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Bolsonaro “bateu no teto” e pode até perder votos evangélicos, diz especialista

Bolsonaro “bateu no teto” e pode até perder votos evangélicos, diz especialista

Para Vinicius do Valle, diretor do Observatório Evangélico, o “discurso moralista” de Bolsonaro – “esse discurso do medo”, que tomou conta da campanha eleitoral – “já conquistou quem tinha de conquistar”

Com templos em campanha desde março, é improvável que o presidente Jair Bolsonaro (PL) consiga ampliar suas intenções de votos no eleitorado evangélico. “Parece que ele bateu no teto”, afirma o cientista político Vinicius do Valle, diretor do Observatório Evangélico.

Na opinião de Valle, um dos maiores especialistas no tema, o “discurso moralista” de Bolsonaro – “esse discurso do medo”, que tomou conta da campanha eleitoral – “já conquistou quem tinha de conquistar”. Em entrevista ao Valor Econômico, o cientista político projeta que o presidente terá, no máximo, 65% dos votos evangélicos.

“Essa é a minha hipótese – a de que ele (Bolsonaro) já bateu no teto e que quem era suscetível a esse discurso já foi ganho por ele e, portanto, haveria pouca margem de manobra. Eu acho que mais do que 60%, 65% da votação entre evangélicos ele não alcança”, diz.

Ao estudar a relação do presidente com esse segmento mais religioso do eleitorado, Valle concluiu que a discussão moral e religiosa foi a forma como Bolsonaro ganhou parte dos eleitores de baixa renda, tradicionalmente mais próximos à esquerda.  “É um governo mal avaliado em termos econômicos, sociais – e que consegue um diálogo com as famílias de baixa renda a partir do discurso moral para quebrar a hegemonia do discurso econômico.”

A seu ver, o ex-presidente Lula, embora lidere com folga as pesquisas junto ao eleitor que ganha até um ou dois salários mínimos, depende mais das pautas tradicionais da campanha. “Quando a agenda é social e econômica, favorece ao candidato de oposição, ao Lula. Quando a agenda é moral, por estarmos em um país conservador e pela relação de Bolsonaro com líderes religiosos, aí a vantagem é do atual presidente.”

Segundo Valle, o eleitor pobre não é necessariamente conservador. “Mas, nas regiões interioranas e nas periferias, há um tipo de cultura diferente dessa cultura cosmopolita das grandes cidades, mais aberta para um conjunto de ideais no campo progressista. Há uma penetração do discurso religioso nas periferias por vários meios”, afirma.

Nas regiões mais vulneráveis, a igreja se torna uma “uma rede de proteção” onde “circulam bens materiais e simbólicos, vagas de emprego, indicações, ajuda emocional. Tudo isso acaba fazendo com que as igrejas tenham um papel muito importante nesses lugares” e sejam “a principal rede de sociabilidade presente entre as classes populares”.

É como se as igrejas fossem praticamente a única referência mais concreta para esses segmentos da população. “Entre as classes médias, há várias redes – as redes das universidades, dos locais de trabalho. Mas nas periferias a gente tem a rede religiosa como a principal rede de apoio das pessoas”, afirma Valle.

Em contrapartida, a recente ofensiva de Bolsonaro junto aos católicos, com visitas a Aparecida e ao Círio de Nazaré, não deve surtir efeito eleitoral. “A adesão dos católicos a ele (Bolsonaro) tende a ser um pouco menor”, analisa, lembrando, que, no Brasil, prevalecem os chamados “católicos não praticantes”.

“Para eles, não é a visão religiosa que pauta, por exemplo, sua visão política. Os evangélicos são mais pautados pela identidade religiosa, que está mais suscetível à influência do pastor, ainda que não possa ser retratado um grupo homogêneo”, compara. “Os evangélicos são mobilizados enquanto identidade religiosa. O evangélico vai mais ao culto – ele é religiosamente mais engajado.”

Apesar dessas diferenças, o presidente tem pouca margem para ampliar seu eleitorado entre evangélicos e católicos mais conservadores. “A campanha eleitoral dentro das igrejas tem uma intensidade forte desde março. Os pastores estão fazendo campanha eleitoral desde março”, diz. “Isso alimenta uma questão: quem não foi convencido até agora pode ser convencido nesta reta final? Há margem para isso?”

Se Bolsonaro “bateu do teto” entre os evangélicos, fica mais clara a obsessão de sua campanha em avançar no eleitor católico. Mas Valle não descarta o risco de o presidente ser vítima do que ele chama de “efeito bumerangue” – ou seja, o eleitor mais religioso se cansar da exploração eleitoral da fé.

