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Novo governo pretende devolver militares exclusivamente à defesa

Novo governo pretende devolver militares exclusivamente à defesa

De acordo com Mercadante, novo governo pretende manter militares apenas em funções ligadas direta ou indiretamente à defesa nacional. Foto: Divulgação/Exército

FORÇAS ARMADAS

Uma das marcas da gestão de Jair Bolsonaro (PL) enquanto presidente foi a distribuição de militares das Forças Armadas a cargos elevados nas diversas funções do governo. Sob a justificativa de aproveitamento de suas qualificações, oficiais passaram a assumir ministérios como o da Saúde, Infraestrutura e Minas e Energia, preencheram a presidência da Petrobras e assumiram diversas secretarias executivas. De acordo com Aloizio Mercadante, coordenador dos grupos técnicos do gabinete de transição, o novo governo pretende devolver os militares à antiga função.

“Historicamente, os militares sempre tiveram um papel muito relevante na defesa. Essa história dos militares estarem em outras áreas é uma coisa recente desse governo”, afirmou Mercadante em coletiva de imprensa quando questionado sobre a ausência de militares nos grupos de transição. Essa ausência, porém, não é definitiva: o grupo técnico de defesa só será desenhado após o retorno do presidente eleito Lula (PT) de sua viagem ao Egito, onde participa da COP27, havendo ainda janela para inclusão de militares na equipe.

Para o novo governo, Mercadante conta que não fica descartada a participação de militares em assuntos de outras pastas, desde que para exercer funções que estejam conectadas com a defesa nacional. “Eventualmente podem estar, por exemplo, engenheiros militares na área de infraestrutura. Não tem nenhum problema, mas com foco na área da defesa que é a função deles”, explicou.

Ele relembra que essa integração foi adotada nas gestões anteriores do PT, quando militares participaram em conjunto do Ministério da Ciência e Tecnologia na aquisição e elaboração de projetos de modernização dos equipamentos das três forças armadas, como a aquisição de novos caças e radares para a força aérea e uma nova frota de submarinos para a Marinha.

Participação de policiais

Enquanto que na área de defesa a inclusão de militares dentro do grupo de transição é incerta, Mercadante anunciou que já existem planos para incluir policiais no grupo técnico de justiça e segurança pública. “Sob a coordenação de Flávio Dino e sua equipe, eles já vão identificar oficiais da Polícia Militar para participar, delegados e agentes da Polícia Civil, Federal, entre outros. Eles serão ouvidos e vão participar decisivamente”.

A ausência de policiais na formação inicial do time de segurança da transição, de acordo com ele, se dá por conta do grande número de órgãos policiais que precisam ser escutados no processo. “Eles não foram convidados na primeira etapa porque temos a Polícia Federal, Rodoviária, Científica, Penitenciária, Militar, Civis e guardas municipais. É um contingente muito grande, é preciso escolher bem, (…) se não fica um grupo imenso e de difícil operacionalização”.

Cargos militares

Militares tanto das forças de segurança quanto das forças armadas contaram com um aumento significativo de sua participação não apenas nas chefias de pastas e secretarias executivas na gestão Bolsonaro, mas de cargos em todo aparato burocrático da União. De acordo com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, o período entre 2013 e 2021 contou com aumento de 70% na presença de militares em cargos públicos administrativos, com pico a partir de 2019.

Apenas entre o ano de 2018 e 2019, aumentou em 60% a participação de militares nas diretorias e cargos comissionados do governo, distribuídos em todos os escalões dos ministérios, estatais e autarquias. O Ministério da Economia foi o que recebeu o maior número de quadros militares, com 84 nomeações entre 2018 e 2021. Na sequência, estão o Ministério da Justiça, com 50, e o da Saúde, com 40.

AUTORIA

Lucas Neiva

LUCAS NEIVA Repórter. Jornalista formado pelo UniCeub, foi repórter da edição impressa do Jornal de Brasília, onde atuou na editoria de Cidades.

