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Lula quer isentar do IR em 2023 quem recebe até 2 salários mínimos

Lula quer isentar do IR em 2023 quem recebe até 2 salários mínimos

Sem reajuste desde 2015, atualmente quem ganha mais de R$ 1,9 mil mensais está sujeito ao tributo

Pedro Grigori

 

A equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende isentar trabalhadores que recebam até dois salários mínimos (cerca de R$ 2,6 mil) do pagamento do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) ainda em 2023.

medida visa diminuir o impacto da falta de ajustes na tabela do IR, que não recebe atualização desde 2015, e enfrenta a maior defasagem da série histórica: 148,10%. Atualmente, quem ganha mais de R$ 1,9 mil por mês, cerca de um salário mínimo e meio, já está sujeito ao tributo federal e ao acerto de contas com a Receita Federal.

De acordo com o cálculo feito pelo Sindicato dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional), com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que encerrou 2022 acumulando 5,79%, a falta de correção da tabela tem gerado um aumento da tributação justamente sobre pessoas de menor poder aquisitivo.

Segundo integrantes do Ministério da Fazenda ouvidos pela equipe do jornal Folha de S. Paulo, há pelo menos duas formas de isenção em análise. A primeira é a simples correção da tabela, ampliando a faixa de isenção para o valor almejado pelo governo. A outra reduz a renúncia de recursos, focando na isenção nos trabalhadores que efetivamente ganham até dois salários mínimos, mantendo a tabela atual.

Se toda a defasagem da tabela do IR fosse corrigida, pelos cálculos do Sindifisco, apenas pessoas que ganham acima de R$ 4.670,23 pagariam imposto. Hoje, um contribuinte que ganha, após deduções, R$ 5 mil paga R$ 505,64 de IR. Caso a tabela fosse corrigida de forma integral, a mesma pessoa contribuiria com apenas R$ 24,73. Até as grandes rendas seriam beneficiadas neste caso, pois pessoas que declaram R$ 100 mil ao mês teriam uma diminuição de contribuição dos atuais R$ 26.630,64 para R$ 25.352,85.

Bolsonaro não cumpriu promessa de reajustar tabela

A correção da tabela foi um compromisso assumido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que terminou o seu mandato sem cumprir a proposta. Durante a campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também prometeu elevar para R$ 5 mil o limite de isenção.

No entanto, Fernando Haddad, ministro da Fazenda, disse que não será possível realizar a correção ainda este ano. O ministro alegou que precisaria cumprir o princípio da anterioridade que rege a tributação no país. Assim, tal medida, se implementada em 2023, só poderia ser efetivada em 2024.

CORREIO BRAZILIENSE

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2023/02/5071367-lula-quer-isentar-do-ir-em-2023-quem-recebe-ate-2-salarios-minimos.html

Lula quer isentar do IR em 2023 quem recebe até 2 salários mínimos

Com ajustes, Minha Casa deve levar meses para sair do papel

No governo, o esforço é para que esse marco aconteça mais cedo, no segundo trimestre – previsão considerada otimista

Agência Estado

Apesar do plano de relançar a marca do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) em fevereiro, o governo levará mais tempo para, de fato, engrenar o programa habitacional em seu novo modelo. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o Executivo não planeja usar as regras do Casa Verde e Amarela (CVA) para contratar novas moradias enquanto o desenho do MCMV é estruturado. A expectativa, por sua vez, é de que a definição de todo arcabouço do novo programa demore meses.

Com isso, é possível que as primeiras contratações ocorram apenas no início do segundo semestre. Estimativas que circulam no mercado dão conta da possibilidade de quase 40 mil habitações voltadas à população de mais baixa renda serem retomadas neste ano.

No governo, o esforço é para que esse marco aconteça mais cedo, no segundo trimestre – previsão considerada otimista. O período dá margem par

a o Executivo trabalhar mais intensamente na retomada de obras paradas, um dos motes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o início de seu terceiro mandato.

O principal motivo para o governo não querer contratar novos empreendimentos usando o programa da gestão Bolsonaro – mesmo que apenas inicialmente – é o fato de o Casa Verde e Amarela não atender o que se chamava de faixa 1 do MCMV, modalidade que concedia subsídios de até 90% do valor do imóvel para famílias com renda de até R$ 1,8 mil.

Lula e sua equipe querem dar foco total a essa modalidade, que contempla a população mais atingida pelo déficit habitacional e que ficou sem contratações nos últimos anos por falta de recursos. A mais recente ocorreu na presidência de Michel Temer. Por consequência, o desenho do Casa Verde e Amarela não ofereceu tamanho grau de benefício. Quando foi lançado, em agosto de 2020, o programa foi dividido em grupos e nenhum deles concedia descontos aos moldes da faixa 1.

Orçamento ampliado

Agora, o cenário é oposto. Com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição, o Congresso elevou o orçamento do programa para R$ 9,5 bilhões – ante R$ 34,2 milhões inicialmente previstos para o setor. Além disso, dos R$ 9,5 bilhões, a maior parcela, de R$ 7,8 bilhões, foi destinada justamente para o instrumento de sustentação da faixa 1: o Fundo de Arrendamento Residencial (FAR).

Fazer esse dinheiro girar em novos projetos não é uma tarefa rápida nem simples, apontam técnicos que acompanham a formatação do Minha Casa, Minha Vida. Com a escalada de preços enfrentada pelo setor de construção nos últimos anos, vários parâmetros terão de ser atualizados.

