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Desemprego cai, mas informalidade ainda bate recorde

Desemprego cai, mas informalidade ainda bate recorde

Taxa verificada no trimestre encerrado em julho é a menor desde 2015. Contratações com carteira assinada aumentam, embora a informalidade ainda seja recorde. 9,9 milhões de brasileiros continuam buscando uma vaga

FS
Fernanda Strickland
JG
João Gabriel Freitas*
RG
Rafaela Gonçalves

A taxa de desemprego no país caiu para 9,1% no trimestre encerrado em julho — 1,4 ponto abaixo do verificado no trimestre anterior, terminado em abril. É o menor índice da série desde o trimestre encerrado em dezembro de 2015, quando também chegou a 9,1%. A alta foi puxada pelas contratações com carteira assinada, embora também tenha crescido o número de trabalhadores informais.

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram, ainda, que o contingente de pessoas ocupadas foi de 98,7 milhões, um recorde na série histórica, iniciada em 2012. Mas um total de 9,9 milhões de brasileiros ainda continua em busca de uma vaga. O rendimento real habitual voltou a crescer e chegou a R$ 2.693 mensais.

O nível de ocupação (percentual de pessoas ocupadas entre a população em idade de trabalhar) ficou em 57%, queda de 1,1 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em abril e de 4,1 pontos na comparação com o mesmo período de 2021.

O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (sem contar domésticos) subiu 1,6% contra o trimestre anterior, alcançando 35,8 milhões. Entretanto, o número de trabalhadores informais alcançou 39,3 milhões, o maior patamar da série histórica — 559 mil pessoas a mais do que no trimestre anterior. Com isso, a taxa de informalidade ficou em 39,8% da população ocupada.

Tendências

Para a economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto, em tese, quanto menor o desemprego, maior a pressão dos trabalhadores por maiores salários, o que pode provocar alta nos preços. “O que se observa, contudo, é que a recuperação no mercado de trabalho se deve majoritariamente a uma acomodação da massa de trabalhadores desocupados dentro do mercado, que tem repercutido pouco sobre um possível aumento do salário real”, explicou. “Ademais, a Reag projeta que a taxa de desemprego deverá permanecer no patamar médio de 9%, com alguma movimentação para cima”, afirmou Pasianotto.

De acordo com o economista do Banco Original Eduardo Vilarim, a queda no desemprego reflete o bom desempenho da atividade no curto prazo, reflexo das medidas de transferência de renda, como o Auxílio Brasil, e da diminuição de impostos. “A mobilidade urbana cada vez maior, após a fase aguda da pandemia, também contribuiu para o avanço do setor de serviços, sobretudo presenciais”, disse.

Vilarim avaliou que a população ocupada tende a continuar avançando, mas a taxas decrescentes, acompanhando o ritmo heterogêneo das atividades setoriais, que tendem a sentir com mais força os efeitos defasados da alta das taxas de juros. “Indústria e varejo, mais intensivos em capital, tendem a desacelerar mais rápido os níveis de contratação do que o setor de serviços, mais intensivo em trabalho.”

Destaques

Adriana Beringuy, gerente da pesquisa do IBGE, frisou que “nenhuma atividade dispensou trabalhadores ou registrou perdas no trimestre”. Duas atividades se destacaram. No “comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas”, houve acréscimo de 692 mil pessoas no mercado de trabalho (alta de 3,7%) em comparação com o trimestre anterior. Já no setor “administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais”, o incremento foi de 648 mil pessoas (3,9%).

Saulo Batista, 22 anos, mora na Estrutural e foi contratado com carteira assinada em julho para uma vaga de vendedor em um comércio de automóveis. O jovem empreendia e almejava fazer intercâmbio no exterior, mas a crise econômica o fez deixar os planos de lado.