“Esse segmento religioso poderá passar a ter um sentimento de que a religião está sendo usada. Há um cansaço nas igrejas e isso vem sendo notado em diversas pesquisas”, diz o cientista político. “Hoje se percebe que tem uma parcela do eleitoral religioso que fala ‘eu estou indo pra igreja, mas não estou encontrando conforto espiritual, porque estão falando muito de política’”.

Assim, não se pode sequer descartar a possibilidade de Bolsonaro perder um pouco dos votos evangélicos que ele tanto buscou para chegar à Presidência da República. Pesquisa Ipec divulgada na segunda-feira (10) o aponta com 63% de votos entre os eleitores evangélicos, contra 31% de Lula.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2022/10/15/bolsonaro-bateu-no-teto-e-pode-ate-perder-votos-evangelicos-diz-especialista/

Bolsonaro “bateu no teto” e pode até perder votos evangélicos, diz especialista

Alexandre de Moraes barra investigações contra institutos de pesquisa

Para presidente do TSE, apurações “parecem demonstrar a intenção de satisfazer a vontade eleitoral manifestada pelo chefe do Executivo e candidato a reeleição”

O presidente Jair Bolsonaro (PL) amargou uma derrota na sua cruzada anti-pesquisa nesta quinta-feira (13), com a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, de suspender as investigações da Polícia Federal (PF) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre os institutos de pesquisa.

A investigação da PF partiu de pedido de apuração feito pelo ministro da Justiça de Bolsonaro, Anderson Torres. A campanha do atual mandatário havia encaminhado ao ministro um ofício tratando da divergência entre as intenções colhidas pelos levantamentos e o resultado obtido no primeiro turno.

Ao mesmo tempo, o Cade também iniciou apuração a respeito. O presidente da autarquia, Alexandre Cordeiro Macedo, argumentou que teria havido “comportamento coordenado” do Datafolha, Ipec e Ipespe. Bolsonaristas e o próprio presidente têm buscado tumultuar o processo eleitoral ora com questionamentos à lisura das urnas ainda antes do primeiro turno, ora lançando dúvidas sobre os institutos.

Na decisão, Moraes afirmou que apurações deste tipo não caberiam a esses órgãos e sim à Justiça Eleitoral. O ministro apontou que as investigações “parecem demonstrar a intenção de satisfazer a vontade eleitoral manifestada pelo chefe do Executivo e candidato a reeleição” e que tais medidas poderiam caracterizar “desvio de finalidade e abuso de poder por parte de seus subscritores”.

Além disso, Alexandre de Moraes destacou que as apurações da PF e do Cade “são baseadas, unicamente, em presunções relacionadas à desconformidade dos resultados das urnas”, sem que tenham sido mostrados “indicativos mínimos” de “práticas de procedimentos ilícitos”.

Logo após o primeiro turno, diante da diferença entre as intenções de voto e o resultado, as diretoras do Datafolha, Luciana Chong, e do Ipec, Marcia Cavallari, declararam que as pesquisas são fotografias do momento e que não têm a pretensão de prever o que será apurado ao final. Além disso, elas apontaram que tais diferenças resultaram de opções de última hora, que podem incluir o chamado “voto útil”.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2022/10/14/alexandre-de-moraes-barra-investigacoes-contra-institutos-de-pesquisa/

Bolsonaro “bateu no teto” e pode até perder votos evangélicos, diz especialista

O que são as jornadas de trabalho ‘não lineares’ e o que isso influencia na produtividade

No novo mundo do emprego, existem funcionários dividindo seus dias de trabalho em segmentos de poucas horas, cumprindo tarefas de forma flexível e assincrônica.

Por BBC

Décadas atrás, o dia de trabalho geralmente significava que os funcionários chegavam ao escritório às 9 horas da manhã, almoçavam ao meio-dia e saíam às 17 ou 18 horas — e ponto final.

 

É claro que a pandemia de covid-19 mudou esse cronograma. Os profissionais não só vêm trabalhando remotamente há mais de dois anos, como a forma específica que fazem o trabalho também se alterou.

 

Essa reorganização também gerou novos padrões de trabalho de todo tipo, incluindo o “dia de trabalho não linear”. Nele, os profissionais podem cumprir seu trabalho fora do cronograma rígido tradicional, das nove às cinco (ou seis), muitas vezes nos horários que funcionam melhor para eles.

Mesmo trabalhando de forma assíncrona — sem que todos os colegas mantenham os mesmos horários —, os funcionários podem completar tarefas com concentração em blocos flexíveis espalhados ao longo do dia. A ideia é que os funcionários possam estabelecer cronogramas de trabalho em função da sua vida pessoal, e não o contrário.

