por master | 28/11/11 | Ultimas Notícias
Ao longo das décadas, eles ajudaram a ditar os rumos do País. Combateram a ditadura militar, conquistaram a democracia e foram às ruas pelo impeachment do presidente da República. Atualmente, se veem desiludidos com a corrupção e a falta de espaço oferecido pelos partidos. Sem perspectivas de serem ouvidos, os jovens cada vez mais têm se afastado da política, o que gera preocupação sobre a renovação da classe.
“A corrupção é endêmica. Faz parte da cultura do Brasil. As pessoas já nascem convivendo com isso e se perguntam: ‘Qual o poder que tenho para mudar esta situação?’ E faltam incentivos dos partidos. O que eles oferecem para o jovem aceitar o desafio? Na maioria das vezes, abrem espaço só para aquele que tem pedigree (representante de um clã da política), que já é visto com potencial eleitoral”, identifica a professora do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de São Carlos, Maria do Socorro Sousa Braga.
O clã ao qual a cientista política faz referência é latente no Grande ABC. Numa das regiões historicamente mais politizadas do País é escasso o surgimento de lideranças políticas. A maioria dos jovens que rompem esta barreira é formada por filhos de figurões, como os deputados estaduais Alex Manente (PPS-São Bernardo) e Vanessa Damo (PMDB-Mauá) e os vereadores Almir Cicote (PSB-Santo André) e Atila Jacomussi (PPS-Mauá).
Sentindo a falta de espaço para impor seus ideais nas legendas, os jovens se movimentam em outras frentes. “Preenchem outros espaços, como em ONGs e redes sociais, se destacando da política convencional (partidária). E este é um fenômeno preocupante, já que quanto mais se afastam da política institucional, mais há falta de renovação da classe”, analisa o professor das fundações Santo André e Getúlio Vargas, Marco Antônio Teixeira.
CASOS RAROS
Entre os que despontaram dos movimentos estudantis ou das alas jovens dos partidos estão Márcio Canuto e Ricardo Torres, atualmente presidentes municipais do PSDB em Mauá e Santo André. Mas o partido também revelou exemplo negativo. Então comandante da juventude andreense, João Antonio Cardoso, o Meio Quilo, 18 anos, foi destituído da presidência da ala após debochar, no Twitter, do câncer enfrentado pelo ex-presidente Lula. Pelo PT, o expoente jovem é Humberto Tobé, escolhido coordenador regional da sigla aos 29 anos.
Associação de estudantes tenta engajar militantes na região
A maioria dos jovens que atuam na política começa sua trajetória em movimentos estudantis, como a Associação Nacional dos Estudantes – Livre. No Grande ABC, alunos de escolas públicas e particulares realizaram diversas manifestações, entre elas atos contra o aumento da passagem de ônibus.
Eles foram até a Câmara de Santo André e fizeram protestos com cartazes e narizes de palhaço. A organização também repudiou o aumento de salário dos vereadores em São Bernardo.
A Anel nasceu de um racha na União Nacional dos Estudantes, em 2009. Militantes que não aceitavam o convênio entre o movimento e o governo federal resolveram fundar novo grupo para sair em defesa dos estudantes.
Rafael Nascimento é um dos líderes da Anel na região – que é atuante nas cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema. O jovem destacou que as reivindicações são pontuais. “Nos reunimos para pautar coisas maiores e também há demandas de cada escola. Na Fundação Santo André, por exemplo, fizemos ato contra o aumento da mensalidade”, lembrou.
Não há cadastro dos estudantes que militam na região, mas Nascimento acredita no engajamento do jovem. “A influência de movimentos externos reflete em mais participação aqui. A tendência é que os estudantes se organizem mais”, analisou.
Juventude PMDB de São Bernardo deseja quebrar barreira
“Queremos quebrar o tabu entre o jovem e a política”. A frase é de Bruno Gabriel Mesquita, presidente da Juventude PMDB em São Bernardo. Criado há 15 dias no diretório municipal, o foco é trazer mais figuras jovens para a legenda.
Para o peemedebista, falta espaço para os jovens colocarem suas ideias em prática na política local. “Atuação efetiva é solução para diminuir a rejeição com a política. Só através do jovem o vácuo existente entre sociedade e política será tapado. O que falta é oportunidade.”
