por master | 04/10/11 | Ultimas Notícias
Três elementos devem manter o consumo das famílias brasileiras em alta neste fim de ano – renda, baixo desemprego e endividamento bastante moderado.
O comprometimento do orçamento das famílias brasileiras com dívidas é crescente, mas não assusta. Ainda que a um ritmo fraco, a parcela da renda destinada ao pagamento de débitos vem aumentando desde abril e atingiu em julho deste ano 21,1%, último dado disponível e maior nível da série histórica calculada pelo Banco Central desde janeiro de 2005, cuja metodologia foi revisada na última leitura, mas sem alteração em sua trajetória.
A massa salarial, importante indicador do poder de fogo dos consumidores e de sua capacidade de pagamento, atingiu em agosto passado R$ 37,2 bilhões, avanço de 5,6% frente igual mês de 2010 em termos reais. A baixa taxa de desemprego, que cria uma sensação de conforto na população, aliada a sucessivos ganhos reais na renda, permitirá que o consumo continue forte nos próximos meses, dizem analistas.
Inadimplência descartada a médio prazo
O principal perigo imposto pelo endividamento elevado, acrescentam, é seu impacto de alta na inadimplência, o que a médio prazo está descartado justamente pela força do mercado de trabalho.
Nos 12 meses encerrados em julho, o varejo ampliado, que inclui automóveis e materiais de construção, registrou um volume de vendas 10,5% maior, indicando uma pequena retração no ritmo de consumo na comparação com os 12,2% do fim de 2010, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No varejo restrito, a alta de 10,9% do fim de 2010 cedeu espaço para um crescimento de 8,5% nos 12 meses encerrados em julho na comparação com os 12 meses anteriores. Para a LCA Consultores, o varejo vai encerrar 2011 com alta de 7% no segmento restrito. Para a MB Associados, a alta será de 7,3%
Endividamento estável
Ao contrário do que aconteceu no início do ano na esteira das medidas macroprudenciais tomadas pelo BC para conter a demanda, que encareceram o crédito, o ligeiro avanço do nível de endividamento não se deveu às despesas com juros. Esse dispêndio está relativamente estável desde abril entre 7,4% e 7,6% da renda, enquanto os gastos com o principal da dívida avançaram um ponto percentual entre maio e junho e, em julho, estacionaram em 13,5% da renda.
Segundo o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, o crescimento dos gastos com o principal da dívida entre maio e junho pode ser explicado pela trégua da inflação verificada de maio a julho, que inspirou maior confiança nos consumidores e os motivou a contratar novos empréstimos. Com a volta da alta nos índices de preços neste fim de ano, a tendência é que a despesa com o principal se estabilize no nível atual, com pequenos avanços na margem. “O indivíduo olha o que está acontecendo no mês, se assusta e toma a decisão em cima disso”, diz.
As medidas macroprudenciais tiveram papel decisivo no aumento do dispêndio das famílias com juros que ocorreu desde o fim de 2010, avalia Wermeson França, economista da LCA Consultores. Como os financiamentos já contratados ficaram mais caros, os consumidores não conseguiram fechar as suas contas e tiveram de recorrer a linhas pré-aprovadas com juros mais salgados, como o cheque especial e cartão de crédito. Agora, é possível que esse efeito tenha se dissipado – já que essas são modalidades de curto prazo – e o consumidor tenha tomado novo fôlego para se endividar mais, acredita o analista.
Desaceleração econômica
No entanto, com a desaceleração econômica em curso no país e as incertezas do cenário externo, lembram Vale e França, não só os tomadores, mas também os bancos estão mais cautelosos na concessão de crédito, o que impede uma alta muito explosiva no endividamento. “As restrições aumentam, a necessidade de comprovação de renda fica maior e tudo isso indica que os gastos com o principal da dívida não crescerão muito mais além do nível atual”, diz Vale.
Fernanda Della Rosa, economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do estado de São Paulo (Fecomercio), não acredita que as turbulências das economias desenvolvidas afetarão seriamente o apetite do consumidor por mais crédito, ao menos por enquanto. “O consumo deve continuar forte. Se o consumidor tem condições de pagar e continua empregado, vai acabar comprando. A economia ainda está imune ao que acontece lá fora”, argumenta.
Ela observa que na região metropolitana de São Paulo as famílias mais endividadas são as que ganham menos de dez salários mínimos, segmento que depende de crediários para fazer novas compras e, por isso, precisa ter seu nome limpo. Segundo pesquisa da entidade, no mês de agosto 48% das famílias nessa faixa de renda declararam ter dívidas, contra 31% no grupo acima de dez mínimos.
