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Aproximadamente 500 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) da região se reuniram na manhã de ontem na Concha Acústica de Londrina em uma movimentação que visa reivindicar melhorias, por meio de iniciativas governamentais, para as famílias assentadas. Os agricultores, de Tamarana, Londrina, Arapongas, Alvorada do Sul, Florestópolis, Primeiro de Maio, Centenário do Sul e Porecatu seguiram para a agência do Banco do Brasil do Calçadão para apresentar e discutir a pauta com a gerência regional da unidade.

A renegociação de dívidas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) está entre as solicitações dos agricultores. ”Além das dívidas já vencidas, que estão sendo cobradas por empresas terceirizadas e outras que foram repassadas para o fundo da União, há dívidas a vencer e o pagamento está comprometido em função da seca que prejudicou a nossa produção”, disse José Damasceno, membro da coordenação estadual do MST.

Outra solicitação do movimento é a abertura de linhas de financiamento para a agricultura familiar. ”Os assentados não conseguem acessar as linhas existentes, principalmente por estarem inadimplentes. Queremos a desburocratização da liberação dos créditos”, completou.

Segundo ele, o movimento também reivindica, por meio de pauta federal, que o Incra, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Banco do Brasil unifiquem a liberação dos créditos dos novos assentados em um único projeto. Conforme Damasceno, atualmente, os créditos de apoio e fomento, alimentação, habitação e investimento são liberados separadamente. ”Se houver a unificação, o assentado poderá fazer o planejamento de aplicação de um único projeto e isso vai facilitar o investimento e o desenvolvimento da produção”, esclareceu.

O representante do MST reiterou ainda que as reivindicações são antigas, mas permanecem porque não avançaram o suficiente. ”No ano passado conduzimos movimentação semelhante, no entanto, tivemos resposta muito pequena, que não atende à necessidade dos assentados, principalmente agora, que a seca agravou a nossa situação”, disse. De acordo com ele, o Paraná tem 22 mil famílias assentadas. As ocupações nas agências do Banco do Brasil, que começaram na terça-feira, seguem até hoje em todo o País.

Após a reunião com a gerência do BB em Londrina, ficaram agendadas para hoje de manhã outras audiências entre a comissão dos assentados e a gerência de algumas agências do banco estabelecidas na região. Além disso, Damasceno revelou que também será promovida hoje uma audiência em Brasília entre a equipe nacional de negociação dos assentados, a ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, o secretário geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e o vice-presidente do Banco do Brasil, Osmar Dias. ”Esperamos avançar nas negociações”, afirmou.

Banco do Brasil

O gerente da agência do Calçadão, Paulo Zago, afirmou à FOLHA que o caminho da negociação está errado ”porque o BB simplesmente executa as obrigações governamentais”. ”A briga do MST não é com a gente, mas com o Governo Federal, que dita o que deve ser feito. Podemos receber a pauta de reivindicações e conversar com eles, mas o BB não tem nenhum poder para mudar as políticas de crédito. Vamos orientá-los a chegar a quem tem o poder de mudar as coisas”, informou.