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DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

“Pejotização” e desregulamentação do trabalho pelo STF

“Pejotização” e desregulamentação do trabalho pelo STF

OPINIÃO

Por Rosangela Rodrigues Lacerda e Silvia Teixeira do Vale

Após a fixação da tese pelo Supremo Tribunal Federal liberando a terceirização em toda e qualquer atividade, houve decisões na Justiça do Trabalho reconhecendo a ilicitude da prestação de serviços pela via do que se denominou chamar de “pejotização”. Em um caso emblemático julgado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região, decidiu-se pela ilicitude na contratação de médicos por meio de pessoa jurídica, reconhecendo-se, assim, o vínculo de emprego firmado entre os profissionais da área de saúde e a entidade social acionada pelo Ministério Público do Trabalho em ação civil pública.

 

A partir da decisão do referido Regional, o empregador ingressou com a Reclamação Constitucional nº 47.843, negada monocraticamente pela ministra Carmém Lúcia, ao argumento de não ter havido descompasso, nem estrita aderência entre os atos impugnados e o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 324/DF e do Recurso Extraordinário nº 958.252, Tema 725 da repercussão geral.

 

A instituição social empregadora ingressou, então, com agravo em face da decisão monocrática e o STF assim decidiu por maioria:

 

“CONSTITUCIONAL, TRABALHISTA E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. OFENSA AO QUE DECIDIDO POR ESTE TRIBUNAL NO JULGAMENTO DA ADPF 324 E DO TEMA 725 DA REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO PROVIDO. 1. A controvérsia, nestes autos, é comum tanto ao decidido no julgamento da ADPF 324 (relator ministro ROBERTO BARROSO), quanto ao objeto de análise do Tema 725 (RE 958.252, relator ministro LUIZ FUX), em que esta CORTE fixou tese no sentido de que: ‘É lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante’ 2. A Primeira Turma já decidiu, em caso análogo, ser lícita a terceirização por ‘pejotização’, não havendo falar em irregularidade na contratação de pessoa jurídica formada por profissionais liberais para prestar serviços terceirizados na atividade-fim da contratante (Rcl 39.351 AgR; relatora ministra ROSA WEBER, Red. p/ Acórdão: ALEXANDRE DE MORAES, Primeira Turma, julgado em 11/5/2020). 3. Recurso de Agravo ao qual se dá provimento” [1].

 

É de chamar a atenção o voto proferido pelo ministro Barroso, que não só questiona a legitimidade do Ministério Público do Trabalho para defender interesses de trabalhadores médicos, como também afirma que estes detêm tanta autonomia, são dotados de intelectualidade e patamar salarial diferenciados, que não podem ser enquadrados como hipossuficientes, realidade que, nas palavras de sua excelência, também é observada em relação aos “professores, artistas, locutores”, tão frequentemente contratados dessa forma.

 

Igualmente, na Reclamação nº 53.899, o ministro Dias Toffoli liminarmente suspendeu os efeitos de uma reclamação trabalhista em fase de execução e anulou as decisões proferidas no processo, utilizando como argumento que o Supremo Tribunal Federal tem reconhecido a licitude da “pejotização”, pontuando que esta é uma forma válida de terceirização de serviços, conforme estabelecido nas teses firmadas na ADPF nº 324 e RE nº 958.252. No caso concreto, uma advogada, que figurou como sócia quotista da sociedade de advogados, obteve sucesso no seu pedido de reconhecimento de vínculo de emprego com a referida sociedade.