Varanda pedida por Lula é um dos ajustes no programa

No novo Minha Casa, Minha Vida, o governo ainda terá de encaixar demandas feitas pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu que as casas do programa tenham varanda, por exemplo. Será preciso especificar, projetar, quantificar e precificar as novas moradias.

A precificação é uma etapa importante porque terá interferência direta nas escolhas que serão feitas nos próximos meses. Num cálculo grosseiro, se uma casa da faixa 1 (para a renda mais baixa) custar R$ 135 mil, o governo poderá fazer 70 mil habitações com o orçamento disponível. Mas é preciso considerar que parte dos recursos será usada para retomar empreendimentos paralisados.

Os processos de normatização ainda precisarão passar por várias instâncias, como o Ministério das Cidades, Casa Civil, Presidência, Caixa Econômica, Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e, para alguns casos, Ministério da Fazenda.

Medida provisória

O governo tem tentado agilizar esses trâmites. Nas últimas semanas, várias reuniões foram realizadas, envolvendo principalmente o ministro das Cidades, Jader Filho, e a Casa Civil, comandada por Rui Costa, e pela secretária executiva e ex-ministra Miriam Belchior. A expectativa é de que, ainda na primeira quinzena de fevereiro, Lula consiga ao menos enviar ao Congresso a medida provisória (MP) com os principais comandos do novo Minha Casa, Minha Vida.

A ideia é que Lula assine a MP em viagem à Bahia. Na semana passada, o governador do Estado, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou que essa cerimônia deve ocorrer no próximo dia 14, quando Lula poderá participar da entrega de pouco mais de 500 apartamentos em Santo Amaro e em outras cidades baianas. A agenda, contudo, ainda não está confirmada.

O plano inicial do governo era fazer o relançamento do programa ainda em janeiro, em Feira de Santana (BA); mas a viagem foi cancelada em função do estado precário em que se encontravam as casas no conjunto residencial que seria entregue por Lula. A situação foi encarada no setor como um bom exemplo da dificuldade que o governo terá para retomar obras paradas – seja por estarem invadidas, vandalizadas, abandonadas ou até mesmo judicializadas.

84 mil unidades paradas

Pelo último levantamento do extinto Ministério do Desenvolvimento Regional, do universo de contratações da antigo faixa 1, cerca de 84 mil unidades habitacionais estão paralisadas.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) foi uma das entidades que se reuniram com o governo na última semana para tratar do programa. Em relação à retomada de obras, de acordo com seu presidente, José Carlos Martins, a Cbic destacou ser necessário focar nas unidades que têm condições de receber investimento e agilizar procedimentos que, pelo tempo tomado, muitas vezes tornam os preços defasados para o setor. “É importante o diálogo, e importante que se tome cuidado com detalhes que podem mudar a efetividade do programa”, disse Martins.

CORREIO BRAZILIENSE

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2023/02/5071494-com-ajustes-minha-casa-deve-levar-meses-para-sair-do-papel.html

Lula quer isentar do IR em 2023 quem recebe até 2 salários mínimos

Mercado projeta inflação maior para este ano e Selic mais alta para 2024 e 2025

As previsões estão no Relatório Focus desta segunda-feira (30)

Por Nathália Larghi, Valor Investe — Rio

A expectativa mediana dos economistas para a inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 2023 subiu pela oitava semana consecutiva, de 5,74% para 5,78%.

 

As estimativas foram apresentadas nesta segunda-feira (30) no Relatório Focus, do Banco Central (BC), que concentra as expectativas do mercado para os indicadores econômicos mais importantes toda segunda-feira.

Para 2024, a projeção também subiu, de 3,90% para 3,93%, assim como na semana passada. Já a estimativa para 2025 foi mantida em 3,50% novamente.

Selic

 

Pra a taxa básica de juros da economia, a Selic, a projeção mediana para o fim de 2023 se manteve em 12,50%, assim como na semana passada.

 

A previsão para o final de 2024, por sua vez, subiu após ser mantida na semana anterior. A projeção saiu de 9,50% para 9,75%. Para 2025, a projeção também subiu de 8,50% para 9%.

 

A taxa atualmente está em 13,75%, após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter decidido mantê-la no mesmo patamar na reunião da semana passada.

 

PIB

 

A expectativa mediana para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2023 voltou a scair após subir na última semana. A previsão saiu de de de 0,80% para 0,79%.Para 2024, a expectativa se manteve em 1,50%, assim como nas cinco últimas leituras. Para 2025, a previsão também seguiu em 1,89%.

Dólar

 

A expectativa para o dólar no fim de 2023 foi mantida em R$ 5,28. Na semana passada ela caiu.

 

Para 2024, a projeção ficou no mesmo patamar, de R$ 5,30. A previsão para 2025 também é de R$ 5,30 e foi mantida no mesmo patamar nas últimas semanas.

VALOR INVESTE

https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2023/02/06/mercado-projeta-inflacao-maior-para-este-ano-e-selic-mais-alta-para-2024-e-2025.ghtml

Lula quer isentar do IR em 2023 quem recebe até 2 salários mínimos

Produção industrial fica estável em dezembro e fecha 2022 no vermelho

Com o resultado, a indústria brasileira encerrou o ano 2,2% abaixo do patamar pré-pandemia e 18,5% abaixo do nível recorde da série, registrado em maio de 2011.

