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A inflação de alimentos – e como controlá-la

A inflação de alimentos – e como controlá-la

“A médio prazo, é crucial romper com as lógicas do agronegócios, que despreza o abastecimento popular e produz para concentrar riqueza e poder. Mas a fome não espera: Lula terá de traçar um plano de importação de alimentos, com subsídios”.

O artigo é de Jean Marc von der Weid, ex-presidente da UNE (1969/1971), fundador da ONG Agricultura Familiar e Agroecologia (AS-PTA), em 1983, membro do CONDRAF/MDA (2004/2016) e militante do movimento Geração 68 Sempre na Luta.

Eis o artigo.

Andei lendo vários artigos e escutando debates e lives sobre o candente tema da taxa de juros Selic e a necessidade de reduzi-la. Em anexo a esta tempestade de opiniões há o quiproquó da autonomia do Banco Central. Talvez não tenha pesquisado o suficiente, mas não consegui encontrar um foco bem definido sobre a origem da nossa inflação atual. Afinal de contas, os remédios dependem do diagnóstico, não é mesmo?

Se a inflação é provocada pelo excesso de demanda, a solução clássica é esfriar a economia para apertar a demanda e buscar um equilíbrio que segure os preços. Isto se faz pelo aumento dos juros, puxados no Brasil, pela taxa Selic. Esta solução é sempre cruel, pois ela implica, normalmente, em baixar a renda e o emprego das grandes massas. Os economistas clássicos sempre explicam que é um mal temporário e que a inflação é o pior dos males para os mais pobres. Não quero discutir esta fórmula agora, até porque não creio que a força principal que move a nossa alta de preços seja provocada por excesso de demanda, embora isto exista em termos relativos que explicarei mais adiante.

Por que não se pode dizer que temos uma inflação de demanda? A perda de renda das grandes massas foi um contínuo, desde 2015 até agora, com as classes C, D, E voltando a níveis pré-Lula e a B estagnando, enquanto apenas a classe A teve aumento de renda no período. Não estamos falando da aquecida demanda por carrões importados, lanchas gigantes ou jatos (hoje em dia não dá mais para falar de jatinhos, como no passado, os bichinhos cresceram muito), que está provocando filas nos fornecedores.

O peso do consumo deste setor, por mais suntuário que seja, envolve tão poucos que não é capaz de definir a direção geral da inflação. O que pesa na inflação é o consumo das classes menos favorecidas e muito mais numerosas. Pois bem, não só estas classes perderam poder de compra, como estão fortemente endividadas, com 70% de faturas que comprometem até 40% da renda familiar. Não há sobras depois dos pagamentos e das compras essenciais. Na verdade, não há dinheiro para a maioria cobrir estas despesas. De onde vem então a pressão de demanda?

Desde o início da pandemia e a votação pelo Congresso da chamada Ajuda Emergencial, depois transformada em Auxílio Brasil pelo energúmeno que nos presidia, até 20 milhões de famílias receberam valores destinados a permitir, teoricamente, que se alimentassem corretamente. Não cabe aqui discutir se estes auxílios eram suficientes para o fim proposto (e não eram), mas constatar que uma parcela significativa das massas populares recebeu recursos de auxílio. Mesmo considerando que nem tudo tenha sido gasto em alimentos, e algumas pesquisas apontam para “desvios de finalidade” de até 50%, este auxílio representou um aumento significativo na demanda de alimentos.

Minha hipótese de trabalho, não verificada por pesquisas concludentes, é que os beneficiários compraram os alimentos mais baratos como norma, e não os mais necessários para uma alimentação correta. Isto significa que a demanda de alimentos ultraprocessados foi relativamente mais forte do que a dos alimentos em natura ou apenas beneficiados. Tudo isto leva a minimizar o impacto de demanda sobre o consumo alimentar básico, até hoje definido pela cesta alimentar que o Dieese acompanha e que foi consagrada na lei do salário mínimo.

