por master | 13/03/12 | Ultimas Notícias
O vereador João Cláudio Derosso (PSDB) renunciou ontem à presidência da Câmara Municipal de Curitiba, depois de quinze anos no cargo. Acusado de irregularidades em contratos de publicidade da Casa, Derosso decidiu entregar o cargo para não ser cassado. Na semana passada, ele perdeu o apoio da base governista e dos colegas do próprio partido, que assinaram pedido de abertura de processo proposto pela oposição para afastá-lo definitivamente do posto. O pedido, que recebeu o aval de 30 dos 38 vereadores, incluindo parlamentares da bancada de apoio do prefeito Luciano Ducci (PSB) e do PSDB, seria protocolado oficialmente ontem.
Na carta de renúncia, lida em plenário, Derosso afirmou que tomou a decisão para evitar mais desgastes para os colegas e o Legislativo. “Visando preservar meus pares, bem como a instituição Câmara Municipal de Curitiba de acusações negativas e inverídicas, venho pelo presente renunciar ao cargo”, explicou.
Com a queda do tucano, os vereadores já iniciaram ontem as articulações para a sucessão na Casa. Uma nova eleição para escolher o substituto de Derosso foi marcada para a próxima segunda-feira.
Da base de apoio do prefeito, entre os nomes cotados para concorrer estão o primeiro vice-presidente Sabino Picolo (DEM), que já vinha exercendo interinamente a presidência da Câmara desde o final do ano passado, quando Derosso se licenciou; e o líder da bancada governista, João do Suco (PSDB). A oposição anunciou a candidatura do vereador Paulo Salamuni (PV).
Entre os governistas, até ontem apenas o vereador Professor Galdino (PSDB) se colocou ontem como candidato ao posto. Vereador de primeiro mandato, ele chegou a concorrer por duas vezes ao cargo nas últimas eleições para a Mesa Executiva, mas foi derrotado por Derosso e só conseguiu conquistar seu próprio voto. O líder da bancada do PSDB, Emerson Prado, sinalizou que o partido deve indicar um nome, mas desconversou sobre as pretensões do colega. “É natural nós que temos treze vereadores na Casa, querermos fazer o presidente”, disse ele, referindo-se ao fato dos tucanos terem a maior bancada na Câmara.
As acusações contra Derosso surgiram em julho do ano passado, quando relatório do Tribunal de Contas apontou que a Câmara firmou contrato de R$ 5,1 milhões entre 2006 e 2011, para serviços de publicidade com a Oficina da Notícia, empresa de propriedade da jornalista Cláudia Queiroz, atual esposa do tucano. Na época da licitação, ela ocupava cargo em comissão na Casa. Desde o início, o vereador negou irregularidades, alegando que na época da licitação, não mantinha relacionamento com a jornalista.
Desde então, Derosso resistiu a uma série de processos no Conselho de Ética da Câmara e a uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). As investigações confirmaram a existência de irregularidades, mas foram arquivadas sob a alegação de falta de provas materiais que o responsabilizassem.
Em dezembro do ano passado, o Ministério Público denunciou Derosso à Justiça por improbidade administrativa, apontando que a contratação da Oficina da Notícia seria ilegal, já que a empresa tinha como proprietária uma servidora da Câmara. Na ação, o MP pediu ainda o afastamento do vereador da presidência da Casa e o bloqueio de seus bens.
Pressionado, Derosso então pediu licença do cargo por 90 dias. Em fevereiro, renovou o pedido por mais 90 dias. A oposição reagiu apresentando requerimento para abertura de uma comissão processante para afastá-lo definitivamente do cargo.
Reviravolta — Protegido até então pelos colegas, Derosso viu a situação mudar radicalmente na semana passada, quando o líder da bancada do PSDB, Emerson Prado, defendeu publicamente que ele renunciasse, e orientou os parlamentares tucanos a assinarem o requerimento da oposição. A adesão dos vereadores governistas, incluindo do líder da base aliada, João do Suco, confirmou que ele havia perdido o apoio interno para continuar no cargo.
Para o vereador oposicionista Algaci Tulio (PMDB), o afastamento de Derosso foi resultado da pressão popular e da insistência da bancada de oposição. “Foi graças a meia-dúzia de loucos que tiveram a coragem de encarar essa briga”, afirmou. “A renúncia aconteceu a partir de uma pressão da sociedade e pode ser considerada uma vitória do povo”, avaliou Salamuni. “É um momento histórico”, comemorou o líder da oposição, Jonny Stica (PT).
por master | 13/03/12 | Ultimas Notícias
A indústria da transformação da região perdeu 49.620 empregados formais em 20 anos encerrados em 2009. Em 1990, o setor era responsável pela contratação de 293.445. Esse número caiu 16% e atingiu 243.825 funcionários no fim de 2009.
