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Sondagem da CNI mostra desaceleração na atividade da indústria da construção

Sondagem da CNI mostra desaceleração na atividade da indústria da construção

Sinais de desquecimento

Índice de evolução do nível de atividade da construção caiu de 53,4 pontos para 50 pontos em outubro, o que mostra estabilidade

 

O nível da atividade e o número de empregados do setor da construção desaceleraram depois de quatro meses de altas e as expectativas dos empresários da construção para os próximos seis meses pioraram. É o que mostra Sondagem Indústria da Construção divulgada na manhã desta terça-feira (22) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Pelos números, o índice de evolução do nível de atividade da construção caiu de 53,4 pontos para 50 pontos em outubro. O indicador varia de 0 a 100, e dados acima de 50 pontos demonstram crescimento e, abaixo desse valor, queda. Como ficou exatamente na linha divisória, a atividade mostrou-se estável entre setembro e outubro, explica a CNI.

O índice que mede a evolução no número de empregados no setor também recuou, passando de 53,4 pontos para 50,6 pontos em outubro, apontando, ainda assim, crescimento, mesmo que tímido.

Para Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a estabilidade na atividade da construção ocorreu após sequência de quatro meses de altas significativas. “E o emprego cresceu muito pouco, mas cresceu. Ainda temos dados elevados apesar da desaceleração. Mas as expectativas indicam que, nos próximos meses, seguiremos com um ritmo menor de expansão, até mesmo com uma possível queda da atividade e do emprego em algum mês”, disse.

Nesta edição, a sondagem mostra que a Utilização da Capacidade Operacional da construção permanece em 68% pelo quarto mês consecutivo. “É o mais elevado nível de utilização da capacidade operacional na construção para um mês de outubro desde 2013”, comenta a CNI.

Outro dado da pesquisa, o Índice de Confiança do Empresário da indústria da construção caiu 6,2 pontos, para 53,9 pontos, em novembro. O principal fator que explica o recuo, segundo a CNI, é a expectativa para a economia brasileira para os próximos seis meses, que indica migração de um estado de otimismo para um estado de pessimismo dos empresários da construção.

“Os empresários da construção seguem otimistas, mas o otimismo se mostra bem mais moderado que em meses anteriores. Os empresários da construção esperam menor crescimento da atividade e menor número lançamento de novos empreendimentos e serviços nos próximos seis meses. Além disso, pretendem comprar menos insumos e matérias-primas e aumentar menos o número de empregados”, diz a entidade.

INFOMONEY

https://www.infomoney.com.br/economia/sondagem-da-cni-mostra-desaceleracao-na-atividade-da-industria-da-construcao/

Sondagem da CNI mostra desaceleração na atividade da indústria da construção

PIB: como é calculado e qual a relação com o crescimento econômico do país

Entenda por que o indicador é considerado o termômetro da economia de um país

A economia é um tema presente todos os dias nas televisões, rádios, jornais, sites e demais meios de comunicação no mundo inteiro. Nesse sentido, um conceito ganha destaque e está entre os mais importantes quando pensamos na atividade econômica de um país: o Produto Interno Bruto (PIB).

No Brasil, esse indicador é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a cada três meses. Ele serve para avaliar a evolução da economia ano a ano e para compará-la à performance de outras nações. Quanto maior for o PIB, mais aquecida estará a economia nacional; já o indicador em queda é um sinal preocupante pois, dependendo do caso, o país pode entrar em uma recessão. Por isso, costuma-se dizer que o indicador funciona como um termômetro da economia de um país.

Neste conteúdo, você entenderá o que é esse indicador, como ele é calculado e por que ele é tão importante para a análise da economia de um país. Continue a leitura e confira a seguir.

O que é PIB

O Produto Interno Bruto (PIB) corresponde ao somatório de todos os produtos finais da economia de uma determinada região, seja ela uma cidade, estado ou país.

Um aspecto importante a entender é que o PIB não mostra o estoque de bens e serviços, mas sim o volume desses itens que o país produziu em um determinado período. Ou seja, o indicador não representa a riqueza total que o país possui.

Para fins de contagem, o valor do PIB zera no início do ano e é feito um novo cálculo que toma o ano anterior como referência. Assim, consegue-se ver como o indicador evoluiu de um período para o outro. Se a produção do ano atual tiver sido menor do que a do ano anterior, dizemos que o PIB do país foi negativo no exercício em questão.