Minimizar sim, mas impacto certamente houve. Nestes três anos de pandemia, os preços dos alimentos subiram muito acima da inflação medida pelo IPCA, sobretudo em 2020 e 2022, com um ano mais moderado em 2021. São números impressionantes: nos três anos citados os alimentos, em média geral, subiram 12,14%, 11,71% e 11,64%, contra um IPCA (o índice geral da inflação para toda atividade econômica) de 4,52%, 10,06% e 5,79%. Estes números indicam que a inflação dos alimentos se colocou em um patamar alto constante, sendo que no primeiro e último anos ela esteve levemente acima ou abaixo do dobro da alta geral dos preços. No outro ano, houve uma explosão geral de preços que praticamente igualou os dois índices.

Nos últimos 20 anos (lembrando que não havia auxílios governamentais com o peso dos tempos da pandemia), a inflação de alimentos ficou abaixo da inflação geral em seis anos. Entre 2003 e 2006, os anos do primeiro governo do presidente Lula, a alta de preços dos alimentos entrou em um descenso consistente, de 7,48% até 1,23% ao ano, acompanhada da queda também contínua e consistente do IPCA, de 9,30% até 3,4%. No segundo governo de Lula, a inflação dos alimentos deu um salto para o patamar que estamos galgando nestes últimos 3 anos, 10,79%, 11,11% e 10,39% nos anos de 2007, 2008 e 2010. Esta subida se explica pela crise de 2008, precedida pela escalada dos preços do petróleo em 2007. Nestes anos, o IPCA também subiu, mas menos, 4,46%, 5,9% e 5,91%. No ano de 2009, a alta de preços dos alimentos arrefeceu, mantendo-se nos 3,18%, abaixo do IPCA de 4,31.

Depois deste período a inflação dos alimentos esteve sempre acima do IPCA, em vários anos com valores até três vezes maiores. Houve um ano excepcional, 2017, em que a inflação de alimentos foi negativa, 1,87%, para uma inflação geral de 2,95%. Este foi o ano da grande depressão da economia brasileira provocado pelas medidas econômicas tomadas pelo governo Temer e isto derrubou pesadamente a demanda em geral e a alimentar em particular. Não deixou boas lembranças, apesar destes números aparentemente favoráveis.

A trajetória da inflação de alimentos precede, quase sempre, a da inflação geral. Isto se explica pelo fato de que a primeira é o mais importante componente da segunda, seguida pelo custo dos transportes. Mas o descolamento que se dá em termos do tamanho das duas inflações é notável e tem que ser entendido.

Antes do mercado responder à oferta/demanda de alimentos, definindo os preços que serão praticados, há um ponto de partida que são os custos de produção, processamento e colocação no mercado dos produtos alimentares, sendo que os custos da produção primária são a parte mais significativa desta operação. É preciso também levar em conta as margens de lucro dos agentes econômicos.

Não vou discutir em detalhe o conjunto dos fatores de produção da nossa agropecuária. O mais importante a notar é que os custos de adubação representam atualmente 30% de todos os custos da produção primária nos sistemas de produção convencional. É, de longe, o item mais pesado na conta. Estes custos não apenas estão muito altos, como tendem a crescer de forma sistemática nos próximos anos. A FAO avalia que os preços agrícolas entraram em uma espiral de alta sem perspectiva de mudança significativa e que os preços dos fertilizantes têm um papel nesta tendência.

alto preço dos fertilizantes se explica por duas razões. A primeira é o fato de que eles dependem da disponibilidade de minerais de fósforo e potássio e o custo de identificação de novas jazidas, exploração e processamento, bem como dos níveis de reservas e custo de extração, processamento e distribuição de petróleo e gás. Em todos estes produtos estamos assistindo a um processo cada vez mais acelerado de esgotamento das reservas e aumento dos custos de identificação de novas jazidas e das maiores dificuldades e custos na sua exploração. O “típico” da produção de fósforo, por exemplo, já teria ocorrido em 1989, segundo alguns analistas. Segundo outros, ele ocorrerá em menos de uma década. O potássio tem reservas mais amplas, mas o pico da produção deve ocorrer até meados do século. Já as reservas de petróleo e de gás ou bem alcançaram seu limite ou este está chegando rapidamente, dependendo de estudos conflitantes.

