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Até militares poderão acompanhar a apuração dos votos: não existe ‘sala secreta’ no TSE

Até militares poderão acompanhar a apuração dos votos: não existe ‘sala secreta’ no TSE

Assim que a votação for encerrada, dados das urnas serão enviados para o TSE por uma rede de transmissão criptografada

Por Isadora Peron, Valor — Brasília

Representantes de partidos políticos, das Forças Armadas, da Polícia Federal (PF) e de outras entidades poderão acompanhar, da sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a apuração dos votos no próximo domingo, quando acontece o primeiro turno das eleições.

 

Desde o ano passado, a Justiça Eleitoral tem adotado medidas para desmentir teorias conspiratórias sobre o sistema eleitoral. Uma delas diz respeito à existência de uma sala secreta no TSE onde “meia dúzia de técnicos” decidiria o resultado das eleições. O boato foi divulgado pelo próprio presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

Para mostrar que o TSE está comprometido com a transparência, o presidente da corte, ministro Alexandre de Moraes, convidou todos os candidatos à Presidência para conhecer a sala da Seção de Totalização na quarta-feira.

 

O local, que nada tem de secreto, fica em um prédio anexo à sede do tribunal. No dia das eleições, técnicos vão ficar monitorando os programas para ver se está tudo operando dentro do previsto e corrigir eventuais falhas no sistema.

 

Assim que a votação for encerrada, os dados das urnas serão enviados para o TSE por uma rede de transmissão criptografada. A soma dos votos é feita de maneira automática, sem interferência humana, por um supercomputador localizado em uma sala-cofre, que fica próxima à Seção de Totalização.

 

Nas eleições passadas, o processo de totalização dos votos tinha um ingrediente a mais. Como a votação em alguns Estados, como o Acre, terminavam em um horário diferente, era preciso esperar que todas as urnas tivessem sido fechadas para, então, começar a divulgar o resultado.

 

Por isso, quem acessava a sala onde a totalização estava ocorrendo, tinha de ficar incomunicável, sob o risco de que os resultados no restante do país fossem vazados enquanto a votação ainda ocorria em um determinado o local, o que poderia influenciar a escolha dos eleitores.

 

Este ano, porém, todo o país vai ter o mesmo horário de votação. Portanto, assim que os colégios eleitorais fecharem, às 17h, os resultados poderão começar a ser divulgados.

 

Conteúdo publicado originalmente no Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor Econômico

VALOR INVESTE

https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2022/09/26/ate-militares-poderao-acompanhar-a-apuracao-dos-votos-nao-existe-sala-secreta-no-tse.ghtml

Até militares poderão acompanhar a apuração dos votos: não existe ‘sala secreta’ no TSE

Para manter orçamento secreto, governo reduz até verba de combate ao câncer

Para manter acordos políticos e o “orçamento secreto”, governo reduz em 60% recursos destinados à saúde no próximo ano

Rafaela Gonçalves

Para manter acordos políticos, por meio dos R$ 19,4 bilhões reservados para o orçamento secreto, o governo quer sacrificar 60% das verbas destinadas à saúde no próximo ano. Um dos cortes expressivos, de acordo com o Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) de 2023, enviado para o Congresso, é uma redução direta de 45% nos recursos destinados a prevenção e controle do câncer. Sendo historicamente a segunda doença que mais mata no país, a verba passará de R$ 175 milhões, neste ano, para R$ 97 milhões em 2023, caso o projeto seja aprovado sem mudanças.

Além do controle do câncer, o governo reduziu a reserva de dinheiro público para incrementar a estrutura de hospitais e ambulatórios especializados que fazem parte de redes de outros três grupos considerados estratégicos. A Rede Cegonha, focada em gestantes e bebês; a Rede de Atenção Psicossocial — Raps, para a dependentes de drogas e portadores de transtornos mentais; e a Rede de Cuidados a Pessoas com Deficiência, voltada para reabilitação.

Para a economista e professora de MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV), Carla Beni, o teto de gastos está em segundo plano. “O limite de teto de gastos está fixado em lei de acordo com as despesas na intensidade da inflação. Esse corte está mais relacionado ao orçamento secreto do que em manter a linha do teto, e isso é um feito único. Nunca observamos um corte tão radical na pasta de saúde como esse. Ou a peça orçamentária é de ficção e vai ter que ser consertada no ano que vem ou teremos um levante social com uma quantidade enorme de problemas”, avaliou.

