por NCSTPR | 12/07/23 | Ultimas Notícias
Com queda de 0,08% em junho, país tem inflação acumulada de 3,16% na janela de 12 meses e chega ao quarto mês dentro da meta. Apesar de reconhecerem alívio no indicador, analistas veem ‘efeitos pontuais’ que devem sair da base de cálculo em breve.
Por Raphael Martins, g1
O Banco Central (BC) é obrigado a colocar a inflação brasileira dentro do intervalo da meta, por meio do aumento ou diminuição da taxa básica de juros, a Selic. O centro da meta é de 3,25% neste ano, mas a meta será considerada cumprida caso o IPCA fique entre 1,75% e 4,75%.
Em tese, a inflação na meta abre espaço para uma redução mais contundente dos juros no país. Mas há um receio no radar de economistas que impede otimismo maior e que deve, inclusive, colocar o índice de volta para fora do intervalo de tolerância nos próximos meses: a inflação de serviços.
A divisão de serviços é uma das principais métricas monitoradas pelo BC para uma possível redução da Selic, por incorporar uma cesta de preços pressionados pela demanda.
No grupo estão itens importantes (e teimosos) para um alívio pleno dos preços, como o aluguel residencial (que teve alta de 0,78% em junho) e condomínio (1,67%), pacotes de turismo (1,02%), cinema, teatros e concertos (1,05%).
Em junho, a divisão que reúne itens importantes da inflação de demanda do país teve alta de 0,62%. Com o IPCA na casa dos 3%, o acumulado de serviços em 12 meses roda com o dobro: 6,21% desde junho do ano passado.
“O IPCA demonstrou aceleração do núcleo de serviços, que passou de 0,32% em maio para 0,53% em junho, excluindo passagens aéreas e educação. Itens importantes de serviços e alimentação fora do domicílio seguem pressionados”, diz Luíza Benamor, analista de inflação da Tendências Consultoria.
A projeção da Tendências para o IPCA em 2023 é de 5,06%, acima da média de mercado medida pelo Boletim Focus, do BC. O relatório que reúne a opinião de uma centena de analistas aponta também para um índice fora da meta, de 4,95% ao fim deste ano.
Além do reforço em serviços, há ainda a saída da desoneração de combustíveis, instaurada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para combater a inflação em ano eleitoral e que deve deixar a base de cálculo do IPCA nos próximos meses, subindo o indicador na janela de 12 meses.
Para Benamor, contudo, o resultado da inflação de junho reforçou sinais positivos dos últimos meses. Além da redução dos núcleos, houve diminuição do índice de difusão inflacionário, que é a medida de espalhamento da subida de preços nos diversos itens da economia. Em outras palavras, isso indica pressões inflacionárias mais contidas.
“Porém, por mais que esses sinais sejam positivos, a combinação de fatores pontuais que levaram à queda no mês desafia a convergência à meta ainda neste ano”, afirma a economista.
Benamor faz menções à redução de preços de alimentação em domicílio, por conta de safras recordes de grãos neste ano e da cotação do dólar, e ao programa de descontos no carro zero promovidos pelo governo federal, que já se encerrou.
De acordo com os cálculos de André Almeida, pesquisador responsável pelo IPCA no IBGE, os preços de junho teriam registrado alta de 0,03% sem a redução de valores dos automóveis novos e usados.
Para Andréa Angelo, economista da Warren Rena, apesar de a leitura desta terça-feira ter chamado atenção para o desempenho pior que esperado em serviços, é justamente a alimentação em domicílio que cria uma possibilidade de convergência do IPCA para a meta em 2023.
O principal recuo dentro do grupo de Alimentação e bebidas (-0,66% em junho) veio do subgrupo, que acumulou queda de 1,07% no mês.
“Ainda depende de chuva para o restante do ano, e temos um El Niño no radar. Se ele não for muito forte, podemos ter alta de apenas 1% em alimentação no ano. Isso pode levar o IPCA abaixo dos 4,70%”, afirma a economista.
