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Movimentos convocam atos pelo fim da escala 6×1 no dia 30

Movimentos convocam atos pelo fim da escala 6×1 no dia 30

Plenária nacional avalia chance de votação no Senado e orienta pressão nas ruas, redes e locais de trabalho antes do esforço concentrado de 31 de agosto a 4 de setembro

As Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, o Fórum das Centrais Sindicais e o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) decidiram nesta segunda-feira (24) intensificar a mobilização nacional pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Em plenária virtual, representantes de diferentes estados avaliaram que a tramitação da proposta no Senado abriu uma possibilidade concreta de votação antes das eleições.

 

O principal encaminhamento foi transformar o próximo domingo (30/8) em um Dia Nacional de Mobilização, com atos de rua em todo o país. A estratégia busca pressionar os senadores na semana de esforço concentrado, prevista para 31 de agosto a 4 de setembro.

A avaliação das organizações é que a pressão social será determinante para impedir novas manobras regimentais e garantir que a proposta avance na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, no plenário. “A rua” foi apresentada ao longo da plenária como elemento decisivo para transformar a possibilidade de votação em uma vitória efetiva.

PEC pode avançar no Senado

A PEC foi encaminhada à CCJ na semana passada. O senador Omar Aziz foi designado relator e, segundo os relatos apresentados na plenária, havia expectativa de que seu relatório fosse apresentado na quinta-feira (27).

Bianca Borges, presidenta da UNE e representante da Frente Brasil Popular, afirmou que uma sinalização do líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, apontava para a possibilidade de apreciação da matéria pela CCJ em 2 de setembro.

A conjuntura, portanto, mudou de patamar. A proposta já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados, resultado considerado pelas organizações uma vitória importante. Agora, o objetivo é evitar que pedidos de audiência pública, vista ou outros mecanismos regimentais sejam utilizados para retardar a tramitação.

A mobilização do dia 30 terá justamente essa função: aumentar o custo político de qualquer tentativa de impedir a votação.

Pressão busca unir ruas, Congresso e locais de trabalho

João Carlos Gonçalves, o Juruna, da Força Sindical, ressaltou que a mobilização já vem ocorrendo nos locais de trabalho, nas portas das fábricas, nos terminais de transporte e em outros pontos de grande circulação.

Segundo ele, as centrais também vêm realizando conversas com senadores e desenvolveram campanha pública pela redução da jornada. A reunião nacional dos presidentes das centrais, marcada para esta terça-feira (25), deverá definir novas iniciativas de pressão sobre o Senado.

Na plenária, ficou reforçada a necessidade de combinar mobilização presencial e atuação nas redes sociais. A orientação é produzir vídeos, cards, convocações e outras peças digitais para colocar o fim da escala 6×1 no centro do debate público durante a semana.

A estratégia também pretende envolver artistas, influenciadores, personalidades, parlamentares e candidaturas comprometidas com a pauta.

Cidades já preparam atos

São Paulo confirmou um dos principais atos nacionais. A mobilização será realizada domingo, a partir das 9 horas, em frente ao Masp, na Avenida Paulista, com concentração até o meio-dia.

A organização pretende envolver movimentos sociais, centrais, parlamentares e candidaturas. Artistas também serão convidados para participar da convocação e fazer falas durante o ato.

Em Salvador, a concentração está prevista para 9 horas, no Cristo da Barra, com caminhada até o Farol da Barra, onde haverá ato político e cultural, com possibilidade de participação da ministra da Cultura, Margareth Menezes.

Em Porto Alegre, a confirmação da presença de Lula no estado em 28 de agosto levou as organizações a avaliarem a possibilidade de antecipar parte da mobilização para aproveitar a concentração popular em torno da agenda presidencial. Em Santa Catarina, as organizações relataram uma marcha realizada na semana passada que reuniu mais de 3 mil pessoas em defesa do fim da escala 6×1. Para a próxima etapa, está em discussão uma mobilização local e o deslocamento de trabalhadores para Brasília.

Em Minas Gerais, uma reunião ampla da Frente Brasil Popular e dos movimentos sociais está prevista para esta quarta-feira, quando deverá ser definido o ato. Na Paraíba, os sindicatos planejam ações nas portas de fábricas, no comércio e nos call centers de Campina Grande. No Paraná, a indicação é de ato no Largo da Ordem, em Curitiba, às 10 horas do dia 30.