 

Sorte semelhante teve outra advogada, que igualmente logrou o reconhecimento do vínculo de emprego para com o escritório onde atuava como sócia cotista, obteve o trânsito em julgado da decisão e viu a decisão da Justiça trabalhista ser cassada por ordem do ministro Barroso [2], que utilizou como argumento o fato de Em 15 de abril de 2020, no julgamento conjunto da ADC 48 e da ADI 3.961, o STF, por maioria, ter reconhecido a constitucionalidade da Lei nº 11.442/2007 e firmado a seguinte tese: “1 – A Lei nº 11.442/2007 é constitucional, uma vez que a Constituição não veda a terceirização, de atividade-meio ou fim. 2 – O prazo prescricional estabelecido no artigo 18 da Lei nº 11.442/2007 é válido porque não se trata de créditos resultantes de relação de trabalho, mas de relação comercial, não incidindo na hipótese o artigo 7º, XXIX, CF. 3 – Uma vez preenchidos os requisitos dispostos na Lei nº 11.442/2007, estará configurada a relação comercial de natureza civil e afastada a configuração de vínculo trabalhista”.

 

Outro argumento utilizado por Sua Excelência foi o fato de no julgamento da ADI 5.625, em sessão realizada em 28/10/2021, o Plenário do STF, por maioria, ter julgado improcedente o pedido, fixando a seguinte tese: “1) É constitucional a celebração de contrato civil de parceria entre salões de beleza e profissionais do setor, nos termos da Lei n. 13.352, de 27 de outubro de 2016; 2) É nulo o contrato civil de parceria referido, quando utilizado para dissimular relação de emprego de fato existente, a ser reconhecida sempre que se fizerem presentes seus elementos caracterizadores”.

 

O Supremo Tribunal Federal parece caminhar no sentido de considerar válida a fixação de contrato de trabalho por meio de pessoa jurídica, desde que o trabalhador preste serviços intelectuais e detenha patamar salarial mais elevado, conclusão, com todo o respeito, absolutamente equivocada, pois a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7º, XXXII, proíbe a distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos.

 

Ademais, a tese fixada na ADPF nº 324 prevê que “a terceirização não enseja, por si só, precarização do trabalho, violação da dignidade do trabalhador”, deixando claro que o seu exercício abusivo poderia acarretar tal violação. Ou seja, o próprio STF admitiu na tese a possibilidade de distinção, quando a realidade dos fatos demonstrar a existência de fraude na contratação.

 

Ora, a “pejotização” é prática fraudulenta, que serve para mascarar a relação de emprego travestida de contratação por meio de pessoa jurídica, não se confundindo, dessa forma, com a terceirização, já que a própria ideia deste instituto é a existência de uma terceira pessoa, intermediando a relação de trabalho que deveria ser linear. No caso da “pejotização”, a pessoa jurídica permite o afastamento do vínculo de emprego pela via artificial da existência de uma pessoa jurídica, que vem a ser a própria pessoa física prestando serviços como uma espécie de “eu LTDA”.

 

Como afirmam Ricardo Calcini e Leandro Bocchi de Moraes, “se a ‘pejotização’ implica, na prática, que o trabalhador seja, a um só tempo, a empresa contratante e o prestador de serviços, naturalmente o conceito basilar da própria terceirização cai por terra”, pois, “essa pressupõe na essência uma especialidade na execução daquele serviço contratado, em autêntica triangulação de atividades entre contratante, empresa contratada e o empregado prestador de serviço. Logo, é impossível equiparar a ‘pejotização’ com a regular terceirização” [3].

 

Na prática, o que a Corte Suprema vem admitindo, é a superação do artigo 9º da CLT, ao não admitir sequer a possibilidade de fraude quando há contratação de trabalho por meio de pessoa jurídica, além do menoscabo ao princípio da primazia da realidade, mesmo que não se tenha revogado os artigos 3º e 442 da CLT. Ao decidir nessa direção, a Corte Suprema igualmente retira da Justiça do Trabalho, a possibilidade de dizer o que pode ou não configurar relação de emprego e, por via transversa, limita a competência material desta Justiça Especializada, quando a lide tratar sobre caso envolvendo “pejotização”, inclusive a decorrente da figura prevista na Lei nº 11.442/2007 (TAC agregado).