Por g1 — Rio de Janeiro

A produção industrial brasileira teve, na passagem de novembro para dezembro, variação nula (0,0%). Com o resultado, a indústria nacional encerrou o ano de 2022 com queda de 0,7%. É o que apontam os dados divulgados nesta sexta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

 

De acordo com o IBGE, o resultado anual deixou o setor operando 2,2% abaixo do patamar pré-pandemia e 18,5% abaixo do nível recorde da série, registrado em maio de 2011.

 

Em 2021, a indústria fechou o ano com alta de 3,9%, interrompendo dois anos seguidos de queda. A queda em 2022 foi, portanto, a terceira em quatro anos.

 

“Muito do crescimento de 2021 (3,9%) tem relação direta com a queda significativa de 2020, ocasionada por conta do início da pandemia. Avançou em 2021, mas foi influenciada por uma base baixa de comparação e não superou as perdas de 2020”, avaliou o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo.

 

 

Segundo Macedo, o recuo da indústria nacional em 2022 é explicado por fatores como a taxa de juros em elevação, que afeta diretamente os custos de crédito, além da inflação, principalmente dos alimentos, que impacta na renda das famílias e, por consequência, no consumo, elenca o pesquisador.

 

“Também há influência do aumento nas taxas de inadimplência e de endividamento. E o mercado de trabalho, que embora tenha mostrado clara recuperação ao longo do ano, ainda se caracteriza pela precarização dos postos de trabalhos gerados”, destacou.

Queda disseminada

 

De acordo com o IBGE, a queda na produção anual foi disseminada, atingindo todas as quatro grandes categorias econômicas, além da maioria dos ramos (17 de 26), dos grupos (54 de 79) e dos produtos (62,4%) pesquisados.

 

“É um perfil disseminado de recuo, que demonstra que a indústria nacional viveu, em 2022, uma retração que atinge diferentes grupos e segmentos da produção”, diz Macedo.

 

Entre as atividades, as principais influências negativas no total da indústria foram registradas por indústrias extrativas (-3,2%), produtos de metal (-9,0%), metalurgia (-5,0%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-10,7%) e produtos de borracha e de material plástico (-5,7%).

 

Também se destacam as contribuições negativas assinaladas pelos ramos de produtos de minerais não metálicos (-5,1%), de produtos têxteis (-12,8%), de móveis (-16,2%), de produtos de madeira (-12,9%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-8,4%) e de máquinas e equipamentos (-2,3%).

No sentido oposto, também no confronto com o resultado acumulado no ano anterior, entre as nove atividades que apontaram expansão na produção, a de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (6,6%) exerceu a maior influência na formação da média da indústria.

 

Outros impactos positivos importantes foram registrados por produtos alimentícios (2,4%), veículos automotores, reboques e carrocerias (3,0%), outros produtos químicos (2,3%), celulose, papel e produtos de papel (3,1%), bebidas (3,0%) e outros equipamentos de transporte (12,9%).

 

Entre as grandes categorias econômicas, os resultados para os doze meses de 2022 mostraram menor dinamismo para bens de consumo duráveis (-3,3%). Os segmentos de bens intermediários (-0,7%), de bens de capital (-0,3%) e de bens de consumo semi e não duráveis (-0,2%) também assinalaram resultados negativos no índice acumulado para o ano de 2022.

 

Apesar da variação nula em dezembro no confronto mensal, o indicador acumulado em 12 meses indica ganho de fôlego do setor, já que ele manteve a trajetória ascendente desde agosto.

 

Queda de 1,3% no confronto anual

 

Na comparação com dezembro de 2021, a produção industrial caiu 1,3%, com resultados negativos em duas das quatro grandes categorias econômicas, 18 dos 26 ramos, 45 dos 79 grupos e 57,8% dos 805 produtos pesquisados.

 

“Cabe citar que dezembro de 2022 teve um dia útil a menos (22 dias) do que dezembro de 2021 (23)”, ponderou o IBGE.

Entre as grandes categorias econômicas, a maior queda foi em bens de consumo duráveis (-5,8%), seguida de bens intermediários (-2,6%). As outras duas, bens de consumo semi e não duráveis (3,1%) e de bens de capital (0,9%), registraram os avanços na comparação interanual.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/02/03/producao-industrial-fica-estavel-em-dezembro-e-fecha-2022-no-vermelho.ghtml

Lula quer isentar do IR em 2023 quem recebe até 2 salários mínimos

Afinal, o que é o mercado?

Todos estamos inseridos no mercado financeiro de alguma forma, mas definição do conceito ainda é nebulosa para muitos brasileiros.

Por Thaís Matos, g1

O mercado está estressado, nervoso, assustado, reage bem, reage mal… Do jeito que nós falamos, parece até que o mercado financeiro é uma entidade única e amorfa. Ou talvez um grupo de 10 pessoas reunidas numa sala decidindo como investir seus milhões conjuntamente.

 

Mas o conceito não é muito claro para muitos brasileiros. No vídeo acima, ouvimos pessoas na Avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, para entender o que elas sabiam sobre o assunto.