Condições para queda de juros
Ainda que a inflação de serviços seja uma pedra no sapato no Brasil (e no exterior, diga-se de passagem), a perspectiva é de que ela não atrapalhe o início das quedas de juros no país. Andréa, da Warren Rena, diz que, como a velocidade de arrefecimento está aquém da projetada, isso pode apenas reforçar os argumentos da ala mais cautelosa do Comitê de Política Monetária (Copom).
Já Luíza Benamor, da Tendências, diz que a postura do BC foi condizente com o processo que estava sendo observado de desancoragem das expectativas, mas que as medianas da Focus começaram a cair recentemente.
Ambas esperam um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na próxima reunião do Copom, em agosto.
- O Brasil iniciou seu processo de altas nos juros antes de todo o mundo e, por isso, consegue começar a trazer a inflação para próximo da meta enquanto outros países ainda enfrentam maior pressão nos preços;
- Boa parte da desaceleração da inflação no último ano se deu por conta da desoneração dos preços de combustíveis, mas a volta da tributação em julho deve ser compensada pela redução do valor do petróleo no exterior;
- Não há nenhum fator, interno ou externo, no radar que poderia levar os preços a subirem muito até o fim do ano, o que deve manter a inflação perto da meta do BC;
- O arcabouço fiscal traz mais tranquilidade para o mercado e ajuda a ancorar as expectativas para a inflação, já que indicam um maior controle dos gastos da União;
- O dólar vive um período de desvalorização no Brasil e no mundo, e isso também ajuda a manter os preços dentro do país controlados.
G1
https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/07/12/inflacao-de-servicos-ainda-exerce-pressao-e-deve-levar-ipca-para-acima-da-meta-de-2023.ghtml
por NCSTPR | 12/07/23 | Ultimas Notícias
Especialistas ouvidos pelo g1 consideram que não há mais motivos no radar para a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano, já que até mesmo as expectativas para a inflação de 2023 estão muito próximas da meta do BC.
Por Bruna Miato, g1
O Brasil teve uma deflação de 0,08% em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (11). Com esse número, a inflação acumulada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses é de 3,16%.
Segundo o Boletim Focus, relatório do Banco Central do Brasil (BC) que reúne as projeções de economistas para os principais indicadores econômicos do país, o IPCA deve encerrar este ano em uma alta de 4,95%.
Essa foi a oitava queda consecutiva na mediana das projeções apontadas pelo Focus e, caso as expectativas se concretizem, a inflação encerrará 2023 muito próxima da meta do BC, de 3,25% — podendo oscilar entre 1,75% e 4,75%.
Neste contexto de desaceleração da inflação e convergência à meta, ainda falta alguma coisa para que o BC comece a cortar os juros no Brasil? Segundo especialistas ouvidos pelo g1, o ambiente para a redução da Selic, taxa básica de juros, já é favorável. As principais razões para isso são:
- 🕗 o Brasil iniciou seu processo de altas nos juros antes de todo o mundo e, por isso, consegue começar a trazer a inflação para próximo da meta enquanto outros países ainda enfrentam maior pressão nos preços;
- ⛽ boa parte da desaceleração da inflação no último ano se deu por conta da desoneração dos preços de combustíveis, mas a volta da tributação em julho deve ser compensada pela redução do valor do petróleo no exterior;
- 📋 não há nenhum fator, interno ou externo, no radar que poderia levar os preços a subirem muito até o fim do ano, o que deve manter a inflação perto da meta do BC;
- 🛑 o arcabouço fiscal traz mais tranquilidade para o mercado e ajuda a ancorar as expectativas para a inflação, já que indicam um maior controle dos gastos da União;
- 💵 o dólar vive um período de desvalorização no Brasil e no mundo, e isso também ajuda a manter os preços dentro do país controlados.
Os juros altos já fizeram seu papel
O objetivo de qualquer banco central ao elevar os juros em um país é conter o avanço da inflação. Os Estados Unidos e a Europa vivem esse momento agora e o Brasil começou o seu ciclo de altas na Selic, taxa básica de juros, há cerca de dois anos — com a taxa do país saindo de 2% para 13,75% ao ano, patamar em que se encontra agora.
