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Motorista que trabalhava 16 horas diárias e só tinha dois domingos de folga por mês obtém indenização

Motorista que trabalhava 16 horas diárias e só tinha dois domingos de folga por mês obtém indenização

A indenização por dano existencial foi fixada em R$ 15 mil. Esse tipo de dano ocorre quando há excesso de horas trabalhadas, o que prejudica a convivência social e familiar

Um motorista que cumpria jornadas de até 16 horas, com apenas dois domingos de folga por mês, obteve R$ 15 mil de indenização por dano existencial. A decisão da 2ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS) reformou a sentença do Posto Avançado da Justiça do Trabalho de Marau. O dano existencial ocorre quando há excesso de horas trabalhadas, o que prejudica a convivência social e familiar, podendo inviabilizar outros projetos de vida do trabalhador.

De acordo com informações do processo, o motorista foi admitido em 2015 e trabalhou na transportadora até 2017, em viagens a cidades como São Paulo, Santiago e Buenos Aires, transportando cargas perecíveis. Ao ajuizar a ação, ele afirmou que iniciava seu expediente por volta das 5h e trabalhava até 22 ou 23h, além de precisar ficar esperando na aduana em algumas ocasiões, durante de 24 ou 48 horas. Também alegou que não usufruía de todas as folgas semanais a que teria direito. Diante disso, além de outros direitos trabalhistas, pleiteou o pagamento da indenização por dano existencial.

Entretanto, ao julgar o pedido em primeira instância, a juíza de Marau entendeu não ficar comprovado o prejuízo sofrido pelo trabalhador em decorrência do excesso de jornada. Segundo a magistrada, a jornada excessiva não caracteriza, por si só, o dano existencial, sendo necessária a comprovação de que houve prejuízo efetivo na vida pessoal do trabalhador. “No presente caso, apesar de terem sido deferidas horas extras à parte autora, não há comprovação de que o trabalho executado pelo reclamante pudesse comprometer sua capacidade de fruir de sua própria vida de forma a justificar uma indenização por danos existenciais”, concluiu. Insatisfeito com esse entendimento, o motorista recorreu ao TRT-4.

Dano caracterizado

Ao relatar o processo na 2ª Turma do TRT-4, o desembargador Carlos Alberto May concordou com o julgamento de primeira instância e voltou a indeferir o pedido de indenização. No entanto, o desembargador Marçal Henri dos Santos Figueiredo, também integrante do colegiado, apresentou voto divergente. Segundo o magistrado, apesar da sobrejornada não ser suficiente para caracterizar o dano existencial, no caso do processo a quantidade de horas trabalhadas e a ausência de folgas explicitam uma jornada rotineiramente exaustiva, capaz de gerar prejuízos na convivência familiar e social do motorista.

O desembargador mencionou, também, o descumprimento da regra do intervalo entre duas jornadas de trabalho, que não pode ser inferior a 11 horas, conforme a CLT.

Nesse sentido, o magistrado considerou evidenciado o dano e o respectivo dever de indenizar. O entendimento tornou-se prevalecente no julgamento a partir da concordância do desembargador Alexandre Corrêa da Cruz com o voto divergente. As partes ainda podem recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Fonte: TRT da 4ª Região (RS)

https://www.csjt.jus.br/web/csjt/-/motorista-que-trabalhava-16-horas-di%C3%A1rias-e-s%C3%B3-tinha-dois-domingos-de-folga-por-m%C3%AAs-obt%C3%A9m-indeniza%C3%A7%C3%A3o

Motorista que trabalhava 16 horas diárias e só tinha dois domingos de folga por mês obtém indenização

Nota técnica do MPF contesta ‘mínimo existencial’ de R$ 303 e pede revisão de decreto federal

Valor mensal que não pode ser comprometido para quitar dívidas é ‘irrisório’ e aumenta vulnerabilidade dos mais pobres, diz documento. Cifra corresponde a 25% de um salário mínimo.

