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UNICIDADE
DESENVOLVIMENTO
JUSTIÇA SOCIAL

Brasil precisa rever papel do Estado para ser quarta economia do mundo

Brasil precisa rever papel do Estado para ser quarta economia do mundo

Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), lembra que parte da população brasileira ainda está submetida a condições de vida e de trabalho que são de simples sobrevivência
 
“O Estado brasileiro não tem um padrão de funcionamento, devemos fazer um destaque à sua insuficiência e, de certa maneira, à ineficiência de políticas públicas em determinados aspectos”.
 
A posição é de Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), exposta durante apresentação do estudo “A presença do Estado no Brasil”, nesta terça-feira (10), na capital paulista. Longe de criticar a presença e a intervenção do Estado, o que o estudo sugere é um desafio de ações mais efetivas no combate a desigualdades e ao subdesenvolvimento que persiste no país, apesar do avanço econômico.
 
Brasil: sexta economia

Em novembro e dezembro de 2011, diferentes institutos privados internacionais divulgaram estudos apontando que o Brasil passou o Reino Unido como sexto maior Produto Interno Bruto (PIB) – a soma das riquezas produzidas durante um ano por um país – do mundo. A crise do país europeu e o crescimento brasileiro apesar das instabilidades externas provocou o cenário favorável, mas não significam que as mazelas sociais foram superadas.
 
Pela projeção do Ipea, até o final da década, o país deve passar também a França, na quinta posição, e a Alemanha, atualmente quarta colocada. Apesar disso, o Brasil ainda convive com situações de subdesenvolvimento.
 
Pochmann afirma que essa questão não está superada por haver ainda uma parcela grande da população em situação de miséria. De acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 16,2 milhões de brasileiros viviam em famílias com renda mensal menor de R$ 70 por pessoa.
 
“É importante observar a trajetória ascendente do Brasil dentro de um contexto em que o Estado, certamente, continuará sendo muito importante não apenas no enfrentamento das mazelas que nos acompanham, mas no contexto internacional, de uma economia global e uma sociedade do conhecimento”, destacou o presidente do Ipea.
 
Desigualdade regional

Para Pochmann, existem políticas voltadas a compensar desigualdades regionais, favorecendo áreas pobres ou desprovidas de recursos adequados. Outras mostram o contrário: locais mais ricos recebem mais verbas. “Não estou defendendo um Estado só para pobres. O que destaco é aquele padrão de Estado em que se oferece para determinadas regiões que são mais ricas, porque isso não pode ser universalizado e homogeneizado”, pontua o presidente do Ipea.
 
Um dos grandes destaques do estudo são as políticas de assistência social, como o Bolsa Família. Do total de repasses do programa, 51,1% dos recursos vão para o Nordeste, ainda que a população da região represente 28% do total de habitantes do país. Ao mesmo tempo, o Sudeste, que possui 42,2% dos brasileiros, recebe 24,7% do orçamento anual do projeto.
 
A distribuição dos recursos do governo federal, segundo Pochmann, não é homogênea porque atende às necessidades locais com o objetivo de reequilibrar as diferenças regionais. “Nesse exemplo, o Estado coloca mais recursos na proporção inversa ao tamanho da população porque ali existem mais pobres”, afirmou.
 
Benefícios previdenciários

O mesmo tipo de mecanismo verifica-se em benefícios previdenciários, que têm ajudado a reduzir as desigualdades regionais. Mas esse tipo de ação, segundo o economista, não substituem investimentos em áreas como saúde e educação em regiões menos assistidas.
 
A educação é um dos setores em que a disparidade se manifesta entre unidades da federação. O Distrito Federal, por exemplo, tem 68% dos jovens matriculados no ensino médio da rede pública. Na outra ponta da lista, o índice mais baixo de matrículas está em Rondônia, onde apenas 31,6% da população de 15 a 17 anos possui frequência escolar durante o ano letivo.
 
Também há diferenças no nível de qualificação dos professores pelo Brasil. Segundo Pochmann, enquanto no Norte 51% dos professores de ensino fundamental têm formação superior, no Sul esse percentual é de 82%.
 