Por outro lado, o mercado de fertilizantes é altamente oligopolizado e isto permite que quatro ou cinco empresas definam os preços de acordo com os interesses de seus acionistas. Este conjunto de fatores (disponibilidade de matérias primas, custo de exploração e controle de mercado) indicam que os preços dos fertilizantes vão pressionar de forma contínua os preços dos alimentos e dos produtos agropecuários no presente e no futuro.

O Brasil depende em 80% das importações de fertilizantes para manter a sua produção agropecuária convencional. Esta é a razão pela qual os preços deste insumo tenham subido tanto desde o início da guerra da Ucrânia. Importamos boa parte do potássio utilizado da Rússia e de Belarus, que juntos representam 33% da produção mundial. 53% dessa produção vem do Canadá, o que dá uma ideia do nível de concentração da oferta global.

Além dos problemas de acesso a estes produtos devido às sanções impostas aos russos e seus aliados e aos preços mais elevados que o mercado definiu desde o início da guerra, somamos ainda às nossas dificuldades a alta taxa de câmbio, 30 a 40% acima de um “normal” teórico.

Poderíamos repetir esta demonstração para outros insumos como as sementes, cujos preços, também oligopolizados, subiram muito acima da inflação.

Com os custos da produção agropecuária subindo sem limites, a nossa produção nacional tem um patamar elevado que deve se manter, na média, bem acima da inflação, ajudando a pressioná-la continuamente.

Para resumir, temos no Brasil uma inflação com múltiplos fatores pressionando pela expansão, sendo que os mais importantes estão nos custos, apesar de uma parte significativa estar relacionada com o aumento de demanda provocado pelos programas de auxílio aos mais pobres.

Muitos analistas tendem a desconsiderar a pressão dos custos, indicando que o grosso da nossa produção de grãos e de carnes continua encontrando mercados com preços capazes de remunerar os produtores. Isto tem a ver com a nossa integração nos mercados internacionais de commodities, aquecidos pelo aumento da demanda de países como a China. Isto resolve o problema dos lucros do agronegócio, mas representa um problema extra para o nosso mercado interno. Com a nossa economia agropecuária fortemente indexada nos preços das commodities, a espiral de aumento de preços dos alimentos a nível nacional é de difícil controle.

Boa parte das dificuldades de oferta de alimentos no Brasil tem a ver com o fato de que é mais lucrativo para os produtores entrar neste circuito exportador do que produzir para um mercado interno que é dependente da capacidade de pagamento de uma população pauperizada ou dos valores das ajudas governamentais. O feijão não tem cotação em Chicago, mas o produtor nacional não deixa de comparar os preços alcançados pelos produtores de soja e de milho e isto influenciou muitos deles, nos últimos 30 anos, a optar pelas cadeias exportadoras.

Neste quadro acima descrito, aumentar a taxa de juros para esfriar a demanda não resolve nada, mas baixá-la também não. Ou, pelo menos, não basta para resolver o problema alimentar no Brasil.

Para enfrentar o problema dos preços crescentes dos alimentos no país, que incidem na alta constante da inflação em geral, temos que adotar uma série de políticas visando o aumento da produção interna, buscando a diminuição dos custos de produção. Os agroeconomistas clássicos apontam como solução o aumento da eficiência no uso dos fatores produtivos. Um desses fatores é o preço da terra e isto leva o agronegócio a buscar a desregulamentação do seu acesso, com aumento das áreas cultivadas através do desmatamento.

A terra é um fator produtivo barato no Brasil, em comparação com países como os EUA, os da União Europeia, a Argentina e a Austrália. Mas facilitar o acesso às terras indígenas ou reservas naturais tem outras implicações sociais e ambientais graves. Além disso, trata-se de uma solução de curto prazo, já que estas novas terras cultiváveis se encontram em ecossistemas com solos frágeis e de baixo potencial produtivo. O segundo fator é o aumento da produtividade agrícola. O uso mais racional dos insumos industriais na produção agropecuária esbarra na necessidade de fortes investimentos tecnológicos, tais como os que implica a chamada agricultura de precisão. De toda maneira, mesmo esta maior eficiência no uso de insumos não nos deixa livres das pressões do aumento contínuo do seu custo.

