NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Assembleia dribla manifestantes e aprova projeto da terceirização

Assembleia dribla manifestantes e aprova projeto da terceirização

SERVIÇOS PÚBLICOS | Cerca de 250 pessoas contrárias ao projeto invadiram o plenário. Deputados votaram a proposta em comissão geral para agilizar a tramitação
A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou ontem, em primeira e segunda discussões, o polêmico projeto do Poder Executivo que permite ao governo do Paraná repassar a Orga­­­nizações Sociais (OSs) serviços que são de responsabilidade do Estado. A aprovação, porém, só foi possível após a saída da Casa de cerca de 250 estudantes e sindicalistas, que se manifestavam contra a proposta e tomaram o plenário por mais de quatro horas. A última vez que manifestantes invadiram o plenário da Assembleia para protestar contra uma votação foi em 2001, na tentativa de vender a Copel.
 
Vetos
Os deputados também apreciaram sete propostas de lei que foram vetadas pelo governador Beto Richa (PSDB). Veja o encaminhamento:
 
Vetos mantidos
• Altera a Lei do Transporte gratuito aos portadores de deficiências;
• Institui o Dia da Paz e da Conciliação;
• Altera a lei sobre a meia-entrada para professores em estabelecimentos de diversões;
• Assegura aos proprietários rurais o direito de explorar economicamente a madeira de árvores nativas vítimas de causas naturais.
 
Vetos derrubados:
• Dispõe sobre normas para compras públicas;
• Obrigatoriedade do envio de telegramas aos candidatos aprovados em concurso público;
• Altera lei sobre a distribuição, venda e comercialização de venenos de ratos e venenos similares.
“Antidemocrático”
 
Sindicatos reclamam da tramitação
O projeto do governador Beto Richa (PSDB) de passar à Organizações Sociais (OSs) serviços de responsabilidade do estado se transformou numa enorme polêmica. Em síntese, a intenção do governo é permitir que essas organizações – espécie de ONGs – possam administrar um hospital com menos burocracia, por exemplo. Caberá à OS contratar funcionários e fazer o serviço que deveria ser realizado pelo governo.
 
Mas, assim como em outros estados que já aprovaram leis semelhantes, houve muita resistência de trabalhadores da área da saúde e outros sindicatos. Para os deputados de oposição, a terceirização representa a “privatização” da saúde do Paraná. Além disso, a celeridade imposta pelo governo para aprovar o projeto desencadeou a confusão no plenário da Assembleia.
 
Numa carta enviada à imprensa, o Fórum Popular de Saúde do Paraná afirmou que “a maneira como o tema foi encaminhado pelo governo do Paraná é totalmente antidemocrática”. “Não houve qualquer consulta à população sobre o tema. O projeto mal chegou a esta casa no dia 23 de novembro e já foi colocado na pauta de votação. Os ocupantes aqui presentes representam boa parte da população, que exige uma audiência pública sobre o assunto”, diz a nota.
 
Por mais de quatro horas, os manifestantes ficaram acampados no plenário, sentados nas poltronas destinadas aos deputados. Por volta de 21 horas, percebendo a resistência dos estudantes e sindicalistas, os deputados governistas decidiram driblar a manifestação. Os parlamentares entraram em consenso e decidiram mudar o local da votação para o Plenarinho – medida prevista no regimento interno da Assem­bleia. Diante da ma­nobra, os invasores deixaram o Le­gislativo de mãos dadas, aos gritos de “ão, ão, ão, não à privatização”.
 
Após a saída dos manifestantes, os deputados voltaram ao plenário para dar continuidade à sessão – a votação ocorreria em sessões extraordinárias. Até o fechamento desta edição, a proposta das OSs ainda seria votada em terceira discussão, já durante a madrugada de hoje.
Ao reabrir a sessão, o presidente da Casa, Valdir Rossoni (PSDB), agradeceu aos parlamentares. “Agimos com o equilíbrio necessário para não precisarmos usar a força policial para tirar os invasores do plenário. Houve consenso na decisão, prevalece a democracia e a liberdade para o bem da imagem da Casa.”
 