Com isso a representatividade da indústria no total de empregos formais da região acompanhou o movimento de queda. Em 1990, quando o setor já era conhecido nacionalmente pelo potencial de geração de riqueza, empregabilidade e bons salários, 55,6% dos trabalhadores formais batiam o cartão nos pontos dessas empresas. Em 2009, o percentual desceu para 32,9%.
Os dados fazem parte de levantamento realizado pelo professor de Economia Sandro Maskio, que ministra aulas na Universidade Metodista de São Paulo, com base em informações da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Enquanto o setor industrial perdeu trabalhadores, reflexo da modernização das linhas e do fracionamento da produção, 171.941 empregados com carteira assinada ingressaram no setor de serviços, como os transportes, Saúde e Educação./CW
Maskio explica que muitos trabalhadores da indústria perderam seus postos porque exerciam funções consideradas simples hoje em dia, tendo em vista que as máquinas realizam os mesmo processos com mais velocidade e precisão. “Mas no mesmo período o saldo no setor de serviços administrativos, técnicos e profissionais foi de 87.637”, destaca. Isso indica que aqueles que deixaram a indústria preencheram boa parte desse subsetor. “Os dados demonstram com clareza a transição da locação da mão de obra no Grande ABC”, pontua.
SETORES
O comércio varejista apresentou alta de 68.949 postos de trabalho formal na região nos 20 anos. Em 1990, o setor era responsável pelo emprego de 57.855 pessoas. Já em 2009, eram 126.804 funcionários, o que garantiu 17,1% do total de empregos do Grande ABC na época.
A administração pública tinha 47.282 funcionários em 2009, alta de 142% sobre 1990. E a construção civil, na mesma comparação, teve expansão de 216% ao atingir 34.683 trabalhadores em 2009.
PIB
Contrariando a redução no número de empregados na comparação das duas décadas, a indústria apresentou expansão em sua participação no PIB (Produto Interno Bruto) do Grande ABC em dez anos encerrados em 2009, passando de 33% para 34%.
O PIB representa o quanto foi gerado de riqueza em determinado local. Ele é calculado por valor adicionado. Portanto, se um fabricante vende um produto ao distribuidor por R$ 100, e a distribuição comercializa o mesmo item ao vendedor final por R$ 150, o valor adicionado apenas neste exemplo é de R$ 50.
Nos mesmos anos, o setor de serviços, incluindo o comércio, apresentou alta de 2 pontos percentuais na participação do PIB da região, caminhando de 47% para 49%.
A arrecadação de impostos foi a parte do PIB que teve redução em sua fatia. Em 1999, representava 20% da produção de riquezas do Grande ABC. Dez anos depois, esse percentual caiu para 17%.
A representatividade da agropecuária foi bem menor do que 1% nos PIB de ambos períodos.
Segundo o professor Sandro Maskio, os resultados são corrigidos pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) até dezembro de 2011. Em 1999, o PIB deflacionado era de R$ 57,35 bilhões. No fim de 2009, montante passou para R$ 80,26 bilhões, alta de 40%.
SALÁRIO MÉDIO
O salário médio real do empregado formal no Grande ABC caiu 4,9% entre 1999 e 2009. O valor recuou de R$ 2.291 para R$ 2.180, corrigidos monetariamente a preços de dezembro de 2011.
Ao segmentar a evolução do salário médio do empregado formal da região, a maior queda apresentada na década, de 7,3%, ocorreu no segmento de serviços. Esses trabalhadores recebiam cerca de R$ 1.770 por mês em 1999, e passaram a receber, em 2009, R$ 1.640.
Na avaliação do professor de Economia e responsável pela pesquisa, Sandro Maskio, que ministra aulas na Universidade Metodista de São Paulo e na Universidade Municipal de São Caetano, a expansão acentuada no número de empregados no segmento como resultado da segmentação da indústria, que elevou a demanda por serviços, é uma das explicações para a média salarial sofrer a contração no período.
Os funcionários públicos completam o grupo dos setores cujo salário médio do empregado formal ficou mais enxuto. Entre 1999 e 2009, a preços de dezembro de 2011, os valores médios passaram de R$ 2.772 para R$ 2.659.
ALTAS
A construção civil teve o maior incremento real no salário médio dos trabalhadores. Pedreiros, serventes, encanadores e gesseiros viram seus ordenados saltarem 24,8% nos dez anos, com expansão de R$ 1.383 para R$ 1.726.