O que temos que fazer implica em mudanças radicais no nosso sistema de produção agropecuária. Desde logo, temos que diminuir o uso de fertilizantes químicos, agrotóxicos e sementes de empresas, além de diminuir o uso de combustíveis fósseis na produção. Racionalizar este uso é um primeiro passo, mas certamente insuficiente.

Retirar os subsídios ao uso dos insumos é uma medida necessária para incentivar a racionalização do seu uso, embora tenha um efeito imediato de aumento de custos. Outro passo importante seria a substituição dos fertilizantes importados por outros de produção nacional. Como não temos jazidas significativas de fósforo e de potássio, a solução seria a reciclagem do lodo de esgoto e do lixo orgânico. Temos condições de atingir a autossuficiência em fertilizantes, mas isto vai exigir um investimento nacional na implantação de usinas de compostagem. Tecnicamente isto não é um problema pois as soluções são bem conhecidas e já foram aplicadas de forma localizada. Trata-se de uma escolha de política pública, designando recursos de investimento adequados para uma rápida expansão, em colaboração com governos estaduais e municipais e estimulando empreendimentos privados. O efeito colateral positivo seria diminuir o impacto ambiental de lixões e de despejo de esgotos in natura em rios, lagos e mar.

Esta solução pode melhorar a performance do nosso agronegócio, mas não resolve o problema de fundo. É toda a lógica do agronegócio que está em questão. Definir políticas que estimulem sistemas agroecológicos é uma exigência para o nosso futuro. Mas como estas políticas não tem efeito de curto prazo em escala suficiente para brecar a pressão da alta dos preços dos alimentos, vai ser preciso enfrentar a demanda aquecida destes produtos estimulada pela ajuda governamental.

Para ser coerente com a proposta de ajuda aos mais pobres, o governo Lula vai ter que traçar uma política de importação de alimentos essenciais até que a produção nacional responda a estímulos de expansão. E estes alimentos terão que ser, muito provavelmente, subsidiados, pois os preços internacionais estão tão aquecidos como os nacionais. Para não erodir o valor da ajuda provocada pela alta dos alimentos o governo vai ter que estudar uma política que torne os valores dos alimentos básicos importados adequados aos valores da ajuda.

A questão das metas de inflação, da política fiscal e controle do déficit público serão objeto de outro artigo, que também discutirá o tema da autonomia do Banco Central.

São muitas mudanças radicais e não estou vendo o governo ou a sociedade discutindo esta problemática pelo ângulo colocado neste artigo. Mas não custa dar um voto de confiança no novo governo e esperar para ver.

IHU-UNISINOS

https://www.ihu.unisinos.br/626568-a-inflacao-de-alimentos-e-como-controla-la

A inflação de alimentos – e como controlá-la

Atrasados do INSS: o que são, quem tem direito e como consultar os bilhões liberados todo mês

Dinheiro na conta

 

Recursos são destinados a contribuintes com ganho de causa em processos judiciais para concessão ou revisão de benefícios previdenciários

Segurados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) com ganhos de ações na Justiça contra o órgão previdenciário têm direito a receber os chamados atrasados do INSS, cujo nome técnico é composto por uma sigla: RPV (Requisições de Pequeno Valor).

As RPVs não podem passar de 60 salários mínimos: esta soma estabelece um teto de R$ 78.120 (considerando o mínimo atual). Os valores também só podem ser liberados se a ação já estiver concluída e com pagamento definido pela Justiça.

O trâmite de liberação dos montantes mensais fica sob a responsabilidade do Conselho da Justiça Federal (CJF), e o processamento dos pagamentos é feito pelos Tribunais Regionais Federais, os TRFs, que estabelecem os limites dos recursos para RPVs.

Os valores totais, geralmente, ficam na casa dos bilhões de reais. Neste mês, o CJF liberou R$ 1 bilhão referentes a ações de janeiro entre os cinco Tribunais Regionais Federais.

