NOVA CENTRAL SINDICAL
DE TRABALHADORES
DO ESTADO DO PARANÁ

UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Plataforma on-line é criada para trabalhadores denunciarem assédio eleitoral no 2º turno

Plataforma on-line é criada para trabalhadores denunciarem assédio eleitoral no 2º turno

Centrais sindicais criaram uma plataforma na internet para que trabalhadores possam denunciar o que vem sendo chamado de “assédio eleitoral” – quando empregadores induzem ou ameaçam seus funcionários para que votem em determinado candidato. Desde o início da campanha eleitoral deste ano, o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu ao menos 197 denúncias de assédio eleitoral em 23 estados e no Distrito Federal.

Do total de denúncias recebidas pelo MPT até o momento, 103 ocorreram na região Sul, representando 52% do total. Paraná lidera o ranking com 42 casos, seguido de Santa Catarina, com 37, e Rio Grande do Sul, com 33 denúncias de assédio eleitoral.

“Com a definição do 2º turno das eleições entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), no próximo dia 30, alguns patrões aumentaram a pressão sobre os trabalhadores e trabalhadoras para que votem em seu candidato. Alguns empresários ameaçam com demissões, outros prometem prêmios em dinheiro. Isso é crime! Denuncie”, diz o texto de introdução na plataforma on-line criada para receber as denúncias.

A denúncia pode ser feita de forma anônima ou não. O trabalhador apenas precisa preencher alguns dados, incluindo o nome da empresa, e fazer um breve relato da coação eleitoral trabalhista ou religiosa. Para fundamentar a denúncia, é possível anexar vídeos, fotos ou áudios que a comprovem.

Um dos casos que chamou atenção no RS foi o da empresa Stara, cujo diretor administrativo e financeiro, Fábio Augusto Bocasanta, advertiu em um comunicado a fornecedores e funcionários que a empresa cortará 30% do seu orçamento para 2023 caso a vitória de Lula se mantenha no segundo turno, “o que afetará nosso poder de compra e produção desencadeando uma queda significativa em nossos números”.

A Stara fabrica máquinas e implementos agrícolas em Não-Me-Toque, noroeste do Estado, e seus proprietários estão entre os principais doadores da campanha de Onyx Lorenzoni (PL) ao governo do RS, conforme demonstrou reportagem do Sul21 no dia 15 de setembro.

Também em comunicado, a empresa Extrusor, com sede em Novo Hamburgo, disse que, caso se mantenha o resultado eleitoral do primeiro turno, “ao fim do ano passaremos nossa empresa da forma física para a forma virtual, mantendo nosso trabalho apenas na internet”. A empresa diz que, se o cenário não se alterar no segundo turno, “não teremos mais a necessidade de serviços, peças e insumos no comércio local”.

Ambas as empresas foram denunciadas no MPT, no começo de outubro, pela Frente Brasil da Esperança no Rio Grande do Sul, formada por PT, PCdoB e PV.

Fonte: Sul 21

DMT: https://www.dmtemdebate.com.br/plataforma-on-line-e-criada-para-trabalhadores-denunciarem-assedio-eleitoral-no-2o-turno/

Plataforma on-line é criada para trabalhadores denunciarem assédio eleitoral no 2º turno

Mesmo com inflação menor, seis a cada dez alimentos subiram de preço em setembro

Em meio à irracionalidade que tem marcado o debate na mais dramática eleição dos últimos tempos no Brasil, a crença de que o governo de Jair Bolsonaro tem tido sucesso em controlar a inflação e promover uma melhora nos indicadores econômicos é um exemplo de que, sob tortura, os números podem dizer qualquer coisa.

Como esperado, o bolsonarismo se apressou nesta terça-feira (11)  em reverberar o recuo da inflação pelo terceiro mês seguido. O IPCA, indicador oficial da inflação no Brasil, caiu 0,29%, acumulando a terceira queda consecutiva. O recuo é resultado de uma controversa redução nos combustíveis promovida por Jair Bolsonaro às vésperas das eleições.

No ano, a inflação acumulada até setembro é de 4,09% e, nos últimos 12 meses, de 7,17%, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira. Foi a primeira vez que os alimentos tiveram recuo, após uma trajetória consistente de alta da maioria dos itens e subitens que compõem o IPCA. Mesmo com a deflação pelo terceiro mês seguido, seis a cada dez alimentos subiram de preço em setembro.

“Os que mais contribuíram para a queda foram itens que acumulam alta muito elevada nos últimos 3 anos, como é o caso de leite, feijão e óleo de soja. O tomate e o alface tiveram queda, mas por uma questão sazonal, apenas”, explica Valter Palmieri Jr, doutor em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp. Dos 173 itens da alimentação que compõem o IPCA, 102 tiveram aumento de preço no mês de setembro e 71 tiveram queda, ou seja, cerca de 60% da comida continuou subindo de preço em setembro.