CONGRESSO EM FOCO
Novo governo pretende devolver militares exclusivamente à defesa

Mercado ataca Lula, mas ignora R$ 795 bi gastos por Bolsonaro fora do teto

Lula nem foi empossado e já é cobrado por teto de gastos que Paulo Guedes atravessou no primeiro ano de governo Bolsonaro, sem reações escandalizadas do mercado financeiro.

por Cézar Xavier

A transição de governo para 2023 articula no Congresso, nos Tribunais de Contas e no Judiciário para garantir que o governo possa gastar em 2023 até R$ 198 bilhões fora do Teto de Gastos — regra constitucional criada em 2016, que limita o aumento das despesas ao crescimento da inflação. Com isso, o mercado financeiro tem reagido com desagrado, embora o governo Bolsonaro tenha feito isso em patamares quatro vezes maior, sob aplausos dos especuladores.

A maior parte deste valor equivale ao Bolsa Família, que deve voltar no início do novo governo Lula, mantendo os valores atuais do Auxílio Brasil. O próximo governo também calcula como utilizar uma parte de eventuais receitas extraordinárias (por exemplo, a arrecadação com leilões de campos de petróleo) com investimentos fora do limite constitucional.

Uma das justificativas da equipe de transição é que o Orçamento de 2023 de Bolsonaro não previu recursos sequer para merenda escolar, Farmácia Popular, creches e o Auxílio Brasil de R$ 600. Isso tem sido tratado como um “orçamento de terra arrasada” pelo novo governo.

O teto de gastos foi criado em meio a polêmicas, pois nenhum governo criou um mecanismo que o impedisse de investir seus recursos, como fez Michel Temer. O objetivo do teto é garantir o pagamento de dividendos e juros a acionistas e credores da dívida pública. Como o teto já demonstrou não existir, fala-se em criar um mecanismo de controle fiscal atrelado ao tamanho da dívida, hoje em 77% do PIB.

Para alterar isso será preciso aprovar outra emenda constitucional. O vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin apresentou a chamada PEC (proposta de emenda à Constituição) da Transição nesta quarta (16), que trata desta questão.

Antes e depois da pandemia

Apesar de todo o enfrentamento a ser feito pela equipe de Lula e Alckmin, o ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, conseguiu garantir fartos recursos acima do teto. Sob o pretexto da pandemia, quando foram gastos R$ 507,9 bilhões acima do teto só em 2020 e R$ 117,2 bilhões em 2021, na verdade, as autorizações para estourar o sistema fiscal começaram em 2019 com R$ 53,6 bilhões, e prosseguiram largamente neste último ano.

Segundo levantamento do economista Bráulio Borges, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), feito a pedido da BBC News Brasil, os gastos do governo Bolsonaro acima do teto somam R$ 794,9 bilhões de 2019 a 2022.

Além das autorizações obtidas no Congresso, a cooptação do Centrão por meio de emendas secretas garantiram outras manobras para driblar o fiscalizo, como o adiamento do pagamento de precatórios (dívidas do governo reconhecidas judicialmente) e a mudança do cálculo para definir o teto em 2022.

Neste último ano, os furos no teto no valor de R$ 116,2 bilhões impulsionaram a expansão de benefícios sociais pouco antes da eleição, em uma manobra irregular para impulsionar a reeleição de Bolsonaro.

O teto de gastos foi criado para impedir que governos de esquerda gastassem com serviços públicos e gastos sociais, mas acabaram se tornando uma dor de cabeça para os próprios governos de direita. Em setembro de 2019, Bolsonaro chegou a falar em risco de paralisação da máquina pública devido ao limite de despesas. “Eu vou ter que cortar a luz de todos os quarteis do Brasil, por exemplo, se nada for feito”, disse ainda na ocasião.

Como algumas despesas obrigatórias seguiam crescendo automaticamente, caso das aposentadorias, a regra do teto exigia que outras fossem cortadas, ameaçando o funcionamento de serviços públicos essenciais.