Os processos com ganhos de causa normalmente são referentes a revisões de aposentadorias, auxílios-doença, pensões e outros tipos de benefícios previdenciários.

Como saber se fui contemplado?

Para saber se o seu nome consta na lista de beneficiados com RPVs, é preciso consultar o site dos TRFs (tribunais regionais) responsáveis pela ação. (clique no link da página de cada tribunal na lista abaixo)

Na consulta, geralmente, é preciso informar o número do processo, o nome do advogado (a), o número da RPV, entre outros dados que variam entre os TRFs.

“Cabe aos TRFs, segundo cronogramas próprios, efetuar o depósito dos recursos financeiros liberados. Com relação ao dia em que as contas serão efetivamente liberadas para saque, esta informação deverá ser obtida em consulta de RPVs disponível no portal do respectivo Tribunal Regional Federal”, afirma, por nota, o CJF.

Quem obteve ação, com valores acima de 60 salários mínimos, ganhou direito a um precatório, cujas regras de liberação dos recursos são diferentes das RPVs.

Informações sobre RPVs:

Clique no link de cada tribunal regional e faça consulta sobre RPV:

TRF 1ª Região (Sede no DF, com jurisdição no DF, MG, GO, TO, MT, BA, PI, MA, PA, AM, AC, RR, RO e AP)

TRF da 2ª Região (sede no RJ, com jurisdição no RJ e ES)

TRF da 3ª Região (sede em SP, com jurisdição em SP e MS)

TRF da 4ª Região (sede no RS, com jurisdição no RS, PR e SC)

TRF da 5ª Região (sede em PE, com jurisdição em PE, CE, AL, SE, RN e PB)

INFOMONEY

https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/atrasados-do-inss-o-que-sao-quem-tem-direito-e-como-consultar-os-bilhoes-liberados-todo-mes/

A inflação de alimentos – e como controlá-la

Empregados sem carteira assinada chegam ao maior número da série histórica, diz IBGE

População sem carteira assinada chega a 13,2 milhões de trabalhadores. Em relação ao mesmo período de 2021, o aumento foi de 6,4%.

Por g1

O número de empregados sem carteira assinada no Brasil é o maior de toda a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, que começou em 2012. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (28) pelo IBGE.

 

Em números absolutos, são 13,2 milhões de trabalhadores sem registro em carteira, uma alta de 0,2% em relação ao trimestre anterior. Em relação ao mesmo período de 2021, o aumento foi de 6,4%.

 

O IBGE também divulgou nesta terça-feira os dados da média anual de empregados sem carteira assinada, que mostra que o contingente também aumentou entre 2021 e 2022. O aumento foi de 11,2 milhões para 12,9 milhões de pessoas, também o maior patamar da série histórica.

“Nos últimos dois anos, é possível visualizar um crescimento tanto do emprego com carteira quanto do emprego sem carteira. Porém, é nítido que o ritmo de crescimento é maior entre os sem carteira assinada”, explica a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.

Desemprego no Brasil

 

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 7,9% no trimestre móvel de outubro a dezembro de 2022, segundo o IBGE. É a menor taxa para o mesmo trimestre de referência desde 2014, quando foi de 6,6%, e a menor para todos os trimestres desde dezembro-janeiro-fevereiro de 2015, quando a taxa foi de 7,5%.

Além disso, o IBGE divulgou a taxa média anual de desemprego para o ano de 2022, que foi de 9,3%. É o menor patamar médio anual desde 2015.

 

Em números absolutos, a população desocupada chegou a 8,6 milhões de pessoas no trimestre encerrado em dezembro. Trata-se de um recuo de 9,4% contra o trimestre terminado em setembro, ou 888 mil pessoas a menos entre os desocupados. A queda chega a 28,6% quando comparado ao mesmo período de 2021, o que representa 3,4 milhões de pessoas a menos.

 

Para o IBGE, são classificadas como desocupadas as pessoas sem trabalho que geram rendimentos para o domicílio nessa semana, que tomaram alguma providência efetiva para consegui-lo no período de referência de 30 dias e que estavam disponíveis para assumi-lo na semana de referência.

