por master | 20/01/12 | Ultimas Notícias
Brasília – O Brasil é o segundo país com maior desigualdade do G20, de acordo com um estudo realizado nos países que compõem o grupo.
De acordo com a pesquisa Deixados para trás pelo G20, realizada pela Oxfam – entidade de combate à pobreza e a injustiça social presente em 92 países -, apenas a África do Sul fica atrás do Brasil em termos de desigualdade.
Como base de comparação, a pesquisa também examina a participação na renda nacional dos 10% mais pobres da população de outro subgrupo de 12 países, de acordo com dados do Banco Mundial. Neste quesito, o Brasil apresenta o pior desempenho de todos, com a África do Sul logo acima.
A pesquisa afirma que os países mais desiguais do G20 são economias emergentes. Além de Brasil e África do Sul, México, Rússia, Argentina, China e Turquia têm os piores resultados.
Já as nações com maior igualdade, segundo a Oxfam, são economias desenvolvidas com uma renda maior, como França (país com melhor resultado geral), Alemanha, Canadá, Itália e Austrália.
Avanços
Mesmo estando nas últimas colocações, o Brasil é mencionado pela pesquisa como um dos países onde o combate à pobreza foi mais eficaz nos últimos anos.
O estudo cita dados que apontam a saída de 12 milhões de brasileiros da pobreza absoluta entre 1999 e 2009, além da queda da desigualdade medida pelo coeficiente de Gini, baixando de 0,52 para 0,47 no mesmo período (o coeficiente vai de zero, que significa o mínimo de desigualdade, a um, que é o máximo).
A pesquisa prevê que, se o Brasil crescer de acordo com as previsões do FMI (3,6% em 2012 e acima de 4% nos anos subsequentes) e mantiver a tendência de redução da desigualdade e de crescimento populacional, o número de pessoas pobres cairá em quase dois terços até 2020, com cinco milhões de pessoas a menos na linha da pobreza.
No entanto, a Oxfam diz que, se houver um aumento da desigualdade nos próximos anos, nem mesmo um forte crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) poderá retirar um número significativo de brasileiros da pobreza.
“Mesmo que o Brasil tenha avanços no combate da pobreza, ele é ainda um dos países mais desiguais do mundo, com uma agenda bem forte pendente nesta área”, disse à BBC Brasil o chefe do escritório da Oxfam no Brasil, Simon Ticehurst.
“As pessoas mais pobres são as mais impactadas pela volatilidade do preço dos alimentos, do preço da energia, dos impactos da mudança climática”, acrescentou.
Para ele, é importante que o governo dê continuidade às políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e que o Estado intervenha para melhorar o sistema de distribuição.
“Os mercados podem criar empregos, mas não vão fazer uma redistribuição (de renda)”, afirma.
Ticehurst diz que, para reduzir a desigualdade, o Brasil também precisa atacar as questões da sustentabilidade e da resistência a choques externos. “As pessoas mais pobres são as mais impactadas pela volatilidade do preço dos alimentos, do preço da energia, dos impactos da mudança climática. O modelo de desenvolvimento do Brasil precisa levar isso mais em conta”.
Para o representante da Oxfam, a reforma agrária e o estímulo à agricultura familiar também é importante para reduzir a desigualdade. “Da parcela mais pobre da população brasileira, cerca de 47% vivem no campo. Além disso, 75% dos alimentos que os brasileiros consomem são produzidos por pequenos produtores, que moram na pobreza”, disse TiceHurst.
“É preciso fechar esse circuito para que os produtores que alimentam o país tenham condições menos vulneráveis e precárias”.
Segundo o estudo da Oxfam, a maioria dos países do G20 apresenta uma tendência “preocupante” no sentido do aumento na desigualdade. A entidade afirma que algumas dessas nações foram “constrangidas” pelas reduções significativas da desigualdade registradas nos países de baixa renda nos últimos 15 anos.
“A experiência do Brasil, da Coréia do Sul e de vários países de renda baixa e média-baixa mostra que reduzir a desigualdade está ao alcance dos dirigentes do G20”, diz o texto.