Naquele ano, o Congresso alterou a Constituição para permitir que o governo transferisse para Estados e municípios cerca de R$ 46 bilhões relativos à arrecadação com cessão onerosa (leilão para exploração de campos de petróleo).

Além disso, em 2019 o governo registrou fora do teto a capitalização da Emgepron, estatal ligada à Marinha, em R$ 7,6 bilhões, com objetivo de usar esses recursos na compra de novos navios. A operação foi entendida pelo Tribunal de Contas da União como investimentos do Ministério da Defesa estariam dentro do limite constitucional.

Em maio de 2020, com a crise de covid-19, o Congresso aprovou o chamado Orçamento de Guerra, que garantiu recursos para despesas como recursos extras para o Sistema Único de Saúde (SUS), o programa de redução de jornada de trabalho para evitar demissões em empresas, compensações a Estados e municípios que tiveram forte perda de arrecadação, e o Auxílio Emergencial de R$ 600, que substituiu o Bolsa Família.

Além da pandemia, a gestão Bolsonaro também usou a guerra da Ucrânia como justificativa para ampliar as despesas acima do teto em 2022, embora os recursos tivessem sido liberados antes do início da guerra. Bolsonaro já estava de olho na reeleição.

No final de 2021, o governo conseguiu que o Congresso aprovasse a chamada PEC dos Precatórios, com objetivo de abrir espaço no Orçamento para manter o Auxílio Brasil em R$ 400 reais. Com isso, mudou-se o cálculo do teto baseado na inflação e autorizou-se o atraso no pagamento das dívidas judiciais da União.

Depois, em julho deste ano, o Congresso aprovou a chamada PEC Kamikaze, autorizando uma série de benefícios acima do limite constitucional, como o aumento do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 e novos auxílios para caminhoneiros e taxistas. Foi necessário modificar a Constituição, não só devido ao limite do teto, mas para contornar também a legislação eleitoral, que veda a criação de benefícios às vésperas da eleição.

VERMELHO

https://vermelho.org.br/2022/11/17/mercado-ataca-lula-mas-ignora-r-795-bi-gastos-por-bolsonaro-fora-do-teto/

Novo governo pretende devolver militares exclusivamente à defesa

Todos os gastos de governo serão revisados pela nova gestão, diz Geraldo Alckmin à GloboNews

Vice-presidente eleito defendeu responsabilidade fiscal, disse que PEC da Transição é emergencial e que novo governo terá mecanismos para equilibrar contas. Entrevista exclusiva à jornalista Miriam Leitão vai ao ar nesta quinta (17).

Por g1 e GloboNews — Brasília

O vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta quinta-feira (17) em entrevista à jornalista Miriam Leitão, da GloboNews, que o futuro governo terá compromisso com a responsabilidade fiscal – o que inclui fazer uma revisão em todos os gastos de governo previstos atualmente.

 

A entrevista exclusiva foi ao ar nesta quinta no Jornal das 10, na GloboNews.

Como exemplos de possíveis cortes de gastos, Alckmin defendeu que o governo reveja contratos e aprove, no Congresso, a reforma tributária que já está em tramitação. “É uma reforma que pode fazer o PIB [Produto Interno Bruto] crescer, tem efeito na produtividade, na competitividade, simplifica, reduz custos, evita guerra fiscal”, disse.

Alckmin também afirmou que a PEC da Transição, cujo rascunho foi apresentado ao Congresso nesta quarta-feira (16), é uma medida de emergência. E disse que o novo governo vai propor, ao longo do mandato, mecanismos para manter as contas equilibradas.

“É preciso discutir e ter uma regra fiscal que deve levar em consideração os gastos do governo, a curva da dívida, o resultado primário, uma combinação de tudo isso. Agora, não dá pra fazer em 30 dias, sem nem tomar posse. Então, o que se está fazendo com essa PEC, ela simplesmente exclui o Bolsa Família [do teto], é isso”, declarou o vice eleito.

