Professor e coautor do livro ‘Como as Democracias Morrem’ diz que Lula deveria acenar mais para empresariado e classe média
Por Alex Ribeiro, Valor — São Paulo
O professor da Universidade de Harvard Steven Levitsky diz que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa fazer acenos à classe média e ao setor privado, com maior detalhamento de sua agenda econômica, para ampliar o apoio no segundo turno das eleições. “Penso que o Lula foi excessivamente confiante no primeiro turno, presumindo que iria vencer com uma vantagem maior do que ele venceu”, afirma em entrevista ao Valor Levitsky, coautor do livro “Como as Democracias Morrem”, com Daniel Ziblatt, que identificou o novo padrão usado pelos autocratas para subverter os regimes democráticos.
“Sem dúvida, [Lula] precisa de acenos para obter o apoio da classe média e do empresariado de que ele precisa para vencer a eleição e para governar”, afirma. “Ele deveria ter feito todas essas coisas no primeiro turno.” Já na eleição de 2018 Levistsky disse que Jair Bolsonaro é uma ameaça à democracia e, agora, ele vem sustentando que um novo mandato permitirá ao presidente ganhar o controle sobre instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF). “Acho que a democracia brasileira é robusta para sobreviver a isso que passou”, afirma ele. “Mas, oito anos, não sei. Acho que o Brasil pode perder a democracia.”
Ele conta que conhece como poucos o segmento no Brasil por causa da mãe.
Por Andreia Sadi
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, fez uma série de publicações neste sábado (22) no Twitter direcionadas ao público evangélico, segmento liderado por Bolsonaro. Nos posts, alerta para evangélicos sendo “enganados” e “ludibriados” pelo que chama de “lenga lenga bolsonarista”.
“Aos evangélicos que não se deixam influenciar facilmente, digo: vcs estão sendo enganados e ludibriados! Sei do que estou falando. Conheço muita gente simples que está sendo “intoxicada” pela lenga-lenga bolsonarista”.
Nas publicações, Joaquim Barbosa conta que, talvez muitos não saibam, mas por ter mãe evangélica desde criança acompanha o público em várias partes do Brasil. No alerta, critica a postura de Bolsonaro na abordagem aos evangélicos e pede atenção para a educação, como única forma de o país sair da situação de pobreza.
“Pense bem no seguinte, seja você evangélico ou não: Educação!!! Sem ela vc não sairá do lugar! E tem que ser educação de qualidade, viu? Em 4 anos, Bolsonaro alguma vez demonstrou interesse pela educação dos pobres? NÃO!”.
Joaquim Baborsa faz publicações no Twitter direcionada a evangélicos — Foto: Reprodução
Antes desses posts, Barbosa já havia feito críticas a Michelle Bolsonaro e Damares Alves por explorarem, em sua avaliação, o caso das meninas venezuelanas que foram visitadas por Bolsonaro em 2021.
Na ocasião, segundo Bolsonaro, ele disse que parou após “pintar um clima” e relatou achar que elas estavam se prostituindo. As declarações de Bolsonaro- gravadas em vídeo- causaram enorme desgate para a campanha do presidente.
Em um post na semana passada, Barbosa criticou a visita de Damares e Michelle às meninas para conter desgastes. “Deveriam entender que o simples fato de abordá-las (com o tacape da Presidência da República e a condição de senadora eleita a sinalizarem alguma forma de poder particularmente temível por quem vive precariamente em outro país) pode ser-lhes assustador. Que gente!”
No post de ontem, Barbosa pede que evitem misturar fé com religião.
Apoio de Barbosa
Barbosa é um dos ex-presidentes do STF que declararam apoio a Lula desde o primeiro turno. Enquanto esteve na corte, foi relator dos processos do mensalão e votou pela condenação de petistas.
A publicação do ex-ministro direcionada ao público evangélico é uma tentativa de furar a bolha no segmento onde Bolsonaro tem maior vantagem. De acordo com a última pesquisa Datafolha, do dia 19 de outubro, Bolsonaro tem 66% dos votos evangélicos, contra 24% de Lula.
Barbosa, ao pedir voto em Lula no primeiro turno, disse em vídeo que Bolsonaro é um ser humano “abjeto” e “desprezível” e não merece ser presidente.
“Bolsonaro não é um homem sério, não serve para governar um país como o nosso, nas está à altura, não tem dignidade para ocupar um cargo dessa relevância”.
Nesta segunda-feira, Barbosa é esperado em um evento, em São Paulo, com juristas e economistas e outros apoiadores de Lula- como Henrique Meirelles. O ato vai acontecer no Tuca, na PUC-SP.
Quem já tem perícia agendada e quiser trocar o pedido para análise documental pode solicitar o “Auxílio por incapacidade temporária – Análise Documental – AIT” pelo Meu INSS. Isso cancelará a perícia agendada, mas a data de entrada do requerimento inicial será mantida.
