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Conjuntura econômica: taxa inflacionária cai acentuadamente, diz Dieese

Conjuntura econômica: taxa inflacionária cai acentuadamente, diz Dieese

O principal grupo responsável pela inflação foi o da Saúde (1,40%), com contribuição da ordem de 0,19 pp. na taxa deste mês. Aqueles que colaboraram para uma menor taxa foram Transporte (-0,26%) e Alimentação (-0,16%), que, juntos, contribuíram com -0,09 pp. no cálculo do índice.

Na Saúde (1,40%), a alta se deu no subgrupo da assistência médica (1,74%), resultado dos reajustes praticados pelos seguros e convênios médicos (1,92%) e pelas consultas médicas (1,16%). Os medicamentos e produtos farmacêuticos (0,02%) pouco alteraram seus valores.

O aumento na Despesa Pessoal (0,43%) ocorreu no subgrupo da higiene e beleza (0,80%), uma vez que o item fumo e acessórios (-0,02%) apresentou pequena deflação. Quanto ao grupo Equipamentos Domésticos (0,17%), todos seus subgrupos tiveram taxas pequenas, porém positivas: móveis (0,37%), rouparia (0,31%), utensílios domésticos (0,06%) e eletrodomésticos (0,04%).

Quanto à queda no grupo Transporte (-0,26%), esta se deve à deflação no subgrupo individual (-0,64%), consequência da queda nos combustíveis (-1,23%), tanto no álcool (-3,67%) como na gasolina (-0,29%). A taxa positiva no subgrupo coletivo (0,55%) deve-se ao reajuste, a partir da 2ª semana de fevereiro, dos seguintes serviços: trem (2,59%), metrô (2,66%) e ônibus intermunicipal (4,49%).

As taxas dos subgrupos da Alimentação (-0,16%) foram: produtos in natura e semielaborados (-0,46%), produtos da indústria alimentícia (-0,17%) e alimentação fora do domicílio (0,50%).

Nos produtos in natura e semielaborados, a desagregação de seus itens revela os seguintes comportamentos:

• Peixes e frutos do mar (11,01%) – com acentuado aumento no camarão (16,96%);
• Hortaliças (6,86%) – com subida de todos os produtos;
• Grãos (3,05%) – com alta no feijão (9,09%) e queda no arroz (-0,39%);
• Raízes e tubérculos (1,35%) – com aumento na cebola (11,46%) e taxas relativamente pequenas nos demais bens;
• Aves e ovos (-2,20%) – com queda nas aves (-2,98%) e alta nos ovos (1,51%);
• Carnes (-3,19%) – queda em ambos os itens: bovina (-3,27%) e suína (-1,38%); e
• Legumes (-8,39%) – com acentuada queda no tomate (-17,22%).

No subgrupo da indústria da alimentação (-0,17%), os valores apresentaram grande estabilidade, porém, chama atenção a queda no açúcar, de -5,90%. Na alimentação fora do domicílio (0,50%), os reajustes foram semelhantes em seus itens: refeição principal (0,49%) e lanches (0,52%).

Índices por estrato de renda

Além do índice geral (0,13%), o Dieese calcula mais três indicadores de inflação, segundo tercis da renda das famílias paulistanas1. Em fevereiro, as taxas foram positivas e crescentes segundo o poder aquisitivo: estrato 1 (0,04%), estrato 2 (0,06%) e estrato 3 (0,18%). Estas taxas, em relação às de janeiro, apontaram as seguintes quedas: 1º estrato (-0,86 pp.), 2º (-0,90 pp.) e 3º (-1,40 pp.).

Resultados da inflação nas taxas por estrato

As taxas inflacionárias por estrato de renda são resultado da forma de despender das famílias, segundo seu poder aquisitivo, relacionado com as diversas variações de preços dos bens e serviços.

As contribuições dos aumentos na Saúde no cálculo da inflação tiveram origem no subgrupo da assistência médica, vindo a afetar mais as famílias de maiores rendas. Seus impactos foram crescentes com o poder aquisitivo: 1º estrato (0,12 pp.), 2º estrato (0,16 pp.) e 3º estrato (0,23 pp.).

A queda no Transporte, proveniente da diminuição nos preços dos combustíveis, beneficiou mais as famílias pertencentes ao 2º estrato (-0,02 pp.) e 3º estrato (-0,06 pp.). As do 1º estrato (0,02 pp.) tiveram contribuição positiva, resultado da alta no transporte coletivo.

