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CAE busca acordo sobre regra para participação de trabalhador em lucro de empresa

CAE busca acordo sobre regra para participação de trabalhador em lucro de empresa

Com o propósito de buscar entendimento em torno do PLS 89/2007, que torna obrigatória a reserva de 5% do lucro líquido das empresas no ano anterior para distribuição no ano seguinte, o relator na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Cyro Miranda (PSDB-GO), retirou a matéria da pauta da reunião desta terça-feira (9) e deverá apresentar novo voto na próxima semana.

De autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), a proposta determina que sejam reservados 5% do lucro líquido das empresas, os quais serão distribuídos aos trabalhadores se, até o dia 30 de junho do ano seguinte, não houver acordo entre empregador e empregados sobre critérios de participação.

A proposta altera a Lei 10.101/2000, que dispõe sobre a participação nos lucros ou resultados da empresa. O texto prevê que a distribuição dos 5% de lucro seja feita no mês de julho de cada ano. Para empresas que, por mais de dois anos, se negarem a fixar, em negociação coletiva, a participação dos trabalhadores nos lucros e resultados, a proposta determina a suspensão da concessão de financiamentos públicos.

Ao falar aos senadores da CAE, Paim explicou que a Lei 10.101/2000 assegura a livre negociação sobre lucros e resultados das empresas, o que “não quer dizer nada”. Ele afirmou que apenas setores que têm organização sindical forte conseguem garantir distribuição do lucro. Conforme observou, a adoção da regra prevista no PLS 89/2007 tem sido defendida até mesmo por empresários, como forma de acabar com conflitos nas negociações salariais.

Cyro Miranda apresentou voto contrário ao texto. Para ele, fixar percentual de participação pode levar a uma acomodação.

– Tudo aquilo que é garantido, gera acomodação. Hoje, 90% das empresas fixam metas e, em cima dessas metas, a divisão tem sido muito maior que 5% – disse.

Também contrário ao projeto, o senador Blairo Maggi (PR-MT) classificou como confisco obrigar a reserva de 5% para distribuição aos empregados. Para ele, a participação nos lucros deve ser estimulada, mas não com percentual fixado em lei.

Mesmo concordando que a participação nos lucros é um incentivo ao ganho de produtividade, Edison Lobão Filho (PMDB-MA) considerou que a obrigatoriedade prevista no texto seria prejudicial a muitas empresas, que convivem com a instabilidade de períodos de lucros e de prejuízos.

Já o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ponderou que aperfeiçoar os mecanismos de distribuição de resultados das empresas é uma forma de levar benefícios a todos os trabalhadores.

Como sugestão, Casildo Maldaner (PMDB-SC) propôs que o texto, ao invés de fixar percentual, determine que todas as empresas definam um plano de metas e a participação dos trabalhadores nos resultados.

Paim concordou em elaborar, em conjunto com Cyro Miranda, nova redação de forma a definir incentivos para que as empresas promovam a livre negociação em torno da participação nos lucros. O projeto deverá ser votado na próxima semana, como afirmou o presidente da CAE, Delcídio Amaral (PT-MS). 

Para ver a íntegra do que foi discutido na comissão, clique aqui.

CAE busca acordo sobre regra para participação de trabalhador em lucro de empresa

Valor-transporte cedido espontaneamente integra salário

Uma funcionária da Ordem dos Advogados do Brasil que teve seus benefícios de vale-transporte e vale-alimentação mantidos após o fim da vigência do instrumento coletivo que os concedia, e que, posteriormente, tivera-os retirados, ganhou na Justiça o direito de ter o valor do vale-transporte integrado ao salário. Para o ministro Horácio de Senna Pires, relator dos Embargos na SDI-1, “esta parcela está incorporada ao patrimônio jurídico da empregada, e não pode dele ser suprimida”.

Ainda, segundo o relator, o vale-transporte que, por mera liberalidade do empregador, continuou sendo concedido sem nenhum ônus ao empregado deve constituir o salário. Sendo assim, a OAB deve devolver os valores descontados a título de vale-transporte.

Anteriormente, a trabalhadora interpôs Recurso de Revista contra o indeferimento, pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS), da integração de vale-refeição e vale-transporte ao salário, sob o argumento de que essas parcelas foram pagas pela OAB, espontaneamente, por mais de dois anos e quatro meses, mesmo após o instrumento coletivo que as previa ter perdido sua vigência. Alegou também que as parcelas eram pagas pelo trabalho realizado, e não para o trabalho, daí a sua natureza salarial.