[1] BRASIL, Supremo Tribunal Federal. Agravo na Reclamação nº 47.843. Redator do acórdão: ministro Alexandre de Moraes, Órgão julgador: Primeira Turma, data de publicação do acórdão: 07 abr. 2022.

[2] BRASIL, Supremo Tribunal Federal. Reclamação nº 56.285. Relator do acórdão: ministro Luiz Roberto Barroso, data da decisão: 6 dez. 2022.

[3] CALCINI, Ricardo; MORAES, Leandro Bocchi de. STF e a pejotização de profissionais liberais: terceirização ou fraude?. Revista Consultor Jurídico. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2022-jul-07/pratica-trabalhista-pejotizacao-profissionais-liberais-terceirizacao-ou-fraude. Acesso em: 2 jan. 2023.


 é procuradora do Trabalho do Ministério Público do Trabalho da 5ª Região, professora adjunta da Universidade Federal da Bahia, mestre em Direito Público pela Universidade Federal da Bahia, doutora em Direito do Trabalho e da Seguridade Social pela Universidade de São Paulo, professora convidada do curso de pós-graduação lato sensu da Faculdade Baiana de Direito, Cers, Ucsal, Unifacs e das escolas judiciais do TRT da 5ª, 6ª, 7ª e 16ª Regiões.

 é juíza do Trabalho no TRT da 5ª Região, mestra em Direito pela UFBA, doutora pela PUC-SP, pós-doutora pela Universidade de Salamanca, professora convidada do curso de pós-graduação lato sensu da Faculdade Baiana de Direito, Ematra5, Cers, Cejas, Ucsal e da Escola Judicial do TRT da 5ª, 6ª, 10ª, 13º e 16ª Regiões, autora de livros e artigos jurídicos e ex-professora substituta da UFRN.

Revista Consultor Jurídico

https://www.conjur.com.br/2023-jan-15/lacerda-vale-pejotizacao-desregulamentacao-trabalho

“Pejotização” e desregulamentação do trabalho pelo STF

Presidente do partido de Bolsonaro diz que vai expulsar filiados que depredaram sedes dos Três Poderes

Invasões em Brasília

Valdemar Costa Neto divulgou um vídeo nas redes sociais em que condenou os ataques aos prédios públicos

Por Reuters

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que a legenda que abriga o ex-presidente Jair Bolsonaro vai expulsar filiados que tenham participado da invasão e depredação do Palácio do Planalto e dos prédios do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal no último domingo.

“Se membros do partido forem vistos em vídeos destruindo esses prédios, vamos expulsá-los imediatamente”, afirmou ele, em entrevista à Reuters, nesta quarta-feira (12), ao avaliar que o vandalismo foi causado por extremistas que não representam a legenda.

No final da tarde de domingo, em meio aos atos violentos, Valdemar divulgou um vídeo nas redes sociais em que condenou os ataques aos prédios públicos. Ele disse que o “movimento” daquele dia não representava o partido nem Bolsonaro, embora tenha na ocasião se manifestado a favor daqueles que estavam na frente dos quartéis como “exemplo de educação, confiança e de brasilidade”.

“Lá (referindo-se aos atos nas imediações dos quartéis) havia famílias representando Bolsonaro e a direita. Todos os movimentos foram pacíficos e ordeiros. Esse movimento que assistimos hoje é uma vergonha para todos nós e não representa o nosso partido, não representa o Bolsonaro”, disse ele, no vídeo.

Investigações oficiais, no entanto, apontam que muitos dos que se envolveram nos atos violentos domingo, inclusive sendo detidos, partiram do acampamento do chamado QG do Exército em Brasília.

Nos acampamentos em frente a várias unidades militares pelo país –desmontados posteriormente por ordem do ministro do Supremo Alexandre de Moraes– se pedia uma ilegal intervenção militar contra a vitória eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Planos futuros

Valdemar disse à Reuters que espera que Bolsonaro volte dos EUA para liderar a direita e para ajudar na conquista de prefeituras pelo PL nas eleições municipais do próximo ano –ele será presidente de honra do partido. Esse crescimento, destacou, pode ajudar a fortalecer uma nova candidatura presidencial de Bolsonaro em 2026.