A queda no grupo Alimentação resultou em baixa no cálculo das taxas do 1º (-0,13 pp.) e 2º (-0,11 pp.) estrato de renda. Já no 3º (-0,01 pp.), houve pouca alteração.

Inflação acumulada

A inflação geral, nos últimos 12 meses, de março de 2011 a fevereiro de 2012, acumula alta de 5,83%; e cresce à medida que a renda aumenta: estrato 1 (4,98%), estrato 2 (5,07%) e estrato 3 (6,32%). Tendência semelhante ocorreu neste primeiro bimestre de 2012, com taxa geral de 1,45%; e seu comportamento apontou aumento a medida que cresce o poder aquisitivo das famílias: estrato 1 (0,94%), estrato 2 (1,02%) e estrato 3 (1,76%).

Comportamento dos preços neste 1º bimestre de 2012

Acima de 1,45%, que corresponde à alta deste bimestre, observaram-se os grupos: Educação e Leitura (7,22%), Saúde (2,36%), Despesas Diversas (2,09%) e Habitação (1,99%). Três grupos tiveram taxas pequenas e positivas: Despesas Pessoais (1,32%), Alimentação (0,44%) e Recreação (0,29%); outros três apontaram deflação em seus preços: Vestuário (-0,26%), Equipamentos

Domésticos (-0,32%) e Transporte (-0,42%)

Quanto aos aumentos da Educação e Leitura, estes, de um modo geral, já foram reajustados neste início de ano e não devem modificar muito seus preços até o final de 2012. As maiores taxas acumuladas neste bimestre foram: educação infantil (10,17%), ensino fundamental (10,01%), ensino médio (9,88%), livros didáticos (9,19%) e jornais (8,45%).

Na Saúde, a assistência médica (2,85%) foi o subgrupo com maior reajuste, notadamente nos seguros e convênios (3,19%) e nas consultas médicas (1,67%). Estes reajustes preocupam, uma vez que, costuma-se observar alterações em seus valores durante todos os meses do ano.

Na Alimentação (0,44%), nota-se que esta teria sido menor caso o subgrupo da alimentação fora do domicílio (1,73%) não tivesse pressionado a taxa deste mês. Os demais subgrupos pouco alteraram seus valores: produtos in natura e semielaborados (0,09%) e bens da indústria alimentícia (0,13%).

A taxa negativa do Transporte (-0,42%) deve-se ao subgrupo individual (-1,06%), resultado da queda nos combustíveis (-1,85%). O que pode ocorrer nos próximos meses é um maior aumento dos serviços de transporte coletivo (0,97%), em virtude, principalmente, do reajuste da tarifa do ônibus municipal.

Comportamento dos preços nos últimos 12 meses

A taxa anualizada em fevereiro (5,83%) apresentou queda em relação à de janeiro (6,12%), com diferença de 0,29 pp.. Dos 10 grupos que compõem o ICV, três apresentaram taxas superiores a 5,83%, a saber: Saúde (8,76%), Educação e Leitura (8,20%) e Alimentação (6,38%); outros dois com taxas no patamar do índice geral: Habitação (6,05%) e Despesas Diversas (5,23%). Variações menores foram observadas nos grupos: Despesas Pessoais (4,42%), Transporte (3,38%), Vestuário (3,28%), Recreação (1,06%) e Equipamentos (-2,60%).

No grupo Saúde (8,76%), as taxas de seus subgrupos foram distintas: maior para a assistência médica (9,90%) e menor para os medicamentos e produtos farmacêuticos (4,19%). Os itens que mais subiram foram: internação hospitalar (20,80%), seguros e convênios (10,37%) e consultas médicas (7,88%).
A taxa anual no grupo da Educação e Leitura (8,20%) foi agravada pelos reajustes nos subgrupos educação (8,24%) e leitura (7,46%). Na educação, as maiores variações foram detectadas nos livros didáticos (9,19%), cursos formais (8,55%) e cursos diversos (7,64%). Na leitura, o aumento se deu nos jornais e revistas (8,06%).

Na Alimentação (6,38%), as taxas de seus subgrupos foram elevadas na alimentação fora do domicílio (8,74%) e nos bens da indústria alimentícia (6,69%); os produtos in natura e semielaborados (5,01%) subiram menos que o ICV de 5,83%.