Junto à baixa inadimplência, o ciclo de redução da Selic, que deve continuar, também pode estimular um endividamento pouco maior, sustenta Vale, da MB. O perfil da dívida mais alta, no entanto, não será predatório. O setor que deve sustentar esse crescimento será o imobiliário, modalidade de menor risco para as instituições porque o imóvel fica como garantia, explica França, da LCA.
por master | 04/10/11 | Ultimas Notícias
O medo do desemprego, medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), atingiu o menor nível desde o início do levantamento, em maio de 1996. Segundo o índice divulgado hoje (3), o indicador fechou setembro em 78,7 pontos. Tendo como base o referencial de 100 pontos, o índice é mais alto quanto maior o receio do trabalhador de perder o emprego.
O indicador recuou 3,9% na comparação com a pesquisa anterior, em julho, e 2,9% em relação a setembro de 2010. De acordo com a CNI, as baixas taxas de desemprego divulgadas recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – que apontou desocupação de 6% em agosto – melhoraram a percepção sobre o mercado de trabalho. Outro fator apontado pela entidade foi a proximidade do fim do ano, época marcada por contratações temporárias.
Em outro levantamento, constatou-se que 57% dos brasileiros declararam, no mês passado, não ter medo algum do desemprego, o maior percentual detectado até agora. Em julho, a parcela da população que disse não ter qualquer medo do desemprego era 53,6%. A proporção de pessoas que informaram ter muito medo de serem demitidas atingiu 12,8%, o menor percentual da série. A parcela da população com pouco medo de perder o posto de trabalho caiu de 31% em julho para 30,2% em setembro.
Elaborado pela CNI com base em pesquisa de opinião pública realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), o levantamento ouviu 2.002 pessoas em todo o país. A pesquisa foi realizada entre 16 e 20 de setembro.
por master | 04/10/11 | Ultimas Notícias
A diminuição de tributos está entre as medidas que o governo poderá adotar caso a crise econômica mundial sofra um agravamento ainda maior. “Podemos reduzir tributos, por exemplo. Mas só se a situação piorar”, disse hoje (3) o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Ele, no entanto, destacou que o governo tem muita munição para combater as consequências da crise e que vai priorizar a adoção de medidas monetárias, como a redução de juros. “Temos muito armamento guardado, muita munição, que pode ser usada em caso de necessidade. E vamos preferir usar mais instrumentos monetários que fiscais”, declarou.
Outros instrumentos que podem ser usados em caso de piora da situação econômica mundial são a redução na taxa de juros e a utilização das reservas em leilões de crédito. “Se faltar crédito para o comércio internacional podemos usar as reservas para dar esse crédito”, disse ainda o ministro após se reunir com empresários em um almoço promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
O governo brasileiro, segundo o titular da Fazenda, tem atualmente mais fôlego para enfrentar os problemas gerados pela crise do que tinha em 2008. “O que vim dizer aqui para os empresários da Fiesp é que o Brasil está preparado seja para [enfrentar] uma crise crônica, mais leve e de crescimento mais lento dos países avançados e também para um agravamento da crise”, disse. Isso se deve, segundo Mantega, às reservas cambiais maiores, à situação fiscal sólida e a “uma política monetária com muitos graus de liberdade”.
Sobre a situação do câmbio, que neste momento passa pela valorização do dólar em relação ao real, o ministro disse que não existe um dólar ideal para o país e que o governo não pretende retirar, neste momento, a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Quanto à taxa de juros ideal para o país, Mantega disse que ela deveria ser semelhante a de outros países emergentes, com taxa real em torno de 2% a 3%, mas que não se pode atingir esse patamar de uma hora para outra . “É óbvio que isso não dá para ser atingido da noite para o dia. E é o Banco Central que vai decidir quando isso vai ser possível, sempre olhando para a inflação. A inflação alta é tão ruim quanto o juro alto. Não queremos nem uma coisa, nem outra”.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, declarou que, para os industriais, é “mais saudável” que o dólar esteja cotado em R$ 1,80. “O [dólar] de R$ 1,50 era uma sobrevalorização do real que roubava a competitividade brasileira, barateando as importações, encarecendo as exportações e que não fazia bem para o Brasil”, disse Skaf.
Durante a reunião com o ministro da Fazenda, os empresários falaram com Mantega, segundo o Skaf, sobre o custo Brasil, que impede a competitividade. Os setor quer que o governo aproveite o vencimento de alguns contratos de concessão de energia, em 2015, para tentar reduzir os custos de energia. “É uma distorção totalmente injusta o Brasil, que tem 77% de sua matriz energética em hidreletricidade, que é a forma mais barata de se produzir energia, ter a terceira conta mais cara do mundo”, disse. Mantega respondeu que o governo pretende continuar implementando medidas para reduzir custos de infraestrutura, de energia e tributário.
por master | 04/10/11 | Ultimas Notícias
Depois de oito semanas seguidas em queda, a estimativa para o crescimento da economia este ano foi mantida em 3,51%. A projeção faz parte do boletim Focus, elaborado com base em pesquisa do Banco Central (BC) feita com analistas do mercado financeiro. Para 2012, a projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, também foi mantida, em 3,70%.