Por g1 e TV Globo — Brasília

Segundo a Lei do Superendividamento, esse valor – equivalente a 25% do salário mínimo atual, de R$ 1.212 – não pode ser comprometido com o pagamento ou a renegociação de dívidas. O decreto que fixou o valor foi assinado por Bolsonaro no fim de julho, mas só entra em vigor em setembro.

De acordo com o Ministério Público, no entanto, o valor aumenta a vulnerabilidade dos mais pobres e estimula o superendividamento brasileiro.

A nota técnica avalia que o decreto presidencial desvirtuou a intenção da Lei do Superendividamento de preservar os direitos do consumidor e equilibrar as relações de consumo.

O documento foi elaborado pelo Grupo de Trabalho Consumidor, vinculado à Câmara de Consumidor e Ordem Econômica do MPF.

“É notório que tal valor é irrisório para assunção realizável dos compromissos domésticos mais basilares. Além disso, a ampla margem disponibilizada para endividamento não contribuiria para a sustentabilidade nem das relações de consumo, nem do mercado de crédito”, diz a nota.

O documento aponta como problema, ainda, o fato de o decreto assinado por Bolsonaro prever a reserva de R$ 303 apenas para dívidas ligadas ao consumo. Isso significa que débitos relacionados a financiamentos imobiliários, tributos e crédito consignado, por exemplo, podem incidir sobre esse “mínimo existencial” – reduzindo ainda mais a renda mensal disponível para o devedor.

O Ministério Público avalia que essa diferenciação viola o Código de Defesa do Consumidor – que define expressamente a avaliação conjunta de todos os compromissos financeiros assumidos na relação de consumo ao lidar com o tema do superendividamento.

Mínimo existencial

A garantia do mínimo existencial é a quantia mínima da renda de uma pessoa para pagar despesas básicas e que não poderá ser usada para quitar as dívidas. Essa medida impede que o consumidor contraia novas dívidas para pagar contas básicas, como água e luz.

Nem todas as dívidas vão ser levadas em conta para o cálculo do mínimo existencial. Parcelas de financiamento imobiliário, por exemplo, não entram na conta.

G1 /// https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/08/15/nota-tecnica-do-mpf-contesta-minimo-existencial-de-r-303-e-pede-revisao-de-decreto-federal.ghtml

Motorista que trabalhava 16 horas diárias e só tinha dois domingos de folga por mês obtém indenização

Mais de um terço dos palanques escondem Bolsonaro nas redes sociais

Os aliados de primeira hora como o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), escondem o presidente nas campanhas de seus aliados estaduais

Levantamento realizado pela Folha de São Paulo revelou que mais de um terço dos palanques regionais escondem Bolsonaro nas redes sociais. A maioria deles está no Nordeste e Norte do país, mas aliados do Paraná e Mato Grosso também aparecem abandonando o presidente neste início de campanha eleitoral.

De acordo com a Folha, dos 27 palanques que Bolsonaro já tem garantidos na corrida pela reeleição, dez não fizeram menção ou expuseram sua imagem no Twitter e no Instagram no atual semestre.

São eles: Wilson Lima (União Brasil) no Amazonas, Clecio Luis (Solideriedade) no Amapá, Capitão Wagner (União Brasil) no Ceará, Weverton Rocha (PDT) no Maranhão, Mauro Mendes (União Brasil) no Mato Grosso, Ratinho Júnior (PSD) no Paraná, Fábio Dantas (Solidariedade) Rio Grande do Norte, Teresa Surita (MDB) Roraima, Valmir de Francisquinho (PL) no Piauí,e Ronaldo Dimas (PL) no Tocantins.

Mesmo com a adesão a sua candidatura do senador Roberto Rocha (PTB) e o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL), ambos bolsonaristas, o senador Weverton Rocha (PDT), candidato ao governo, tem indicado apoio a Lula na eleição.