Como o PIB é calculado

Para calcular o PIB, deve-se considerar somente os bens e serviços que chegam até o consumidor, para evitar contagem em duplicidade e distorção do indicador.

Imagine que uma indústria de massas seja responsável por todas as etapas do processo produtivo, desde o plantio do trigo até a produção dos itens que chegam até o consumidor. Cada etapa do processo (plantio, fabricação de farinha e produção das massas) possui o seu próprio custo. No entanto, para fins de PIB, os custos dos produtos intermediários devem ser deduzidos do preço do produto final.

Por exemplo, em um determinado mês, os custos de produção dessa indústria totalizaram R$ 100.000, e ela repassou as massas aos supermercados a R$ 150.000. Nesse caso, o valor das massas no PIB será de R$ 50.000.

Ou seja, para o cálculo do indicador, não são considerados os itens intermediários que entram no processo de produção. Essa lógica vale para todos os produtos e serviços que fazem parte da economia.

Podemos calcular o PIB de duas maneiras: sob o aspecto da oferta e da demanda de bens e serviços. Independentemente de qual seja a forma escolhida, o resultado do indicador será o mesmo. Porém, a diferença de metodologia é importante para avaliar a economia sob diferentes pontos de vista. Acompanhe a seguir.

Cálculo a partir da oferta

Quando consideramos a oferta para calcular o indicador, basta somar tudo o que os três setores da economia produziram em determinado período.

Dessa forma, temos:

PIB = agropecuária + indústria + serviços

No caso do Brasil, o setor de serviços é o mais representativo na nossa economia. Isso porque ele corresponde a mais da metade do PIB nacional e a cerca de 75% dos empregos gerados atualmente no País.

Cálculo a partir da demanda

Por sua vez, o cálculo do PIB a partir da demanda utiliza a seguinte fórmula:

PIB = C + I + G + (X-M)

Veja agora o que cada letra da fórmula significa:

  • C: consumo das famílias
  • I: investimentos das empresas (ampliação de fábricas, compras de equipamentos, entre outros)
  • G: gastos do governo (infraestrutura, previdência, programas sociais, etc.)
  • X – M: balança comercial (diferença entre exportações e importações)

Perceba que as variáveis acima (consumo pessoal, investimentos de empresas e do governo, exportações e importações) abrangem praticamente todos os aspectos da economia. Por isso, o cálculo do indicador é algo bastante complexo.

Itens considerados para o cálculo do PIB

Para calcular o PIB, o IBGE utiliza dados que ele mesmo produz e outros de fontes externas para calcular o indicador. Alguns dos mais importantes são os seguintes:

Balanço de pagamentos

Esse indicador mostra a relação comercial que o Brasil possui com os demais países. No balanço de pagamentos, são consideradas informações referentes a transações internacionais, como compras e vendas de serviços e remessa e recebimento de recursos de fora, por exemplo.

Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)

IPCA é o índice que mede a inflação oficial do Brasil. O seu cálculo, feito pelo próprio IBGE,  abrange 90% das famílias que vivem nas áreas urbanas do país e, por isso, é considerado um índice “amplo”.

Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA)

O IPA  também é um índice de inflação, porém ele registra as variações dos preços de produtos agropecuários e industriais nas transações entre empresas. Ou seja, ele considera os estágios de comercialização que antecedem o produto final.

Quem calcula esse índice é a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF)

Essa pesquisa, realizada pelo IBGE, avalia basicamente os rendimentos das famílias e como são os seus gastos. O objetivo da POF é traçar um perfil das condições econômicas da população a partir da análise dos orçamentos familiares.

Pesquisa Anual de Comércio (PAC)

O objetivo dessa pesquisa é obter informações sobre a estrutura da atividade de comércio brasileira. Para isso, O IBGE levanta diversas informações de organizações formalmente constituídas, como número de empresas, receitas de vendas, margens de lucro, estoques, despesas, entre outros aspectos.

Pesquisa Anual de serviços (PAS)

Os itens levantados e analisados pela PAS são os mesmos que vimos no item anterior. A diferença é que essa pesquisa considera em seu cálculo somente as empresas formalmente constituídas que atuam exclusivamente no setor de serviços.

Produção Agrícola Municipal (PAM)

A PAM analisa a produção agrícola brasileira de itens importantes na pauta de exportações. Outro fator considerado na avaliação é a relevância social desses produtos, pois são itens que constam na cesta básica da população.