É importante lembrar que a concessão do benefício não será automática. O atestado médico e os documentos complementares comprobatórios da doença serão submetidos à Perícia Médica Federal, que realizará a análise dos documentos.
Quando não for possível a concessão do benefício de auxílio por incapacidade temporária por meio de análise documental, em razão do não atendimento dos requisitos, bem como quando ultrapassado o prazo máximo estabelecido para a duração do benefício, será facultado ao requerente a opção de agendamento para se submeter a exame médico-pericial.
Não caberá recurso da análise documental realizada pela Perícia Médica Federal.
A emissão ou apresentação de atestado falso ou com informação falsa configura crime de falsidade documental. Isso significa que o trabalhador sofrerá as sanções penais e deverá devolver os valores indevidamente recebidos.
Como pedir o benefício
Acessar o pelo aplicativo Meu INSS, disponível para Android e iOS, ou pelo site Meu INSS.
Clicar em “Agendar Perícia” e, depois, em “Perícia Inicial”.
Caso os documentos médicos estejam conforme as orientações e o segurado queira o atendimento à distância, deverá clicar em “Sim” e, em seguida, em “Continuar”.
Ser emitido há menos de 30 dias da Data de Entrada do Requerimento (DER);
Deve ainda conter:
nome completo do requerente;
data de início do repouso e o prazo estimado necessário;
assinatura do profissional emitente e carimbo de identificação, com registro do Conselho de Classe (Conselho Regional de Medicina – CRM, Conselho Regional de Odontologia – CRO ou Registro do Ministério da Saúde – RMS), que poderão ser eletrônicos ou digitais, desde que respeitados os parâmetros estabelecidos pela legislação vigente; e
informações sobre a doença ou Classificação Internacional de Doenças (CID).
Prazos
Os benefícios concedidos por meio da análise de atestado não poderão ter duração superior a 90 dias – podendo ser apenas um afastamento com o total de 90 dias, ou vários afastamentos, que somados, não podem passar de 90 dias.
O benefício não poderá ser restabelecido em caso de novo afastamento dentro de 60 dias decorrente do mesmo motivo que gerou a incapacidade anterior.
Quem já teve o benefício concedido com a análise documental, e quiser fazer um novo pedido, deve ficar atento ao prazo: o sistema só aceitará novo pedido de benefício com análise de atestado 30 dias após o resultado da última análise.
Esta é a 17ª queda consecutiva na expectativa dos investidores para a inflação. Teto da meta é de 5%, e BC já informou haver 93% de chance de estouro.
Por Alexandro Martello, g1 — Brasília
Os economistas do mercado financeiro reduziram de 5,62% para 5,60% a estimativa de inflação para este ano e também passaram a projetar uma expansão maior da economia.
As informações constam do relatório “Focus”, divulgado nesta segunda-feira (24) pelo Banco Central. Foram ouvidas mais de 100 instituições financeiras na semana passada.
Esta foi a 17ª queda seguida da estimativa para a inflação para o ano de 2022.
Quanto maior é a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente das que recebem salários menores. Isso porque os preços dos produtos aumentam sem que o salário necessariamente acompanhe esse crescimento.
A meta de inflação para este ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3,5% e será considerada cumprida se oscilar entre 2% e 5%. O Banco Central vê chance grande de estouro da meta em 2022, assim como aconteceu no ano passado.
Para o próximo ano, a meta central de inflação foi fixada em 3,25% e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%. De acordo com o boletim Focus, a previsão para 2023 recuou de 4,97% para 4,94%.
ICMS sobre itens essenciais
A nova redução da estimativa de inflação em 2022 coincide com o corte de impostos sobre itens essenciais, como combustíveis e energia elétrica. Esses produtos por si só já impactam a inflação. Além disso, influenciam indiretamente os preços de outros itens.
Por exemplo, se o preço do diesel aumenta, o transporte de um determinado produto fica mais caro. O dono da loja que revende esse produto, então, repassa o aumento para o consumidor, que acaba pagando mais caro pelo mesmo item. A diminuição dos impostos, em ano eleitoral, foi uma estratégia adotada pelo governo e pelo Congresso.
Além da redução de tributos, a forte desaceleração do nível de atividade mundial também tem contribuído para a queda da inflação ao impactar para baixo os preços das “commodities” (produtos básicos com cotação internacional, como petróleo e alimentos).
Produto Interno Bruto
O mercado financeiro elevou de 2,71% para 2,76% a previsão de alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022.
Já para 2023, a previsão de crescimento avançou de 0,59% para 0,63%.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.
Já para o fechamento de 2023, a expectativa do mercado para a taxa Selic permaneceu em 11,25% ao ano. Com isso, o mercado financeiro segue estimando queda dos juros no ano que vem.