Tumulto
A tranquilidade no retorno aos trabalhos à noite contrastou com o clima de tensão do início da tarde. Estudantes e sindicalistas ocuparam as galerias do plenário para tentar retirar o projeto da pauta do dia e assim promover um debate sobre o tema. A confusão começou pouco antes das 17 horas, logo depois do início da votação da ordem do dia – documento com a lista dos projetos a serem votados. O primeiro-secretário da União Nacio­­­nal dos Estudantes (UNE), Alysson Bordi, chegou a atirar os papéis contra o rosto do deputado Stepha­­­nes Junior (PMDB).
 
Diante do tumulto, Rossoni teve de suspender a sessão duas vezes, pelo período de duas horas cada vez. A tropa de choque da Polícia Militar (PM) foi chamada, mas por orientação dos deputados, não entraram no plenário. A preocupação era um possível confronto entre policiais e estudantes.
 
Governistas acusaram a oposição de “orquestrar” a invasão para evitar a votação do projeto das OSs. “É difícil discutir com baderneiros. São xiitas do PT do Paraná. O próprio governo federal utiliza as OSs para alguns serviços”, disse Ademar Traiano (PSDB), líder do governo Beto Richa na Assembleia. O líder da bancada da oposição, deputado Enio Verri (PT), contrário ao projeto do Poder Executivo, criticou a forma com que estudantes e sindicalistas se manifestaram. “Essa não é a melhor forma de se protestar”, afirmou o petista.
 
Pressa
A forma como o governador Beto Richa encaminhou a mensagem ao Legislativo foi alvo de críticas ontem por parte de deputados do PMDB, que fazem parte da base de apoio do governador. “Se a intenção do governo era repassar os serviços do hospital de Reabilitação de Curitiba, da Orquestra Sinfônica e do Museu Oscar Niemeyer, como eles justificam, para as organizações sociais, o governador que enviasse um projeto nominando esses serviços. Em vez disso, [o governo] mandou um projeto genérico”, disse um deputado do PMDB, que pediu para não ter o nome divulgado.
 
O projeto só não foi votado na semana passada porque o deputado Tadeu Veneri (PT), argumentou que havia a apreciação de vetos na fila, os quais trancam a pauta se não são avaliados até 30 dias após o recebimento.
Assembleia dribla manifestantes e aprova projeto da terceirização

Assembleia dribla manifestantes e aprova projeto da terceirização

SERVIÇOS PÚBLICOS | Cerca de 250 pessoas contrárias ao projeto invadiram o plenário. Deputados votaram a proposta em comissão geral para agilizar a tramitação
A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou ontem, em primeira e segunda discussões, o polêmico projeto do Poder Executivo que permite ao governo do Paraná repassar a Orga­­­nizações Sociais (OSs) serviços que são de responsabilidade do Estado. A aprovação, porém, só foi possível após a saída da Casa de cerca de 250 estudantes e sindicalistas, que se manifestavam contra a proposta e tomaram o plenário por mais de quatro horas. A última vez que manifestantes invadiram o plenário da Assembleia para protestar contra uma votação foi em 2001, na tentativa de vender a Copel.
 
Vetos
Os deputados também apreciaram sete propostas de lei que foram vetadas pelo governador Beto Richa (PSDB). Veja o encaminhamento:
 
Vetos mantidos
• Altera a Lei do Transporte gratuito aos portadores de deficiências;
• Institui o Dia da Paz e da Conciliação;
• Altera a lei sobre a meia-entrada para professores em estabelecimentos de diversões;
• Assegura aos proprietários rurais o direito de explorar economicamente a madeira de árvores nativas vítimas de causas naturais.
 