 

Nas décadas passadas, jornadas de trabalho não lineares não eram comuns. Mas, agora, a adoção em massa dos padrões de trabalho híbrido e remoto, com cronogramas cada vez mais flexíveis, fez com que os dias de trabalho não lineares ficassem mais viáveis para grande parte dos trabalhadores.

 

Em alguns casos, os profissionais já estão praticando esse sistema até certo ponto sem perceberem, preferindo realizar tarefas que exigem maior concentração tarde da noite ou adiantando projetos de manhã cedo.

 

É claro que nem todas as empresas concederão esse grau de liberdade aos trabalhadores. Mas, no novo mundo profissional, as jornadas de trabalho não lineares ainda devem assumir um papel mais importante em alguns empregos e setores de atividade.

 

Especialistas indicam que o trabalho assíncrono traz inúmeros benefícios, desde que certas medidas sejam adotadas.

Controle como você passa o tempo

 

As jornadas de trabalho não lineares parecem ser o produto mais recente da reorganização do ambiente profissional causada pela pandemia, mas elas não são um conceito novo.

Na verdade, elas são um retorno à forma como as pessoas costumavam trabalhar na era pré-industrial, quando um dia de trabalho típico duraria do amanhecer até o pôr do sol, salpicado de intervalos regulares, refeições e sonecas.

 

Mas, com a industrialização da sociedade, surgiu a semana de trabalho rígida, de 40 horas em cinco dias, em ambientes industriais, segundo explica Aaron De Smet, sócio da empresa de consultoria McKinsey & Company, com sede em Nova Jersey, nos Estados Unidos.

 

Esse modelo de jornada de trabalho de oito horas foi transferido para o escritório — e, mesmo com a chegada da tecnologia, a visão convencional e as normas sociais fizeram com que a estrutura fixa de trabalho no escritório das nove às cinco permanecesse sem alterações.

 

Mas De Smet afirma que a pandemia rompeu com esse pensamento tradicional, já que os profissionais permaneceram produtivos mesmo fazendo intervalos, passando tempo com a família e trabalhando em horários flexíveis.

 

As jornadas de trabalho não lineares podem manifestar-se de muitas formas. Um profissional que more com outras pessoas pode preferir dedicar-se às tarefas que exigem concentração antes que os outros acordem, focando em um conjunto de tarefas das seis às oito da manhã e reduzindo a carga de trabalho na parte da tarde.

 

Ou talvez um pai ou mãe deixe de trabalhar por duas horas à tarde para pegar seu filho na escola e comer com ele, terminando o período de trabalho depois que a criança for dormir. As variações são infinitas e muito pessoais.

Laura Giurge, professora de ciências do comportamento da London School of Economics and Political Science, afirma que a crescente popularidade das jornadas de trabalho não lineares surgiu porque os profissionais se acostumaram a rotinas de trabalho flexíveis durante a pandemia.

 

“O trabalho assíncrono permite que as pessoas economizem o tempo do transporte, cumpram as tarefas administrativas durante as horas de baixa produtividade, tenham mais tempo para praticar exercícios e economizem dinheiro com refeições preparadas em casa”, afirma ela.

 

E maior flexibilidade costuma trazer também maior produtividade. Ao contrário de ficarem logados por oito horas a fio em horário fixo, os funcionários podem dividir as jornadas em blocos mais adequados aos ritmos naturais de trabalho.

 

“Um benefício importante dos dias de trabalho não lineares é ter controle de como você passa o seu tempo, fazendo seu trabalho quando for mais produtivo”, afirma Giurge.

 

As jornadas de trabalho não lineares ajudam a mudar o foco do trabalho, saindo da atividade e concentrando-se nos resultados. “Deixa de ser questão de quando ou onde você trabalha, mas sobre o cumprimento do trabalho. Os gerentes ficam responsáveis por definir os objetivos e a visão para os funcionários, mas não dizem a eles como devem chegar lá”, acrescenta ela.

 

De Smet afirma que o modelo não linear alinha-se com a natureza do trabalho do conhecimento — aquele que exige principalmente formação, informações e inteligência dos trabalhadores. Ele permite que os funcionários façam seu trabalho nos horários em que são mais criativos e produtivos.

 

“A questão deixa de ser o esforço e o tempo decorrido, mas sim de criar os melhores resultados”, afirma ele. “Da mesma forma que mudou a natureza do trabalho, a forma como os profissionais querem otimizar como fazem seu trabalho também se alterou.”