Ao longo do governo Bolsonaro, alimentos e bebidas ficaram 43,71% mais caros – contra uma inflação geral de 24,97% entre janeiro de 2019 e setembro de 2022. A alimentação no domicílio, ou seja, a comida que se faz e se come em casa, subiu 53,4% no mesmo período, mais que o dobro do que a média geral dos demais preços.

Em junho, o governo zerou impostos federais e conseguiu aprovar um teto para as cobranças de ICMS nos combustíveis, provocando uma queda forçada na arrecadação de estados e municípios e uma judicialização do tema entre estados que buscaram o Supremo Tribunal Federal para compensar perdas.

Apesar dos esforços do governo Bolsonaro em criar uma imagem positiva sobre o desempenho desastroso de sua política econômica, a redução nos impostos dos combustíveis pouco afetou o preço da comida, que continua cara e sobe num ritmo muito superior aos demais preços.

Principal combustível nos fretes rodoviários e nas máquinas agrícolas, o diesel já tinha alíquotas mais baixas que a gasolina. A medida, portanto, atingiu com mais força o eleitorado que anda de carro, deixando de fora, por exemplo, os que usam transporte público.

“A redução mais intensa ocorreu com a gasolina. Isso não aconteceu com a mesma intensidade em relação ao diesel, que já tinha uma alíquota de ICMS bem mais baixa. Para os alimentos importa muito mais o diesel, o transporte de carga rodoviária é movido a diesel. A energia elétrica também teve uma desoneração e isso pode ter algum peso, mas também não tão intenso assim”, explica Julia Braga, economista e professora da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Em setembro, o Índice de Preços de Alimentos e Bebidas (IPAB) recuou 0,51%. Um dos nove grupos que compõem o IPCA, é o segundo indicador que tem o maior peso sobre a inflação geral, atrás apenas do grupo transportes – que inclui os combustíveis.  No ano, o índice acumula 9,54% de alta, mais do que o dobro da inflação geral (+ 4,09%).

Usando o resultado mensal descolado da série histórica, a campanha de Bolsonaro e seus apoiadores tentam sugerir que o Brasil tem feito um controle eficaz dos preços em meio à onda inflacionária mundial deflagrada pela pandemia e a guerra entre Rússia e Ucrânia. Estratégia semelhante vem sendo usada para maquiar outros resultados econômicos.

No entanto, basta uma ida a qualquer supermercado ou feira no Brasil, ou um passeio pelas capitais do país, para constatar que está cada vez mais difícil encher o carrinho, enquanto as ruas estão cada dia mais cheias de pessoas famintas, com 33 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave e mais da metade da população com algum nível de incerteza sobre se haverá comida.

Como o Joio tem mostrado sistematicamente, o governo Bolsonaro promoveu uma desregulação da produção de alimentos voltados para o mercado interno a partir da combinação de uma série de fatores, usando principalmente a manutenção do real desvalorizado frente ao dólar e o uso de diferentes incentivos para a produção de grãos, carnes e outras commodities para o mercado externo.

O comportamento dos preços de alimentos voltados ao mercado interno é agravado pela perda do poder de compra do consumidor, desemprego e endividamento, por um lado, e a extinção de mecanismos regulatórios por outro, com o fim dos estoques públicos de alimentos e o desmonte de uma série de políticas voltadas à segurança alimentar e nutricional da população.

As turbulências que ocorrem no mercado externo, como o que tem acontecido com o petróleo em meio ao conflito Rússia-Ucrânia, impactam os preços por aqui mas não dão conta de explicar características próprias da inflação brasileira. Como mostramos em maio deste ano no Joio, responsabilizar a guerra e a pandemia pela alta no preço da comida é uma narrativa de meias-verdades. A dinâmica de formação dos preços dos alimentos em nosso país está relacionada, em grande medida, a fatores internos.

São esses fatores que explicam o aumento dos alimentos in natura ou minimamente processados, enquanto os produtos ultraprocessados vão se tornando proporcionalmente mais acessíveis, fazendo com que a população com menor renda faça escolhas piores do ponto de vista nutricional, como também já mostramos no Joio.

Inflação maior agrava desigualdade

A inflação não é um fenômeno neutro da economia. É um mecanismo de promoção ou agravamento de desigualdades. No caso da alimentação, esse quadro torna-se ainda mais alarmante e com consequências que vão além da segurança alimentar, como explica o economista Valter Palmieri Jr.

“Das famílias que recebem até 5 salários mínimos, 25,71% dos gastos são com Alimentos e Bebidas, é o grupo com maior peso nos gastos. Por ser um item básico, quando o preço da comida se eleva acima dos salários, as famílias mais pobres têm menor capacidade de gastos em outras coisas, como moradia, vestuário, saúde e cuidados pessoais, e educação. A inflação de alimentos traz prejuízos que vão muito além da insegurança alimentar, além de prejudicar setores econômicos, diminuindo a demanda de muitos desses produtos.”