“O que eu estou enxergando é um desastre homogêneo, que vai acontecer na saúde e que está acontecendo em outras áreas também. Essa redução de recursos vai destruir o pouco dos programas que estavam funcionando”, disse o médico sanitarista Gonzalo Vecina, fundador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “É impressionante a capacidade destrutiva desses cortes para manter funcionando o orçamento secreto, que ninguém sabe para o que serve. É difícil sobreviver a essas realocações de recursos feitas de forma tão improvisada”, acrescentou.

O projeto compromete, além das verbas para investimento, programas de atendimento direto, como o Farmácia Popular, que de acordo com a proposta pode ter corte de 59%, com orçamento passando de R$ 2,4 bilhões para R$ 1 bilhão. O programa fornece medicamentos para asma, hipertensão e diabetes, entre outros, assim como fraldas geriátricas. Já o Mais Médicos e o Médicos pelo Brasil devem perder metade dos recursos, passando de R$ 2,96 bilhões para R$ 1,46 bilhão.

Segundo o presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Walter Jorge João, a medida prejudicará os cerca de 21 milhões de brasileiros atendidos pelo programa com medicamentos gratuitos ou subsidiados e restringirá o acesso para novos usuários. “As despesas com medicamentos consomem um terço do orçamento das famílias brasileiras. Por isso, o programa Farmácia Popular representa uma iniciativa importante de garantia do acesso, especialmente, neste momento de pós-pandemia, em que 20,2 milhões dependem de subsídios governamentais para sua sobrevivência”, afirmou.

Para otimizar gastos, João defende que, ao invés de cortar, o governo deveria aperfeiçoar a Farmácia Popular visando a prevenção. “Por meio da inserção de serviços como o monitoramento da terapêutica, acompanhamento dos pacientes assistidos, inserção dos consultórios farmacêuticos nas farmácias. Porque melhor do que tratar internação e sequelas em decorrência de uma doença é prevenir que ela ocorra”, disse.

Análise no Congresso

De acordo com a deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania-SC), relatora da proposta que estabeleceu o piso de enfermagem, não há como a Ploa ser aprovada no Congresso promovendo estes cortes tão expressivos na saúde. “Vamos ampliar a discussão na Comissão Mista de Orçamento. É lei ter um valor mínimo aplicado na saúde e, com certeza, esse orçamento será ampliado por meio de emendas”, declarou.

Em nota, o Ministério da Saúde disse que está “atento às necessidades orçamentárias e buscará, em diálogo com o Congresso Nacional, as adequações necessárias na proposta orçamentária para 2023”.

CORREIO BRAZILIENSE

https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2022/09/5039133-para-manter-orcamento-secreto-governo-reduz-ate-verba-de-combate-ao-cancer.html

Até militares poderão acompanhar a apuração dos votos: não existe ‘sala secreta’ no TSE

Caixa deverá indenizar recepcionista que sofreu injúria racial de cliente

A Justiça do Trabalho entendeu que as condições de trabalho na agência favoreceram a agressão verbal

A Caixa Econômica Federal – CEF deverá pagar indenização de R$ 20 mil a uma recepcionista de uma agência bancária de Florianópolis (SC) que foi vítima de injúria racial cometida por uma cliente. A Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) rejeitou o recurso da empresa, que buscava alterar a condenação, ao levar em conta que as condições de trabalho propiciaram a situação.

Injúria racial

A recepcionista, contratada por uma prestadora de serviços, auxiliava no autoatendimento, prestava informações e distribuía senhas ao público. Ela relatou na reclamação trabalhista que a agência em que trabalhava atendia um grande público, na maioria formado por beneficiários de programas sociais, e que passava por diversas situações estressantes, inclusive de discriminação racial.

Os problemas, segundo ela, foram informados ao seu supervisor, mas nenhuma providência chegou a ser tomada. Em 18 de março de 2018, uma cliente se exaltou e passou a ofendê-la com palavras de baixo calão e injúrias raciais. A situação levou a recepcionista a se afastar, em razão do abalo emocional. Uma semana após retornar ao trabalho, ela foi dispensada.