Mas, para que o modelo não linear tenha sucesso, De Smet acredita que alguma estrutura geral precisa ser estabelecida, com orientações para garantir que os funcionários não se afastem demais de um cronograma funcional. Essa estrutura pode ter a forma de horas centrais de trabalho colaborativo, quando pode ser realizado trabalho sincrônico ao vivo, como reuniões ou brainstorms.

 

De Smet acredita que esses mecanismos necessários acrescentam uma camada de complexidade às jornadas de trabalho não lineares, fazendo com que alguns funcionários tenham dificuldade para adotá-las.

 

“Ainda existe muito trabalho do conhecimento que precisa ser feito colaborativamente”, acrescenta ele. “Você não pode deixar que todos definam seus cronogramas por si próprios, sob pena de acabar em um vale-tudo, sem que nenhum trabalho sincrônico chegue a ser realizado.”

Visão de longo prazo

Mesmo antes da pandemia, muitos funcionários já estavam trabalhando de forma não linear, ao menos em parte — realizando tarefas ou enviando e-mails fora do horário contratado ou do local de trabalho. Mas isso, na verdade, eram horas extras sem pagamento, realizadas devido à demora no transporte e aos cronogramas de trabalho no escritório das 9h às 17h.

 

A esperança é que, se as empresas puderem introduzir políticas de jornadas de trabalho não lineares de maneira mais formal, isso irá corrigir o equilíbrio entre o trabalho assíncrono e o excesso de trabalho. E De Smet afirma que isso pode ajudar a evitar o burnout.

 

“Trata-se de encontrar a combinação perfeita no novo mundo profissional, onde as restrições de quando, onde e como fazemos nosso trabalho foram reduzidas — em parte, pela tecnologia e, em parte, pelas novas normas decorrentes da pandemia”, afirma ele.

 

Atualmente, as jornadas de trabalho não lineares são praticadas principalmente na indústria da tecnologia.

 

Start-ups que já eram relativamente flexíveis, com equipes distribuídas em diversos fusos horários, conseguem adotar cronogramas assíncronos com mais facilidade do que corporações tradicionais maiores, com histórico de trabalho no escritório, por exemplo.

 

Mas as jornadas não lineares podem ficar mais comuns devido à demanda do próprio mercado de trabalho. O fato é que mais profissionais vêm buscando maior flexibilidade e autonomia.

Em uma pesquisa da McKinsey entre 13.382 trabalhadores de várias partes do mundo em julho de 2022, 40% deles afirmaram que a flexibilidade no local de trabalho era um principal motivador para permanecer ou não em uma empresa.

 

“Os funcionários agora têm práticas e preferências de trabalho diversas”, afirma Giurge. “Deixar de reconhecer e apreciar essas diferenças fará com que as empresas percam seus talentos a longo prazo.”

 

Para De Smet, os benefícios das jornadas de trabalho não lineares são recíprocos.

 

“Para os funcionários, enormes cargas de trabalho não significam mais ficar no escritório até depois das 19 horas e perder o jogo de futebol dos filhos”, segundo ele.

 

“Agora, eles podem ter mais vida pessoal e completar o seu trabalho. E, para as empresas, o trabalho que está sendo feito muitas vezes é criativo, inovador e emocional — mais bem feito, em ambientes otimizados e flexíveis.”

 

No novo mundo profissional, as jornadas de trabalho não lineares podem também se encaixar continuamente nos padrões de trabalho híbrido e remoto.

 

“Estamos vendo que o mundo do trabalho no futuro é, de alguma forma, cada vez mais não linear”, acrescenta De Smet. “Precisamos encontrar novos ritmos que apoiem a produtividade, a eficiência, o bem-estar e a criatividade.”

Bolsonaro “bateu no teto” e pode até perder votos evangélicos, diz especialista

Classes D e E já representam mais da metade da população brasileira, aponta estudo

Um levantamento da Tendências Consultoria aponta que as classes D/E, com rendimentos familiares mensais de até R$ 3,1 mil, representam 55,4% da população

Por Agência O Globo — Rio de Janeiro

Para não perder o emprego em 2019, o agora economista Lucas Matos, de 31 anos, aceitou uma redução salarial de 50% — então de R$ 2,4 mil — na empresa em que trabalha, prestando serviços ao governo federal. Em 2020, sua família sofreu com a perda do pai por Covid-19 e, além da tristeza, viu a renda diminuir ainda mais, fazendo com que eles migrassem de classe social.