Na saúde, os resultados sinalizam uma distância representativa entre o número de médicos por habitantes nas diferentes regiões do Brasil. Enquanto nas regiões Sul e Sudeste há 3,7 médicos por mil habitantes, na região Norte o número cai para 1,9 médico por mil habitantes.
 
Esse tipo de situação é grave porque tende a reforçar e a preservar as desigualdades, em vez de combatê-las.

Brasil precisa rever papel do Estado para ser quarta economia do mundo

Brasil precisa rever papel do Estado para ser quarta economia do mundo

Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), lembra que parte da população brasileira ainda está submetida a condições de vida e de trabalho que são de simples sobrevivência
 
“O Estado brasileiro não tem um padrão de funcionamento, devemos fazer um destaque à sua insuficiência e, de certa maneira, à ineficiência de políticas públicas em determinados aspectos”.
 
A posição é de Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), exposta durante apresentação do estudo “A presença do Estado no Brasil”, nesta terça-feira (10), na capital paulista. Longe de criticar a presença e a intervenção do Estado, o que o estudo sugere é um desafio de ações mais efetivas no combate a desigualdades e ao subdesenvolvimento que persiste no país, apesar do avanço econômico.
 
Brasil: sexta economia

Em novembro e dezembro de 2011, diferentes institutos privados internacionais divulgaram estudos apontando que o Brasil passou o Reino Unido como sexto maior Produto Interno Bruto (PIB) – a soma das riquezas produzidas durante um ano por um país – do mundo. A crise do país europeu e o crescimento brasileiro apesar das instabilidades externas provocou o cenário favorável, mas não significam que as mazelas sociais foram superadas.
 
Pela projeção do Ipea, até o final da década, o país deve passar também a França, na quinta posição, e a Alemanha, atualmente quarta colocada. Apesar disso, o Brasil ainda convive com situações de subdesenvolvimento.
 
Pochmann afirma que essa questão não está superada por haver ainda uma parcela grande da população em situação de miséria. De acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 16,2 milhões de brasileiros viviam em famílias com renda mensal menor de R$ 70 por pessoa.
 
“É importante observar a trajetória ascendente do Brasil dentro de um contexto em que o Estado, certamente, continuará sendo muito importante não apenas no enfrentamento das mazelas que nos acompanham, mas no contexto internacional, de uma economia global e uma sociedade do conhecimento”, destacou o presidente do Ipea.
 
Desigualdade regional

Para Pochmann, existem políticas voltadas a compensar desigualdades regionais, favorecendo áreas pobres ou desprovidas de recursos adequados. Outras mostram o contrário: locais mais ricos recebem mais verbas. “Não estou defendendo um Estado só para pobres. O que destaco é aquele padrão de Estado em que se oferece para determinadas regiões que são mais ricas, porque isso não pode ser universalizado e homogeneizado”, pontua o presidente do Ipea.
 
Um dos grandes destaques do estudo são as políticas de assistência social, como o Bolsa Família. Do total de repasses do programa, 51,1% dos recursos vão para o Nordeste, ainda que a população da região represente 28% do total de habitantes do país. Ao mesmo tempo, o Sudeste, que possui 42,2% dos brasileiros, recebe 24,7% do orçamento anual do projeto.
 
A distribuição dos recursos do governo federal, segundo Pochmann, não é homogênea porque atende às necessidades locais com o objetivo de reequilibrar as diferenças regionais. “Nesse exemplo, o Estado coloca mais recursos na proporção inversa ao tamanho da população porque ali existem mais pobres”, afirmou.
 
Benefícios previdenciários

O mesmo tipo de mecanismo verifica-se em benefícios previdenciários, que têm ajudado a reduzir as desigualdades regionais. Mas esse tipo de ação, segundo o economista, não substituem investimentos em áreas como saúde e educação em regiões menos assistidas.
 
A educação é um dos setores em que a disparidade se manifesta entre unidades da federação. O Distrito Federal, por exemplo, tem 68% dos jovens matriculados no ensino médio da rede pública. Na outra ponta da lista, o índice mais baixo de matrículas está em Rondônia, onde apenas 31,6% da população de 15 a 17 anos possui frequência escolar durante o ano letivo.
 