O grupo Habitação (6,05%) não apresentou diferenças acentuadas em seus subgrupos: locação, impostos e condomínio (7,32%), operação do domicílio (5,17%) e conservação (6,91%). Porém, as taxas de seus itens foram distintas, variando entre 4,61% no material de construção até 12,46%, para os serviços domésticos.

Embora as taxas dos demais grupos tenham sido pequenas ou mesmo negativas, seus subgrupos acusaram comportamentos distintos, ou seja, com reajustes entre -5,17%, para os eletrodomésticos, até 8,20%, para o subgrupo higiene e beleza.

Análise das séries anualizadas

A construção das séries anualizadas busca entender não só questões de sazonalidade nos preços, mas também permite detectar os motivos de altas e baixas dos valores de um conjunto de bens e serviços que compõem os grupos do ICV. Esta análise contempla cinco grupos, que respondem por 89,65% na composição dos gastos familiares, são eles: Alimentação, Transporte, Saúde, Educação e Habitação, os demais grupos – Vestuário, Equipamentos Domésticos, Recreação, Despesas Pessoais e Despesas Diversas – pesam apenas 10,35% e as oscilações de seus preços pouco alteram o índice geral.

A observação da série Geral sugere que há quatro períodos com diferentes níveis de preço, a saber:

• 1º – de jan/10 a out/10, ocasião em que sua taxa situa-se em torno de 5,50%;
• 2º – de nov/10 a mar/11, quando altera o nível geral de preços para taxas da ordem de 6,50%;
• 3º – abr/11 a set/11 as taxas ultrapassam a barreira de 7,00% e atingem o pico da série em set/11 com 7,45%; e
• 4º – out/11 a fev/12, com taxas anuais declinantes, quando fecha a série com 5,83%, patamar similar ao 1º período.

O grupo Alimentação responde com 29,48% na composição do índice Geral, portanto, alterações em seus preços necessariamente refletem na inflação total. A observação dos 26 meses aponta que, em apenas quatro, a taxa dos alimentos ficou ligeiramente inferior à Geral. Ambas as séries obedecem à mesma tendência, porém em níveis distintos, os alimentos em patamares bem superiores, principalmente no período compreendido entre nov/10 a set/11, com diferenças de até 5,32 pp. em janeiro de 2011. Os motivos apontados por esta ocasião foram encontrados nas altas acentuadas do feijão e das carnes ocorridas ao longo de 2010. No último período (out/11 até fev/12), as tendências de ambas as séries são declinantes, sendo mais acentuada na dos alimentos.

Quanto à série do Transporte, que pesa 15,32%, as variações de preços no início de 2010 ficaram semelhantes ao índice geral, exceto nos três primeiros meses, ocasião em que superaram na inflação. A partir de set/10 cai acentuadamente até fev/11, quando salta para o patamar de 6,82% em mar/11 e atinge seu ponto máximo em abr/11 (11,55%). As causas encontradas por esta ocasião foram os reajustes nos preços dos combustíveis com altas exorbitantes. Apesar das taxas elevadas, a partir de mai/11 elas apresentam tendência de forte queda, fechando a série em fev/11 com taxa de 3,38%.

A Saúde pesa na composição do ICV 13,85%, suas variações, ao longo da série, oscilam acentuadamente em relação ao patamar inflacionário. No período entre jan/10 (4,99%) até jul/10 (8,22%), sua tendência é de alta. O inverso ocorre a partir de ago/10 (7,27%), com taxas declinantes, quando se atinge o menor valor em mar/11 (3,18%). Novamente, há um movimento de alta com o maior percentual em fev/12 (8,76%). As taxas menores observadas na Saúde, sob certo aspecto, amortizaram a alta inflacionária com origem nos grupos Alimentação e Transporte.

Os gastos na Educação respondem com 8,19% no cálculo do ICV, suas variações são relativamente sazonais, com altas mais acentuadas no início de cada ano, seguidas de certa estabilidade em sua série. Suas taxas, que estavam entre 5,30% (nov/10) e 6,32% (ago/11) ao longo destes dois anos, nestes dois primeiros meses de 2012 sobem para um patamar bem superior e atinge seu ponto máximo em jan/12 de 8,36%.