Mesquita garante que é justamente esse espaço que a Juventude PMDB pretende preencher. O movimento busca parceria com universidades e usa as redes sociais como principal instrumento para fomentar a política entre os jovens. “Fazemos revistas, reuniões para traçar estratégias de atuação. Temos de criar conscientização política, pois jovem politizado é jovem consciente”, opinou.
Entre os temas discutidos pelos militantes está a conscientização ambiental. Campanhas para arrecadar alimentos também estão entre as atividades do grupo.
O engajamento de Mesquista no meio político começou aos 16 anos, quando atuava no grêmio de uma escola particular em São Bernardo. Depois veio ingresso na atlética da faculdade e, finalmente, filiação a um partido. “Foi algo natural. Desde a escola comecei a entender que tudo envolve política”, ponderou.
Para o ano que vem, o plano é concorrer uma cadeira na Câmara. “Nosso grupo não vai perder a oportunidade e vamos lançar um nome de consenso. Tenho grande interesse, mas temos quatro pessoas interessadas. Não queremos cortar ninguém do processo”, declarou.
Mesquita, contudo, não é o único político da família. O jovem possui um tio que é prefeito em uma cidade do interior do Ceará.
Falta de linguagem própria também afugenta
“Jovem se afasta em primeiro lugar porque a dinâmica é chata. As reuniões partidárias são muito formais. E, segundo, pela falta de renovação dos quadros.” A constatação é feita pelo coordenador regional do PT, Humberto Tobé, 31 anos, que emergiu do movimento estudantil aos 16 – na Escola Estadual Aristides Greve, em Santo André.
Orgulhoso por coordenar o partido no reduto político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele tem na ponta da língua a estratégia para atrair o jovem. “Damos estímulos setoriais. O jovem é protagonista da sua demanda. Isso é o que toca o cara. Ele quer falar sobre a pista de skate, o meio ambiente e a descriminalização da maconha. O grande desafio é transcender isso”, admite.
As dificuldades surgem, por exemplo, na intenção de lançamento de candidatura. “Se sofre resistência, vai para onde pode, além de ser ouvido, dirigir seus projetos. Jovem não quer só carregar bandeira, quer por em prática. Por isso vai para o hip-hop, igrejas e ONGs.”
Uma das iniciativas projetadas para a formação de jovens na política está a implantação da Escola de Governo, idealizada há 16 anos pelo ex-prefeito petista de Santo André Celso Daniel. O espaço, em declínio nos últimos anos, tinha como objetivo servir de instrumento na capacitação de gestores para atuar em prefeituras e órgãos públicos da região, contribuindo para a prestação de serviços públicos.
Grande parte de políticos ligados ao PT, principalmente contemporâneos do ex-prefeito, participou da escola, que prestou serviços para o Consórcio Intermunicipal e Paços.
Outro mecanismo foi criado na Prefeitura de Santo André, em 1998, também no governo do PT, com a Escola de Formação em Administração Pública Paulo Freire, que visava capacitar e desenvolver os servidores públicos, dando ênfase na gestão por resultados.
por master | 28/11/11 | Ultimas Notícias
Ao longo das décadas, eles ajudaram a ditar os rumos do País. Combateram a ditadura militar, conquistaram a democracia e foram às ruas pelo impeachment do presidente da República. Atualmente, se veem desiludidos com a corrupção e a falta de espaço oferecido pelos partidos. Sem perspectivas de serem ouvidos, os jovens cada vez mais têm se afastado da política, o que gera preocupação sobre a renovação da classe.
“A corrupção é endêmica. Faz parte da cultura do Brasil. As pessoas já nascem convivendo com isso e se perguntam: ‘Qual o poder que tenho para mudar esta situação?’ E faltam incentivos dos partidos. O que eles oferecem para o jovem aceitar o desafio? Na maioria das vezes, abrem espaço só para aquele que tem pedigree (representante de um clã da política), que já é visto com potencial eleitoral”, identifica a professora do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de São Carlos, Maria do Socorro Sousa Braga.
