NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Na terceira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central tomou uma decisão esperada pela maioria do mercado, ao cortar a taxa básica da economia (Selic) em 0,25 ponto percentual — o mesmo da reunião anterior —, para 14,50% ao ano. Foi mais uma “superquarta” do mercado financeiro, com decisões nos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos.

Apesar de a decisão ter sido unânime, o Copom não sinalizou, no comunicado divulgado após a reunião, a tendência para a próxima reunião, que ocorrerá em junho. O documento, no entanto, mantém a preocupação com o ambiente externo, com o conflito no Oriente Médio. O cenário externo afetou as estimativas do Banco Central para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano, que passou de 3,9% para 4,6%, acima do teto da meta, de 4,5%. E, para o último trimestre de 2027, o horizonte relevante monitorado pelo Copom, a inflação acumulada em quatro trimestres passou de 3,3% para 3,5%.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) manteve os juros básicos no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, em uma decisão dividida, dando sinais de que os juros devem continuar no atual patamar por mais tempo do que o esperado. Ontem, inclusive, o Senado norte-americano aprovou a indicação do nome de Kevin Warsh como o novo presidente do Fed, no lugar de Jerome Powell.

Cautela e serenidade

No comunicado divulgado após a reunião do Copom, o Banco Central reforçou a preocupação com o aumento da incerteza no cenário externo e ainda reforçou o discurso cauteloso na condução da política monetária. “No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, destacou a nota.

economia copom
economia copom(foto: editoria de arte)

Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, destacou que, apesar de considerar que havia a possibilidade de o Banco Central manter os juros, o fato de o Copom continuar reduzindo a taxa Selic leva em conta que o BC ainda considera que a inflação está “relativamente comportada”. “A discussão toda, agora, pela frente, será o ponto final para os juros neste ano. Acredito que a Selic em 13% é a taxa mais provável”, afirmou.

Para Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV, o discurso do BC foi mais cauteloso, o que sugere que o ritmo de corte da próxima reunião continuará sendo de 0,25 ponto porcentual, mas em um prazo mais curto. “A comunicação que foi feita é compatível com o cenário de uma taxa Selic mais alta no fim do ano, mesmo considerando um ajuste da taxa nominal de juros”, afirmou ele, lembrando que a mediana das estimativas do mercado para a Selic no fim do ano está em 13% ao ano.

A decisão do Banco Central, apesar de aguardada, não chega a ser comemorada pelo setor produtivo, uma vez que a taxa Selic segue elevada e no campo restritivo para atividade econômica, com efeitos com efeitos adversos sobre o investimento produtivo e a competitividade da indústria.

Na avaliação da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o ciclo de redução da taxa Selic tem ocorrido em intensidade inferior ao esperado, diante de um ambiente global mais desafiador e da falta de fundamentos macroeconômicos mais robustos para absorver choques externos. E, dessa forma, o cenário internacional, marcado por tensões geopolíticas e pressões sobre cadeias produtivas, tem elevado ainda mais os custos e exigido maior resiliência, sobretudo na indústria. “A Firjan reitera que a consolidação de uma trajetória sustentável de redução dos juros depende do fortalecimento do arcabouço fiscal, da previsibilidade das políticas públicas e do avanço de uma agenda voltada ao aumento da produtividade”, destacou a nota da Firjan. A entidade defende que em períodos de maior incerteza, como o atual ciclo eleitoral, “torna-se ainda mais relevante a adoção de medidas que reforcem a confiança e reduzam a percepção de risco do país”. “Esse é o caminho para a construção de uma economia robusta o suficiente para absorver choques externos sem que isso implique a penalização de um crescimento sustentado e de longo prazo”, acrescentou.

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o corte de 0,25 ponto percentual “é insuficiente e piora o endividamento das empresas e das famílias”. “O custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial. Ao mesmo tempo, o endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”, disse Ricardo Alban, presidente da CNI.

CORREIO BRAZILIENSE
https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/04/7409248-sem-surpresa-copom-reduz-juros-para-145.html