“Se o Bolsonaro estiver bem, podemos saltar de 350 prefeituras para até 1,5 mil prefeituras”, afirmou Valdemar, ao acrescentar que uma visita do ex-presidente às cidades durante as eleições poderia garantir vitórias nas disputas devido a seu carisma.

“Basta aparecer e ele atrai multidões”, destacou ele.

O ex-presidente disse a aliados que deverá voltar ao Brasil até o final do mês, segundo uma fonte com conhecimento do assunto.

A expectativa é que Bolsonaro adote um papel de liderança tradicional de políticos para disputar novamente a Presidência, auxiliado por sua esposa Michelle, que surpreendeu aliados como trunfo na campanha no ano passado, conforme essa fonte. Bolsonaro e Michelle terão cargos no partido e receberão salários da legenda.

Oposição

Na entrevista, Valdemar disse que o PL vai fazer uma “oposição programática”, a favor do país. Segundo ele, quando houver a votação de propostas de interesse aos brasileiros, mesmo no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a legenda vai apoiar.

Embalado pela força política de Bolsonaro, o partido saiu das eleições como a maior força do Congresso e terá as maiores bancadas da Câmara, com 99 deputados federais, e do Senado, com 15 senadores. A legenda também contará com um substancial reforço no caixa já neste ano, segundo estimativas da fonte ouvida pela Reuters.

Experiente político que raramente concede entrevista e mais afeito aos bastidores, o presidente do PL afirmou que não vê possibilidade de o partido fazer parte do governo Lula neste mandato. O PL foi um importante aliado do petista nos seus dois mandatos, tendo, inclusive, indicado o então vice-presidente, José Alencar, e ministros.

Infomoney

https://www.infomoney.com.br/politica/presidente-do-partido-de-bolsonaro-diz-que-vai-expulsar-filiados-que-depredaram-sedes-dos-tres-poderes/

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Haddad não garante salário-mínimo de R$ 1.320 em 2023 e diz que governo vai negociar com centrais sindicais

Valor em vigor, de R$ 1.302, foi fixado por Bolsonaro. Segundo ministro da Fazenda, inclusão de pessoas na Previdência durante campanha presidencial consumiu recursos antes separados para aumento maior.

Por Alexandro Martello, Jéssica Sant’Ana e Ana Paula Castro, g1 e TV Globo — Brasília

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não assegurou nesta quinta-feira (12) que o governo elevará o salário-mínimo para R$ 1.320 neste ano.

Atualmente, segundo Medida Provisória baixada pelo presidente Jair Bolsonaro em dezembro do ano passado, está valendo o valor de R$ 1.302.

 

A proposta de orçamento para 2023 previa R$ 6,8 bilhões adicionais para custear o reajuste do piso prometido por Lula, mas o valor se mostrou insuficiente para elevar o valor para R$ 1.320, divulgado pela equipe de transição, após o novo governo tomar posse.

 

Segundo o ministro da Fazenda, houve aumento significativo no número de beneficiários do INSS, cujos pagamentos são, em sua maioria, atrelados ao mínimo.

“Esses recursos do orçamento foram consumidos pelo andar da fila do INSS. Porque a partir do início do processo eleitoral, por razões que não tem nada a ver com dignidade, a fila começou a andar”, disse Haddad.

Por conta da inclusão de novas famílias no INSS, o ministro afirmou que o governo está refazendo as contas. Acrescentou que, após esse recálculo, haverá uma negociação com as centrais sindicais sobre o salário-mínimo.

 

“A gente pediu para a Previdência refazer os cálculos para que a gente possa, na mesa de negociação com as centrais, avaliar adequadamente e responsavelmente como agir à luz desse caso”, acrescentou Haddad.