Os comerciantes elevaram os pagamentos aos seus funcionários em 7,2% na década, alta suficiente para que o salário médio, em 2009, estivesse em R$ 1.133.
E a indústria da transformação, na qual está o setor mais forte da região, a metalurgia, elevou os salários de R$ 3.068 em 1999, para R$ 3.153, alta de 2,8%.
A correção monetária utiliza como base o índice oficial de inflação, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
por master | 13/03/12 | Ultimas Notícias
O principal grupo responsável pela inflação foi o da Saúde (1,40%), com contribuição da ordem de 0,19 pp. na taxa deste mês. Aqueles que colaboraram para uma menor taxa foram Transporte (-0,26%) e Alimentação (-0,16%), que, juntos, contribuíram com -0,09 pp. no cálculo do índice.
Na Saúde (1,40%), a alta se deu no subgrupo da assistência médica (1,74%), resultado dos reajustes praticados pelos seguros e convênios médicos (1,92%) e pelas consultas médicas (1,16%). Os medicamentos e produtos farmacêuticos (0,02%) pouco alteraram seus valores.
O aumento na Despesa Pessoal (0,43%) ocorreu no subgrupo da higiene e beleza (0,80%), uma vez que o item fumo e acessórios (-0,02%) apresentou pequena deflação. Quanto ao grupo Equipamentos Domésticos (0,17%), todos seus subgrupos tiveram taxas pequenas, porém positivas: móveis (0,37%), rouparia (0,31%), utensílios domésticos (0,06%) e eletrodomésticos (0,04%).
Quanto à queda no grupo Transporte (-0,26%), esta se deve à deflação no subgrupo individual (-0,64%), consequência da queda nos combustíveis (-1,23%), tanto no álcool (-3,67%) como na gasolina (-0,29%). A taxa positiva no subgrupo coletivo (0,55%) deve-se ao reajuste, a partir da 2ª semana de fevereiro, dos seguintes serviços: trem (2,59%), metrô (2,66%) e ônibus intermunicipal (4,49%).
As taxas dos subgrupos da Alimentação (-0,16%) foram: produtos in natura e semielaborados (-0,46%), produtos da indústria alimentícia (-0,17%) e alimentação fora do domicílio (0,50%).
Nos produtos in natura e semielaborados, a desagregação de seus itens revela os seguintes comportamentos:
• Peixes e frutos do mar (11,01%) – com acentuado aumento no camarão (16,96%);
• Hortaliças (6,86%) – com subida de todos os produtos;
• Grãos (3,05%) – com alta no feijão (9,09%) e queda no arroz (-0,39%);
• Raízes e tubérculos (1,35%) – com aumento na cebola (11,46%) e taxas relativamente pequenas nos demais bens;
• Aves e ovos (-2,20%) – com queda nas aves (-2,98%) e alta nos ovos (1,51%);
• Carnes (-3,19%) – queda em ambos os itens: bovina (-3,27%) e suína (-1,38%); e
• Legumes (-8,39%) – com acentuada queda no tomate (-17,22%).
No subgrupo da indústria da alimentação (-0,17%), os valores apresentaram grande estabilidade, porém, chama atenção a queda no açúcar, de -5,90%. Na alimentação fora do domicílio (0,50%), os reajustes foram semelhantes em seus itens: refeição principal (0,49%) e lanches (0,52%).
Índices por estrato de renda
Além do índice geral (0,13%), o Dieese calcula mais três indicadores de inflação, segundo tercis da renda das famílias paulistanas1. Em fevereiro, as taxas foram positivas e crescentes segundo o poder aquisitivo: estrato 1 (0,04%), estrato 2 (0,06%) e estrato 3 (0,18%). Estas taxas, em relação às de janeiro, apontaram as seguintes quedas: 1º estrato (-0,86 pp.), 2º (-0,90 pp.) e 3º (-1,40 pp.).
Resultados da inflação nas taxas por estrato
As taxas inflacionárias por estrato de renda são resultado da forma de despender das famílias, segundo seu poder aquisitivo, relacionado com as diversas variações de preços dos bens e serviços.
As contribuições dos aumentos na Saúde no cálculo da inflação tiveram origem no subgrupo da assistência médica, vindo a afetar mais as famílias de maiores rendas. Seus impactos foram crescentes com o poder aquisitivo: 1º estrato (0,12 pp.), 2º estrato (0,16 pp.) e 3º estrato (0,23 pp.).
A queda no Transporte, proveniente da diminuição nos preços dos combustíveis, beneficiou mais as famílias pertencentes ao 2º estrato (-0,02 pp.) e 3º estrato (-0,06 pp.). As do 1º estrato (0,02 pp.) tiveram contribuição positiva, resultado da alta no transporte coletivo.