 

Veja os destaques da pesquisa.

  • Taxa de desocupação: 7,9%
  • População desocupada: 8,6 milhões de pessoas
  • População ocupada: 99,4 milhões
  • População fora da força de trabalho: 65,9 milhões
  • População desalentada: 4 milhões
  • Empregados com carteira assinada: 36,9 milhões
  • Empregados sem carteira assinada: 13,2 milhões
  • Trabalhadores por conta própria: 25,5 milhões
  • Trabalhadores domésticos: 5,8 milhões
  • Trabalhadores informais: 38,6 milhões
  • Taxa de informalidade: 38,8%

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/02/28/empregados-sem-carteira-assinada-chegam-ao-maior-numero-da-serie-historica-diz-ibge.ghtml

A inflação de alimentos – e como controlá-la

Renda média do brasileiro cresce no 4º trimestre, mas ainda fica abaixo dos níveis pré-pandemia

Segundo especialistas, cenário mostra que apesar de maior geração de vagas, salários ainda não têm recuperação.

Por Isabela Bolzani, g1

A melhora na renda do brasileiro ainda não foi suficiente para apagar as perdas da pandemia. Dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo IBGE apontam que, mesmo diante do aumento de 1,9% observado no último trimestre de 2022 em relação aos três meses anteriores, o rendimento médio no país ainda está distante do observado em níveis pré-pandêmicos.

Segundo o levantamento do IBGE, no 4º trimestre de 2022, a renda média do brasileiro ficou em R$ 2.808. Nos primeiros três meses de 2020, o valor era de R$ 2.853.

 

Em relação ao pico de R$ 3.013, alcançado no trimestre de maio a julho de 2020, a renda média do brasileiro ainda está em um patamar 6,8% menor. Veja no gráfico mais abaixo.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), que também apontou uma redução na taxa de desemprego na comparação trimestral, a 7,9% (o equivalente a 8,6 milhões de pessoas desocupadas).

 

O contingente de pessoas ocupadas, por sua vez, foi estimado em aproximadamente 99,4 milhões no período.

Mas por que isso acontece?

Parte da explicação para esse cenário, segundo especialistas, está nos efeitos da própria pandemia.

 

“Tivemos uma perda nos rendimentos muito grande durante o período pandêmico, quando o mercado de trabalho se fechou diante do quadro que vivíamos. Houve uma queda na renda e uma perda do poder de barganha dos trabalhadores”, explica a economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Lucia Garcia.

 

Garcia explica que, na prática, isso se traduz em uma alta na geração de empregos do país, mas em cargos que oferecem salários menores do que os já oferecidos no passado e pouca proteção ao trabalhador.

 

“Vemos uma geração de empregos ou de inserções que não garantem estabilidade para o trabalhador. O trabalhador assalariado no Brasil recebe, em média, R$ 2.500. E grande parte dos trabalhos atuais não garantem jornada plena, renda nem segurança institucional”, completa a economista.

O peso da inflação

 

Os especialistas destacam, ainda, que outro ponto importante a ser considerado nesse cenário é a pressão inflacionária que continua a ser vista no país.

 

Os últimos dados do IBGE sobre o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), por exemplo, apontam que o indicador registrou mais um avanço de 0,53% em janeiro. No acumulado de 12 meses, a alta do índice foi de 5,77%.

“Então além dos efeitos pandêmicos, é preciso considerar que também vivemos um grande período de inflação alta, de dois dígitos, que corroeu o poder de compra dos consumidores. E as variações discretas e modestas do rendimento do trabalho que apareceram nos últimos meses 2022 até apontam para uma recuperação, mas o déficit ainda é muito grande”, afirma a economista do Dieese.

 

Esse cenário deve melhorar?

 

As perspectivas para o mercado de trabalho ainda dividem opiniões. Para o economista da LCA Consultores Bruno Imaizumi, por exemplo, mesmo que a evolução do mercado de trabalho tenha sido bastante positiva desde a vacinação, ainda é preciso considerar que parte dessa melhora ainda vem da informalidade e da saída de pessoas do mercado de trabalho.

