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Juro pode parar de cair antes do previsto

Juro pode parar de cair antes do previsto

Taxa deve baixar para 10,5% hoje, mas aumenta incerteza sobre se BC fará mais uma ou duas reduções além dessa
Melhora do cenário econômico aqui e lá fora deve diminuir o espaço para novas quedas, estimam economistas
MARIANA SCHREIBER
DE SÃO PAULO
Economistas dão como certa uma nova redução da taxa básica de juros, de 11% para 10,5%, decisão que será anunciada amanhã pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central).
Nas últimas semanas, aumentou, no entanto, a incerteza sobre quantas reduções mais serão feitas em 2012.
O boletim Focus (levantamento semanal do BC feito com cerca de cem instituições) divulgado ontem mostra que, por enquanto, a aposta predominante no mercado é que haverá outros dois cortes de meio ponto percentual, levando a taxa básica para 9,5% ao ano em abril.
Mas os sinais de melhora da economia aqui e lá fora, além do tom mais cauteloso do BC no Relatório de Inflação divulgado em dezembro, têm aumentado a expectativa de que o ciclo de queda dos juros será menor.
As cinco instituições do boletim Focus que mais acertam as projeções de juros, grupo chamado Top 5, acreditam que haverá apenas mais um corte, além do de amanhã, com a taxa parando em 10% em março.
O Copom já fez três cortes desde agosto, devido ao agravamento da crise externa e aos sinais de forte desaceleração da economia brasileira, que acabou estagnada no terceiro trimestre de 2011.
Segundo relatório do Bradesco, notícias melhores vindas de fora nas últimas semanas -como a recuperação dos EUA e uma atuação mais firme do Banco Central Europeu para evitar uma piora da crise na região- aumentaram as dúvidas sobre a política monetária no Brasil.
Na avaliação da consultoria LCA, o bom desempenho da economia brasileira em novembro, com destaque para a forte recuperação do varejo, também pode limitar a extensão dos cortes de juros.
Segundo estimativa do BC divulgada ontem, a atividade econômica se recuperou em novembro, após vários meses de desempenho fraco.
O IBC-Br, índice do BC que tenta captar o comportamento do PIB (Produto Interno Bruto), subiu 1,15% ante outubro, a maior variação desde abril de 2010. Ainda assim, o indicador aponta que a economia teve contração de 0,3% entre setembro e novembro, em razão do desempenho fraco nos meses anteriores.
O resultado não provocou mudanças nas projeções para o crescimento de 2011. A avaliação é que o país teve desempenho mais modesto em dezembro, fechando o ano com expansão abaixo de 3%.
“Uma retomada mais forte da economia deve limitar a queda dos juros, mas ainda não é possível saber se a recuperação está consolidada”, afirma Alessandra Ribeiro, da consultoria Tendências.

Juro pode parar de cair antes do previsto

Crise é ‘muito grave’, diz presidente do Banco Central Europeu

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou ontem (16) que a crise da dívida europeia piorou nos últimos meses e classificou a situação como sendo “muito grave”. “Não podemos negar a gravidade da situação”, afirmou Draghi.
A declaração foi dada em audiência no Parlamento Europeu em Estrasburgo, onde compareceu na qualidade de chefe do Conselho Europeu de Risco Sistêmico. Draghi afirmou que a crise foi classificada em outubro, por seu antecessor, Jean-Claude Trichet, como “sistêmica”, mas que vem piorando desde então.

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou, nesta segunda-feira, de “AAA” (a mais alta existente) para “AA+” a nota de risco da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), o fundo constituído para auxiliar no “resgate” das economias do bloco em dificuldades.

A redução da nota do EFSF vem em seguida do rebaixamento dos ratings de nove países europeus na sexta-feira (13). Na prática, essa mudança, segundo a agência, aponta que os títulos do fundo já não são mais completamente respaldados por seus membros garantidores.

com agências

Juro pode parar de cair antes do previsto

Crise é ‘muito grave’, diz presidente do Banco Central Europeu

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou ontem (16) que a crise da dívida europeia piorou nos últimos meses e classificou a situação como sendo “muito grave”. “Não podemos negar a gravidade da situação”, afirmou Draghi.
A declaração foi dada em audiência no Parlamento Europeu em Estrasburgo, onde compareceu na qualidade de chefe do Conselho Europeu de Risco Sistêmico. Draghi afirmou que a crise foi classificada em outubro, por seu antecessor, Jean-Claude Trichet, como “sistêmica”, mas que vem piorando desde então.