PIB per capita

Quando falamos em PIB, outro conceito muito lembrado é o de PIB per capita. Basicamente, esse indicador é obtido quando dividimos o valor do PIB pelo número de habitantes do município, país ou estado em questão.

Como o PIB é um indicador utilizado para classificar as regiões como ricas, pobres ou desenvolvimento, muitos podem pensar que um PIB per capita alto significa que, de forma geral, as pessoas vivem bem. No entanto, utilizar o indicador para avaliar a qualidade de vida da população não é correto, pois mesmo um local com PIB per capita alto pode não ter uma distribuição de renda equilibrada.

Além disso, é preciso lembrar que o indicador determina o quanto a economia cresceu em um determinado período, e não a riqueza total de uma região. Dessa forma, pode acontecer de o PIB crescer e parte da população ficar mais pobre ao mesmo tempo. E também pode ser que um país com PIB pouco expressivo tenha uma população com melhores condições de vida do que um país com PIB total e per capita maior.

Evolução do PIB brasileiro

De acordo com informações do Banco Mundial, o PIB do Brasil alcançou os seguintes valores nos últimos 10 anos:

Ano Valor do PIB (US$ trilhões)
2012 2,465
2013 2,473
2014 2,456
2015 1,802
2016 1,796
2017 2,064
2018 1,917
2019 1,873
2020 1,449
2021 1,609

Qual a importância do PIB para o país?

Como vimos, o PIB é o principal termômetro da economia de um país, pois, ao analisá-lo, conseguimos ver como a produção nacional variou ao longo dos anos.

Se o indicador está crescendo, isso significa que a economia do país também está apresentando um bom desempenho. Por outro lado, se o PIB está em queda, é um indicativo de retração da atividade econômica. Nesse caso, é preciso identificar o que está afetando negativamente a produção para que se possa traçar novas estratégias para a economia.

Relação do PIB com o crescimento econômico

Um PIB que evolui positivamente é sinal de atividade econômica aquecida. De forma geral, isso traz geração de empregos, ambiente propício a novos negócios, melhora na renda da população e incentivo ao consumo.

Além desse cenário favorecer a economia nacional, ele também desperta o interesse de investidores estrangeiros, que se sentem mais seguros em aportar recursos no país. Dessa forma, aumenta o dinheiro em circulação na atividade econômica, o que também fortalece a moeda local e gera ainda mais crescimento. Ou seja, é uma fase positiva que se retroalimenta e deixa a economia do país cada vez mais forte.

Lembrando que o PIB, por si só, não representa a riqueza de um país, mas sim a evolução da atividade produtiva em determinado período. Como vimos, não basta comparar o PIB de dois países para sabermos qual é o mais rico, pois esse indicador não aponta fatores específicos como qualidade de vida, distribuição de renda, e outros igualmente importantes para entendermos as reais condições econômicas de uma população.

PIB nominal e PIB real

Outros dois conceitos que surgem quando falamos no indicador são PIB nominal e PIB real.

O PIB nominal é obtido considerando os preços no momento em que determinado item foi produzido e comercializado. Nesse sentido, ele leva em conta  que ocorreram variações nos preços, seja para cima ou para baixo.

Já o PIB real mede o volume físico dos produtos e serviços e considera os preços constantes em um determinado período. Ou seja, ele despreza os efeitos da inflação ou deflação no seu cálculo. Conhecer essa diferença é importante, pois os efeitos da alta ou da queda dos preços podem distorcer a mensuração do PIB de um período.

Por exemplo, em um determinado ano, um país apresentou PIB de US$ 2 trilhões. No ano seguinte, a atividade econômica permaneceu no mesmo patamar, mas os preços subiram 30%.

Nesse caso, se olharmos o PIB nominal, diremos que houve crescimento de 30% em relação ao ano anterior. Porém, as quantidades produzidas não variaram, pois a economia se manteve constante. É por isso que o PIB real é o indicador mais utilizado para observar a evolução da economia.

Diferença entre PIB e PNB

PNB é a sigla para Produto Nacional Bruto, e representa o somatório de tudo o que foi produzido por um país em determinado período, no território nacional e no exterior. Ou seja, o cálculo do indicador considera também a produção de empresas nacionais que têm filiais no exterior.

Em relação ao PIB, o PNB se diferencia devido à Renda Líquida Enviada ao Exterior (RLEE), indicador que representa a diferença entre os valores enviados e recebidos do exterior a partir de fatores de produção.