Alckmin disse ainda a Miriam Leitão que não vê motivos para as oscilações de mercado geradas, segundo analistas, pela falta de anúncios claros do novo governo na área da responsabilidade fiscal.

 

“Não há nenhuma razão para o juro subir, pra bolsa cair, porque não há hipótese de haver irresponsabilidade fiscal. O presidente Lula é uma pessoa experiente, foi oito anos presidente da República, a dívida sobre PIB era quase 60%, quando ele saiu era 40%”, declarou.

 

A relação percentual entre a dívida pública e o PIB, citada por Alckmin, é um dos índices monitorados por investidores nacionais e internacionais. O número funciona como um indicador da capacidade do governo de honrar suas dívidas.

“[Lula] é um exemplo de responsabilidade fiscal. É que nós estamos frente a uma situação emergencial que precisa ser resolvida. E [vamos] buscar uma solução de médio prazo, onde você tenha redução da dívida ao longo do tempo”, defendeu Alckmin.

Na entrevista, Alckmin defendeu o histórico de responsabilidade fiscal dos governos anteriores de Lula. “Durante os seus dois mandatos, ele teve superávit primário todos os anos, então foi um governo com absoluto rigor fiscal”, disse o vice eleito.

 

O superávit primário citado por Alckmin indica que, naquele período, o governo arrecadou mais do que gastou – ou seja, teve saldo positivo no caixa considerando as principais despesas.

 

Alckmin defendeu que a PEC da Transição é necessária, no entanto, por uma questão “conjuntural”.

 

“Por exemplo, o Bolsa Família de R$ 600, com que os dois candidatos se comprometeram, não está previsto na Lei Orçamentária para o ano que vem”, citou.

Responsabilidade fiscal

 

Faltando 45 dias para a posse, o governo eleito vem sendo cobrado por acenos à responsabilidade fiscal porque, ainda na transição, tenta negociar uma emenda à Constituição para garantir R$ 175 bilhões fora do teto de gastos em 2023.

 

A proposta apresentada por Alckmin ontem ao Congresso Nacional prevê que essa cifra seja tirada da regra de austeridade para bancar o Bolsa Família nos moldes prometidos na campanha de Lula – R$ 600 mensais por família, com R$ 150 adicionais por cada criança de até 6 anos.

 

Se a PEC for proposta e aprovada nos termos indicados pelo governo, a medida abre no Orçamento de 2023 um espaço de R$ 105 bilhões dentro do teto de gastos – é o valor reservado pelo governo Bolsonaro para o Auxílio Brasil do próximo ano. O governo eleito quer usar essa parte do orçamento para cumprir outras promessas de campanha.

O fato de tirar as despesas do teto de gastos, no entanto, não retira do Executivo a obrigação de arranjar dinheiro para bancar o custo das medidas.

 

O governo pode cortar outras despesas ou apostar no aumento de arrecadação, por exemplo, mas a solução mais “garantida” é justamente a que desagrada o mercado: emitir títulos públicos e, com isso, aumentar a dívida federal.

 

O teto de gastos, implementado em 2017 e contornado sucessivas vezes nos anos seguintes, prevê que o aumento das despesas do governo não pode ter um ritmo maior que a inflação do período – justamente para evitar a explosão da dívida pública.

 

Mecanismos assim são chamados pelos economistas de “âncora fiscal” (veja no vídeo abaixo).

 

O governo eleito já informou, ainda na campanha, que pretende revogar o teto de gastos e propor um novo modelo de âncora.

 

Os detalhes dessa futura proposta, assim como os integrantes da equipe econômica do novo governo, ainda não foram divulgados e são aguardados com ansiedade pelo mercado financeiro.

“O presidente Lula tem compromisso com a responsabilidade fiscal. O que nós precisamos, mas não dá para fazer agora, é discutir uma legislação de responsabilidade fiscal. Se você for verificar, o governo atual esse ano é R$ 150 bilhões extrateto. Ano passado foi também, R$ 150 [bilhões], 2020 foi mais de R$ 500 bilhões”, enumerou Alckmin na entrevista à GloboNews.