A expectativa para o crescimento da produção industrial este ano caiu pela quinta semana seguida, ao passar de 2,51% para 2,45%. Para 2012, foi mantida a previsão de 4,30%.
A projeção para a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB permanece em 39,10%, este ano, e em 38%, em 2012.
A expectativa para a cotação do dólar subiu de R$ 1,68 para R$ 1,73, no final de 2011, e de R$ 1,68 para R$ 1,70, ao fim de 2012. A previsão para o superávit comercial (saldo positivo de exportações menos importações) permanece em US$ 25 bilhões, este ano, e subiu de US$ 16,40 bilhões para US$ 16,55 bilhões, em 2012.
Para o déficit em transações correntes (registro das transações de compra e venda de mercadorias e serviços do Brasil com o exterior), a estimativa passou de US$ 56,35 bilhões para US$ 56,81 bilhões, em 2011, e de US$ 68,76 bilhões para US$ 68,63 bilhões, no próximo ano.
A expectativa para o investimento estrangeiro direto (recursos que vão para o setor produtivo do país) permanece em US$ 55 bilhões, este ano, e em US$ 50 bilhões, em 2012.
por master | 04/10/11 | Ultimas Notícias
Se o Supremo Tribunal Federal (STF) conseguir convencer o Congresso a reajustar os salários de seus ministros dos atuais R$ 26,7 mil para R$ 32 mil, os magistrados da corte brasileira praticamente se igualarão em termos salariais aos juízes dos Estados Unidos e passarão os do Japão – a primeira e a terceira economias do mundo, respectivamente.
Hoje, sem o aumento defendido pelo presidente do STF, Cezar Peluso, os ministros brasileiros já ganham mais do que os colegas alemães. E também desfrutam de um pacote de benefícios indiretos variados que não existem nessa quantidade nas demais cortes, como aposentadoria integral, férias de dois meses por ano, cota de passagens aéreas, auxílio-moradia e carro oficial com motorista. O plano de saúde, com o qual contribuem com porcentuais de acordo com a faixa etária, permite que se consultem nos melhores hospitais do país e prevê reembolso até de armação e lentes de óculos.
Quando se considera que os magistrados do STF ganham 13 salários por ano, o que não ocorre em outros países, o valor recebido é, em média, de R$ 28,9 mil por mês. Com o aumento reivindicado, a média passaria para R$ 34,6 mil, perdendo apenas para os magistrados do Reino Unido, país tido como um dos mais caros do mundo. Mas os juízes ingleses não têm benefícios como segurança pessoal, imóvel funcional, auxílio-moradia, passagens aéreas e plano de saúde custeado pela instituição.
Os ministros brasileiros podem ainda complementar o salário dando palestras e aulas em universidades. Os magistrados norte-americanos, alemães e mexicanos também podem desenvolver essas atividades, mas no Japão e no Reino Unido essa hipótese não é cogitada. “Não existe tal caso no Japão”, informou a embaixada.
Por aumento
A Associação dos Juízes Federais (Aufe) divulgou nota ontem em que critica Cezar Peluso, por dizer que o aumento salarial dos servidores do Judiciário é mais importante que o dos juízes. A associação diz ter ficado irritada por Peluso afirmar, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, que aplaudirá o Congresso se aprovar a redução das férias dos juízes de 60 para 30 dias.
Abaixo-assinado
OAB-RJ lança manifesto em defesa do CNJ
A Ordem do Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) lançou um abaixo-assinado em defesa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A coleta de assinaturas começou na sexta-feira e ontem o documento já havia reunido 2.149 adesões.
Os signatários do documento, disponível no site da OAB-RJ, se comprometem a apoiar a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional nº 97, de 2011, de autoria do senador Demóstenes Torres (DEM). O objetivo é “proteger o CNJ das tentativas de esvaziamento capitaneadas por setores da magistratura nacional”, diz a OAB. “A ofensiva contra o CNJ se intensificou depois que a corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, afirmou que também no Judiciário há corrupção”, acrescenta texto da Ordem. Para o presidente da entidade, Wadih Damous, o “esvaziamento do CNJ seria um enorme retrocesso para o país”.
“Essa PEC, como explicita sua ementa, torna clara a competência da Corregedoria Nacional de Justiça, autônoma e concorrente em relação aos órgãos administrativos dos tribunais, podendo instaurar procedimentos, requisitar informações, exames, perícias ou documentos, sigilosos ou não, imprescindíveis ao esclarecimento de processos ou procedimentos sob sua apreciação”, diz o texto da OAB-RJ.