O clã ao qual a cientista política faz referência é latente no Grande ABC. Numa das regiões historicamente mais politizadas do País é escasso o surgimento de lideranças políticas. A maioria dos jovens que rompem esta barreira é formada por filhos de figurões, como os deputados estaduais Alex Manente (PPS-São Bernardo) e Vanessa Damo (PMDB-Mauá) e os vereadores Almir Cicote (PSB-Santo André) e Atila Jacomussi (PPS-Mauá).
Sentindo a falta de espaço para impor seus ideais nas legendas, os jovens se movimentam em outras frentes. “Preenchem outros espaços, como em ONGs e redes sociais, se destacando da política convencional (partidária). E este é um fenômeno preocupante, já que quanto mais se afastam da política institucional, mais há falta de renovação da classe”, analisa o professor das fundações Santo André e Getúlio Vargas, Marco Antônio Teixeira.
CASOS RAROS
Entre os que despontaram dos movimentos estudantis ou das alas jovens dos partidos estão Márcio Canuto e Ricardo Torres, atualmente presidentes municipais do PSDB em Mauá e Santo André. Mas o partido também revelou exemplo negativo. Então comandante da juventude andreense, João Antonio Cardoso, o Meio Quilo, 18 anos, foi destituído da presidência da ala após debochar, no Twitter, do câncer enfrentado pelo ex-presidente Lula. Pelo PT, o expoente jovem é Humberto Tobé, escolhido coordenador regional da sigla aos 29 anos.
Associação de estudantes tenta engajar militantes na região
A maioria dos jovens que atuam na política começa sua trajetória em movimentos estudantis, como a Associação Nacional dos Estudantes – Livre. No Grande ABC, alunos de escolas públicas e particulares realizaram diversas manifestações, entre elas atos contra o aumento da passagem de ônibus.
Eles foram até a Câmara de Santo André e fizeram protestos com cartazes e narizes de palhaço. A organização também repudiou o aumento de salário dos vereadores em São Bernardo.
A Anel nasceu de um racha na União Nacional dos Estudantes, em 2009. Militantes que não aceitavam o convênio entre o movimento e o governo federal resolveram fundar novo grupo para sair em defesa dos estudantes.
Rafael Nascimento é um dos líderes da Anel na região – que é atuante nas cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema. O jovem destacou que as reivindicações são pontuais. “Nos reunimos para pautar coisas maiores e também há demandas de cada escola. Na Fundação Santo André, por exemplo, fizemos ato contra o aumento da mensalidade”, lembrou.
Não há cadastro dos estudantes que militam na região, mas Nascimento acredita no engajamento do jovem. “A influência de movimentos externos reflete em mais participação aqui. A tendência é que os estudantes se organizem mais”, analisou.
Juventude PMDB de São Bernardo deseja quebrar barreira
“Queremos quebrar o tabu entre o jovem e a política”. A frase é de Bruno Gabriel Mesquita, presidente da Juventude PMDB em São Bernardo. Criado há 15 dias no diretório municipal, o foco é trazer mais figuras jovens para a legenda.
Para o peemedebista, falta espaço para os jovens colocarem suas ideias em prática na política local. “Atuação efetiva é solução para diminuir a rejeição com a política. Só através do jovem o vácuo existente entre sociedade e política será tapado. O que falta é oportunidade.”
Mesquita garante que é justamente esse espaço que a Juventude PMDB pretende preencher. O movimento busca parceria com universidades e usa as redes sociais como principal instrumento para fomentar a política entre os jovens. “Fazemos revistas, reuniões para traçar estratégias de atuação. Temos de criar conscientização política, pois jovem politizado é jovem consciente”, opinou.
Entre os temas discutidos pelos militantes está a conscientização ambiental. Campanhas para arrecadar alimentos também estão entre as atividades do grupo.
O engajamento de Mesquista no meio político começou aos 16 anos, quando atuava no grêmio de uma escola particular em São Bernardo. Depois veio ingresso na atlética da faculdade e, finalmente, filiação a um partido. “Foi algo natural. Desde a escola comecei a entender que tudo envolve política”, ponderou.
Para o ano que vem, o plano é concorrer uma cadeira na Câmara. “Nosso grupo não vai perder a oportunidade e vamos lançar um nome de consenso. Tenho grande interesse, mas temos quatro pessoas interessadas. Não queremos cortar ninguém do processo”, declarou.