“A taxa de desemprego não conta muito bem a história dessa evolução, principalmente porque vimos uma saída muito forte de idosos do mercado de trabalho. E vale lembrar quando eles [idosos] deixam de procurar emprego e deixam de se ocupar, acabam diminuindo o cálculo da taxa de desemprego”, explica o economista.

Ele destaca, no entanto, que ainda há uma recuperação importante dos níveis da ocupação e que essa melhora do mercado de trabalho deve continuar positiva ao longo de 2023, ainda que de maneira mais lenta diante do cenário doméstico desafiador — que deve contar com menos crescimento econômico, juros elevados e uma inflação ainda incômoda.

 

Já do lado da renda, o economista reitera que uma recuperação mais contundente dos rendimentos ainda é esperada para este ano.

 

“O salário é a última coisa do mercado de trabalho a se recuperar completamente. Acredito que ainda não vamos observar uma volta 100% da renda neste momento, mas [essa evolução] será um pouco mais notável ao longo de 2023”, completa Imaizumi.

 

Já para Garcia, do Dieese, o cenário ainda é bastante difícil para o mercado de trabalho brasileiro. “Apesar do aumento da ocupação, ainda vemos um cenário de alta informalidade e assalariamento com carteira em condições precárias, o que deixa um ambiente bastante difícil para o trabalhador”, afirma a economista.

“E isso sem contar que o ajuste no mercado de trabalho não é igual para todo mundo. Então, acredito que por mais que haja uma melhora das ocupações do ponto de vista estatístico, a renda só deve alcançar patamares melhores no final de 2023 ou no começo do ano que vem”, completa Garcia.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/02/28/renda-media-do-brasileiro-cresce-no-4o-trimestre-mas-fica-68percent-abaixo-do-pico.ghtml

A inflação de alimentos – e como controlá-la

Juros do cartão de crédito rotativo chegam a 411,5% ao ano

Bancos abusam do valor cobrado e número de inadimplentes passa dos 70 milhões, aponta Serasa

por Murilo da Silva

Não bastasse a taxa básica de juros (Selic) no alto patamar de 13,75% a.a., a taxa de juros rotativo do cartão de crédito atingiu o inacreditável valor 411,5% ao ano, no mês de janeiro. Este é a maior valor desde agosto de 2017, quando chegou a 428%.

Os dados divulgados pelo Banco Central revelam o salto da taxa que em dezembro de 2022 era também de assustadores 407,7%  a.a.

O crédito do rotativo é aquele pelo qual as famílias se inserem quando não se paga a totalidade do cartão de crédito, sendo, portanto, um crédito de urgência.

Toda essa situação escorchante para a população brasileira tem relação com o número de famílias inadimplentes. Como aponta a Serasa Experian, 70,1 milhões estavam inadimplentes em janeiro de 2023.

O número é revelador do caos inserido nos últimos anos, quando Jair Bolsonaro governou. De janeiro de 2018, ainda sob Temer, para janeiro de 2023, o número de inadimplentes saltou de 59,3 milhões para os atuais 70,1 milhões.

Mas não é só isso. O valor das dívidas aumentou no período. Enquanto em 2018 a média de das dívidas era de R$ 3.926,40, agora o valor é de R$ 4.612,30.

Enquanto a Selic alta tem segurado o crescimento do país e dos investimentos no setor produtivo, o que pode oferecer risco de estagnação do país, como aponta o economista Paulo Nogueira Batista Jr., os bancos mantêm os altos valores cobrados pelo crédito, em especial do rotativo em 411,5% ao ano, o que forma um cenário preocupante que precisa ser acompanhado de perto pelo governo Lula.

Como primeiro passo o governo deve lançar o Desenrola Brasil nas próximas semanas para renegociação de dívidas com foco em pessoas com renda de até dois salários mínimos. O programa também será uma solução para os endividados pelo crédito consignado vinculado ao antigo Auxílio Brasil que foi impulsionado por Bolsonaro em uma tentativa desesperada de se alavancar nas eleições, mas que saiu derrotado.

