Debate reuniu parlamentares, dirigentes sindicais, especialistas e movimentos sociais para discutir a redução da jornada e mais qualidade de vida para a classe trabalhadora
Representantes das centrais sindicais, parlamentares, especialistas e movimentos sociais participaram nesta terça-feira (10) de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), em Curitiba, para debater o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal. O encontro foi promovido pela bancada de oposição da Casa e reuniu trabalhadores de diversas categorias no plenário do Legislativo estadual.
O objetivo da audiência foi ampliar o debate sobre os impactos da jornada atual na qualidade de vida da população trabalhadora e discutir alternativas que garantam mais tempo para descanso, convívio familiar, estudo e cuidados com a saúde física e mental.
O debate ocorre em um momento em que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho ganha força em todo o país, impulsionada por estudos e mobilizações sociais que apontam a necessidade de equilibrar produtividade econômica e qualidade de vida.
Movimento sindical defende mais tempo de vida para os trabalhadores
Durante a audiência, dirigentes das centrais sindicais reafirmaram que o fim da escala 6×1 representa um avanço civilizatório e uma resposta às condições de trabalho enfrentadas por milhões de brasileiros.

Representando a Nova Central Sindical de Trabalhadores do Paraná (NCST/PR), o presidente Denilson Pestana destacou que a atual escala impõe uma rotina exaustiva que retira dos trabalhadores o direito ao descanso, à convivência familiar e ao desenvolvimento pessoal.
Em sua intervenção, o dirigente afirmou que a luta pela redução da jornada faz parte da história das conquistas da classe trabalhadora e comparou a resistência atual às mudanças com argumentos utilizados no passado para justificar modelos de exploração do trabalho.
Segundo ele, assim como ocorreu em outros momentos históricos — quando setores da sociedade afirmavam que o fim da escravidão ou a redução das jornadas quebraria a economia —, hoje também surgem discursos alarmistas para impedir avanços nos direitos trabalhistas.
Para o presidente da NCST/PR, a escala 6×1 representa uma forma contemporânea de exploração que precisa ser superada.
“Não é aceitável que, em pleno século XXI, milhões de trabalhadores vivam apenas para trabalhar e sobreviver. A luta pelo fim da escala 6×1 é uma luta por dignidade e pelo direito ao tempo de viver”, afirmou.
Debate ganha força no Brasil
Parlamentares que participaram da audiência também destacaram que o modelo de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso gera impactos significativos na saúde física e mental dos trabalhadores, além de dificultar o convívio familiar e o acesso à educação e ao lazer.
Segundo os organizadores, discutir novas formas de organização do trabalho é fundamental para acompanhar as transformações econômicas e sociais, além de garantir melhores condições de vida para quem vive do próprio trabalho.
A audiência contou com a presença de representantes de diversas entidades sindicais, especialistas em direito do trabalho, integrantes do Ministério Público do Trabalho e lideranças de movimentos sociais que atuam na defesa da redução da jornada e da melhoria das condições de trabalho.
Luta histórica da classe trabalhadora
Para as centrais sindicais, a redução da jornada sem redução salarial é uma bandeira histórica do movimento sindical e faz parte da construção de uma sociedade mais justa.
Os dirigentes destacaram que conquistas importantes — como a jornada de oito horas diárias e os limites legais da jornada semanal — foram resultado de décadas de mobilização da classe trabalhadora.
Nesse sentido, o fim da escala 6×1 é apontado como um passo importante para garantir mais saúde, dignidade e qualidade de vida aos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros.