“Não existe escassez de potenciais alavancas para políticas (de redução da desigualdade). Em vez disso, talvez exista uma escassez de vontade política”, diz o estudo.
por master | 20/01/12 | Ultimas Notícias
Brasília – O Brasil é o segundo país com maior desigualdade do G20, de acordo com um estudo realizado nos países que compõem o grupo.
De acordo com a pesquisa Deixados para trás pelo G20, realizada pela Oxfam – entidade de combate à pobreza e a injustiça social presente em 92 países -, apenas a África do Sul fica atrás do Brasil em termos de desigualdade.
Como base de comparação, a pesquisa também examina a participação na renda nacional dos 10% mais pobres da população de outro subgrupo de 12 países, de acordo com dados do Banco Mundial. Neste quesito, o Brasil apresenta o pior desempenho de todos, com a África do Sul logo acima.
A pesquisa afirma que os países mais desiguais do G20 são economias emergentes. Além de Brasil e África do Sul, México, Rússia, Argentina, China e Turquia têm os piores resultados.
Já as nações com maior igualdade, segundo a Oxfam, são economias desenvolvidas com uma renda maior, como França (país com melhor resultado geral), Alemanha, Canadá, Itália e Austrália.
Avanços
Mesmo estando nas últimas colocações, o Brasil é mencionado pela pesquisa como um dos países onde o combate à pobreza foi mais eficaz nos últimos anos.
O estudo cita dados que apontam a saída de 12 milhões de brasileiros da pobreza absoluta entre 1999 e 2009, além da queda da desigualdade medida pelo coeficiente de Gini, baixando de 0,52 para 0,47 no mesmo período (o coeficiente vai de zero, que significa o mínimo de desigualdade, a um, que é o máximo).
A pesquisa prevê que, se o Brasil crescer de acordo com as previsões do FMI (3,6% em 2012 e acima de 4% nos anos subsequentes) e mantiver a tendência de redução da desigualdade e de crescimento populacional, o número de pessoas pobres cairá em quase dois terços até 2020, com cinco milhões de pessoas a menos na linha da pobreza.
No entanto, a Oxfam diz que, se houver um aumento da desigualdade nos próximos anos, nem mesmo um forte crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) poderá retirar um número significativo de brasileiros da pobreza.
“Mesmo que o Brasil tenha avanços no combate da pobreza, ele é ainda um dos países mais desiguais do mundo, com uma agenda bem forte pendente nesta área”, disse à BBC Brasil o chefe do escritório da Oxfam no Brasil, Simon Ticehurst.
“As pessoas mais pobres são as mais impactadas pela volatilidade do preço dos alimentos, do preço da energia, dos impactos da mudança climática”, acrescentou.
Para ele, é importante que o governo dê continuidade às políticas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e que o Estado intervenha para melhorar o sistema de distribuição.
“Os mercados podem criar empregos, mas não vão fazer uma redistribuição (de renda)”, afirma.
Ticehurst diz que, para reduzir a desigualdade, o Brasil também precisa atacar as questões da sustentabilidade e da resistência a choques externos. “As pessoas mais pobres são as mais impactadas pela volatilidade do preço dos alimentos, do preço da energia, dos impactos da mudança climática. O modelo de desenvolvimento do Brasil precisa levar isso mais em conta”.
Para o representante da Oxfam, a reforma agrária e o estímulo à agricultura familiar também é importante para reduzir a desigualdade. “Da parcela mais pobre da população brasileira, cerca de 47% vivem no campo. Além disso, 75% dos alimentos que os brasileiros consomem são produzidos por pequenos produtores, que moram na pobreza”, disse TiceHurst.
“É preciso fechar esse circuito para que os produtores que alimentam o país tenham condições menos vulneráveis e precárias”.
Segundo o estudo da Oxfam, a maioria dos países do G20 apresenta uma tendência “preocupante” no sentido do aumento na desigualdade. A entidade afirma que algumas dessas nações foram “constrangidas” pelas reduções significativas da desigualdade registradas nos países de baixa renda nos últimos 15 anos.
“A experiência do Brasil, da Coréia do Sul e de vários países de renda baixa e média-baixa mostra que reduzir a desigualdade está ao alcance dos dirigentes do G20”, diz o texto.