*Com informações da Agência Brasil

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2023/02/28/juros-do-cartao-de-credito-rotativo-chegam-a-4115-ao-ano/

A inflação de alimentos – e como controlá-la

A turma briga e Lula arbitra: questão dos combustíveis dá sinal de como será o governo

Ninguém tem dúvida: temos um governo díspar. Vai do Psol do deputado Guilherme Boulos (SP) ao complicado União Brasil do ministro das Comunicações, Juscelino Filho, outra vez envolvido em um rolo. Na equipe econômica, cada um dos seus integrantes parece ter uma linha de pensamento diferente: do petista Fernando Haddad, na Fazenda, passando pela emedebista Simone Tebet no Planejamento, ao vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB, na Indústria e Comércio. A esquerda puxa para um lado, a centro-direita puxa para outro.

Em princípio, isso deveria ser o sinal de um eterno fio desencapado a produzir choques diários a partir da Esplanada dos Ministérios. A questão da reoneração dos combustíveis talvez tenha demonstrado que o presidente Lula tem, porém, na sua cabeça uma forma de administrar isso.

O primeiro ponto importante é que, diante do quadro da eleição vencida por Lula, não havia outro caminho senão unir no mesmo governo forças políticas de posições díspares. A vitória de Lula foi resultado disso, e não teria sido legítimo compor um governo que não fosse a reprodução dessa disparidade, unida diante de um único ponto em comum: a defesa da democracia, que julgavam ameaçada diante do risco de nova eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Assim, não seria mesmo possível que a condução do governo Lula fosse um monólogo. Mas ela podia virar uma grande Torre de Babel, uma imensa confusão onde todo mundo grita e ninguém escuta ninguém. Em alguns momentos destes primeiros meses de governo, passou-se essa impressão. A discussão em torno da reoneração dos combustíveis mostra que pode haver um caminho do meio nisso. No qual Lula talvez se valha da sua velha experiência de sindicalista, de mediador de assembleias.

A desoneração dos combustíveis foi uma das bombas-relógio que o ex-presidente Jair Bolsonaro deixou para o novo governo. Tinha prazo para acabar, e em algum momento o governo teria que retornar a cobrança dos impostos, ainda que viesse a prorrogar o desconto agora.

De um lado, a equipe econômica chefiada por Haddad defendia a volta da cobrança dos impostos. Do outro, o próprio partido de Lula e Haddad, o PT, a começar por sua presidente, Gleisi Hoffmann (PR), criticou pesadamente essa hipótese, afirmando que isso iria penalizar a sociedade.

O que Lula fez? Como se estivesse presidindo outra vez uma assembleia de metalúrgicos, o presidente deixou que os grupos brigassem. E, então, arbitrou uma saída negociada. Como queria Haddad, os combustíveis voltarão a ser onerados, e Haddad verá a recomposição tributária que desejava. Mas a oneração não será total. No momento em que escrevemos aqui, ainda não houve a entrevista na qual Haddad anunciará como serão as alíquotas. Mas as informações é que a equação ficará em um meio-termo. Um valor maior para a gasolina, e menor para o etanol e outros biocombustíveis. E a Petrobras anunciou a redução do preço dos combustíveis a partir das refinarias.

Tudo certo, então? Talvez não exatamente. Houve uma queda no valor das ações da Petrobras na bolsa de valores. E algumas outras reações. Mas a avaliação geral é que a solução salomônica de Lula minimizou estragos de um lado e de outro.

Pode ser por aí que irá seguir o governo. Após três vitórias presidenciais e 47 anos depois da sua primeira eleição como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Lula parece ter retornado à sua condição de mediador de assembleias e de acordos.

AUTORIA

Rudolfo Lago

RUDOLFO LAGO Diretor do Congresso em Foco Análise. Formado pela UnB, passou pelas principais redações do país. Responsável por furos como o dos anões do orçamento e o que levou à cassação de Luiz Estevão. Ganhador do Prêmio Esso.

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