 

É difícil precisar o que é o mercado – porque não se trata de uma instituição. Na verdade, ele funciona como um ambiente de negociação onde estão inseridas instituições financeiras e pessoas físicas, com compra e venda de ativos. E reúne investidores de tipos diferentes, negociando produtos diferentes (que podem ser ações, títulos públicos, moedas, ouro etc.), regidos por propósitos também diferentes, explica Rachel de Sá, analista de investimentos da Rico.

 

E esses investidores podem ser:

 

  • Pessoas físicas: basicamente eu, você, seu colega de trabalho e até o milionário que investe sozinho
  • Investidores institucionais: bancos, empresas, gestoras, tesourarias, instituições financeiras também estão negociando, investindo e emprestando de outras empresas, bancos e instituições. Para ficar simples: o Nubank, por exemplo, era um dos compradores das dívidas das Lojas Americanas.
  • Investidores estrangeiros: podem ser pessoas físicas ou institucionais de outros países que querem comprar ativos brasileiros.

Dentro dessa dinâmica de compra e venda, os investidores institucionais têm maior peso, porque movimentam grandes quantias. Os bancos, por exemplo, administram o dinheiro de seus milhares de correntistas e investem tudo – até o dinheiro que você coloca na poupança e acha que está paradinho.

 

“Todo o dinheiro que está guardado faz parte do mercado. A questão é que existem pessoas que estão fazendo a gestão desse dinheiro e elas têm que tomar decisões”, explica Sá.

 

Dentre essas “pessoas que tomam decisões”, existe uma figura de peso: a dos gestores de fundos. Isso porque eles administram o dinheiro de muita gente com muita grana. É mais ou menos assim: bilionários, milionários, ricos e nem tão ricos deixam seu patrimônio nesses fundos para que profissionais tomem decisões por eles.

Esses fundos analisam as empresas, a bolsa, o dólar, a política econômica nacional, a internacional, conflitos, guerras, projeções de crescimento dos países e todos os fatores que podem influenciar o valor daquele ativo. E aí, diante de estudos feitos por economistas, os gestores decidem onde vão colocar o dinheiro dos clientes.

 

Como esses fundos lidam com grandes volumes, as movimentações deles podem impactar no valor dos ativos. Outra figura importante é o gestor dos fundos de pensão, explica Rachel, também por mexer com muito dinheiro de muita gente: aposentados e pensionistas.

 

Veja dois exemplos dos impactos, para o mercado, das decisões desses agentes importantes:

 

  • Se os investidores entendem que uma determinada ação pode ser um risco ou está custando mais do que a empresa vale, eles podem decidir vendê-la. E quando isso acontece (quando muitas ações são vendidas de uma vez) é como se acendesse uma luz vermelha para todos os outros investidores daquela empresa. As pessoas veem as ações caindo, entendem que algo pode acontecer e decidem vender também. E aí o resultado é mais queda.
  • Agora vamos falar dos estrangeiros. Se os investidores, os fundos ou as instituições financeiras de outros países decidem investir no Brasil (seja comprando ações na bolsa ou títulos do Tesouro Nacional), eles precisam vender seus dólares, comprar reais e aí sim comprar os títulos ou ações que querem. E aí, com mais dólar aqui dentro, fica mais barato comprá-lo. A mesma coisa acontece quando eles decidem vender ações ou títulos que têm aqui. Aí tem menos dólar no Brasil e fica mais caro conseguir a moeda, explica Rodrigo Cohen, analista e co-fundador da Escola de Investimentos.

Mas é possível saber qual a cara por trás dos mercados?

Bom, mais ou menos. Primeiro, é preciso deixar claro que cada mercado tem suas particularidades. “A bolsa, por exemplo, tem 50% de investidores estrangeiros. A B3 não diferencia entre investidor institucional ou pessoa física, costumam ser gestores de fundo de investimento estrangeiros. Tem também uma boa parte que são as instituições financeiras. E aí você vai cavando e chega aos bancos, por exemplo, que investem o dinheiro dos clientes”, diz a analista de investimentos da Rico.

Já quando olhamos para títulos do Tesouro, conta ela, as pessoas físicas representam boa parte dos investidores.

Mas a gente estava tentando achar um rosto, apesar de sabermos que o mercado é composto por muita gente. Vamos lá, um rosto poderoso é o do gestor André Stuhlberger, reconhecido como um dos melhores do Brasil. Aqui vai uma cifra: o fundo que ele gerencia, o Verde Asset Management, tem R$ 32 bilhões de ativos sob gestão, investidos em fundos multimercados, de ações e de previdência.

E o que move o mercado?

Você pode estar se perguntando por que decidimos falar do mercado agora. No começo de um novo governo, ele é sempre citado e todo mundo adora especular sobre como o mercado vai reagir.

Agora que a sabemos que ele não tem ‘uma cara’, mas que algumas caras são, sim, bastante poderosas, fica a pergunta: o que move nossos “big players” (ou grandes jogadores) no fim do dia?

Para Cohen, o que leva essas pessoas a movimentarem seus ativos é o quanto elas acham que seus clientes podem ganhar com esse movimento. No fim, todos estão atrás do maior lucro possível.

“O foco dos investidores da bolsa, por exemplo, são as barganhas que estão buscando com as empresas. Se, com base em uma análise fundamentalista dessas empresas, eles acreditam que elas estão com um valor mais baixo em relação ao que valem, eles compram apostando que vai aumentar. E é a mesma coisa em relação aos títulos atrelados aos juros, que têm bom rendimento em relação a outros países”, explica o analista.

