NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Nova pesquisa do Ipea estima que PIB deve crescer 3,5% em 2012

Nova pesquisa do Ipea estima que PIB deve crescer 3,5% em 2012

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer 3,5% em 2012, segundo o Sensor Econômico, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O indicador, divulgado nesta segunda-feira pela primeira vez, é resultado de consulta do Ipea a 44 entidades da indústria, comércio e agropecuária. O relatório terá edições bimestrais.

A estimativa do Sensor para o PIB é menor que o crescimento de 4,5% previsto pelo Ministério da Fazenda.

As entidades consultadas também estimaram que a inflação deverá fechar o ano em 5,3%. Acreditam, portanto, que a taxa deverá ficar acima da meta do governo, de 4,5%, que tem margem de aceitação de dois pontos percentuais para cima e para baixo. Já o investimento deverá crescer 8,2%.

A pesquisa ainda aponta que as entidades projetam a Selic, taxa básica de juros da economia, em 9,5% ao ano e o dólar em R$ 1,75, ambos ao fim de 2012. Atualmente, a Selic está em 9,75% ao ano.

Quanto à criação de empregos, a expectativa é de geração de 1,9 milhão de vagas formais no ano.

As 44 entidades associativas do setor produtivo previram, ainda, que o superávit comercial deve ficar em US$ 20 bilhões em 2012, resultado de exportações de US$ 264 bilhões e importações de US$ 244 bilhões.
Nova pesquisa do Ipea estima que PIB deve crescer 3,5% em 2012

Briga que gerou crise na base começou na campanha

Histórias de bastidores mostram que Dilma começou a se insurgir contra a “política tradicional” ainda como candidata, quando idealizou um núcleo à margem da cúpula do PT
 

As histórias abaixo foram contadas por alguém que acompanhou muito de perto a montagem da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República. Elas mostram uma clara disposição da presidenta de preservar um núcleo de comando que ficasse à margem das influências das cúpulas formais dos partidos que formavam a aliança, notadamente o PT. Uma disposição de poder atuar sem ficar amarrada ao que chama de “política tradicional”. E que ajuda a explicar por que Dilma, agora, resolveu enfrentar os caciques tradicionais da política brasileira, mesmo correndo o risco de perder apoio no Congresso.
 
Resquício da sua formação política inicial nos movimentos clandestinos que combateram a ditadura militar, Dilma resolveu montar um “aparelho” – um grupo de pessoas próximas, de sua máxima confiança – para atuar com ela na campanha. Para ajudá-la na tarefa, recorreu a um companheiro de clandestinidade, o hoje ministro do Desenvolvimento Social, Fernando Pimentel. Os dois conheceram-se em 1967. Pimentel com o codinome de Oscar. Dilma com o codinome de Estela. Integravam o Comando de Libertação Nacional (Colina).

A pedido de Dilma, Pimentel começou a montar discretamente o comando da campanha, sem que a cúpula do PT soubesse. Uma casa no Lago Sul, que antes era usada pelo marqueteiro João Santana, foi escolhida como sede. A equipe começou a ser montada por Pimentel. Mesmo a contratação da empresa americana Blue State Digital, de Ben Self, marqueteiro que trabalhou na campanha de Barak Obama, para cuidar da internet, foi acertada por Pimentel sem a participação da cúpula petista.

Quando a direção nacional do PT enviou, então, seus interlocutores para se integrarem à campanha – o então vice-presidente e diretor de comunicação do partido, Rui Falcão, e Antonio Palocci, para cuidar da arrecadação –, encontraram o “aparelho” de Dilma já inteiramente montado. Surgiu, então, o temor de que as principais decisões sobre a campanha fossem tomadas, assim, à margem da direção petista. E que isso, naturalmente, continuaria sendo assim no governo.

Reação está na Privataria
 
A reação a essa constatação é contada em parte no livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr. Segundo Amaury, vazamentos de informações que visavam comprometer esse núcleo criado por Dilma começaram a aparecer na imprensa. E ele teria sido chamado para ajudar a identificar de onde partiam tais vazamentos. Amaury tenta incorporar nesse trabalho os arapongas Idalberto Matias de Araújo, o Dadá (que é um dos presos na Operação Monte Carlo, que prendeu também o bicheiro Carlinhos Cachoeira), e Onésimo Souza.

Amaury afirma, em seu livro, que o grupo petista que se incomodava com o núcleo formado por Pimentel fez com que chegasse à imprensa a versão de que a tentativa de incorporação de Dadá e Onésimo destinava-se a formar um grupo de inteligência na campanha, montado para fazer dossiês contra adversários. A informação valia-se do fato de que Amaury antes investigara o candidato adversário de Dilma, José Serra, do PSDB, como repórter do jornal O Estado de Minase para o que viria a ser o livro que escreveu.

