NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Demissão atinge 56% das mulheres após licença-maternidade, aponta levantamento

Demissão atinge 56% das mulheres após licença-maternidade, aponta levantamento

Quatro em cada dez mulheres já se sentiram discriminadas em um processo seletivo ao contarem sobre a maternidade

 

Por Gabriela da Cunha, Valor Investe — Rio

 

O Dia das Mães, data criada para aquecer o comércio, cada vez mais se torna um domingo de reivindicações entre as mulheres que já têm filhos ou se preparam para adentrar à maternidade. Razões não faltam.

 

As mulheres, que já ganham menos do que os homens, tendem a ser mais penalizadas pelos desafios do mercado de trabalho quando se tornam mães. Prova disso é um levantamento que aponta que 56% das profissionais já foram desligadas ou conhecem outra mulher que foi demitida após a licença-maternidade.

 

Segundo dados do portal Empregos.com.br, que ouviu 273 mães entre 18 e 45 anos, o julgamento e o constrangimento começam antes mesmo de conseguir a vaga de emprego. Quatro em cada dez mulheres relataram que já se sentiram discriminadas em um processo seletivo ao contarem sobre a maternidade.

 

Tais entraves fazem muitas profissionais se questionarem se devem informar a maternidade em currículos ou no LinkedIn. Michelle Terni, da consultoria Filhos no Currículo, é enfática. “É importante a gente continuar mostrando os filhos no nosso currículo por que eles existem na nossa vida, e nós somos um ser integral. Pra gente trazer o nosso melhor precisamos ser reconhecidas pela nossa identidade no mercado de trabalho”, sustenta.

 

“Existe uma importância muito grande de mostrar para o mercado que é nesse exercício diário da criação de uma criança aprendemos muitas novas habilidades. Quando essa potência é reconhecida, conseguimos devolver todo o nosso valor para a nossa carreira”, complementa a executiva da plataforma focada em atender empresas a se para se tornarem ambientes de trabalho pró-família.

 

Se passar da fase da contratação é um desafio, conseguir o emprego não significa menos barreiras. No levantamento, 94,5% das participantes disseram que nunca tiveram a mesma oportunidade de promoção estando grávidas ou após a licença-maternidade.

A pesquisa mostra ainda 77 dos empregadores oferecem licença-maternidade de 4 meses, previstos na CLT; 18,3% oferecem licença de 6 meses e apenas 2% oferecem mais tempo de afastamento das atividades, conforme a necessidade da mãe.

 

Para Tábata Silva, gerente do portal Empregos.com.br, os dados demonstram a urgência das empresas adotarem métricas para identificar quais desigualdades estão sendo acentuadas e quais são os meios de equiparar as condições de trabalho entre homens e mulheres no ambiente profissional. Programas de suporte específicos para mulheres que já são mães ou têm esse desejo, e o aumento do tempo de licença-paternidade são algumas das medidas que precisam entrar na agenda das empresas, segundo a especialista.

Empresas estão preparadas para receber mulheres que são mães?

 

Na outra ponta, a pesquisa ouviu 388 empresas de médio e pequeno, sendo 37% com mais de 100 funcionários e 12,9% de 51 até a 100 profissionais. Em termos de infraestrutura, 7% fornecem fraldário e sala de recreação, enquanto 93% não possuem nenhum tipo de ambiente.

 

Outros dados que chamam atenção no levantamento do portal Empregos.com.br é que, ao mesmo tempo que 62% das empresas oferecem flexibilidade de horário e formato de trabalho (híbrido ou remoto), só 16% dos empregadores dão assistência para puérperas, realizando acompanhamento médico e psicológico no retorno ao trabalho.

 

À frente da empresa de saúde ocupacional 4Life Prime, Alex Araujo observa que o baixo percentual de oferta de acompanhamento psicológico está relacionado a estrutura das pequenas e médias empresas, que em muitos casos nem área de Recursos Humanos têm. Além disso, a maioria dos gestores não reconhece o impacto do bem-estar mental na vida pessoal e profissional, especialmente para quem está voltando da licença-maternidade e vivendo uma grande mudança de rotina.

 

Os dados gerais da pesquisa mostram, na avaliação de Tábata Silva, que a maioria das empresas está oferecendo o mínimo necessário por lei. “Os desafios para se criar uma criança são grandes e, muitas vezes, um ato solitário. No entanto, essa responsabilidade precisa ser compartilhada entre familiares, sociedade, governo e negócios. As empresas precisam entender quais são os aspectos relevantes para a realidade de cada mãe e adotar medidas que tragam melhorias, tanto para o clima organizacional, quanto para a retenção dessas profissionais importantes desenvolvimento da empresa”.