Sá concorda. “Qual é o trabalho de um gestor ou mesmo investidor pessoa física cuidando do seu próprio dinheiro? O papel dele é tentar antecipar movimentos e se posicionar para ganhar mais dinheiro”, complementa.

G1

https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/02/06/afinal-o-que-e-o-mercado.ghtml

Lula quer isentar do IR em 2023 quem recebe até 2 salários mínimos

Por uma democracia comprometida com os direitos fundamentais

Uma democracia a ser preservada tem por fundamento a dignidade humana, a erradicação da miséria e a redução das desigualdades sociais.

Valdete Souto Severo

A democracia que experimentamos no Brasil desde a abertura operada na década de 1980 não tem pretensão transformadora, nem questiona a ordem do capital[1]. É uma democracia que não chega nas favelas, que convive com mais de 1/3 da população sem acesso à internet, com quase 13 milhões de desempregados, com 4,7 milhões de desalentados, 31,1 milhões de pessoas sem acesso à água encanada; 74,2 milhões de pessoas (37% da população) vivendo em áreas sem coleta de esgoto e 5,8 milhões sem banheiro em casa[2].

Ainda assim, uma democracia a ser preservada, pois construímos uma ordem constitucional que, no discurso, veda a tortura, garante liberdade de expressão e direitos sociais, bem como tem por fundamento a dignidade humana, a erradicação da miséria e a redução das desigualdades sociais.

O fato de que essa realidade conviva, especialmente hoje, com tanta miséria e com opções políticas absolutamente contrárias a esse discurso, como a sugestão de utilizar contêineres para separar presos em flagrante de outros detentos durante a pandemia[3], de reduzir salários[4] ou de censurar juízes[5], apenas revela nossa dificuldade em fazer valer essa ordem. E torna a luta por sua preservação e efetividade ainda mais fundamental.

A democracia que está em risco, portanto, é aquela que já não chega até a parcela da população brasileira que sempre esteve alijada das possibilidades de vida minimamente digna, para a qual o Estado só se apresenta sob a forma da repressão[6]. Isso, porém, não permite desprezar as conquistas que tivemos e que identificam nosso caminhar na direção da construção de uma realidade democrática, assim compreendida uma realidade em que as pessoas tenham condições de acesso a tudo que é necessário para viver minimamente bem: moradia, alimentação, saúde, educação, trabalho e lazer.

Dentre essas conquistas, destacam-se o direito ao voto direto, à liberdade de expressão e a proibição de tortura, como expressões de direitos individuais (com evidente dimensão social) que até então eram negados pelo discurso institucional. No âmbito dos direitos sociais, destaca-se seu reconhecimento como direitos fundamentais e todas as políticas públicas que daí decorreram, promovendo, ao menos ao longo da primeira e da metade da segunda década deste século, inclusão social e redução da miséria.

O Direito do Trabalho foi afetado por esse novo discurso inaugurado em 1988. Seguiu, entre avanços e retrocessos[7], sob a égide do pacto simbólico de construção de uma sociedade fraterna e solidária. A ruptura do respeito ao direito liberal de voto, em 2016, tornou nítido o fim desse pacto. A lei que criminaliza movimentos sociais, publicada no início de 2016[8], já tinha sido uma pista importante.

A facilidade com que o desmanche dos direitos sociais a partir de então pôde ser concretizado, pelos três poderes de Estado, demonstra que a democracia, se por um lado facilita a hegemonia do capital[9], por outro, é importante instrumento de contenção de condutas excludentes e perversas, como as que se revelam nas escolhas políticas atualmente praticadas em nosso país.

Então, se mesmo em um ambiente democrático as práticas sociais reproduzem a dominação de tal modo que o Direito do Trabalho seja admitido como aparência, mas negado em sua essência de elemento de contenção da “ação destruidora do capital”[10], isso ocorre com ainda mais despudor sob uma lógica autoritária de poder.

Quando a sociedade brasileira e as instituições que representam nossa democracia calaram diante do golpe jurídico-parlamentar perpetrado contra a Presidenta Dilma, escancarou-se a possibilidade de uma prática política absolutamente dissociada dos valores e princípios contidos nos primeiros artigos da Constituição de 1988. A partir de então, a retórica constitucional foi definitivamente abandonada.

Percebe-se, portanto, que o aprofundamento da desconstrução dos direitos sociais tem íntima relação com a ruptura democrática, que certamente não se resume ao golpe e que já se insinuava com clareza, especialmente a partir da reação estatal aos movimentos sociais em 2013. Isso nos permite reconhecer a importância do que tínhamos até então e, ao mesmo tempo, sua insuficiência.

Houvesse no Brasil uma prática de democracia, em que a inclusão social e a redução da miséria não se limitassem a possibilidades de consumo ou políticas assistencialistas[11], teríamos possivelmente resistido melhor ao canto da sereia do autoritarismo fascista que venceu as eleições de 2018. Um autoritarismo já desenhado no governo de homens brancos exercido por um dos atores do golpe, após a deposição de Dilma, e que se insinuava em práticas antidemocráticas que nos acompanharam nos últimos 32 anos, revelando uma continuidade incômoda da lógica ditatorial.

