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De olho nas eleições, Congresso concentra esforços em “bondades”

De olho nas eleições, Congresso concentra esforços em “bondades”

Deputados e senadores entram em “mutirão” de votações nesta semana para, depois, se dedicarem à campanha. Pauta inclui projetos populares, como ampliação da licença-maternidade e a criação do piso nacional de policiais

Brasília – Duas propostas que devem agradar a maioria dos eleitores serão prioridades do Congresso Nacional para as sessões do esforço concentrado de agosto, que começam hoje e terminam na quinta-feira para que deputados e senadores possam passar o resto do mês em campanha, sem comparecer a Brasília. No Senado, o destaque é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 64/07, que estende a licença-maternidade de quatro para seis meses. Na Câmara dos De­­putados, o principal item é a votação em segundo turno da PEC 300/08, que cria o piso salarial de policiais e bombeiros dos estados.

A aprovação das “bondades”, porém, depende de quórum e da apreciação de seis medidas provisórias que trancam as pautas de votações das duas Casas. São poucos os parlamentares que acreditam que essas tarefas serão cumpridas.

“A gente vai insistir. Mas, em período eleitoral, fica difícil reunir gente”, diz o líder da minoria na Câmara, Gustavo Fruet (PSDB). “Se for votado algo, realmente só será aquilo em que há consenso”, afirma o deputado Dr. Rosinha (PT).

A versão atual da proposta sobre o piso para policiais determina que uma outra lei federal estabelecerá a remuneração básica, mas que os estados que não conseguirem aumentar os salários por causa própria receberão ajuda financeira da União por meio de um fundo nacional a ser criado especificamente para isso. O texto foi aprovado em primeiro turno em 6 de julho e, se passar pela Câmara, ainda depende do crivo do Senado.

Desde o ano passado, os deputados foram alvo de uma série de manifestações da categoria, que aumentará a mobilização a favor da PEC nesta semana. A reivindicação é de que o piso seja fixado em R$ 3,5 mil para policiais de menor graduação e R$ 7 mil para oficiais da PM, o que geraria um impacto nas contas públicas de aproximadamente R$ 18 bilhões.

A proposta sobre licença-maternidade também envolve mais gastos, mas o grosso da conta ficará com a iniciativa privada. A PEC é uma expansão da Lei 11.770/08, que estendeu a licença para seis meses, mediante incentivo fiscal, pelo Programa Empresa Cidadã. De acordo com a legislação em vigor, a adesão das empresas é opcional.

Já a PEC torna a licença de seis meses obrigatória a todas as empresas e instituições. A autora da proposta, senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), justifica a ideia dizendo que ela “garante a segurança da mulher no mercado de trabalho”. Rosalba é candidata ao governo do Rio Grande do Norte.

Polêmicas

Apesar do consenso sobre a dificuldade das votações de temas polêmicos durante o período eleitoral, o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-RS), disse ontem que tentará colocar em pauta o Projeto de Decreto Legislativo 2.600/10, que au­­menta o valor pago pelo Brasil pela energia excedente produzida pelo Paraguai em Itaipu. O custo anual saltaria de R$ 222 mi­­lhões para cerca de R$ 660 milhões. A oposição rechaçou a ideia de levar o tema a plenário.

No Senado, a polêmica é a PEC 33/2009, que restabelece a exigência do curso superior de Comunicação Social para o exercício da profissão de jornalista. A proposta tenta reverter decisão do Supremo Tribunal Federal, que em 2009 decidiu que a profissão não era privativa aos que possuíam diploma na área.

De olho nas eleições, Congresso concentra esforços em “bondades”

Pela quarta vez, Sanepar é a campeã setorial Valor 1000

Pela quarta vez, a Sanepar é a empresa campeã setorial na categoria Água e Saneamento, e receberá no dia 30 de agosto o prêmio Valor 1000. As mil maiores empresas do Brasil são identificadas pela receita líquida. As 25 campeãs setoriais – que representam os mais importantes setores da economia brasileira – são escolhidas pela pontuação obtida na análise de desempenho, tendo por base os resultados divulgados no balanço. O balanço analisado foi o referente ao exercício de 2009.

Agora, a Companhia concorre ao prêmio Empresa de Valor 2009, que será concedido para uma das campeãs setoriais. Esta premiação será anunciada durante a entrega do prêmio Valor 1000.

Do setor Água e Saneamento foram analisadas 10 grandes empresas, por meio de sete critérios. A Sanepar obteve 69 pontos na classificação geral. A segunda colocada conseguiu 65 pontos. Os critérios que definiram a campeã setorial são crescimento sustentável, receita líquida, geração de valor, rentabilidade, margem da atividade, liquidez corrente e giro do ativo.

A Sanepar foi campeã setorial do prêmio Valor 1000 nas edições referentes aos exercícios de 2002, 2003 e 2004. Os prêmios são entregues no segundo semestre do ano seguinte.

