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Ajustes do salário mínimo e da tabela do IR vão custar R$ 8,2 bilhões

Ajustes do salário mínimo e da tabela do IR vão custar R$ 8,2 bilhões

O aumento do salário mínimo dos atuais R$ 1.302 para R$ 1.320 custará R$ 5 bilhões até o fim de 2023, de acordo com Ceron. Já a isenção do IR para quem ganha até dois salários mínimos terá impacto de R$ 3,2 bilhões.

Por Estevão Taiar e Guilherme Pimenta, Valor — Brasília

Os reajustes do salário mínimo e da tabela do Imposto de Renda (IR) somados custarão aproximadamente R$ 8,2 bilhões até o fim do ano. Mas, como não estavam previstos no Orçamento, serão compensados pelo lado da arrecadação. “Elas [mudanças] vão ter medida compensatória pelo lado da receita”, disse hoje o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron.

 

O aumento do salário mínimo dos atuais R$ 1.302 para R$ 1.320 custará R$ 5 bilhões até o fim de 2023, de acordo com Ceron. Já a isenção do IR para quem ganha até dois salários mínimos terá impacto de R$ 3,2 bilhões.

As afirmações foram feitas na entrevista coletiva de divulgação do Resultado do Tesouro Nacional (RTN) de janeiro, publicado hoje pelo Ministério da Fazenda.

Impacto do mínimo e IR — Foto: Tesouro Nacional

Impacto do mínimo e IR — Foto: Tesouro Nacional

Leia a matéria completa no Valor Econômico

VALOR INVESTE

https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2023/02/28/ajustes-do-salario-minimo-e-da-tabela-do-ir-vao-custar-r-82-bi.ghtml

Ajustes do salário mínimo e da tabela do IR vão custar R$ 8,2 bilhões

O que são juros compostos, a ‘bola de neve’ matemática da qual os super-ricos tiram proveito

Eles estão por trás do cálculo do rotativo do cartão de crédito, da parcela dos empréstimos e já foram descritos pelo bilionário Warren Buffet como uma das bases que construíram sua fortuna.

Por BBC

Se você pudesse escolher entre receber um pagamento imediato em dinheiro de um milhão de dólares ou um centavo “mágico” que dobra todos os dias durante 30 dias, qual alternativa escolheria?

 

Como você leu a pergunta no contexto desta reportagem, provavelmente suspeita que a resposta não seja tão óbvia.

 

Se essa oferta viesse do nada, porém, a tentação de colocar a mão em um milhão de dólares talvez fosse bem maior do que pegar um centavo, por mais mágico que ele fosse. Afinal, mesmo que dobre no dia seguinte, estamos falando de apenas 2 centavos.

Mas se o cálculo for feito para o total dos 30 dias da premissa original… é incrível: até lá você teria mais de US$ 5 milhões.

 

Uma cifra que deixa qualquer um boquiaberto – e talvez incrédulo. Assim, se você é como eu (se não, fique à vontade para saltar as próximas linhas), pegue lápis, papel, calculadora e vamos lá:

 

1×2=2×2=4×2=8×2=16×2=32×2=64×2=128×2=256×2=512×2=1.024 centavos… e aí vão 10 dias.

 

Continuemos:

 

1.024×2=2.048×2=4.096×2=8.192×2=16.384×2=32.768×2=65.536×2=131.072

 

131.072×2=262.144×2=524.288×2=1.048.576 centavos.

 

E faltam mais dez dias:

 

1.048.576×2=2.097.152×2=4.194.304×2=8.338.608×2=16.777.7216

 

16.777.7216×2=33.554.432×2=67.108.864×2=134.217.728×2=268.435.456×2=536.870.912

 

Assim, 536.870.912 centavos, ou US$ 5.368.709,12 em 30 dias!

Não é à toa que o conceito é frequentemente descrito como uma bola de neve descendo uma colina, aumentando de tamanho e aceleração à medida que avança.