A sua fórmula é a seguinte:

PNB = PIB – RLEE

Normalmente, países mais desenvolvidos costumam ter o PNB maior do que o PIB, devido à RLEE negativa. Ou seja, de forma geral, esses países recebem mais recursos do exterior do que enviam. Logo, o PNB é um indicador mais eficiente para avaliar como o país se posiciona na economia internacional.

O PIB impacta nos investimentos?

Sim, o PIB impacta nos investimentos, e o motivo é muito simples: como vimos durante todo esse conteúdo, o indicador reflete diretamente o que acontece na economia. Logo, uma atividade econômica robusta e em crescimento proporciona mais oportunidades para as empresas crescerem. Além disso, novos negócios são abertos, mais pessoas são empregadas, os salários aumentam e tudo isso favorece cada vez mais a economia.

Lembrando que empresas mais sólidas têm resultados melhores, distribuem mais dividendos e têm suas ações mais valorizadas. Todo esse cenário favorável acaba atraindo capital estrangeiro, o que contribui para a melhora da percepção de risco do país, seja na bolsa de valores ou na renda fixa.

Porém, é importante entender que, apesar de o crescimento do PIB ser positivo para a economia, isso não significa que os investimentos irão render na mesma proporção. No Brasil, o mercado de capitais ainda é pequeno se comparado a outros países e representa uma parcela pequena de nossa economia. Por aqui, temos pouco mais de 400 empresas listadas na B3, enquanto NYSE e Nasdaq, por exemplo, possuem juntas mais de seis mil empresas.

Outro ponto a considerar é que existem diversos fatores que impactam no crescimento das empresas que não estão ligados ao cenário macroeconômico. Nesse sentido, é possível que, mesmo em períodos de PIB em alta, algumas empresas apresentem indicadores financeiros ruins devido a endividamento elevado, problemas de produção ou má gestão, entre outros.

O mesmo vale para a renda fixa, pois o PIB, apesar de ser um componente macroeconômico importante, não é o único determinante da taxa de juros do país. Isso porque fatores como risco fiscal e político, por exemplo, também influenciam os juros e a valorização ou desvalorização da moeda local. Portanto, além do PIB, existem diversos outros aspectos a serem considerados ao se avaliar os investimentos.

INFOMONEY

https://www.infomoney.com.br/guias/pib-produto-interno-bruto/

Sondagem da CNI mostra desaceleração na atividade da indústria da construção

Possível mudança na PEC da Transição acalma mercados

Após recuar 0,83%, na parte da manhã e atingir a mínima de 107.957 pontos, o IBovespa, principal indicador da B3, chegou ao pico de 110.235 pontos, com alta de 1,25% ao longo do dia

Rosana Hessel

Apesar de ter começado o dia no vermelho, a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) encerrou o pregão de ontem em alta, diante da expectativa de uma flexibilização na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição, com valores bem menores do que o apresentado por integrantes do futuro governo na semana passada.

Dois senadores tucanos, Alessandro Vieira (PSDB-SE) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) redigiram propostas alternativas para o estouro do teto de gastos no Orçamento de 2023 com valores inferiores aos quase R$ 200 bilhões previstos pela equipe de transição. Até o economista Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda e integrante da equipe, chegou a admitir uma redução para R$ 136 bilhões na previsão de gastos extrateto.

Após recuar 0,83%, na parte da manhã e atingir a mínima de 107.957 pontos, o Índice Bovespa (IBovespa), principal indicador da B3, chegou ao pico de 110.235 pontos, com alta de 1,25% ao longo do dia. No encerramento do pregão, contudo, fechou com ganho de 0,81%, a 109.748 pontos. O dólar, por sua vez, caiu 1,19%m cotado da R$ 5,311 para venda, também diante da expectativa de desidratação do tamanho do rombo da PEC da Transição.

“O mercado entendeu que a PEC enviada ao Congresso vai ser flexibilizada e que a proposta chegou ao Congresso com a famosa ‘gordura'”, destacou Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.

A proposta inicial da PEC da Transição prevê R$ 198 bilhões acima do teto de gastos para manter o Auxílio Brasil — que voltará a ser chamado de Bolsa Família — de R$ 600, mais R$ 150 para cada criança abaixo de seis anos. Além disso, o texto contempla R$ 23 bilhões em investimentos, sem qualquer contrapartida de receita, o que deixou especialistas em contas públicas e agentes do mercado financeiro preocupados, porque R$ 105 bilhões já estão reservados para o auxílio no Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) de 2023, com valor médio menor do benefício, de R$ 405.