A queda no grupo Alimentação resultou em baixa no cálculo das taxas do 1º (-0,13 pp.) e 2º (-0,11 pp.) estrato de renda. Já no 3º (-0,01 pp.), houve pouca alteração.
Inflação acumulada
A inflação geral, nos últimos 12 meses, de março de 2011 a fevereiro de 2012, acumula alta de 5,83%; e cresce à medida que a renda aumenta: estrato 1 (4,98%), estrato 2 (5,07%) e estrato 3 (6,32%). Tendência semelhante ocorreu neste primeiro bimestre de 2012, com taxa geral de 1,45%; e seu comportamento apontou aumento a medida que cresce o poder aquisitivo das famílias: estrato 1 (0,94%), estrato 2 (1,02%) e estrato 3 (1,76%).
Comportamento dos preços neste 1º bimestre de 2012
Acima de 1,45%, que corresponde à alta deste bimestre, observaram-se os grupos: Educação e Leitura (7,22%), Saúde (2,36%), Despesas Diversas (2,09%) e Habitação (1,99%). Três grupos tiveram taxas pequenas e positivas: Despesas Pessoais (1,32%), Alimentação (0,44%) e Recreação (0,29%); outros três apontaram deflação em seus preços: Vestuário (-0,26%), Equipamentos
Domésticos (-0,32%) e Transporte (-0,42%)
Quanto aos aumentos da Educação e Leitura, estes, de um modo geral, já foram reajustados neste início de ano e não devem modificar muito seus preços até o final de 2012. As maiores taxas acumuladas neste bimestre foram: educação infantil (10,17%), ensino fundamental (10,01%), ensino médio (9,88%), livros didáticos (9,19%) e jornais (8,45%).
Na Saúde, a assistência médica (2,85%) foi o subgrupo com maior reajuste, notadamente nos seguros e convênios (3,19%) e nas consultas médicas (1,67%). Estes reajustes preocupam, uma vez que, costuma-se observar alterações em seus valores durante todos os meses do ano.
Na Alimentação (0,44%), nota-se que esta teria sido menor caso o subgrupo da alimentação fora do domicílio (1,73%) não tivesse pressionado a taxa deste mês. Os demais subgrupos pouco alteraram seus valores: produtos in natura e semielaborados (0,09%) e bens da indústria alimentícia (0,13%).
A taxa negativa do Transporte (-0,42%) deve-se ao subgrupo individual (-1,06%), resultado da queda nos combustíveis (-1,85%). O que pode ocorrer nos próximos meses é um maior aumento dos serviços de transporte coletivo (0,97%), em virtude, principalmente, do reajuste da tarifa do ônibus municipal.
Comportamento dos preços nos últimos 12 meses
A taxa anualizada em fevereiro (5,83%) apresentou queda em relação à de janeiro (6,12%), com diferença de 0,29 pp.. Dos 10 grupos que compõem o ICV, três apresentaram taxas superiores a 5,83%, a saber: Saúde (8,76%), Educação e Leitura (8,20%) e Alimentação (6,38%); outros dois com taxas no patamar do índice geral: Habitação (6,05%) e Despesas Diversas (5,23%). Variações menores foram observadas nos grupos: Despesas Pessoais (4,42%), Transporte (3,38%), Vestuário (3,28%), Recreação (1,06%) e Equipamentos (-2,60%).
No grupo Saúde (8,76%), as taxas de seus subgrupos foram distintas: maior para a assistência médica (9,90%) e menor para os medicamentos e produtos farmacêuticos (4,19%). Os itens que mais subiram foram: internação hospitalar (20,80%), seguros e convênios (10,37%) e consultas médicas (7,88%).
A taxa anual no grupo da Educação e Leitura (8,20%) foi agravada pelos reajustes nos subgrupos educação (8,24%) e leitura (7,46%). Na educação, as maiores variações foram detectadas nos livros didáticos (9,19%), cursos formais (8,55%) e cursos diversos (7,64%). Na leitura, o aumento se deu nos jornais e revistas (8,06%).
Na Alimentação (6,38%), as taxas de seus subgrupos foram elevadas na alimentação fora do domicílio (8,74%) e nos bens da indústria alimentícia (6,69%); os produtos in natura e semielaborados (5,01%) subiram menos que o ICV de 5,83%.
O grupo Habitação (6,05%) não apresentou diferenças acentuadas em seus subgrupos: locação, impostos e condomínio (7,32%), operação do domicílio (5,17%) e conservação (6,91%). Porém, as taxas de seus itens foram distintas, variando entre 4,61% no material de construção até 12,46%, para os serviços domésticos.