 

Ele afirmou que não houve rompimento do pacto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de ainda estar em vigor o salário-mínimo fixado por Jair Bolsonaro. Ele lembrou que, em R$ 1.302, houve um aumento real de 1,4% em 2023.

 

“Não tem pacto rompido, o presidente [Lula] cumpre sua palavra neste mês e cumprirá em todos os anos. É um compromisso de vida dele. Não posso submeter uma decisão sem os cálculos estarem refeitos”, concluiu.

G1

https://g1.globo.com/politica/noticia/2023/01/12/haddad-nao-garante-salario-minimo-de-r-1320-e-diz-que-governo-abrira-negociacao-com-centrais-sindicais.ghtml

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Deputado Aliel e filho de sete anos são ameaçados por bolsonaristas

O deputado reeleito Aliel Machado (PV-PR) e seu filho de sete anos viraram alvo de ameaças de bolsonaristas. Em troca de mensagens às quais o Congresso em Foco teve acesso, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) trocam informações sobre o endereço da escola da criança em um grupo de WhatsApp e ameaçam ir até o local para agredir verbal e fisicamente o parlamentar.

O caso foi registrado pelo deputado paranaense na Polícia Legislativa nessa quarta-feira (11). Aliel entregou todos os áudios, imagens das conversas e outros conteúdos que comprovam as ameaças. Por segurança, os nomes dos envolvidos não podem ser divulgados.

Aliel entrou na mira de bolsonaristas após ter protocolado um pedido na Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando investigação de acampamentos montados na entrada dos principais quartéis-generais espalhados pelo país, inclusive em Brasília. Ele também pediu que fossem investigadas denúncias de violações do Estatuto da Criança e do Adolescente nas manifestações golpistas.

“A polícia ainda está fazendo a identificação das pessoas. Ela já possui o nome, o telefone, e agora busca a qualificação delas. Essa questão do bolsonarismo não impede meu trabalho, não me inibe. Eu já conheço e não é de agora que a gente vê essa agressividade”, disse o deputado.

“Nesse caso, o que me preocupou e preocupou a minha família é a divulgação do local onde meu filho estuda. Então, isso me traz uma preocupação porque se espalha muito rápido nas redes e existe pessoas que não medem consequências. Então, acaba nos preocupando. Mas jamais vão me inibir. Eu sei da responsabilidade que é enfrentar tudo isso”, completou o deputado.

Congresso em Foco teve acesso às conversas e aos áudios dos grupos.

“[Nome da escola] Aqui, sabe? Vira e mexe ele está aqui [o deputado]. Minha casa é de fundo, dá de frente para a portaria [da escola]. Aguarde-me, esperem para vocês verem. Aguarde, Aliel. Dias atrás, acho que em novembro, eu vi ele por aqui, ele estava na fila do colégio, ele deve ter um filho que estuda aqui. Claro que eu tenho um senso, né? Ele que me aguarde”, ameaça uma mulher em um dos áudios.

Outro usuário do grupo ameaça agredir fisicamente o deputado caso ele se lance candidato a prefeito de Ponta Grossa, sua cidade natal. “Mas se ele entrar como candidato a prefeito de Ponta Grossa quem vai dar na cara desse b* sou eu. Cara sem vergonha, vagabundo, que não vale nada. Aqui é quem vai dar na cara dele”, afirma.

A mulher responsável por divulgar o endereço da escola do filho de Aliel Machado diz que se juntaria nas agressões ao deputado. Ela completa: “Vai passar vergonha. Ele que me aguarde. Ainda vou postar para vocês verem cada passo. Eu vou sentar, esperar o momento certo e ainda vou postar nas redes sociais. Ele vai saber quem é antidemocrático nessa p*. Deus que me perdoe, a b* deste país. […] Ele não vai perder a viagem dele, o que é dele está guardado”.