“Fiquei desempregado por um ano após fechar meu negócio, e ainda fui motorista de aplicativo. Tinha outras expectativas, só que a situação de saúde dos meus pais e o aperto nas contas me fizeram sair procurando emprego. Moro com eles e divido as contas, então foi um alívio em tudo quando consegui essa vaga”, disse Saulo.

*Estagiário sob a supervisão de Odail Figueiredo

Desemprego cai, mas informalidade ainda bate recorde

Emprego formal puxa crescimento da ocupação, mas ainda está distante de recorde, diz IBGE

Pelos dados da Pnad Contínua, a população ocupada teve um aumento de 2,154 milhões de pessoas no trimestre encerrado em julho

Por Lucianne Carneiro, Valor — Rio

O emprego formal foi o que mais contribuiu para a expansão do mercado de trabalho no trimestre encerrado em julho de 2022, mas ainda está distante do recorde alcançado em 2014. A avaliação foi feita pela coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Adriana Beringuy.

Pelos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), a população ocupada teve um aumento de 2,154 milhões de pessoas no trimestre encerrado em julho. Desse total, 560 mil vieram do mercado de trabalho informal, ou 26%. Isso significa que o mercado formal respondeu pelo restante.

“Hoje, quem mais está respondendo pelo crescimento da ocupação é a parcela formal. Diferente de outras situações no passado, em que era a informalidade respondia por 70% do crescimento. No trimestre, de fato a ocupação formal foi preponderante”, afirmou ela, ponderando, no entanto, sobre a qualidade do emprego.

“Se a gente pensar em qualidade do emprego, temos crescimento do empregado no setor privado com carteira assinada. Só que de fato a gente não se equiparou a recordes anteriormente verificados para essa série, enquanto no emprego sem carteira e no conta própria os recordes foram atingidos agora”, disse.

O número de trabalhadores com carteira assinada atingiu, no trimestre encerrado em julho, 35,801 milhões de pessoas. Na série comparável (trimestres encerrados em janeiro, abril, julho e outubro), o recorde da Pnad Contínua é de 37,594 milhões de trabalhadores com carteira, de julho de 2014.

Por outro lado, há recordes no trimestre encerrado em julho de 2022 tanto para o número de trabalhadores sem carteira (13,075 milhões) e no número de trabalhadores por conta própria (25,873 milhões), também considerando a séria histórica comparável.

“Há um espaço a ser percorrido pelo contingente de trabalhadores com carteira assinada até o recorde da série histórica. É uma diferença de quase dois milhões [1,93 milhão] de pessoas a menos agora com carteira do que era no maior patamar da série”, destacou.

Dois setores

Coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Adriana Beringuy destacou hoje que a redução da desocupação está disseminada pelas dez atividades econômicas acompanhadas pelo instituto. Ainda assim, mais de 60% das novas vagas criadas pelo mercado de trabalho no trimestre encerrado em julho, frente ao trimestre anterior, vieram de apenas dois setores (comércio e setor público), como mostrou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

“Esse processo da redução da desocupação está bastante disseminado pelas atividades. Mesmo aquele grupamento de serviços de tecnologia de informação, que cresce desde o início, continua crescendo. Também tem alguns serviços que mostraram recuperação mais no fim de 2021, os serviços presenciais. E nos últimos trimestres tivemos um crescimento bastante vigoroso no comércio e no setor público, por reflexo do pós-pandemia”, afirmou ela.

A população ocupada como um todo chegou a um recorde de 98,7 milhões no trimestre encerrado em julho, 2,154 milhões de pessoas a mais que no trimestre anterior. Todas as dez atividades econômicas registraram expansão das vagas no trimestre encerrado em julho de 2022, frente ao trimestre anterior, só que apenas duas delas foram classificadas pelo IBGE como crescimento: comércio e setor público. As outras oito variações foram consideradas estabilidade pelo instituto, por não terem variações significativas e estarem dentro da margem de erro da pesquisa.