 

Uma descrição que ecoa o título da biografia autorizada do célebre investidor Warren Buffett, Bola de Neve. Em entrevista no programa The David Rubenstein Show, da Bloomberg, o bilionário afirmou: “Minha vida tem sido um produto de juros compostos”.

 

E ele é apenas um dos super-ricos que se beneficiaram significativamente ao longo da história desse conceito.

O céu e o inferno

 

A boa notícia é que, como você viu no exemplo da duplicação dos centavos, para compreendê-lo não é preciso saber muito mais do que aritmética elementar – ainda que a demonstração com as sucessivas multiplicações seja trabalhosa.

 

O cálculo em si, contudo, não é difícil: a equação usa como parâmetros o montante inicial, a taxa de juros e o período de incidência da taxa.

 

De acordo com o site Investopedia, os juros compostos são aqueles que aumentam exponencialmente ao longo do tempo, e não de forma linear.

 

Talvez seja difícil entender o que é o crescimento exponencial ou composto – mas ter ciência do que ele significa pode tanto ajudar alguns a aumentar o patrimônio quanto evitar que outros amarguem prejuízos.

 

E isso é justamente porque o “milagre” da capitalização é uma faca de dois gumes. Veja neste exemplo:

Se você investir ou pedir emprestado uma quantia em dinheiro com juros compostos a uma taxa de 10% ao ano, depois de 5 anos, mantido o dinheiro investido ou não paga a dívida, você terá multiplicado sua riqueza ou a dívida por 1,6 vezes.

 

Considerando os mesmos parâmetros, mas aumentando o período de tempo em dez vezes, o valor final não será multiplicado por 16, mas por 117.

Ilustrando

 

O conceito dos juros compostos é simples: o total de juros calculado para um determinado período de incidência (um mês, um ano, a depender se a taxa de juros é ao mês ou ano ano, por exemplo) é adicionado ao valor principal e, no próximo período, os juros são calculados sobre todo esse montante, e assim por diante.

Assim, por exemplo, se você investir US$ 100 com uma taxa de juros de 5% ao ano, ao final do primeiro ano terá US$ 105. Até aqui, o cálculo usou apenas juros simples.

 

A diferença será perceptível no segundo ano, já que, com o juro composto, você ganhará juros não só sobre o montante principal, de US$ 100, mas também sobre os US$ 5 de juros do período anterior.

 

Então, em vez de uma rentabilidade de US$ 5, como no primeiro ano, o que elevaria o total investido a US$ 110, o rendimento do segundo ano será de US$ 5,25, com um total de US$ 110,25.

 

Uma das chaves desse conceito, claro, é o tempo, não só porque quanto mais paciente alguém for, mais dinheiro vai acumular, mas porque os momentos fazem grande diferença.

 

Parece um pouco poético, mas essa ideia serve, por exemplo, para ilustrar a importância de se começar a economizar cedo.

 

Veja o caso das aposentadorias. Se você começou a poupar aos 25 anos e se aposentou aos 65, cada US$ 100 economizados aos 25 anos valerá mais de US$ 700 aos 65 anos (levando em consideração uma taxa de juros anual de 5%).

 

Para quem começou a economizar aos 45 e se aposentou aos 65, por sua vez, cada US$ 100 economizados aos 45 anos valerá US$ 265 aos 65 – o que não é ruim, mas é uma significativa diferença.

Assim, como disse o polímata americano Benjamin Franklin (cujo rosto estampa as notas de US$ 100): “Dinheiro gera dinheiro. E dinheiro que gera dinheiro, gera dinheiro”.

 

Mas não esqueça: esses mesmos juros compostos também multiplicam o valor que você deve no cartão de crédito ou em empréstimos… e é por isso que às vezes a sensação pode ser de que, por mais que você pague, a dívida não chega perto do fim.