De fato, porém, na reunião com Onésimo e Dadá falou-se em dossiês. Mas em dossiês que o ex-deputado e ex-delegado da Polícia Federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) teria feito, para José Serra, contra os principais caciques do PMDB, partido que oficialmente se aliava a Dilma na campanha. A informação sobre os supostos dossiês foi levada por Dadá e Onésimo para a conversa. Não se sabe se algo dos conteúdos dos tais dossiês em algum momento chegou ao conhecimento da campanha petista.
 
O fato é que as denúncias sobre a criação do tal “núcleo de inteligência” desestabilizaram a força do comando montado por Dilma com Fernando Pimentel. Rui Falcão foi eleito presidente do PT, e Palocci tornou-se o ministro da Casa Civil, responsável pela articulação política do governo. Até cair, envolvido em denúncias de enriquecimento ilícito.

Após a queda de Palocci, ao escolher Gleisi Hoffmann para a Casa Civil e Ideli Salvatti para as Relações Institucionais, Dilma reformulou, com outros nomes, seu núcleo pessoal, que governaria com ela. Um núcleo que neutraliza a força das estruturas partidárias tradicionais. Como o próprio vice-presidente Michel Temer, e os presidentes dos partidos, como Falcão. Ao trocar os líderes do governo na Câmara e no Senado, Dilma completa essa disposição. Na campanha, o movimento de Dilma gerou reações, e ela levou um golpe. Se agora conseguirá passar incólume, só o tempo dirá.
Nova pesquisa do Ipea estima que PIB deve crescer 3,5% em 2012

Centrais sindicais apresentam amanhã proposta de desoneração a Mantega

As centrais sindicais vão entregar amanhã (21) ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, propostas de defesa do setor produtivo e de incentivo ao consumo. Entre as sugestões está a desoneração dos abonos e da Participação de Lucros e Resultados (PLR), hoje tributado pelo Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).
 
“[Em São Paulo], só nas categorias dos bancários, metalúrgicos, químicos e petroleiros, são R$ 1,6 bilhão [que deixariam de ser recolhidos pelo IRPF caso não houvesse tributação sobre os PLR] . É bastante recurso que você injeta de uma vez na economia. No país, é muito mais. Quando você desonera o salário, o dinheiro imediatamente vai para economia”, destacou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre.
 
Bancários, químicos, metalúrgicos, e petroleiros anunciaram hoje (20) uma série de manifestações para chamar a atenção e pressionar parlamentares e governo a isentar os trabalhadores do pagamento do Imposto de Renda na Participação nos Lucros e Resultados. As mobilizações começam amanhã 21, às 7h, com uma passeata de metalúrgicos na Rodovia Anchieta. De acordo com o sindicato, devem participar cerca de 20 mil trabalhadores. À tarde, em Brasília, representantes das centrais sindicais vão se reunir com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
 
“[Com a desoneração], os trabalhadores vão ficar com mais renda líquida no bolso. Mais dinheiro no bolso, e vai consumir. A nossa categoria vai trocar televisão, vai trocar o carro, trocar geladeira. Você vai fazer com que a economia aumente a demanda, portanto, aumente o emprego”, disse a presidenta do Sindicato dos Bancários, Osasco e Região, Juvandia Moreira. Na próxima quinta-feira (22), os bancários vão atrasar a abertura das agências bancárias da região da Avenida Paulista. A paralisação terá inicio às 7 horas.
 
A isenção de imposto de renda na PLR está prevista em duas emendas de autoria dos deputados federais Vicentinho (PT-SP) e Paulo Pereira (PDT-SP) à Medida Provisória (MP) 556. De acordo com o sindicato, a MP pode ser votada a partir de 25 de março. “Se for aprovado no Congresso, só vale a partir do exercício seguinte. Agora, o Ministério da Fazenda, o governo pode adotar uma MP que faça essa desoneração valer já a partir deste ano”, disse Moreira.
Nova pesquisa do Ipea estima que PIB deve crescer 3,5% em 2012

Política, economia e o Brasil em 2012

“Maquiavel dizia que o príncipe deveria ter sorte e virtude . No governo Dilma, parece que a sorte está virando e a virtude, faltando”

Sempre foi questão central na ciência política a demarcação do grau de liberdade subjetiva que líderes, partidos e sociedade têm em relação às condições objetivas ditadas pela economia. Até que ponto carisma, astúcia, habilidade, sensibilidade, capacidade de liderar podem contraditar os sentimentos populares que brotam dos resultados concretos gerados pela economia no cotidiano da população? É evidente que a movimentação política dos principais atores em cena não é escrava absoluta dos indicadores econômicos. Há espaço para a ação criativa e o exercício das virtudes. Senão, a política seria uma tradução pobre e mecânica dos movimentos da economia. Mas é também verdade que a economia determina, em última instância, os humores da população, a popularidade dos governos e, portanto, o ambiente para a governabilidade.