De acordo com Ariane Benedito, economista e RI da Esh Capital, os registros de uma inflação menor em 2023, abaixo das expectativas iniciais do mercado, são o resultado da estratégia de prolongamento do ciclo de aperto monetário adotado pelo BC, tendo em vista que as medidas adotadas pela instituição demoram um tempo até serem sentidas, de fato, pela população.
“A política monetária como ferramenta para controle de preços atinge a economia real com uma defasagem de 6 a 12 meses. Por isso, os resultados recentes da inflação brasileira remetem às decisões anteriores sobre a taxa de juros”, explica a economista.
Os juros mais altos tornam os processos de tomada de crédito e financiamento mais caros tanto para a população quanto para as empresas. Isso leva a uma redução no consumo dos brasileiros e, com menos demanda, os preços começam a cair — o que explica a desaceleração da inflação.
No entanto, Ariane considera que o papel desse ciclo de aperto dos juros já foi cumprido. “Entendo que já consolidamos um ambiente favorável para início dos cortes de juros”, pontua.
Tiago Feitosa, analista e especialista em mercado financeiro da T2 Educação, compartilha da mesma visão e destaca que “não há mais razão nenhuma para a manutenção da taxa de juros no atual patamar”.
O diretor do Ibmec e PhD em Economia, Reginaldo Nogueira, comenta, também, que o BC brasileiro foi o primeiro a começar um ciclo de alta nos juros em relação a outros países e, agora, deve ser o primeiro a começar a cortar as taxas. O especialista acredita que, em sua próxima reunião em agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) pode reduzir a taxa Selic em 0,50%, a 13,25% ao ano.
Além dessa possível queda — que já é esperada pelo mercado financeiro, em maior ou menor grau —, Nogueira ressalta que o BC ainda tem outras três reuniões em 2023 e que novos cortes são esperados.
Expectativas para a inflação
A principal razão para que os especialistas considerem que deve haver o início do corte de juros no próximo mês é a própria expectativa para a inflação.
“O IPCA do primeiro semestre de 2023, arrefeceu mais do que as expectativas previam, levando os economistas a reavaliarem as projeções para o ano corrente, bem como o que chamamos de ‘carrego estatístico’ para o horizonte relevante, que ajuda a ancorar as expectativas”, afirma Ariane.
É consenso entre os especialistas que não há nenhum fator no radar que possa impactar a inflação de modo a que ela volte a subir com força. Eles acreditam que o IPCA deve encerrar o ano muito perto do teto da meta do BC, assim como apontam as projeções do Boletim Focus.
“O governou voltou com a tributação federal nos combustíveis, o que poderia representar um aumento nestes preços e, consequente inflação. Entretanto, apesar da volta da tributação, o próprio barril de petróleo (mesmo cotado em dólares) vem caindo ao longo deste semestre. Na prática, isso pode compensar um eventual aumento de preços. Em resumo, ao menos no curto prazo, não há nada no radar que possa provocar uma inversão da rota inflacionária” destaca Tiago Feitosa.
Nogueira, do Ibmec, ainda pontua que a proposta do arcabouço fiscal apresentada pelo governo também ajuda a manter as expectativas perto da meta do BC, já que o texto mostra que o governo está “mais em linha com a manutenção do limite do teto de gastos”.
Além disso, Feitosa destaca a importância do dólar nesse controle da inflação. A moeda norte-americana recuou 9,27% no primeiro semestre de 2023 e o especialista explica que essa queda tem um impacto direto na deflação, já que todo produto importado que entra no país é negociado em dólar.
“O crescimento do agronegócio no Brasil no primeiro trimestre aumentou a entrada de capital estrangeiro no Brasil. Isso aumenta a demanda por Real, fortalecendo a nossa moeda em relação a divisa norte americana e a queda do dólar é uma das principais contribuições para a queda da inflação”, diz Feitosa.
por NCSTPR | 12/07/23 | Ultimas Notícias
Segundo o IBGE, este é o quarto mês seguido em que a inflação perde força. Os maiores recuos foram nos grupos alimentação e bebidas (-0,66%) e transportes (-0,41%)
por Redação
Pela primeira vez neste ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve deflação, ficando em -0,08% em junho. Trata-se do menor resultado na inflação oficial para o mês desde 2017 (-0,23%). Este é o quarto mês seguido em que a inflação mostra perda de força.