 

Ajustes do salário mínimo e da tabela do IR vão custar R$ 8,2 bilhões

Mercado financeiro eleva para 5,90% estimativa de inflação em 2023 e vê alta maior do PIB

Previsão dos investidores supera o teto da meta definido pelo CMN para este ano, que é de até 4,75%. Essa foi a décima primeira alta seguida no indicador.

Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

Os economistas do mercado financeiro elevaram a estimativa de inflação deste ano de 5,89% para 5,90% e também passaram a prever uma alta maior do Produto Interno Bruto (PIB).

 

A informação consta do relatório “Focus”, divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central. Foram ouvidas mais de 100 instituições financeiras na semana passada sobre as projeções para a economia.

 

Essa foi a décima primeira alta consecutiva na projeção de inflação deste ano.

Para este ano, a meta central de inflação foi fixada em 3,25% pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.

Se confirmado, esse será o terceiro ano seguido de estouro da meta de inflação, ou seja, no qual o IPCA fica acima do teto fixado pelo sistema de metas. Em 2022, a inflação somou 5,79%.

 

Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente das que recebem salários menores. Isso, porque os preços dos produtos aumentam sem que o salário acompanhe esse crescimento.

 

Para 2024, a projeção de inflação do mercado financeiro ficou estável em 4,02% na semana passada.

 

A meta de inflação do próximo ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.

Produto Interno Bruto

 

Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2023, o mercado financeiro elevou sua previsão de 0,80% para 0,84%.Foi a segunda alta seguida na estimativa.

 

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. O indicador serve para medir a evolução da economia.

 

Já para 2024, a previsão de crescimento permaneceu estável em 1,5%.

Taxa de juros

 

O mercado financeiro manteve a expectativa para a taxa básica de juros da economia, a Selic, estável em 12,75% ao ano para o fim de 2023.

 

Com isso, o mercado financeiro segue estimando queda dos juros neste ano.

 

Para o fim de 2024, a projeção do mercado para o juro básico da economia ficou estável em 10% ao ano.

Outras estimativas

 

Veja abaixo outras estimativas do mercado financeiro, segundo o BC:

 

  • Dólar: a projeção para a taxa de câmbio para o fim de 2023 permaneceu em R$ 5,25. Para o fim de 2024, subiu de R$ 5,29 para R$ 5,30.

  • Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção recuou de US$ 57,9 bilhões para US$ 57,4 bilhões de superávit em 2023. Para 2024, a expectativa para o saldo positivo caiu de US$ 56,8 bilhões para US$ 54,6 bilhões.

  • Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano permaneceu em US$ 80 bilhões de ingresso. Para 2024, a estimativa de ingresso continuou também em US$ 80 bilhões.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/02/27/mercado-financeiro-eleva-para-590percent-estimativa-de-inflacao-em-2023-e-ve-alta-maior-do-pib.ghtml

Ajustes do salário mínimo e da tabela do IR vão custar R$ 8,2 bilhões

Juro médio dos bancos avança para 43,5% ao ano em janeiro, maior nível em cinco anos e meio

Taxa do cartão de crédito rotativo atingiu 411,5% ao ano em janeiro, o maior patamar desde agosto de 2017. Crédito bancário registrou queda em janeiro e inadimplência avançou.

Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

A taxa média de juros cobrada pelos bancos em suas operações com pessoas físicas e com empresas teve aumento de 1,8 ponto percentual em janeiro deste ano, para 43,5% ao ano. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central.

 

Esse é o maior patamar desde agosto de 2017, quando somou 45,6% ao ano, ou seja, em cerca de cinco anos e meio. A série histórica do BC tem início em março de 2011.

 

O juro médio, nesse caso, foi calculado com base em recursos livres – ou seja, não inclui os setores habitacional, rural e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

 

  • De acordo com o BC, a taxa média de juros cobrada nas operações com empresas subiu de 23,1% ao ano, em dezembro, para 25,3% ao ano em janeiro de 2023. É o maior patamar desde julho de 2017 (25,4% ao ano).