Logo, para ampliar o auxílio em R$ 200 e ainda pagar o adicional de R$ 150 para as famílias com crianças pequenas, o custo extra seria de R$ 70 bilhões, como prevê a PEC do senador Alessandro Vieira. Já a de Tasso Jereissati prevê R$ 80 bilhões, porque inclui alguns benefícios adicionais, como o reajuste do salário mínimo acima da inflação em 2023.

O economista Samuel Pessoa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), fez um alerta sobre a necessidade de a PEC apontar as fontes de recursos para o aumento de despesas. “O importante é sabermos como é que iremos financiar (os gastos extras)”, afirmou.

Analistas do Legislativo alertam para outra bomba fiscal armada na tramitação do Orçamento do ano que vem: as emendas parlamentares. Até o último dia 15, foram registradas 6.575 emendas ao Ploa de 2023, propondo mais R$ 234,3 bilhões em gastos adicionais. Desse total, R$ 70 bilhões seriam destinados à assistência social e R$ 32,3 bilhões à saúde. Os especialistas admitem que “uma boa parte” poderá ser incluída no relatório final da proposta orçamentária.

CORREIO BRAZILIENSE

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2022/11/5053474-possivel-mudanca-na-pec-da-transicao-acalma-mercados.html

Sondagem da CNI mostra desaceleração na atividade da indústria da construção

65,5 milhões ganham até dois salários mínimos

Salários são rebaixados sob Bolsonaro. Maioria da população ocupada recebe até R$ 2.424

por Redação

A transição presidencial de Bolsonaro (PL) para Lula (PT) tem reservado diversas surpresas negativas encontradas pelo governo eleito. Uma das heranças será o rebaixamento de salários. Conforme traz o Valor Econômico, 67,1% da população ocupada no país, o que corresponde a 65,5 milhões de trabalhadores, ganha até dois salários mínimos, R$ 2.424.

Os dados se referem ao terceiro trimestre desse ano e foram compilados pela LCA Consultores com base Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-IBGE). A população total ocupada é de 97,5 milhões. Considerando apenas as pessoas que ganham até um salário mínimo, são 34,7 milhões de ocupados, 35,6% do total.

Entre os motivos levantados para essa grande parcela da sociedade que vive com baixos salários em um cenário de alta da inflação, que atinge principalmente os alimentos, está a pandemia de covid-19 que ampliou o número de trabalhadores que aceitaram menores salários para continuarem empregados ou mesmo como forma de se inserirem no mercado de trabalho.

A baixa qualificação dos trabalhadores nacionais é vista como um fator que impede que os salários, de maneira geral, se valorizem com o consequente aumento de produtividade. É considerado que o nível de qualificação aumentou nas últimas décadas, mas que ainda é preciso avançar na qualidade educacional – situação agravada pelo governo Bolsonaro com os cortes na educação.

Em 2021, nos dois últimos trimestres, a porcentagem de trabalhadores que recebiam até 2 salários mínimos chegou a 71%.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2022/11/22/sob-bolsonaro-655-milhoes-ganham-ate-dois-salarios-minimos/

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A falácia do teto de gastos: economistas rebatem Fraga, Malan e Bacha

Em “Carta ao presidente Lula”, cinco economistas defendem a revogação do teto de gastos e mostram que a medida não funcionou no governo Bolsonaro

por André Cintra

“A ideia de que o teto de gastos é fundamental para garantir a disciplina fiscal é uma falácia.” A opinião é compartilhada por cinco economistas – José L. Oreiro, Luiz Fernando de Paula, Luiz Carlos Bresser-Pereira, Kalinka Martins e Luiz C. Magalhães – que assinam a “Carta ao presidente Lula”, publicada nesta segunda-feira (21), no site do jornal Folha de S.Paulo.

O texto é uma réplica a um artigo pró-teto de gastos que os também economistas Arminio Fraga, Edmar Bacha e Pedro Malan escreveram para o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 17 de fevereiro. “O teto, hoje a caminho de passar de furado a buraco aberto, foi uma tentativa de forçar uma organização de prioridades”, opinou o trio. “Por que isso? Porque não dá para fazer tudo ao mesmo tempo sem pressionar os preços e os juros. O mundo aí fora está repleto de exemplos disso.”