Além disso, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) também teve queda de 0,10% em junho. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (11).
No caso do IPCA, o índice verificado em junho representou 0,31 ponto percentual (p.p) abaixo do registrado em maio, 0,23%. No ano, o índice soma 2,87% e, nos últimos 12 meses, 3,16%, abaixo dos 3,94% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. O IPCA abrange as famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos e é considerado o indicador oficial da inflação do país.
Os grupos responsáveis pelos principais recuos na inflação no último mês foram alimentação e bebidas (-0,66%) e transportes (-0,41%), que contribuíram com -0,14 p.p. e -0,08 p.p, respectivamente, para o resultado. Em seguida, estão artigos de residência (-0,42%) e comunicação (-0,14%).
“Alimentação e bebidas e Transportes são os grupos mais pesados dentro da cesta de consumo das famílias. Juntos, eles representam cerca de 42% do IPCA. Assim, a queda nos preços desses dois grupos foi o que mais contribuiu para esse resultado de deflação no mês de junho”, explica André Almeida, analista da pesquisa.
O principal recuo nesse primeiro grupo foi puxado pela alimentação em casa, com queda de -1,07%, influenciado pela redução no óleo de soja (-8,96%), das frutas (-3,38%), do leite longa vida (-2,68%) e das carnes (-2,10%). Enquanto isso, o custo da alimentação fora de casa subiu, porém, com menos força (0,46%) em relação ao mês anterior (0,58%).
Por outro lado, habitação registrou alta de 0,10 p.p, o que lhe conferiu a maior variação, de 0,69%. Os demais grupos ficaram entre o 0,06% de educaçãoe o 0,36% de despesas pessoais.
Em relação aos índices regionais, apenas cinco áreas apresentaram alta em junho. A maior variação foi em Belo Horizonte (0,31%), em função da energia elétrica residencial (13,66%). Já a menor variação foi registrada em Goiânia (-0,97%), influenciada pelas quedas de 5,40% na gasolina e de 4,83% na energia elétrica residencial.
INPC
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) também registrou queda de 0,10% em junho. Em maio, havia sido registrado aumento de 0,36%. No ano, o INPC acumula alta de 2,69% e, nos últimos 12 meses, de 3%, abaixo dos 3,74% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em junho de 2022, a taxa foi de 0,62%.
Segundo o IBGE, os produtos alimentícios caíram 0,66% em junho e os não alimentícios subiram 0,08%, desacelerando em relação ao resultado de 0,43% observado em maio. Regionalmente, 12 áreas registraram queda em junho, com o menor resultado em Goiânia (-0,86%), e o maior, em Recife (0,38%).
O INPC abrange as famílias com rendimentos de um a cinco salários mínimos, residentes nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
Com informações da Agência IBGE
VERMELHO
https://vermelho.org.br/2023/07/11/inflacao-oficial-tem-maior-queda-para-junho-desde-2017-e-fica-em-008/
por NCSTPR | 12/07/23 | Ultimas Notícias
OBSERVATÓRIO EVANGÉLICO
Sérgio Dusilek *
Não deveria ser assim, diria Jesus Cristo, mas infelizmente é. Alguns dos autointitulados intelectuais do meio evangélico, por falarem como doutores, cometem desonestidade intelectual. Ao longo das próximas semanas devo apresentar algumas delas, as quais selecionei ora pela importância da temática, ora por sua insistente repetição.
A primeira grande desonestidade é atribuir o fenômeno do pós-cristianismo europeu ao surgimento do chamado liberalismo teológico. Para estes intelectuais o declínio da fé cristã no continente europeu se deu por conta da crescente racionalização da fé, de um profícuo diálogo com a ciência. Ao contrário dos fundamentalistas que, quando muito, instrumentalizam a ciência, apropriando-se das partes que lhes interessam, os chamados teólogos liberais se propuseram a revisionar interpretações, incorporar métodos no fazimento teológico. A perspectiva era dialógica, e não ideológica como fazem os fundamentalistas, pelo simples reconhecimento que nem toda verdade estava na Bíblia.
