/8).

Segundo o ministro, seus esforços para proteger o sistema eleitoral consolidaram uma “enorme coalização nas trincheiras dos defensores da democracia, da transmissão responsável de informação e do enfrentamento das notícias falsas”.

Na última quinta-feira (11/8), Fachin divulgou uma mensagem de apoio à democracia e criticou as narrativas que buscam causar conflito na normalidade das eleições.

“A inexistência de fraudes é um dado observável, facilmente constatado a partir da aplicação de procedimentos de conferência previstos em lei. Há, para tanto, ferramentas tecnológicas e jurídicas aptas à solução de dúvidas, pelo que inexistem razões lógicas, éticas ou legais para que se defenda, com malabarismos argumentativos, a falência do Estado constitucional, com a destituição, pela força bruta, do controle eleitoral atribuído às maiorias”, assinalou ele.

A manifestação ocorreu no dia da leitura da “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito” no Largo São Francisco, em São Paulo. O manifesto defende o sistema eleitoral, as urnas eletrônicas e outros pilares da democracia brasileira.

Alexandre comemorou o ato em suas redes sociais. Na sessão de despedida de Fachin, ele também deixou claro que sua gestão seguirá os mesmos princípios que vêm sendo aplicados na corte. De acordo com ele, seu antecessor “em nenhum momento se calou, em nenhum momento transigiu nem deixou que ataques covardes, pessoais, familiares e institucionais interferissem no mais importante: a condução da Justiça Eleitoral a caminho das eleições de 2022”.

O próximo presidente do TSE defende há tempos a cassação de registros e a prisão de pessoas que repetirem estratégias adotadas em 2018, como o disparo em massa de fake news.

Quando foi eleito para o cargo, Alexandre reforçou: “A Justiça Eleitoral não tolerará que milícias pessoais ou digitais desrespeitem a vontade soberana do povo e atentem contra a democracia no Brasil”.

Executivo x Judiciário

Ataques à urna eletrônica são rotineiros na gestão Bolsonaro. As alegações de supostas fraudes, invasão hacker e atentados contra a democracia foram até mesmo apresentadas durante reunião com embaixadores no último mês.

O presidente da República já sugeriu desrespeitar decisões judiciais, pediu ao Senado o impeachment de Alexandre, acusou o ministro de abuso de autoridade e livrou Daniel Silveira dos efeitos de sua condenação no STF.

Bolsonaro concorrerá à reeleição em outubro e promete não aceitar uma derrota nas urnas. Desde 2018, quando saiu vencedor, o político já alegava a irregularidade do pleito e a existência de dados do TSE que comprovariam a impossibilidade estatística. Mas, desde então, nunca apresentou provas e foi amplamente desmentido pela corte eleitoral.

Alexandre já era o alvo preferencial do presidente porque é relator de inquéritos nos quais muitos alvos são aliados de Bolsonaro — como o das milícias digitais (Inq. 4.874) e o das fake news (Inq. 4.781), no qual o próprio presidente é investigado.

Foi o ministro quem decretou, por exemplo, a prisão do deputado federal bolsonarista Daniel Silveira em fevereiro do último ano, após ele ter feito sucessivos e graves ataques às instituições democráticas.

O mesmo ocorreu com outros apoiadores do presidente que atacam as instituições de forma agressiva, como os ativistas Sara Winter e Zé Trovão, os blogueiros Oswaldo Eustáquio e Allan dos Santos (atualmente foragido), o ex-deputado Roberto Jefferson e o youtuber Ivan Rejane Fonte Boa Pinto. Em boa parte dos casos, foram bloqueadas as contas dos investigados nas redes sociais.

Revista Consultor Jurídico | https://www.conjur.com.br/2022-ago-15/fachin-deixa-tse-alexandre-assume-presidencia-nesta-terca-feira