No comércio, foi um acréscimo de 692 mil pessoas no mercado de trabalho, 3,7% a mais que no trimestre anterior. Já o setor público empregou 648 mil pessoas a mais, um aumento de 3,9% frente ao trimestre anterior.

Conteúdo originalmente publicado pelo Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor Econômico

VALOR INVESTE /// https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2022/08/31/emprego-formal-puxa-crescimento-da-ocupao-mas-ainda-est-distante-de-recorde-diz-ibge.ghtml

Desemprego cai, mas informalidade ainda bate recorde

Em pesquisa, 49% das mulheres com filhos relatam dificuldade de conseguir emprego

Problema já atingiu 49% das mulheres, ante 16% dos homens entrevistados por plataforma de negociação de dívidas

Por Isabel Filgueiras, Valor Investe — São Paulo

Pode chamar de “vitimismo” ou ainda “mimimi”, mas o fato é que o mercado de trabalho é muito mais espinhoso com as mulheres, sobretudo com as que se tornam mães. Não se trata só da velha conhecida desigualdade salarial. Vai além. O problema começa antes mesmo de conseguir a vaga.

Segundo a pesquisa da plataforma de negociação de dívidas Acordo Certo, quase metade (49%) das mulheres relata que já teve dificuldade para conseguir um emprego por terem filhos.

Por outro lado, para os pais, a prole não parece um impeditivo de carreira. Apenas uma minoria sofre com isso. Ser pai só contou contra 16% dos homens na hora de buscar recolocação, segundo o estudo que ouviu 1.664 pessoas.

A coisa só piora (um pouco) para os homens quando o levantamento aponta que ter de levar às crianças ao trabalho é algo que 46% das mulheres já tiveram de passar ante 24% dos homens. E quando metade delas afirmam que já tiveram de faltar ao trabalho para ficar com os filhos e apenas 22% alegam o mesmo motivo para não comparecer ao serviço, só mostra que a situação crítica começa de casa e explica porque ela pode repercutir na carreira.

Não é difícil entender porque isso ocorre. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem hoje cerca de 11 milhões de mães que criam os filhos sozinhas, sem ajuda de companheiro.

É um movimento que está longe de acabar. Dados recentes dos cartórios de Registro Civil do Brasil, apontam mais de 100 mil crianças foram registradas somente com o nome da mãe de janeiro a julho de 2022. No total, 6,5% dos recém-nascidos não têm nome do pai na certidão, quando o percentual era de 6%, em 2021.

São as mulheres a maioria dos beneficiários de programas como o Auxílio Brasil, porque mais de 60% dos lares chefiados por elas estão abaixo da linha da pobreza.

VALOR INVESTE /// https://valorinveste.globo.com/objetivo/empreenda-se/noticia/2022/09/01/em-pesquisa-49percent-das-mulheres-com-filhos-relatam-dificuldade-de-conseguir-emprego.ghtml

Desemprego cai, mas informalidade ainda bate recorde

STF pode investigar compra de imóveis com dinheiro vivo pelo clã Bolsonaro

Desde 1990, metade do patrimônio do clã Bolsonaro foi adquirido total ou parcialmente com dinheiro em espécie, conforme levantamento do UOL

O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), protocolou nesta quarta-feira (31) uma petição ao STF (Supremo Tribunal Federal) solicitando a investigação da compra de imóveis por parte do presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus familiares em transações realizadas com dinheiro vivo.

Desde 1990, metade do patrimônio do clã Bolsonaro foi adquirido total ou parcialmente com dinheiro em espécie, conforme levantamento do UOL. As compras somaram R$ 13, 5 milhões. Em valores corrigidos pelo IPCA, o valor equivale atualmente a R$ 25, 6 milhões.

Com isso, a ação pede que sejam tomados os depoimentos de Bolsonaro e seus familiares, além de “medidas acautelatórias indispensáveis ao esclarecimento dos fatos, como o bloqueio de contas e a busca e apreensão dos telefones celulares e computadores utilizados, a sua perícia e a imediata publicidade sobre os conteúdos que digam respeito ao manifesto interesse público”.