G1

https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/11/17/todos-os-gastos-de-governo-serao-revisados-pela-nova-gestao-diz-geraldo-alckmin-a-globonews.ghtml

Novo governo pretende devolver militares exclusivamente à defesa

Quase 3 em cada 10 desempregados ainda seguem em busca de trabalho há mais de 2 anos, mostra IBGE

País encerrou o terceiro trimestre com 9,46 milhões de desempregados, dos quais 2,57 milhões tentam se recolocar no mercado há mais de dois anos (pelo menos desde setembro de 2020).

Cerca de 4,3 milhões desistiram da busca e estão desalentados.

Por Marta Cavallini, g1

Embora a taxa de desemprego esteja caindo no país, a melhora no mercado de trabalho ainda foi capaz de reduzir a proporção de trabalhadores que espera há muito tempo por uma recolocação.

Dados divulgados nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que quase 3 em cada 10 desempregados permanecem em busca por trabalho há mais de dois anos. Na pesquisa anterior, relativa ao 2º trimestre, a proporção era praticamente a mesma.

 

De acordo com o levantamento, ao final do 3º trimestre, o número de trabalhadores desempregados há mais de 2 anos era de 2,575 milhões, cerca de 27,2% do total de desempregados no país (9,46 milhões.

 

 

Ao final do 2º trimestre de 2022 o número de trabalhadores desempregados há mais de 2 anos era de 2,985 milhões, cerca de 29,6% do total de desempregados no país, estimado em 10,08 milhões.

 

Já 16,6% dos desocupados buscavam por trabalho há menos de um mês, 44,5% buscavam de um mês a menos de um ano e 11,6% de um ano a menos de dois anos no terceiro trimestre.

 

É considerado desempregado aquele trabalhador que não está ocupado no mercado de trabalho, tem disponibilidade para trabalhar e está, efetivamente, em busca de uma vaga.

 

A análise trimestral dos dados sugere que, quanto mais tempo o trabalhador fica desempregado, maior a dificuldade de conseguir uma recolocação no mercado de trabalho.

 

A grande maioria dos trabalhadores que buscava nova oportunidade de trabalho ao final do 3º trimestre deste ano estava na fila do desemprego há mais de um mês, mas há menos de um ano – 2 pontos percentuais maior que a observada no 2º trimestre.

 

 

Segundo o IBGE, historicamente é na faixa entre mais de 1 mês e menos de 1 ano que se concentra a maior parcela dos desempregados no país. No segundo trimestre de 2020, auge da crise provocada pela pandemia, os desempregados nesta faixa representavam 58,3% do total, proporção recorde de toda a série histórica da pesquisa.

Já a menor parcela estava na fila há mais de 1 ano, mas há menos de 2 anos, seguida pelos que buscavam nova vaga há menos de 1 mês.

 

Enquanto houve uma pequena queda de um trimestre para outro entre os que procuravam emprego há dois anos ou mais e de um ano a menos de dois anos, aumentou o percentual entre quem esperava por uma recolocação há menos de um mês e de um mês a menos de um ano.

 

Na comparação entre o 3º trimestre de 2021 e de 2022, a variação percentual foi a seguinte:

 

  • Menos de um mês: 6,2%
  • De 1 mês a menos de 1 ano: -23%
  • De 1 ano a menos de 2 anos: -57,9%
  • 2 anos ou mais: -33,8%

 

Em terceiros trimestres, a proporção de pessoas desocupadas que à procura de trabalho por dois anos ou mais vinha crescendo até 2018. Recuou em 2019 e 2020, voltou a crescer em 2021 e recuou neste ano. Os maiores patamares são do ano passado e deste ano. Veja abaixo:

 

4,3 milhões desistiram da busca

 

O levantamento do IBGE mostrou, também, que o país encerrou o 3º trimestre deste ano com um contingente de 4,3 milhões de desalentados, ou seja, pessoas desistiram de buscar uma vaga no mercado de trabalho. Esse número é praticamente o mesmo do 2º trimestre.