Também há diferenças no nível de qualificação dos professores pelo Brasil. Segundo Pochmann, enquanto no Norte 51% dos professores de ensino fundamental têm formação superior, no Sul esse percentual é de 82%.
 
Na saúde, os resultados sinalizam uma distância representativa entre o número de médicos por habitantes nas diferentes regiões do Brasil. Enquanto nas regiões Sul e Sudeste há 3,7 médicos por mil habitantes, na região Norte o número cai para 1,9 médico por mil habitantes.
 
Esse tipo de situação é grave porque tende a reforçar e a preservar as desigualdades, em vez de combatê-las.

Brasil precisa rever papel do Estado para ser quarta economia do mundo

Indústria paranaense é a terceira que mais cresce no País

A indústria paranaense manteve o bom nível de crescimento em novembro passado (5,4% em comparativo com outubro) e continua em alta de 5,2% no acumulado dos últimos 12 meses – ficando em terceiro lugar entre os 14 locais pesquisados – atrás apenas de Goiás (6,5%) e Espírito Santo (6,1%). Quando comparados os meses de novembro de 2011 e 2010, o crescimento é ainda mais substancial, de 9,2%. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
Os números reforçaram que o Brasil deve fechar 2011 com um crescimento industrial extremamente tímido. Entre janeiro e novembro, o País acumulou alta de apenas 0,4%, já que cinco estados têm desempenho negativo. O destaque entre os que estão no vermelho é o Ceará, com -12,1%. No levantamento do terceiro trimestre de 2011, a industria paranaense teve a segunda melhor perfomance nacional, com expansão de 9,5%, contra 9,7% de Goiás e zero do Brasil. 
Os setores que mais impulsionaram a indústria do Paraná no ano passado foram caminhões, cabos de fibra ótica, gasolina, diesel, metais e madeira. De acordo com o economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, o levantamento mostra a forte estrutura industrial que o Estado possui. ”Principalmente quando falamos da indústria de alimentos, na qual tivemos uma boa safra, e pecuária, que até agora está conseguindo se manter distante dos problemas fitossanitários que atingem o Paraguai”, relata. 
Ele também relembra a sondagem industrial divulgada pela entidade, embasada em dados do IBGE, com base em 2002, que mostra que o índice de produção física do Paraná é o melhor entre os estados da região sul e sudeste, com crescimento de 55,73%. O valor é acima do Espírito Santo (53,59%), São Paulo (34,31%) e Minas Gerais (32,48%) e quase o dobro da média nacional, que fica em 28,95% nestes nove anos de avaliação. 
A indústria paranaense também deve fechar 2011 acima do Produto Interno Bruto (PIB) do próprio Estado, que deve ficar em 4,1%, de acordo com estimativa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Zurcher relata que este fenômeno não acontece na maioria dos estados da Federação, já que grande parte sofre com os produtos importados. ”A indústria do Paraná está recebendo investimentos, é competitiva e tem boa capacidade de produção. Mas o PIB também vem crescendo nos últimos anos e cada vez mais se aproxima dos de outros estados, como Santa Catarina”, conclui o economista. 
No País 
Na passagem de outubro para novembro, a produção industrial cresceu em oito dos 14 locais que compõem a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física. O avanço mais acentuado foi justamente em Goiás, que registrou expansão de 11,6% após a queda de 9% em outubro. Em segundo lugar ficou o Paraná, com alta de 5,4%, seguido por Espírito Santo (4,7%), Minas Gerais (4,6%) e Rio de Janeiro (3,9%). 
Os demais locais com expansão na produção acima da média nacional, que ficou em 0,3% no período, foram São Paulo (1,9%), recuperando parte da perda de 7,5% verificada nos dois últimos meses de queda na produção, Santa Catarina (1,6%) e Pará (0,5%). Na direção oposta, houve queda na produção no Ceará (-0,3%), Rio Grande do Sul (-1,3%), Pernambuco (-2,4%), região Nordeste (-2,9%), Amazonas (-3,0%) e Bahia (-6,4%). 
Na comparação com novembro de 2010, oito dos 14 locais mostraram queda na produção: Santa Catarina (-7,7%), Ceará (-6,8%), São Paulo (-4,9%), Bahia (-4,2%), Rio Grande do Sul (-3,4%), região Nordeste (-2,6%), Rio de Janeiro (-1,5%) e Pará (-1,0%). Houve avanço na produção em Goiás (13,3%), Paraná (9,2%), Espírito Santo (4,1%), Minas Gerais (2,8%), Pernambuco (1,9%) e Amazonas (0,5%).
Brasil precisa rever papel do Estado para ser quarta economia do mundo