Por fim, a Habitação, que pesa 22,81% no cálculo da inflação, teve suas taxas até abr/11 próximas ao ICV, ou seja, com valores em torno de 6%. Deste mês em diante, a série apresenta taxas declinantes até o final de 2011, quando atinge seu mínimo em dez/11 (4,40%); este comportamento pode ser atribuído às poucas alterações nas tarifas públicas. Neste início de 2012, observa-se nova alta que tem como origem o reajuste dos serviços domésticos.

A observação destas séries permite afirmar que altas na Alimentação e no Transporte foram as grandes responsáveis pelas alterações no ICV, contaminando os demais grupos que compõe este índice, os quais justificam seus reajustes pelo patamar inflacionário vigente.
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Espanha: reforma trabalhista põe em risco saúde dos trabalhadores

Desemprepgo na EspanhaEm fevereiro, com a perda de mais 112 mil postos de trabalho, o número de desempregados passou para 4,7 milhões na Espanha e, não havendo perspectivas de crescimento econômico este ano, a prevê-se que o quadro vai se agravar.
 
É neste contexto que o governo do primeiro ministro conservador Mariano Rajoy aprovou, na semana passada, reformas trabalhistas que atentam contra os direitos dos trabalhadores, provocando inclusive o protesto da Federação de Associações para a Defesa da Saúde Pública, que se manifestou contra as reformas e, nesta segunda feira, pediu sua revogação por considerar que seus efeitos negativos para a saúde dos trabalhadores.

A Federação se refere ao artigo que permite a demissão de trabalhadores cujas faltas alcancem 20 a 25% da jornada de trabalho, incluindo neste percentual as faltas por doenças comuns, que terão que ser inferiores a 20 dias.

Segundo os médicos o que se pretende obter com esta mudança é a diminuição de faltas por doenças. Eles destacam que, sobretudo, isso ocorrerá em casos de enfermidades agudas. Mas, dizem, as doenças não vão diminuir e assim pessoas doentes continuarão trabalhando, com os efeitos decorrentes. Uma consequência poderá ser a diminuição da capacidade de trabalho, além de problemas como perda do rendimento e da qualidade da produção.

Aumentará a tendência à ocorrência de acidentes de trabalho pois os trabalhadores, “com suas capacidades físicas diminuídas, têm maior propensão a sofrer acidentes” durante o horário de trabalho.

Outra consequência poderá ser o aumento do número de trabalhadores com enfermidades infectocontagiosas, constituindo-se em “risco para sua propagação no ambiente de trabalho”. Assinalam ainda que as pessoas que trabalham em contato com o público “se converterão em foco de disseminação e contágio de doenças”.

Denunciam, finalmente, a mudança como uma importante “perda de direitos para os trabalhadores”, além de implicar em um “risco para a saúde dos trabalhadores e para o conjunto da população, de maneira indireta”.

A reforma trabalhista, com tantos cortes de direitos dos trabalhadores, tem sido alvo de muitas críticas e os sindicatos anunciaram uma greve para o dia 29 de março contra as medidas tomadas pelo governo conservador do primeiro ministro Mariano Rajoy.
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Golpe do fim da coligação proporcional entra em pauta

Começa a correr nesta terça-feira (13) o prazo para discussão da PEC, de autoria do senador José Sarney (PMDB-AP), que impede as coligações nas eleições proporcionais, configurando um golpe cristalino no sistema democrático eleitoral do país. O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), que é contrário à proposta, diz que proibir as coligações é restringir o direito de livre associação, garantido pela Constituição aos partidos políticos.

O texto permite coligações apenas nas eleições majoritárias (Presidente da República, governador e prefeito). Durante a tramitação da PEC na CCJ, o senador Inácio Arruda apresentou voto em separado pela rejeição das propostas. De acordo com Inácio Arruda, sem as coligações, não apenas os partidos pequenos, mas também os médios e até mesmo alguns dos grandes teriam dificuldades para atingir o quociente eleitoral em muitos estados.

Segundo ele, em dez das 27 unidades federativas, esse percentual nas eleições para a Câmara dos Deputados chega a 12,5% dos votos válidos; em outras nove, fica entre 5,5% e 11%.

Assim, levando em consideração os votos obtidos nas últimas eleições, o senador afirmou em seu parecer que, sem coligação nas eleições proporcionais, no estado de Roraima, apenas um partido teria atingido o quociente eleitoral no último pleito. Em mais seis estados e no Distrito Federal, somente dois partidos. A proposta de Inácio foi rejeitada.