Desemprego atinge mais mulheres, negros e jovens

 

Veja outros destaques da pesquisa:

 

  • A taxa de desocupação por sexo foi de 6,9% para os homens e 11% para as mulheres, ou seja, a desocupação das mulheres é 59,4% maior que a dos homens – enquanto para os homens a taxa continua abaixo do índice nacional (8,7%), para mulheres segue bem acima;

 

  • A taxa de desocupação por cor ou raça ficou bem abaixo da média nacional (8,7%) para os brancos (6,8%) e bem acima para os pretos (11,1%) e pardos (10,0%);

 

  • O desemprego para quem tem ensino médio incompleto (15,3%) foi maior que para os demais níveis de instrução analisados. Para as pessoas com nível superior incompleto, a taxa foi de 9,1%, mais que o dobro da verificada para o nível superior completo (4,1%). Para os demais níveis de instrução, os índices foram: Sem instrução (7,9%), Fundamental incompleto (8,8%), Fundamental completo (10,1%) e Médio completo (9,7%);

 

  • As taxas mais elevadas estavam entre os jovens de 18 a 24 anos (18%) e de 14 a 17 anos (31,7%). Para os grupos de 25 a 39 anos (7,8%), 40 a 59 anos (5,6%) e o de 60 anos ou mais (3,7%), o desemprego ficou abaixo da taxa nacional (8,7%);

 

  • A taxa de informalidade foi de 39,4% da população ocupada no país. As maiores taxas foram no Pará (60,5%), Maranhão (59,1%) e Amazonas (57,1%). As menores foram em São Paulo (30,6%), Distrito Federal (29,8%) e Santa Catarina (25,9%);

 

  • A taxa de subutilização da força de trabalho (percentual de pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial em relação à força de trabalho ampliada) foi de 20,1%. Piauí (40,6%), Sergipe (36,1%) e Bahia (33,7%) tiveram as maiores taxas, enquanto Santa Catarina (6,8%), Rondônia (9,1%) e Mato Grosso (10,5%) tiveram as menores;

 

  • O rendimento médio mensal foi de R$ 2.737 – maior que o do segundo trimestre (R$ 2.640), com aumento em todas as regiões, e maior que o mesmo trimestre de 2021 (R$ 2.670), com expansão no Sul e Centro-Oeste;

 

  • O rendimento médio das mulheres (R$ 2.380) representou 79,3% do rendimento médio dos homens (R$ 3.001) e ficou 13% abaixo da média nacional (R$ 2.737);

 

  • O percentual de empregados com carteira assinada no setor privado foi de 73,3%. O Norte (57,7%) e o Nordeste (57,3%) tiveram os menores percentuais, enquanto o Sul (82,7%) apresentou o maior;

 

  • O percentual da população ocupada do país trabalhando por conta própria foi de 25,9%. Os maiores percentuais foram em Rondônia (37,4%), Amapá (34,7%) e Amazonas (32,4%) e os menores, no Distrito Federal (21,1%), Mato Grosso do Sul (22,0%) e Goiás (23,2%).

 

Novo governo pretende devolver militares exclusivamente à defesa

Apenas seis estados brasileiros apresentaram redução na taxa de desemprego

Taxa de desemprego se mantém estável em 21 unidades da Federação e 2,6 milhões buscam vaga há mais de dois anos

Fernanda Strickland
Raphael Pati*

Somente seis das 27 unidades da Federação apresentaram redução na taxa de desemprego na passagem do segundo para o terceiro trimestre. Nos demais 20 estados e no Distrito Federal, os índices de desocupação mostraram estabilidade, com variações de pouco significado estatístico. Além disso, 27,2% dos desempregados em todo o país — um contingente de 2,6 milhões de brasileiros — estavam há mais de dois anos procurando por uma vaga no mercado de trabalho. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, e foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o levantamento, as reduções ocorreram em Minas Gerais, Paraná, Maranhão, Acre, Ceará e Rondônia e foram determinantes para que a taxa geral de desemprego no país caísse de 9,3% para 8,7%, conforme havia sido antecipado pelo IBGE no fim de outubro.