Para Randolfe, os fatos devem ser apurados com urgência para que o caso seja esclarecido e ocorra a reparação de eventuais danos ao erário. “O salário de um parlamentar não justifica esse patrimônio milionário. Por isso, é direito de todos os brasileiros a transparência sobre o uso indevido do dinheiro público”, destacou.

“Qual o problema”

Questionado sobre o caso, Bolsonaro não viu problema e disse que estava sendo perseguido junto com a família. “Qual o problema, comprar com dinheiro vivo algum imóvel? Investiga, meu Deus do céu, investiga. Quantos imóveis são?”, questionou.

Ele ainda tentou se justificar: “Já foi investigado. Desde quando eu assumi, 4 anos de pancada em cima do Flávio [Bolsonaro, senador], do Carlos [Bolsonaro, vereador], Eduardo [Bolsonaro, deputado federal], menos. Tenho cinco irmãos no Vale do Ribeira. O que eu tenho a ver com o negócio deles?”, argumentou.

Com informações da Assessoria de Comunicação do senador Randolfe Rodrigues

VERMELHO /// https://vermelho.org.br/2022/08/31/stf-pode-investigar-compra-de-imoveis-com-dinheiro-vivo-pelo-cla-bolsonaro/

Desemprego cai, mas informalidade ainda bate recorde

Sob Temer e Bolsonaro, educação perdeu R$ 74 bilhões com teto de gastos

Redução fez com que recursos para o MEC saíssem de R$ 103,9 bilhões em 2016 para R$ 80,9 bilhões em 2021, mostrando que nenhum dos dois governos priorizaram a educação

A Emenda Constitucional 95, que limita por 20 anos os gastos e investimentos do governo federal, representou um duro golpe para os serviços públicos e, consequentemente, para a população que depende deles. A educação é a pasta que mais sofreu com a medida, sancionada em 2016 sob o governo de Michel Temer (MDB) e mantida por Jair Bolsonaro (PL). De lá para cá, o MEC perdeu R$ 74 bilhões para outras áreas, segundo levantamento feito pela Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara.

Com as limitações impostas pela norma, os recursos acabam sendo direcionados mais para um ministério do que para outro, conforme as prioridades governamentais. E o alto valor que deixou de ser aplicado em educação mostra que esta área ficou longe de ser tratada com a devida importância tanto por Temer como por Bolsonaro.

Tal redução fez com que os recursos saíssem de R$ 103,9 bilhões em 2016, ainda antes da emenda passar a vigorar, para R$ 80,9 bilhões em 2021, em valores já corrigidos pela inflação. E entre 2015 e 2022, as despesas discricionárias — aquelas que não são obrigatórias — com o MEC passou de 21,4% para 17%.

A essa situação já grave soma-se, ainda, a queda nos repasses ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), advinda de cortes no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), este último anunciado mais recentemente pelo governo Bolsonaro como forma de reduzir os preços dos combustíveis e, assim, ajudar o presidente na disputa eleitoral. A estimativa é que estados e municípios percam no próximo ano mais de R$ 80 bilhões somente com a redução do ICMS.

Embora siga defendendo a manutenção do teto de gastos, em mais de uma ocasião o governo Bolsonaro o furou, conforme, novamente, aquilo que julga ser prioritário. Até o momento, o atual governo já estourou o teto em R$ 213 bilhões, segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado. Um exemplo foi o aumento do Auxílio Brasil para R$ 600, concedido às pressas neste ano para que o presidente pudesse colher a tempo os frutos eleitorais da medida.

VERMELHO /// https://vermelho.org.br/2022/08/31/sob-temer-e-bolsonaro-educacao-perdeu-r-74-bilhoes-com-teto-de-gastos/