Ambientes mais acolhedores, é claro, existem. Alguns deles, com vagas “amigas da família” e feitas para mães, estão reunidos pelo movimento Filhos no Currículo e B2mamy na plataforma Ser mãe dá trabalho, que conta com o apoio do LinkedIn Brasil. Mas, pelo menos neste Dia das Mães, essas empresas ainda são a minoria.

 

VALOR INVESTE

https://valorinveste.globo.com/mercados/renda-variavel/empresas/noticia/2023/05/14/demissao-mulheres-apos-licenca-maternidade-aponta-levantamento.ghtml

 

Demissão atinge 56% das mulheres após licença-maternidade, aponta levantamento

135 anos da Lei Áurea: Brasil resgatou 1.201 trabalhadores em condições análogas às de escravo em 2023

Trabalhadores em casos de escravidão contemporânea são submetidos a condições degradantes e supostas dívidas com empregadores.

Por Lorena Lara, Anaísa Catucci e Bibiana Borba, g1

Alojamentos sujos e sem proteção do frio ou da chuva, alimentação escassa, camas de papelão e até equipamentos de choque foram encontrados em ações recentes de fiscalização de locais de trabalho no Brasil. São casos de trabalhadores em situação análoga à escravidão, ainda frequentes depois de 135 anos da assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888.

Recordes

 

Só em 2023, foram resgatadas 1.201 pessoas em situação semelhante à de escravo, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

 

O número representa uma alta de 140% em relação ao mesmo período do ano passado e um recorde nos últimos 15 anos. Em 2008, foram 1.696 no mesmo período. A maioria dos casos ocorre em áreas rurais, mas grandes cidades também têm casos recorrentes.

“Às vezes a gente não enxerga o que está acontecendo do nosso lado. Tem setores como o ambiente doméstico, a costura ou a construção com pessoas em situação de vulnerabilidade em situações de exploração porque não têm outra alternativa para sobreviver”, observa a historiadora e professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Clarissa Sanfelice Rahmeier.

 

 

Desde que foram criados grupos de fiscalização na área, em 1995, foram registrados mais de 60 mil casos em todo o país.

 

De janeiro a abril deste ano, os estados com mais casos foram Goiás, com 372 pessoas encontradas em condições de escravidão, seguido do Rio Grande do Sul (296), Minas Gerais (156), São Paulo (156) e Alagoas (49).

 

A escravidão contemporânea

 

As “condições análogas à escravidão” não incluem necessariamente a privação do direito de ir e vir, mas a falta de condições para sair de uma situação degradante. Muitas vezes, o cenário é definido como uma “servidão por dívida”.

 

Foi o caso de um idoso de 74 anos resgatado em uma obra em Foz do Iguaçu, no Paraná, na última semana. Ele trabalhava há dois anos sem receber salários para pagar supostas dívidas por produtos que era obrigado a comprar em um mercado do empregador, segundo o MPT.

 

Outros exemplos são os trabalhadores aliciados em regiões distantes com a promessa de empregos e, depois, precisam pagar pelas próprias passagens. É o que acontecia em vinícolas no Rio Grande do Sul com funcionários terceirizados.

Resgate de trabalhadores

 

O maior resgate do ano aconteceu em março, em uma usina de cana-de-açúcar em Goiás na qual se identificou também o tráfico de pessoas.

 

Uma empresa de intermediação de mão-de-obra aliciou trabalhadores no Nordeste e os levou para barracos em cidades do interior goiano. Os abrigos não tinham cozinha, ventilação ou chuveiros e alguns funcionários pagavam pelos próprios colchões ou dormiam em redes e no chão.

 

Mesmo quando os funcionários são terceirizados, as empresas também são responsabilizadas pela não vigilância da cadeia produtiva, explicou o chefe da Divisão de Fiscalização para a Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae-MTP), Maurício Krepsky.

 

Somadas as 61 ações deste ano, os contratantes tiveram de pagar quase R$ 5 milhões em verbas rescisórias aos trabalhadores resgatados, além de responder a processos judiciais.

Como denunciar?

 

Suspeitas de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciadas anonimamente pelo Sistema Ipê, disponível no link https://ipe.sit.trabalho.gov.br/.

 

O Ministério do Trabalho e Emprego disponibiliza dados sobre as ações de combate ao trabalho escravo no Brasil desde 1995 no Radar do Trabalho Escravo da SIT: https://sit.trabalho.gov.br/radar.

G1

https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2023/05/13/135-anos-da-lei-aurea-brasil-resgatou-1201-trabalhadores-em-condicoes-analogas-as-de-escravo-em-2023.ghtml

Demissão atinge 56% das mulheres após licença-maternidade, aponta levantamento

Mercado financeiro eleva estimativa de inflação para 2023, mas reduz para 2024

A projeção para esse ano ainda supera o teto da meta definido pelo governo, que é de até 4,75%. Números foram divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (15).

Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Os economistas do mercado financeiro elevaram a estimativa de inflação para 2023, mas reduziram a projeção para 2024.

 

As informações constam do relatório “Focus”, divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Banco Central. O levantamento ouviu mais de 100 instituições financeiras na semana passada sobre as projeções para a economia.

 

Neste ano, a expectativa dos economistas para a inflação oficial passou de 6,02% para 6,03%. Com isso, a projeção ainda supera o teto da meta de inflação definida pelo governo, fixada em 3,25% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Ela será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.

Se a projeção do mercado financeiro se confirmar, este será o terceiro ano seguido de estouro da meta de inflação, ou seja, no qual o IPCA fica acima do teto fixado pelo sistema de metas. Em 2022, a inflação somou 5,79%.

 

Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente das que recebem salários menores. Isso, porque os preços dos produtos aumentam, sem que o salário acompanhe esse crescimento.

 

Para 2024, a projeção de inflação do mercado financeiro caiu de 4,16% para 4,15%. A meta de inflação do próximo ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.

 

  • Para definir a taxa básica de juros e tentar conter a alta dos preços, o BC já está mirando, neste momento, na meta do ano que vem.

 

  • Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.

PIB

 

Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2023, a expectativa do mercado financeiro subiu de 1% para 1,02% na última semana.

 

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. O indicador serve para medir a evolução da economia.

Já para 2024, a previsão de crescimento recuou de 1,40% para 1,38%.

 

  • No começo de março, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB avançou 2,9% em 2022, contra uma alta de 5% no ano anterior.

 

Taxa de juros

 

O mercado financeiro manteve a expectativa para a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 12,50% ao ano para o fim de 2023. Atualmente, oíndice está em 13,75% ao ano.

 

Para o fim de 2024, a projeção do mercado para o juro básico da economia ficou estável, em 10% ao ano. Com isso, o mercado segue estimando queda do juro também no próximo ano.

Outras estimativas

 

Veja abaixo outras estimativas do mercado financeiro, segundo o BC:

 

  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio para o fim de 2023 ficou estável em R$ 5,20. Para o fim de 2024, permaneceu em R$ 5,25.

  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção permaneceu em US$ 60 bilhões de superávit em 2023. Para 2024, a expectativa para o saldo positivo recuou de US$ 55 bilhões para US$ 54,8 bilhões.

  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano permaneceu em US$ 80 bilhões de ingresso. Para 2024, a estimativa de ingresso continuou também em US$ 80 bilhões.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/05/15/mercado-financeiro-eleva-estimativa-de-inflacao-para-2023-mas-reduz-para-2024.ghtml

Demissão atinge 56% das mulheres após licença-maternidade, aponta levantamento

Semana de 4 dias de trabalho será testada no Brasil

Um dia a mais para cuidar da vida, com mesmo salário e mesma produtividade sem aumento de carga horária, a iniciativa será monitorada para testar eficácia

por Redação

A semana de 4 dias de trabalho será testada no Brasil entre junho e dezembro de 2023. Quem conduzirá os testes é a organização sem fins lucrativos 4 Day Week e a Reconnect Happiness at Work. As informações detalhas serão divulgadas no próximo mês, mas o que se sabe é que haverá algum custo e que não existem pré-requisitos. Para demonstrar interesse as empresas devem preencher o formulário a seguir: https://www.4dayweek.com/contact

O modelo que será adotado é o 100-80-100, que consiste em manter 100% do trabalho em 80% do tempo por 100% do salário. Ou seja, o trabalhador ganha um dia a mais, sem prejuízo no que recebe, mantendo a produtividade.

Como indica o jornal O Globo, a ideia é acompanhar as empresas participantes para medir indicadores (criados pela universidade americana Boston College) que avaliam níveis de estresse, produtividade, rotatividade, melhora do bem-estar dos funcionários, entre outras situações.

Em diversos países ao redor do mundo a questão da jornada de trabalho é debatida com exemplos colocados em prática. Diferentes modelos já foram testados e os resultados que pesam a favor da semana de 4 dias são animadores, o que indica ser um dos caminhos para o futuro do mundo do trabalho.

No Reino Unido teste com 60 empresas permitiu que os trabalhadores optassem entre 8 horas de trabalho por 4 dias ou 32 horas semanais em cinco dias. A aprovação pelos trabalhadores ficou acima de 90% e a receita das empresas cresceu 35% em comparação ao período anterior. Além disso, ficou registrado a melhora nos níveis de bem-estar e diminuição dos casos de esgotamento profissional. Bélgica, Islândia, Suécia, Emirados Árabes e Espanha também já oferecem alternativas que permitem a redução de um dia de trabalho, com ou sem redução de carga horária. O que é comum a todos é a manutenção dos salários, a não ser em casos específicos de proporcionalidade a pedido do funcionário.