No TST, a 8ª Turma alinhou-se às razões do Regional e também não conheceu do recurso da trabalhadora. Ela então interpôs embargos à SDI-1 alegando que tendo a OAB continuado a fornecer o benefício, por mera liberalidade, a supressão posterior implicou alteração unilateral e prejudicial a ela.

Mas, a SDI-1, proferiu decisão contrária ao TST e restabeleceu à unanimidade sentença que condenara a Ordem dos Advogados do Brasil a devolver a uma empregada os valores descontados a título de vale-transporte. Com informações da Assessoria de Imprensa Tribunal Superior do Trabalho.

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Operários da Construção Civil se mobilizam por morte de colegas

Sindicato sensibiliza categoria com carro de som. Concentração acontece em canteiro de obras na Avenida Paralela.

Trabalhadores da construção civil começaram a se reunir por volta das 7h desta quarta-feira (10) em frente ao canteiro de obras de um empreendimento na Avenida Paralela, em Salvador. Sindicalistas da categoria estão visitando canteiros de obras para mobilizar centenas de operários para comparecerem ao sepultamento dos nove trabalhadores que morreram na queda de um elevador na terça-feira (9). O acidente aconteceu na construção do edifício Empresarial Paulo VI, localizado na Avenida ACM, em Salvador.

“Estamos com um carro de som passando por alguns canteiros de obras para sensibilizar os trabalhadores. Queremos que encostem suas ferramentas. Hoje é um dia de sentimentos”, observa José Ribeiro, presidente do Sintracom-BA (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e da Madeira da Bahia).
Sepultamentos

Quatro dos trabalhadores serão enterrados em Salvador e cinco no interior do estado. A primeira cerimônia de sepultamento será de José Roque dos Santos e Lourival Ferreira, às 11h, no cemitério Bosque da Paz, no bairro de Nova Brasília, em Salvador. No mesmo cemitério, Antônio Elias será enterrado às 14h. Já o trabalhador Hélio Sampaio será sepultado às 15h, no cemitério Campo Santo, no bairro Alto das Pombas.

No interior do estado, Jairo de Almeida será enterrado na cidade de Irará, Antônio Reis do Carmo em Nazaré, Antônio Luís Alves em Conceição do Jacuípe e Martinho Fernandes em Conceição de Feira.

O presidente do Sintracom-BA comenta que a pauta de reivindicação da categoria nesta quarta-feira se resume à questão da segurança. “Posteriormente discutiremos outros aspectos, agora nossa mobilização é pelos nove pais de família que se foram”, diz José Ribeiro.

CAE busca acordo sobre regra para participação de trabalhador em lucro de empresa

‘Só a União pode legislar sobre direito do trabalho’

Uma das duas pessoas que discursaram a favor do projeto foi o representante do Sindicato Patronal do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), o assessor jurídico Ed Nogueira de Azevedo. Quase abafado pelas vaias, ele argumentou que Londrina vive uma situação ”sui generis”. ”De todas as cidades com mais de 250 mil habitantes no País, só Londrina e Sorocaba (SP) têm código de postura que limitam o horário de trabalho.” 

Azevedo afirmou que esta determinação é inconstitucional porque o ”legislador extrapola sua competência”, já que ”não pode legislar sobre o direito do trabalho, cuja competência é da União”. E também, de acordo com ele, diferenciar horários de funcionamentos para o comércio é uma medida que fere os princípios de isonomia e livre concorrência previstos na Constituição. 

Ele ressaltou que ”milhares de pessoas” em Londrina trabalham aos domingos, feriados e ”ao longo da madrugada”. ”Nem por isso, há notícia de desrespeito à legislação trabalhista em maior proporção nessas atividades.” 

O comerciante Carlos Zapata também teve dificuldade para se manifestar ao microfone. Ele prometeu, caso o projeto seja aprovado, contratar mais funcionários, dar aumento salarial e permitir que as mulheres cheguem ao trabalho às 11 horas. ”Ninguém vai trabalhar mais que 8 horas”, garantiu. 