Lula, inegavelmente, possuía poderoso carisma, mas seus índices de popularidade estavam ligados ao desempenho da economia, fruto das bases erguidas pelo Plano Real, do excepcional momento vivido pela economia mundial e do aumento da renda interna. Socialistas, social-democratas, conservadores, liberais foram varridos do poder pela violenta crise europeia, independentemente do carisma ou da qualidade dos líderes de plantão.

A economia brasileira parece viver novo momento. Enquanto os PIBs de China e Índia em 2011 cresceram, respectivamente, 9,2% e 6,9%, tivemos um desempenho pífio refletido no índice de 2,7%. Um dos piores desempenhos de toda a América Latina. A inflação bateu na trave do limite superior do sistema de meta inflacionária: 6,5%. Isso reflete nossa situação contraditória. Por um lado, os inegáveis avanços obtidos pelos governos FHC e Lula, na estabilização da economia brasileira, no combate à pobreza e na nova inserção do país no mundo globalizado. Por outro, a maior taxa real de juros sobre a face da Terra, custo Brasil nas alturas, taxa de investimento raquítica, câmbio sobrevalorizado, desindustrialização clara.

Todos sabem que a presidente Dilma não se notabiliza pela habilidade, carisma e experiência política. Registra altos índices de popularidade porque, além de ser uma pessoa séria e honesta, os níveis de consumo e renda continuaram em alta em 2011. A queda de ministros denunciados por corrupção foi transformada em suposta faxina na herança recebida.

No “presidencialismo de cooptação” em vigor, em que a governabilidade é assegurada pelo “dando que se recebe” envolvendo cargos e verbas orçamentárias, a base de sustentação de Dilma tem revelado insatisfações graves. No PMDB, 53 deputados federais assinaram manifesto com duras críticas ao governo e ao PT. No Senado, a indicação para a direção-geral da ANTT de Bernardo Figueiredo, pessoa diretamente ligada a Dilma, foi negada.

Maquiavel dizia que o príncipe deveria ter, para um bom governo, sorte e virtude. No governo Dilma, parece que a sorte está virando e a virtude, faltando.
Nova pesquisa do Ipea estima que PIB deve crescer 3,5% em 2012

Senado vai acabar com 14° e o 15°? Ninguém acredita

A extinção dos salários extras vai ser posta em discussão hoje na Comissão de Assuntos Econômicos da Casa. Se for aprovada, a proposta será levada a votação em plenário, o que deve ocorrer dentro de 30 dias. O diretor da ONG Contas Abertas, Gil Castello Branco, afirma que a pressão popular será vital para que senadores ponham fim ao inaceitável privilégio. “A sociedade civil tem mais poder do que ela imagina”, diz. “A saída é essa.” O projeto que extingue a histórica mordomia estava engavetado havia mais de um ano e só foi posto em pauta após o Correio denunciar que, além de recebê-la, eles não recolhiam sequer Imposto de Renda sobre o pagamento.
 
O projeto da então senadora e atual chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que prevê a extinção da mordomia, repousava há mais de um ano na gaveta do Senado. Só saiu da fila após denúncias do Correio que apontaram o recebimento dos extras pelos senadores sem pagarem um centavo de Imposto de Renda. O passo de tartaruga é ritmo usual quando se trata de cortar regalias históricas. Taxado como “tema polêmico”, eufemismo que indica freio de mão puxado no Congresso Nacional, a matéria foi desengavetada e colocada como prioridade na votação de hoje, justamente um dia depois de a Receita Federal anunciar instauração de processo investigatório. Pela pauta oficial, será o quarto tema a ser debatido e votado abertamente pelos 27 senadores que integram a CAE.
 
O caminho é longo. Se o projeto for aprovado hoje, a papelada ainda segue para a Mesa Diretora. De lá, após análise, será encaminhado para votação em plenário. O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Delcídio Amaral (PT-MS) aponta que a matéria pode ser votada em, aproximadamente, um mês. Como prevê o fim da benesse nas duas Casas, o assunto precisa ir também ao plenário da Câmara dos Deputados. Delcídio nega que tenha recebido qualquer tipo de pressão para engavatar a matéria. A justificativa oficial é de que há um acúmulo histórico de projetos e que é preciso respeitar o cronograma. O projeto prevê que os deputados e senadores recebam apenas duas ajudas de custo durante todo o mandato, uma no início e outra no fim. Hoje, os dois salários extras são pagos anualmente. Nos oito anos de mandato, o custo com o pagamento dos extras no Senado é de R$ 34,6 milhões. A Câmara dos Deputados gasta, em quatro anos, R$ 109,6 milhões.