Os que assim fazem esquecem o desgaste pela longevidade no continente (2000 anos), o que faz com que a institucionalidade ganhe expressões insuportáveis para quem quer viver a singeleza da fé. Em Estudos de Religião é recorrente a noção de as religiões possuem sua maior taxa de expansão justamente no seu início, período em que há mais espontaneidade e menos institucionalização. Ora, ao mesmo tempo que a institucionalização funciona como um foco de permanência, de resistência para um grupo religioso, ela também traz consigo o desgaste, que afasta a instituição da sua própria raiz, da sua crença primeira, como Dostoievski brilhantemente assinalou em O Grande Inquisidor.
Outro esquecimento que me parece seletivo é a ausência de menção das guerras de religião, que varreram o continente europeu, opondo católicos aos protestantes e produzindo milhares de mortes em nome da mesma fé, nos séculos XVI-XVIII. Voltaire chegou a comparar tal insanidade a um trovão irrompendo em pleno sol de meio dia. Ele também sarcasticamente assinalou, em uma de suas Cartas Inglesas, que a Bolsa de Valores de Londres produzia mais resultados em termos de tolerância religiosa e de respeito ao diferente, do que os templos religiosos, dos quais os participantes saíam com menos disposição ao diálogo. Estas estúpidas mortes pelo legado da Cristandade e não do Cristianismo, e muito menos do Cristo, marcaram profundamente a alma do europeu, tornando-o reticente a uma religião que discursa sobre o amor, mas que tem disposição de matar seu semelhante por divergência doutrinária.
Nesta mesma linha que conduz aos equívocos históricos, está o apoio de boa parte da Igreja cristã ao nazismo, bem como a insistência de certos grupos alienados da pesquisa histórica que sustentam que regime hitlerista foi de esquerda. Os que assim procedem esquecem que da invasão da URSS, e do apoio da elite alemã a Hitler para que freasse a escalada da simpatia alemã com a internacional socialista. Sim, minha prezada leitora, o nazismo sacrificou judeus e caçou comunistas. Uma vez desnudados os horrores praticados na 2ª Grande Guerra, a igreja cristã ficou adesivada com este selo da vergonha, deslegitimando sua pregação. Se, para Paulo, a questão era quem iria ouvir a mensagem do evangelho se não há pregadores que alcancem as diferentes etnias, após a passagem do nazismo a igreja se viu diante de uma atualização: quem vai QUERER ouvir sua pregação?
Por fim, em uma lista que não se esgota em si mesma, é preciso lembrar que parte do escanteamento da fé cristã se deu pela sua própria e inadequada pregação. Há um esquecimento do teor do querigma praticado que obsoletou Deus. Ora, se Deus é anunciado como o cirurgião do plantão eterno, ou como o Rei das melhorias sociais, quando a ciência avança encontrando novas formas, fármacos para a cura, ele se torna, como lembra Harry Emerson Fosdick, obsoleto. O mesmo procede com um governo antenado às necessidades do seu povo. Nesse caso a política traria respostas que antes eram buscadas no templo. Não foi por outro motivo que Ernst Troeltsch aventou a possibilidade da religião se substituída pela Ciência e pela Política.
Se os pregadores querem que Deus seja sempre atual, é preciso falar mais sobre Ele e menos sobre o que Ele pode fazer. Se os pregadores querem que Deus seja assunto do almoço em família, é preciso que eles dialoguem com esse tempo, com suas demandas, em suas prédicas. Caso contrário, seguirão confinando Deus ao passado e declarando sua obsoletização, sua perda crescente de importância, quanto mais respostas a Ciência e a Política fornecerem às pessoas.
Fica então a indagação: por que tais intelectuais evangélicos não abordam estes fatores ao explicarem o declínio cristão na Europa? Por que eles não mencionam que o fundamentalismo tem feito o principal estamento religioso dos Estados Unidos, a saber, a Convenção Batista do Sul, perder membros, entrar em declínio?