  • Já nas operações com pessoas físicas, os juros subiram de 55,4% ao ano, em dezembro, para 56,6% ao ano em janeiro. É o maior nível desde novembro de 2022 (57,3% ao ano).

 

O novo aumento dos juros bancários acontece em um momento de estabilidade na taxa básica da economia, a Selic, que está em 13,75% ao ano desde agosto do ano passado.

Cheque especial e cartão de crédito

 

No cheque especial das pessoas físicas, a taxa recuou de 132,1% ao ano, em dezembro, para 132% ao ano em janeiro de 2023. A queda foi de 0,1 ponto percentual no mês passado.

 

A taxa média de juros cobrada pelos bancos nas operações com cartão de crédito rotativo, por sua vez, avançou de 407,7% ao ano no fim de 2022 para 411,5% ao ano em janeiro. É o maior patamar desde agosto de 2017 (428% ao ano).

 

  • O crédito rotativo do cartão de crédito pode ser acionado por quem não pode pagar o valor total da fatura na data do vencimento, mas não quer ficar inadimplente.

 

  • Mesmo com a queda em setembro, o patamar da taxa rotativa de juros segue proibitivo. Essa é a linha de crédito mais cara do mercado e, segundo analistas, deve ser evitada. A recomendação é que os clientes bancários paguem todo o valor da fatura mensalmente.

Crédito bancário

 

O volume total do crédito bancário em mercado, segundo o Banco Central, recuou 0,3%, para R$ 5,26 trilhões em janeiro. Em dezembro do ano passado, somava R$ 5,27 trilhões.

“O volume de crédito para as empresas diminuiu 2,4% ao totalizar R$ 2,1 trilhões, enquanto para as famílias houve crescimento de 1,1%, atingindo R$ 3,2 trilhões”, informou o BC.

 

Para as pessoas físicas, houve destaque para o crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS, com alta de 2,5%; crédito consignado para trabalhadores do setor público, com aumento de 1%; no cartão de crédito rotativo (+4%) e no cheque especial (+9%).

Endividamento das famílias e inadimplência

 

Segundo o BC, o endividamento somou 49,6% da renda acumulada nos doze meses até novembro do ano passado. A série histórica do BC para este indicador tem início em janeiro de 2005.

 

Com isso, registrou queda marginal na comparação com o outubro de 2022, quando estava em 49,7%.

Em fevereiro de 2020, antes da pandemia da Covid-19, o endividamento das famílias somava 41,8%.

 

Ao mesmo tempo, a taxa de inadimplência média registrada pelos bancos nas operações de crédito subiu de 3%, em dezembro de 2022, para 3,2% em janeiro deste ano. É a maior desde abril de 2020 (3,3%)

  • Nas operações com pessoas físicas, a inadimplência subiu de 3,9%, no fim de 2022, para 4,1% em janeiro. Com isso, atingiu o maior patamar desde outubro de 2016 (4,2%).

  • Já a inadimplência das empresas ficou estável em 1,6% em janeiro, a mais alta desde agosto de 2020 (1,8%).

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/02/27/juro-medio-dos-bancos-avanca-para-435percent-ao-ano-em-janeiro-maior-nivel-em-cinco-anos-e-meio.ghtml

Ajustes do salário mínimo e da tabela do IR vão custar R$ 8,2 bilhões

Por que preço dos combustíveis é tão crucial para popularidade do governo

Lula analisa proposta da Fazenda para nova cobrança de impostos sobre combustíveis.

Por BBC

Preocupado com o impacto que uma alta nos preços de combustíveis pode ter sobre a popularidade do seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta encontrar uma saída alternativa a volta dos impostos sobre gasolina e etanol, que estava prevista para quarta-feira (01/03).

 

O corte total de PIS/Cofins havia sido adotado pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) para baratear combustíveis no ano passado, medida que críticos avaliaram como eleitoreira.