Danos morais

A empregada, então, ingressou com a reclamação trabalhista para reivindicar o pagamento da indenização por danos morais. Em sua defesa, a Caixa argumentou que não poderia ser responsabilizada, já que a injúria racial foi cometida por terceiro, sobre o qual não tinha nenhum controle.

Condições de trabalho

O juízo da 5ª Vara do Trabalho de Florianópolis considerou que as condições de trabalho da agência favoreceram o ato de injúria racial. Para a Justiça, ficou comprovado que o número de empregados da agência era insuficiente para responder à demanda do público, o que gerava insatisfação nos clientes. Além disso, discussões e até ofensas de clientes eram habituais no estabelecimento.

Ainda de acordo com a sentença, o empregador, embora não tenha total controle sobre as condutas dos clientes, tem o dever de tomar medidas para que situações desse tipo sejam evitadas, como providenciar número adequado de funcionários e fazer campanhas de conscientização para estimular o respeito entre clientes e atendentes.

Imagem

A Caixa recorreu, mas o  Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (SC) manteve a decisão. Segundo o TRT, o patrimônio jurídico da pessoa não é formado apenas pelos bens materiais e economicamente mensuráveis, mas também pela imagem que ela projeta no grupo social. Se esse patrimônio é atingido por ato de terceiro, o responsável pelo dano tem a obrigação de repará-lo ou, ao menos, de minimizar seus efeitos.

Ambiente propício

Para o relator do agravo de instrumento da Caixa, ministro Augusto César, ficaram evidentes a caracterização de culpa, dano e nexo causal que fundamentaram a condenação. Segundo ele, está registrado na decisão do TRT que o banco proporcionou um ambiente de trabalho propício ao ocorrido, uma vez que a agência precisava de mais funcionários em decorrência do perfil dos clientes, que exigiam maior dedicação e mais tempo para auxílio, suporte e assistência.

A decisão foi unânime.

(NP/CF)

Processo: AIRR-462-61.2018.5.12.0035

Tribunal Superior do Trabalho

https://www.tst.jus.br/web/guest/-/caixa-dever%C3%A1-indenizar-recepcionista-que-sofreu-inj%C3%BAria-racial-de-cliente

Até militares poderão acompanhar a apuração dos votos: não existe ‘sala secreta’ no TSE

TST incentiva inclusão e contratação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho

Durante evento, palestras e prêmio incentivaram a adoção de medidas que efetivem o acesso dessas pessoas ao emprego no setor público ou privado

(23/9/22) A taxa de participação das pessoas com deficiência no mercado de trabalho é de 28,3%, menos da metade do índice registrado entre as pessoas sem deficiência, que é de 66,3%. Os dados contabilizam quem está ocupado e quem está em busca de trabalho e foram levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A diferença entre eles é um indicativo dos desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência para acesso ao trabalho formal.

A fim de conscientizar sobre o tema e incentivar a adoção de medidas efetivas para mudar essa realidade, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) promoveu o evento “+Inclusão: aprendendo a incluir pessoas com deficiência no trabalho”, nesta sexta-feira (23). A iniciativa marca o Dia da Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.

Conforme o presidente do TST, ministro Emmanoel Pereira, a instituição busca “favorecer soluções capazes de superar os inúmeros desafios enfrentados por trabalhadoras e trabalhadores com deficiência, seja para o ingresso ou para a permanência no mercado de trabalho”. Ele também salientou a importância de se valorizar boas práticas, para “multiplicar iniciativas que construam ambientes de trabalho livres de discriminação e capazes de acolher, com respeito e dignidade, pessoas com deficiência, que, apesar de inúmeras capacidades, habilidades e potencialidades, ainda carecem da oferta de iguais oportunidades”.

Durante o evento foi apresentado um vídeo com as ações de inclusão no Tribunal Superior do Trabalho. Assista:

 

Direito à inclusão

“Quando falamos sobre a inclusão das pessoas com deficiência, falamos de igualdade de oportunidades. Essa igualdade somente é vivenciada quando reconhecemos o direito à diferença”, disse o ministro do TST Cláudio Brandão, participante da mesa-redonda que debateu aspectos jurídicos relacionados à inclusão da pessoa com deficiência. Para ele, a temática foi introduzida tardiamente no Direito do Trabalho, e ainda há muitos avanços a serem conquistados. “É importante termos esse debate aberto. A Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da ONU, diz que a inclusão é um dever do Estado, da sociedade, das empresas e de todos nós.  Precisamos ter a humildade de saber que precisamos dar um passo adiante para promover a inclusão verdadeiramente”, destacou.