 

“Foi bem difícil ajustar os gastos em casa. Os primeiros cortes foram os itens supérfluos, a pizza e o hambúrguer do fim de semana, a saída com os amigos. Mas nas compras do mês também precisamos pensar no que levaríamos e o que deixaríamos para o próximo. Os reajustes dos preços não param de acontecer”, conta o morador de Taguatinga, no Distrito Federal.

 

A situação da família do economista é um retrato do Brasil, que vai terminar 2022 mais pobre do que há uma década. Um levantamento da Tendências Consultoria aponta que as classes D/E, com rendimentos familiares mensais de até R$ 3,1 mil, representam 55,4% da população. Há dez anos, esse grupo somava 48,7%.

 

“Como a classe média é muito dependente do rendimento do trabalho, a conjuntura econômica do Brasil na última década acabou jogando os mais vulneráveis deste grupo para a camada mais pobre da população”, explica o economista Lucas Assis, analista da Tendências e especializado em mercado de trabalho e estudos regionais de classes.

VALOR INVESTE

https://valorinveste.globo.com/noticia/2022/10/15/classes-d-e-e-ja-representam-mais-da-metade-da-populacao-brasileira-aponta-estudo.ghtml

Bolsonaro “bateu no teto” e pode até perder votos evangélicos, diz especialista

Trabalho decente e a saúde do trabalhador

REFLEXÕES TRABALHISTAS

Por Raimundo Simão de Melo

O que tem a ver trabalho decente com a saúde do trabalhador?

 

Tem tudo, porque saúde não é só ausência de doenças, mas, igualmente, bem-estar físico, mental e social do ser humano.

 

 

Já a saúde do trabalhador está diretamente relacionada com as ações de vigilância epidemiológica e visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das inadequadas condições de trabalho.

 

A saúde do trabalhador tem como objetivos, entre outros:

 

– Conhecer a realidade das condições de trabalho da população trabalhadora;

– Intervir nos fatores determinantes dos agravos à saúde, buscando eliminá-los ou, na sua impossibilidade, atenuá-los;

– Avaliar os impactos das medidas adotadas sobre esses agravos e controlar os seus fatores determinantes;

– Saúde e doença são condicionadas e determinadas pelo modo como os trabalhadores vivenciam as condições, os processos e os ambientes em que trabalham.

 

A saúde do trabalhador tem a ver com a precarização do trabalho, que envolve a precarização social e do trabalho.

 

Por isso, é preciso refletir e compreender, a partir dos pressupostos do trabalho decente, como se dá o processo de precarização do trabalho e a vulnerabilização dos trabalhadores na conjuntura de austeridade política e econômica atual que vivemos no Brasil, especialmente depois da reforma trabalhista de 2017, a qual, ao contrário do prometido pelos seus idealizadores, não melhorou as condições de trabalho, mas, as precarizou em grande parte.

 

Os dados falam por nós. Neste ponto, a primeira sessão da série Smartlab de trabalho decente do MPT (Ministério Público do Trabalho) e OIT (Organização Internacional do Trabalho demonstra que:

 

– Nos últimos dez anos, de 2012 a 2021, foram registradas no Brasil 22.954 mortes no mercado de trabalho formal. No informal não se sabe;

– Apenas em 2021 foram comunicados 571,8 mil acidentes e 2.487 óbitos associados ao trabalho;

– Houve aumento de 30% em relação a 2020, segundo dados atualizados do observatório de segurança e saúde no trabalho;

– Nesse período, o gasto previdenciário ultrapassou R$ 120 bilhões somente com despesas acidentárias;

– No contexto dos países do G-20 e das Américas o Brasil ocupa o segundo lugar em mortalidade no trabalho.

 

Hoje, o principal desafio das políticas do Estado brasileiro é promover o trabalho decente e a redução da vulnerabilidade ocupacional, o que contribuirá para a melhoria do bem-estar social e da saúde dos trabalhadores.

 

Para isso são necessárias urgentes iniciativas para reduzir o desemprego, combater o trabalho precário e erradicar as situações mais graves de exclusão e discriminação, uma vez que permanece elevada a proporção de trabalhadores sem emprego regular e/ou expostos a uma inserção ocupacional inadequada e insegura.

 

 é doutor em Direito das Relações Sociais pela PUC-SP, professor titular do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), mestre em Direito das Relações Sociais e Trabalhistas, membro da Academia Brasileira de Direito do Trabalho, consultor jurídico, advogado, procurador regional do Trabalho aposentado e autor de livros jurídicos, entre eles, Ação Civil Pública na Justiça do Trabalho.

Revista Consultor Jurídico

https://www.conjur.com.br/2022-out-14/reflexoes-trabalhistas-desafio-estado-brasileiro-garantir-trabalho-decente