Enquanto alguns poucos ganham com inflação alta e real baixo, a imensa maioria dos brasileiros perde. A bonança favorece o agro exportador, setor que vem acumulando recordes de faturamento e produção ao longo do governo Bolsonaro. O resultado desse processo aparece na projeção feita pela Conab para a próxima safra de grãos: a soja ganhará mais 1,5 milhão de hectares, o equivalente a dez cidades de São Paulo.

Enquanto isso, a produção de alimentos básicos, como o arroz e o feijão, vem sendo reduzida ano a ano. Um dos fatores-chave para desestimular a produção voltada ao mercado interno é o aumento dos custos ao produtor, o que leva o agricultor, em especial o pequeno e o médio, a reduzir cultivos voltados para o mercado brasileiro. O Brasil vem assistindo a três anos seguidos de alta acima de 20%, como observa a professora Julia Braga.

“Como é que o produtor interno vai assimilar esse choque? Alguns vão conseguir repassar esse choque pra frente e isso acaba pressionando os preços. Outros vão tentar segurar um pouco para não perder clientes. E aí vem também um pouco a pressão do custo salarial, uma vez que os empregados também estão sentindo esse choque no bolso”, explica.

Em outra frente menos favorável à narrativa bolsonarista, o rendimento médio do trabalhador chegou ao menor nível desde 2012. “O mercado de trabalho ainda tem um quadro de desemprego alto. Temos um mercado precarizado em que os postos de trabalho são de baixo salário, o salário não cresce na mesma proporção. Quem entra no mercado de trabalho entra com salário menor do que aquele que saiu”, acrescenta Julia.

Fonte: O Joio e o Trigo
Texto: Mariana Costa
Data original da publicação: 11/10/2022

DMT: https://www.dmtemdebate.com.br/mesmo-com-inflacao-menor-seis-a-cada-dez-alimentos-subiram-de-preco-em-setembro/

Plataforma on-line é criada para trabalhadores denunciarem assédio eleitoral no 2º turno

Abuso de poder nas relações virtuais de trabalho: hustle culture e cronofagia

A hustle culture apresentada sob o enfoque de um trabalho inteligente pode constituir um disfarce a cronofagia na relação laboral, coma supressão do tempo útil da vida, mediante diferentes pretextos.

Matheus Soletti Alles

Os contornos das novas modalidades laborais onde não há necessidade de comparecimento presencial do trabalhador às dependências da sociedade empresária contratante enaltecem tons de flexibilidade, onde a ideia de produção a qualquer tempo e espaço ganhou a atenção no cenário mundial.

É nesse sentido que este estudo é direcionado para determinado elemento substancial no universo do trabalho: a produtividade.

Para alguns, a produtividade no universo virtual está vinculada ao smart working, onde dizer que o trabalho é produtivo significa dizer que é realizado com o maior aproveitamento de tempo e espaço.

Dentre as espécies trabalho produtivo e inteligente, são enaltecidos os trabalhadores digitais nômades e as formas de trabalho remoto, a exemplo do teletrabalho.

Nestes formatos há tons de liberdade aos trabalhadores, que se situam em diferentes lugares do globo terrestre e que podem, dentro do prisma de sua liberdade, exercer o labor pelo qual é contratado.

Ao contratante, trata-se da contratação de pessoa sadia, que permite cumprir a contento o objeto do contrato, justamente em razão da virtualização como ambiente laboral do exercício da contratação.

As vantagens econômicas ao trabalho do nômade digital está a não necessidade de contratação com vínculo empregatício, mas por determinado serviço necessário, com facilidade de interposição da necessidade a ser contratada e com contraprestação multipessoal para o seu cumprimento, facilitando a escolha de tempo, despesas financeiras e método de execução.

Por outro lado, o teletrabalho demonstram naturezas de economia, não somente perante a desnecessidade de determinados encargos trabalhistas resultantes do vínculo, a rigor do vale-transporte, mas também da própria destinação do trabalho ocorrer por tarefas ou atividades e destas, a partir da Lei 14.442/2022, resultante na conversão das Medidas Provisórias 1.108 e 1.109/2022 excluir do controle de jornada de trabalho o telelabor desempenhado deste modo (tarefa e produtividade), a rigor do artigo 62, inciso III, da Consolidação das Leis do Trabalho.

A organização empresarial e a possibilidade de organização do labor, marcando a retomada por um processo conectivo (no caso do teletrabalho) do modelo econômico de Reno para o modelo econômico anglo-americano, é anunciada como hustle culture.

A hustle culture nada mais é do que a cultura do esforço máximo do trabalhador, a partir da sensação de pertencimento. Elemento essencial ao se falar da identidade social do trabalho.

A utilização do esforço máximo do trabalhador através de constantes tarefas e produção, denominada como scrums (no contexto americano), possibilita o lucro constante por ato realizado e a ideia de participação empresarial, ainda que sumária.