Embora as taxas dos demais grupos tenham sido pequenas ou mesmo negativas, seus subgrupos acusaram comportamentos distintos, ou seja, com reajustes entre -5,17%, para os eletrodomésticos, até 8,20%, para o subgrupo higiene e beleza.
Análise das séries anualizadas
A construção das séries anualizadas busca entender não só questões de sazonalidade nos preços, mas também permite detectar os motivos de altas e baixas dos valores de um conjunto de bens e serviços que compõem os grupos do ICV. Esta análise contempla cinco grupos, que respondem por 89,65% na composição dos gastos familiares, são eles: Alimentação, Transporte, Saúde, Educação e Habitação, os demais grupos – Vestuário, Equipamentos Domésticos, Recreação, Despesas Pessoais e Despesas Diversas – pesam apenas 10,35% e as oscilações de seus preços pouco alteram o índice geral.
A observação da série Geral sugere que há quatro períodos com diferentes níveis de preço, a saber:
• 1º – de jan/10 a out/10, ocasião em que sua taxa situa-se em torno de 5,50%;
• 2º – de nov/10 a mar/11, quando altera o nível geral de preços para taxas da ordem de 6,50%;
• 3º – abr/11 a set/11 as taxas ultrapassam a barreira de 7,00% e atingem o pico da série em set/11 com 7,45%; e
• 4º – out/11 a fev/12, com taxas anuais declinantes, quando fecha a série com 5,83%, patamar similar ao 1º período.
O grupo Alimentação responde com 29,48% na composição do índice Geral, portanto, alterações em seus preços necessariamente refletem na inflação total. A observação dos 26 meses aponta que, em apenas quatro, a taxa dos alimentos ficou ligeiramente inferior à Geral. Ambas as séries obedecem à mesma tendência, porém em níveis distintos, os alimentos em patamares bem superiores, principalmente no período compreendido entre nov/10 a set/11, com diferenças de até 5,32 pp. em janeiro de 2011. Os motivos apontados por esta ocasião foram encontrados nas altas acentuadas do feijão e das carnes ocorridas ao longo de 2010. No último período (out/11 até fev/12), as tendências de ambas as séries são declinantes, sendo mais acentuada na dos alimentos.
Quanto à série do Transporte, que pesa 15,32%, as variações de preços no início de 2010 ficaram semelhantes ao índice geral, exceto nos três primeiros meses, ocasião em que superaram na inflação. A partir de set/10 cai acentuadamente até fev/11, quando salta para o patamar de 6,82% em mar/11 e atinge seu ponto máximo em abr/11 (11,55%). As causas encontradas por esta ocasião foram os reajustes nos preços dos combustíveis com altas exorbitantes. Apesar das taxas elevadas, a partir de mai/11 elas apresentam tendência de forte queda, fechando a série em fev/11 com taxa de 3,38%.
A Saúde pesa na composição do ICV 13,85%, suas variações, ao longo da série, oscilam acentuadamente em relação ao patamar inflacionário. No período entre jan/10 (4,99%) até jul/10 (8,22%), sua tendência é de alta. O inverso ocorre a partir de ago/10 (7,27%), com taxas declinantes, quando se atinge o menor valor em mar/11 (3,18%). Novamente, há um movimento de alta com o maior percentual em fev/12 (8,76%). As taxas menores observadas na Saúde, sob certo aspecto, amortizaram a alta inflacionária com origem nos grupos Alimentação e Transporte.
Os gastos na Educação respondem com 8,19% no cálculo do ICV, suas variações são relativamente sazonais, com altas mais acentuadas no início de cada ano, seguidas de certa estabilidade em sua série. Suas taxas, que estavam entre 5,30% (nov/10) e 6,32% (ago/11) ao longo destes dois anos, nestes dois primeiros meses de 2012 sobem para um patamar bem superior e atinge seu ponto máximo em jan/12 de 8,36%.
Por fim, a Habitação, que pesa 22,81% no cálculo da inflação, teve suas taxas até abr/11 próximas ao ICV, ou seja, com valores em torno de 6%. Deste mês em diante, a série apresenta taxas declinantes até o final de 2011, quando atinge seu mínimo em dez/11 (4,40%); este comportamento pode ser atribuído às poucas alterações nas tarifas públicas. Neste início de 2012, observa-se nova alta que tem como origem o reajuste dos serviços domésticos.
A observação destas séries permite afirmar que altas na Alimentação e no Transporte foram as grandes responsáveis pelas alterações no ICV, contaminando os demais grupos que compõe este índice, os quais justificam seus reajustes pelo patamar inflacionário vigente.