Mesquita, contudo, não é o único político da família. O jovem possui um tio que é prefeito em uma cidade do interior do Ceará.
Falta de linguagem própria também afugenta
“Jovem se afasta em primeiro lugar porque a dinâmica é chata. As reuniões partidárias são muito formais. E, segundo, pela falta de renovação dos quadros.” A constatação é feita pelo coordenador regional do PT, Humberto Tobé, 31 anos, que emergiu do movimento estudantil aos 16 – na Escola Estadual Aristides Greve, em Santo André.
Orgulhoso por coordenar o partido no reduto político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele tem na ponta da língua a estratégia para atrair o jovem. “Damos estímulos setoriais. O jovem é protagonista da sua demanda. Isso é o que toca o cara. Ele quer falar sobre a pista de skate, o meio ambiente e a descriminalização da maconha. O grande desafio é transcender isso”, admite.
As dificuldades surgem, por exemplo, na intenção de lançamento de candidatura. “Se sofre resistência, vai para onde pode, além de ser ouvido, dirigir seus projetos. Jovem não quer só carregar bandeira, quer por em prática. Por isso vai para o hip-hop, igrejas e ONGs.”
Uma das iniciativas projetadas para a formação de jovens na política está a implantação da Escola de Governo, idealizada há 16 anos pelo ex-prefeito petista de Santo André Celso Daniel. O espaço, em declínio nos últimos anos, tinha como objetivo servir de instrumento na capacitação de gestores para atuar em prefeituras e órgãos públicos da região, contribuindo para a prestação de serviços públicos.
Grande parte de políticos ligados ao PT, principalmente contemporâneos do ex-prefeito, participou da escola, que prestou serviços para o Consórcio Intermunicipal e Paços.
Outro mecanismo foi criado na Prefeitura de Santo André, em 1998, também no governo do PT, com a Escola de Formação em Administração Pública Paulo Freire, que visava capacitar e desenvolver os servidores públicos, dando ênfase na gestão por resultados.
por master | 28/11/11 | Ultimas Notícias
Banco Central intensifica esforços por meta de salvar crescimento no fim deste ano e em 2012
Ex-presidente do BC Gustavo Loyola alerta que exagero no remédio anticrise pode provocar novas altas de preços
MARIANA CARNEIRO
MARIANA SCHREIBER
DE SÃO PAULO
O governo federal intensificou nas últimas semanas os esforços para reativar a economia e tentar salvar o crescimento neste ano e em 2012.
Após iniciar um ciclo de redução da taxa de juros em agosto, o Banco Central anunciou há duas semanas a retirada de restrições ao crédito pessoal e ao financiamento de automóveis.
Depois de um terceiro trimestre fraco, as medidas buscam reaquecer a atividade e minimizar os impactos negativos do cenário externo.
Analistas alertam para o risco de a estratégia provocar, como dano colateral, um novo aumento da inflação. Eles dizem que é preciso não exagerar no remédio anticrise.
O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, da consultoria Tendências, lembra que o Brasil ainda tem uma inflação elevada. Embora em queda, a taxa pode ser realimentada rapidamente no início do ano que vem.
Isso porque os cortes de juros, as medidas de afrouxamento do crédito e o aumento do salário mínimo devem fazer efeito no mesmo período, entre março e abril.
Em resposta ao risco inflacionário, o ministro Guido Mantega (Fazenda) vem prometendo segurar os gastos públicos e manter o superavit primário (dinheiro economizado para pagar juros da dívida pública) em 3,1% do PIB até 2014.
O governo caminha para cumprir a meta neste ano, mas, no próximo, o forte reajuste do salário mínimo (que deve subir de R$ 545 para R$ 625) e a retomada dos investimentos congelados em 2011 vão pressionar os gastos.
SUPERAVIT MENOR
O banco Itaú estima que em 2012 o superavit vai recuar para 2,5% do PIB. Ainda assim, é um resultado melhor que os de 2009 e 2010.
O economista do Itaú Aurélio Bicalho observa que, diferentemente da estratégia que se seguiu à crise de 2008, desta vez o governo não fez desonerações com estímulo direto ao consumo, como cortes de impostos sobre eletrodomésticos e carros -o que reduziria mais o superavit.