Entre as cinco regiões, o Nordeste continuou com a maior taxa de desocupação (12,0%). Dos 10 estados com maior índice de desemprego, seis são daquela região. Já as menores taxas, no terceiro trimestre, ficaram com Rondônia (3,9%), Mato Grosso (3,8%) e Santa Catarina (3,8%). O Sul foi a região com a menor proporção (5,2%) e os seus três estados registraram percentuais abaixo da média nacional.

emprego
emprego(foto: pacifico)

Luta diária

Bruno Alves, 40 anos, contou que está desempregado há seis anos. Em 2016, ele foi demitido da função de assistente administrativo na Polícia Civil do DF. Desde então, tem conseguido apenas serviços esporádicos, como preenchimento de declarações de Imposto de Renda e cálculos previdenciários. Há dois anos, começou a estudar para prestar concurso do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Mesmo realizando esses trabalhos, Bruno enfrenta muita dificuldade para manter as contas de casa em dia. Embora a esposa e a mãe, que moram com ele, ajudem com as despesas, a colaboração de amigos e da igreja que a família frequenta tem sido fundamental para evitar aperto no fim do mês.

“Para poder comer aqui em casa, contamos com o apoio de muitos amigos e da igreja, com doações de cestas básicas e outras coisas”, explicou Bruno. “Com isso, conseguimos pagar as contas. Se não tivéssemos o apoio dos irmãos da igreja, não sei o que seria de nós”, disse.

Para o economista chefe da Gladius Research, Benito Salomão, a dificuldade de arrumar emprego atinge, principalmente, as camadas menos qualificadas da população. “O trabalhador qualificado vai conseguir emprego em qualquer circunstância. Mas, aquele trabalhador pouco qualificado é facilmente substituído por uma máquina ou algoritmo; logo, terá mais dificuldade”, afirmou.

Salomão observou que há uma mudança estrutural no mercado de trabalho mundial. “Essa mudança está relacionada com o padrão tecnológico global. A 4ª revolução industrial emprega tecnologia que dispensa mão de obra, que poupa o trabalho humano, esse é o grande problema.”

Segundo o doutor em sociologia política João Lucas Moreira, as pesquisas mostram que muitos desempregados desistiram de encontrar uma vaga. “Esse fato está relacionado ao tempo em que eles estão na fila do desemprego”, numa espécie de círculo vicioso, apontou. “Ficar muito tempo buscando trabalho tende a gerar uma redução gradual do capital humano dos desempregados”, disse. “É provável que, na próxima Pnad, o desemprego de longa duração caia um pouco, porque é difícil ter novas quedas grandes. Para isso, precisaríamos de um crescimento econômico muito forte, o que não está no radar a curto prazo”, frisou.

Informalidade ainda elevada

A existência de um elevado número de pessoas sem registro e à margem da proteção da lei continua sendo um dos principais problemas do mercado de trabalho brasileiro, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (Pnad) Contínua. No terceiro trimestre, a taxa de informalidade registrada no país foi de 39,4%. Os maiores percentuais estavam no Pará (60,5%), no Maranhão (59,1%) e no Amazonas (57,1%). Já Santa Catarina (25,9%), Distrito Federal (29,8%) e São Paulo (30,6%) tinham as menores proporções.

“A taxa de informalidade apresentou queda para o total nacional, e entre as maiores reduções nesse indicador se destacam Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Pernambuco e Rio Grande do Norte”, informou a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy. Entre a população considerada informal estão os empregados domésticos e do setor privado sem carteira assinada, os empregadores e trabalhadores por conta própria sem CNPJ e trabalhadores familiares auxiliares.