Isso não significa, evidentemente, que o que estamos vivendo hoje decorre apenas da responsabilidade do que fizemos (ou deixamos de fazer) de 1988 para cá. Esse é apenas o recorte escolhido para análise. E, quando olhamos para esse período histórico específico, o que percebemos é a importância de tudo que não fizemos.

Não construimos uma prática social que determinasse a alteração estrutural das relações de poder, como aquelas exercidas pela mídia, ou que democratizasse as relações de trabalho, ou ainda que de algum modo atingisse as populações “esquecidas” nas últimas décadas.

Não alteramos os currículos escolares ou a aposta na educação privada, em detrimento de uma educação pública de qualidade.

Investimos pouco em legislações e ações que promovessem efetiva redistribuição de renda, a fim de alterar a realidade de que algumas famílias detêm demasiada riqueza, enquanto tantas outras morrem de fome[12].

Ao contrário, a cada ano as pesquisas oficiais têm revelado o aumento da distância entre os mais ricos e os mais pobres, bem como o crescimento assustador do número de pessoas que sobrevivem sem mínimas condições de existência digna.

A PNAD Contínua 2019 mostra que o rendimento do 1% de pessoas que ganha mais em nosso país equivale a 33,7 vezes o da metade da população que ganha menos. Enquanto o rendimento médio mensal de quem ganha mais com o trabalho é de R$ 28.659,00, o de quem ganha menos é de R$ 850,00[13]. E o fato de tratar de “rendimento médio” dá conta da quantidade de pessoas que sobrevivem no Brasil com menos de oitocentos reais por mês, algo naturalizado de tal forma que se comemorou recentemente, como uma “conquista social”, a majoração do valor de auxílio emergencial inicialmente proposto pelo governo para as trabalhadoras e trabalhadores autônomos, de R$ 200,00 para R$ 600,00[14].

A presença do racismo estrutural e da misoginia nessa realidade de capitalismo periférico que aposta na desigualdade social como forma de dominação revela-se também nos números. O mesmo estudo mostra que em 2019, o rendimento médio mensal dos trabalhos das pessoas brancas era de R$ 2.999,00, enquanto das pardas era de R$ 1.719,00 e das pretas de R$ 1.673,00. O rendimento médio mensal de todos os trabalhos dos homens era de R$ 2.555,00, enquanto o das mulheres era de R$ 1.985,00.

A PNAD Contínua 2019 mostra, ainda, que o rendimento médio mensal real de todos os trabalhos foi de R$ 2.308,00 no ano passado. O que significa que a redução de salário admitida na MP 936 e autorizada pelo STF na ADI 6363, pode fazer com que essas pessoas que estão na média tenham que sobreviver com menos de um salário mínimo, caso o percentual de redução for o máximo, de 70%. E, tratando-se de uma média, não é díficil concluir que há um número muito significativo de pessoas que já sobrevivem com um salário mínimo (R$ 1.045,00), de modo que a redução, se realizada, implicará certamente jogá-las em condição de indigência. O valor do rendimento médio é menor do que era em 2014 e considera diferenças muito grandes entre as regiões do país.

No Nordeste, o valor médio atingiu o máximo de R$ 1.588,00. O índice Gini, indicador que mede concentração e desigualdade econômica e varia de 0 (perfeita igualdade) até 1 (máxima concentração e desigualdade), se manteve em 0,509 em 2019. Entre 2012 (0,508) e 2015 (0,494) essa desigualdade havia sido reduzida, mas voltou a subir nos anos posteriores, atingindo seu recorde. A pesquisa mostra, também, que as famílias estão ganhando menos, em relação aos anos anteriores[15].

Ainda assim, as medidas adotadas para supostamente enfrentar a crise sanitária agravada pela COVID-19 são redução de salário e oferta de empréstimo bancário, sem qualquer contenção das despedidas, redução da jornada (especialmente dos profissionais da saúde) ou extensão de benefícios como o seguro-desemprego. O mesmo estudo já referido mostra que apenas este ano 1,218 milhão de pessoas perderam o emprego.

Enquanto isso, o lucro líquido das instituições financeiras em 2018 foi o maior desde 1994[16], da ordem de 98,5 bilhões, perdendo apenas para 2019. Entre julho de 2018 e junho de 2019, de acordo com o diretor de Fiscalização do Banco Central, os bancos lucraram R$ 109 bilhões[17]. O crescimento do lucro líquido, em 2019, foi da ordem de 18% e apenas quatro instituições acumularam um lucro de R$ 81,5 bilhões.[18]

O cruzamento desses dados dá a medida da realidade social no Brasil. Enquanto quem vive do trabalho empobrece, perde condições de consumo e, portanto, de vida digna; quem lida com financeirização, beneficiando-se inclusive do endividamento das famílias brasileiras[19], concentra cada vez mais renda.

A pandemia da COVID-19 acentua essa realidade de precarização, concentração de renda e demissão do Estado em exercer suas funções fundamentais[20]. E nos coloca em uma verdadeira encruzilhada, por tornar evidente a impossibilidade de simplesmente seguir agindo como se tudo estivesse bem.

A doença já atingiu 4,2 milhões de pessoas e causou 292.376 mortes (considerando-se apenas aquelas notificadas). No Brasil, em 13 de maio de 2020 já havia sido contabilizado 13.149 mortos, com mais 749 óbitos confirmados pelo Ministério da Saúde nas últimas 24 horas, somando 188.974 casos[21] . As vítimas, em sua maioria, são moradoras das periferias e localidades mais pobres.