Vetos derrubados:
• Dispõe sobre normas para compras públicas;
• Obrigatoriedade do envio de telegramas aos candidatos aprovados em concurso público;
• Altera lei sobre a distribuição, venda e comercialização de venenos de ratos e venenos similares.
“Antidemocrático”
 
Sindicatos reclamam da tramitação
O projeto do governador Beto Richa (PSDB) de passar à Organizações Sociais (OSs) serviços de responsabilidade do estado se transformou numa enorme polêmica. Em síntese, a intenção do governo é permitir que essas organizações – espécie de ONGs – possam administrar um hospital com menos burocracia, por exemplo. Caberá à OS contratar funcionários e fazer o serviço que deveria ser realizado pelo governo.
 
Mas, assim como em outros estados que já aprovaram leis semelhantes, houve muita resistência de trabalhadores da área da saúde e outros sindicatos. Para os deputados de oposição, a terceirização representa a “privatização” da saúde do Paraná. Além disso, a celeridade imposta pelo governo para aprovar o projeto desencadeou a confusão no plenário da Assembleia.
 
Numa carta enviada à imprensa, o Fórum Popular de Saúde do Paraná afirmou que “a maneira como o tema foi encaminhado pelo governo do Paraná é totalmente antidemocrática”. “Não houve qualquer consulta à população sobre o tema. O projeto mal chegou a esta casa no dia 23 de novembro e já foi colocado na pauta de votação. Os ocupantes aqui presentes representam boa parte da população, que exige uma audiência pública sobre o assunto”, diz a nota.
 
Por mais de quatro horas, os manifestantes ficaram acampados no plenário, sentados nas poltronas destinadas aos deputados. Por volta de 21 horas, percebendo a resistência dos estudantes e sindicalistas, os deputados governistas decidiram driblar a manifestação. Os parlamentares entraram em consenso e decidiram mudar o local da votação para o Plenarinho – medida prevista no regimento interno da Assem­bleia. Diante da ma­nobra, os invasores deixaram o Le­gislativo de mãos dadas, aos gritos de “ão, ão, ão, não à privatização”.
 
Após a saída dos manifestantes, os deputados voltaram ao plenário para dar continuidade à sessão – a votação ocorreria em sessões extraordinárias. Até o fechamento desta edição, a proposta das OSs ainda seria votada em terceira discussão, já durante a madrugada de hoje.
Ao reabrir a sessão, o presidente da Casa, Valdir Rossoni (PSDB), agradeceu aos parlamentares. “Agimos com o equilíbrio necessário para não precisarmos usar a força policial para tirar os invasores do plenário. Houve consenso na decisão, prevalece a democracia e a liberdade para o bem da imagem da Casa.”
 
Tumulto
A tranquilidade no retorno aos trabalhos à noite contrastou com o clima de tensão do início da tarde. Estudantes e sindicalistas ocuparam as galerias do plenário para tentar retirar o projeto da pauta do dia e assim promover um debate sobre o tema. A confusão começou pouco antes das 17 horas, logo depois do início da votação da ordem do dia – documento com a lista dos projetos a serem votados. O primeiro-secretário da União Nacio­­­nal dos Estudantes (UNE), Alysson Bordi, chegou a atirar os papéis contra o rosto do deputado Stepha­­­nes Junior (PMDB).
 
Diante do tumulto, Rossoni teve de suspender a sessão duas vezes, pelo período de duas horas cada vez. A tropa de choque da Polícia Militar (PM) foi chamada, mas por orientação dos deputados, não entraram no plenário. A preocupação era um possível confronto entre policiais e estudantes.
 
Governistas acusaram a oposição de “orquestrar” a invasão para evitar a votação do projeto das OSs. “É difícil discutir com baderneiros. São xiitas do PT do Paraná. O próprio governo federal utiliza as OSs para alguns serviços”, disse Ademar Traiano (PSDB), líder do governo Beto Richa na Assembleia. O líder da bancada da oposição, deputado Enio Verri (PT), contrário ao projeto do Poder Executivo, criticou a forma com que estudantes e sindicalistas se manifestaram. “Essa não é a melhor forma de se protestar”, afirmou o petista.
 