Brasília será foco entre 1º e 3 de setembro

Além dos atos estaduais no dia 30, as centrais planejam intensificar a presença em Brasília durante a semana de esforço concentrado.

Segundo Ronaldo Leite, secretário-geral da CTB e representante das centrais, os presidentes das entidades estarão na capital federal e deverão construir uma estratégia conjunta de mobilização entre 1º e 3 de setembro, com participação em atividades no Congresso, reuniões com senadores e ações de pressão.

A plenária também discutiu o custo de deslocamento de dirigentes de estados distantes. Como alternativa, foi mencionada a possibilidade de contar com representações de organizações do Distrito Federal quando não for possível enviar delegações completas.

A orientação nacional, porém, é clara: a principal demonstração de força deve ocorrer nos estados, no dia 30.

“Mais perto da vitória do que nunca”

A avaliação compartilhada pelas Frentes é que a campanha eleitoral cria dificuldades para a agenda dos movimentos, mas não deve impedir a mobilização de uma pauta considerada histórica para a classe trabalhadora.

A reivindicação defendida pelas organizações vai além da eliminação da escala 6×1: inclui escala de cinco dias de trabalho por dois de descanso, redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e manutenção dos salários.

A palavra de ordem que prevaleceu na reunião foi a de que a aprovação está mais próxima, mas não está garantida. Para as organizações, cabe agora às ruas, aos locais de trabalho e às redes transformar a possibilidade de votação em pressão política suficiente para que o Congresso não tenha como adiar novamente a decisão.

por Cezar Xavier

Fonte: VERMELHO

https://vermelho.org.br/2026/08/25/movimentos-convocam-atos-pelo-fim-da-escala-6×1-no-dia-30/

Movimentos convocam atos pelo fim da escala 6×1 no dia 30

Durigan defende foco em pautar fim da escala 6×1 e abaixar taxa de juros

Ministro da Fazenda afirmou que governo deve manter avanços obtidos na política econômica e criticou forças políticas que, segundo ele, defendem medidas adotadas por governos anteriores

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (21/8) que o governo federal deve manter as medidas econômicas adotadas nos últimos anos e apontou a redução dos juros e a discussão sobre a jornada de trabalho como temas que precisam avançar.

“O nosso foco daqui para frente não é retroagir, nós não podemos voltar atrás dessas melhorias que nós alcançamos. Mas tem aspectos que têm que melhorar, e eu vou destacar o aspecto da jornada de trabalho, além disso, enfrentar o tema dos juros”, afirmou em entrevista à Rádio Metrópole, da Bahia.

Durigan também criticou setores do mercado que, segundo ele, demonstram preferência pelas forças políticas que governaram o país até 2022. O ministro afirmou que medidas adotadas naquele período foram irresponsáveis.

“Eu me indigno muito quando se diz que o mercado torce — ou setores do mercado torcem — para as forças políticas que governaram o país até 2022. Eu fico impressionado porque, naquele período, foram aprovadas medidas irresponsáveis”, disse, fazendo alusão à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ao comentar a possibilidade de retorno dessas forças políticas ao governo por meio do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), Durigan questionou a capacidade do clã de construir um consenso em torno de medidas fiscais e econômicas.

“O que nós devemos acreditar? Que a família Bolsonaro vai propor um consenso superior de tratativas fiscais para encaminhar pacificamente no diálogo com as supremas medidas econômicas? ”, questionou. Para o ministro, o governo deve buscar conciliar o controle das contas públicas com a manutenção de políticas sociais.

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/08/7484533-durigan-defende-foco-em-pautar-fim-da-escala-6×1-e-abaixar-taxa-de-juros.html

Movimentos convocam atos pelo fim da escala 6×1 no dia 30

Aliado de Lula, Omar Aziz vai relatar a PEC do fim da escala 6×1

O nome do senador foi negociado entre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre o o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), também um aliado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), despachou oficialmente, nesta sexta-feira (21), para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a proposta que acaba com escala 6×1. Para a relatoria, foi designado um aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Omar Aziz (PSD-AM).

Após a oficialização, negociada entre Alcolumbre o o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), o parlamentar publicou vídeo nas redes sociais, no qual agradece aos dois. “Quero agradecer ao senador Davi Alcolumbre e ao senador Otto Alencar pela confiança em me passar uma relatoria tão importante para os trabalhadores brasileiros. Tenho a certeza de que nós vamos dar a maior agilidade possível, até porque se tratando de uma PEC tem prazo para ser cumprida”, disse Aziz.