Porém, não só de louros é a intenção desta modalidade laboral no universo virtualizado — de outro lado está o abuso correspondente e o lado obscuro desta cultura do esforço máximo e do trabalho inteligente.

Não há jornadas, porém existem tarefas, e tal tarefas podem exacerbar o limite plausível de trabalho humano. Este trabalho não pode ser confundível com as tarefas desempenhadas por máquinas inteligentes artificialmente, enquanto as limitações humanas são uma forma de sobrevivência da própria espécie.

No prisma negativo há o campo propício da virtualização utilizado pela imposição do poder empresarial. A figura do abuso está na metodologia da ação onde o trabalhador no cenário virtual encontra-se ainda isolado e sintomas de estresse, ansiedade e esgotamento são cada vez mais comuns.

A hustle culture apresentada sob o enfoque de um trabalho inteligente pode constituir um disfarce a cronofagia na relação laboral, coma supressão do tempo útil da vida, mediante diferentes pretextos, como a própria ideia de pertencimento, porém que, na verdade buscam tão somente assegurar o lucro empresarial por uma contraprestação mais barata.

Em sentido contrário aos prejuízos ocasionados ao teletrabalho e ao trabalho digital nômade em razão da hustle culture, efeito silo situa-se a promoção do trabalho decente, da valorização social do trabalho, da identidade social do teletrabalhador e do princípio da fraternidade em ambientes de cooperação e comunidade.

O trabalho decente, com recomendações atreladas à coletividade laboral, em razão do direito sindical, da saúde do trabalhador, da dignidade humana e dos efeitos de sociabilidade tendem justamente fazer com que a liberdade e a propaganda voltada as novas formas de trabalho, no sentido de autorrealização laboral independente de limites geográficos e temporais, se torne possível, devendo a decência ser voltada a natureza preventiva aos riscos psicossociais.

Nesse sentido, está também a valorização social do trabalho e da própria formação da identidade social do teletrabalhador, ante ao reforço dos efeitos de sociabilidade no ambiente laboral moderno.

Ao instante em que o efeito social é diminuído, de forma natural pela incrementação tecnológica, torna-se um dever de a indústria reestruturá-lo, através da criação de laços de sociabilidade que enfraquecem o isolamento do teletrabalhador nômade e situações vinculadas a necessária existência de um trabalho decente.

Matheus Soletti Alles é professor de Direito na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), mestre em Direito do Trabalho pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), especialista em Direito do Trabalho pela UFRGS, advogado nas áreas trabalhista e tributária e membro do grupo de pesquisas em Direito e Fraternidade da UFRGS.

DMT: https://www.dmtemdebate.com.br/abuso-de-poder-nas-relacoes-virtuais-de-trabalho-hustle-culture-e-cronofagia/

Plataforma on-line é criada para trabalhadores denunciarem assédio eleitoral no 2º turno

Saídas ao labirinto bolsonarista

Derrotar o fascismo nas urnas requer rearticular campo democrático em agonia. E, mais que restaurar o passado, um rechaço à reprimarização e ao receituário neoliberal.

Marcio Pochmann

As eleições presidenciais de 2022 representam uma rara oportunidade democrática em que o conjunto dos brasileiros pode definir o rumo do seu próprio país. As principais mudanças institucionais do Brasil pós-colonial não registraram a presença democrática da participação popular. A Independência nacional (1822), a instalação da República (1889) e a Revolução de 1930 foram eventos históricos emblemáticos de ausência da maior parte da população.

Nos dias de hoje, compete ao conjunto dos brasileiros decidir qual dos dois pacientes seguirá respirando. De um lado, a condição de pária do mundo numa sociedade de desclassificados, movida pela luta da sobrevivência de todos contra todos. De outro, a condição soberana internacional constituída pelo protagonismo do desenvolvimento interno combinado com o aprofundamento da democracia e da inclusão social.

Enquanto a janela histórica aberta ao mundo neste primeiro quarto do século 21 começa a se fechar, o conjunto dos brasileiros que se defrontou no último domingo com a urna eletrônica – orgulho nacional – sem anular ou votar em branco, demonstrou indecisão sobre qual seria a melhor opção a fazer. O direito da dúvida que o sistema eleitoral possibilita é benéfico para que então os eleitores possam ser mais bem esclarecidos antes de vaticinarem o rumo pelo qual o Brasil seguirá vivo.

Esse impasse será desfeito democrática e conscientemente nas próximas três semanas, quando o conjunto dos eleitores voltará ao painel de controle da nave brasileira disponibilizado pela urna eletrônica. Até lá, o “jogo segue sendo jogado”, especialmente no contexto do segundo turno, que torna mais plebiscitária a escolha: a continuidade do que já se sabe ou a segurança da mudança.