Pressa
A forma como o governador Beto Richa encaminhou a mensagem ao Legislativo foi alvo de críticas ontem por parte de deputados do PMDB, que fazem parte da base de apoio do governador. “Se a intenção do governo era repassar os serviços do hospital de Reabilitação de Curitiba, da Orquestra Sinfônica e do Museu Oscar Niemeyer, como eles justificam, para as organizações sociais, o governador que enviasse um projeto nominando esses serviços. Em vez disso, [o governo] mandou um projeto genérico”, disse um deputado do PMDB, que pediu para não ter o nome divulgado.
 
O projeto só não foi votado na semana passada porque o deputado Tadeu Veneri (PT), argumentou que havia a apreciação de vetos na fila, os quais trancam a pauta se não são avaliados até 30 dias após o recebimento.
Assembleia dribla manifestantes e aprova projeto da terceirização

Entre pequenas empresas, PR é 4.º maior empregador

EMPREENDEDORISMO

Em 2010, os 494 mil empreendimentos de pequeno porte do estado empregavam quase 60% do total de ocupados do estado, segundo pesquisa do Sebrae e do Dieese.

O Paraná é o quarto estado do país e o primeiro da Região Sul em número de empregados em micro e pequenas empresas. Em 2010, os 494 mil pequenos empreendimentos paranaenses empregavam 1,11 milhão de pessoas – quase 60% do total de 1,9 milhão de pessoas ocupadas no estado –, com destaque para o setor de comércio, que sozinho tinha 456 mil funcionários. Os dados fazem parte do 4.º Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa, divulgado ontem pelo Sebrae e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
 
Depois do comércio, os setores que mais empregam entre as micro e pequenas empresas do estado são indústria (305 mil pessoas ao fim de 2010), serviços (270 mil) e construção civil (80 mil).
 
Patrões
País tem 23 milhões de pequenos empreendedores
 
Entre 2001 e 2009, 2,7 milhões de brasileiros se tornaram donos de suas próprias micro e pequenas empresas. Com isso, o número de micro e pequenos empresários passou de 20,2 milhões para 22,9 milhões em todo o país. Desse total, quase 19 milhões são autônomos que conduzem o próprio negócio sem empregados e 3,9 milhões são empresários que empregam trabalhadores. Juntos, eles representam 22,7% da população economicamente ativa.
 
O número de estabelecimentos também cresceu. Em 2000, havia no país 4,2 milhões de pequenas empresas e em 2010 eram 6,1 milhões – o que corresponde a um crescimento médio anual de 5,5%. Além disso, a remuneração média dos empregados formais de todo o país cresceu 1,4% ao ano, passando de R$ 961 para R$ 1.099. O crescimento ficou acima do aumento da renda média total dos trabalhadores (0,9% ao ano) e do reajuste obtido por profissionais de médias e grandes empresas (0,4% ao ano).
Glossário
 
Veja os parâmetros que definem o tamanho de uma empresa:
– Microempresa : estabelecimento com até 19 pessoas ocupadas, nos setores de indústria e construção, ou até nove funcionários, no comércio e serviços.
– Pequena empresa: empreendimento de 20 a 99 funcionários, na indústria e construção, e de 10 a 49 pessoas ocupadas no comércio e serviços.
– Média empresa: estabelecimento de 100 a 499 funcionários, na indústria e construção, e entre 50 e 99 trabalhadores no comércio e serviços.
– Grande empresa: empreendimento com mais de 500 pessoas ocupadas, na indústria e construção, e mais de 100 funcionários no comércio e serviços.
 
Para o diretor-superintendente do Sebrae-PR, Allan Marcelo de Campos Costa, os dados reforçam a importância desses empreendimentos para a economia paranaense. “Os números evidenciam o peso das micro e pequenas empresas na economia local. Um dado interessante é que o Paraná tem menos estabelecimentos que o Rio Grande do Sul e, mesmo assim, emprega mais pessoas. Há uma concentração saudável no estado, em que os empresários estão conseguindo gerar outro emprego, além do próprio”, diz Costa.
 