O senador, que já defendeu publicamente o fim da escala, afirmou que vai dialogar com os seus pares, mas adiantou que seu parecer será favorável. “Quero ouvir meus colegas senadores, porque a relatoria não é só minha, tem a participação dos membros do Congresso Nacional. E a 6×1, nós vamos acabar com ela. A 5×2 dará saúde mental aos trabalhadores.”

Aprovada na Câmara dos Deputados em 27 de maio, o texto tem o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) como primeiro signatário. A proposta altera a Constituição para reduzir a carga horária máxima de trabalho para 40 horas semanais.

A PEC também garante dois dias de repouso semanal remunerado, sem diminuição de salário. A mudança será aplicada progressivamente e inclui exceções para trabalhadores com regimes diferenciados e para aqueles com salários mais elevados e diploma de nível superior.

Segurança pública

Também ontem, Alcolumbre encaminhou à CCJ a PEC da Segurança Pública, que será relatada por Rogério Carvalho (PT-SE), outro aliado de Lula. As matérias chegaram à CCJ uma semana após Lula e Alcolumbre retomarem o diálogo, depois de três meses de distanciamento, após a rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Após o início da tramitação das PECs na CCJ do Senado, a senadora Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo na Casa, afirmou que o avanço das matérias foi resultado do “diálogo institucional”.

“As PECs do fim da jornada 6×1 e da Segurança Pública, prioridades absolutas do presidente Lula, avançam como resultado do diálogo institucional e de um intenso trabalho de articulação. Desde que assumi a liderança do Governo, tenho atuado para construir os entendimentos necessários e fazer com que pautas tão importantes para a vida dos brasileiros avancem”, afirmou. (com Agência Senado)

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2026/08/7485077-aliado-de-lula-omar-aziz-vai-relatar-a-pec-do-fim-da-escala-6×1.html

Movimentos convocam atos pelo fim da escala 6×1 no dia 30

Viúva e filha de morto em acidente com trator serão indenizadas em R$ 400 mil

A Vara do Trabalho de Nanuque (MG) determinou o pagamento de indenização à filha de um trabalhador que morreu em um acidente com trator em uma fazenda de cana-de-açúcar no Vale do Mucuri, no Nordeste de Minas Gerais, antes mesmo de ela nascer.

A decisão concluiu que o empregado operava a máquina sem treinamento adequado e em condições inseguras quando sofreu o acidente fatal.

Pela decisão, a empresa deverá pagar indenização por danos morais de R$ 150 mil à companheira do trabalhador e de R$ 250 mil à filha, que ainda estava no ventre da mãe quando ocorreu o acidente.

Além disso, a ré foi condenada ao pagamento de pensão mensal às duas beneficiárias. O valor foi calculado com base em 70% do salário do empregado, percentual que, segundo o entendimento adotado pelo juiz, representaria a parcela da renda destinada ao sustento da família.

A quantia será dividida igualmente entre a companheira e a filha. Cada uma receberá R$ 619,50 por mês, com 13 parcelas anuais. A filha terá direito ao benefício até completar 21 anos, enquanto a companheira receberá a pensão até a idade em que o trabalhador completaria 75,6 anos.

Acidente com trator

O acidente ocorreu em dezembro de 2024. Contratado como motorista de caminhão-pipa, o trabalhador passou a operar um trator utilizado na atividade rural da fazenda. Segundo a sentença, realizando uma função diferente daquela para a qual fora contratado.

Durante o processo, testemunhas afirmaram que era comum a empresa permitir que empregados fossem treinados informalmente para atuar como tratoristas e que os equipamentos apresentavam problemas frequentes nos freios.

Um técnico de segurança do trabalho relatou, inclusive, que havia recomendado a paralisação de tratores para manutenção, orientação que não teria sido atendida.

A empresa não negou a ocorrência do acidente, mas sustentou que a responsabilidade era exclusivamente do trabalhador. Segundo a defesa, ele solicitou por conta própria a autorização para operar o trator, sem consentimento formal da empregadora.

A ré também contestou parte das provas apresentadas pela família, especialmente mensagens trocadas por WhatsApp.

Convívio paterno

Ao analisar as provas, o juiz Nelson Henrique Rezende Pereira concluiu que a empresa falhou em treinar, fiscalizar e garantir condições seguras de trabalho.

Para o magistrado, a morte do empregado decorreu da negligência da empregadora, que permitiu a operação do trator sem a adoção das medidas necessárias de segurança.