De olho nas eleições, Congresso concentra esforços em “bondades”

Convenção 158: centrais sindicais miram demissão sem justa causa

Enquanto o setor de serviços registrou taxa de rotatividade de 3,6 pontos em junho, inferior à taxa geral, os trabalhadores de construção civil e do setor agropecuário tiveram taxa de rotatividade de 7,5 e 6,1 pontos. O comércio também apresentou resultado acima da média, obtendo 4,3 pontos

Ao lado da redução da jornada de trabalho, a aprovação da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) é a principal bandeira do movimento sindical brasileiro. As centrais pressionam o Congresso para que a convenção seja aprovada, algo que dificilmente ocorrerá ainda neste ano.

A Convenção 158, que impede as empresas de demitirem seus funcionários sem justa causa, foi aprovada pela OIT em Genebra (Suíça) em 1982, mas o acordo foi rompido pelo governo brasileiro após o Decreto 2.100, de 1996, assinado pelo então presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Primordialmente, a Convenção 158 visa atenuar a rotatividade no mercado de trabalho.

Em junho, a taxa de rotatividade auferida pelo Ministério do Trabalho foi a maior para o mês desde 2005, atingindo 4,1 pontos, superior aos 3,9 pontos registrados em junho de 2008, quando a economia passava por expansão semelhante. Mas alguns setores, como construção civil e agropecuária, tiveram taxas de rotatividade muito superiores à média.

“A Convenção 158 inibe exatamente isso, quer dizer, que empresas troquem de funcionários como forma de diminuir seus custos com mão de obra”, diz Sérgio Mendonça, assistente da coordenação do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Enquanto o setor de serviços registrou taxa de rotatividade de 3,6 pontos em junho, inferior à taxa geral, os trabalhadores de construção civil e do setor agropecuário tiveram taxa de rotatividade de 7,5 e 6,1 pontos. O comércio também apresentou resultado acima da média, obtendo 4,3 pontos.

De olho nas eleições, Congresso concentra esforços em “bondades”

Salário maior e trabalho mais atrativo motivam transferências de profissionais

Este ano começou agitado na vida profissional de Glauco Lins Camargo, economista de 32 anos. Depois de três anos trabalhando na ZFAC Factoring como gerente do setor de atendimento à pessoa jurídica, ele hoje já está no seu terceiro emprego do ano.

Com toda a carreira dedicada ao mercado financeiro, Camargo teve neste ano a oportunidade de mudar de ambiente de trabalho – desde que se formou sempre havia trabalhado em bancos – e passar a ter participação sobre os negócios.

A primeira mudança ocorreu em março, quando ele foi chamado para ser gerente financeiro da Val Seguradora. Pouco tempo depois, surgiu uma proposta ainda melhor, para trabalhar na companhia automotiva Forjafrio, que vinculava ao salário uma variável sobre o faturamento.

Em apenas alguns meses e duas mudanças, o salário de Camargo aumentou em R$ 3 mil. “Nas minhas decisões de mudar não pesou apenas a proposta salarial, mas a possibilidade de desafio, de sair de um banco e virar gerente financeiro”, diz. Ele considera que o mercado de trabalho na sua área está aquecido, mas continua exigente com o desempenho dos funcionários.

A oferta maior de emprego tem possibilitado aos trabalhadores ir para áreas que correspondem melhor ao seu perfil. A decisão da mudança passa a ficar mais nas mãos dos funcionários e, segundo os profissionais ouvidos pelo Valor, apesar da valorização salarial ser importante, o que mais pesou nas suas decisões foi poder realizar uma atividade que preferem.

Suellen Higashi, 24 anos, é recém-formada em economia e estava atuando na área contábil. Em março, foi chamada para trabalhar como analista financeira na prestadora de serviços de assistência Inter Partner Assistance.

Segundo ela, a proposta salarial foi atrativa, representando um aumento de 20% sobre a remuneração anterior, mas não foi isso que definiu a sua mudança. “O que mais me interessou foi poder trabalhar com foco maior no setor financeiro, além de ser um desafio e um cargo que demanda o uso do inglês e do espanhol”, diz a economista.

Formado em administração, Douglas do Nascimento, 35 anos, trabalha há 11 anos no mercado de seguros. Nos últimos quatro anos, trabalhou como subscritor de riscos patrimoniais na RSA Seguros. Em maio, foi chamado pela Liberty Seguros para atuar, além das análises e cotações, no contato com os clientes.

Apesar de se manter na área em que vinha atuando, ele explica que poder trabalhar com o setor comercial foi o que mais o atraiu. “No emprego atual eu trabalho também indo atrás de negócios”, diz.

Não foi a primeira vez que recebeu uma proposta, mas foi a primeira que realmente valeu a pena, conta. A proposta do novo emprego cobriu salário anterior, representando uma valorização de 35%, mas ele diz que já recusou convites mais atrativos financeiramente por não achar que o emprego lhe traria melhores perspectivas.

“Não é só a questão financeira que precisa ser avaliada. O emprego tem de abrir novas perspectivas, e minha mudança foi por apostar no crescimento da Liberty”, diz.