Metro quadrado
A empresária Cristina Lopes Miara, dona da panificadora Brioche, em Curitiba, já ultrapassou o limite do autoemprego há um bom tempo. Ela e seu marido e sócio, Jefferson Miara, empregam 38 funcionários. Ano que vem, com a inauguração de uma nova unidade, outros 38 profissionais devem ser contratados.
“Se fizermos um comparativo, uma panificadora gera mais empregos por metro quadrado que uma indústria, por exemplo. Aqui, a pessoa entra em seu primeiro emprego, faz cursos e se torna um profissional. Com isso, vemos uma melhor distribuição da renda entre nossos funcionários”, salienta Cristina.
O diretor do Dieese, Clemente Ganz Lucio, diz que as indústrias do Sul do Brasil estão concentradas nos pequenos estabelecimentos, uma característica própria da região. “O sucesso das micro e pequenas passa por investimentos em educação, para ampliar a produtividade e o rendimento”, diz.

Contra a crise
A força das micro e pequenas empresas pode ajudar o país a passar melhor pela crise mundial, mesmo que ela se agrave. A opinião é do presidente nacional do Sebrae, Luiz Barretto. Segundo ele, como os pequenos estabelecimentos são focados no mercado consumidor interno, eles podem continuar a abrir postos de emprego, diferentemente de grandes empresas, em especial exportadoras, que tendem a cortar vagas. “Em 2008 e 2009 as micro e pequenas empresas ajudaram o Brasil a continuar gerando emprego e renda. Estas empresas sobrevivem mesmo com uma crise mais forte na Europa”, avalia Barreto.

Salário é 32% inferior ao pago por companhias maiores
A remuneração média dos empregados em micro e pequenas em­­presas paranaenses vem crescendo, mas ainda está longe dos valores pagos nas médias e grandes. Em 2010, a média salarial nos me­­nores estabelecimentos foi de R$ 1.089, 32% abaixo do valor mé­­dio pago pelos maiores, de R$ 1.594.
Os melhores salários entre as micro e pequenas empresas estão no setor da indústria (R$ 1.131), seguido de construção civil (R$ 1.152), serviços (R$ 1.077) e comércio (R$ 1.059). O salário médio dos paranaenses que trabalham em micro e pequenas empresas é ligeiramente menor que o da média nacional (R$ 1.099).
O diretor-superintendente do Sebrae-PR, Allan Marcelo de Cam­pos Costa, não considera o número negativo porque, segundo ele, a média reflete o fato de os empregos serem melhor distribuídos no estado, e no restante do país estarem concentrados no autoemprego. “A renda um pouco menor traduz o fato de que o autoemprego faz a remuneração se concentrar no próprio empresário, en­­quanto o que vemos no Paraná é que o rendimento é distribuído para um ou mais funcionários”, explica.

Interior
O Paraná apresenta um índice superior ao nacional de interiorização das micro e pequenas empresas. A média brasileira de concentração de empregos é de 65,4% no interior e 34,6% nas capitais, enquanto o interior paranaense gera 76,5% dos postos de trabalho criados no estado e Curitiba, 23,5% – o estudo considera como interior todas as cidades do estado, exceto a capital.
“O Paraná tem conseguindo descentralizar os empregos das micro e pequenas empresas. É uma questão cultural, temos um interior forte, baseado em agronegócio e cooperativas. Cidades com mais emprego e renda geram a demanda para que novos negócios sejam abertos, principalmente nos setores de comércio e serviços”, destaca o diretor-superintendente do Sebrae-PR.
 
 

Assembleia dribla manifestantes e aprova projeto da terceirização

Entre pequenas empresas, PR é 4.º maior empregador

EMPREENDEDORISMO

Em 2010, os 494 mil empreendimentos de pequeno porte do estado empregavam quase 60% do total de ocupados do estado, segundo pesquisa do Sebrae e do Dieese.