O primeiro desembargador cego do judiciário brasileiro, Ricardo Tadeu Fonseca, do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR), lembrou da importância da diversidade nas organizações e ressaltou que, para viabilizar plenamente a inserção da pessoa com deficiência nas empresas, é necessário disponibilizar instrumentos para isso, como calçadas acessíveis, transporte e formação profissional adequada. Atentou ainda que cabe à Justiça do Trabalho “garantir o direito não só sobre questões relativas a demandas trabalhistas, mas o direito ao trabalho”, que, no caso das pessoas com deficiência, passa pela “efetiva garantia instrumental do trabalho”.

Para o ministro do TST Luiz José Dezena da Silva, mediador da mesa, o envolvimento da Justiça do Trabalho nas discussões e nas reflexões de temas como esse “é essencial para a construção de uma sociedade inclusiva, fraterna, justa e solidária”. Para ele, o engajamento de todos na luta das pessoas com deficiência terá como vencedora a própria sociedade.

Inclusão na prática

Estatuto da Pessoa com Deficiência, legislação destinada a promover a inclusão social e a cidadania dessa parcela da população, assegura à pessoa com deficiência direito ao trabalho de sua livre escolha em ambiente acessível e inclusivo. Tornar um dispositivo legal concreto, no entanto, passa pela ação das organizações e dos indivíduos.

A ONG Amankay desenvolve iniciativas com essa finalidade, por meio de educação e trabalho. A atuação da entidade foi apresentada na palestra “Incluir: o que é, como e por que fazer?”, conduzida pela coordenadora da ONG, socióloga Marta Gil. “O nosso desafio é incluir, mas dar qualidade a essa inclusão”, afirmou. Ela também apresentou a experiência positiva do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) com o programa “Integra”. “Ele segue as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e tem toda uma questão de acessibilidade nas várias dimensões”, explicou. A iniciativa promove cursos para fortalecer os conceitos de inclusão, integração e equiparação de oportunidades.

Administração pública acessível

A coordenadora da Comissão de Acessibilidade e Inclusão (ACI) do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Simone Pinheiro Machado de Souza, falou sobre a adequação dos ambientes físicos e virtuais, além da adoção de programas para gerar acessibilidade nos produtos e serviços no serviço público. No painel “Rede de Acessibilidade: somos ponte, somos rede”, Simone falou sobre a Rede de Acessibilidade, iniciativa que promove uma cooperação técnica entre diversos órgãos públicos. A Rede busca concretizar dispositivos legais e aperfeiçoar políticas públicas capazes de eliminar ou reduzir barreiras para inclusão e acessibilidade de pessoas com deficiência.

A servidora pública encerrou o painel convidando todos a conhecerem recursos de acessibilidade disponibilizados pelo STJ à sociedade, além de apresentar a cartilha “Como construir um ambiente acessível nas organizações públicas“, que auxilia gestores a elaborar um plano de acessibilidade. “Nós que trabalhamos com acessibilidade somos guardiões da implementação dessa política pública. Organizamos a cartilha para ensinar os órgãos públicos a iniciar plano de ações, mesmo que não haja dinheiro”, concluiu.

Inclusão na Justiça do Trabalho

A Justiça Trabalhista busca ser modelo de inclusão de pessoas com deficiência no ambiente de trabalho. Nesse sentido, um conjunto de iniciativas são desenvolvidas em todo o Brasil. Três desses projetos foram reconhecidos com o Prêmio Justiça do Trabalho Acessível, entregue durante o evento. Foram os Tribunais Regionais do Trabalho da 23ª Região (MT), da 3ª Região (MG) e da 24ª Região (MS).

Conforme a assessora de Acessibilidade, Diversidade e Inclusão do TST, Ekaterini Sofoulis Hadjirallis Morita, a premiação é uma forma de reconhecer iniciativas relevantes, trocar experiências e gerar aprendizado. “Entendemos que atuar  por uma cultura de inclusão passa por valorizar quem trabalha em prol da participação da pessoa com deficiência em uma Justiça do Trabalho capaz de acolher a todos “, disse.