A insatisfação da maior parte da população com o que está aí se apresenta majoritária, uma vez que do conjunto dos eleitores que se defrontaram com as urnas, sem votar em branco e não anular, cerca de dois em cada três não apoiaram o candidato da continuidade. Preferiram outros candidatos que apostaram na mudança.

Lula foi o que galvanizou melhor a força da mudança, obtendo quase 26 milhões a mais dos votos obtidos pelo candidato do PT em 2018. Depois de abandonar a narrativa de golpe adotada a partir de 2016, a organização atual de ampla frente política antifascista demonstra ser mais eficiente para a necessária formação de maioria política nacional, inédita desde a montagem do ciclo político da Nova República, em 1985.

Após o desmanche da Aliança do PMDB com o PFL que viabilizou a transição política pelo colégio eleitoral da ditadura civil militar (1964-1985), a polarização entre o PSDB e PT predominou até as eleições presidenciais de 2014. De lá para cá, um novo bloco de poder à extrema direita do espectro político se conformou, massacrando o centro democrático e derrotando alianças lideradas pelo PT nas eleições de 2016, 2018 e 2020.

A candidatura do ex-presidente Lula em 2022 compreendeu o sentido geral do movimento de forças que havia encerrado o ciclo político da Nova República (1985-2014), enterrando o presidencialismo de coalizão. Por isso, tem buscado integrar democraticamente a fragmentação de forças políticas mudancistas e antifascistas necessárias para vencer as eleições e estabelecer a nova maioria que sustente o programa que permita trazer para o presente o horizonte de expectativas atualmente obstaculizado por vários anos de estagflação (estagnação econômica com alta inflação).

Este é o último suspiro para a parte podre da política que insiste em incluir o país no grupo dos países somente consumidores e importadores de bens e serviços tecnologicamente avançados que marca a nova sociedade digital. Outro governo é essencial, capaz de interromper a marcha ascensionista do protofascismo, abrindo caminho para muito mais que a restauração do passado.

Isso requer, contudo, deixar para trás tanto a primitiva pobreza herdada do modelo econômico primário-exportador como a desigualdade generalizada embutida na modernidade conservadora que acompanhou o projeto de industrialização por substituição de importações. O rechaço ao receituário neoliberal será completo na medida em que o horizonte de expectativas seja estabelecido em torno do programa de mudanças para valer.

Este é o sentido da candidatura do ex-presidente Lula – assim como ele próprio tem dito. Esta é a tarefa a ser assumida por cada um dos brasileiros que deseja escrever a história do presente com suas próprias mãos, de forma diferente e melhor que a trajetória pregressa.

Marcio Pochmann é economista, pesquisador e político brasileiro. Professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi presidente da Fundação Perseu Abramo de 2012 a 2020, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, entre 2007 e 2012, e secretário municipal de São Paulo de 2001 a 2004.

Fonte: Outras Palavras

DMT: https://www.dmtemdebate.com.br/saidas-ao-labirinto-bolsonarista/

Plataforma on-line é criada para trabalhadores denunciarem assédio eleitoral no 2º turno

Ipec: Lula tem 54% no 2º turno; Bolsonaro, 46%

PESQUISA ELEITORAL

Pela nova rodada da pesquisa Ipec para a Presidência da República, divulgada nesta segunda-feira (17), o ex-presidente Lula (PT) continua liderando as intenções de voto e venceria as eleições com 54% dos votos válidos no segundo turno. O presidente Jair Bolsonaro (PL), que tenta reeleição, tem 46%.

No levantamento anterior do Ipec, divulgado em 7 de outubro, Lula tinha 55% dos votos válidos; Bolsonaro, 45%. Os votos válidos são os computados na apuração pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado das eleições. Neles, são excluídos os votos brancos e nulos, além dos eleitores que se declaram indecisos.

Quando se leva em conta todos os votos, Lula tem 50% das intenções de voto contra 43% de Bolsonaro. Brancos e nulos, 5%. Não sabem/não opinaram, 2%. Na pesquisa anterior, o petista tinha 51% e o presidente 42%. O primeiro oscilou negativamente em um ponto, e o segundo oscilou positivamente em um.

O levantamento foi feito entre sábado (15) e nesta segunda (17). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. De acordo com o instituto, o cenário de segundo turno continua estável.

Ipec entrevistou 3.008 pessoas em 184 municípios. O índice de confiança da pesquisa é de 95%. A pesquisa, encomendada pela Rede Globo, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-02707/2022.

AUTORIA

Tércio Amaral

TÉRCIO AMARAL Tércio Amaral. Editor. É jornalista formado pela Unicap, com mestrado e doutorado em História (UFPE). Atuou no Diários Associados como repórter e editor de política. Foi coordenador de comunicação no Ministério da Educação e tem passagem por assessoria de comunicação do Congresso Federal.