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou, nesta segunda-feira, de “AAA” (a mais alta existente) para “AA+” a nota de risco da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), o fundo constituído para auxiliar no “resgate” das economias do bloco em dificuldades.

A redução da nota do EFSF vem em seguida do rebaixamento dos ratings de nove países europeus na sexta-feira (13). Na prática, essa mudança, segundo a agência, aponta que os títulos do fundo já não são mais completamente respaldados por seus membros garantidores.

com agências

Juro pode parar de cair antes do previsto

França: Mercado pressiona, e Sarkozy deve punir população pela crise econômica

Semana se inicia com pressão sobre a França para que adote cortes em investimentos sociais como forma de atender às expectativas de melhora
Mercado pressiona, e Sarkozy deve punir população pela crise econômica
O presidente Nicolas Sarkozy prepara medidas para satisfazer o mercado, com sacrifício da população francesa (Foto: ©Charles Platiau/Reuters)
São Paulo – A semana econômica terá início com a França como bola da vez na crise que atinge as nações europeias e afeta boa parte do mundo. Após o rebaixamento da classificação de risco de sua dívida pública, os franceses entraram para a lista das nações que precisarão provar sua capacidade de reverter o quadro atual, e isto deve significar, a exemplo dos demais casos, cortes em investimentos sociais.
Durante o fim de semana, o presidente Nicolas Sarkozy e os integrantes de seu gabinete esforçaram-se por mostrar reação ao rebaixamento da nota do país pela agência Standard and Poor’s. A notícia divulgada na sexta-feira (13) significa, em linhas gerais, que o chamado “mercado” confia menos na capacidade francesa de organizar sua economia, de reagir aos atuais problemas e de honrar as crescentes dívidas. 
“Eu direi a eles (o povo francês) as decisões importantes que precisamos adotar sem perder tempo”, afirmou Sarkozy no domingo (15). “A crise pode ser superada desde que tenhamos o desejo coletivo e a força para reformar nosso país”. Para ele, como para os demais líderes europeus envolvidos nas negociações para minimizar os problemas, “desejo coletivo” é a expressão usada para definir corte de direitos trabalhistas, a flexibilização dos direitostrabalhistas e o corte do custeio do bem-estar social. Sarkozy anunciou que se encontrará com líderes sindicais nesta semana para anunciar rapidamente um pacote de reformas estruturais.
O ministro das Finanças, François Baroin, foi um pouco mais explícito ao indicar que tais reformas implicam, de fato, em mudanças para “melhorar a competitividade”, o que passa pela redução dos custos com os trabalhadores. “Assim, não haverá novas medidas para a consolidação orçamentária”, disse Baroin ao ser questionado sobre a necessidade de outros ajustes na economia.
No sábado, a Standard & Poors havia argumentado que as medidas anunciadas pelos líderes europeus estavam voltadas em demasia à redução da dívida. A agência rebaixou, além da França, a nota de nove dos 17 membros da zona do euro. “O risco de recessão está aumentando e agora calculamos uma probabilidade de recessão de 40 por cento para este ano”, pontuou a analista de crédito Moritz Kraemer em uma teleconferência, acrescentando que a contração pode chegar a 1,5% na comparação com 2011, um ano já bastante ruim.
O descrédito criado em torno da França deixou a Alemanha fortalecida e praticamente sozinha na condição de líder das mudanças a serem impostas às nações e, por consequência, à população da União Europeia. “Temos agora o desafio de implementar um acordo fiscal ainda mais rapidamente. E fazer isso de forma decidida, sem tentar atenuar a questão”, cobrou a chanceler Angela Merkel. 
Portugal, Itália, Grécia e Espanha são as nações da região que já tiveram seu momento de “bola da vez”. Pressionados pelos líderes do bloco e do Fundo Monetário Internacional (FMI) a impor cortes em investimentos sociais, os governos destes países sofreram forte reprovação popular e dois deles, o grego e o italiano, caíram. O FMI considera que os ajustes são necessários neste momento para que dentro de alguns anos as economias locais possam começar a saldar as dívidas, que em alguns casos superam o Produto Interno Bruto (PIB). Até lá, porém, espera-se baixo crescimento econômico ou recessão, com enxugamento de salários e de direitos laborais.
Juro pode parar de cair antes do previsto