 

O ministro da Fazenda do atual governo, Fernando Haddad, defendia um retorno imediato desses impostos no primeiro dia da gestão Lula, devido à necessidade de reforçar o caixa da União para cobrir a ampliação dos gastos sociais e reduzir o rombo nas contas públicas, projetado para fechar o ano em mais de R$ 200 bilhões.

No entanto, a pressão da ala política do governo já havia levado à prorrogação da desoneração do diesel e do gás de cozinha até o final do ano e da gasolina e do etanol até fevereiro.

 

Agora, diante de uma novo embate entre os dois lados, o presidente deve optar por um caminho intermediário.

 

Segundo a assessoria do Ministério da Fazenda confirmou à BBC News Brasil, a volta dos impostos será feita de forma diferenciada sobre etanol e gasolina, com uma cobrança maior sobre este último, por ser um combustível mais poluente.

 

O ministério ainda não definiu quais alíquotas serão cobradas, mas assessoria da pasta diz que novo modelo vai garantir a arrecadação de R$ 28,8 bilhões que estava prevista para este ano com volta integral dos impostos sobre os dois combustíveis a partir de março.

 

A assessoria disse ainda que está em estudo uma reformulação na forma como os impostos são cobrados ao longo da cadeia de combustíveis para reduzir o impacto da reoneração no bolso do consumidor.

 

No entanto, não houve ainda anúncio oficial e as reuniões internas no governo sobre o tema continuam.

 

O receio da ala política com a volta dos impostos é que isso provocará o encarecimento dos combustíveis, podendo afetar a popularidade do governo já no seu início.

 

A presidente do PTGleisi Hoffmann, usou o Twitter na sexta-feira para defender a prorrogação do corte de impostos, até que o novo Conselho de Administração da Petrobras, que assume em abril, possa discutir uma nova política de preços de combustíveis.

 

Essa política hoje segue a oscilação do petróleo no mercado internacional, o que tem resultado em preços mais altos.

 

O novo presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, e Hoffmann defendem que os preços sigam os custos de produção nacional, em vez da cotação internacional, enquanto críticos dessa opção dizem que isso traria prejuízos à estatal, afetando sua capacidade de investimentos.

“Não somos contra taxar combustíveis, mas fazer isso agora é penalizar o consumidor, gerar mais inflação e descumprir compromisso de campanha”, argumentou Hoffmann.

Como os combustíveis impactam a popularidade?

 

Os itens mais sensíveis para a vida da população e que, portanto, podem afetar mais a popularidade do governo são diesel e gás de cozinha – não à toa, estão com desoneração prorrogada até o fim do ano.

 

O encarecimento do gás de cozinha, essencial para alimentação, tem impacto direto para a população mais pobre.

 

Já o diesel abastece os caminhões que rodam o país transportando os mais diversos produtos, inclusive alimentos. Por isso, uma subida de preço tende a impactar também o custo de outros produtos, que ficariam mais caros para o consumidor final.

 

Além disso, o governo monitora o risco de protestos de caminhoneiros que poderiam ocorrer com o aumento do preço do diesel.

 

Em 2018, durante o governo de Michel Temer, um movimento desse tipo paralisou muitas rodovias no país, provocando retração econômica.

 

No caso da gasolina, críticos dessa desoneração argumentam que o preço desse combustível não afeta tanto a população mais pobre, que em geral não utiliza automóvel próprio.

 

Por outro lado, o item impacta trabalhadores de baixa renda, como entregadores e motoristas de aplicativo, além de pesar sobre a classe média e setores mais ricos.

Como nota o cientista político da consultoria Tendências, Rafael Cortez, são segmentos que historicamente têm mais capacidade de pressionar o governo e que têm sido mais críticos ao PT.