CONGRESSO EM FOCO
Plataforma on-line é criada para trabalhadores denunciarem assédio eleitoral no 2º turno

Eleições 2022: ‘Perseguição contra cristãos já começou no Brasil. Só que dentro da igreja’

Como pressão de pastores por votos em Bolsonaro leva evangélicos a expulsão ou abandono de igrejas em diferentes partes do Brasil.

Por BBC

“A gente se sentiu descartável.” “É como se nós, cristãos, estivéssemos vivendo a própria ditadura dentro do templo.” “Não reconheço mais a Igreja hoje.” “O pastor abandonou a Bíblia pra falar de comunismo.” “É triste ver um lugar sagrado sendo corrompido.” “A perseguição contra os cristãos já começou no Brasil. Só que dentro da própria igreja.”

 

Uma pesquisa do Datafolha sugere que seis em cada dez evangélicos brasileiros pretendem votar em Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno. As frases acima foram ditas por cristãos que não fazem parte deste grupo majoritário.

 

Apesar de representarem parte expressiva da comunidade evangélica — quatro em cada dez, segundo o levantamento mais recente do instituto —, aqueles que discordam do presidente raramente têm chance de expressar sua opinião.

Principalmente dentro das igrejas, eles contam.

 

À BBC News Brasil, eles dizem que, enquanto muitos de seus irmãos de fé apoiam Bolsonaro por medo de enfrentarem episódios futuros de intolerância religiosa no Brasil, a perseguição contra cristãos já existiria no país.

 

Nas palavras dos entrevistados, ela acontece dentro dos próprios templos, puxada principalmente por líderes religiosos que ameaçam com castigo divino ou punição dentro da própria igreja aqueles que discordam da fusão entre política e religião que tem marcado estas eleições.

 

A BBC News Brasil pediu esclarecimentos a todas as igrejas citadas nesta reportagem: Igreja Quadrangular, Igreja Batista, Assembleia de Deus e Santuário católico de São Miguel Arcanjo. Nenhuma respondeu às solicitações de comentários.

 

Enquanto pastores influentes como André Valadão e Silas Malafaia dizem que igrejas devem ter posição política clara e fazem campanha pela reeleição do atual presidente, a BBC News Brasil recebeu mais de 100 relatos de cristãos, principalmente evangélicos, que narram episódios de pressão ou intimidação dentro dos templos na reta final da eleição.

 

Muitos pediram anonimato, com medo de consequências para si próprios ou suas famílias dentro das igrejas.

 

Outros já sofreram consequências.

‘Queimar quem vota em Lula’

 

Alisson Santos diz ter sido expulso junto à esposa da igreja evangélica que frequentava desde 2019 em Aracaju (SE). Até o início de outubro, ambos trabalhavam como evangelizadores de jovens no templo.

 

Em entrevista à BBC News Brasil, ele diz que o apoio de pastores a Bolsonaro e seus aliados sempre existiu, mas se intensificou no segundo semestre, quando um dos pastores se candidatou a deputado estadual.

 

“A partir daí, em todas as reuniões a gente tinha que orar por esse pré-candidato e fazia reuniões para falar sobre isso”, ele conta. “Diziam que Bolsonaro é o único candidato que defende a liberdade religiosa, o único que vai manter igrejas abertas. E que, se Lula for eleito, ele vai fechar as igrejas, queimar as igrejas”.

 

Ele conta que viu frequentadores da igreja sendo expostos no altar por discordarem dos candidatos apoiados pela igreja.

 

“Ele (o pastor), antes do culto, procurou pessoas para perguntar em quem elas votariam. Algumas pessoas disseram que votariam num candidato diferente do dele. Na hora do culto ele usou essas pessoas como exemplo do que não fazer”, ele diz.

 

“Ele fez isso durante a Palavra, duas semanas antes da eleição.”

Para o jovem, o tom violento adotado em alguns cultos contradiz o propósito dos templos religiosos.

 

“Teve um culto em que o pastor chegou e falou que se o candidato Lula fosse eleito e fossem queimar as igrejas, ele ia mandar queimar primeiro quem votou nele. Isso não foi fora da igreja, não foi nos corredores, foi na frente da igreja toda”, ele diz.

‘Minha esposa só chora’

 

Após semanas evitando se posicionar na frente de pastores, Alisson compartilhou no status do WhatsApp um trecho de uma entrevista de Bolsonaro à revista IstoÉ Gente, em fevereiro de 2000.

 

Questionado na ocasião sobre sua opinião em relação ao aborto, que hoje condena veementemente, o então deputado respondeu: “Tem que ser uma decisão do casal”.

Alisson também compartilhou um vídeo gravado em 2017, quando Bolsonaro discursou dentro de um templo da maçonaria — entidade criticada pelos evangélicos.

 

Ambas as imagens viralizaram recentemente nas redes sociais e foram usadas por opositores para ilustrar mudanças no discurso religioso de Bolsonaro ao longo das últimas duas décadas.

 

“Foi justamente por esse vídeo que eles marcaram uma reunião da diretoria”, conta o jovem.