“Não existe escassez de potenciais alavancas para políticas (de redução da desigualdade). Em vez disso, talvez exista uma escassez de vontade política”, diz o estudo.
por master | 20/01/12 | Ultimas Notícias
Nas duas últimas décadas, a desigualdade de renda cresceu em 14 de 18 países do G-20. De acordo com relatório divulgado ontem pela ONG Oxfam, as quatro nações em que o crescimento econômico veio acompanhado por uma divisão mais equitativa da renda foram Brasil, Coreia do Sul, Argentina e México.
“Se o G-20 pretende atacar a pobreza, precisa fazer mais do que promover crescimento. Precisa adotar políticas que impulsionem a renda dos pobres e os protejam da degradação ambiental”, disse Caroline Pearce, coautora do relatório “Deixados para trás pelo G20? (Desigualdade e degradação ambiental ameaçam excluir os pobres dos benefícios do crescimento econômico)”. “De maneira contrária ao mito popular, uma maré econômica ascendente não necessariamente levanta todos os barcos e pode, na verdade, afundar alguns deles.”

A Oxfam destaca o Brasil como o país em que houve a maior queda na desigualdade de renda a partir de 1990. “O desempenho do Brasil mostra como um país com alta desigualdade e comparativamente baixo crescimento pode reduzir substancialmente a pobreza por meio do enfrentamento da desigualdade. Indo além, nosso modelo indica que, se os formuladores de políticas públicas puderem intensificar seu foco na desigualdade enquanto o crescimento acelera – ou seja, na promoção de crescimento verdadeiramente inclusivo -, eles poderão virtualmente erradicar a miséria”, afirma o relatório.
Segundo a Oxfam, são cinco as políticas governamentais cruciais para diminuir a desigualdade: transferência de renda; investimentos em acesso universal à saúde e à educação; impostos progressivos; promoção dos direitos e de oportunidades para as mulheres; reforma agrária. O estudo prevê que mais de 1 milhão de pessoas na África do Sulserão empurradas à pobreza na próxima década se não forem tomadas ações preventivas.
No G-20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, os países em que a desigualdade avançou com maior velocidade são Rússia, China, Japão e África do Sul. Mesmo nações ricas como Canadá, Reino Unido e Alemanha apresentaram um aumento na distância entre milionários e pobres.
Na semana passada, o Fórum Econômico Mundial, no relatório “Riscos Globais 2012”, classificou a “severa desigualdade de renda” como a ameaça à economia mundial com maiores chances de se manifestar na próxima década. Isso, afirma o documento, “sugere que a preocupação com suas consequências está crescendo”.
Para fazer a análise, a Oxfam acompanhou a evolução do índice Gini dos países do G-20 ao longo das duas últimas décadas. Criado pelo estatístico italiano Corrado Gini, esse índice mede a desigualdade de renda de uma população. Varia de zero a 1, em que zero significa a perfeita igualdade e 1 a máxima desigualdade.
por master | 20/01/12 | Ultimas Notícias
Nas duas últimas décadas, a desigualdade de renda cresceu em 14 de 18 países do G-20. De acordo com relatório divulgado ontem pela ONG Oxfam, as quatro nações em que o crescimento econômico veio acompanhado por uma divisão mais equitativa da renda foram Brasil, Coreia do Sul, Argentina e México.
“Se o G-20 pretende atacar a pobreza, precisa fazer mais do que promover crescimento. Precisa adotar políticas que impulsionem a renda dos pobres e os protejam da degradação ambiental”, disse Caroline Pearce, coautora do relatório “Deixados para trás pelo G20? (Desigualdade e degradação ambiental ameaçam excluir os pobres dos benefícios do crescimento econômico)”. “De maneira contrária ao mito popular, uma maré econômica ascendente não necessariamente levanta todos os barcos e pode, na verdade, afundar alguns deles.”

A Oxfam destaca o Brasil como o país em que houve a maior queda na desigualdade de renda a partir de 1990. “O desempenho do Brasil mostra como um país com alta desigualdade e comparativamente baixo crescimento pode reduzir substancialmente a pobreza por meio do enfrentamento da desigualdade. Indo além, nosso modelo indica que, se os formuladores de políticas públicas puderem intensificar seu foco na desigualdade enquanto o crescimento acelera – ou seja, na promoção de crescimento verdadeiramente inclusivo -, eles poderão virtualmente erradicar a miséria”, afirma o relatório.