Ratinho Junior (PSD), governador do Paraná que concorre à reeleição, é o único do Sul que esconde Bolsonaro. Cláudio Castro (PL), candidato ao governo fluminense, até mostra o aliado, mas apenas fez referências no Twitter e, inclusive, não o citou durante o primeiro debate na TV Bandeirantes.

“Palanque de Bolsonaro no Distrito Federal, o candidato à reeleição Ibaneis Rocha (MDB) é outro que expõe o atual presidente timidamente, com apenas uma postagem neste semestre. Também no Centro Oeste, Mauro Mendes (União Brasil), que tenta a reeleição em Mato Grosso, não mostra o presidente”, diz o jornal.

Reportagem do Estadão já havia exposto que os aliados de primeira hora como o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), escondem o presidente nas campanhas de seus aliados estaduais.

No Piauí, estado de Ciro Nogueira, o diretório estadual do PP acionou o Tribunal Regional Eleitoral para tentar proibir a circulação de imagens de seus candidatos ao lado do presidente.

A sigla, que é controlada pelo ministro-chefe da Casa Civil, diz à Justiça Eleitoral que o presidente “possui altíssimo índice de rejeição em pesquisas mais recentes” e avisa que o material que circula no WhatsApp dos seus candidatos ao lado do presidente é “fake news”. Contudo, o TRE negou o pedido alegando que as mensagens estão no limite da liberdade de expressão e comunicação.

Já Arthur Lira, segundo reportagem do jornal paulista, também esconde o presidente na sua propaganda em Alagoas.

“Suas publicações o apresentam como ‘Arthur Lira é foda’ e não trazem menção a Bolsonaro. Com R$ 16,5 bilhões de orçamento secreto para distribuir entre seus aliados no Congresso, os marqueteiros de Lira apostam na imagem de um tocador de obras independente e padrinho direto dos recursos para o Estado”, publicou o veículo.

VERMELHO | https://vermelho.org.br/2022/08/15/mais-de-um-terco-dos-palanques-escondem-bolsonaro-nas-redes-sociais/

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Constituição brasileira já teve 131 mudanças, 26 somente sob Bolsonaro

Período Bolsonaro foi o que mais aprovou PECs, 26. Dentre elas está a proposta que autorizou o uso de mais de R$ 41 bilhões em benefícios pouco antes das eleições

Desde 2019 até agora, a Constituição sofreu 26 alterações, 11 somente em 2022. Ao todo, desde sua promulgação, em 1988, a Carta Magna já teve 131alterações. O festival de enxertos vai na contramão de outros países, que encaram suas constituições como uma instituição a ser preservada e poupada de oportunismos e interesses de ocasião.

Segundo levantamento apresentado pelo jornal O Estado de S.Paulo, o Brasil foi o que mais promoveu mexidas na Constituição entre 11 países, considerando inclusive vizinhos da América Latina. A Argentina, por exemplo, fez apenas sete alterações desde 1853; o Chile, 60 desde 1980. Já nos Estados Unidos, cuja Constituição tem 233 anos, até hoje houve somente 27 mudanças. O período Bolsonaro só perde para o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, quando foram aprovadas 19 PECs.

Para que uma emenda seja aprovada, são necessários votos de 308 deputados e 49 senadores, com votação em duas etapas nas duas casas legislativas. Mas, não é necessário que o Congresso consulte nenhum órgão para levar adiante esse tipo de proposta e uma vez aprovada, não depende de sanção do presidente da República para vigorar. Em outros países, o quórum muito vezes é maior ou rito é mais demorado.

A forma como se dá o processo no Brasil, embora dependa de um número maior de parlamentares do que outros tipos de matéria, facilita o trâmite e pode levar, muitas vezes, à aprovação de pautas que podem prejudicar o país, mas que são convenientes especialmente para o presidente de plantão.

O mais recente exemplo foi a promulgação da PEC Eleitoral, também conhecida como PEC do Desespero ou Kamikaze, que deu a Bolsonaro a possibilidade de gastar, às vésperas do pleito presidencial, mais de R$ 41 bilhões em benefícios sociais que se estendem somente até o fim do ano, iniciativa com claro interesse eleitoral.