Pesquisas de intenção e voto durante a eleição mostravam que Bolsonaro apoio superior a Lula entre todos os segmentos com renda familiar acima de dois salários mínimos, enquanto o petista vencia entre os mais pobres.

Ele lembra ainda que o debate sobre o encarecimento dos combustíveis ocorrem em um momento em que a sociedade como um todo já acumulou um desgaste com a inflação mais alta nos últimos anos.

 

“Isso afetou não só as classes de renda mais baixa, mas também essa classe média baixa que de alguma maneira emergiu, entrou no mercado de consumo, mas também sofreu bastante por conta dos últimos anos com a inflação andando muito, muito alta”, afirma.

“E como o Bolsonaro soube muito bem dar vazão a esse grupo, a expressar demandas dessa natureza, a complexidade política se tornou ainda maior na hora do governo tomar essas decisões (de rever a desoneração)”, analisa ainda.

 

Para Cortez, também está no radar do governo a possibilidade de uma eventual perda de popularidade abrir espaço para o fortalecimento do bolsonarismo, inclusive de alas mais extremistas que atuaram na invasão das sedes dos Três Poderes em Brasília, no dia 8 de janeiro.

 

O próprio ministro da Justiça e da Segurança Pública, Flávio Dino, manifestou essa preocupação em entrevista recente ao jornal O Estado de S. Paulo.

“A pergunta é: o governo Lula vai melhorar a vida do povo brasileiro? Se a resposta for sim, o golpismo tende a ser uma força declinante. Se o governo enfrentar dificuldades no resultado, aí abre espaço para a emergência do golpismo”, argumentou Dino.

Subsídio pode ter efeito inverso na inflação de longo prazo?

A equipe econômica, por outro lado, argumenta que manter o subsídio aos combustíveis para evitar uma inflação mais alta agora pode ter o impacto inverso no longo prazo.

 

Segundo essa visão, o rombo elevado nas contas pública teria o efeito de reduzir a confiança de agentes do mercado na economia brasileira, contribuindo para uma desvalorização do real frente a dólar, o que encareceria os produtos importados e pressionaria a inflação.

 

Para o analista chefe de Petróleo e Gás Natural do UBS BB, Luiz Carvalho, esse efeito deveria desencorajar o subsídio amplo de qualquer combustível, até mesmo do diesel, considerado mais sensível.

 

“Se você subsidiar o preço do diesel, isso vai levar a uma depreciação do câmbio, que vai fazer com que todos os outros produtos que são contados em dólar fiquem mais caros em reais.”

 

“Uma depreciação do câmbio vai levar o preço do trigo, da soja, do milho, do açúcar, do minério, do próprio petróleo o estarem mais caros em reais do que, eventualmente, o próprio benefício que você teria na inflação (com o corte de impostos)”, acrescentou.

 

Segundo Carvalho, o mais adequado seria o governo avaliar subsídios para grupos específicos.

“Você poderia fazer algo mais direcionado para os taxistas, os motoristas de Uber, eventualmente até os caminhoneiros autônomos, por exemplo. Porque grande parte dos outros caminhoneiros, eles são CLT (trabalhadores com carteira assinada) que trabalham para grandes transportadoras que são ultra capitalizadas”, ressalta.

 

Para consultora econômica Zeina Latif, ex-secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, a desoneração da gasolina é totalmente “inadequada” do ponto de vista ambiental, fiscal e social, tendo em vista o grupo social de maior renda que ela atende.

 

Na sua avaliação, a manutenção do subsídio sobre o diesel também é discutível devido ao impacto nas contas públicas, mas é mais compreensível.

 

“O país tem ainda uma matriz de transporte que depende muito do diesel e existe a preocupação com paralisação de caminhoneiros, categoria que tem uma relação mais próxima com o bolsonarismo”, reconhece.

– Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/articles/c801j3078z4o

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/02/27/por-que-preco-dos-combustiveis-e-tao-crucial-para-popularidade-do-governo.ghtml