Segundo a Oxfam, são cinco as políticas governamentais cruciais para diminuir a desigualdade: transferência de renda; investimentos em acesso universal à saúde e à educação; impostos progressivos; promoção dos direitos e de oportunidades para as mulheres; reforma agrária. O estudo prevê que mais de 1 milhão de pessoas na África do Sulserão empurradas à pobreza na próxima década se não forem tomadas ações preventivas.
No G-20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, os países em que a desigualdade avançou com maior velocidade são Rússia, China, Japão e África do Sul. Mesmo nações ricas como Canadá, Reino Unido e Alemanha apresentaram um aumento na distância entre milionários e pobres.
Na semana passada, o Fórum Econômico Mundial, no relatório “Riscos Globais 2012”, classificou a “severa desigualdade de renda” como a ameaça à economia mundial com maiores chances de se manifestar na próxima década. Isso, afirma o documento, “sugere que a preocupação com suas consequências está crescendo”.
Para fazer a análise, a Oxfam acompanhou a evolução do índice Gini dos países do G-20 ao longo das duas últimas décadas. Criado pelo estatístico italiano Corrado Gini, esse índice mede a desigualdade de renda de uma população. Varia de zero a 1, em que zero significa a perfeita igualdade e 1 a máxima desigualdade.
por master | 20/01/12 | Ultimas Notícias
Para acelerar a economia neste ano eleitoral, a presidente Dilma Rousseff quer proteger da tesourada no Orçamento, que pode atingir R$ 70 bilhões, os programas que assegurem o emprego e, consequentemente, o consumo dos brasileiros. Até segunda-feira, Dilma quer finalizar a maratona de reuniões setoriais, iniciada ontem, com cada um de seus ministros, para eleger prioridades e definir quais programas poderão ser adiados.
A estratégia tem como objetivo facilitar o trabalho da equipe econômica na hora de bloquear recursos e enxugar as contas públicas sem que haja impacto negativo no crescimento. O governo busca uma expansão do PIB entre 4% e 5% este ano. Dilma abriu a “sabatina” com a área social – a começar pela ministra Teresa Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, que cuida do Bolsa Família.
Na avaliação dos técnicos, o governo precisa investir mais – mas despesas desse gênero não devem ser atingidas pela tesoura governamental. A expectativa é que Dilma retome a prática de quando era ministra da Casa Civil, quando avaliava os programas em detalhe. Ela pretende evitar o que ocorreu no ano passado, quando muitos gastos em obras não saíram do papel por problemas de gestão – o que fez os investimentos encolherem. Foram R$ 41,9 bilhões em 2011, ante R$ 44,7 bilhões no ano eleitoral de 2010, segundo levantamento da organização Contas Abertas.
A “faxina” que atingiu o Ministério dos Transportes, segundo maior orçamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), é um exemplo. A área, que tinha R$ 17,1 bilhões para gastar, encerrou o ano com desembolsos de R$ 12,8 bilhões, sendo que R$ 6,8 bilhões eram restos contratados no governo anterior. Do orçamento de Dilma, a pasta concluiu R$ 6 bilhões em investimentos no ano passado.
Mudança de governo
Outra causa para o desempenho modesto dos investimentos foi a mudança de governo. “Em 2010, os investimentos bombaram porque estávamos concluindo o PAC”, explicou um assessor. “Em 2011, começou o PAC 2 e leva algum tempo até que se ganhe velocidade.” Outra explicação é que os investimentos caíram no ano passado porque houve uma espécie de controle informal na boca do caixa. Para fechar com saldo positivo, o Tesouro teria segurado o dinheiro, mesmo tendo autorização para gastá-lo.
As reuniões setoriais servirão, segundo assessores do Planalto, também para preparar os espíritos das áreas que sofrerão maiores restrições. Esse é o dilema do momento no coração do poder: mais investimento ou maior superávit primário. Só dá para fazer os dois se a arrecadação crescer acima do esperado.
Nos últimos dias, aumentaram os rumores de que a área econômica estaria dividida – Guido Mantega defendendo o primário mais forte e o secretário executivo Nelson Barbosa querendo crescimento. Mantega estaria preocupado com o risco de se emitir um sinal errado, num momento em que países europeus enfrentam uma crise justamente por problemas nas contas públicas.