AUTORIA

Tércio Amaral

TÉRCIO AMARAL Tércio Amaral. Editor. É jornalista formado pela Unicap, com mestrado e doutorado em História (UFPE). Atuou no Diários Associados como repórter e editor de política. Foi coordenador de comunicação no Ministério da Educação e tem passagem por assessoria de comunicação do Congresso Federal.

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Bolsonaro gastou R$ 27 milhões no cartão corporativo em quatro anos

DINHEIRO PÚBLICO

A Secretaria Geral da Presidência da República divulgou nesta quinta-feira (12) os gastos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com o Cartão de Pagamento do Governo Federal (CGPF), popularmente conhecido como cartão corporativo. De acordo com os dados, em quatro anos de mandato, Bolsonaro gastou R$ 27.621.657,23.

As informações foram publicadas após um pedido feito, via Lei de Acesso à Informação (LAI), pela agência Fiquem Sabendo, especializada no acesso a informações públicas. Os dados do cartão estavam em sigilo até o fim do mandato de Bolsonaro.

Os gastos do ex-presidente incluem hospedagens em hotéis, alimentação, compras em mercado, pedágios de rodovias e farmácias. Somente em alimentação, as despesas de Bolsonaro somam R$ 10,2 milhões. Desse total, R$ 581 mil foram gastos em padarias, R$ 408 mil em peixarias e R$ 8,6 mil em sorveterias.

A maior despesa com alimentação registrada foi no dia 26 de outubro de 2021, em Boas Vista (RR). Na ocasião, o ex-presidente gastou R$ 109.266 no restaurante Sabor de Casa Delivey. O valor empenhado pela Presidência da República compraria mais de 2,1 mil pratos de frango assado com farofa e baião, prato mais caro do estabelecimento, no valor de R$ 50. Os outros pratos da casa são a marmita econômica (R$17) e a marmita tradicional (R$23).

Segundo o manual de solicitação do cartão corporativo divulgado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o cartão é utilizado para efetuar despesas em que não é possível aplicar o empenho direto ao fornecedor ou prestador, precedido de licitação ou sua dispensa.

O manual afirma que o cartão deve ser utilizado com a “interpretação mais rigorosa e a conduta mais cautelosa”. A cartilha também recomenda que não devem ser realizados gastos em restaurantes, em eventos, com aquisição de gêneros alimentícios para preparo na própria repartição ou fora desta, com refeições prontas, “salvo se houverem justificativas plausíveis para atendimento da finalidade pública”.

AUTORIA

Caio Matos

CAIO MATOS Repórter. Formado em jornalismo pela Universidade Paulista (Unip). Trabalhou na Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) e nas assessorias de comunicação da Casa Civil da Presidência da República e da Codeplan.

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Lula diz que não vai demitir Múcio por erro e acusa militares de facilitarem ação de golpistas

O presidente Lula disse nesta quinta-feira (12) que o ministro da Defesa, José Múcio, continuará no cargo, a despeito das críticas dirigidas a ele após os ataques golpistas do último domingo em Brasília. O petista afirmou que não pode demitir um ministro com quem tem “relação histórica” e de “profundo respeito” por qualquer erro cometido.

“Quem coloca ministro e tira ministro é o presidente da República. O José Múcio fui eu que o trouxe pra cá. Ele vai continuar sendo meu ministro, porque confio nele. É um companheiro de minha relação histórica. Tenho o mais profundo respeito por ele e ele vai continuar. Se eu tiver de demitir cada ministro na hora que ele cometer um erro, vai ser a maior rotatividade de mão-de-obra da história do Brasil, porque toda hora nós cometemos erros”, afirmou o presidente durante café da manhã com jornalistas que cobrem o Palácio do Planalto, do qual o Congresso em Foco participou.

Lula chamou de “especulação” rumores sobre a eventual demissão do ministro por causa das falhas na segurança durante a invasão aos prédios do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). “Na minha cabeça, o José Múcio é o meu ministro”, reforçou. É grande a cobrança de aliados, sobretudo do PT, pela saída de Múcio. A avaliação entre os críticos é de que o ministro foi condescendente com os golpistas ao qualificar os acampamentos em frente aos quartéis-generais do Exército em várias cidades brasileiras como “manifestações democráticas” e não determinar o seu desmantelamento.