Discussão e votação

A PEC do fim das coligações nas eleições proporcionais deve ser votada definitivamente em Plenário no dia 21 de março, em sessão exclusiva para tratar de matérias da Reforma Política, conforme acordo feito pelos senadores.

Antes disso, a proposta deverá passar por cinco sessões de discussão, a partir desta terça-feira, votação em primeiro turno e três sessões de discussão em segundo turno. O processo poderá ser adiado caso a matéria receba emendas de Plenário, que precisarão ser analisadas pela CCJ.

A PEC será considerada aprovada se obtiver, em ambos os turnos, três quintos dos votos dos membros do Senado. Nesse caso, ela será enviada à Câmara dos Deputados.

O objetivo alegado da proposta é evitar “uniões passageiras” entre legendas sem qualquer afinidade ideológica, apenas com interesses eleitorais, como assegurar tempo de propaganda eleitoral gratuita em rádio e TV e espaço parlamentar no Legislativo. Na verdade,´trata-se de um golpe antidemocrático que pode afetar a representação de correntes políticas minoritárias que, por circunstâncias diversas, como quociente eleitoral elevado, monopólio do tempo de rádio e TV pelols grandes partidos, assim como a mobilização por estes das maiores cotas dos recursos financeiros.
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Igualdade salarial: patrões conseguem parar proposta

O Senado reexaminará o projeto de lei que estabelece multas para as empresas que pagam às mulheres salários menores do que os atribuídos aos homens pela mesma atividade. A proposta, aprovada no último dia 6 na Comissão de Direitos Humanos (CDH) e que deveria ser sancionada pela Presidente Dilma, nesta terça-feira (7), teve a tramitação interceptada por recurso de nove senadores.

Nesta segunda-feira (12), deve ser lido o recurso dos senadores para que a proposta, que poderia ir à sanção presidencial por ter sido aprovada em caráter terminativo, seja votada em plenário. Na prática, os senadores querem evitar a aprovação da matéria que fere os interesses dos empresários.

A lei pune, com cinco vezes a diferença verificada em todo o período da contratação, a empresa que pagar salário menor à mulher que executar a mesma função do homem.

Com o recurso levando a matéria para votação em plenário, cria-se a possibilidade de apresentação de emendas e de um eventual exame da proposta pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O objetivo do líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), um dos subscritores do recurso, é debater na CAE um texto que especifique melhor os casos de discriminação salarial.

O deputado Marçal Filho (PMDB-MS), autor do projeto já aprovado pela Câmara, cita estudo divulgado em 2009 pelo site UOL Economia, em que “As trabalhadoras brasileiras são as que sofrem com maior diferença salarial em relação aos homens no mundo todo, com 34% de variação entre as remunerações de ambos os gêneros”, segundo estudo publicado pela Confederação Internacional dos Sindicatos (ICFTU, em inglês).

Por decisão unânime, em 6 de março, a CDH aprovou relatório do senador Paulo Paim (PT-RS) favorável à proposição. O relator lembrou que a Constituição e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) já proíbem a diferença de salários entre homens e mulheres, mas essas normas não têm sido suficientes para impedir a discriminação das trabalhadoras.


Os números

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, em 2010, o salário inicial dos homens, no ato de admissão no emprego, foi em média R$ 113,30 maior que o vencimento das mulheres.

A pesquisa “Mulher no Mercado de Trabalho: Perguntas e Respostas – 2012”, do IBGE, mostra que o rendimento médio real do trabalho das pessoas ocupadas em 2011 foi de R$ 1.857,63 para os homens e de R$ 1.343,81 para as mulheres.

O mesmo estudo mostra que em, em 2011, o rendimento médio real do trabalho das mulheres foi equivalente a 72,3% da média dos homens. Esse número vem sofrendo pequenas variações desde 2003, quando era de 70,8%.

De Brasília
Com agências
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Cidades brasileiras são ‘pouco competitivas’, diz consultoria britânica

As cidades latino-americanas, incluindo as megaurbes brasileiras, Rio e São Paulo, são pouco competitivas comparativamente a outras cidades mundiais, indicou um relatório da consultoria britânica Economist Intelligence Unit.
 
Para a consultoria, o mau desempenho em um ranking de 120 cidades se dá pela falta de sustentabilidade e aspectos da qualidade de vida que podem ser obtidos mais facilmente em outras cidades mundiais, como as dos países desenvolvidos.
 