O economista André Biancarelli, da Unicamp, considera acertada a estratégia de descongelar investimentos em vez de desonerar setores escolhidos. “É preciso enfrentar o problema da perda de competitividade da indústria, que é resultado da deficiência de infraestrutura.”
Biancarelli observa ainda que conduzir a economia agora é mais difícil do que fez o governo em 2008 e 2009.
“No passado, a necessidade de ações anticíclicas era clara. Agora, não estamos nem diante de uma catástrofe nem de uma recessão total da economia brasileira”, diz.
JUROS
Sem as desonerações, a retomada da economia deve ser mais lenta, diz Bicalho. Por outro lado, “a preocupação em manter o crescimento acima de 3% em 2012 deve levar o BC a cortar os juros até 9%”.
Desde agosto, o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) já promoveu dois cortes na Selic, reduzindo a taxa de juros de 12,5% para 11,5%. A expectativa da maioria dos economistas é de nova redução de 0,5 ponto percentual nesta quarta-feira.
Apesar de a crise europeia continuar sem solução (o que elevou apostas numa redução maior dos juros), o BC vem sinalizando que os cortes continuarão moderados.
por master | 28/11/11 | Ultimas Notícias
Banco Central intensifica esforços por meta de salvar crescimento no fim deste ano e em 2012
Ex-presidente do BC Gustavo Loyola alerta que exagero no remédio anticrise pode provocar novas altas de preços
MARIANA CARNEIRO
MARIANA SCHREIBER
DE SÃO PAULO
O governo federal intensificou nas últimas semanas os esforços para reativar a economia e tentar salvar o crescimento neste ano e em 2012.
Após iniciar um ciclo de redução da taxa de juros em agosto, o Banco Central anunciou há duas semanas a retirada de restrições ao crédito pessoal e ao financiamento de automóveis.
Depois de um terceiro trimestre fraco, as medidas buscam reaquecer a atividade e minimizar os impactos negativos do cenário externo.
Analistas alertam para o risco de a estratégia provocar, como dano colateral, um novo aumento da inflação. Eles dizem que é preciso não exagerar no remédio anticrise.
O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, da consultoria Tendências, lembra que o Brasil ainda tem uma inflação elevada. Embora em queda, a taxa pode ser realimentada rapidamente no início do ano que vem.
Isso porque os cortes de juros, as medidas de afrouxamento do crédito e o aumento do salário mínimo devem fazer efeito no mesmo período, entre março e abril.
Em resposta ao risco inflacionário, o ministro Guido Mantega (Fazenda) vem prometendo segurar os gastos públicos e manter o superavit primário (dinheiro economizado para pagar juros da dívida pública) em 3,1% do PIB até 2014.
O governo caminha para cumprir a meta neste ano, mas, no próximo, o forte reajuste do salário mínimo (que deve subir de R$ 545 para R$ 625) e a retomada dos investimentos congelados em 2011 vão pressionar os gastos.
SUPERAVIT MENOR
O banco Itaú estima que em 2012 o superavit vai recuar para 2,5% do PIB. Ainda assim, é um resultado melhor que os de 2009 e 2010.
O economista do Itaú Aurélio Bicalho observa que, diferentemente da estratégia que se seguiu à crise de 2008, desta vez o governo não fez desonerações com estímulo direto ao consumo, como cortes de impostos sobre eletrodomésticos e carros -o que reduziria mais o superavit.
O economista André Biancarelli, da Unicamp, considera acertada a estratégia de descongelar investimentos em vez de desonerar setores escolhidos. “É preciso enfrentar o problema da perda de competitividade da indústria, que é resultado da deficiência de infraestrutura.”
Biancarelli observa ainda que conduzir a economia agora é mais difícil do que fez o governo em 2008 e 2009.
“No passado, a necessidade de ações anticíclicas era clara. Agora, não estamos nem diante de uma catástrofe nem de uma recessão total da economia brasileira”, diz.
JUROS
Sem as desonerações, a retomada da economia deve ser mais lenta, diz Bicalho. Por outro lado, “a preocupação em manter o crescimento acima de 3% em 2012 deve levar o BC a cortar os juros até 9%”.