“Não há nos autos evidência de culpa exclusiva ou mesmo concorrente do trabalhador para a ocorrência do acidente, tampouco de que ele era imprudente, negligente ou que descumpria orientações na execução de suas atividades”, ressaltou o julgador.

Ao justificar a indenização por danos morais, o juiz destacou que a companheira perdeu o suporte emocional e financeiro do trabalhador durante a gestação e ao longo da criação da filha.

Em relação à criança, ressaltou que ela ainda estava no ventre materno quando o pai morreu e, por isso, foi privada do convívio paterno desde o nascimento.

A sentença também menciona a ausência do nome do pai no registro civil da menina, a necessidade de reconhecimento judicial da paternidade e os impactos emocionais decorrentes dessa situação.

Houve recurso, que aguarda a data do julgamento no TRT-3. Com informações da assessoria de imprensa do TRT-3

Clique aqui para ler a sentença
ATOrd 0010206-09.2026.5.03.0146

Fonte: CONJUR

https://conjur.com.br/2026-ago-25/bebe-que-perdeu-o-pai-antes-de-nascer-recebera-r-250-mil-de-indenizacao/

Movimentos convocam atos pelo fim da escala 6×1 no dia 30

MPT defende análise caso a caso de vínculo no trabalho por aplicativos

Manifestação foi apresentada antes de julgamento do STF sobre relações de emprego de motoristas e entregadores com Uber e Rappi.

Da Redação

Na próxima quinta-feira, 27, o STF deve retomar a análise de dois processos que discutem a existência de vínculo de emprego entre trabalhadores e plataformas digitais.

Para o MPT – Ministério Público do Trabalho, a definição deve considerar as circunstâncias concretas de cada relação, sem uma conclusão automática de que motoristas e entregadores sejam empregados ou autônomos.

Em pauta estão o RE 1.446.336, Tema 1.291 da repercussão geral, que trata do vínculo entre motoristas e a Uber, e a Rcl 64.018, na qual a Rappi questiona decisões da Justiça do Trabalho que reconheceram relação empregatícia com entregadores.

O que diz o MPT?

Em manifestação apresentada ao Supremo, o MPT defendeu que a existência ou não de vínculo seja definida a partir da forma como o trabalho é efetivamente prestado.

Segundo o órgão, deve prevalecer o princípio da primazia da realidade, pelo qual a natureza jurídica da relação não é determinada apenas pela denominação adotada pelas partes ou pelo conteúdo do contrato, mas pelas condições concretas da prestação dos serviços.

Nesse sentido, o MPT afirma que fatores como o modo de execução do trabalho, a forma de remuneração, o controle e a gestão da atividade, a supervisão, a aplicação de sanções e o uso de algoritmos ou sistemas automatizados devem ser considerados para verificar, em cada caso, se estão presentes os requisitos da relação de emprego.

Para o órgão, o precedente a ser formado pelo Supremo não ficará restrito à Uber ou ao setor de transporte e entregas. A tese poderá repercutir sobre outras atividades intermediadas por plataformas digitais e influenciar a forma de contratação de trabalhadores em diferentes segmentos da economia.

O MPT sustenta, por isso, que o STF não deve afastar de forma genérica a possibilidade de vínculo no trabalho por plataformas. A Corte, segundo a manifestação, deve estabelecer parâmetros capazes de distinguir as situações em que há relação de emprego daquelas em que existe efetiva autonomia.

Além da discussão sobre o enquadramento jurídico, o órgão defende que todos os trabalhadores de plataformas tenham assegurado um patamar mínimo de direitos, independentemente de serem considerados empregados ou autônomos.

Entre as garantias mencionadas estão liberdade sindical e negociação coletiva, ambiente de trabalho seguro e saudável, proteção contra violência e assédio, seguridade social, transparência algorítmica, proteção de dados pessoais, mecanismos contra suspensão ou desativação indevida de contas e dever de informação.

Convenção 193

A posição do MPT tem como uma de suas bases a Convenção 193 da OIT – Organização Internacional do Trabalho, aprovada em 12 de junho e voltada ao trabalho em plataformas digitais.

Os processos estavam inicialmente previstos para julgamento em 24 de junho, mas foram retirados da pauta. Na ocasião, o presidente do Supremo e relator do recurso da Uber, ministro Edson Fachin, determinou que as partes e os amici curiae se manifestassem sobre as novas diretrizes internacionais.