Confira aqui quais outros benefícios traz a semana de trabalho de 4 dias e deixe a sua opinião sobre o que acha do assunto!

*Com informações O Globo. Edição Vermelho Murilo da Silva.

https://vermelho.org.br/2023/05/14/semana-de-4-dias-de-trabalho-sera-testada-no-brasil/

Demissão atinge 56% das mulheres após licença-maternidade, aponta levantamento

O tamanho e os limites do governo no Congresso

 e 

A pergunta “qual o tamanho do governo no Congresso?”, feita desde as eleições de outubro de 2022, ganhou força na primeira semana de maio quando as primeiras “derrotas” legislativas aconteceram.

A resposta passa pela compreensão do “presidencialismo de coalizão”, fórmula que tem funcionado no Brasil pós Constituição de 1988. Por ela o partido que conquista a cadeira da Presidência da República enfeixa em torno de si um grupo de partidos apoiadores no legislativo. Em momento nenhum o PT ou o presidente Lula sinalizaram que pretendiam seguir caminho diferente, assim a formação de uma coalizão é esperada.

A criação e a gestão de coalizões são processos intensos em conversas e negociações. Crises não costumam faltar. Como já se tornou notório, entram na conta da coalizão cargos e recursos orçamentários distribuídos para os partidos aliados e para o próprio partido do presidente.

Contudo, uma das dimensões fundantes da coalizão, que por vezes passa desapercebida, é a distribuição ideológica dos componentes do agrupamento. Embora cargos e emendas sejam importantes, os parlamentares encontram limites ideológicos em relação aos quais não há negociação possível, e parte desses limites decorre dos objetivos e preferências de cada político.

Trazemos em dois gráficos a distribuição dos parlamentares na dimensão esquerda-direita, tanto para a Câmara dos Deputados quanto para o Senado Federal. Utilizamos para a classificação dos partidos o trabalho de Zucco e Power, com as adaptações necessárias.

Gráfico 1: Câmara dos Deputados

O que se vê é que a Câmara dos Deputados, composta por 513 parlamentares, tem configuração predominantemente de direita e centro-direita. O gráfico nos permite compreender que o PT, localizado à esquerda, precisa conquistar apoio de todos os partidos de esquerda e centro-esquerda (como Psol, PSB, PDT entre outros) e, mais que isso, caminhar para o centro e a centro-direita (MDB, PSD, União Brasil, entre outros). Só assim eles conseguiriam apoio para, desde impedir a aprovação de um impeachment, até aprovar PECs, que exigem 308 votos favoráveis.

No Senado a configuração é praticamente a mesma.

Então, diante da pergunta “qual o tamanho do governo no Congresso?”, alguns números surgem, como 223 deputados, segundo o Observatório do Legislativo Brasileiro, e 42 senadores, como a Folha de S.Paulo. Tais cálculos baseiam-se na lógica de que os partidos com assentos no ministério Lula entregariam a totalidade de seus votos à coalizão, o que não é factível, dadas as restrições ideológicas que já mencionamos, bem como as curvas de preferências das bancadas parlamentares, não necessariamente contempladas no fato de haver um ministro filiado ao partido.

Uma forte definição ideológica não caracteriza os partidos brasileiros, contudo há sim algum nível de sedimentação de ideias e valores no Brasil, algo recrudescido nos últimos anos de polarização e ascensão de uma extrema direita. Diante disso, a alternativa factível ao governo Lula é constituir uma coalizão “razoavelmente funcional”.

Razoavelmente funcional denota aqui a existência de limites significativos impostos pela dimensão ideológica. Será uma coalizão mais de veto e defesa do que propositiva. Salvo terremotos políticos ou econômicos – choques exógenos – tal coalizão deverá impedir ataques pesados ao governo, como pedidos de impeachment, por exemplo. Contudo, não permitirá que pautas de esquerda avancem, por falta de apoio interno na própria coalizão. A pauta de costumes, por exemplo, deve ficar congelada na posição recebida por Lula em janeiro de 2023.

Assim, o que deverá surgir é um diálogo entre posições centristas e esquerdistas dentro do próprio governo. Na hipótese otimista surgirão pautas centristas com chances de aprovação, e na pessimista um travamento da pauta. O novo marco fiscal e a reforma tributária, como vistas até o momento, configuram pautas centristas. Os decretos questionados do marco do saneamento, esquerdistas.

A coalizão ainda está se arrumando, e a gritaria é por cargos e emendas. Contudo, as preferências e os objetivos parlamentares, em parte explicados na dimensão esquerda-direita, serão as balizas que darão as possibilidades estruturais da pauta legislativa, definirão o tamanho e os limites do governo.