Outras estimativas
Veja abaixo outras estimativas do mercado financeiro, segundo o BC:
Dólar: a projeção para a taxa de câmbio para o fim de 2022 permaneceu estável em R$ 5,20. Para 2023, continuou inalterada também em R$ 5,20.
Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção recuou de US$ 60 bilhões para US$ 56,2 bilhões de resultado positivo em 2022. Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado caiu de US$ 60 bilhões para US$ 56 bilhões de superávit.
Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano subiu de US$ 66 bilhões para US$ 68 bilhões. Para 2023, a estimativa avançou de US$ 67,3 bilhões para US$ 70 bilhões de ingre
O ministro Paulo Guedes (Economia) confirmou nesta quinta-feira (20) que o governo do presidente Jair Bolsonaro pretende desvincular o reajuste do salário mínimo e de aposentadorias à inflação do ano anterior. Pela nova regra, o piso passaria a considerar a expectativa de inflação e seria corrigido, no mínimo, pela meta de inflação. Isso significaria o maior arrocho salarial e de aposentadorias de todos os tempos, já que a inflação está na casa dos dois dígitos.
Como não poderia deixar de ser, o anúncio causou um generalizado repúdio.
Com a repercussão negativa, Guedes se apressou em arrumar um desmentido e negou congelamento ou correção menor do que os índices de preços. Mas sua fala só confirmou que o tema está em debate no governo.
Para o líder do PCdoB na Câmara, deputado Renildo Calheiros (PE), o ministro da Economia “já nem esconde os planos para prejudicar o povo”.
“Salário mínimo e aposentadoria, que já não têm aumento real no governo Bolsonaro, não teriam sequer a garantia da correção da inflação. Na gestão atual não houve um ano sequer com reajuste real no mínimo. É o governo que desmonta políticas sociais e prejudica a população. Ninguém aguenta mais”, disse o parlamentar em uma rede social.
A vice-líder da Oposição, deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), disse que a revelação do plano macabro de congelar salário mínimo e aposentadorias vai enterrar as pretensões do chefe do Executivo de tentar se reeleger.
“Guedes espatifou de vez com o eleitorado do Bolsonaro ao deixar escapar o plano: não terá mais reajuste no salário mínimo, nem nas aposentadorias ou benefícios sociais. Vai ter é redução de valores. Querem outra granada no bolso do povo. Ainda bem que vão perder a eleição”, comentou.
Mais arrocho
Na mesma linha, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) usou sua conta pessoal no Twitter para fazer um alerta aos brasileiros: “LEMBRETE: Bolsonaro e Paulo Guedes decidiram NÃO REAJUSTAR mais o salário mínimo e as aposentadorias pela inflação acumulada. Ou seja: se Bolsonaro ganhar, o SEU DINHEIRO VAI ACABAR!”.
O parlamentar lembrou que 60 milhões de brasileiros recebem até dois salários mínimos e seriam diretamente prejudicados, caso prosperem os planos do governo. Além disso, Orlando alertou que a imensa maioria de aposentados também seria afetada, uma vez que as aposentadorias e os benefícios da Previdência são vinculados ao valor do piso.
Segundo a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), se depender do atual presidente da República e do seu ministro da Economia, “o brasileiro não terá aumento real nem no salário mínimo nem na aposentadoria”. “Um novo ataque previsto para depois das eleições! Como sempre, quem mais precisa paga pelo desastre que é esse governo”, diz um post da deputada.
Confisco salarial
Em suas redes sociais, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) se referiu à medida com um inaceitável “confisco” salarial. “Bolsonaro quebrou o Brasil e desviou todo o orçamento para comprar votos. E agora quer recuperar uma parte do prejuízo à custa dos aposentados e de quem vive com 1 salário mínimo! Um verdadeiro confisco!”, escreveu.
O deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) também criticou o ataque aos salários. “Não vamos permitir que essa barbárie continue e o salário mínimo continue sem correção. Precisamos derrotar esse projeto de destruição da nação!”, pontuou.
O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), diz que o governo Bolsonaro prejudica os mais pobres. “É assim que Bolsonaro confirmou que vai deixar o reajuste do salário mínimo e das aposentadorias em 2023. Ele deixou claro que quer ver o povo na miséria! Não deixe ele fazer isso com a sua família, com você! Grita para o desumano: Bolsonaro não mexa no meu salário!”, convocou.
O deputado federal eleito Guilherme Boulos (PSOL-SP), afirmou que Bolsonaro confirmou que planeja mudar a Constituição para desvincular o aumento salário mínimo da inflação. “Para aumentar o salário acima da inflação, não precisa de mudança de lei. Só para diminuir. Adivinha qual o plano deles?”, questionou.
“GRAVÍSSIMO! Precisamos deixar claro para a população o que está em jogo nessa eleição. Bolsonaro quer o seu voto agora e depois baixar o valor do salário mínimo e das aposentadorias”, alertou o senador Humberto Costa (PT-PE).