As cidades, que respondem por 29% da economia global, foram avaliadas a partir de oito categorias e analisadas em 31 indicadores individuais.
 
São Paulo e Rio foram classificadas, respectivamente, em 62º e 76º lugar no ranking, liderado por Nova York. E Buenos Aires, em 60º lugar, foi a única cidade latino-americana que terminou na primeira metade da lista.
 
“As cidades latino-americanas e africanas são as que mais deixam a desejar em termos de competitividade. Enquanto todas as regiões abrigam pelo menos algumas cidades pouco competitivas, a América Latina em particular tem mau desempenho em todas as categorias”, afirma o relatório.
São Paulo e Rio ficaram empatadas em 47º lugar em termos de personalidade social e cultural – ranking no qual Zurique lidera, seguida por Sydney, Nova York, Los Angeles, Madri e Londres.
 
As duas cidades brasileiras também empataram em 50º lugar em maturidade financeira – lista encabeçada por Zurique, Toronto, Tóquio, Cingapura e Nova York.
 
Já no quesito apelo global São Paulo ficou em 38º, e o Rio, em 49º. As primeiras colocadas da lista foram Londres, Paris, Tóquio, Cingapura e Pequim.
 
Nenhuma das duas cidades brasileiras aparecem entre as 60 primeiras posições em capital humano, riscos ambientais e naturais, eficiência institucional, força econômica e capital físico.
 
“Investimentos em infraestrutura serão a principal causa do crescimento dos mercados emergentes, mas será necessário mais que isso para garantir a sua atratividade para os talentos de amanhã”, afirma o relatório.
 
Para a consultoria, as cidades emergentes devem promover seu desenvolvimento “não apenas em arranha-céus, conexões ferroviárias e outras obras de infraestrutura”, mas também “nos aspectos mais brandos que serão cruciais para sua capacidade de atrair e desenvolver os talentos de amanhã – incluindo educação, qualidade de vida e liberdade pessoal, entre outras coisas”.
 
Sustentabilidade
 
As cidades asiáticas foram destaque no relatório, devido ao seu bom desempenho no quesito de força econômica.
 
Das 20 cidades mais bem colocadas nesse aspecto, 15 estão na Ásia e, segundo o relatório, as 32 maiores cidades do continente devem crescer em média 5% ao ano daqui até 2016.
 
Entretanto, a consultoria frisou que não existe correlação entre tamanho e competitividade. Tanto que entre as dez cidades mais competitivas da lista estão tanto Tóquio, com 36,7 milhões de habitantes, como Zurique, com 1,2 milhão.
 
“Competitividade é um conceito holístico. Enquanto o peso econômico e o crescimento são importantes e necessários, diversos outros fatores determinam a competitividade de uma cidade no sentido mais abrangente”, afirmou o relatório.
 
“O ambiente de negócios e as regulamentações, a qualidade do capital humano e a qualidade de vida em si não só ajudam uma cidade a sustentar um rápido ritmo de crescimento, mas também a criar um ambiente social e de negócios estável e harmônico.”
 
A EIU estima que as cidades de tamanho mediano, com população entre 2 milhões e 5 milhões de habitantes, é que liderarão o crescimento urbano no mundo: em média, crescerão 8,7% anualmente nos próximos cinco anos.
 
Enquanto isso, das 23 megacidades do planeta – com mais de 10 milhões de pessoas –, apenas nove figuram entre as 30 cidades com maior crescimento econômico.
 
Atração de talentos
 
A cidade de Nova York foi considerada a primeira do ranking da EIU, seguida por Londres, Paris e Cingapura. Das 30 cidades mais bem colocadas na lista, 24 estão nos EUA ou na Europa.
 
Apesar do impacto da crise econômica, essas cidades continuam atraindo mais negócios, capital, talentos e turismo, notou o relatório.
 
“A vantagem mais significativa que as cidades dos países desenvolvidos têm é sua capacidade de atrair o melhor talento do mundo. As cidades americanas e europeias dominam a categoria do capital humano no índice”, observou a pesquisa.
 
“Isso se deve principalmente à qualidade dos sistemas educacionais e à mentalidade empreendedora de seus cidadãos. Mas outros fatores melhoram seu desempenho também, como as atividades culturais e a qualidade de vida geralmente boa.”