O Paraná é o quarto estado do país e o primeiro da Região Sul em número de empregados em micro e pequenas empresas. Em 2010, os 494 mil pequenos empreendimentos paranaenses empregavam 1,11 milhão de pessoas – quase 60% do total de 1,9 milhão de pessoas ocupadas no estado –, com destaque para o setor de comércio, que sozinho tinha 456 mil funcionários. Os dados fazem parte do 4.º Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa, divulgado ontem pelo Sebrae e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
 
Depois do comércio, os setores que mais empregam entre as micro e pequenas empresas do estado são indústria (305 mil pessoas ao fim de 2010), serviços (270 mil) e construção civil (80 mil).
 
Patrões
País tem 23 milhões de pequenos empreendedores
 
Entre 2001 e 2009, 2,7 milhões de brasileiros se tornaram donos de suas próprias micro e pequenas empresas. Com isso, o número de micro e pequenos empresários passou de 20,2 milhões para 22,9 milhões em todo o país. Desse total, quase 19 milhões são autônomos que conduzem o próprio negócio sem empregados e 3,9 milhões são empresários que empregam trabalhadores. Juntos, eles representam 22,7% da população economicamente ativa.
 
O número de estabelecimentos também cresceu. Em 2000, havia no país 4,2 milhões de pequenas empresas e em 2010 eram 6,1 milhões – o que corresponde a um crescimento médio anual de 5,5%. Além disso, a remuneração média dos empregados formais de todo o país cresceu 1,4% ao ano, passando de R$ 961 para R$ 1.099. O crescimento ficou acima do aumento da renda média total dos trabalhadores (0,9% ao ano) e do reajuste obtido por profissionais de médias e grandes empresas (0,4% ao ano).
Glossário
 
Veja os parâmetros que definem o tamanho de uma empresa:
– Microempresa : estabelecimento com até 19 pessoas ocupadas, nos setores de indústria e construção, ou até nove funcionários, no comércio e serviços.
– Pequena empresa: empreendimento de 20 a 99 funcionários, na indústria e construção, e de 10 a 49 pessoas ocupadas no comércio e serviços.
– Média empresa: estabelecimento de 100 a 499 funcionários, na indústria e construção, e entre 50 e 99 trabalhadores no comércio e serviços.
– Grande empresa: empreendimento com mais de 500 pessoas ocupadas, na indústria e construção, e mais de 100 funcionários no comércio e serviços.
 
Para o diretor-superintendente do Sebrae-PR, Allan Marcelo de Campos Costa, os dados reforçam a importância desses empreendimentos para a economia paranaense. “Os números evidenciam o peso das micro e pequenas empresas na economia local. Um dado interessante é que o Paraná tem menos estabelecimentos que o Rio Grande do Sul e, mesmo assim, emprega mais pessoas. Há uma concentração saudável no estado, em que os empresários estão conseguindo gerar outro emprego, além do próprio”, diz Costa.
 
Metro quadrado
A empresária Cristina Lopes Miara, dona da panificadora Brioche, em Curitiba, já ultrapassou o limite do autoemprego há um bom tempo. Ela e seu marido e sócio, Jefferson Miara, empregam 38 funcionários. Ano que vem, com a inauguração de uma nova unidade, outros 38 profissionais devem ser contratados.
“Se fizermos um comparativo, uma panificadora gera mais empregos por metro quadrado que uma indústria, por exemplo. Aqui, a pessoa entra em seu primeiro emprego, faz cursos e se torna um profissional. Com isso, vemos uma melhor distribuição da renda entre nossos funcionários”, salienta Cristina.
O diretor do Dieese, Clemente Ganz Lucio, diz que as indústrias do Sul do Brasil estão concentradas nos pequenos estabelecimentos, uma característica própria da região. “O sucesso das micro e pequenas passa por investimentos em educação, para ampliar a produtividade e o rendimento”, diz.