 

“Ele (o pastor) disse: ‘Se vocês que não querem seguir o posicionamento da igreja, procurem outro lugar’. E isso pra mim foi um absurdo. E não foi nem particularmente, foi em frente a toda a diretoria.”

 

Os dois deixaram seus cargos e não frequentam mais a igreja desde então.

 

“É muito triste. Minha esposa só chora desde o ocorrido. Ela só chora porque é o lugar que sempre nos acolheu”, afirma. “A perseguição contra os cristãos já começou no Brasil. Só que dentro da própria igreja.”

‘Perseguição dentro do templo’

 

Marta vive numa capital nordestina. Muito religiosa, ela também diz que se viu obrigada a deixar a igreja que frequentava há décadas por discordar da pressão de pastores por apoio ao presidente.

 

“Sinceramente, eu me senti pressionada. Fiquei muito triste, decepcionada primeiramente. E, sinceramente, não tenho vontade de retornar para o templo mais porque Jesus não é isso. Ele não veio para fazer pressão”, diz.

 

“Você passa a ser perseguido dentro do próprio templo pelos irmãos, na fé e pelos próprios pastores. Porque, se você não obedece, se você não segue aquele político que eles escolheram para votar, você não é cristão. A sua fé, ela está sendo colocada à prova.”

 

Durante toda a entrevista, Marta cita trechos e ensinamentos da Bíblia.

 

“Não é assim que Jesus nos ensinou, que a gente fosse agressivo, que a gente que se armasse e partisse para cima do nosso adversário. Não é isso que a palavra do Senhor ensina. A Palavra de Deus diz que a gente tem que mostrar o amor, a misericórdia, a bondade”, afirma. ” Jesus, ele é amor, é bondade. Ele veio para curar, salvar e libertar, e não para colocar medo nas pessoas.”

Mãe de uma criança pequena e de um adolescente, ela conta que a pressão política e o consequente afastamento da Igreja abalou toda a família.

 

“Isso mexe muito com a família, porque temos uma base religiosa, uma base cristã. Você fala para os seus filhos, você prega para os seus filhos sobre a sua doutrina que você crê. E, de repente, o seu filho pergunta ‘Mãe, que Cristo é esse’? ‘Que doutrina é essa’? ‘Que religião é desse jeito? Sobre pressão, sobre ditadura, sobre não poder escolher?'”

‘Ninguém se importou com a nossa saída’

 

Quase 3 mil quilômetros separam Marta de Deloana, uma assistente social de Osasco que frequentava a Assembleia de Deus há 12 anos. A história, no entanto, se repete.

“Sinto que perdi uma referência. De verdade. Sempre acreditei em Deus. Sempre gostei de ficar na igreja. Sempre gostei de participar dos grupos. Era realmente algo que fazia parte da minha vida”, ela conta por videoconferência.

 

“E eu sinto que isso se perdeu. Não reconheço mais a Igreja hoje como a que conheci há dez anos. Por mais que a Igreja sempre tenha tido um posicionamento conservador, tenha a questão da doutrina, eu vejo as coisas hoje de forma muito violenta. Se penso de forma diferente, vem uma palavra de condenação. É como se eu pudesse ser punida por um pensamento que seja contrário.”

 

A punição, na prática, aconteceu. Tudo começou quando seu marido, que frequentava a igreja desde criança, procurou um presbítero após um culto após se sentir ofendido por algumas de suas falas.

 

“Meu esposo terminou o ensinamento dos adolescentes e os levou para o final da aula para adultos. Esse homem estava finalizando a aula. Ele começou a passar alguns slides, colocando como se fosse o antes e depois dos jovens que entram nas universidades públicas. Era uma espécie de alerta para os pais que estavam ali”, ela conta.

 

As imagens, segundo Deolana, mostravam um “antes e depois” de jovens que entram em universidades públicas. “O jovem todo arrumado em um primeiro momento, e depois ele fazendo uso de droga ou se ‘tornando homossexual’ dentro da universidade e coisas desse tipo. Querendo deixar bem claro que a universidade pública era um ambiente perigoso para os jovens.”

Eles disseram ao religioso que aquele discurso era inapropriado e que o próprio marido de Deolana estuda em uma universidade pública.

 

“Ele já se alterou bastante, pelo que eu entendi, por ter sido questionado por uma fala. Como se ele já não admitisse ser questionado. E aí chegou o momento de ele falou: ‘Estou vendo que você é de esquerda e sinto muito por você'”, conta a assistente social.

 

“E ele falou como se fosse um posicionamento que fosse trazer uma condenação para a gente, como se fosse algo absurdo. Em momento algum o meu marido falou dessa questão de política, de esquerda e de direita. Ele estava querendo focar na fala dele em relação a universidade em si, e aí ele misturou vários assuntos.”

 

O casal não conseguiu mais ir à Igreja depois do episódio.