Sobrou até para quem foi à Câmara apoiar os trabalhadores. Michel Fegure, servidor público do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), compareceu à audiência para alertar os comerciários sobre a falta de auditor fiscal de trabalho em Londrina, o que, segundo ele, reduz o poder de fiscalização do órgão sobre as empresas. No entanto, achando que o servidor iria defender a ampliação do horário do comércio, os manifestantes não quiseram deixá-lo discursar. ”Aqui é lugar de se fazer negociações políticas. Como se faz negociação na base do grito? O sindicato dos trabalhadores faz negociação assim, na base do grito?”, questionou. (N.B)

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Entenda a crise no governo de Dilma Rousseff

A prisão de 38 pessoas na manhã de ontem, incluindo a do secretário-executivo do Ministério do Turismo, Frederico Costa, acirra ainda mais a crise que assola os primeiros oito meses de governo de Dilma Rousseff. Ao todo, seis ministérios já foram alvos de denúncias de irregularidades nos últimos dois meses e três ministros já deixaram o cargo -apenas um relacionado às suspeitas nos ministérios. No Turismo, pasta comandada pelo peemedebista Pedro Novais, a Polícia Federal investiga desvios relacionados a convênios de capacitação profissional no Amapá. 

Na ação, com cerca de 200 policiais federais, divididos em São Paulo, Brasília e Macapá, a PF cumpriu 19 mandados de prisão preventiva e 19 mandados de prisão temporária -também foram expedidos sete mandados de busca e apreensão. A operação investiga o desvio de recursos públicos destinados ao Ministério do Turismo por meio de emendas parlamentares. Além dos presos, estão envolvidos funcionários do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi), foco da fraude, e empresários, de acordo com a PF. 

TRANSPORTES – A devassa no Ministério do Turismo acontece pouco após Dilma comandar uma espécie de ”faxina” no Ministério dos Transportes, alvo de suspeitas de corrupção e de superfaturamento de obras envolvendo também o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Valec (estatal de ferrovias). Reportagem da revista ”Veja” revelou um suposto esquema de cobrança de propinas em obras federais da pasta e mencionou o envolvimento de assessores diretos do ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR-AM), que pediu demissão do cargo no mês passado. 

Após as denúncias, mais de 20 pessoas deixaram os cargos, entre servidores do ministério, do Dnit e da Valec. A ”faxina” no ministério, comandado pelo PR, estremeceu a relação do governo com o partido da base aliada. 

AGRICULTURA  – O governo também enfrenta suspeita de irregularidades no Ministério da Agricultura desde que ex-presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) Oscar Jucá Neto, irmão do líder no governo no Senado, Romero Jucá (PMDB), afirmar que ”há bandidos” no órgão e sugerir que o ministro Wagner Rossi participava de esquemas de corrupção. No sábado, após nova reportagem da revista ”Veja”, desta vez sobre a atuação de um lobista no ministério, o secretário-executivo da pasta, Milton Ortolan, pediu demissão do cargo. Reportagem da Folha publicada no domingo revelou que Rossi transformou a Conab num cabide de empregos para acomodar parentes de líderes políticos de seu partido, o PMDB. Em entrevista na segunda-feira, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, disse que as denúncias contra sua pasta podem ser fruto de disputas entre grupos rivais dentro do ministério e da Conab. 

CIDADES  – Reportagem da revista ”Isto É” mostrou que o Ministério das Cidades libera recursos para obras classificadas como irregulares pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e que age a favor de empresas que, juntas, doaram cerca de R$ 15 milhões em 2010 para campanhas eleitorais do PP, partido que comanda o ministério. O ministro da pasta, Mario Negromonte, negou as irregularidades. Ninguém foi demitido. 

 

MINAS E ENERGIA  – A revista ”Época” revelou a existência de um esquema de cobrança de propinas dentro da ANP (Agência Nacional do Petróleo), ligada ao Ministério de Minas e Energia. Segundo a revista, a advogada Vanusa Sampaio, que representa companhias do ramo, foi procurada por dois assessores do órgão em 2008. Os dois, Antonio José Moreira e Daniel Carvalho de Lima, disseram falar em nome do então superintendente Edson Silva, ex-deputado federal pelo PC do B, e explicaram que cobravam propina em troca de facilidades na agência. O encontro foi gravado. Em nota, a ANP rejeitou as acusações, que classificou como ”falsidades”, e afirmou que os dois assessores nunca foram do quadro de servidores permanentes da agência.