Na resposta a Fraga, Malan e Bacha, a “Carta ao presidente Lula” defende a revogação do teto de gastos – que, na prática, não vingou como indutor de uma suposta responsabilidade fiscal. Segundo os autores do texto, a Emenda Constitucional Nº 95 – que impôs um limite apenas para investimentos em áreas sociais – fracassou: “De fato, o teto se mostrou incapaz de impedir que o governo de Jair Bolsonaro (PL) realizasse um volume de gastos de R$ 795 bilhões extrateto em quatro anos e de criar de novos gastos públicos a menos de seis meses das eleições”.

Com base no indicador  Embi+, os cinco economistas acrescentam que “a avaliação do mercado é clara: o teto de gastos não foi capaz de reduzir o risco-país”. Além disso, a redução dos gastos em áreas sociais, decorrente do teto, provoca “um esmagamento a longo prazo sobre o orçamento dedicado a essas áreas”. Eles explicam: “ao congelar em termos reais por um período de 20 anos os gastos primários, o crescimento vegetativo dos gastos com Previdência Social de 3% ao ano faz com que os demais itens do Orçamento sejam comprimidos”.

A “Carta” conclui que o governo Bolsonaro inviabilizou o teto. “Além da redução do investimento público e dos recursos nas áreas de saúde e educação, os salários dos servidores foram reduzidos de uma média de 4,4% do PIB dos governos FHC, Lula, Dilma e Temer para menos de 3% do PIB em 2022. Esse ajuste chegou ao seu limite, não sendo mais sustentável mantê-los comprimidos”.

Assim, Oreiro, De Paula, Bresser-Pereira, Kalinka e Magalhães avalizam a tese de Lula segundo a qual não pode haver responsabilidade fiscal sem responsabilidade social. Segundo eles, é “legítimo e viável abrir espaço no Orçamento para viabilizar gastos públicos para enfrentamento da crise social e econômica, que deverá ser combinado, quando empossado, com adoção de uma nova regra fiscal que combine flexibilidade orçamentária com sustentabilidade da dívida pública”.

VERMELHO

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Movimentos sociais cobram de Lula transição “mais popular”

Para João Paulo Rodrigues, do MST, é fundamental que a voz da sociedade civil organizada seja ouvida também em áreas como Economia, Agricultura e Defesa

por André Cintra

“A gente acha que a transição tem que ser frente ampla, mas tem que ser popular.” É assim que João Paulo Rodrigues, da direção nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), define as demandas que os movimentos sociais querem levar ao presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Desde o último dia 14 de novembro, a sede CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), em Brasília, abriga o Gabinete de Transição para o novo governo, sob a coordenação do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB). Lideranças sociais foram indicadas para alguns Grupos Temáticos (GTs). Quatro presidentes de centrais sindicais, por exemplo, compõem o GT Trabalho.

Mas, para João Paulo, é fundamental que a voz da sociedade civil organizada seja ouvida também em áreas como Economia, Agricultura e Defesa. Segundo a Folha de S.Paulo, “há uma avaliação de que é necessário ampliar a participação desses grupos, mesmo que como voluntários. O recado foi transmitido à presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), em reunião na semana passada”.

Os movimentos também trabalham para massificar tanto a diplomação (em 19 de dezembro) quanto a posse de Lula e Alckmin (em 1º de janeiro), mobilizando militantes de diversas entidades e regiões. Muitas caravanas a Brasília já estão programadas para a virada do ano. “A posse tem que ter uma estética que demonstra como vai ser esse governo. Tem que ter uma participação do País todo, sob pena de nós não termos força como precisamos ter”, afirma João Paulo.

A cobrança já começa a surtir efeito: uma dos avanços recentes foi a criação do Conselho Social da Transição e dos núcleos de apoio aos GTs. Na visão da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), o governo, a exemplo da transição, também deve mais instâncias de participação. “Precisamos construir outros mecanismos de articulação para que nós sejamos ouvidos para as decisões do governo”, afirma Aristides Santos, presidente da Contag.

Em entrevista recente à Folha, João Paulo Rodrigues lembrou que a base já tem reivindicações na ponta da língua para Lula. “Vamos apoiar o governo, ajudar a governar se for possível, mas nossa base que tem que ser contemplada, com crédito, terra e política pública. Vamos ter que ter uma combinação permanente de ‘pau e prosa’.”

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2022/11/22/movimentos-sociais-cobram-de-lula-transicao-mais-popular/