A COVID-19, portanto, explicita o que já era evidente: a aposta na informalidade e na precarização das condições de trabalho, assim como a adoção de medidas que oneram quem vive do trabalho, em detrimento daquelas que ocasionariam redistribuição de riqueza e que seriam bem mais eficazes, não é uma fatalidade. Trata-se de uma escolha política deliberadamente exercida por quem detém o poder e que, em momentos de crise aguda, revela-se fatal para as possibilidades de convívio social minimamente decente.

Exatamente por se tratar do resultado de escolhas que, no Brasil, vêm sendo feitas há bastante tempo e tornaram-se mais agudas a partir de 2016, revela os limites da nossa democracia. E, ao fazê-lo, torna mais clara a importância dos direitos sociais como instrumentos institucionais de tensionamento desses limites e de desvelamento de suas impossibilidades.

Os direitos sociais são, em uma realidade capitalista, condição de possibilidade para o exercício da resistência e da transformação da realidade. Em nossa sociedade, o trabalho é, como referia Marx, trabalho forçado ou obrigatório, ou seja, quase sempre o único caminho para a obtenção do valor com o qual é possível comprar os bens vitais para a existência física. Logo, a efetividade de direitos como limitação da jornada, ambiente saudável, salário decente, garantia contra a despedida, são concretamente a via institucional mais eficiente para viabilizar a construção de uma realidade social diversa.

Em uma sociedade na qual as pessoas trabalham mais de doze horas por dia, sem intervalo (algo, aliás, autorizado a partir da Lei 13.467), sem contar aí o período de deslocamento entre casa e trabalho, e recebem remuneração de pouco mais de oitocentos reais por mês, atuando em ambientes adoecedores, é uma sociedade de pessoas que não têm tempo ou condição material para pensar a vida a sua volta e engendrar alternativas de convívio social diversas.

A facilidade do desmanche dos direitos sociais é, em alguma medida, resultado dessa condição de sujeição de praticamente todo o tempo de vida para o trabalho e de subremuneração, que as décadas de erosão do direito constitucional nos legam.

Se o convívio democrático pressupõe condições decentes de vida que viabilizem a compreensão do nosso tempo histórico, das relações de poder e de ideologia que nos conformam, de modo a nos habilitar à participação na vida pública, não há democracia possível em um ambiente social como esse em que vivemos atualmente.

Isso não significa que seja possível ou viável simplesmente abandonar o parâmetro democrático. Ainda assim, nos dá pistas de um esgotamento da fórmula de organização social que temos, a exigir medidas ainda mais radicais para o enfrentamento das crises desencadeadas pelas opções políticas que negam ou eliminam direitos e, consequentemente pessoas.

Nossa democracia não é suficiente. Além de lutar para fazer valer direitos constitucionais como a liberdade de expressão, a proibição da tortura, o acesso a trabalho digno, à moradia e alimentação decentes e à saúde, nosso desafio é construir parâmetros de convívio que incluam uma renda básica que independa da prestação de trabalho, uma taxação que onere mais quem detém grandes fortunas, a ponto inclusive de chegarmos em uma realidade na qual haja distribuição de terra e renda que impeça o acúmulo da riqueza nas mãos de poucos.

A crise estrutural que hoje enfrentamos é, de modo dialético, a oportunidade para construirmos uma prática democrática efetivamente comprometida com os direitos fundamentais de todas as pessoas que convivem em sociedade.

[1] Na verdade, “a democracia liberal deixa intocada toda a nova esfera de dominação e coação criada pelo capitalismo, sua transferência de poderes substanciais do Estado para a sociedade civil, para a propriedade privada e para as pressões do mercado. Deixa intocadas vastas áreas de nossa vida cotidiana – no local de trabalho, na distribuição do trabalho e dos recursos – que não estão sujeitas à responsabilidade democrática, mas são governadas pelos poderes da propriedade, pelas `leis´ do mercado e pelo imperativo da maximização do lucro”. WOOD, Ellen Meiksins. Democracia contra capitalismo: a renovação do materialismo histórico. São Paulo: Boitempo, 2011, p. 2011.

Notas

[1] Na verdade, “a democracia liberal deixa intocada toda a nova esfera de dominação e coação criada pelo capitalismo, sua transferência de poderes substanciais do Estado para a sociedade civil, para a propriedade privada e para as pressões do mercado. Deixa intocadas vastas áreas de nossa vida cotidiana – no local de trabalho, na distribuição do trabalho e dos recursos – que não estão sujeitas à responsabilidade democrática, mas são governadas pelos poderes da propriedade, pelas `leis´ do mercado e pelo imperativo da maximização do lucro”. WOOD, Ellen Meiksins. Democracia contra capitalismo: a renovação do materialismo histórico. São Paulo: Boitempo, 2011, p. 2011.

[2] https://economia.ig.com.br/2020-03-28/desafios-brasil-tem-313-milhoes-de-pessoas-sem-agua-encanada-e-casas-lotadas.html, acesso em 14/5/2020.

[3] https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-04/covid-19-depen-sugere-conteineres-para-separar-presos-com-sintomas, acesso em 14/5/2020.

[4] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/mpv/mpv936.htm, acesso em 14/5/2020.

