Grécia vai quebrar se não cortar mais salários, diz Papademos
A advertência foi feita na noite de quarta-feira a sindicatos e empresas, numa reunião fechada em Atenas. Ontem, o governo liberou o conteúdo da conversa, cujo objetivo foi tentar convencer trabalhadores de que terão redução em sua renda. O alerta do governo elevou o risco país.
“Temos de ceder um pouco para não perder muito”, disse Papademos, que assumiu o governo em outubro com a promessa de conduzir o país a uma série de reformas exigidas pela UE.
O governo grego estima que haja espaço para um acordo com bancos para o calote de 50% de sua dívida até o fim de janeiro. Para isso, terá de adotar uma série de medidas e ainda aceitar que bancos possam tomar posse de ativos do Estado grego se futuras dívidas não forem honradas.
A pressa em obter um acordo ocorre por causa de 14 bilhões em dívidas que vencem em março. Pelo acordo, Atenas receberia 130 bilhões como parte de novo fundo. Já os investidores aceitariam receber apenas 50% da dívida da Grécia com eles, cerca de 100 bilhões.
Ontem, Papademos se reuniu com ministros para discutir um nova lei trabalhista que permitirá ganhos de competitividade, como exige a UE. O bloco ainda quer o fim de bônus de férias e de Natal para servidores públicos e o fim das correções salariais automáticas. Mesmo com pacotes que já incluíram cortes salariais, o déficit grego deve terminar 2011 em 9% do PIB, ante 10% em 2010. A queda do PIB será de 6%.
Yannis Panagopoulos, um dos principais sindicalistas gregos, garantiu ontem que os trabalhadores não aceitarão mais sacrifícios. Mas admitiu que poderia negociar uma redução de salários em troca de garantias de não haver mais demissões.
Grécia vai quebrar se não cortar mais salários, diz Papademos
A advertência foi feita na noite de quarta-feira a sindicatos e empresas, numa reunião fechada em Atenas. Ontem, o governo liberou o conteúdo da conversa, cujo objetivo foi tentar convencer trabalhadores de que terão redução em sua renda. O alerta do governo elevou o risco país.
“Temos de ceder um pouco para não perder muito”, disse Papademos, que assumiu o governo em outubro com a promessa de conduzir o país a uma série de reformas exigidas pela UE.
O governo grego estima que haja espaço para um acordo com bancos para o calote de 50% de sua dívida até o fim de janeiro. Para isso, terá de adotar uma série de medidas e ainda aceitar que bancos possam tomar posse de ativos do Estado grego se futuras dívidas não forem honradas.
A pressa em obter um acordo ocorre por causa de 14 bilhões em dívidas que vencem em março. Pelo acordo, Atenas receberia 130 bilhões como parte de novo fundo. Já os investidores aceitariam receber apenas 50% da dívida da Grécia com eles, cerca de 100 bilhões.
Ontem, Papademos se reuniu com ministros para discutir um nova lei trabalhista que permitirá ganhos de competitividade, como exige a UE. O bloco ainda quer o fim de bônus de férias e de Natal para servidores públicos e o fim das correções salariais automáticas. Mesmo com pacotes que já incluíram cortes salariais, o déficit grego deve terminar 2011 em 9% do PIB, ante 10% em 2010. A queda do PIB será de 6%.
Yannis Panagopoulos, um dos principais sindicalistas gregos, garantiu ontem que os trabalhadores não aceitarão mais sacrifícios. Mas admitiu que poderia negociar uma redução de salários em troca de garantias de não haver mais demissões.
Decisões para o amianto e para os transgênicos
Dois temas importantes para a economia e a saúde no Brasil – banimento (ou não) do amianto e do plantio de alimentos transgênicos no Brasil – parecem aproximar-se de decisões neste começo de ano.
No caso do amianto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou ao Supremo Tribunal Federal parecer em que pede a declaração de inconstitucionalidade da Lei n.º 9.055/95, que permite a exploração, utilização industrial e comercialização do produto. Com base nela, muitos Estados permitem esse uso. Cinco outros – São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Mato Grosso – têm legislações que o restringem. A União Europeia proibiu a utilização desde 2005. Chile, Argentina e Uruguai já o baniram.
Diz a PGR que “uma infinidade” de documentos nacionais e internacionais “já avaliaram que todas as formas desse mineral provocam câncer e outras doenças”, todas progressivas, que levam à morte. Segundo o documento, “não há índice de exposição segura ao amianto”. Tanto assim que a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em convenção, prevê eliminá-lo, total ou parcialmente, pois o responsabiliza por 100 mil mortes a cada ano – 65 países já o baniram. No Brasil, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) reconhece a sua periculosidade.
Também a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou, no ano passado, que todas as formas de asbesto (inclusive a crisotila, produzida no Brasil) são “cancerígenas para o ser humano”. E a exposição a elas também pode provocar asbestose (forma de fibroma pulmonar), placas e derrames pleurais. O Instituto Nacional do Câncerrelaciona ao amianto (aí incluída a crisotila) maior incidência de câncer pulmonar, mesoteliomas pleurais e peritoniais, câncer da laringe e outras doenças.