Os textos publicados pelo Observatório Evangélico trazem a opinião e análise dos autores e não refletem, necessariamente, a visão dos demais curadores ou da equipe do site.
* É mestre e doutor em Ciência da Religião (UFJF/MG); pastor na Igreja Batista Marapendi (Rio); professor do Seminário Teológico Batista Carioca. Autor de Bíblia e Modernidade: A contribuição de Erich Auerbach para sua recepção e co-organizador de: Fundamentalismo Religioso Cristão: Olhares transdisciplinares; e O Oásis e o Deserto: Uma reflexão sobre a História, Identidade e os Princípios Batistas.
AUTORIA
OBSERVATÓRIO EVANGÉLICO Espaço voltado para a promoção de debates relacionados ao cristianismo evangélico no Brasil. O site que dá nome à coluna é uma ação voluntária e sem afiliações partidárias ou religiosas, oferecida por evangélicos de denominações diversas e também acadêmicos especialistas no tema da religião.
CONGRESSO EM FOCO
por NCSTPR | 12/07/23 | Ultimas Notícias
RUDOLFO LAGO
Durante a reunião no PL em que foi xingado e vaiado pelos radicais, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ouviu do ex-presidente Jair Bolsonaro que ele apoiava a reforma tributária porque “não tinha experiência política”.
Ao dizer isso, Bolsonaro se mirava na experiência do seu maior inimigo na política, o PT do hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E é mesmo curioso como Bolsonaro muitas vezes parece se mirar no PT na hora de traçar suas estratégias. Mas aí, mira-se como de fato qualquer um se mira no espelho. De forma totalmente invertida: o que está à esquerda, fica à direita, e vice-versa.
Mas Bolsonaro parece se mirar no PT em um daqueles antigos espelhos de circo, que apresentavam os reflexos de forma ampliada, agudizada e distorcida. O que Bolsonaro enxerga nas antigas estratégias do seu principal adversário político ele replica de forma bem menos sutil, radicalizada, sem nenhuma nuance.
De fato, desde a redemocratização do país, não foram poucas as vezes em que o PT se absteve de apoiar momentos históricos como forma de marcar posição. Na verdade, assim agiu na própria fundação da redemocratização brasileira, quando se recusou a votar em Tancredo Neves na eleição indireta no Colégio Eleitoral. Mais do que isso, expulsou os três deputados da sua bancada que votaram em Tancredo: Aírton Soares, José Eudes e Bete Mendes.
Depois, votou contra o projeto final da Constituição brasileira na Assembleia Nacional Constituinte. Não permitiu que o deputado Ulysses Guimarães, o Senhor Diretas, subisse no palanque de Lula no segundo turno da eleição presidencial em 1989. Recusou-se a participar do governo Itamar Franco depois do impeachment de Fernando Collor, perseguindo Luiza Erundina porque aceitou ser ministra de Itamar. E ficou contra o Plano Real, que deu fim à hiperinflação e conferiu ao país estabilidade econômica.
A verdade é que, embora pague até hoje um preço pela omissão nesses momentos (o próprio presidente Lula já reconheceu isso mais de uma vez, classificando como erros alguns desses posicionamentos), essa marcação de posição teve também para o PT sua importância estratégica. O partido diferenciou-se dos demais, não teve que se responsabilizar por eventuais problemas havidos nos governos após a redemocratização, e isso ajudou que se estabelecesse como contraponto quando o eleitor passou a buscar alternativas.
Bolsonaro mira tais estratégias passadas do PT em seu espelho. Como é, porém, um espelho que distorce e amplia, em tudo ele agudiza o que vê. O que aumenta para ele o risco de, em vez de lucrar com o saldo positivo da estratégia, ficar muito mais com os seus prejuízos.
Do alto da sua “inexperiência” política, Tarcísio disse isso na reunião do PL. “A reforma tributária será aprovada e quem será a responsável por ela não seremos nós”, alertou. É exatamente o erro que Lula enxerga pelo PT não ter apoiado o Plano Real. O Brasil conquistou a estabilidade econômica, saiu da louca hiperinflação e do endividamento, e o responsável por isso não foi o PT.