Ao todo, 32 projetos concorreram ao prêmio. Conheça as iniciativas. 

Assista às apresentações na íntegra. 

TST

https://www.tst.jus.br/web/guest/-/tst-incentiva-inclus%C3%A3o-e-contrata%C3%A7%C3%A3o-de-pessoas-com-defici%C3%AAncia-no-mercado-de-trabalho%C2%A0

Até militares poderão acompanhar a apuração dos votos: não existe ‘sala secreta’ no TSE

TRT-RS concede horas extras a corretor de imóveis que cumpria jornada controlada

O colegiado considerou que a atividade desempenhada era predominantemente interna e que havia efetiva supervisão sobre a sua jornada de trabalho

A 7ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS) julgou procedente o pedido de pagamento de horas extras feito por um corretor de imóveis de Porto Alegre/RS. O colegiado considerou que a atividade desempenhada era predominantemente interna e que havia efetiva supervisão sobre a sua jornada de trabalho, de modo a ensejar o pagamento de horas extras. A decisão unânime do colegiado confirma a sentença proferida pela juíza Carla Sanvicente Vieira, da 1ª Vara do Trabalho de Porto Alegre.

A tese da imobiliária era de que o empregado trabalhava externamente, sem jornada a cumprir. No entanto, com base na prova testemunhal, a sentença concluiu que o corretor de imóveis cumpria horário de segunda-feira a sábado, das 8h30min às 19h, em dois domingos por mês e em metade dos feriados, das 9h às 19h, além de participar de reuniões e outras atividades da empresa, como a realização de feirões. As testemunhas também relataram que a jornada de trabalho era controlada por uma empregada que verificava, três vezes por dia, a presença dos gerentes e corretores na respectiva bancada, dentro da imobiliária.

Com base nesses elementos, a juíza de primeiro grau entendeu que o trabalho ocorria principalmente dentro da imobiliária, sendo plenamente possível o controle de jornada pela empregadora. Conforme a magistrada, isso “afasta a exceção do art. 62, I, da CLT”. Em decorrência, a imobiliária foi condenada ao pagamento de horas extras, inclusive pela supressão do intervalo intrajornada, e pelas atividades aos domingos e feriados, sem folga semanal.

A empresa recorreu ao TRT-4. Para o relator do caso na 7ª Turma, desembargador Emilio Papaleo Zin, “a aplicabilidade do artigo 62, I, da CLT, depende do preenchimento de três requisitos, quais sejam, a realização de atividade externa, a incompatibilidade desta com a fixação de jornada e o registro da condição na carteira de trabalho do empregado”. No caso do processo, a partir da análise da prova oral, o magistrado manifestou que a atividade do corretor era compatível com o efetivo controle de jornada. Nesses termos, o julgador considerou estar correta a sentença ao afastar a aplicação do art. 62, I, da CLT”. Em decorrência, a Turma manteve a sentença de improcedência.

Fonte: TRT da 4ª Região (RS)

https://www.csjt.jus.br/web/csjt/-/trt-rs-concede-horas-extras-a-corretor-de-im%C3%B3veis-que-cumpria-jornada-controlada

Até militares poderão acompanhar a apuração dos votos: não existe ‘sala secreta’ no TSE

Como o racismo no trabalho impacta a saúde mental?

Uma pesquisa deste ano mostrou que o racismo é a principal forma de discriminação no trabalho em 75% das empresas brasileiras. Ao redor do mundo, 82% dos entrevistados afirmaram que já presenciaram algum tipo de discriminação nesse ambiente. Os dados demonstram a importância de entender os motivos da existência do racismo nos espaços de trabalho, os impactos para a saúde mental dos trabalhadores e como é possível identificar atitudes discriminatórias que podem acontecer com você ou com os seus colegas.

Mercado de trabalho e diversidade racial

O racismo pode acontecer até mesmo antes da contratação. O Movimento Potências Negras informa que 63% das mulheres negras já passaram por situações de discriminação em processos seletivos. Outra informação importante é a diferença salarial. A última edição da Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios mostra que a remuneração de trabalhadores negros é, em média, 45% menor do que a dos funcionários brancos.