Na manifestação, o MPT reconhece que a Convenção ainda não foi ratificada pelo Brasil e, portanto, não constitui fonte formal do Direito interno. Defende, contudo, que o texto pode ser utilizado como fonte material e como vetor de interpretação das normas brasileiras já existentes.

O órgão sustenta que a Convenção não define previamente se os trabalhadores de plataformas são empregados ou autônomos. A norma deixa aos países a tarefa de estabelecer o enquadramento jurídico conforme a legislação interna e a realidade dos fatos.

Ao mesmo tempo, o texto internacional estabelece um conjunto de garantias aplicáveis aos trabalhadores de plataformas independentemente da classificação jurídica da relação, alcançando empregados, autônomos e outros modelos de contratação.

Entre os temas tratados estão remuneração, seguridade social, saúde e segurança, proteção de dados, transparência algorítmica e mecanismos de revisão de decisões automatizadas.

Recentemente, o governo Federal informou que está concluindo uma proposta de ratificação da Convenção para encaminhamento ao Congresso Nacional.

Motoristas da Uber

No RE 1.446.336, o Supremo analisará se pode ser reconhecido vínculo de emprego entre motoristas e a Uber.

A controvérsia teve origem em ação trabalhista na qual uma motorista buscou o reconhecimento da relação empregatícia com a plataforma.

Em 1ª instância, o pedido foi julgado improcedente. O TRT da 1ª região, porém, reformou a sentença e reconheceu o vínculo, condenando a empresa ao pagamento das verbas trabalhistas correspondentes.

O TST manteve o entendimento. Para a Corte Trabalhista, a Uber deve ser considerada empresa de transporte, e não apenas plataforma digital de intermediação. O Tribunal afastou somente a condenação ao pagamento de indenização por danos extrapatrimoniais, preservando os demais pontos da decisão.

Ao recorrer ao Supremo, a Uber sustenta que o reconhecimento do vínculo viola o princípio constitucional da livre iniciativa e contraria precedentes da Corte que admitem formas de organização do trabalho distintas da relação de emprego tradicional.

A plataforma afirma ainda que o entendimento pode comprometer seu modelo de negócios e ter impacto sobre milhares de processos semelhantes.

A repercussão geral da matéria foi reconhecida pelo STF. Assim, a tese fixada no julgamento deverá orientar as demais instâncias do Judiciário nos processos que discutam a mesma questão.

Entregadores da Rappi

Também será julgada a Rcl 64.018, ajuizada pela Rappi Brasil contra decisões da 4ª turma do TRT da 3ª região e da 2ª turma do TST que reconheceram vínculo de emprego entre entregadores e a plataforma.

A empresa alega que as decisões desrespeitaram entendimentos firmados pelo Supremo na ADPF 324, na ADC 48 e no Tema 590 da repercussão geral, precedentes relacionados à possibilidade de formas de contratação distintas do modelo celetista tradicional.

Segundo a Rappi, sua atividade consiste na intermediação tecnológica entre usuários, estabelecimentos comerciais e entregadores, permitindo a oferta e a procura de bens e serviços por meio do aplicativo.

Nesse contexto, sustenta que a relação mantida com os entregadores não apresenta as características necessárias à configuração do vínculo empregatício e integra uma dinâmica própria da economia digital.

O processo coloca em discussão, portanto, se a relação entre motociclistas entregadores e empresas que intermedeiam serviços por aplicativos pode ser enquadrada no regime previsto pela CLT.

Pejotização

Os processos sobre trabalho por aplicativos não se confundem com o Tema 1.389 da repercussão geral, sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.

Nesse caso, o STF discute, de maneira mais ampla, a licitude da contratação de trabalhadores autônomos ou pessoas jurídicas para prestação de serviços, prática conhecida como “pejotização”.

Também estão em discussão a competência da Justiça do Trabalho para julgar essas controvérsias, a distribuição do ônus da prova e os critérios para identificar eventuais fraudes na contratação.

Em abril de 2025, Gilmar determinou a suspensão nacional dos processos relacionados à controvérsia até que o Supremo fixe uma tese sobre a matéria.

A medida, porém, foi parcialmente revista em junho deste ano.

Veja a íntegra: https://arq.migalhas.com.br/arquivos/2026/8/CB728CC6CCD01F_ManifestacaoPGTaoSTFsobreaConv.pdf

Fonte: MIGALHAS

https://www.migalhas.com.br/quentes/463070/mpt-defende-analise-caso-a-caso-de-vinculo-no-trabalho-por-aplicativos