França: Mercado pressiona, e Sarkozy deve punir população pela crise econômica

Semana se inicia com pressão sobre a França para que adote cortes em investimentos sociais como forma de atender às expectativas de melhora
Mercado pressiona, e Sarkozy deve punir população pela crise econômica
O presidente Nicolas Sarkozy prepara medidas para satisfazer o mercado, com sacrifício da população francesa (Foto: ©Charles Platiau/Reuters)
São Paulo – A semana econômica terá início com a França como bola da vez na crise que atinge as nações europeias e afeta boa parte do mundo. Após o rebaixamento da classificação de risco de sua dívida pública, os franceses entraram para a lista das nações que precisarão provar sua capacidade de reverter o quadro atual, e isto deve significar, a exemplo dos demais casos, cortes em investimentos sociais.
Durante o fim de semana, o presidente Nicolas Sarkozy e os integrantes de seu gabinete esforçaram-se por mostrar reação ao rebaixamento da nota do país pela agência Standard and Poor’s. A notícia divulgada na sexta-feira (13) significa, em linhas gerais, que o chamado “mercado” confia menos na capacidade francesa de organizar sua economia, de reagir aos atuais problemas e de honrar as crescentes dívidas. 
“Eu direi a eles (o povo francês) as decisões importantes que precisamos adotar sem perder tempo”, afirmou Sarkozy no domingo (15). “A crise pode ser superada desde que tenhamos o desejo coletivo e a força para reformar nosso país”. Para ele, como para os demais líderes europeus envolvidos nas negociações para minimizar os problemas, “desejo coletivo” é a expressão usada para definir corte de direitos trabalhistas, a flexibilização dos direitostrabalhistas e o corte do custeio do bem-estar social. Sarkozy anunciou que se encontrará com líderes sindicais nesta semana para anunciar rapidamente um pacote de reformas estruturais.
O ministro das Finanças, François Baroin, foi um pouco mais explícito ao indicar que tais reformas implicam, de fato, em mudanças para “melhorar a competitividade”, o que passa pela redução dos custos com os trabalhadores. “Assim, não haverá novas medidas para a consolidação orçamentária”, disse Baroin ao ser questionado sobre a necessidade de outros ajustes na economia.
No sábado, a Standard & Poors havia argumentado que as medidas anunciadas pelos líderes europeus estavam voltadas em demasia à redução da dívida. A agência rebaixou, além da França, a nota de nove dos 17 membros da zona do euro. “O risco de recessão está aumentando e agora calculamos uma probabilidade de recessão de 40 por cento para este ano”, pontuou a analista de crédito Moritz Kraemer em uma teleconferência, acrescentando que a contração pode chegar a 1,5% na comparação com 2011, um ano já bastante ruim.
O descrédito criado em torno da França deixou a Alemanha fortalecida e praticamente sozinha na condição de líder das mudanças a serem impostas às nações e, por consequência, à população da União Europeia. “Temos agora o desafio de implementar um acordo fiscal ainda mais rapidamente. E fazer isso de forma decidida, sem tentar atenuar a questão”, cobrou a chanceler Angela Merkel. 
Portugal, Itália, Grécia e Espanha são as nações da região que já tiveram seu momento de “bola da vez”. Pressionados pelos líderes do bloco e do Fundo Monetário Internacional (FMI) a impor cortes em investimentos sociais, os governos destes países sofreram forte reprovação popular e dois deles, o grego e o italiano, caíram. O FMI considera que os ajustes são necessários neste momento para que dentro de alguns anos as economias locais possam começar a saldar as dívidas, que em alguns casos superam o Produto Interno Bruto (PIB). Até lá, porém, espera-se baixo crescimento econômico ou recessão, com enxugamento de salários e de direitos laborais.