Indústria paranaense é a terceira que mais cresce no País

A indústria paranaense manteve o bom nível de crescimento em novembro passado (5,4% em comparativo com outubro) e continua em alta de 5,2% no acumulado dos últimos 12 meses – ficando em terceiro lugar entre os 14 locais pesquisados – atrás apenas de Goiás (6,5%) e Espírito Santo (6,1%). Quando comparados os meses de novembro de 2011 e 2010, o crescimento é ainda mais substancial, de 9,2%. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
Os números reforçaram que o Brasil deve fechar 2011 com um crescimento industrial extremamente tímido. Entre janeiro e novembro, o País acumulou alta de apenas 0,4%, já que cinco estados têm desempenho negativo. O destaque entre os que estão no vermelho é o Ceará, com -12,1%. No levantamento do terceiro trimestre de 2011, a industria paranaense teve a segunda melhor perfomance nacional, com expansão de 9,5%, contra 9,7% de Goiás e zero do Brasil. 
Os setores que mais impulsionaram a indústria do Paraná no ano passado foram caminhões, cabos de fibra ótica, gasolina, diesel, metais e madeira. De acordo com o economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, o levantamento mostra a forte estrutura industrial que o Estado possui. ”Principalmente quando falamos da indústria de alimentos, na qual tivemos uma boa safra, e pecuária, que até agora está conseguindo se manter distante dos problemas fitossanitários que atingem o Paraguai”, relata. 
Ele também relembra a sondagem industrial divulgada pela entidade, embasada em dados do IBGE, com base em 2002, que mostra que o índice de produção física do Paraná é o melhor entre os estados da região sul e sudeste, com crescimento de 55,73%. O valor é acima do Espírito Santo (53,59%), São Paulo (34,31%) e Minas Gerais (32,48%) e quase o dobro da média nacional, que fica em 28,95% nestes nove anos de avaliação. 
A indústria paranaense também deve fechar 2011 acima do Produto Interno Bruto (PIB) do próprio Estado, que deve ficar em 4,1%, de acordo com estimativa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). Zurcher relata que este fenômeno não acontece na maioria dos estados da Federação, já que grande parte sofre com os produtos importados. ”A indústria do Paraná está recebendo investimentos, é competitiva e tem boa capacidade de produção. Mas o PIB também vem crescendo nos últimos anos e cada vez mais se aproxima dos de outros estados, como Santa Catarina”, conclui o economista. 
No País 
Na passagem de outubro para novembro, a produção industrial cresceu em oito dos 14 locais que compõem a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física. O avanço mais acentuado foi justamente em Goiás, que registrou expansão de 11,6% após a queda de 9% em outubro. Em segundo lugar ficou o Paraná, com alta de 5,4%, seguido por Espírito Santo (4,7%), Minas Gerais (4,6%) e Rio de Janeiro (3,9%). 
Os demais locais com expansão na produção acima da média nacional, que ficou em 0,3% no período, foram São Paulo (1,9%), recuperando parte da perda de 7,5% verificada nos dois últimos meses de queda na produção, Santa Catarina (1,6%) e Pará (0,5%). Na direção oposta, houve queda na produção no Ceará (-0,3%), Rio Grande do Sul (-1,3%), Pernambuco (-2,4%), região Nordeste (-2,9%), Amazonas (-3,0%) e Bahia (-6,4%). 
Na comparação com novembro de 2010, oito dos 14 locais mostraram queda na produção: Santa Catarina (-7,7%), Ceará (-6,8%), São Paulo (-4,9%), Bahia (-4,2%), Rio Grande do Sul (-3,4%), região Nordeste (-2,6%), Rio de Janeiro (-1,5%) e Pará (-1,0%). Houve avanço na produção em Goiás (13,3%), Paraná (9,2%), Espírito Santo (4,1%), Minas Gerais (2,8%), Pernambuco (1,9%) e Amazonas (0,5%).
Brasil precisa rever papel do Estado para ser quarta economia do mundo