 

“A gente se sentiu descartável, né? Ficamos com essa visão de que é um ambiente em que a gente não vai ser bem-vindo por causa da forma que a gente pensa. O que me chateou mais a gente foi essa intolerância. Que o pensamento contrário seja colocado dessa forma, como se fosse pecado ou coisas do tipo”, ela diz.

 

“E com isso a gente não retornou mais, nem ninguém procurou a gente. Então, ninguém se importou, essa é a verdade, com a nossa saída.”

Santinhos

 

João* e a esposa moram em São Paulo e, diferente de Alisson, Marta e Deloana, vão continuar frequentando a igreja, apesar da pressão pelo voto em Bolsonaro — em quem o casal não pretende votar.

 

“O nome de Bolsonaro é citado normalmente (nos cultos). Os irmãos, eles se dirigem ao presidente como o candidato correto. É o candidato do bem. E os demais candidatos, todos, independente da ideologia, são os adversários. São candidatos do mal, digamos.”

 

Ele conta que, além do voto para presidente, pastores chegaram a indicar nomes e números de candidatos a cargos legislativos no primeiro turno dentro do templo.

“Geralmente a gente tem essa parte dos avisos no final dos cultos. Então, o pastor comentou que alguns irmãos tinham perguntado para ele alguma sugestão de candidatos para deputados de senadores (…) Então ele falou que, para quem quisesse, estava sendo montada uma lista de candidatos de deputados de que fosse, que seria disponibilizada para os irmãos que procurassem.”

 

Frequentes nos comentários ouvidos pela reportagem, os relatos sobre indicações de votos dentro e fora de templos não vem só de evangélicos.

 

Católica, a paranaense Paula Izidro diz que essa foi a gota d’água.

 

“Eu tinha o costume de participar de uma caminhada com peregrinos da região ao Santuário de São Miguel Arcanjo. E na porta do santuário estava entregando o santinho de um candidato. Toda aquela coisa da peregrinação de fé acabou para mim ali”, ela diz.

 

“Aquilo me deixou indignada, porque eles usaram o santuário de palanque. O padre fala abertamente sobre engajar na eleição, posta foto com Bolsonaro, e isso me deixa muito, muito deprimida. Logo ele que defende tortura, pena de morte, que não se importou com as pessoas na pandemia e tudo mais. Não condiz com o contexto religioso”, ela diz.

‘Perdi minha fé. Não tenho mais religião’

Enquanto muitos dos cristãos ouvidos pela reportagem contam que decidiram se afastar de suas igrejas e buscar outras opções, onde sua posição política seja respeitada, Luiz Fernando, que vive no interior da Bahia e era evangélico desde os 12 anos, tomou decisão mais drástica.

 

“Durante todos os anos que eu estive na Igreja, passamos por eleições presidenciais, por eleições municipais e nunca, até 2018, foi abordada essa questão de ‘vote em tal candidato’. Era uma coisa que deixava todo mundo muito à vontade. Você não sabia se o seu irmão da cadeira da frente era a favor do partido A ou do partido B. Não sabia se a pessoa ao seu lado era a favor de partido A ou partido B. Tinha essa liberdade de voto e ninguém era recriminado por isso”, ele lembra.

 

“Em 2018, eleição presidencial em que Jair Bolsonaro apareceu como o candidato cristão, que levantava a bandeira da família, da religiosidade, aquela coisa toda, eu percebi que a entonação dos cultos, o direcionamento dos cultos da igreja modificou. O pastor líder, em culto, no púlpito, falou: ‘Vamos como cristãos votar em Jair Bolsonaro, pois ele representa a família e ele representa a nós cristãos. Aí, naquele momento eu entendi e falei ‘não’. A política entrou na Igreja.”

“Aí eu simplesmente eu percebi que tudo o que eu tinha vivido, aquela coisa de paz, de amor ao próximo, de tentar conquistar através do amor, foi tudo por água abaixo, porque eu vi o ódio e vi o ódio presente nas pessoas, nos meus amigos que eram da igreja. Eu vi essa coisa de guerra. Então eu falei: ‘não, não dá mais, me desiludi com a religião. Eu simplesmente deixei de ir’.”

 

A decepção o levou a, pela primeira vez na vida, se declarar “sem religião”.

 

“Depois desse governo que se diz cristão, eu não consigo mais me relacionar com Deus intimamente. Na última pesquisa do IBGE, eu já me declarei que não tenho fé. (Perguntaram) ‘Você é crente, você é católico, qual é a sua religião?’ Eu falei: ‘Não, não tenho religião’. Então não sei o que eles colocaram. Se agnóstico ou ateu, alguma coisa assim. Mas eu já não me coloquei mais como cristão, não me representa. Isso já não me representa mais.

 

“Eu percebi que para eu voltar a ter um relacionamento com Deus, a Igreja precisa mudar. E eu vejo que a Igreja não quer mudar.”

 

*Nome alterado a pedido do entrevistado