Na Câmara dos Deputados brasileira, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento sustentável recomenda a eliminação, citando o número anual de mortes na Grã-Bretanha (3.500), nos Estados Unidos (10 mil) e na Austrália (23 mil). Essa recomendação é avalizada por documentos da nossa Previdência Social e do Ministério da Saúde – além de uma lei do Estado de São Paulo.
Já existem substitutos para o amianto nos vários mercados nacionais, utilizados principalmente na construção. Resta um problema econômico-social, que o autor destas linhas já enfatizou em várias oportunidades neste espaço -, que é o de uma região de Goiás (Minaçu), onde se encontra a unidade industrial de extração e venda do amianto crisotila. Quase toda a cidade e a região dependem – na ocupação da mão de obra, no transporte, na alimentação, no processamento, etc. – dessa atividade. E é preciso formular e executar planos alternativos para o momento em que se efetive (se ocorrer) a decisão de banir qualquer uso no País. Os argumentos em defesa do amianto crisotila – que não seria prejudicial à saúde, ao contrário do outro – já foram derrubados por numerosos pareceres da ciência em todo o mundo e por decisões judiciais em dezenas de países.
No caso dos alimentos transgênicos, o panorama é o inverso. Em muitos países estão sendo feitos questionamentos ao plantio desse tipo de alimento. Mas no Brasil se caminha na direção oposta.
Desde que se iniciou o plantio de variedades transgênicas no País – soja, milho -, os Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente reivindicaram, na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que autoriza ou não o uso de processos biotecnológicos, que as autorizações fossem precedidas de estudos de impacto ambiental – para verificar a possibilidade de contaminação e prejuízos à biodiversidade em áreas vizinhas, de um lado, e de estudos epidemiológicos sobre problemas para a saúde do consumidor, de outro. Foram invariavelmente vencidos, com o argumento de que se trata de “postura ideológica”, que “se contrapõe à visão científica”. Ou seja, atribuindo à primeira, que pede estudos científicos, uma visão ideológica e à segunda, que dispensa estudos científicos, uma “visão científica”. Embora isso desrespeite também convenção internacional, de que o Brasil é signatário, que consagra a necessidade de se ater ao princípio da precaução sempre que houver qualquer possibilidade de ameaça à biodiversidade.
Apesar de todos esses argumentos, com o avanço dos transgênicos no País, uma resolução normativa da CTNBio autoriza as empresas produtoras de sementes transgênicas a pedir isenção de monitoramento no plantio, depois de liberado comercialmente. Segundo o agrônomo
Gabriel Fernandes, “está em curso um processo de desmanche das regras de biossegurança no País” – embora uma resolução da própria Casa Civil da Presidência da República, em 2008, tenha recomendado que se instalasse um grupo de trabalho (nunca efetivado) para estudar o controle dos transgênicos.Estamos, nesse terreno, na contramão de boa parte do mundo. A Hungria há poucos meses decidiu impedir o plantio de sementes transgênicas. A União Europeia prepara resolução para proibir a importação de carne de animais clonados. A própria Agência Ambiental dos EUA (onde 94% da soja é transgênica, assim como 70% do milho e do algodão) pediu (The Wall Street Journal, 22/11) às empresas produtoras de sementes de milho transgênico resistentes à lagarta de raiz que revejam suas técnicas de monitoramento, porque as sementes parecem estar perdendo eficácia diante de certas lagartas, nos Estados de Iowa, Illinois, Minnesota e Nebraska. Na França, uma Corte de Justiça derrubou decisão que proibia o plantio de milho transgênico. Mas o presidente Sarkozy já disse que o governo está preparando uma nova “cláusula de segurança” para proibir o plantio desse tipo de milho (AS-PTA, 2/12). De qualquer forma, seis outros países mantêm a mesma restrição: Alemanha, Áustria, Bulgária, Grécia, Hungria e Luxemburgo.
Não se trata de ser contra ou a favor de transgênicos. Trata-se de respeitar o princípio da precaução, em respeito à biodiversidade. E de promover estudos epidemiológicos que digam se há ou não riscos para o consumidor.
Decisões para o amianto e para os transgênicos
Dois temas importantes para a economia e a saúde no Brasil – banimento (ou não) do amianto e do plantio de alimentos transgênicos no Brasil – parecem aproximar-se de decisões neste começo de ano.
No caso do amianto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou ao Supremo Tribunal Federal parecer em que pede a declaração de inconstitucionalidade da Lei n.º 9.055/95, que permite a exploração, utilização industrial e comercialização do produto. Com base nela, muitos Estados permitem esse uso. Cinco outros – São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Mato Grosso – têm legislações que o restringem. A União Europeia proibiu a utilização desde 2005. Chile, Argentina e Uruguai já o baniram.