Crise nos países desenvolvidos marca fim da hegemonia econômica

A recessão mundial vai se prolongar ao menos por mais dez anos, avalia o economista Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), para quem a atuação do Federal Reserve (FED, o banco central dos Estados Unidos) e do Banco Central Europeu (BCE) é focada apenas na resolução dos problemas financeiros, ignorando o crescimento econômico e, em especial, o crescente desemprego.
 
“Não há demanda por crédito, uma vez que as famílias estão endividadas, e o desemprego é alto. As taxas de juros nos EUA e na União Europeia vão continuar baixas por muitos anos”, disse. Para ele, o Brasil será diretamente envolvido neste cenário. “O mercado consumidor do mundo para nossas exportações continuará depreciado.”
 
Um dos principais conselheiros do ministro da Fazenda, Guido Mantega, Nakano abriu nesta segunda-feira (9) o Latin American Advanced Programme on Rethinking Macro and Development Economics (Laporde 2012), seminário promovido pela FGV em parceria com a Universidade de Cambridge (EUA).
 
Segundo Nakano, a crise dos países desenvolvidos marca o fim da hegemonia econômica e política dos Estados Unidos e o início de um período no qual há um vácuo não apenas de poder, mas também de ideologia e consenso político.
 
Nesse contexto, disse, há uma redistribuição de liderança na economia mundial e os países emergentes ganham mais destaque, principalmente a China, cujo PIB deve ultrapassar o dos EUA em 2018, na previsão de economistas.
 
Analisando o cenário interno, Nakano afirmou que o Banco Central (BC) não será mais um obstáculo ao crescimento. “O BC e o governo não têm mais apenas a inflação como meta. Esse é um avanço muito importante.” Ele acredita que, se o BC tiver a ajuda da política fiscal, a taxa básica de juros da economia brasileira, pode chegar a um dígito ainda neste ano.

Brasil precisa rever papel do Estado para ser quarta economia do mundo

Crise nos países desenvolvidos marca fim da hegemonia econômica

A recessão mundial vai se prolongar ao menos por mais dez anos, avalia o economista Yoshiaki Nakano, diretor da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), para quem a atuação do Federal Reserve (FED, o banco central dos Estados Unidos) e do Banco Central Europeu (BCE) é focada apenas na resolução dos problemas financeiros, ignorando o crescimento econômico e, em especial, o crescente desemprego.
 
“Não há demanda por crédito, uma vez que as famílias estão endividadas, e o desemprego é alto. As taxas de juros nos EUA e na União Europeia vão continuar baixas por muitos anos”, disse. Para ele, o Brasil será diretamente envolvido neste cenário. “O mercado consumidor do mundo para nossas exportações continuará depreciado.”
 
Um dos principais conselheiros do ministro da Fazenda, Guido Mantega, Nakano abriu nesta segunda-feira (9) o Latin American Advanced Programme on Rethinking Macro and Development Economics (Laporde 2012), seminário promovido pela FGV em parceria com a Universidade de Cambridge (EUA).
 
Segundo Nakano, a crise dos países desenvolvidos marca o fim da hegemonia econômica e política dos Estados Unidos e o início de um período no qual há um vácuo não apenas de poder, mas também de ideologia e consenso político.
 
Nesse contexto, disse, há uma redistribuição de liderança na economia mundial e os países emergentes ganham mais destaque, principalmente a China, cujo PIB deve ultrapassar o dos EUA em 2018, na previsão de economistas.
 
Analisando o cenário interno, Nakano afirmou que o Banco Central (BC) não será mais um obstáculo ao crescimento. “O BC e o governo não têm mais apenas a inflação como meta. Esse é um avanço muito importante.” Ele acredita que, se o BC tiver a ajuda da política fiscal, a taxa básica de juros da economia brasileira, pode chegar a um dígito ainda neste ano.