Desde agosto, o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) já promoveu dois cortes na Selic, reduzindo a taxa de juros de 12,5% para 11,5%. A expectativa da maioria dos economistas é de nova redução de 0,5 ponto percentual nesta quarta-feira.
Apesar de a crise europeia continuar sem solução (o que elevou apostas numa redução maior dos juros), o BC vem sinalizando que os cortes continuarão moderados.
por master | 28/11/11 | Ultimas Notícias
Brasileiro nunca destinou parcela do orçamento pessoal tão grande para pagar dívidas, mas medidas recentes pretendem estimular gastos
Reversão
Veja as principais mudanças nas medidas macroprudenciais:
• Para o financiamento de veículos, foi extinta a restrição a empréstimos de até 60 meses sem entrada – só foi mantida a limitação para financiamentos acima desse prazo.
• Será mantido o porcentual mínimo de pagamento das faturas de cartão de crédito em 15% (seria elevado para 20% a partir de dezembro).
• Foram reduzidas as exigências que encareciam o crédito consignado e crédito pessoal com prazo entre 36 e 60 meses, mas as exigências para operações acima desse prazo ficaram ainda mais apertadas.
O aumento do custo de vida e o endividamento das famílias, que atingiu o nível mais alto da história, vão pressionar o consumo no fim do ano e no início de 2012. Apesar das medidas para estimular o crédito e o corte nos juros, o consumidor já começa a pensar duas vezes na hora de comprar.
Segundo dados do Banco Central, as famílias brasileiras estão comprometendo 42% da sua renda total de um ano com dívidas tomadas junto a instituições financeiras e estabelecimentos comerciais. O número nunca foi tão alto. Desde a crise de 2008, quando o governo tomou uma série de medidas de estímulo para a reanimar a economia, a dívida total dos brasileiros em todas as modalidades saltou 80% – para R$ 715,2 bilhões –, mas a massa salarial avançou menos: 33%. “Essa diferença [entre o rendimento e a dívida] estava sendo coberta pelo crédito”, lembra o economista Luciano D’Agostini, sócio da consultoria Inva Capital.
Com receio de um recuo mais expressivo da demanda do consumidor nos próximos meses por causa da crise internacional, o governo promoveu, além de cortes na taxa de juros, a flexibilização de medidas macroprudenciais adotadas no fim do ano passado (leia mais nesta página). O objetivo é evitar que a economia esfrie demais no mercado interno, justamente o responsável por segurar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). O consumo deve seguir pressionado, segundo Marianne Hanson, economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), até o fim do primeiro semestre de 2012, efeito também de um ritmo mais fraco de geração de novos empregos.
Natal
A CNC estima que as vendas do comércio vão fechar 2011 com alta de 6%, depois de um avanço de 11% no ano passado. “Para o Natal, as condições já estão dadas. Mesmo com os incentivos mais recentes do governo sobre o crédito, eles não terão influência nas vendas de fim de ano, que deverão crescer 5,6%”, prevê Marianne.
Para Thais Marzola Zara, economista chefe da Rosenberg Consultores Associados, o alto endividamento limita a capacidade de consumo da nova classe média e da classe média tradicional, que também tem sua confiança afetada pelo ambiente externo adverso. “Esse novo cenário deve influenciar as vendas neste Natal, que deve ainda deve ser bom, mas com menor ticket médio que no ano passado”, diz ela. A última pesquisa da Associação Comercial do Paraná (ACP), feita em outubro, revela que o otimismo do comércio está diminuindo. Em setembro, estimava-se alta nas vendas de 14% para o fim de ano, mas agora se fala em 8%.
Com a inflação rodando acima do teto da meta, tem sobrado menos para gastar. Em setembro, o rendimento real da população ocupada medido pelo IBGE teve a primeira queda desde abril deste ano, e em outubro recuou na comparação anual. Segundo Luciano D’Agostini, a taxa de crescimento do rendimento médio real apresenta trajetória negativa e decrescente desde setembro de 2010 e deve se manter dessa forma, com leve melhora, nos próximos meses. “Esse vai ser um limitador que influenciará o varejo, cuja taxa de crescimento das vendas reais também está desacelerando”, afirma.