Diz a PGR que “uma infinidade” de documentos nacionais e internacionais “já avaliaram que todas as formas desse mineral provocam câncer e outras doenças”, todas progressivas, que levam à morte. Segundo o documento, “não há índice de exposição segura ao amianto”. Tanto assim que a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em convenção, prevê eliminá-lo, total ou parcialmente, pois o responsabiliza por 100 mil mortes a cada ano – 65 países já o baniram. No Brasil, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) reconhece a sua periculosidade.
Também a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou, no ano passado, que todas as formas de asbesto (inclusive a crisotila, produzida no Brasil) são “cancerígenas para o ser humano”. E a exposição a elas também pode provocar asbestose (forma de fibroma pulmonar), placas e derrames pleurais. O Instituto Nacional do Câncerrelaciona ao amianto (aí incluída a crisotila) maior incidência de câncer pulmonar, mesoteliomas pleurais e peritoniais, câncer da laringe e outras doenças.
Na Câmara dos Deputados brasileira, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento sustentável recomenda a eliminação, citando o número anual de mortes na Grã-Bretanha (3.500), nos Estados Unidos (10 mil) e na Austrália (23 mil). Essa recomendação é avalizada por documentos da nossa Previdência Social e do Ministério da Saúde – além de uma lei do Estado de São Paulo.
Já existem substitutos para o amianto nos vários mercados nacionais, utilizados principalmente na construção. Resta um problema econômico-social, que o autor destas linhas já enfatizou em várias oportunidades neste espaço -, que é o de uma região de Goiás (Minaçu), onde se encontra a unidade industrial de extração e venda do amianto crisotila. Quase toda a cidade e a região dependem – na ocupação da mão de obra, no transporte, na alimentação, no processamento, etc. – dessa atividade. E é preciso formular e executar planos alternativos para o momento em que se efetive (se ocorrer) a decisão de banir qualquer uso no País. Os argumentos em defesa do amianto crisotila – que não seria prejudicial à saúde, ao contrário do outro – já foram derrubados por numerosos pareceres da ciência em todo o mundo e por decisões judiciais em dezenas de países.
No caso dos alimentos transgênicos, o panorama é o inverso. Em muitos países estão sendo feitos questionamentos ao plantio desse tipo de alimento. Mas no Brasil se caminha na direção oposta.
Desde que se iniciou o plantio de variedades transgênicas no País – soja, milho -, os Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente reivindicaram, na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que autoriza ou não o uso de processos biotecnológicos, que as autorizações fossem precedidas de estudos de impacto ambiental – para verificar a possibilidade de contaminação e prejuízos à biodiversidade em áreas vizinhas, de um lado, e de estudos epidemiológicos sobre problemas para a saúde do consumidor, de outro. Foram invariavelmente vencidos, com o argumento de que se trata de “postura ideológica”, que “se contrapõe à visão científica”. Ou seja, atribuindo à primeira, que pede estudos científicos, uma visão ideológica e à segunda, que dispensa estudos científicos, uma “visão científica”. Embora isso desrespeite também convenção internacional, de que o Brasil é signatário, que consagra a necessidade de se ater ao princípio da precaução sempre que houver qualquer possibilidade de ameaça à biodiversidade.
Apesar de todos esses argumentos, com o avanço dos transgênicos no País, uma resolução normativa da CTNBio autoriza as empresas produtoras de sementes transgênicas a pedir isenção de monitoramento no plantio, depois de liberado comercialmente. Segundo o agrônomo
Gabriel Fernandes, “está em curso um processo de desmanche das regras de biossegurança no País” – embora uma resolução da própria Casa Civil da Presidência da República, em 2008, tenha recomendado que se instalasse um grupo de trabalho (nunca efetivado) para estudar o controle dos transgênicos.Estamos, nesse terreno, na contramão de boa parte do mundo. A Hungria há poucos meses decidiu impedir o plantio de sementes transgênicas. A União Europeia prepara resolução para proibir a importação de carne de animais clonados. A própria Agência Ambiental dos EUA (onde 94% da soja é transgênica, assim como 70% do milho e do algodão) pediu (The Wall Street Journal, 22/11) às empresas produtoras de sementes de milho transgênico resistentes à lagarta de raiz que revejam suas técnicas de monitoramento, porque as sementes parecem estar perdendo eficácia diante de certas lagartas, nos Estados de Iowa, Illinois, Minnesota e Nebraska. Na França, uma Corte de Justiça derrubou decisão que proibia o plantio de milho transgênico. Mas o presidente Sarkozy já disse que o governo está preparando uma nova “cláusula de segurança” para proibir o plantio desse tipo de milho (AS-PTA, 2/12). De qualquer forma, seis outros países mantêm a mesma restrição: Alemanha, Áustria, Bulgária, Grécia, Hungria e Luxemburgo.
Não se trata de ser contra ou a favor de transgênicos. Trata-se de respeitar o princípio da precaução, em respeito à biodiversidade. E de promover estudos epidemiológicos que digam se há ou não riscos para o consumidor.