Arthur Lima é fundador da plataforma AfroSaúde e estuda a saúde da população negra. Para ele, os dados mencionados refletem a construção do país sustentada pelo racismo:

“Toda a base do mundo do trabalho que vivemos hoje foi construída por um perfil específico: os homens brancos. As discriminações geralmente começam nos processos seletivos, onde as características das pessoas negras são apontadas como não pertencentes a determinado lugar: seja o cabelo crespo, os dreads, as tranças ou simplesmente porque é um corpo preto adentrando aquele espaço. E as violências permanecem com as invalidações e os silenciamentos”.

Brancos ocupam cerca de 90% dos cargos de gerência das 500 maiores empresas do Brasil, de acordo com o Instituto Ethos. Heitor Marques Santos, analista de desenvolvimento de pessoas na EmpregueAfro, avalia que o racismo estrutural é o principal motivo para a manutenção das desigualdades também no mercado de trabalho:

“A falta de representatividade — não só na liderança, mas também no quadro de colaboradores — leva a consequências negativas nos espaços de relacionamento. Recebemos denúncias de piadas e microagressões racistas referentes aos traços negroides e religiões de matriz africana. Outro ponto são estigmas atribuídos sobre as pessoas negras da equipe; é comum atribuírem às pessoas negras o rótulo de arrogantes quando não são subservientes”.

Como o racismo afeta a saúde mental dos trabalhadores

A discriminação racial é reconhecida como potencializadora do surgimento de doenças e síndromes que prejudicam a saúde psicológica, como ansiedadedepressão e burnout. Arthur Lima informa que as consequências da exposição ao racismo podem ser notadas de forma imediata ou ao longo dos anos:

“As principais consequências de fato estão relacionadas à saúde mental. As chances de uma pessoa desenvolver quadros mais severos de ansiedade e depressão são grandes por conta do impacto da violência sofrida e por medo de aquilo se repetir, o que deixará o indivíduo em constante estado de alerta no trabalho”, informa. O pesquisador questiona a falta de segurança nas empresas: “Se o ambiente de trabalho também é perigoso, como podemos viver e de fato ser quem nós somos no mundo?”.

O burnout, distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico provocados por condições de trabalho desgastantes, foi reconhecido no início de 2022 como uma doença ocupacional. “Os sintomas mais frequentes são pensamentos negativos, dor de cabeça, insônia, dificuldade para se concentrar em qualquer atividade, lapsos de memória, pessimismo generalizado e sensação de fracasso e desesperança”, define Heitor Santos.

O psicólogo acrescenta que a tentativa de adequação aos ambientes com maioria de pessoas brancas gera uma sobrecarga prejudicial à saúde mental dos profissionais negros. O impacto do racismo no dia a dia dos trabalhadores pode ser observado com algumas ações:

  • Autocríticas excessivas sobre a sua performance e resultados;
  • Comparações frequentes com outras pessoas;
  • Autossabotagem por medo de resultados não satisfatórios.

A psicóloga Luísa Parreira analisa que a sociedade brasileira coloca negros em diversas situações de desvantagens em relação às pessoas brancas: salários, oportunidades, violência, autoestima. Tudo isso impacta a saúde mental em várias esferas da vida que vão além do trabalho. É difícil para muitas pessoas negras identificarem as situações de racismo justamente porque essa opressão tem mudado e criado novas formas:

“É muito comum a gente ver pessoas negras dizendo: eu sinto algum desconforto, incômodo em um espaço ou em alguma relação, mas não sei dizer exatamente onde está o problema. Mas a relação está tensa, o ambiente está tenso. Elas trazem para si a dúvida”, explica.

Mesmo que a pessoa não tenha passado por alguma situação de racismo, ver colegas e até pessoas desconhecidas serem afetadas por isso também gera grande sofrimento, sensação de insegurança e medo, e impacta diretamente a saúde mental. E isso tem nome: trauma vicário, que é quando você não sofreu diretamente uma violência mas testemunhou alguém que passou por ela.