Contra a crise
A força das micro e pequenas empresas pode ajudar o país a passar melhor pela crise mundial, mesmo que ela se agrave. A opinião é do presidente nacional do Sebrae, Luiz Barretto. Segundo ele, como os pequenos estabelecimentos são focados no mercado consumidor interno, eles podem continuar a abrir postos de emprego, diferentemente de grandes empresas, em especial exportadoras, que tendem a cortar vagas. “Em 2008 e 2009 as micro e pequenas empresas ajudaram o Brasil a continuar gerando emprego e renda. Estas empresas sobrevivem mesmo com uma crise mais forte na Europa”, avalia Barreto.

Salário é 32% inferior ao pago por companhias maiores
A remuneração média dos empregados em micro e pequenas em­­presas paranaenses vem crescendo, mas ainda está longe dos valores pagos nas médias e grandes. Em 2010, a média salarial nos me­­nores estabelecimentos foi de R$ 1.089, 32% abaixo do valor mé­­dio pago pelos maiores, de R$ 1.594.
Os melhores salários entre as micro e pequenas empresas estão no setor da indústria (R$ 1.131), seguido de construção civil (R$ 1.152), serviços (R$ 1.077) e comércio (R$ 1.059). O salário médio dos paranaenses que trabalham em micro e pequenas empresas é ligeiramente menor que o da média nacional (R$ 1.099).
O diretor-superintendente do Sebrae-PR, Allan Marcelo de Cam­pos Costa, não considera o número negativo porque, segundo ele, a média reflete o fato de os empregos serem melhor distribuídos no estado, e no restante do país estarem concentrados no autoemprego. “A renda um pouco menor traduz o fato de que o autoemprego faz a remuneração se concentrar no próprio empresário, en­­quanto o que vemos no Paraná é que o rendimento é distribuído para um ou mais funcionários”, explica.

Interior
O Paraná apresenta um índice superior ao nacional de interiorização das micro e pequenas empresas. A média brasileira de concentração de empregos é de 65,4% no interior e 34,6% nas capitais, enquanto o interior paranaense gera 76,5% dos postos de trabalho criados no estado e Curitiba, 23,5% – o estudo considera como interior todas as cidades do estado, exceto a capital.
“O Paraná tem conseguindo descentralizar os empregos das micro e pequenas empresas. É uma questão cultural, temos um interior forte, baseado em agronegócio e cooperativas. Cidades com mais emprego e renda geram a demanda para que novos negócios sejam abertos, principalmente nos setores de comércio e serviços”, destaca o diretor-superintendente do Sebrae-PR.
 
 

Assembleia dribla manifestantes e aprova projeto da terceirização

Salário mínimo deveria ser de R$ 2.349,26, diz Dieese

O salário mínimo necessário para o trabalhador suprir despesas básicas como alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, como determina a Constituição Federal, deveria ser de R$ 2.349,26. O cálculo foi feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) com base no preço mais alto da cesta básica alimentar, verificado em Porto Alegre no mês de novembro, de R$ 279,64.
O valor do salário calculado pelo Dieese corresponde a 4,31 vezes o mínimo em vigor, de R$ 545,00, montante superior ao de outubro, quando o calculado pelo Dieese fora de R$ 2.329,94. Em novembro de 2010, o mínimo necessário era de R$ 2.222,99 ou 4,35 vezes o mínimo vigente de R$ 510,00. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica, que mostrou que das 17 capitaispesquisadas, o preço subiu em 15 cidades.
O levantamento também apontou que, para adquirir a cesta em novembro, o consumidor brasileiro que ganha o salário mínimo precisava trabalhar 96 horas e 13 minutos. Esse tempo ficou acima do verificado em outubro, quando a mesma compra requisitava o cumprimento de 94 horas e 4 minutos. Na comparação com novembro de 2010, no entanto, o tempo era maior: exigia 98 horas e 12 minutos.
Segundo o Dieese, o custo da cesta básica, quando comparado com o salário mínimo líquido, ou seja, após os descontos da Previdência Social, também mostrou a mesma correlação. “No mês passado, a cesta demandava, na média das 17 capitais pesquisadas, 47,54% do rendimento líquido, enquanto em outubro eram necessários 46,48% e em novembro de 2010, 48,52%”,informaram os técnicos do Dieese.