Durante uma hora e meia de conversa, o presidente voltou a condenar os atos golpistas. Para Lula, houve conivência dentro da Polícia Militar do Distrito Federal e das Forças Armadas. O episódio, segundo ele, deve servir de “alerta” para todo país. “Daqui para frente vamos ser muito mais duros e muito mais cautelosos, porque não pode acontecer o que aconteceu”, advertiu.

Desmilitarização do Planalto

O presidente admitiu desconfiar que militares tenham aberto as portas do Planalto para a entrada dos invasores golpistas.

“Eu estou esperando a poeira baixar. Eu quero ver todas as fitas gravadas dentro da Suprema Corte, dentro do palácio. Teve muito agente conivente. Teve muita gente da PM conivente. Muita gente das Forças Armadas aqui de dentro conivente. Eu estou convencido que a porta do Palácio do Planalto foi aberta para essa gente entrar porque não tem porta quebrada. Ou seja, alguém facilitou a entrada deles aqui”, afirmou.

De acordo com Lula, o momento exige uma “triagem profunda” no Planalto, com a entrada de servidores civis e a desmilitarização do palácio. “A verdade é que o Palácio estava repleto de bolsonaristas, de militares e estamos vendo se a gente conseguir corrigir para colocar funcionários de carreira – de preferência funcionários civis que estavam aqui e foram afastados, transferidos de departamento – para que isso se transforme num gabinete civil.”

Ele ressaltou que sempre teve boa relação com os militares durante seus oito anos de governo, entre 2003 e 2010, e que espera retomar esse diálogo. Mas, para isso, pontuou, deseja que as Forças Armadas compreendam o papel que têm no Estado brasileiro.

“As Forças Armadas não são o poder moderador como pensam que são. As Forças Armadas têm um papel na Constituição, que é a defesa do povo brasileiro e da nossa soberania contra possíveis inimigos externos. É isso o papel das Forças Armadas e está definido na nossa Constituição. É isso que quero que seja bem feito”, defendeu.

GLO

Lula disse, sem citar nomes, que chegaram a lhe sugerir, no próprio domingo, que decretasse uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para conter os atos golpistas, mas que descartou prontamente a ideia porque isso representaria renunciar à sua responsabilidade e abrir caminho para o “golpe”.

Prevista na Constituição, a GLO pode ser realizada apenas por solicitação do presidente da República em casos de urgência na segurança pública no caso em que as forças tradicionais não conseguem conter totalmente uma situação. Nesse caso, as Forças Armadas são chamadas a comandar o processo até que se retome a normalidade.

“Se eu tivesse feito GLO, eu teria assumido a responsabilidade de abandonar a minha responsabilidade. Aí sim estaria acontecendo o golpe que as pessoas queriam. O Lula deixa de ser governo para que algum general assuma. Quem quiser assumir o governo que dispute uma eleição e ganhe”, afirmou.

O primeiro café da manhã de Lula com jornalistas foi organizado pelo ministro Paulo Pimenta, da Secretaria Especial de Comunicação Social, e reuniu cerca de 50 profissionais de imprensa. Além de Pimenta, que fez uma explanação inicial, prometendo empenho no combate à violência contra jornalistas, também acompanhou o presidente na entrevista a primeira-dama, Janja da Silva.

AUTORIA

Edson Sardinha

EDSON SARDINHA Diretor de redação. Formado em Jornalismo pela UFG, foi assessor de imprensa do governo de Goiás. É um dos autores da série de reportagens sobre a farra das passagens, vencedora do prêmio Embratel de Jornalismo Investigativo em 2009. Ganhou duas vezes o Prêmio Vladimir Herzog. Está no site desde sua criação, em 2004.

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