Sinais do racismo no ambiente de trabalho

A psicóloga Mayara Gonçalves, especialista em gestão de recursos humanos, e Davi Akintolá, jornalista e estudioso das relações raciais, elaboraram um pequeno guia para identificar o racismo no ambiente corporativo. Eles afirmam que é possível fazer o exercício de reconhecer estas atitudes a partir da própria experiência ou observando o tratamento dado aos colegas brancos e negros.

  • Descredibilização: o questionamento não vem em relação ao trabalho, mas sim em relação à pessoa. O ataque é pessoal.
  • Policiamento de tom: o que você diz é muito importante, mas não pode ser dito “desta forma”.
  • Apagamento: você tem espaço para falar, mas, após a sua fala, todas as pessoas fazem silêncio e mudam de assunto.
  • Salvacionismo branco: a exigência de uma gratidão despropositada, como se a sua competência e o seu trabalho não justificassem a sua permanência e o seu salário.
  • Dois pesos e duas medidas: a régua da tolerância ao erro diminui. Os requisitos para promoção aumentam.
  • Reconhecimento vazio: você é incrível. Mas sem aumento, sem promoção, sem avanço na carreira.
  • Sua entrega nunca é suficiente: nem mesmo quando alcança a meta. Nesse caso, não alcançou como deveria.
  • Inclusão simbólica: ser o único naquele espaço. Isolamento dos seus pares.
  • Esvaziamento da posição: quando finalmente você se senta na cadeira de liderança, o prestígio, o respeito, a autonomia e a autoridade não vêm junto.

Assim, fica o questionamento: o que pode ser feito para mudar essa realidade? Heitor Santos sugere que o antirracismo e a diversidade devem ser promovidos pela construção de processos seletivos mais inclusivos, mudança de cultura na empresa e ações que vão garantir a permanência de pessoas negras.

E o compromisso pelo fim do racismo no ambiente de trabalho deve ser preocupação também das pessoas brancas, de acordo com Santos. O psicólogo orienta as medidas que devem ser tomadas ao presenciar uma injúria racial ou situação de racismo:

“É importante acionar os canais de denúncia da organização e o setor de recursos humanos, mesmo que de forma anônima. Por vezes, pessoas negras se sentem inseguras e sozinhas para agir. Angela Davis (filósofa norte-americana) diz que não basta não ser racista, é preciso ser antirracista. E caso a denúncia siga fora do ambiente corporativo, é possível obter reparações e indenizações”, explica.

Suicídio entre os jovens negros

Setembro Amarelo é o mês dedicado à conscientização da saúde mental e prevenção ao suicídio. A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra — publicada em 2009 pelo Ministério da Saúde — reconhece que o racismo é um problema que dificulta o acesso aos serviços de saúde e também é um fator de agravamento tanto da saúde física quanto da mental.

No Brasil, as taxas de suicídio entre a população negra vêm aumentando especialmente entre os adolescentes. Uma pesquisa do Ministério da Saúde e da Universidade de Brasília analisou os dados de suicídio de 2012 a 2016 na base da dados do Sistema Único de Saúde (DATASUS) e concluiu que:

  • Em 2016, o risco de suicídio foi 45% maior em adolescentes e jovens negros comparados aos brancos;
  • No mesmo ano, entre as mulheres adolescentes e jovens, o risco de suicídio foi 20% maior que entre brancas;
  • Adolescentes (10 a 19 anos) negros apresentaram um risco 67% maior de suicídio.

Parreira informa que o suicídio é um fenômeno multideterminado. Ou seja, não é determinado por apenas um motivo, e nenhum suicídio é igual ao outro. Ao mesmo tempo, a psicóloga informa que é possível analisar esse fenômeno de forma coletiva, uma vez que os números mostram que os jovens negros estão sofrendo mais com esse problema:

“Coletivamente falando, por que os jovens negros têm mais chances de suicídio? Vivem em condição de maior vulnerabilidade, a exclusão é muito grande. O mundo está dizendo: você não é bem-vindo, não haverá trabalho nem segurança, você não pode sair de casa, você vai tomar baculejo toda vez. O suicídio entre jovens negros é mais que uma questão individual”, conclui a psicóloga Parreira.

Fonte: Drauzio Varella
Data original da publicação: 20/09/2022

DMT: https://www.dmtemdebate.com.br/como-o-racismo-no-trabalho-impacta-a-saude-mental/