Ainda no primeiro ano do mandato de Bolsonaro, foi também aprovada a PEC da reforma da previdência, que atacou os direitos de trabalhadores, aposentados e pensionistas.

(PL)

VERMELHO | https://vermelho.org.br/2022/08/15/constituicao-brasileira-ja-teve-131-mudancas-26-somente-sob-bolsonaro/

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Maioria dos parlamentares vota contra pautas de interesse do povo

Congresso mais à direita tem se posicionado majoritariamente contra pautas de interesse dos trabalhadores e a favor de outras que atacam o meio ambiente e os indígenas

Boa parte do parlamento brasileiro ainda é pouco permeável a pautas de interesse dos trabalhadores e da sociedade. Cerca de 68% da Câmara têm votado contra o meio ambiente, indígenas e trabalhadores rurais. E quase metade dos deputados e senadores da atual legislatura votaram contra matérias favoráveis à classe trabalhadora.

O primeiro dado foi aferido pelo Ruralômetro, plataforma do site Repórter Brasil. De acordo com a ferramenta, 68% da Câmara, ou dois a cada três deputados, foram favoráveis a medidas que contribuíram para o desmonte socioambiental promovido pelo governo de Jair Bolsonaro (PL).

Conforme aponta o site, esses parlamentares apresentaram projetos de lei e votaram mudanças legislativas que prejudicam a fiscalização ambiental, favorecem atividades econômicas predatórias, precarizam a legislação trabalhista, dificultam o acesso a benefícios sociais e travam a reforma agrária, dentre outros retrocessos apontados por organizações socioambientais.

Para chegar a tal conclusão, foram analisadas 28 votações nominais e 485 projetos de lei apresentados na atual legislatura. As propostas e os votos foram classificados a partir da análise de 22 organizações especializadas em temas sociais, ambientais e trabalhistas.

Segundo destacou ao site o cientista político Cláudio Couto, professor de gestão pública da FGV (Fundação Getulio Vargas), “com a onda bolsonarista de 2018, foi eleito um Congresso muito mais à direita que os anteriores. E ainda temos um governo anti-indígena e antiambiental, que construiu uma base de apoio no Legislativo com o centrão e dá reforço institucional a essa agenda radical e regressiva”.

Dentre alguns desses projetos aprovados destacam-se o PL 6.299/2002, que libera o uso de agrotóxicos, incluindo os comprovadamente cancerígenos, sem necessidade de aprovação da Anvisa; o PL 2633/2020, que afrouxa a fiscalização fundiária e facilita a grilagem de terras públicas, e o PL 3729/2004, ou Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que elimina o licenciamento em alguns casos, cria o autolicenciamento em outros e enfraquece o papel das agências ambientais.

Outro levantamento, este feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), aponta que 49,6% dos parlamentares votaram contra propostas de interesse da sociedade e dos trabalhadores.

Os dados resultam de análise feita a partir da plataforma “Quem foi quem no Congresso Nacional”, lançada recentemente pelo Diap e disponível em seu site. Segundos os dados colhidos pelo órgão, tendo como base a posição adotada durante as votações nas duas Casas, do universo total de deputados e senadores, que somam 594 parlamentares, 295 votaram contra todas as propostas de interesse da classe trabalhadora. Foram favoráveis 129 parlamentares, ou 21,7% do total.

Entre as matérias analisadas estão, por exemplo, a PEC 6/2019, da reforma da previdência (aposentadorias e pensões). O primeiro turno no Senado teve 56 votos favoráveis contra apenas 19 contrários; o segundo, manteve praticamente a mesma configuração: 60 a 19. A política de valorização do salário mínimo, por sua vez, teve, na votação do mérito, 222 deputados contrários e 126 favoráveis aos trabalhadores.

VERMELHO | https://vermelho.org.br/2022/08/15/maioria-dos-parlamentares-votam-contra-pautas-de-interesse-do-povo/