[5] https://atos.cnj.jus.br/files/original145740201912185dfa3e641ade9.pdf, acesso em 14/5/2020.

[6] Esse tema é aprofundado nesse debate: https://www.redebrasilatual.com.br/politica/2019/10/democracia-colapso-conciliacao-devastacao/, acesso em 07/5/2020.

[7] Dentre os piores retrocessos é possível lembrar da súmula 331 do TST, da lei do “banco” de horas, dos acordos coletivos chancelando jornadas de 12h ou, mais recentemente, a LC 150 que mantém vigente a lógica escravista nas relações de trabalho doméstico.

[8] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2016/lei/l13260.htm, acesso em 06/5/2020.

[9] Como ensina Gramsci, resgatado por Luis Felipe Miguel. MIGUEL, Luis Felipe. Dominação e resistência. Desafios para uma política emancipatória. São Paulo: Boitempo, 2018, p.  72.

[10] Marx aponta que a jornada dos homens, fortes e robustos, no século XVII é o limite legal imposto ao trabalho das crianças de até 12 anos em Massachusetts, em 1836 e 1858. (…) A intervenção estatal, resultado de lutas de classe, não fez mais, porém, do que legitimar a ação destruidora do capital, que na Inglaterra, por exemplo, ao empregar crianças em jornadas extensivas, reclamava apenas a aplicação da lei. MARX, Karl. O Capital. Livro I. São Paulo: Boitempo, 2013, p. 343-359.

[11] Em uma política comprometida com pautas neoliberais, como tão bem demonstra a obra: SOUTO MAIOR, Jorge Luiz. Conjuntura Política Brasileira sob a Perspectiva Trabalhista. A hora da sensatez. Belo Horizonte, 2019.

[12] A Revista Forbes refere que há 45 brasileiros na lista dos mais bilionários do mundo (https://forbes.com.br/listas/2020/04/quem-sao-os-brasileiros-no-novo-ranking-dos-bilionarios-do-mundo/). Enquanto isso, a pobreza e a miséria tê aumentado, atingindo especialmente a populção negra e perda, que vive com menos de R$ 145,00 por mês; ¼ da população brasileira vive com meio salário mínimo e 13,5 milhões em meio de pessoas vivem em condição de “pobreza extrema”. A COVID-19 irá agravar ainda mais esse quadro (https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2020/04/21/pandemia-pode-levar-265-milhoes-a-fome.htm)

[13]  https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/27594-pnad-continua-2019-rendimento-do-1-que-ganha-mais-equivale-a-33-7-vezes-o-da-metade-da-populacao-que-ganha-menos, acesso em 07/5/2020.

[14] Elevação que só ocorreu em razão da aprovação de uma lei dispondo nesse sentido, pois o governo não se aceitou, em momento algum, majorar espontaneamente a importância por ele proposta, de duzentos reais. Enquanto isso, a cesta básica, com 13 produtos, em janeiro de 2020 custava R$ 502,98, mais de 13% a mais do que a doze meses atrás. .https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/dicas-de-economia/noticia/2020/03/cesta-basica-fica-1389-mais-cara-em-12-meses-ck7e0j4jr01ie01pqqxxllbwt.html

[15] https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/27594-pnad-continua-2019-rendimento-do-1-que-ganha-mais-equivale-a-33-7-vezes-o-da-metade-da-populacao-que-ganha-menos, acesso em 07/5/2020.

[16] https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/04/11/rentabilidade-de-bancos-brasileiros-e-a-maior-em-7-anos-revela-banco-central.ghtml, acesso em 07/5/2020.

[17] https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/10/10/bancos-lucraram-r-109-bilhoes-ate-junho-de-2019-informou-bc.htm, acesso em 07/5/2020.

[18] O Itaú registrou ganhos de R$ 26,583 bilhões (6,4% a mais do que em 2018); o Bradesco registrou lucro líquido R$ 22,6 bilhões (18,32% a mais que em 2018); o Banco do Brasil reportou lucro líquido de R$ 18,16 bilhões (41,2% a mais do que em 2018) e o Santander teve lucro de R$ 14,181 bilhões em 2019 (16,6% a mais do que no ano anterior).https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/02/13/lucro-dos-maiores-bancos-do-brasil-cresce-18percent-em-2019-e-soma-r-815-bilhoes.ghtml, acesso em 07/5/2020.

[19] A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada dia 30/3/2020 mostra que o total de famílias com dívidas no Brasil atinge 66,2%, maior taxa da série histórica iniciada em janeiro de 2010. https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2020-03/percentual-de-familias-com-dividas-atinge-recorde-em-marco, acesso em 07/5/2020.

[20] https://www.cnnbrasil.com.br/business/2020/05/01/os-bilionarios-estao-ficando-ainda-mais-ricos-com-a-pandemia-basta, acesso em 07/5/2020;

[21] https://brasil.elpais.com/ciencia/2020-04-15/evolucao-dos-casos-de-coronavirus-no-brasil.html, acesso em 14/5/2020.

Valdete Souto Severo é presidenta da AJD Associação Juízes para a Democracia, membra do RENAPEDTS e coordenadora do grupo de pesquisa trabalho e capital – UFRGS.

Fonte: DDF
Data original da publicação: 25/01/2022

DMT: https://www.dmtemdebate.com.br/por-uma-democracia-comprometida-com-os-direitos-fundamentais/