No terceiro trimestre, apenas 25,3% dos trabalhadores domésticos do país tinham carteira assinada. Entre os empregados do setor privado, a proporção dos registrados era de 73,3%, com menores percentuais no Norte (57,7%) e no Nordeste (57,3%). Santa Catarina (88,4%), Rio Grande do Sul (81,3%) e São Paulo (81,2%) foram os estados com os maiores índices de trabalhadores formalizados. Já as menores taxas foram as do Maranhão (47,0%), do Piauí (48,5%) e do Pará (50,3%).

Diferenças

Outro recorte da pesquisa mostra como o desemprego afeta de forma diversa diferentes grupos sociais. A taxa de desocupação de homens (6,9%) continua abaixo do índice nacional (8,7%), enquanto a das mulheres segue bem acima (11%). “A desocupação caiu tanto entre os homens quanto entre as mulheres, mas a distância entre os dois grupos vem aumentando, com as mulheres tendo um percentual (de desemprego) bem superior ao dos homens”, destacou Adriana Beringuy.

As disparidades são evidentes também quando o critério de classificação é a cor da pele. As taxas de desocupação de pretos (11,1%) e pardos (10%) ficaram acima da média do país. Já a dos brancos seguiu abaixo: 6,8%. Em relação ao nível de ocupação (percentual de pessoas em idade de trabalhar que estão efetivamente ocupadas), a proporção de homens era de 67,6%, enquanto a de mulheres não passava de 47,5%. A maior diferença estava no Norte, de 24,7 pontos percentuais entre os dois grupos.

CORREIO BRAZILIENSE

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2022/11/5052698-apenas-seis-estados-brasileiros-apresentaram-reducao-na-taxa-de-desemprego.html

Novo governo pretende devolver militares exclusivamente à defesa

Governo reduz projeção de crescimento do PIB em 2023 de 2,5% para 2,1%

Ministério da Economia também projetou mais uma queda na expectativa de inflação para 2022. Ano terminaria com alta de 5,85%, ante a projeção anterior, divulgada em setembro, de 6,3%

Rafaela Gonçalves

O governo revisou para baixo a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2023. De acordo com os dados, divulgados nesta quinta-feira (17/11) pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia, por meio do boletim “MacroFiscal”, a projeção para o próximo ano passou de crescimento de 2,5% para 2,1% neste relatório, apontando para uma leve desaceleração.

Segundo o documento, a redução de 0,4 ponto percentual na estimativa se deu por conta de mudanças na economia internacional, com elevação dos juros nos países desenvolvidos, sobretudo nos Estados Unidos, e a redução das expectativas de crescimento de economias emergentes. “O aumento na taxa de juros neste país afeta as condições financeiras e o crescimento da atividade no resto do mundo”, diz o boletim.

A previsão de crescimento para este ano foi mantida em 2,7%. O boletim aponta que houve uma forte recuperação da atividade no segundo trimestre de 2022, mas uma desaceleração no terceiro trimestre por conta do desempenho da indústria e comércio. O setor de serviços é um dos destaques que continua em expansão.

Inflação

A pasta também projetou mais uma queda na expectativa de inflação para 2022. A nova previsão é de que a inflação termine o ano com alta de 5,85%, ante a projeção anterior, divulgada em setembro, que era de alta de 6,3%. Os principais fatores para alteração da projeção, de acordo com o documento, foram a redução dos preços administrados, menor pressão dos bens industriais e alimentos e estabilização dos preços de serviços.

Apesar da queda, a projeção ainda está acima da meta de inflação para este ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3,5%. Ela será considerada cumprida se oscilar entre 2% e 5%. Para 2023, a expectativa de inflação apresentou pequena alta, passando de 4,5% para 4,6%. Para o próximo ano, a meta foi fixada em 3,25% e será considerada formalmente cumprida se ficar entre 1,75% e 4,75%.

CORREIO BRAZILIENSE

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