Há quem enxergue que a mudança tributária brasileira poderá no futuro produzir mudanças tão sólidas e permanentes na economia brasileira quanto as do Plano Real. Se e quando esse futuro chegar, Bolsonaro não poderá dizer que fez parte dele, como o PT nada pode dizer sobre o Plano Real. Já Tarcísio não terá esse problema. Se São Paulo, o estado que ele governa, terá peso maior na decisão sobre a distribuição dos tributos, foi ele quem negociou isso com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o relator Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). O espelho por onde Tarcísio enxergou a reforma não era um espelho de circo…
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para redacao@congressoemfoco.com.br.
AUTORIA
RUDOLFO LAGO Ex-diretor do Congresso em Foco Análise, é chefe da sucursal do Correio da Manhã em Brasília. Formado pela UnB, passou pelas principais redações do país. Responsável por furos como o dos anões do orçamento e o que levou à cassação de Luiz Estevão. Ganhador do Prêmio Esso.
CONGRESSO EM FOCO
por NCSTPR | 12/07/23 | Ultimas Notícias
IARA LEMOS
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Atos Golpistas aprovou nesta terça-feira (11) requerimento de quebra do sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques . Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente da República Jair Bolsonaro, teve a quebra do sigilo telemático aprovada.
Silvinei Vasques foi o primeiro convocado a prestar depoimento na CPMI, mas foi acusado de ter mentido na comissão. Ele é suspeito de usar a instituição para tentar interferir no segundo turno das eleições de 202. Além dele, o colegiado determinou ainda a quebra de sigilos fiscais de George Washington de Oliveira Sousa, que participou de um atentado à bomba em Brasília.
O extremista foi preso horas após a polícia ter recolhido os explosivos. George Washington segue preso e é um dos três condenados pela 8ª Vara Criminal de Brasília por planejar o atentado a bomba.
Veja quem teve o sigilo quebrado pela CPMI
Quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático
– Silvinei Vasques, no período de 1º de janeiro de 2022 a 30 de abril de 2023
– George Washington de Oliveira Sousa, de 1º de agosto de 2022 até o presente
– Jean Lawand Júnior, no período de 2022 até o presente momento
– Jorge Eduardo Naime Barreto, referentes ao período de 1º de janeiro de 2019 até 7 de julho de 2023
– Maurício Junot de Maria, no período de 1º de janeiro de 2019 até 7 de julho de 2023
-Franco Giaffoni referentes, de 1º de janeiro de 2019 até 07 de julho de 2023
– Francisca Alice de Sousa Reis, de 1º de janeiro de 2019 até 7 de julho de 2023
– Ana Claudia Leite de Queiroz Sousa, de 1º de janeiro de 2019 até 7 de julho de 202
Quebra de sigilo telemático
– Daniel Lopes de Luccas, de 1° de janeiro de 2022 até o presente momento
– Luis Marcos dos Reis, de 1° de janeiro de 2022 até o presente momento
-Adriano Alves Teperino, período de 1° de janeiro de 2022 até o presente momento
– Mauro Cesar Barbosa Cid, de 1° de janeiro de 2022 até o presente momento
– Jonathas Diniz Vieira Coelho, de 1° de janeiro de 2022 até o presente momento
– Danilo Isaac Calhares, no período de 1° de janeiro de 2022 até o presente momento
– Contas de e-mail institucional de titularidade de Osmar Crivelatti, na Presidência da República, até o momento
– Contas de e-mail institucional de titularidade de Cleiton Henrique Holzschuk, na Presidência da República
– Marcelo de Costa Câmara no período de 1° de janeiro de 2022 até o presente momento.
AUTORIA
IARA LEMOS Editora. Jornalista formada pela UFSM. Trabalhou na Folha de S.Paulo, no G1, no Grupo RBS, no Destak e em organismos internacionais, entre outros. É mestranda na Universidade Aberta de Portugal e autora do livro A Cruz Haitiana. Ganhadora do Prêmio Esso e participante do colegiado de Inteligência Artificial da OCDE.
CONGRESSO EM FOCO